Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 2 de outubro de 2025

Lula tocou na ferida

Quinta, 2 de outubro de 2025






Roberto Amaral*


Lula tocou na ferida

Paralelamente à 80ª Assembleia Geral da ONU, o presidente Lula participou de encontro com os presidentes de Chile, Colômbia, Espanha e Uruguai, para debater o multilateralismo e a urgente defesa da democracia, esta utopia que entre nós Otávio Mangabeira, ao final da Segunda Guerra Mundial, chamou de “florzinha frágil que precisa de ser cuidada todos os dias”. Pois a história registra o alto preço político e humano cobrado às sociedades desatentas a seu destino.

De fato, a democracia, mesmo esta, de raiz liberal-ocidental, largamente cingida ao protocolo do voto, jamais esteve tão ameaçada como agora, inclusive entre nós, a lembrar os tempos da emergência do nazifascismo na Europa, nas primeiras décadas do século passado.

Hoje, a ameaça é tão ou ainda mais assustadora quando seu epicentro, projetando-se sobre o mundo, está nos EUA, ainda poderoso conquanto em relativo declínio, por isso mesmo imperialista mais do que nunca, e belicoso como jamais se conheceram uma sociedade e um país na história moderna.
Coube ao nosso presidente a coragem da autocrítica, o melhor método até hoje conhecido para a correção de desvios. O processo histórico não é obra dos deuses, eis que é gestado como labirinto de bilro, peça por peça, bordado por bordado, pela ação do ser humano. Se o indivíduo não escolhe a realidade concreta na qual lhe cumpre atuar, como sujeito, ele se escolhe nela, e nesta escolha define o seu papel. Diante das circunstâncias, nos cabe vencê-las; diante da correlação de forças adversa, nos cabe mudá-las. Daí a relevância da autocrítica, quando ainda é possível salvar-se dos erros.