São Paulo – A farmacêutica Maria da Penha Maia Fernandes, que dá nome
à Lei Maria da Penha, disse nesta quarta-feira (19) que considera um
retrocesso a
decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de suspender alguns casos envolvendo a lei.
Com a decisão tomada em dezembro e só divulgada na última terça-feira
(18), o agressor pode ter a pena suspensa em período de dois a quatro
anos.
"Sempre tem alguém querendo passar a mão na cabeça do agressor",
disse a biofarmacêutica, que defendeu a causa contra violência doméstica
até que a lei fosse sancionada pelo então presidente Lula. "Nós já
temos Estatuto da Criança, Estatuto do Idoso, mas sempre quando se trata
da defesa à mulher, alguém defende quem faz o crime", completou.
Questionada
sobre as causas da suposta proteção do STJ aos agressores, Maria da
Penha atribui a questão a uma "raiz machista" na cultura do Poder
Judiciário.
O caso de agressão sofrida por Maria da Penha – e a demora do sistema
judiciário em sua solução – foi apresentado à Organização dos Estados
Americanos (OEA) por ela e outras entidades, como o Centro de Justiça
pelo Direito Internacional (Cejil) e o Comitê Latino-americanos de
Defesa dos Direitos da Mulher (Cladem). Na ocasião, o Brasil foi
condenado por negligência e omissão em relação à violência doméstica.
A respeito dos caminhos que podem ser tomados para que o retrocesso
em relação ao vigor da lei não aconteça de fato, Maria da Penha espera
que entidades que defendem os direitos da mulher firmem unidade, apesar
de não estar mais ativa na causa. "Assim como aconteceu para que a lei
fosse aprovada, é preciso que essas decisões sejam encaminhadas para a
OEA pelas entidades que lutaram para que a impunidade deixasse de
existir", afirmou.
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