Sábado, 6 de novembro d 2021
Por
Pedro Augusto Pinho*
Dante Alighieri, na magistral “A Divina Comédia”, reserva o nono círculo, o mais profundo, do inferno aos traidores: àqueles que traíram seus irmãos, seus benfeitores e sua Pátria.
“Ó, mais que todas, plebe mal gerada,
que aqui estás, antes fosses, pra este duro
termo, de ovelhas e cabras formada!”
(Canto XXXII, 13, na tradução de Italo Eugenio Mauro).
Paulo Schilling (1925 –2012), gaúcho, escritor e jornalista brasileiro, ao longo de mais de dois anos (abril de 1964 a junho de 1966) escreveu o que foi, anos depois, editado com o título “Como se coloca a direita no poder” (Editora Global, SP, 1981, 2 volumes).
Schilling inicia sua narrativa com o momento mais marcante de nossa história: os governos Vargas (1930-1945 e 1951-1954). “É difícil classificar de burguesa uma revolução organizada em dois Estados (em três, se incluirmos a Paraíba), donde os latifundiários constituíam o grosso da oligarquia, dirigida contra outra unidade federativa - São Paulo - na qual surgia com maior pujança a burguesia industrial”. E, mais adiante, conclui “como a formação e a evolução das classes sociais é distinta de país para país, de época para época, qualquer classificação das mesmas segundo um modelo preestabelecido resulta falsa”.
