Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 24 de agosto de 2016

24 DE AGOSTO DE 1954: A PETROBRAS e o suicídio do presidente Getúlio Vargas

Quarta, 24 de agosto de 2016


24 DE AGOSTO DE 1954:

A PETROBRAS e o suicídio do presidente Getúlio Vargas
 
http://politicaeconomicadopetroleo.blogspot.com.br/
 
 
A PETROBRAS não resulta da ação isolada de um governante. A empresa petrolífera nacional foi a consequência de ampla movimentação popular iniciada ao final da II Guerra Mundial.
 
O Brasil, naquele momento, encontrava-se refém da importação dos combustíveis da Standard Oil impedido, portanto, de elaborar uma política energética voltada à autossuficiência nacional.
 
Para superar esta dependência a resposta seria a criação de uma empresa nacional e estatal para a exploração do petróleo tornando-se esta a bandeira do movimento popular denominado “O petróleo é nosso” que reuniu trabalhadores, estudantes, empresários e militares nacionalistas.
 
A presença estatal no setor petrolífero brasileiro apresentou-se como a única forma de superar a sabotagem dos oligopólios estrangeiros cuja ação principal foi negar a existência de petróleo no Brasil.
 
Até 1934, ano de criação do primeiro Código de Mineração, os oligopólios ocupavam ás áreas com potencial produtivo impedindo a pesquisa e eventual exploração. Quando eram surpreendidos com a criação de uma empresa nacional de petróleo lançavam uma violenta campanha contra os empresários pioneiros impedindo, inclusive, a importação dos equipamentos.
 
Getúlio Vargas e a regulamentação da exploração petrolífera
 
Em 29 de abril de 1938 o presidente Getúlio Vargas – neste momento ditador do Estado Novo – assina o decreto de criação do Conselho Nacional do Petróleo (CNP) oficializando a discussão a respeito da nacionalização da exploração petrolífera.
 
O debate a respeito do tema durou 19 anos e encontrou propostas que buscavam conciliar os interesses dos oligopólios. Em 1946 o presidente Eurico Dutra abraçou o discurso da incompetência do Estado diante das atividades empresariais e apresentou uma proposta na qual o petróleo seria explorado pelos oligopólios.
 
Em seu plano Dutra dividia as áreas com potencial produtivo – incluindo a plataforma continental – em blocos que seriam entregues aos oligopólios em troca dos impostos. Este plano, diga-se de passagem, foi adotado durante o governo Fernando Henrique Cardoso quando extinguiu-se o monopólio do petróleo.
 
O plano do presidente Dutra foi rechaçado pela opinião pública que exigiu uma resposta nacionalista a questão do petróleo. A reação dos oligopólios não demorou; Uma campanha milionária para denegrir os nacionalistas foi deflagrada incluindo a prisão dos defensores da criação de uma empresa petrolífera estatal.
 
A criação da Petrobras
 
Eleito em 1950 Getúlio Vargas retorna ao poder com o compromisso de apresentar uma solução para a questão da autossuficiência brasileira.
 
A campanha popular em defesa do monopólio estatal ganhava força e Vargas envia ao Congresso o projeto de lei para a industrialização do petróleo. Neste projeto não havia a previsão do monopólio e verificava-se a fragilidade de uma empresa mista tendo em vista a possibilidade da presença, entre seus acionistas, dos representantes dos oligopólios.
 
A mobilização popular garantiu a inclusão do monopólio ao projeto do governo mantendo, todavia, a condição de empresa de economia mista da Petrobras.
 
Em 3 de outubro de 1953 o presidente Getúlio Vargas assina a Lei 2004 garantindo à Petrobras o monopólio da exploração petrolífera nacional. Esta assinatura representou o rompimento do Brasil com a tradição colonial e retirava do controle dos oligopólios um mercado importante somado a impossibilidade do controle de vastas áreas com potencial produtivo por parte dos trustes internacionais.
 
A crise política e o suicídio
 
A política econômica nacionalista – e Vargas esclarece este aspecto em sua Carta Testamento – rompia com as amarras coloniais imperialistas transformando o presidente em alvo, inclusive, dos oligopólios petrolíferos.
 
O presidente Getúlio Vargas ao assumir a criação da Petrobras não instituía o fim do capitalismo no Brasil, ao contrário, aprofundava as bases para o desenvolvimento do sistema econômico nacional. Manteve-se coerente ao continuar o processo de modernização econômica iniciado nos anos 30 com a criação da chamada indústria de base.
 
A respeito deste fato resume Vargas em sua Carta Testamento: “Quis criar liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás e, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma.”
 
A Petrobras não resultou da vontade individual de um governante, mas a coragem deste em assumir um projeto de rompimento com o modelo econômico de base colonial deve servir de reflexão a todos os brasileiros.
 
