“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 24 de julho de 2017

PGR pede transferência do procedimento penal instaurado na Espanha contra Ricardo Teixeira

Segunda, 24 de julho de 2017
Do MPF 
Objetivo é ter acesso aos detalhes e provas da investigação espanhola para viabilizar a persecução penal no Brasil


A Procuradoria-Geral da República pediu, nesta segunda-feira (24), a transferência do procedimento penal instaurado na Espanha contra o ex-presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) Ricardo Teixeira. Ele teve um mandado de captura internacional decretado pela Justiça espanhola pelos crimes de lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Como ele é brasileiro nato e não pode ser extraditado, o objetivo é ter acesso aos detalhes e provas da investigação espanhola para viabilizar a persecução penal no Brasil.

terça-feira, 12 de março de 2013

Blatter, Grondona e Teixeira: malas e depósitos suspeitos

Terça, 12 de março de 2013
Por Andrew Jennings            
Jornalista britânico Andrew Jennings, parceiro da Pública, conta o caso do dinheiro enviado pela FIFA à Arábia Saudita e a história da mala de 400 mil dólares de Ricardo Teixeira
 
Uma das primeiras coisas que Sepp Blatter fez ao assumir a presidência da FIFA, em 1998, foi abrir os cofres para um país que apoiou financeiramente sua campanha.

Ele não tinha dinheiro suficiente para pagar a dívida com esse país, mas a FIFA tinha. Então Blatter bateu um papinho com seu fiel escudeiro e cabeça do Comitê de Finanças da entidade, o malandro Julio Grondona [NT: também presidente da Associación de Fútbol Argentino, a AFA,  a CBF argentina], e sem contar nada a ninguém eles repassaram 470.000,00 francos suíços (cerca de US$ 680.000,00) para alguém na Arábia Saudita, um dos países mais ricos do mundo.

Blatter afirmou que o dinheiro foi repassado para cobrir um “excesso de gastos” do ano anterior, quando a Arábia Saudita sediou a Copa das Confederações. Mas acontece que esta competição, conhecida como Copa do Rei Fahd, havia sido inteiramente bancada pelos sauditas sem custos para a FIFA.

Desonestos

Poucos na FIFA tem reputações financeiras mais duvidosas do que Blatter e Grondona. Eles contaram à empresa de auditoria KPMG, em 1999, a historinha – difícil de acreditar – de que o dinheiro tinha ido para a Arábia Saudita. Nesse caso, quem teria recebido o dinheiro? Ninguém sabia de nada porque os demais membros do Comitê de Finanças não haviam sido consultados sobre o pagamento.

No Relatório de Gestão confidencial feito pela KPMG, o ingênuo auditor Fredy Luthiger – sempre bem cuidado e cortejado por Blatter em Copas do Mundo – murmurou que, no futuro, o Comitê de Finanças deveria consultado para aprovar “pagamentos como aquele”.

Blatter, sem dúvida sorrindo, aparentemente concordou. Mas na prática ignorou aquela recomendação, mantendo até os dias atuais o direito de ser o único que assina os cheques da FIFA.

As contas bancárias offshores e secretas de Grondona – reveladas em um vídeo gravado por uma associação comercial, depois tirado de circulação -, estão sendo investigadas agora pela polícia argentina. O repórter alemão Jens Weinreich fez os cálculos: o dinheiro depositado nas várias contas bancárias, a maioria delas situada na Suíça, alcança a assombrosa quantia de US$ 121 milhões. Grondona se recusa a dizer de onde veio esse dinheiro.

Lavanderia de dinheiro 

Era um dia normal no escritório do Departamento de Finanças da FIFA. De repente entrou o membro do Comitê Executivo, Ricardo Teixeira, carregando uma mala grande e pesada. “O que podemos fazer pelo senhor?”, lhe perguntaram.


Teixeira abriu a mala e despejou espantosos US$ 400.000,00 em dinheiro vivo! Ele disse que era um pagamento adiantado à CBF para cobrir os custos da participação na Copa do Mundo de 1998, na França. Ninguém no Departamento de Finanças ousou perguntar por que Teixeira estava carregando tal volume em dinheiro vivo, nem onde ele tinha conseguido aquilo – ou o que estava fazendo com aquela mala em 2000, 18 meses depois do fim da Copa de 1998.

sexta-feira, 16 de março de 2012

Andrew Jennings: “Agora o Teixeira tem que renunciar à FIFA”

Quinta, 16 de março de 2012
Da "Pública Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo"
Em entrevista à Pública o jornalista britânico Andrew Jennings, responsável por denúncias de propinas milionárias pagas a Ricardo Teixeira, comemora a renúncia do ex-presidente da CBF

Ao atender o telefone, do Reino Unido, Andrew Jennings responde entusiasmadamente: “Nós pegamos ele, não pegamos?”.

Jennings, parceiro da Pública, foi o autor da reportagem da BBC que denunciou as propinas de US$ 9,5 milhões de dólares dadas a Ricardo Teixeira e US$ 1 milhão ao ex-presidente da FIFA, e seu ex-sogro, João Havelange, para garantir à empresa de marketing esportivo ISL contratos de exclusividade em patrocínios da Copa do Mundo. O caso foi investigado pela Justiça suíça e se tornou um escândalo mundial.

