Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador rússia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador rússia. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 21 de abril de 2026

Anistia acusa EUA, Israel e Rússia de minar multilateralismo

Terça, 21 de abril de 2026

Anistia acusa EUA, Israel e Rússia de minar multilateralismo

Organização divulgou nesta terça relatório global sobre 144 países

Ana Cristina Campos - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 21/04/2026
Rio de Janeiro
Gideon Markowicz/Proibida reprodução

A organização de direitos humanos Anistia Internacional acusa Estados Unidos, Israel e Rússia de ataques predatórios contra o multilateralismo, o direito internacional e a sociedade civil, em seu relatório anual A situação dos direitos humanos no mundo, divulgado nesta terça-feira (21). O documento traz uma avaliação sobre 144 países.

De acordo com a secretária-geral da organização, Agnès Callamard, os predadores políticos e econômicos, "e aqueles que lhes facilitam a vida", estão sentenciando o fim do sistema multilateral, não porque ele seja ineficaz, mas porque não está a serviço de sua hegemonia e controle.

domingo, 26 de fevereiro de 2023

Guerra na Ucrânia: o Sul Global rejeita a Otan

Domingo, 26 de fevereiro de 2023

Instalação Lumbung, em Kassel, na Alemanha, realizada em 2022 pelo coletivo ruangrupa, de Jacarta, Indonésia

Guerra na Ucrânia: o Sul Global rejeita a Otan

Surpresa num estudo de Cambridge, a partir de pesquisas em 137 países: 70% simpatizam com a China e 66% com a Rússia. Cresce a crítica ao colonialismo – ampliada pelo apartheid vacinal, pilhagem financeira e desigualdade inédita

OUTRASPALAVRAS
Publicado 24/02/2023

Por Krishen Mehta na Monthly Review online | Tradução: Maurício Ayer

Em outubro de 2022, cerca de oito meses após o início da guerra na Ucrânia, a Universidade de Cambridge, no Reino Unido, harmonizou pesquisas que perguntavam aos habitantes de 137 países a respeito de suas opiniões sobre o Ocidente, a Rússia e a China. As descobertas em estudo combinado são robustas o suficiente para exigir de nós séria atenção.Das 6,3 bilhões de pessoas que vivem fora do Ocidente, 66% têm sentimento positivo em relação à Rússia e 70%, o mesmo em relação à China.

75% dos entrevistados do Sul da Ásia, 68% dos entrevistados da África francófona e 62% dos entrevistados do Sudeste Asiático relatam um sentimento positivo em relação à Rússia.

A opinião pública sobre a Rússia também é positiva na Arábia Saudita, Malásia, Índia, Paquistão e Vietnã.

Essas descobertas causaram alguma surpresa, e até raiva, no Ocidente. É difícil para os líderes ocidentais compreenderem que dois terços da população mundial simplesmente não estão alinhados com o Ocidente neste conflito. Não obstante, acredito que sejam cinco as razões pelas quais o Sul Global não se posicione do lado ocidental. Discuto essas razões brevemente a seguir.

1. O Sul Global não acredita que o Ocidente entenda ou tenha empatia pelos seus problemas

O ministro das Relações Exteriores da Índia, S. Jaishankar, resumiu sucintamente em uma entrevista recente: “A Europa precisa superar a mentalidade de que os problemas da Europa são problemas do mundo, mas os problemas do mundo não são problemas da Europa”. Os países em desenvolvimento enfrentam muitos desafios, desde as consequências da pandemia, o alto custo do serviço da dívida e a crise climática que devasta seus ambientes até a dor da pobreza, a escassez de alimentos, as secas e os altos preços de energia. O Ocidente mal deu ouvidos à seriedade de muitas dessas questões, mas insiste que o Sul Global se junte a ele nas sanções à Rússia.

A pandemia de covid-19 é um exemplo perfeito. Apesar dos repetidos apelos do Sul Global para que a propriedade intelectual das vacinas fosse compartilhada com o objetivo de salvar vidas, nenhuma nação ocidental se dispôs a fazê-lo. A África permanece até hoje o continente com as menores taxas de vacinação do mundo. As nações africanas têm capacidade para fabricar as vacinas, mas sem a propriedade intelectual necessária elas permanecem dependentes de importações.