Neste 24 de agosto a nossa homenagem ao presidente Getúlio Vargas!

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Dilma ainda pode, como Vargas, evitar a apoteose do inimigo. E nem precisará pagar com a vida

Sexta, 15 de abril de 2016
Do Blogue Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti

Depois de uma canhestra e infrutífera tentativa de salvar-se do impeachment anunciado no tapetão do Supremo Tribunal Federal, nada mais resta a Dilma Rousseff afora a perspectiva de ter (pelo menos) dois terços dos deputados federais decidindo que ela faz jus ao impedimento. Era um placar negativo difícil de atingir. Ela conseguiu. Um fenômeno.

Qual a chance de, no Senado, ela não ser depois fulminada por maioria simples? Nenhuma. Zero. Game over.

Ainda assim, Dilma parece disposta a continuar esperneando até o mais amargo fim, para depois ser clicada pelos fotógrafos ao retirar-se chutada do Palácio do Planalto enquanto os adversários estiverem festejando por todo o País. Após buscar tão diligentemente a derrota, ainda vai posar de derrotada, para gáudio dos que há muito queriam ver sua cabeça empalhada exposta na parede dos troféus.

Há quem louve tal teimosia, como se fosse espírito de luta. Não é.

Guerreiros de verdade não insistem em travar batalhas suicidas, para serem dizimados junto com seus efetivos, enquanto ainda existe uma mínima possibilidade de se retirarem com uma vitória na derrota, preservando suas forças para uma futura revanche.



O que seria uma retirada organizada, agora que barrar o impeachment se evidencia como totalmente impossível? Eis o roteiro: 
renúncia de Dilma tão logo o impeachment seja aprovado na Câmara;
  • na mensagem derradeira, exortação de Dilma a Temer, no sentido de que renuncie também e dê ao povo brasileiro a possibilidade de escolher alguém em quem realmente confie para conduzi-lo neste momento dramático da vida nacional, pois até as pedras sabem que os eleitores votam em presidentes e não dão a mínima para quem seja o vice;
  • imediata adesão do PT e outras forças de esquerda à campanha por uma nova eleição presidencial, revivendo o espírito das diretas já.
Uma vez que Dilma cultua tanto a imagem de Getúlio Vargas, por que não o imita?

Não precisaria abrir mão da vida, só do cargo.

Encostar o Temer na parede, apontando-o ao povo como o grande obstáculo à melhor solução para a crise, seria o equivalente à carta-testamento.

E, caso tal ato gere uma reviravolta que impeça o inimigo de colher o fruto podre de suas tramoias, o paralelo se completará.

Assim um guerreiro de verdade faria. Assim fez Vargas.

Assim fará Dilma, se ainda prezar sua dignidade e se ainda for fiel a opção assumida meio século atrás, de colocar as necessidades e interesses do povo sofrido acima de quaisquer considerações de ordem pessoal.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Empresário só tem “espírito animal” se receber recursos públicos

Segunda, 21 de dezembro de 2015
Da Tribuna da Internet
ROBERTO NASCIMENTO
Não entendo as declarações de que, para resolver a crise, falta protagonismo das empresas privadas. Exatamente neste aspecto, nunca antes neste país houve tanto investimento para as empresas privadas, através de empréstimos de mãe para filho do BNDES para comprar empresas estatais, tanto no governo tucano como no governo petista. Todos os governos deram incentivos fiscais, principalmente para as empresas automobilistas não demitirem. Os chamados campeões nacionais nunca foram tão aquinhoados com recursos do Estado.

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Getúlio Vargas – Aprendendo com os erros

