É um sobressalto para qualquer alma encarnar, como
acreditam os espíritas, em um ser humano que viverá em um país capitalista. O
ser pode não ser agraciado geneticamente com uma mente e um corpo propícios à
sobrevivência neste sistema. Além disso, a aleatoriedade pode escolher um
núcleo populacional sem respeito à vida, sem garantia de instrução, atendimento
à saúde, acesso a moradia etc, graças à própria agressividade que o capitalismo
induz. O núcleo familiar receptor pode também contribuir para a desgraça do
ser, que, a estas alturas, se consciente da roleta que participa, desejará não
mais nascer.
Estou sendo um pouco radical, uma vez que esta roleta
tem uns poucos números de sorte, que correspondem a locais na Terra onde há
vida menos desumana, com o capitalismo mitigado. Existem algumas sociedades em
que cada ser tem maior consideração com seus pares, apesar de não se importar
que haja exploração dos seres de outras sociedades. É como se os seres
estrangeiros não pertencessem aos humanos. As guerras, em muitos casos, são
consequência da exploração alheia. Se esta necessidade de acúmulo de riquezas não
for domada, ela levará à extinção da espécie, dado seu alto grau de exploração
humana, guerras e agressão ao meio ambiente.
RIO - A 9.ª Vara da Fazenda Pública do Rio concedeu decisão favorável a cinco proprietários de cadeiras cativas do Maracanã
que não puderam assistir ao amistoso Brasil x Inglaterra e aos jogos da
Copa das Confederações, no ano passado. Pela sentença da juíza Luciana
da Cunha Martins Oliveira, publicada em 18 de dezembro, cada
proprietário receberá indenização no valor de R$ 6,5 mil mais o valor
referente aos ingressos, além de ter o direito de assistir a todos os
jogos de "eventos Fifa" no estádio, o que inclui a Copa do Mundo. A decisão é em primeira instância e cabe recurso.
Isabela Vieira* Repórter da Agência Brasil Um grupo de pessoas que participava da manifestação
nos arredores do estádio Maracanã entrou em confronto com a polícia há
pouco. O clima ficou tenso depois que manifestantes arremessaram
objetos, como latas e pedras, nos policiais, que revidaram com bombas de
gás para dispersar o grupo. O veículo blindado da Polícia Militar, conhecido como caveirão,
permanece estacionado na esquina entre a Avenida Maracanã e a Rua
Professor Henrique Rebelo. *Colaborou Akemi Nitahara // Edição: Juliana Andrade = = = = = = = = = = = = E a polícia usa bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. E, claro, spray de pimenta para dispersar a multidão que se manifesta.
Cerca de 3 mil
manifestantes que estavam concentrados na Praça Saens Pena desde a manhã
deste domingo (30) iniciaram a marcha rumo ao estádio do Maracanã, onde
à noite o Brasil enfrenta a Espanha pela final da Copa das
Confederações.
Dos apartamentos, moradores da Tijuca aplaudem e
incentivam o protesto, que critica a privatização do estádio, os gastos
com a Copa do Mundo e a demolição do Parque Julio Delamare e o Estádio
Célio de Barros.
Um grande contingente de policiais militares reforça a segurança na região, mas o movimento segue pacífico.
Contingente policial do Rio dobra para final da Copa das Confederações
A
segurança nos arredores do Maracanã neste domingo, dia da final da Copa
das Confederações, ficará a cargo de 10,6 mil policiais, um contingente
duas vezes maior do que o habitual. Além disso, serão acrescentados 7,4
mil militares das Forças Armadas.
De acordo com a Secretaria
Extraordinária de Grandes Eventos, do Ministério da Justiça, 10 mil
integrantes das polícias Civil, Federal e Militar e 600 agentes da Força
Nacional de Segurança participarão do esquema de segurança, o maior Já
realizado na capital fluminense.
Os 7,4 mil militares do Exército,
da Marinha e da Aeronáutica serão distribuídos em pontos estratégicos
da cidade com o objetivo de apoiar o esquema de segurança, que terá
ainda o auxílio de 735 agentes no controle do tráfego de veículos.
Ministério Público tenta barrar PPP que privilegia empresas às custas
dos cofres públicos e destrói equipamentos importantes para treinamento
dos atletas
O promotor Eduardo Santos Carvalho, da 8ª Promotoria de Justiça de
Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania da Capital, foi um dos
responsáveis pela ação civil pública movida pelo Ministério Público do
Rio de Janeiro, em abril. A ação traz questionamentos sobre o processo
de licitação para concessão de 35 anos do Complexo do Maracanã, que teve
como vencedor o grupo que reúne a Odebrecht, a IMX e a AEG.
