Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 30 de julho de 2026

A luta sem tréguas da Enfermagem

Quinta, 30 de julho de 2026

A luta sem tréguas da Enfermagem

O cotidiano paradoxal de uma das profissões mais numerosas do país. Elas salvam, cuidam e confortam, mas vivem sob baixos salários, precarização e adoecimento crescentes. Contraponto: nenhuma outra categoria tem se mobilizado tanto

OUTRASPALAVRAS Trabalho e Precariado
Por Glauco Faria Publicado 30/07/2026

Reportagem de Glauco Faria, no Outra Saúde

(Foto: Raphael Alves/Amazônia Real)

Em 21 de março de 2020, dezenas de cidades brasileiras registraram à noite pessoas aplaudindo das janelas os profissionais de saúde que estavam na linha de frente do combate à pandemia de covid-19, ainda em seu estágio inicial no país. Àquela altura, enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem tornaram-se símbolos de resistência de uma tragédia sanitária que matou, segundo números oficiais, mais de 700 mil pessoas em território nacional, ceifando a vida de centenas desses profissionais, infectados na rotina do cuidado e exauridos pelo esforço.

Uma situação de emergência como aquela exigiu a mobilização de inúmeras pessoas na área, inclusive daquelas que não estavam trabalhando no momento. “Fui convocada pelo Ministério da Saúde para atuar contra a covid-19 no início de 2020. Lembro bem, era à noite em Manaus, por volta das 22h no horário local, e eu já estava me preparando para dormir quando recebi uma ligação do Ministério”, conta a enfermeira Adriane Aragão, que trabalhou em uma das cidades que sofreria mais com a disseminação do coronavírus.

“A situação em Manaus era devastadora, e eu já participava de grupos que ajudavam a repassar informações sobre onde havia oxigênio disponível, oxímetros e máscaras que estavam em falta em toda a cidade”, conta, lembrando como foi feita a admissão.

sábado, 23 de maio de 2026

SUS: é preciso “virar tudo de cabeça para baixo”



Sábado, 23 de maio de 2026

SUS: é preciso “virar tudo de cabeça para baixo”


Com críticas ao avanço do setor privado e ao distanciamento dos movimentos sociais, participantes da mesa “40 anos da 8ª Conferência: Legados, rupturas e possibilidades”, reforçam: a defesa da saúde pública exige enfrentar as desigualdades estruturais do país


OutraSaúde

Matéria originalmente publicada no OutraSaúde em 22/05/2026

Créditos: Argel do Valle

O professor associado do Departamento de Política, Gestão e Saúde, da Faculdade de Saúde Pública da USP, Carlos Botazzo, vivenciou de perto um dos marcos fundamentais da história da saúde pública no país. Mas, ao relembrar a 8ª Conferência Nacional de Saúde (CNS) no primeiro dia do seminário que celebra seus 40 anos em São Paulo, o pesquisador foi além da nostalgia e alertou que o SUS nasceu de um anseio democrático, mas foi assentado sobre um Estado que nunca rompeu com seu passado autoritário.

Na mesa 40 anos da 8ª CNS: Legados, rupturas e possibilidades, Botazzo conta que chegou à conferência de 1986 após ser preso pela ditadura e trabalhar em Moçambique, onde ajudou a erguer um sistema de saúde pós-independência. Ao voltar ao Brasil, encontrou um país em transição conciliatória. “A Lei da Anistia foi parcial. Tinha o ‘jeitinho brasileiro’ e a esquerda pensava: não fazer agora, porque depois a gente corrige. E nós não corrigimos nunca”, criticou.

Para ele, a ditadura é uma realidade contínua nas periferias, materializada na militarização. “É uma aberração que um país livre tenha uma polícia de intervenção. Polícia militar é para quando se suspende o Estado de Direito”, pontuou, lembrando que a própria USP foi palco da repressão.

sábado, 14 de outubro de 2017

Liminar que restringe atuação de enfermeiros ameaça existência do SUS, dizem médicos

Sábado, 14 de outubro de 2017
Liminar que restringe atuação de enfermeiros ameaça existência do SUS, dizem médicos
Decisão de juiz de Brasília impede que profissionais da saúde requisitem exames e consultas ou revalidem receitas.
 
Por Mayara Paixão/Saúde Popular/Agência Brasil
e ContextoExato
 
Uma recente decisão da 20ª Vara da Justiça Federal de Brasília altera o cotidiano dos profissionais de enfermagem. De acordo com a liminar expedida pelo juiz Renato Borelli, agora, enfermeiros não podem mais requisitar consultas e exames na atenção básica de saúde ou revalidar receitas médicas.
 
Algumas entidades se posicionaram contra a medida. Foi o caso do grupo Médicos pela Democracia. Na avaliação dos profissionais, a liminar contribui para o desmonte do Sistema Único de Saúde (SUS) no país.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Estratégias para consolidação do SUS e do direito à saúde – artigo de Gastão Wagner

Terça, 19 de setembro de 2017
Da Abrasco
Associação Brasileira de Saúde Coletiva

Por Gastão Wagner de Sousa Campos*


I – Projeto e frente política em defesa do SUS:
A consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) depende da constituição de um Bloco Político capaz de renovar e de dar continuidade aos movimentos sociais em defesa da vida.

A incorporação das diretrizes do SUS à Constituição de 1988 possibilitou o desenvolvimento de uma nova política de saúde no Brasil. Esta mudança foi inspirada nas experiências dos sistemas universais e públicos de saúde. Estes sistemas foram parte fundamental de reformas sociais  implementadas, ao longo do século XX, em vários países, objetivando o estado de bem-estar. Tanto a inscrição na Constituição do direito universal à saúde, quanto o início da implementação do SUS deveram-se a uma conjugação favorável de fatores de ordem política. Dentro da luta pela democratização e contra a ditadura militar ao longo dos anos setenta e oitenta, organizou-se também um influente movimento sanitário que adotou o SUS como sua estratégia mais geral. Entretanto, ao longo dos anos noventa e da primeira década do terceiro milênio, a progressiva implementação do SUS dependeu basicamente de ações internas às instituições. Mudanças por dentro do aparelho de Estado, um Estado ampliado é importante reconhecer, já que a criação de arranjos de controle social e de gestão participativa trouxeram para o interior das organizações públicas a disputa entre diversos projetos, entre diferentes interesses e múltiplos atores sociais. É importante reconhecer que nesta dinâmica participativa os partidos políticos, governantes, setores da burocracia e intelectuais tiveram maior influência do que a representação da sociedade civil ou dos usuários, em particular.

Entretanto, não se deve subestimar a importância de movimentos sociais específicos da área da saúde na implementação do SUS, pois graças a eles foram sendo possível implementar novas políticas e novos programas. Este foi o caso da reforma psiquiátrica, do movimento pró humanização, de luta contra a AIDS, a favor da Estratégia de Saúde da Família e pela Educação em Saúde, entre outros. Este ciclo de lutas produziu mudanças na cultura e na prática do SUS, gestando-se novos valores e conceitos sobre maneiras para se assegurar o direito à saúde. Em geral, estes movimentos aglutinaram profissionais com visão crítica e camadas populares diretamente interessadas no enfrentamento de alguns problemas de saúde. Estes movimentos encontraram apoio em distintas entidades, associações acadêmicas e políticas, como Centro Brasileiro de Estudos da Saúde – CEBES, Associação Brasileira de Saúde Coletiva – Abrasco, entre outras, e lograram influenciar políticas e modos de atuação em municípios, reformas locais que produziram “efeito demonstração” e pressão para que Secretarias de Estados e o Ministério da Saúde as adotassem como estratégias para todo o SUS.

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Indústria da doença, lucro vertiginoso

Quinta, 11 de agosto de 2016
Fontes:
Site Saúde Popular
Le Monde Diplomatique

11/08/2016
O setor privado financia a grande mídia, que aceita o jogo imoral por ele praticado. Ao assistirmos aos principais telejornais, observamos o ataque orquestrado ao sistema público de saúde, dando ênfase apenas às falhas, tratadas como corriqueiras. Já os problemas do setor privado não são exibidos.

Por Leandro Farias*, do Le Monde Diplomatique

Passados trinta anos de um marco na história do Brasil, a 8ª Conferência Nacional de Saúde, ainda estamos diante de paradigmas que contribuem para a visão mercantil do setor. Durante a Conferência, foi discutido a fundo o modelo de saúde presente na época e, em relatório final produzido por políticos, gestores, profissionais e usuários do sistema, apontou-se a necessidade de mudanças neste. Tal relatório contribuiu para que, durante a Constituinte, fosse debatido capítulo referente ao direito à saúde, presente em nossa Constituição Federal de 1988. Assim nasceu o Sistema Único de Saúde (SUS). Posteriormente, surgiram as leis n. 8.080 e n. 8.142, que tratam da regulamentação, financiamento e participação social no SUS.

Persiste, porém, o desafio da quebra do modelo médico hegemônico, hospitalocêntrico ou complexo médico-industrial, que traz uma visão avessa ao modelo preventivista elaborado durante o processo histórico que antecedeu a criação do SUS, a chamada Reforma Sanitária. O primeiro modelo alimenta a visão mercantil da saúde e segue as leis do mercado, reforçando a indústria da doença formada por laboratórios, empresas, planos de saúde, entre outros. Essa indústria promove a prática de assédio aos profissionais da saúde desde sua entrada nas universidades, com o custeio de viagens, cursos, congressos e até porcentagem na venda de seus produtos. Sem falar na má remuneração destinada aos seus profissionais, que assim optam pela quantidade em detrimento da qualidade nos serviços disponibilizados.

domingo, 1 de maio de 2016

Os produtos com que a Monsanto contamina o planeta

Domingo, 1º de maio de 2016
Do Esquerda.Net
O envenenamento do meio ambiente e de populações com PCB's, a aplicação massiva de Agente Laranja no Vietname, os perigos para a saúde pública causados pela hormona de crescimento bovino, a contaminação de culturas pelos OGM ou os efeitos do herbicida Roundup, cujo principal ingrediente é o glifosato, nas células humanas são algumas das matérias que a Monsanto procura branquear a todo o custo.
Sendo, atualmente, uma empresa mundial de biotecnologia agrícola especializada em sementes transgênicas e herbicidas, que tem vindo a mudar a face da agricultura e a ditar a alteração dos nossos hábitos alimentares, a Monsanto começou como um fornecedor de produtos químicos.

Tentando, por todos os meios - manipulação de estudos, técnicas de marketing agressivas, entre outros -, limpar a sua imagem, a Monsanto auto intitula-se como “uma companhia de agricultura sustentável” (i) com o objetivo "produzir melhores alimentos para os consumidores e uma melhor alimentação para os animais".

A empresa oculta da sua história (ii) “pequenos pormenores”, como as consequências profundamente dramáticas para o meio ambiente e a saúde pública da produção de PCB's, a contaminação de vietnamitas e veteranos de guerra com o Agente Laranja ou a toxicidade do Roundup, o herbicida que se transformou numa mina de ouro.

PCB's: Consequências dramáticas para o meio ambiente e a saúde pública

Cerca de 99% dos PCB's (iii) utilizados nos EUA foram produzidos pela Monsanto na sua fábrica de Sauget, em Illinois - que apresenta a taxa mais elevada de morte fetal e de nascimentos prematuros do estado (iv) -, até terem sido totalmente proibidos pelo Congresso norte americano em 1976.

quarta-feira, 16 de março de 2016

Brasil ocupa a 11ª posição na América Latina em saneamento básico; está atrás de Bolívia, Peru, Uruguai, Equador, Venezuela, Chile, México, Argentina, Colômbia e Costa Rica

Quarta, 16 de março de 2016
Marli Moreira – Repórter da Agência Brasil


saneamento básico
saneamento básico —Marcello Casal Jr / Arquivo Agência Brasil
Metade da população brasileira não conta com coleta de esgoto e apenas um quarto dela vive em localidades com tratamento dos dejetos, segundo estudo divulgado hoje (16) pelo Instituto Trata Brasil. O “Ranking do Saneamento nas 100 Maiores Cidades” foi feito com base em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento, do Ministério das Cidades, relativos a 2014, e mostra que mais de 35 milhões de brasileiros ainda não recebem água tratada.

De acordo com o Instituto Brasil, o país ocupa a 11ª posição entre 17 países analisados pela Comissão Econômica para a América Latina (Cepal), estando atrás da Bolívia, Peru, Uruguai, Equador, Venezuela, Chile, México, Argentina, Colômbia e Costa Rica.

sexta-feira, 13 de março de 2015

Entes federados têm responsabilidade solidária na assistência à saúde, reafirma STF

Sexta-feira, 13 de março de 2015
Do STF
O Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou jurisprudência sobre a responsabilidade solidária dos entes federados no dever de prestar assistência à saúde. A decisão foi tomada na análise do Recurso Extraordinário (RE) 855178, de relatoria do ministro Luiz Fux, que teve repercussão geral reconhecida, por meio do Plenário Virtual.
Conforme os autos, uma mulher ingressou com ação visando à obtenção do remédio “Bosentana”. Em sede de antecipação de tutela, o pedido foi concedido em outubro de 2009, tendo sido determinada a aquisição do medicamento pelo Estado de Sergipe e o cofinanciamento do valor pela União, em percentual correspondente a 50%.

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

STF: Mantida decisão que determina fornecimento de medicamento a portador de doença hepática

Terça, 30 de dezembro de 2014
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Ricardo Lewandowski, manteve decisão liminar da Justiça Federal que obriga o Município de São Paulo a fornecer medicamentos a um portador de cirrose hepática, decorrente de contaminação pelo vírus da hepatite C. Ao indeferir o pedido de Suspensão de Liminar (SL) 815, ajuizada pela municipalidade, o ministro Lewandowski ressaltou a importância da continuidade do tratamento para a preservação da vida do paciente e também o fato de não haver comprovação de que o fornecimento dos remédios represente grave lesão à economia pública.
Fonte: STF

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Sindicato lamenta fechamento de laboratório agropecuário do Rio devido a obras da Copa

Domingo, 24 de fevereiro de 2013
Alana Gandra Repórter da Agência Brasil
Rio de Janeiro - O Sindicato de Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) está programando para a semana que vem uma manifestação no Rio contrária ao fechamento do Laboratório Nacional Agropecuário do Rio (Lanagro Rio), informou o presidente da entidade, Wilson Roberto de Sá.

O encerramento das atividades do complexo laboratorial do Ministério da Agricultura (Mapa) no Rio de Janeiro, ocorrido no final de janeiro deste ano, ainda provoca apreensão e revolta entre os profissionais do setor.

O complexo funcionava ao lado do Estádio do Maracanã, vizinho ao Museu do Índio, e teve pesquisadores e equipamentos transferidos para um prédio da superintendência regional do ministério, na Rua Barão de Tefé, na zona portuária do Rio, devido à venda do terreno, pertencente à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), para o governo do estado.

Wilson de Sá considerou lamentável o “desmanche” do laboratório. “Poderia ter havido uma negociação diferente, com outro desfecho. A gente está de luto por causa disso”, acrescentou.

Embora reconheça que a área seja importante para a realização dos eventos esportivos programados para a cidade do Rio, a Copa do Mundo de Futebol  de 2014 e as Olimpíadas de 2016, o titular da Anffa Sindical argumentou que o espaço poderia ter sido negociado para ocupação posterior pelo mesmo complexo laboratorial do Mapa.

O assunto foi "pessimamente conduzido” pela gestão anterior da superintendência regional Rio do ministério. “A coisa foi manobrada de forma errada, inconsistente, que acabou nesse desfecho”, protestou.

Wilson Roberto de Sá considerou que o encerramento das atividades do Lanagro do Rio constituirá uma perda para o estado e um risco para a população consumidora fluminense. Lembrou que transitam pelo Rio produtos de outros estados e países. “O laboratório servia de suporte para essas análises, com pessoal treinado, capacitado, tanto na área de bebidas, como de produtos de origem animal e vegetal, garantindo que pudessem chegar à mesa do consumidor brasileiro de uma forma segura”.

Destacou que a medida traz risco para a população do ponto de vista de saúde pública. “Um risco enorme e risco de ingresso de doenças e pragas no território nacional”.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Alcoolismo - O impacto de uma Droga Psicotrópica socialmente aceita!

Segunda, 30 de maio de 2011
Por Heloísa Helena*
Google Imagem
A semana que passou houve de tudo... da aberração na aprovação do Código Florestal até os velhos métodos governamentais dos Esconderijos Palacianos no Submundo Palocciano (sobre o tema respondo com meu artigo já publicado: (Só enriquece na política quem é ladrão!). Aqui em Alagoas o vandalismo que destrói a dignidade do nosso povo sucateando ainda mais a saúde, educação, segurança pública, reina impunemente – aqui ou em Brasília - pela ação ou omissão da canalha política e da maioria dos eleitores. E como tudo isso já muito não fosse ainda tivemos que ver a repetição dos gravíssimos problemas, há muito anunciados, da Braskem que teve a ousadia de chamar de incidente um vazamento que assombrou milhares de pessoas. Embora eu tenha posição formada sobre a necessidade de transferência da referida estrutura industrial, do local onde hoje se encontra, tratarei sobre o tema – com todo rigor necessário - após a publicação do Laudo Técnico que será apresentado quando este artigo já foi para publicação. Ficará para o próximo!          
 Infelizmente além dessa metodologia de promiscuidade política dirigida pela irresponsabilidade e omissão criminosa na Administração Pública e do caos nos serviços públicos e do aumento na circulação das drogas ilícitas que formam imensos exércitos de mão-de-obra escrava com os pobres para o mundo maldito do narcotráfico... existe mais um problema de dimensão inimaginável na vida de crianças e jovens e da sociedade em geral. Neste artigo tratarei de uma droga psicotrópica – o álcool - socialmente aceita e irresponsavelmente estimulada pela intensa publicidade diária nos meios de comunicação como retrato da covardia vergonhosa do Governo Federal e do Congresso Nacional.
          Primeiro gostaria de alertar - especialmente aos que gostam de se apresentar como cretinos contumazes – que a breve análise que farei sobre o tema não está fundamentada em nenhuma concepção religiosa e muito menos no velho moralismo farisaico que desprezo. Quem quiser construir seus “paraísos artificiais” ou “férias químicas de si mesmo e do mundo medíocre” que o faça... mas sem hipocrisia ou discurso cínico e pretensamente avançado, e de preferência tirando as patas das crianças e jovens! Devo registrar ainda que conheço muitas pessoas que usam bebidas alcoólicas com moderação, mas conheço também muitas mais que destruíram suas vidas e suas famílias ou embriagadas mutilaram ou assassinaram outras pessoas. As frias estatísticas oficiais e todos os Estudos Científicos mostram o impacto dessa droga psicotrópica.
          O álcool é a droga preferida de 70% dos brasileiros; é a droga de maior prevalência de uso na vida (53,2%); já é utilizada por 52% de crianças de 9 a 12 anos (32% destes já usaram em doses elevadas até a completa embriaguez); é responsável por mais de 95% das internações hospitalares provocadas por drogas; é identificada como porta de entrada para outras drogas em 68% dos adolescentes; está diretamente relacionada a 76% dos acidentes de trânsito com vítimas fatais; está inserida em mais de 60% dos homicídios e em 80% dos casos de violência sexual contra crianças e agressão e mutilação a mulheres nos seus lares; entre outros!
          É uma droga que gera torpor, tonturas, vômito, comprometimento das funções mentais e reflexos retardados, fala incompreensível, redução do controle cerebral, superestimação das possibilidades e, entre outros, danos graves ao fígado, aparelho digestivo, cardiovascular, polineurite alcoólica, Síndrome Fetal pelo Álcool, coma alcoólico. Além do desenvolvimento dos limites de tolerância (têm que beber cada vez mais para produzir os mesmos efeitos) e a síndrome de abstinência (que vai do tremor de mãos até os gravíssimos delírios tremens).
          A iniciação no consumo, conforme demonstra vários estudos, está relacionada a várias condições, entre elas: a droga ser rotineiramente utilizada nas famílias (inclusive oferecendo às crianças), como facilitadora em situações difíceis (tomar para relaxar), curiosidade, busca de coragem, pressão dos amigos... e (claro!) às belíssimas peças publicitárias onde uma droga é apresentada como permanentemente consumida por pessoas lindas, ricas e símbolos do sucesso. Na publicidade enganosa são gastos mais de 1 bilhão/ano para promover estímulos diversos e belos que possibilitem o consumo e termina numa vozinha ridícula “se beber não dirija” ou “beba com moderação”... tipo assim “só uma pedrinha de crack” ou “cheire socialmente”. Os cínicos produtores das bebidas alcoólicas justificam dizendo que há ”um vazamento do sinal além do público-alvo” quando há uma ilegalidade ao induzir condutas enganosas e atribuir finalidades diferentes das que verdadeiramente a droga possui. Aliás, eu como Senadora e alguns outros lutamos muito para proibir a publicidade (da mesma forma que foi feito com cigarros) ou ao menos colocar rótulos... nada!
          Respeitamos muito o A.A e outros grupos de auto-ajuda, reconhecemos a importância dos CAPS AD e Centros de Recuperação de Usuários de Drogas Psicotrópicas (coloquei no Orçamento de Maceió quase 2 milhões para a Construção de um)... mas sem políticas sociais globais para o enfrentamento do problema é causa digna de ser lutada por mim e outros mais... mas quase perdida! Continuemos a nossa Luta... afinal, como diz o lema, “o difícil a gente faz, o impossível a gente tenta!”

*Heloísa Helena é vereadora do PSOL em Maceió e ex-candidata à Presidência da República pelo partido.
Twitter: @_heloisa_helena