Segunda, 31 de agosto de 2015
Por Adriano Benayon | Brasília, 31/08/2015
Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.
Agosto de 1954 foi o marco para a destruição do desenvolvimento do País, que o presidente Vargas entendia, corretamente, só ser possível havendo autonomia nacional.
2. Ele conduzia o País na direção do desenvolvimento, o que o tornou alvo a abater pelo império angloamericano. Documentos históricos provam ter sido Vargas derrubado duas vezes (1945 e 1954), por intervenções das potências angloamericanas (EUA e Reino Unido).
3. Isso corresponde à lógica imperial: era-lhes intolerável o surgimento de uma potência no Hemisfério Sul e no “Hemisfério Ocidental”. Geopolítica pura.
4. O objetivo foi atingido por intermédio de agentes locais – pagos ou não, conscientes ou não -, como jornalistas, políticos e militares, os quais apareceram mais que aquelas potências diante do público.
5. Pensando nos que contemplam lutar pela sobrevivência do País, discuto, neste artigo, erros de Vargas que contribuíram para o êxito dos inimigos do País.
6. Desfazendo mitos, rejeito a versão rósea e insustentável – embora geralmente aceita – de que o suicídio do presidente e a carta-testamento teriam impedido os golpistas de fazer prevalecer suas políticas. Veja-se o título de um dos livros sobre o presidente: “Vitória na Derrota – A Morte de Getúlio Vargas.”
7. É verdade que a tragédia revelou o profundo amor do povo a Getúlio. Durante, pelo menos, quinze dias, o povo reagiu, até com violência, fazendo se esconderem desafetos e caluniadores de seu líder.
8. Entretanto, o presidente não havia organizado o povo, nem formado seguidores para liderá-lo após sua morte. O único talvez com têmpera para isso, Brizola, ainda era um jovem deputado estadual.
9. Devido a esse vácuo, o furor popular arrefeceu, Eugênio Gudin e Otávio Bulhões, ligados à finança britânica, foram designados para comandar a economia e instituíram a política antinacional destinada a acabar com a autonomia industrial e tecnológica do País.
10. Em janeiro de 1955, foram baixadas as Instruções 113 e seguintes, da SUMOC, e mais medidas para entregar a economia ao controle dos carteis transnacionais, com subsídios incríveis. Desde 1956, essa política foi aplicada intensivamente por JK e nunca mais revertida.
11. É óbvio que a versão conformista interessa aos simpatizantes do império. Mas, paradoxalmente, predomina também entre a maioria dos admiradores e supostos seguidores de Vargas.
12. De resto, as atitudes políticas de muitos desses demonstram terem sido infieis ao nacionalismo do presidente, fosse por ingenuidade, covardia, falsidade ou até por colaboração interessada com o sistema de poder transnacional.
13. Entre os erros fatais de Getúlio esteve admitir a falsa – ou, no mínimo, irrelevante – pecha de ter sido ditador.
14. Queixavam-se de ele ter ficado 15 anos consecutivos na presidência, de 1930 a 1945, e o acusavam de tencionar voltar a ser ditador, mesmo quando eleito pelo voto direto, em 1950.
15. Na realidade, o espírito de Vargas era conciliador. Não, revolucionário. Assumira a liderança da revolução de 1930, por ser o político mais proeminente do Rio Grande do Sul. Outros foram mais ativos no movimento.
16. À frente de uma revolução, tinha de comandar um governo autoritário e designar interventores nos Estados, a maioria tenentes, que simbolizavam o apoio do Exército ao movimento, além de ideais de mudança política e social.
17. Nos primeiros meses de 1932 Vargas já promulgara a nova lei eleitoral e marcara para 03.05.1933 as eleições para a Assembleia Constituinte. Sem razão, em julho de 1932, foi desencadeada a revolução “constitucionalista”, na verdade, um movimento liderado pela oligarquia paulista vinculada aos interesses britânicos.
18. A Constituição de 1934 estabeleceu eleição indireta para a presidência da República. Eleito Vargas, não cabe qualificá-lo de ditador.
19. Durante o prelúdio da 2ª Guerra Mundial, novembro de 1937, um ano após a tentativa comunista de novembro de 1935, veio, por iniciativa de oficiais do Exército, o golpe criando o “Estado Novo”, com o objetivo de reprimir os comunistas.
20. Portanto, Vargas só poderia, em tese, exercer dois mandatos em condições democráticas. O primeiro, quando presidente constitucional, de 1934 a 1937, interrompido pelos chefes militares.
21. O modelo político-econômico do Estado Novo combinou conceitos que Vargas e o General Góis Monteiro haviam formulado em 1934, sendo a ideia básica o desenvolvimento industrial sob a direção do Estado.
22. No final do Estado Novo e no mandato ganho em 1950 – e abortado pelo golpe de 1954 – Getúlio preocupou-se em desmentir a imagem de ditador. Foi demasiado tolerante – e até complacente – diante das agressões, complôs e conspirações.
