Domingo, 10 de julho de 2022

Líderes da Otan em reunião na sede da organização, em Bruxelas, na Bélgica - Wiki Commons
Nova doutrina da Otan define rompimento de compromisso de diálogo com Moscou estabelecido no pós-Guerra Fria
Serguei Monin
Rio de Janeiro (RJ) | 10 de Julho de 2022
A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) aprovou uma nova doutrina estratégica que classifica a Rússia como a "ameaça mais significativa e direta" à segurança da aliança. Divulgado durante a cúpula da organização, realizada na semana passada em Madri, o documento também identifica a China como um país cujas políticas desafiam os "interesses, segurança e valores" da Otan.
A nova doutrina representa o rompimento definitivo da política de diálogo que Moscou e Otan se comprometeram a estabelecer a partir do início dos anos 1990.
Assim, a guerra na Ucrânia desencadeou uma crise sem precedentes entre Rússia e Otan nas últimas décadas. O chefe do Conselho de Segurança da Federação Russa, Nikolai Patrushev, afirmou na última terça-feira (5) que a decisão da Otan de declarar a Rússia como inimiga leva a uma escalada de tensão e desestabilização da segurança na Europa.
Ele lembrou que os Estados Unidos e seus aliados se recusaram a se engajar em um diálogo construtivo com a Rússia na área de estabilidade estratégica e ignoraram completamente as demandas de Moscou por garantias de segurança. De acordo com Patrushev, a nova doutrina da Otan contradiz o Ato Rússia-Otan, assinado em 1997 em Paris. De acordo com este documento, as partes afirmam que não se consideram adversárias. Além disso, o Ato Rússia-Otan prevê o compromisso da aliança de não colocar armas nucleares no território de novos membros.