De acordo com Carvalho, há problemas no processo licitatório, que
privilegiou algumas empresas e criou descompasso entre investimento
público e remuneração privada; além de prejudicar os atletas brasileiros
pela destruição do ginásio de atletismo Célio Barros e do Parque
Aquático Julio de Lamare, esse o único espaço de treinamento de
modalidades olímpicas como o nado sincronizado.
O
Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro obteve, nesta
sexta-feira (10/05), uma liminar impedindo a contratação do consórcio
vencedor da licitação para a concessão do complexo do Maracanã. A
liminar também impede que o estado conceda a terceiros o direito de
exploração da área do entorno do Estádio do Maracanã e do Ginásio do
Maracanãzinho. Em caso de descumprimento, a multa será de R$ 5 milhões.
A
ação civil pública do MPRJ foi ajuizada em 09 de abril pela 8ª
Promotoria de Justiça de Tutela Coletiva de Defesa da Cidadania da
Capital. A decisão é da juíza Gisele Guida de Faria, da 9ª Vara de
Fazenda Pública.
O procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro,
Marfan Martins Vieira, entrou com um recurso no Tribunal de Justiça do
Estado contra o processo de licitação para a concessão do Estádio Mário
Filho, o Maracanã. É a segunda tentativa do Ministério Público Estadual
para anular o processo licitatório.
Os convidados que chegam neste sábado (27) ao Maracanã para o jogo
festivo entre os Amigos de Bebeto e Ronaldo precisam de paciência para
enfrentar os muitos problemas provenientes da pressa para cumprir o
prazo de entrega do Estádio Mário Filho.
Logo
na chegada do público, na entrada da estátua do Bellini, chama atenção o
piso irregular das rampas monumentais, onde pequenos desníveis são
comuns e até buracos são encontrados no caminho, colocando em risco, sobretudo, pessoas com dificuldades de locomoção.
Hall por onde passaram jornalistas foi alagado por goteiras
Nem mesmo os VIPs e a imprensa escaparam. O elevador destinado às equipes
de reportagem teve problemas técnicos, obrigando os profissionais a
transportarem equipamentos no meio do público. No hall de entrada dos
VIPs, goteiras inundaram o chão. Sem saber como agir, funcionários
relatavam por rádio que "banheiros estão sem água".
Alguns
dos funcionários ainda tentavam impedir que a imprensa fizesse imagens
dos problemas. "Não pode filmar aí", gritou uma colaboradora do governo
do Estado. "Vamos subir direto para as cadeiras, emendava outra na
direção de um cinegrafista que insistia nas imagens do chão totalmente
alagado por goteiras.
A cena protagonizada no sábado (12) por policiais militares do Batalhão de Choque, fortemente armados e com uniformes típicos de confronto, cercando um prédio onde estavam indígenas munidos de arco e flecha, pode parecer bisonha em pleno século XXI, mas além do ridículo da situação, demonstra a maneira pouco democrática com que o governo do estado do Rio de Janeiro conduz a questão da reforma do Estádio do Maracanã.
Naquele estádio, em 16 de julho de 1950, o Brasil se viu derrotado na Copa do Mundo quando, na final, o uruguaio Alcides Ghiggia marcou o gol da virada que deu ao país vizinho seu segundo e último título de campeão mundial. Anos mais tarde, de forma irônica, o jogador comentou a façanha destacando que “apenas três pessoas, com um único gesto, calaram um Maracanã com 200 mil pessoas: Frank Sinatra, o papa João Paulo II e eu”.
Isto apenas mostra que o Maracanã, ao longo dos seus 62 anos, já recebeu públicos variados. Na época em que suas arquibancadas eram corridas – sem cadeiras individuais – e que existia a famosa “geralzona”, onde o público – a maioria pobre, mas não apenas eles – assistia aos jogos em pé, ao redor do campo, o Estádio Mário Filho abrigou facilmente quantidade muito superior aos 100 mil torcedores.
O governador Sérgio Cabral Filho, vascaíno doente e descendente de um jornalista que além do samba é vidrado no futebol, certamente quando criança e jovem esteve em jogos que tenham atraído esta multidão de admiradores do esporte. Sempre em quantidade muito superior aos 76 mil espectadores que o estádio abrigará, por exigência da Fifa, na Copa do Mundo de 2014, após a reforma que está instalando cadeiras individuais nas antigas arquibancadas.