23. O problema era que sempre esteve sob fogo do império angloamericano, inconformado com a permanência de uma liderança no Brasil capaz de conduzi-lo ao desenvolvimento.
24. Embora exalte sempre o presidente Vargas, vejo uma contradição entre sua personalidade conciliadora e a consciência, que tinha, de ser a autonomia nacional indispensável para realizar o desenvolvimento.
25. Sendo essa a via escolhida, não havia campo para facilitar as ações subversivas de seus adversários. Ademais, enfrentava-se um império mundial n vezes mais poderoso que o Brasil: financeira, industrial e militarmente.
26. Em 1952, Vargas ajudou o inimigo ao não prestigiar o Ministro do Exército, Estillac Leal, quando os quintas-colunas Góis Monteiro e João Neves da Fontoura “negociaram” com os EUA o famigerado acordo militar pelas costas de Estillac.
27. Com isso, este se demitiu do ministério e foi perseguido, nas eleições para o Clube Militar, por oficiais golpistas, cujas pressões sobre Leal e partidários deste lhe determinaram a derrota.
28. Novamente, em 1953, o presidente mostrou pulso fraco, não mandando punir os coroneis signatários do manifesto contra o reajuste do salário-mínimo.
29. Daí, a conspiração de agosto de 1954 encontrou-o enfraquecido, quando implicaram a guarda pessoal do presidente no assassinato do Major Vaz, da Aeronáutica, em esquema montado para fazer crer que o alvo do crime fosse o virulento jornalista e deputado Carlos Lacerda.
30. O crime foi articulado sob a direção de Cecil Borer, titular da DOPS – Delegacia de Ordem Política e Social, em que ingressara, em 1932, com o Chefe de Polícia, também pró-nazista, Filinto Muller.
31. Borer continuou com Dutra, simpatizante fascista. Vargas não o substituiu, em 1950, não obstante saber que os nazi-fascistas, então, colaboravam intensamente com os serviços secretos angloamericanos.
32. Getúlio também foi imprevidente, ao nomear o jovem – e sempre acomodador – deputado Tancredo Neves para o ministério da Justiça, ao qual se subordina a Polícia. Deviam ter impedido as ilegalidades do inquérito policial-militar.
33. A própria instauração do IPM, uma semana após o atentado, significou quebra da autoridade do presidente, concedida por este próprio.
34. Mesmo tendo logrado distorcer os fatos, através da ação combinada do DOPS e da Aeronáutica, e da campanha da mídia, os conspiradores não teriam conseguido derrubar Vargas, se ele não se tolhesse por preconceitos ideológicos de seus adversários.
35. Teria lutado para inteirar-se da verdade e fazê-la conhecer. Se esta já não lhe interessava – por estar cansado e decepcionado – certamente era do interesse do povo. O Brasil precisava dela.
36. Getúlio podia ter feito prevalecer os interesses do País, apoiado pela Vila Militar, no Rio, onde estavam os tanques. Essa era sua obrigação perante o Brasil, como em 1945, quando da anterior deposição por militares manipulados por potências estrangeiras.
37. Então, o pretexto foi a intenção de continuar no poder, falsamente atribuída a Vargas. Tanto não a tinha, que – além de ter convocado eleições e não ser candidato -, Getúlio dissuadiu de subjugar o golpe os chefes militares que tinham poder de fogo e faziam questão fazê-lo, não fosse a ordem contrária do presidente, sob a irrelevante justificativa de não querer o derramamento de sangue.
38. Isso não estava em questão, pois, dada a superioridade de forças dos legalistas, os golpistas se retrairiam. Vide Hélio Silva: “1945 Por Que Depuseram Vargas” – Civilização Brasileira 1976, pp. 253/4, em que reporta o apoio ao presidente do Gen. Odylio Denys, então Comandante da Polícia Militar, e do Marechal Renato Paquet, Comandante da Vila Militar.
39. Consequência da saída de Getúlio, por desapego ao poder, e sem substituto à altura, resultou, de 1945 a 1950, a interrupção do desenvolvimento do País: o Mal. Eurico Dutra, vencedor das eleições, graças a Vargas, traiu os votos, sendo subserviente às potências angloamericanas.
40. Durante a 2ª GM, Vargas reduzira a quase zero a dívida externa e acumulara reservas cambiais. Dutra as dilapidou com importações supérfluas. Prejudicou a industrialização e dissipou as divisas congeladas pelo Reino Unido, “em troca” de ferrovias obsoletas, do Século XIX.
41. O custo do golpe de 1954 foi muitíssimo mais alto: a entrega subsidiada da indústria ao controle do capital estrangeiro, o que inviabiliza, até hoje, o desenvolvimento. Isso só pode ser revertido através de transformações estruturais profundas.
42. De fato, a dependência do País não cessou de aumentar, desde a legislação dos pró-imperiais instalados com o golpe, a qual foi aplicada e ampliada por JK – outro que traiu os votos getulistas e iniciou a sequência de crises que até hoje persegue o País.
* – Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Getúlio Vargas. Uma revisão necessária