Autor do livro “Jogo Sujo – o Mundo Secreto da Fifa“, ele chegou a prestar depoimento no Senado brasileiro explicando a história em outubro do ano passado – e apresentou documentos sobre a investigação da corte suíça.

Jennings, que se dedica há mais de 20 anos a denunciar corrupção na FIFA, à qual chama de “máfia”, profetiza: “Hoje é Teixeira, amanhã será Blatter”.

O que você acha do Ricardo Teixeira?

O Ricardo Teixeira não tem interesse em futebol, nunca ouvi falar que ele se interessasse pelo jogo. Bom, ele foi sortudo: conseguiu casar com a filha do chefe: foi colocado como presidente da CBF, um empregão. E ele construiu uma longa história de corrupção na CBF. Como ele conseguiu ficar sem punição cometendo crimes por tanto tempo? Porque ele era protegido por pessoas. Cabe aos jornalistas brasileiros denunciar quem eram os políticos que protegiam o Teixeira no Congresso, quem barrava as investigações contra ele.

Você o conheceu?

Sim, claro. Eu o conheci 16 meses atrás, quando fiz plantão diante da sua porta quando ele estava na Suíça. Quando ele apareceu, perguntei: “Senhor Teixeira, o senhor recebeu propinas da ISL?” Ele me empurrou e não respondeu nada.

No ano passado o Teixeira ameaçou te processar, certo?

Sim. Em junho ele enviou dois advogados na FIFA até a BBC para me entregar uma intimação, mas a BBC se recusou a receber. Eles tentaram, não sabiam que eu não morava em Londres e que a BBC iria se recusar a receber documentos do tribunal no Rio. Quando eu fui ao Brasil em outubro, eles tentaram de novo me entregar essa intimação no Senado, mas eu me escondi atrás de uns guarda-costas do Senado, eu apreciei a ajuda deles.

O Teixeira queria me processar por uma entrevista que eu dei para o Romário e saiu no site dele. O Teixeira ficou muito nervoso porque Romário é uma grande estrela no Brasil, ele não podia mais falar que sou apenas um inglês louco.

Aliás, o Romário disse a coisa certa: é como se um câncer tivesse sido tirado da CBF. O Romário tem sido excelente há meses, tem atacado o Teixeira, enquanto o Ronaldo está beijando a sua bunda e ficando mais gordo.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

VÍDEO: CONVERSA PÚBLICA com Andrew Jennings, inimigo número 1 da FIFA

Terça, 11 de outubro de 2011
Da Pública
No dia 3 de julho a Pública fez um evento de inauguração na Casa de Cultura Digital.

O jornalista Andrew Jennings, que tem revelado diversos escândalos de corrupção na FIFA, contou ao público como pretende expor a corrupção de Ricardo Teixeira. Direto e polêmico, Jennings costuma dizer que a máfia, organização que ele investigou durante anos, é amadora se comparada à FIFA.

Nesta CONVERSA PÚBLICA, Jennings incentivou o público a agir como “jornalistas de guerrilha”: “Se você está bravo pela maneira como os impostos estão sendo roubados, se está bravo porque o seu governo não vai fazer nada contra isso, você tem essa nova arma, a internet.  É essa arma que vamos usar para lutar essa guerra”.

O jornalista  vai voltar ao Brasil no final de outubro para uma sessão no Senado federal. Ele afirma que Teixeira e João Havelange são investigados na Suíça em um caso de subornos na negociação de direitos de transmissão de jogos e patrocínios de Copas de Mundo. Segundo ele,  Teixeira e Havelange teriam feito um acordo com a Justiça suíça para devolver US$ 9 milhões de dólares obtidos com corrupção.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

“A Copa é no Brasil, mas não é para os brasileiros, afirma Kajuru”

Sexta, 9 de setembro de 2011
Da Radioagência NP
O Brasil será sede da Copa do Mundo de 2014. Desde 2007, quando o país foi escolhido como sede do mundial, vários questionamentos surgiram em torno desse evento.

Em entrevista a Radioagência NP – parceira do Brasil de Fato - o jornalista Jorge Kajuru afirma que o país tem plenas condições e estrutura para realização do evento. Porém, relata que o problema da Copa ser no Brasil está relacionado “a crise moral dos representantes.” 

Ele critica o financiamento através de dinheiro público do BNDES no evento e pede mais postura da presidente Dilma sobre o tema. Para Kajuru, a Copa é no Brasil, mas não é para os brasileiros. E acrescenta: “É uma Copa para turistas. Quem vai pagar a conta é o brasileiro, vai sair do imposto”.

Conhecido por sua coragem de enfrentar os cartolas do futebol, Kajuru, também detalha a relação entre a Federação Internacional de Futebol (Fifa)  e o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, no qual ele descreve como “ladrões públicos do futebol mundial.”