A ajuda, porém, veio da Rússia, da China e da Índia. A Argélia lançou um programa de vacinação em janeiro de 2021, depois de receber seu primeiro lote de vacinas Sputnik V, da Rússia. O Egito iniciou as vacinações depois de receber a vacina chinesa Sinopharm quase ao mesmo tempo, enquanto a África do Sul adquiriu um milhão de doses de AstraZeneca do Serum Institute, da Índia. Na Argentina, a Sputnik tornou-se a base do programa nacional de vacinas. Enquanto tudo isso acontecia, o Ocidente usava seus recursos financeiros para antecipar a compra de milhões de doses, que muitas vezes eram destruídas por expirarem. A mensagem para o Sul Global foi clara: a pandemia em seus países é problema de vocês, não nosso.

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Faltou combinar com os russo — Os EUA e a situação na Síria


Segunda, 21 de setembro de 2015

 (Carta Maior|) -Tendo aberto a Caixa de Pandora na Síria, ao tentar retirar esse país da área de influência de Moscou, armando terroristas islâmicos para derrubar o governo - aliado russo - de Bashar Al Assad, e depois de destruir, nessa tentativa, a nação que tem mais refugiados hoje espalhados pelo mundo, Washington reconhece agora que terá de negociar com Moscou por meio de "discussões táticas práticas", para evitar "erros de cálculo" que possam colocar os EUA e a Rússia em conflito no teatro de operações sírio.
Incapaz de colocar tropas no local - seu negócio é brincar com joysticks, bombardeando apenas algumas posições do Estado Islâmico, um inimigo que eles próprios criaram, no Iraque e na Síria, dois países que estavam estáveis e em paz antes das recentes, em termos históricos, intervenções dos EUA e de seus aliados - Washington diz que quer evitar que algum soldado russo - existem vários deles no país, sediados na base naval russa de Tartus e na base aérea síria de Latakia - seja inadvertidamente ferido por ações militares "ocidentais", dirigidas contra os terroristas do EI.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

O Dragão e o Urso


Quinta, 12 de fevereiro de 2015
Depois de afirmar - sob pressão de um Congresso majoritariamente republicano - que pretendia enviar armamento letal "defensivo" para ser usado pelo governo ucraniano contra  “rebeldes” de cultura e etnia russa, o presidente dos EUA, Barack Obama, amenizou suas declarações, após se encontrar com Angela Merkel na Casa Branca.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Apelo desesperado da mãe da brasileira presa na Rússia

Sexta, 11 de outubro de 2013
Minha filha está presa na Rússia - injustamente. Ela é a bióloga Ana Paula Maciel, uma entre os 30 ativistas do Greenpeace presos após um protesto pacífico contra exploração de petróleo no dia 18 de setembro. O governo russo está movendo um processo absurdo de pirataria -- e ela pode ficar presa por 15 anos.
Me ajude a pressionar a Presidenta Dilma Rousseff. Ela pode exercer influência diplomática e pedir diretamente ao presidente russo, Vladimir Putin, a libertação de Ana Paula e sua volta para o Brasil. Eu iniciei um abaixo-assinado ontem e peço por favor que assine e compartilhe com seus amigos.
Ana Paula é uma mulher íntegra, idealista e que sempre lutou pacificamente pelas coisas que acredita. Se hoje ela está injustamente presa a milhares de quilômetros de casa, o motivo é um só: ela dá a cara a tapa por uma causa que é de todos nós.
O próprio Putin declarou publicamente que o protesto não tinha nada a ver com pirataria.  Mesmo assim, a Justiça russa decidiu pela prisão preventiva deles pelos próximos dois meses, até terminarem a investigação. Já estou há quase um mês sem ouvir a voz da minha filha, e não consigo aceitar a hipótese de que isso pode se estender por mais de uma década
Muito obrigada!
Rosangela Maciel

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

O que há no tal nome da tal cidade, “Stalingrado”?