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Segunda, 24 de agosto de 2015
Da Tribuna da Bahia
Geraldo Pereira
Na data de hoje, há sessenta e um anos, o saudoso presidente Getúlio Vargas foi levado ao suicídio pelas forças mais reacionárias, que, a serviço do imperialismo americano dispondo de uma imprensa escrita, falada e televisada, ontem como hoje, na acepção da palavra, numa campanha caluniosa até então nunca vista.
Quando atingimos uma certa idade, ela nos faz rever os acontecimentos, pessoais ou não, tornamo-nos proprietários de uma percepção mais ampla, de um poder de análise mais apurado. Sentimos que é verdadeira a sabedoria popular quando afirma que o tempo é o remédio inexorável para todos os males.
Levei grande parte da minha vida, bem mais de meio século, espinafrando Getúlio Vargas, quando não havia motivo, eu criava um pretexto. Escrevi artigos e mais artigos sempre mostrando a face criminosa da sua ditadura, tendo à sua frente o então Capitão Filinto Müller, chefe de polícia do DF, ex-integrante da Coluna Prestes, da qual foi expulso por roubo e covardia.
Na calada da noite a polícia de Filinto Müller retira da casa de detenção Olga Benário Prestes, mulher de Luiz Carlos Prestes: Olga estava grávida de 7 meses, foi metida no porão de um navio de carga, sendo entregue de presente à Alemanha Nazista de Hitler, internada num campo de concentração onde deu a luz a uma menina, sendo depois assassinada na câmara de gás da prisão. Hoje, a filha do produto do amor de Prestes e Olga, Anita Leocádia Prestes, é professora catedrática de História na Universidade do Rio de Janeiro. Esse crime da ditadura Vargas eu não poderia jamais perdoá-lo. Todas as vezes que o nome do ditador era citado, eu citava o assassinato de Olga e espinafrava Getúlio, que, como Presidente poderia ter impedido o embarque de Olga.
Chefe de Polícia da Ditadura, o capitão Filinto Müller tinha sido, como já escrevi, expulso da Coluna Prestes por motivo de roubo e covardia, era nazista, gozava de prestígio com Eurico Gaspar Dutra, Ministro da Guerra e com Góis Monteiro, chefe do Estado Maior do Exército, mandava mais do que o seu superior o Ministro da Justiça. Com um deles tinha discutido violentamente e há muito não cumpria suas ordens, não sei se com Agamenon Magalhães ou se com Macedo Soares. A coisa foi feia. O Ministro deu-lhe ordem de prisão. O grave incidente chegou ao conhecimento do presidente Getúlio Vargas, que ficou num dilema: sustentar a autoridade do seu Ministro, demitindo Filinto Müller, ou apaziguar o caso para não ferir outros interesses? Getúlio decidiu demitir Filinto Müller e meses após demitiu o Ministro.
Certa tarde um saudoso e respeitável colega, vendo-me fazer uma violenta intervenção verbal, na sede da ABI, sobre o assassinato de Olga, chamou-me a um canto e disse-me: “Você é um jornalista sério, como tal não pode falar sem conhecimento, procure ler o processo de Olga, ele está nos arquivos do Supremo Tribunal Federal em Brasília”. Minhas verdades sobre Getúlio começaram a ser questionadas. Meses após, um outro amigo, o companheiro David Capistrano Filho, na época prefeito de Santos, num dia 24 de agosto, ao me ver, veio ao meu encontro e disse: “Geraldo Pereira (era assim que ele me chamava), li seu artigo de hoje sobre Getúlio, você precisa refazer seu pensamento sobre ele”. Numa palestra que proferi em Belo Horizonte, no Encontro Nacional dos Trabalhadores Hoteleiros, meu fraterno companheiro Francisco Calasans Lacerda, com argumentos irrespondíveis aparteou-me diversas vezes, mostrando quanto foi valiosa a Ditadura de Getúlio para os trabalhadores.
O Grande Oscar Niemeyer, companheiro querido, sempre que o assunto era Getúlio, falava com simpatia sobre o seu governo, realçando o trabalho de Gustavo Capanema à frente do Ministério de Educação e Cultura. Certa tarde, após um gostoso almoço em casa de mestre Barbosa Lima Sobrinho, no bairro de Botafogo, na cidade Maravilhosa, ele com os seus 102 anos de idade e de dignidade, fixou-me, e, com os olhos cansados pela vigilância em defesa da nossa Pátria, declarou-me: “Sabe, Geraldo, cada dia que se passa eu acordo mais Getulista. Getúlio Vargas foi o único presidente que realmente defendeu o Brasil e olhou para o trabalhador”.
Outra grande figura que me fez mudar o pensamento sobre Getúlio, foi Celso Furtado, o filho mais ilustre que a Paraíba produziu, ele, uma década mais velho do que eu, depois de me ouvir por mais de 20 minutos, deu a sentença definitiva: “Geraldo, nossa geração foi educada para odiar Getúlio”.
Carlos Lessa outro mestre da Economia, ex-presidente do BNDES, ex-reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, me falava da importância de Getúlio no desenvolvimento nacional.
Heitor Manoel Pereira, meu saudoso companheiro do Partido Comunista, da década de 40, entrevistado por mim, na sede da AEPET – Associação dos Engenheiros da Petrobras, que ele presidia com raro brilho e dedicação, foi incisivo com relação aos sentimentos patrióticos e nacionalistas de Getúlio.
