Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 29 de maio de 2024

CADÊ A COMIDA? Falta de gestão e de financiamento: representantes denunciam alimentação escolar precária no DF

Quarta, 29 de maio de 2024
Escolas não recebem leite desde o início do ano e mais da metade não tem refeitório; SEE defende que falhas são pontuais

Bianca Feifel
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 29 de maio de 2024

Escolas públicas do DF são responsáveis por fornecer de 20 a 70% das calorias diárias de crianças e adolescentes - Agência Brasília

Falta de leite e de proteínas, toneladas de arroz com caruncho e larvas, lanches com ultraprocessados, depósitos de alimentos vazios, cozinhas insalubres, e centenas de escolas sem refeitório: esse é o retrato da alimentação escolar no Distrito Federal.

O cenário foi discutido em audiência pública sobre o tema realizada na Câmara Legislativa do DF (CLDF) nesta terça-feira (28). A Secretaria de Educação (SEE-DF) trata as queixas como casos pontuais, mas parlamentares e representantes do Judiciário e da gestão escolar apontam que o problema é estrutural e cobram soluções imediatas e a longo prazo.

“Parece até lavagem”, foi a descrição dada pela deputada distrital Paula Belmonte (Cidadania) para a refeição que viu sendo ofertada aos alunos em uma escola pública do DF. Segundo a parlamentar que presidiu a audiência, ela tem visitado várias instituições de ensino nos últimos meses e há uma reclamação frequente de diminuição da quantidade de alimentação per capita — isto é, por aluno —, inclusive da proteína: “fiquei impressionada. Teve um momento em que a Secretaria de Educação só deu porco para as crianças. Foram 30 dias ou mais de porco”.

Mais de 400 mil estudantes da rede pública de ensino do DF se alimentam diariamente nas escolas. As instituições de ensino em que os alunos permanecem por mais de cinco horas ao dia, como é o caso das escolas integrais, precisam fornecer no mínimo 70% das calorias diárias da criança ou do adolescente.