Sexta, 9 de setembro de 2011
Da Radioagência NP
O Brasil será sede da Copa do Mundo de 2014.
Desde 2007, quando o país foi escolhido como sede do mundial, vários
questionamentos surgiram em torno desse evento.
Em entrevista a Radioagência NP – parceira do Brasil de Fato - o
jornalista Jorge Kajuru afirma que o país tem plenas condições e
estrutura para realização do evento. Porém, relata que o problema da
Copa ser no Brasil está relacionado “a crise moral dos representantes.”
Ele critica o financiamento através de dinheiro público do BNDES no
evento e pede mais postura da presidente Dilma sobre o tema. Para
Kajuru, a Copa é no Brasil, mas não é para os
brasileiros. E acrescenta: “É uma Copa para turistas. Quem vai pagar a
conta é o brasileiro, vai sair do imposto”.
Conhecido por sua coragem de enfrentar os cartolas do futebol,
Kajuru, também detalha a relação entre a Federação Internacional de
Futebol (Fifa) e o presidente da Confederação Brasileira de Futebol
(CBF), Ricardo Teixeira, no qual ele descreve como “ladrões públicos do
futebol mundial.”
O jornalista também acusa a Rede Globo. “O Ricardo Teixeira também é
intocável pela proteção da Rede Globo de Televisão”. Segundo ele, a
emissora é sócia em negócios envolvendo futebol, principalmente,
monopólio e exclusividade de transmissões. Leia a seguir a entrevista.
Radioagência NP: Brasil será sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Como você avalia a realização deste evento em nosso país?
Jorge Kajuru: Não sou contra a Copa do Mundo no
Brasil. O país tem condições e estrutura. O problema da Copa ser aqui
não é estrutural, e sim, de crise moral. Vão roubar de nós brasileiros,
pagadores de impostos, porque sairá de forma pública a maior parte de
dinheiro gasto em Copa do Mundo. O governo federal, em pleno o governo
do presidente Lula, teve que assinar um documento no qual a Fifa ganhará
todo o dinheiro da Copa sem pagar qualquer centavo de tributos. A Fifa
aceitou o Brasil como sede da Copa tendo essa condição como base de
negócio. Todo dinheiro faturado aqui ela (Fifa) vai levar para a Suíça e
fazer o divisão entre os ladrões públicos do futebol mundial.
Radioagência NP: Você já declarou que vai torcer contra a seleção brasileira na Copa, por quê?
JK: Vou torcer contra o Brasil na Copa de 2014.
Também vou rezar para que na final o Brasil esteja, e que, exatamente na
final, o Brasil perca de forma vergonhosa. E que haja, no Maracanã, com
o segundo maracanasso, um linchamento público verbal contra a figura do
senhor Ricardo Teixeira. O estádio inteiro em eco para
que ele criasse vergonha na cara e deixasse a Confederação Brasileira
de Futebol (CBF) e também o Brasil, e se juntasse ao seu bando e
quadrilha lá da Suíça.
Radioagência NP: A realização da Copa demanda um investimento
financeiro muito alto. Grande parte vem por meio do financiamento do
BNDES. Você é a favor de financiamento público em um evento, que como
você disse, terá o lucro dividido em meios privados?
JK: A Copa é no Brasil, mas não é para os
brasileiros. É uma Copa para turistas. Quem vai pagar a conta é o
brasileiro, vai sair do imposto. O BNDES já colocou R$
4,8 bi na Copa. Até 2014 pode dobrar esse valor. O mais grave é que
quando foi definido o Brasil como sede da Copa, ficou estabelecido de
forma pública, para todos os brasileiros – nas palavras do então
presidente Lula e do Ricardo Teixeira – que não se gastaria nenhum
centavo público para Copa do Mundo, que todas as despesas seriam
privadas. O governo e o Ricardo Teixeira mentiram, foram canalhas.
Radioagência NP: E como você avalia o papel da presidente Dilma neste processo?
JK: O que ela disse foi o mais grave. A presidente
Dilma afirmou que não poderia divulgar os valores financeiros gastos
pelo governo até 2014, que eram informações sigilosas. Isso é
revoltante. Qualquer brasileiro minimamente sério, qualquer jornalista
minimamente descente e qualquer veículo de comunicação minimamente ético
teriam que cobrar da presidente essa postura lamentável. Não pode
gastar dinheiro público e não informar e divulgar para onde foi.