Nas muitas vezes que estive com o saudoso Cavalheiro da Esperança, Luiz Carlos Prestes, nunca o vi com ódio rancoroso de Getúlio, dizia-me sempre que Getúlio foi o melhor quadro da burguesia. Sem dúvida alguma, Filinto Müller foi o grande responsável pelas violências, torturas e mortes durante a ditadura de Getúlio, ditadura em que Getúlio com extrema habilidade, conseguiu permanecer como presidente, Presidente Ditador.
Uma análise daquela época me permite dizer que o Presidente da República, Getúlio Vargas, sob certos aspectos, era prisioneiro das Forças Armadas, principalmente do Exército, do seu Ministro da Guerra General Eurico Gaspar Dutra e do chefe de Exército General Góis Monteiro, ambos simpatizantes de Hitler, eram anticomunistas declarados.
Com o término da Segunda Grande Guerra Mundial, ocorrido em abril de 1945, o nazismo de Hitler e o fascismo de Mussolini foram militarmente derrotados. Da Itália, vitoriosos regressam os pracinhas (militares que retornaram da guerra). Getúlio Vargas, em 19 de abril de 45, assina o Ato anistiando todos os presos e exilados políticos. Os comícios retornam às praças públicas, depois de 8 anos sem liberdade. No momento em que o governo Vargas, vai ao encontro da democracia e da liberdade, afrontando a Nação os generais Eurico Gaspar Dutra, ministro da Guerra e Góis Monteiro, chefe do Estado Maior do Exército, juntos com o brigadeiro Eduardo Gomes, líder militar da Aeronáutica, em 29 de outubro de 1945, dá um golpe militar em Getúlio Vargas, depondo-o da Presidência da República. Aquele golpe preparado contra Getúlio em 1937 foi transferido para 1945. Getúlio admirava muito Luiz Carlos Prestes, e foi por ele convidado para chefiar a Revolução da Aliança Liberal, que o levou ao poder, em 1930.
Governava o Rio Grande do Sul, quando a seu convite recebe Prestes, em setembro de 1929, no Palácio Piratini. Prestes estava exilado na Argentina. O encontro durou duas horas. Getúlio, depois de ouvir Prestes atentamente discorrer sobre os problemas do País, declarou: “O Senhor tem a eloquência da convicção”. Foi acertado o envio de mil contos de réis, para a compra de armas. No final do encontro, ao se despedir de Prestes, com o braço no seu ombro, Getúlio disse-lhe: “Fique tranquilo, você não vai se decepcionar comigo”.
Na Argentina, Prestes recebe oitocentos mil pesos uruguaios, cerca de oitocentos contos de réis. “Fiquei num drama: O que fazer com o dinheiro? É o problema do pequeno burguês: devolvo, não devolvo? Comprar a mim, ele não me compra. Acabei depositando o dinheiro num banco. Foi usado em 1935, para a compra de armas”, nos diz Prestes, no livro Prestes – Lutas e autocríticas. Em 1935, Prestes usou esse dinheiro na compra de armamentos para derrubar o governo de Getúlio, com a Revolução da A.N.L. – Aliança Nacional Libertadora.
Em 1937, foi a vez dos integralistas, de Plínio Salgado, tentarem um golpe contra Getúlio, tomando de assalto o Palácio Guanabara. O presidente e os seus familiares dormiam quando o tiroteio começou. Recorro a um personagem que foi testemunha e vítima do “assalto”, a filha de Getúlio Vargas, Alzira Vargas do Amaral Peixoto, no seu livro ‘Getúlio Vargas, meu pai’: “Papai, pelo menos senta, não fica por aí, servindo de alvo e logo em frente a janela”. Alzira telefona: Filinto Müller atendeu logo e declarou que “assim que fora informado do ataque havia mandado uma tropa de choque, da Polícia Especial, já devia ter chegado...”. “Falei com o Chefe de Polícia novamente, confirmou o prévio envio de tropas e espantou-se que não houvesse chegado ao seu destino”. “Falei com o General Góis Monteiro, chefe do Estado Maior do Exército, que me disse nada poder fazer, porque também estava cercado em seu apartamento”. “Falei com o Sr. Francisco Campos, ministro da Justiça, que transmitia, através do telefone, palavras de solidariedade admirativa e passiva”. “Entrei no gabinete de Papai que continuava às escuras e onde se haviam concentrado as pessoas que estavam desarmadas. Hesitava ainda, escolhendo as palavras, quando a metralhadora recomeçou, uma bala solitária entrou zunindo dentro do gabinete, em direção à cadeira em que Papai costumava sentar para escrever e estraçalhou a encadernação de vários livros, na estante que ficava por trás dele. No dia seguinte, a perícia verificou que havia sido atirada do alto de uma árvore, perto da janela”.
Não se tem notícia de um ditador que tenha olhado mais para os trabalhadores do que Getúlio. Deu-lhe: 1931 – A Lei da Sindicalização – um sindicato por categoria; 1932 – Jornada de 8 horas; Carteira de Trabalho; 1933/36 – Os institutos de aposentadoria; 1939 – Cria a Justiça do Trabalho; 1940 – Salário Mínimo; 1943 – Cria a CLT;
No seu governo a Nação ganhou: Companhia Vale do Rio Doce – privatizada no governo do apátrida Fernando Henrique Cardoso; Companhia Siderúrgica Nacional – privatizada; Petrobras – 40% das suas ações foram vendidas na Bolsa de Valores dos Estados Unidos, no governo do apátrida Fernando Henrique Cardoso; BNDES – Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.
Estive no Supremo Tribunal Federal pesquisando todo o processo de expulsão de Olga Benário Prestes, tirei cópia do mesmo. Foi a Suprema Corte, como era chamado o Supremo Tribunal Federal, que autorizou, por unanimidade, a entrega de Olga, grávida de 7 meses aos nazistas. O presidente da Suprema corte era o ministro Ataúlfo de Paiva.
Leia também:

A Carta Testamento de Getúlio Vargas. 24 de agosto de 1954

 Segunda, 24 de agosto de 2015

61 anos da morte de Getúlio
Depoimento de José Augusto Ribeiro

sexta-feira, 10 de julho de 2015

Washington Luís ou Getúlio Vargas?

Sexta, 10 de julho de 2015

Por EMIR SADER  - 9.7.15  — Copyleft
Hoje [ontem, 9 de julho] é o dia que as elites paulistas usam para comemorar a memória de um dos seus ícones fundamentais – o outro é Borba Gato e os bandeirantes. Porque em um dia como hoje as elites paulistas tentaram conter e reverter as transformações que Getúlio começava a implementar no Brasil.

Washington Luís, político de origem carioca, cooptado pelas elites paulistas – exatamente como o FHC -, se havia notabilizado por, além de dar continuidade ao domínio das elites primário-exportadoras, por duas de suas afirmações: “A questão social é questão de polícia” e “Governar é construir estradas” – para facilitar as exportações.

Nada mais contrastante do que o governo que o Getúlio iniciava, com a reivindicação pelo Estado dos direitos sociais dos trabalhadores e pela interpelação dos brasileiros como “Trabalhadores do Brasil”.

Até hoje a elite paulista – do Estadão aos tucanos -, não digeriu aquela derrota. Continua a fazer a apologia de Washington Luís, colocando seu nome em tudo quanto é lugar público – de estradas a avenidas. Enquanto que o Getúlio, o maior estadista brasileiro do século XX, não tem nenhum lugar público com seu nome em São Paulo. Lula constatou isso, ao inaugurar um auditório no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, com o nome do Getúlio.

O paradoxo não poderia ser maior: FHC, ao instaurar seu programa neoliberal de governo, disse: “Vou virar a pagina do getulismo”.  Ele sabia que a centralidade do mercado que seu governo buscava, só poderia ser feita contra o Estado construído por Getúlio, que afirmava os direitos sociais, fazia do Estado uma alavanca para o crescimento econômico, incentivava a industrialização, reconhecia o direito à sindicalização dos trabalhadores, lançava as bases do nacionalismo e do Estado nacional.

Até hoje se pode dizer que essa é uma linha demarcatória das forcas políticas e das ideologias no pais: quem está pela continuidade do ideário getulista se situa à esquerda; quem está contra ele, é a direita brasileira. 

quinta-feira, 14 de maio de 2015

A Operação Lava Jato agora, e o “mar de lama” antes: as comparações furadas entre Lula e Vargas

Quinta, 14 de maio de 2015
Do Blog Bahia em Pauta



DEU NO BLOG POR ESCRITO ( DO JORNALISTA LUÍS AUGUSTO GOMES)
OPINIÃO

Reação popular por Lula é previsão furada


Com a experiência de condenado no processo do mensalão e de preso da Operação Lava-Jato, o ex-deputado Pedro Correia foi o primeiro a “oficializar” a possibilidade de o ex-presidente Lula tornar-se, também, um presidiário.

