Quinta, 27 de agosto de 2026
Palestina: o resgate de uma História violada
O trabalho quase impossível dos historiadores. Como investigar em bibliotecas, documentos e centros culturais destruídos? História de uma busca. Um povo encontra formas criativas para que passado e presente sobrevivam ao terror sionista
OUTRASPALAVRAS História e Memória
Por Jihane Sfeir
Matéria postada no OUTRASPALAVRAS em 26/08/2026

Por Jihane Sfeir, no Eurozine | Tradução: Rôney Rodrigues
Escrever a história da Palestina levanta uma questão historiográfica fundamental: como produzir uma narrativa histórica diante do exílio, da dispersão e da destruição? Desde Marc Bloch, a história deixou de ser compreendida apenas como o relato de eventos passados, para se tornar uma investigação sobre as sociedades humanas a partir de vestígios fragmentários, que são sempre situados e preservados de forma desigual. No caso da Palestina, isso assume uma forma particular: os arquivos foram dispersos, confiscados ou destruídos, e o próprio acesso ao passado tornou-se indissociável das relações de poder.
A história da Palestina e do seu povo foi durante muito tempo marginalizada pela narrativa israelense dominante. Embora ausente, fragmentada ou relegada às margens do “conflito Israel-Palestina”, essa história continuou, no entanto, a ser escrita nos círculos acadêmicos árabes e, mais tarde, em redes transnacionais. A historiografia palestina foi forjada por meio da ruptura: a ruptura da expulsão e do exílio, e o desaparecimento de um mundo social.