Um grande aparato policial foi usado para intimidar os índios, que ocupam a Aldeia Maracanã
Uma reforma que foi decidida entre quatro paredes, sem a participação do público, nem nenhum tipo de consulta mais aberta a especialistas ou órgãos de classe. Prevaleceram os interesses da Fifa, da CBF, na época presidida por Ricardo Teixeira que, todos sabem, comandou a entidade movido por propósitos nem sempre muito claros, e pelos governantes do Rio, Sérgio Cabral à frente. Mas a reforma está sendo sustentada com dinheiro público, de bancos oficiais, ou seja, em última instância, pelos impostos que os torcedores – aqueles que não foram jamais ouvidos – recolhem.
Curiosamente, o projeto estipulado entre quatro paredes e sem a participação popular decidiu pela impossibilidade de convivência entre o estádio reformado e um prédio erguido naquela região muito antes de se pensar em ali se instalar um estádio de futebol.
Datado de 1862, portanto com mais de 150 anos, o prédio do antigo Museu do Índio não tem valor histórico apenas pela sua construção centenária, mas pelo que abrigou. Foi nele que o marechal Rondon inicialmente, depois com a ajuda do antropólogo Darcy Ribeiro e dos irmãos Villas Boas, traçou e conquistou para o país a política nacional de preservação dos indígenas. Foi ali, por exemplo, que eles juntos travaram a batalha em defesa do Parque Nacional do Xingu que, como o filme de mesmo nome acaba de mostrar a milhões de pessoas, tanto nas salas de cinema quanto pela Rede Globo, garantiu a sobrevivência de diversas nações indígenas. E ali se manteve uma tradição indígena, fazendo do prédio abrigar a Aldeia Maracanã, que se transformou em referência para os índios no Rio de Janeiro.
A convivência entre o prédio com 150 anos e o estádio com 62 anos sempre foi pacífica. Mesmo tendo abrigado algumas vezes até 200 mil pessoas, não há registro de que o antigo prédio tenha atrapalhado a hoje denominada “mobilidade urbana”. Estas duas centenas de milhares de pessoas entraram e saíram do estádio Mário Filho sem maiores pertubações, às vezes incomodadas apenas pelos congestionamentos causados por carros particulares transportando quantidade ínfima de passageiros.
Ora, se no passado por ali circularam sem maiores problemas duas centenas de milhares de pessoas, sejam torcedores, fiéis que foram ver o papa ou fãs de Frank Sinatra, por que motivos há de se alegar que o prédio atrapalhará a “mobilidade urbana” em jogos onde são esperados muito menos espectadores?
Fala-se da necessidade de construção de um grande estacionamento. Ou seja, mais uma vez as autoridades priorizam o transporte individual, quando na verdade, em nome da “mobilidade” e até da defesa do meio ambiente, deveriam se preocupar não em derrubar um prédio, que em nada atrapalha o ir e vir dos torcedores, mas sim criar corredores exclusivos de ônibus para que estes, ao lado dos trens da SuperVia e do Metrô garantam o escoamento do publico sem maiores congestionamentos.
Na verdade, toda esta mobilização do governo, inclusive utilizando soldados do Batalhão de Choque que vivenciaram o ridículo papel de cercarem uma aldeia cujos índios possuíam apenas arcos, flechas e, talvez, tacapes improvisados, leva a crer que o governo de Sérgio Cabral está sendo movido por outros interesses.
O que se percebe é a vontade de limpar a área para que a iniciativa privada possa explorar a região com estacionamentos que terão preços abusivos e shoppings onde o chamado mercado irá faturar em cima dos 76 mil torcedores esperados nos jogos da Copa do Mundo. Por detrás disto, consta, estariam também os interesses do megaempresário Eike Batista, aquele que emprestava aviãozinho para os passeios do senhor governador.
Por conta de interesses não dos mais nobres é que toda a história do velho e centenário prédio onde outrora se desenhou a política indigenista do país e, por isto, abrigou o Museu do Índio e tornou-se referência para as tribos indígenas, está sendo jogada no lixo. O pior é que tudo pode acontecer com a omissão ou mesmo a participação do Judiciário Federal fluminense, uma vez que partiu da presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, Maria Helena Cisne, a decisão de suspender a liminar que impedia a remoção da aldeia indígena. Ainda há tempo de se evitar que se jogue um pedaço da História do Brasil na lata do lixo. Por enquanto, apenas a Defensoria Pública da União, alguns poucos políticos e movimentos sociais tentam evitar isto. Mas, quem sabe, outras entidades não despertarão do sono profundo no raiar desta segunda-feira, antes do governador promover nova cena dantesca, mandando fuzis e metralhadoras cercarem arcos, flechas, tacapes e parte da História do Brasil?