Depondo na CPI da Petrobras, Correia fez, no entanto, a ressalva de que “ninguém tem coragem de botar ele na cadeia” porque “vai existir o que aconteceu na época do Getúlio, quando ele deu um tiro no peito e o povo saiu para rua para quebrar tudo”. Leia a íntegra

domingo, 24 de agosto de 2014

60 anos da morte de Getulio Vargas

Domingo, 24 de agosto de 2014
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Do Correio da Cidadania
Escrito por Léo de Almeida Neves

Faz 60 anos que o inesquecível estadista Getulio Vargas, que tanto amou o povo brasileiro, dilacerou ele próprio seu coração com tiro certeiro na manhã de 24 de agosto de 1954.
O sonho brasileiro de justiça social, emancipação econômica, soberania, grandeza e ideal de transformar o país em potência mundial tem um símbolo a ser reverenciado sempre, Getulio Dornelles Vargas.
A Revolução de 30 por ele chefiada é um divisor histórico na Pátria brasileira, deixando para traz o Brasil arcaico, feudal, produtor de bens primários, profundamente desigual socialmente e que não reconhecia os direitos mais elementares da maioria da população. Ele cumpriu fielmente seus compromissos democráticos de introduzir o voto secreto e universal, de assegurar o direito de voto às mulheres e de criar a Justiça Eleitoral. Quanto mais passa o tempo, agiganta-se a recordação das iniciativas pioneiras e das realizações concretas de Getulio Vargas em prol do Brasil e da nossa gente.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

A Carta

Em 24 de agosto de 1954, portanto há 55 anos, Getúlio Vargas deixou a vida para entrar na História. Como o Brasil está nos novos tempos carente de estadistas, vale a pena ler (ou reler) a histórica Carta Testamento. Getúlio se matou para evitar o pior ao país que tanto amava e ao qual se dedicou.

Carta Testamento de Getúlio Vargas

24 de agosto de 1954

Mais uma vez, as forças e os interesses contra o povo coordenaram-se novamente e se desencadeiam sobre mim.

Não me acusam, insultam; não me combatem, caluniam e não me dão o direito de defesa. Precisam sufocar a minha voz e impedir a minha ação, para que eu não continue a defender, como sempre defendi, o povo e principalmente os humildes. Sigo o destino que me é imposto. Depois de decênios de domínio e espoliação dos grupos econômicos e financeiros internacionais, fiz-me chefe de uma revolução e venci. Iniciei o trabalho de libertação e instaurei o regime de liberdade social. Tive de renunciar. Voltei ao Governo nos braços do povo. A campanha subterrânea dos grupos internacionais aliou-se à dos grupos nacionais revoltados contra o regime de garantia do trabalho. A lei de lucros extraordinários foi detida no Congresso. Contra a justiça da revisão do salário mínimo se desencadearam os ódios. Quis criar a liberdade nacional na potencialização das nossas riquezas através da Petrobrás, mal começa esta a funcionar, a onda de agitação se avoluma. A Eletrobrás foi obstaculizada até o desespero. Não querem que o trabalhador seja livre. Não querem que o povo seja independente.

Assumi o Governo dentro da espiral inflacionária que destruía os valores de trabalho. Os lucros das empresas estrangeiras alcançaram até 500% ao ano. Na declaração de valores do que importávamos existiam fraudes constatadas de mais de 100 milhões de dólares por ano. Veio a crise do café, valorizou-se o nosso principal produto. Tentamos defender seu preço e a resposta foi uma violenta pressão sobre a nossa economia a ponto de sermos obrigados a ceder.

Tenho lutado mês a mês, dia a dia, hora a hora, resistindo a uma pressão constante, incessante, tudo suportando em silêncio, tudo esquecendo a mim mesmo, para defender o povo que agora se queda desamparado. Nada mais vos posso dar a não ser meu sangue. Se as aves de rapina querem o sangue de alguém, querem continuar sugando o povo brasileiro, eu ofereço em holocausto a minha vida. Escolho este meio de estar sempre convosco. Quando vos humilharem, sentireis minha alma sofrendo ao vosso lado. Quando a fome bater à vossa porta, sentireis em vosso peito a energia para a luta por vós e vossos filhos. Quando vos vilipendiarem, sentireis no meu pensamento a força para a reação. Meu sacrifício vos manterá unidos e meu nome será a vossa bandeira de luta. Cada gota de meu sangue será uma chama imortal na vossa consciência e manterá a vibração sagrada para a resistência. Ao ódio respondo com o perdão. E aos que pensam que me derrotaram respondo com a minha vitória. Era escravo do povo e hoje me liberto para a vida eterna. Mas esse povo de quem fui escravo não mais será escravo de ninguém. Meu sacrifício ficará para sempre em sua alma e meu sangue será o preço do seu resgate.

Lutei contra a espoliação do Brasil. Lutei contra a espoliação do povo. Tenho lutado de peito aberto. O ódio, as infâmias, a calúnia não abateram meu ânimo. Eu vos dei a minha vida. Agora ofereço a minha morte. Nada receio. Serenamente dou o primeiro passo no caminho da eternidade e saio da vida para entrar na história

Getúlio Vargas