Segunda, 11 de fevereiro de 2013
MK Bhadrakumar (Indian Punchline)
A famosa cena do filme hollywoodiano “Círculo de Fogo” capturava bem o espírito do tempo quando, falando a uma sala cheia de militares soviéticos bem no centro do front de Stalingrado na 2ª Guerra Mundial, o recém nomeado Comissário do Exército Vermelho Nikita Khrushchev, enviado especialmente por Joseph Stalin para conter a retirada, sob o assalto dos alemães, berrou:

Meu nome é Nikita Sergeyevich Khrushchev. Vim para tomar as rédeas da situação por aqui. Essa cidade não se chama Kursk, não se chama Kiev, não se chama Minsk. Essa cidade é Stalingrad! Essa cidade leva o nome do Comandante. É mais que uma cidade: é um símbolo. Se os alemães capturarem essa cidade, todo o país cairá em colapso. Agora, que todos levantem a cabeça.”

Fato é que a vitória na Batalha de Stalingrado, na 2ª Guerra Mundial foi um dos momentos decisivos da história soviética. E o nome de Stalin está ligado para sempre àquela batalha heroica. Isso, nem se discute.

Acabam de ser comemorados os 70 anos daqueles dias, com Vladimir Putin presente às cerimônias. Interessante anotar que a cidade de Volvogrado reivindicou para si o nome de “Stalingrado” (que Nikita Khrushchev fez trocar, em 1961), especialmente para aquela comemoração histórica. Foi exigência da população da cidade, a mesma em cuja defesa morreram meio milhão de russos, mártires de uma saga heróica que durou 200 dias. Pois decidiram ser lembrados, 70 anos depois, associados ao nome de Stalin.

SIMBOLISMO

A decisão do Kremlin, de falar não de Volvogrado, mas de “Stalingrado”, nas comemorações atuais, é carregada de simbolismo político. É a Rússia que renasce – e com ela sua autoconfiança –, afinal se reconciliando com sua história profunda.

O ocidente dirá – e já começou a dizer – em tom de crítica, que Putin está ‘ressuscitando’ Stalin. A ironia dessa história é que, sem a mão de ferro de Stalin, a batalha de Stalingrado teria tido história diferente; e toda a história do ocidente teria sido outra, se Stalin, ali, não tivesse feito mudar a maré da guerra.

A Batalha de Stalingrado foi o ponto de virada da 2ª Guerra Mundial. Hitler concentrara o principal grupamento estratégico de seus exércitos entre os rios Don e Volga – 14 divisões nazistas concentravam-se contra Stalingrado – distribuídas numa fronteira de 850 quilômetros.

Os alemães perderam 1,5 milhão de homens na Batalha de Stalingrado. O Exército Vermelho destruiu 3.500 tanques nazistas. Stalin quebrou literalmente a espinha dorsal da Alemanha nazista; Hitler nunca mais se recuperou.

Os sacrifícios russos não teriam alcançado a proporção gigantesca que alcançaram, se as potências ocidentais – a Grã-Bretanha, em especial – tivessem aberto uma frente ocidental. Mas, na ocasião, Winston Churchill contava com que a União Soviética sangraria até morrer, sem apoio ocidental, e não reapareceria para contar a história.

Por que uma nação se envergonharia da própria história? Nada é só belo e bom; tudo vem com a parte que presta e a parte que não presta. A gigantesca contribuição de Stalin na construção da União Soviética também é parte inarredável, imensa, da história da Rússia. Ninguém se dedica a narrar a história dos EUA impondo, no coração da história, a escravidão e o racismo. Nem o banho de sangue da Partition é o único evento que se considera, na história da civilização indiana. É sempre importante relembrar as lições da história.

A RÚSSIA RENASCE

A Rússia está renascendo hoje, sob imensíssima pressão. Os EUA recusam-se a aceitar a ressurgimento da grande Rússia, e não abrem mão de uma sua sempre pressuposta “superioridade nuclear” – que é a única inspiração, a essencial inspiração do ‘novo’ programa dos mísseis de defesa dos EUA.