O jornalista também acusa a  Rede Globo. “O Ricardo Teixeira também é intocável pela proteção da Rede Globo de Televisão”. Segundo ele, a emissora é sócia em negócios envolvendo futebol, principalmente, monopólio e exclusividade de transmissões.  Leia a seguir a entrevista.

Radioagência NP: Brasil será sede da Copa do Mundo de Futebol de 2014. Como você avalia a realização deste evento em nosso país?

Jorge Kajuru: Não sou contra a Copa do Mundo no Brasil. O país tem condições e estrutura. O problema da Copa ser aqui não é estrutural, e sim, de crise moral. Vão roubar de nós brasileiros, pagadores de impostos, porque sairá de forma pública a maior parte de dinheiro gasto em Copa do Mundo. O governo federal, em pleno o governo do presidente Lula, teve que assinar um documento no qual a Fifa ganhará todo o dinheiro da Copa sem pagar qualquer centavo de tributos. A Fifa aceitou o Brasil como sede da Copa tendo essa condição como base de negócio. Todo dinheiro faturado aqui ela (Fifa) vai levar para a Suíça e fazer o divisão entre os ladrões públicos do futebol mundial.

Radioagência NP: Você já declarou que vai torcer contra a seleção brasileira na Copa, por quê?

JK: Vou torcer contra o Brasil na Copa de 2014. Também vou rezar para que na final o Brasil esteja, e que, exatamente na final, o Brasil perca de forma vergonhosa. E que haja, no Maracanã, com o segundo maracanasso, um linchamento público verbal contra a figura do senhor Ricardo Teixeira. O estádio inteiro em eco para que ele criasse vergonha na cara e deixasse a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e também o Brasil, e se juntasse ao seu bando e quadrilha lá da Suíça.

Radioagência NP: A realização da Copa demanda um investimento financeiro muito alto. Grande parte vem por meio do financiamento do BNDES. Você é a favor de financiamento público em um evento, que como você disse, terá o lucro dividido em meios privados?

JK: A Copa é no Brasil, mas não é para os brasileiros. É uma Copa para turistas. Quem vai pagar a conta é o brasileiro, vai sair do imposto. O BNDES já colocou R$ 4,8 bi na Copa. Até 2014 pode dobrar esse valor. O mais grave é que quando foi definido o Brasil como sede da Copa, ficou estabelecido de forma pública, para todos os brasileiros – nas palavras do então presidente Lula e do Ricardo Teixeira – que não se gastaria nenhum centavo público para Copa do Mundo, que todas as despesas seriam privadas. O governo e o Ricardo Teixeira mentiram, foram canalhas.

Radioagência NP:  E como você avalia o papel da presidente Dilma neste processo?

JK: O que ela disse foi o mais grave. A presidente Dilma afirmou que não poderia divulgar os valores financeiros gastos pelo governo até 2014, que eram informações sigilosas. Isso é revoltante. Qualquer brasileiro minimamente sério, qualquer jornalista minimamente descente e qualquer veículo de comunicação minimamente ético teriam que cobrar da presidente essa postura lamentável. Não pode gastar dinheiro público e não informar e divulgar para onde foi.

quinta-feira, 14 de julho de 2011

PRB pede ao Ministério Público que investigue presidente da CBF

Quinta, 14 de julho de 2011
Da Agência Brasil
Débora Zampier - Repórter
O PRB entrou hoje (14) com um pedido na Procuradoria-Geral da República (PGR) para que o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local da Copa do Mundo de 2014, Ricardo Teixeira, seja investigado. De acordo com o partido, reportagens publicadas no Brasil e no exterior apontam indícios de que Teixeira está se beneficiando da realização do megaevento esportiva no país.

“Do que se noticiou, depreende-se uma perigosa relação entre os interesses pessoais de Ricardo Teixeira e a aplicação de dinheiro público na construção de estádios de futebol para a Copa do Mundo de 2014”, diz trecho do pedido de investigação encaminhado ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel.

De acordo com o parlamentar, o partido trabalhará após o recesso para convocar a comissão parlamentar de inquérito (CPI) proposta pelos deputados Romário (PSB-RJ) e Anthony Garotinho (PR-RJ). “Dependemos de cerca de 170 assinaturas. Não será fácil, mas vamos fazer esse movimento”, disse Pereira, lembrando que o PRB tem 12 parlamentares.

Sobre a possibilidade de que o partido se desgaste com o governo - o PRB é da base aliada -, caso as investigações venham a atrapalhar a realização da Copa, Pereira disse que o interesse público deve estar acima de qualquer coisa.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Ricardo Teixeira e as acusações da BBC de Londres

Segunda, 6 de dezembro de 2010

Ricardo Teixeira, corrupção, presidência da CBF, redundância ou rotina? Agora, a BBC de Londres massacra o “dono” do futebol brasileiro. Não responde, é intocável, diz, “é apenas inveja”. É uma questão para o CNJ (Conselho Nacional de Justiça). (De Helio Fernandes na Tribuna da Imprensa desta segunda. Clique aqui e leia a coluna do jornalista)