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(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 30 de agosto de 2019

Queima das reservas para nada

Sábado, 30 de agosto de 2019
Por José Carlos de Assis


Reservas internacionais em moeda forte, notadamente dólar, são constituídas com o fim específico de proteger o país contra crises no balanço de pagamentos. Queimar essas reservas – no nosso caso, quase 400 bilhões de dólares – para enfrentar altas conjunturais do dólar é uma irresponsabilidade da política econômica. O objetivo aparente é o de atender pressões de especuladores que querem pular fora do real e se abrigar no exterior, sem nenhuma relação com o funcionamento interno da economia.

Para uma melhor análise desse processo convém observar que não faz sentido usar reservas internacionais para investimento no Brasil. Na sua origem, a reserva surge de uma operação comercial ou financeira na qual um exportador ou credor externo entra no país com dólar, o qual é convertido em real pelo Banco Central. Nesse caso, o Banco Central paga pelo dólar que entra, dando em troca reais. É que não temos moeda conversível, e todo dólar que entra tem que ser convertido legalmente em reais.