Os EUA dizem que estão ‘ignorando’ a Rússia, mas o verdadeiro jogo norte-americano é fugir de qualquer tipo de discussão séria e consequente sobre o equilíbrio estratégico global.

O pretexto aparente é que Putin seria ‘autoritário’. Mas a agenda real é quebrar o sistema político russo. Os EUA avaliam que haja rachaduras internas entre as elites russas e as classes médias; e que o edifício que Putin constrói tenazmente, sem descanso, não tem pernas firmes – como qualquer casa dividida. Não há dúvidas de que a Rússia tem, sim, de extrair força e densidade histórica de memórias que são dela: “Que os inimigos da Rússia nunca esqueçam a Batalha de Stalingrado”.

Fonte: Tribuna da Imprensa

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

USA em dificuldade

Quinta, 4 de fevereiro de 2010
 Por Ivan de Carvalho
Numa segunda-feira, 21 de fevereiro de 1972, o então presidente americano Richard Nixon desembarcou em Pequim, onde poucas horas depois foi recebido pelo primeiro-ministro Chou en Lai.
A visita de Nixon à China coroava toda uma fase preparatória e iniciava a execução de uma ampla estratégia conjunta de enfrentamento do agressivo império soviético. A China havia rompido com a União Soviética quando esta, a partir de um famoso discurso de Nikita Kruchev, amaldiçoou o stalinismo, numa ampla manobra política da nova guarda do Kremlin para se consolidar no poder. E Nixon, com os Estados Unidos batidos na África negra pela ofensiva política, diplomática e até mesmo militar da URSS via Cuba e em situação difícil no Oriente Próximo e Oriente Médio, além do sudeste asiático (Vietnam) queria um parceiro para enfrentar o colosso do leste europeu e norte da Ásia.
    A China mostrou-se um parceiro político valioso e foi importante para que afinal Ronald Reagan, Margareth Thatcher e João Paulo II ganhassem melhores condições de aplicar o xeque-mate que levou a URSS às reformas de Gorbachev e depois ao colapso, dando lugar a várias repúblicas independentes e a uma grande democracia experimental, a Rússia sob Boris Yeltsin. Experimento que está indo rapidamente para o brejo sob Vladimir Putin.
    Agora, enquanto a Rússia engata a marcha-a-ré na estrada que leva do totalitarismo à democracia e à liberdade, a China, que nunca andou nessa estrada, se recompõe com a Rússia e, abrindo parte de sua economia enquanto mantém o controle totalitário da sociedade, torna-se o que está na moda dizer que será “a maior potência do século XXI”. Para um candidato ainda não eleito a tal posição, a China já está bem arrogante. Encontrei ontem no excelente blog bahiaempauta.com.br uma notícia pescada no jornal português Diário de Notícias.
    A notícia dá conta de que um alto dirigente chinês avisou que um eventual encontro entre Obama e o Dalai Lama (líder religioso e governante do Tibet no exílio) irá “minar seriamente” as relações entre Estados Unidos e China. Este aviso soma-se aos ataques verbais chineses pela venda de armas americanas a Taiwan – os Estados Unidos têm o compromisso de manter a República da China (Taiwan) bem armada –, mas a China (a totalitária) quer tomar a ilha, assim como, há décadas, invadiu e ocupou o Tibet. Para completar, é recente um conflito envolvendo direitos humanos e o site de pesquisa Google (que ameaçou deixar de funcionar na China, devido à cada vez mais insistente e ampla censura chinesa a seu conteúdo, bem como ao acesso dos internautas chineses ao site). Os chineses não podem saber coisas que o governo não quer que eles saibam e devem saber tudo que o governo quer que eles saibam – esse é o pilar básico de todo totalitarismo.
    Os Estados Unidos não estão bem. Juntaram-se à China para vencer a URSS. Agora, Rússia e China, razoavelmente reconciliadas, ensaiam o enfrentamento com os Estados Unidos e, por extensão, com o Ocidente.

Este artigo foi publicado na Tribuna da Bahia desta quinta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano