“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 24 de julho de 2024

VENENO 'Valemos menos': situação do Brasil frente à União Europeia é sub-humana, diz Larissa Bombardi sobre agrotóxicos

Quarta, 24 de julho de 2024
Pesquisadora fala sobre herança colonialista no uso de
substâncias produzidas por multinacionais europeias

Rádio Brasil de Fato
Bombardi: "o campesinato brasileiro é um campesinato que nasce sem terra. É um campesinado excluído. É uma sociedade que se constrói na exclusão" - Terra de Direitos

A população brasileira é tida como sub-humana frente à União Europeia (UE). A constatação é da pesquisadora Larissa Bombardi, que estuda os impactos e o funcionamento do comércio mundial de agrotóxicos. "Quando eu olho o fato de que no Brasil o resíduo de glifosato autorizado na água potável é cinco mil vezes maior do que aquele autorizado na União Europeia. Quando eu vejo que o resíduo de malationa no Brasil é 400 vezes maior do que o autorizado na União Europeia, sou obrigada a pensar que, no conjunto das relações internacionais, a população brasileira, latino-americana e africana é tida como sub-humana. Nós valemos menos."

Dos dez agrotóxicos mais vendidos no Brasil, cinco são proibidos na UE. Isso significa que são autorizados em território nacional agrotóxicos cancerígenos, que provocam má formação fetal, alterações hormonais, infertilidade e mal de Parkinson, por exemplo.

Por trás disso, empresas como as alemãs Bayer e Basf, as estadunidenses Corteva e FMC, a estatal chinesa Syngenta e a indiana Upl venderam, em 2020, juntas, US$ 43 bilhões dessas substâncias. Mais de 80% desse mercado é controlado pela Bayer, Corteva e Syngenta. 

Novo colonialismo

A autorização de venda de agrotóxicos proibidos na UE para nações do sul global, como o Brasil, coloca o país numa nova espécie de colonialismo, que se une, segundo Bombardi, à concentração de terras, à violência contra povos originários e às nossas origens escravocratas.

"A gente tem uma oligarquia que controla politicamente o país, que representa esse monopólio das terras no Brasil, que se afina com os interesses externos. O campesinato brasileiro é um campesinato que nasce sem terra. É um campesinado excluído. É uma sociedade que se constrói na exclusão."

A análise está posta em Agrotóxicos e Colonialismo Químico, livro lançado em outubro do ano passado e divulgado pela própria autora no Brasil somente neste mês, quando ela finalmente volta - ainda que de passagem - ao país. Bombardi está há três anos exilada na Europa por conta de ataques sofridos após a divulgação do Atlas Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia, publicado em 2017. 

Dentre as ameaças sofridas por ela estiveram um pedido para "fechar a boca, porque está falando demais" em um programa de rádio e um convite para passear em um avião de pulverização de agrotóxicos. "Em um determinado momento, os movimentos sociais disseram: 'Você não pode continuar usando as mesmas rotas, os mesmos horários, tem que evitar rotina'", o que é humanamente impossível para uma mãe solo de dois filhos.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2021

VENENO NA MESA: México proíbe glifosato e milho transgênico; população tem até 3 anos para se adequar

Quarta, 6 de janeiro de 2021

Do Brasil de Fato

Governo ordenou que o herbicida e o milho geneticamente modificado sejam trocados por alternativas saudáveis

Redação

Brasil de Fato | Brasília (DF) | 06 de Janeiro de 2021 


Autoridades mexicanas terão que suspender autorização para plantio de sementes modificadas geneticamente - Cleverson Beje | FAEP


O governo do México publicou um decreto por meio do qual proíbe o milho transgênico em território nacional e também o uso do veneno agrícola glifosato. O país terá prazo de três anos para se adequar à norma, editada no último dia de 2020 pelo presidente Andrés Manuel López Obrador.

As mudanças serão promovidas, conjuntamente, pelos ministérios do Meio Ambiente e Recursos Naturais (Semanart), da Saúde (Ssa), da Agricultura e Desenvolvimento Rural (Sader) e pelo Conselho Nacional de Ciência e Tecnologia (Conacyt).

terça-feira, 10 de março de 2020

Agrotóxicos: nova ação questiona no STF portaria do Ministério da Agricultura que simplifica registro

Terça, 10 de março de 2020
Do STF
O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) ajuizou ação no Supremo Tribunal Federal (STF) visando à suspensão dos efeitos da norma do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) que libera o registro tácito de agrotóxicos e afins, entre outros pontos. A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 658 foi distribuída por prevenção ao ministro Ricardo Lewandowski, relator da ADPF 656, ajuizada pela Rede Sustentabilidade contra a mesma norma.
Segundo o PSOL, a Portaria 43/2020 da Secretaria de Defesa Agropecuária do MAPA, ao permitir o deferimento tácito do registro de agrotóxicos no prazo de 60 dias mesmo sem a realização de estudos relativos à saúde e ao meio ambiente, incentiva o uso dessas substâncias e facilita o acesso a elas, com aumento exponencial do seu consumo. O partido argumenta que a legislação brasileira para a regulação dos agrotóxicos (Lei 7.802/1989 e Decreto 4.074/2002) foi construída sob o paradigma do uso seguro e que a Portaria 43 ajuda a relativizar a sua aplicação. “O registro tácito viola frontalmente as normas constitucionais: é especialmente incompatível ao direito ao meio ambiente equilibrado e ao direito à saúde”, afirma.

Leia mais:
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terça-feira, 1 de outubro de 2019

Pesquisadora é perseguida após comprovar que não existe dose segura de agrotóxicos

Terça, 1º de outubro de 2019
Instituto Butantan negou que tivesse pedido estudos e depois proibiu autora de propor novas pesquisas por seis meses, decisão revertida na Justiça

Da

Guilherme Peters/Agência Pública

Mariana Simões, Agência Pública/Repórter Brasil


Há 30 anos, a imunologista Mônica Lopes Ferreira desempenha uma celebrada carreira no Instituto Butantan, instituição pública centenária ligada à Secretaria da Saúde de São Paulo, que atua como centro de pesquisa biológica. Há dois meses, porém, Mônica tem passado por um campanha contra ela dentro do instituto.

Tudo começou quando a imunologista analisou dez agrotóxicos que estão entre os mais utilizados no Brasil e revelou que todos, em qualquer quantidade aplicada, causam graves prejuízos à saúde humana. São eles: abamectina, acefato, alfacipermetrina, bendiocarb, carbofurano, diazinon, etofenprox, glifosato, malathion e piripoxifem.

Os resultados demonstram que os pesticidas causam mortes e malformação de fetos em embriões de peixe-zebra até mesmo em dosagens equivalentes a até um trigésimo do recomendado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

“Quando ele não matava, causava anomalia, o que para mim é uma coisa extremamente preocupante”, alerta Mônica, explicando que a genética do zebrafish, como é conhecido, é 70% semelhante à dos seres humanos.

O estudo foi encomendado em 2018 pela Fiocruz, pertencente ao Ministério da Saúde – que indicou os agrotóxicos a serem testados – e foi divulgado no início de agosto, com grande repercussão na imprensa.

Em resposta, o diretor da Anvisa Renato Porto e a ministra da Agricultura, Tereza Cristina, deram entrevistas contestando o estudo. Além deles, o ex-secretário de Agricultura e de Meio Ambiente de São Paulo, Xico Graziano, que tem ecoado a linha da ministra em seu blog, publicou um tweet desqualificando a pesquisa.

Em entrevista para a Agência Pública, Mônica afirma que a direção do Instituto Butantan embarcou num boicote, acusando-a de realizar o estudo sem o conhecimento do instituto. A instituição tem imposto barreiras para impedir que ela ministre cursos e dê palestras. No final de setembro, o instituto emitiu uma resolução dizendo que quaisquer treinamentos ou cursos ministrados por profissionais do Butantan “devem ser submetidos previamente à análise” pela comissão de ética.

Mas, para Mônica, o pior foi ter recebido um comunicado, em agosto, proibindo-a de submeter projetos de pesquisa para aprovação durante seis meses. Na semana passada, ela conseguiu uma liminar do Tribunal de Justiça de São Paulo que suspendeu a punição. “Verifico que a decisão de suspensão da autora partiu de uma reunião da Comissão de Ética, contudo, a punição foi noticiada à autora sem a oportunidade de defesa prévia ou abertura de procedimento administrativo para apuração de responsabilidade, o que violaria as regras de Direito Administrativo para sanção dos funcionários públicos civis do Estado de São Paulo”, escreveu o juiz Luis Manuel Fonseca Pires.

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Mas ela continua numa luta constante para limpar a sua reputação.

Apesar de o instituto dizer o contrário, Mônica assegura que o estudo foi realizado com a total ciência da instituição, inclusive do seu diretor: “Eu pessoalmente me encontrei com o diretor do Instituto Butantan, Dimas Tadeu Covas, e contei para ele sobre a minha pesquisa. Eu dei um seminário em abril sobre a pesquisa, onde eu mostrei os dados para as 90 pessoas que estavam na plateia. Então, dizer que ninguém sabia sobre essa pesquisa é estranho”.

Ela defende ainda os resultados obtidos. “Eu sei da importância do agronegócio, da importância da agricultura. Eu só acho que a gente não tem que brigar com o dado, com a ciência. A gente tem que trabalhar a partir dela.”

Plataforma Zebrafish
Mônica Lopes Ferreira é imunologista e trabalha com a caracterização toxinológica de venenos e toxinas animais no Instituto Butantan

Leia a entrevista:

O resultado do seu estudo sobre agrotóxicos causou uma reação forte no Instituto Butantan e no Ministério da Saúde. Conte como foi. 

No final de 2018, eu comecei a ser procurada por um pesquisador da Fiocruz e me disseram que eu tinha sido indicada pelo próprio Ministério de Saúde para realizar uma análise de toxicidade por agrotóxicos usando o zebrafish. A Fiocruz, por ser um órgão do Ministério da Saúde, foi quem me enviou os dez agrotóxicos a serem testados, com a tabela já das doses. Essas eram as doses que eles consideram ideal para a saúde humana. Eu fui então testar cada um desses.

domingo, 1 de setembro de 2019

Conheça os produtores de alimentos sem veneno da 18ª Jornada da Agroecologia

Domingo, 1º de setembro de 2019

A Feira da Agrobiodiversidade Camponesa e Popular é parte da programação do evento e reúne 80 produtores


Lu Sudré*
Brasil de Fato | Curitiba (PR)
MST é um dos protagonistas da feira, comercializando produtos produzidos em seus acampamentos e assentamentos / Foto: Giorgia Prates

A Praça Santos Andrade, no centro de Curitiba, se tornou palco de uma grande feira de alimentos produzidos sem veneno em diversas regiões do país. A feira da Agrobiodiversidade Camponesa e Popular faz parte da 18ª Jornada de Agroecologia, que teve início no dia 29 de agosto e vai até o próximo domingo, 1º de setembro.

O evento reúne mais de 80 produtores que trouxeram à capital do Paraná uma produção diversificada de hortaliças, verduras, frutas e produtos agroindustrializados.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

“Você não quer mais respirar veneno”: Organização internacional entrega ao MPF estudo sobre impacto dos agrotóxicos na saúde de brasileiros

Sexta, 20 de julho de 2018
Do MPF
Levantamento feito pela Human Rights Watch foi publicado nesta sexta-feira (20) e é intitulado “Você não quer mais respirar veneno”
Fotografia da reunião de apresentação do relatório
Foto: Antonio Augusto/Secom/PGR
A pesquisa da HRW identificou casos de intoxicação aguda causados pela exposição à dispersão de agrotóxicos em comunidades rurais e tradicionais, como indígenas e quilombolas. O estudo apresentou, em sua conclusão, recomendações a diversas autoridades brasileiras dos poderes Executivo e Legislativo, assim como aos ministérios públicos Federal e Estadual. Na reunião, os membros do MPF detalharam para os especialistas a atuação do órgão na temática. “É essencial darmos continuidade ao diálogo no intuito de apresentarmos respostas sistêmicas à sociedade brasileira. Precisamos atuar para assegurar a preservação do meio ambiente e da saúde”, pontuou o vice-procurador-geral, Luciano Mariz Maia.O Ministério Público Federal (MPF) recebeu na terça-feira (17) integrantes da organização internacional Human Rights Watch (HRW), para apresentação prévia de estudo publicado nesta sexta (20) sobre as falhas do Brasil na proteção de comunidades rurais expostas à dispersão de agrotóxicos. Os pesquisadores foram recebidos pelo vice-procurador-geral da República, Luciano Mariz Maia, pela procuradora federal dos Direitos do Cidadão, Deborah Duprat, pela integrante da Câmara de Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais, Eliana Torely, e pelo secretário executivo da Câmara de Meio Ambiente, Daniel Azeredo. No encontro, os pesquisadores adiantaram aos membros do MPF o conteúdo do relatório, intitulado “Você não quer mais respirar veneno”.

terça-feira, 26 de junho de 2018

MPF aponta inconstitucionalidade no Projeto de Lei dos agrotóxicos

Terça, 26 de junho de 2018
Imagem ilustrativa: Pixabay
Imagem ilustrativa: Pixabay

Em nota técnica, Ministério Público Federal detalha seis pontos em que o projeto de lei desrespeita a Constituição
Para a Câmara de Meio Ambiente e Patrimônio Cultural do Ministério Público Federal (MPF), o Projeto de Lei que flexibiliza o registro de agrotóxicos (PL 6299/2002) é inconstitucional e desrespeita pelo menos seis artigos da Constituição Federal. O PL, de autoria do atual ministro da Agricultura, Blairo Maggi, foi aprovado em Comissão Especial da Câmara dos Deputados ontem (terça, 25). O texto agora segue para o plenário da Câmara e depois retorna ao Senado.

domingo, 6 de maio de 2018

Cartilha ilustra quem e como se lucra com o mercado dos agrotóxicos; faça o download da cartilha

Domingo, 6 de maio de 2018
Com tiragem de 3 mil exemplares, material apresenta de forma didática as consequências do uso de veneno em escala global

Por Rute Pina - Brasil De Fato /Rafael Stedile 
e Portal ContextoExato

Quem são os atores mais interessados em flexibilizar o uso dos agrotóxicos em escala global? Quem lucra com os US$ 57 bilhões por ano que o mercado de veneno movimenta? Dar essas respostas de maneira simples é a proposta da cartilha Rotas do Veneno, lançada pela Central Única dos Trabalhadores (CUT) neste domingo (6).

O evento ocorreu durante a 3ª edição da Feira Nacional da Reforma Agrária, organizada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Luz González Escalona, assessora da secretaria de Meio Ambiente da CUT Nacional, explica que a cartilha é resultado de um seminário realizado no ano passado pela entidade sobre o tema em parceria com a Fundação Friedrich Ebert, que também apoiou o projeto.

"Ela trata de uma forma bem didática, com ilustrações e textos que levam para outras referências e falam de como o mercado de agrotóxicos impacta em diversos aspectos da vida do trabalhador", afirma Escalona.

O documento também explica as consequências das grandes fusões das empresas multinacionais e o oligopólio das seis principais empresas do setor: Monsanto, DuPont, Bayer, Syngenta, Dow e Basf — que respondem a cerca de 75% do mercado mundial de agrotóxicos.

Outro ponto da cartilha é a articulação dos parlamentares que compõe a bancada ruralista no Congresso Nacional para pressionar por alterações na legislação dos agrotóxicos, como o PL 6.299/2002, apelidado de PL do Veneno.

Campo e cidade
A CUT integra a Campanha Permanente contra os Agrotóxico e pela Vida, frente de mobilização e articulação de organizações que atuam para a denúncia dos efeitos do uso do veneno na agricultura e reivindicam o fortalecimento da Política Nacional de Redução dos Agrotóxicos (PNaRA).

Janeslei Aparecida Albuquerque, secretária nacional de relação com os movimentos sociais da CUT, condições de vida dos trabalhadores nas cidades e, por isso, é um debate que extrapola o campo.

"Não é só questão da doença, mas que tipo de sociedade e de relações que a gente estabelece com a comida na medida em que se aceita e se naturaliza comer veneno. Quem adoece mais é justamente quem tem menos acesso a um atendimento de saúde de qualidade e que também é quem está consumindo a comida mais envenenada", afirmou.

O documento refuta a ideia que a produção em larga escala só pode ser feita com a utilização de agrotóxicos. Para Janeslei, os sem-terra mostram que é possível fazer diferente com a comercialização de mais de 1,2 mil itens de todo o país em São Paulo e com a democratização dos alimentos orgânicos.

A primeira tiragem da cartilha é de 3 mil exemplares, mas a edição também está sendo distribuída gratuitamente pela internet. Você pode fazer o download do material aqui.

Edição: Juca Guimarães

sábado, 28 de abril de 2018

“A comida é o maior problema de saúde que há no mundo”. Entrevista com Vandana Shiva

Sábado, 28 de abril de 2018

Do 
Instituto Humanitas Unisinos
Dá algumas voltas pela sala do Círculo de Belas Artes (Madri) onde ficamos com ela e, em seguida, bebe pausadamente seu chá para enfrentar a manhã de entrevistas e conferências que lhe esperam nesta viagem a Espanha. A ativista Vandana Shiva (Dehradun, Índia, 1952) dedicou boa parte de sua vida desconstruindo supostos benefícios da agricultura industrial, que ela situa como ingrediente principal na receita para acabar com nossa saúde e com a do planeta. Com um sorriso cativante, mostra-se firme na hora de defender o papel de liderança que as mulheres devem desempenhar na luta pela soberania alimentar e a agroecologia. Acaba de apresentar Quién alimenta realmente al mundo?, editado por Capitán Swing.

A entrevista é de Araceli Acosta, publicada pelo jornal espanhol ABC, 15-04-2018. A tradução é do Cepat.

Eis a entrevista.

A primeira pergunta você a faz no título de seu livro: quem alimenta realmente o mundo?

terça-feira, 24 de abril de 2018

Estudo da USP indica relação de câncer com consumo de alimentos ultraprocessados

Terça, 24 de abril de 2018
Por Ludmilla Souza – Repórter da Agência Brasil

Estima-se que pelo menos 15 mil casos de câncer por ano no Brasil, ou 3,8% do total, poderiam ser evitados com a redução do excesso de peso e da obesidade. E esse número deve ainda crescer até 2025, quando se estima que mais de 29 mil novos casos de câncer atribuíveis à obesidade e sobrepeso devam surgir por ano, índice que vai representar 4,6% de todos os novos casos da doença no país.
Os dados são de um estudo epidemiológico feito no Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), em colaboração com a Universidade de Harvard (Estados Unidos).

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Meio Ambiente: MPF/DF move ação requerendo suspensão das liberações comerciais de sementes transgênicas tolerantes a glifosato

Segunda, 23 de abril de 2018
Do MPF
foto de plantação de milho
Foto: Agência Paraná
O uso indiscriminado de agrotóxicos traz impactos graves e negativos para a saúde humana e para o meio ambiente
O Ministério Público Federa (MPF) no Distrito Federal ajuizou uma ação civil pública visando suspender a liberação comercial de sementes transgênicas tolerantes ao herbicida glifosato, emitida pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), enquanto não for concluído o processo de reavaliação toxicológica da substância pela Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa). A partir da decisão técnica da agência, a ação requer a readequação das liberações comerciais à conclusão da Anvisa, seja para cancelá-las ou liberá-las com ou sem restrições. A ação encaminhada à 9ª Vara da Justiça Federal é assinada pelas procuradoras da República Ana Carolina Maia, Carolina Martins e Luciana Loureiro.

segunda-feira, 19 de março de 2018

Goiás: Sygenta, empresa produtora de agrotóxico, e uma empresa de aviação agrícola foram condenadas por danos morais coletivos por contaminarem cerca de 92 pessoas com agrotóxico

Segunda, 19 de março de 2018
(Imagem veiculada na reportagem do programa Interesse Público do MPF, de abril de 2016)

(Imagem veiculada na reportagem do programa Interesse Público do MPF, de abril de 2016)

Em 2013, alunos, professores e funcionários de escola rural em Rio Verde/GO sofreram com os efeitos de pulverização aérea feita com agrotóxico proibido

Do MPF em Goiás
A Justiça Federal, no julgamento de Ação Civil Pública (ACP) ajuizada pelo Ministério Público Federal (MPF) em Rio Verde, proferiu sentença, no último dia 14 de março, condenando duas empresas por danos morais coletivos. Syngenta Proteção de Cultivos Ltda., produtora do agrotóxico EngeoTM, e Aerotex Aviação Agrícola Ltda. foram consideradas responsáveis pela contaminação de cerca de 92 pessoas, entre alunos, professores e funcionários da Escola Municipal Rural São José do Pontal, localizada no Projeto de Assentamento Pontal dos Buritis, no município de Rio Verde (GO), em área de propriedade da União.

domingo, 4 de março de 2018

“Rico em fibras”, “caseiro” e “natural”: o marketing enganoso e abusivo dos ultraprocessados para ludibriar o consumidor

Domingo, 4 de março de 2018

Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos
Por: João Vitor Santos | Edição: Patricia Fachin

Infelizmente, ao consumirmos um alimento industrializado ou ultraprocessado, ainda não temos como saber o que de fato estamos comendo apenas lendo as informações contidas nos rótulos dos alimentos, “porque o formato e a localização das informações importantes sobre os alimentos não permitem entender o que realmente estamos comendo”, diz Ana Paula Bortoletto, nutricionista, em entrevista por e-mail à IHU On-Line. O aprimoramento da rotulagem nutricional, defende, “é um passo importante na garantia do direito à informação do consumidor e da promoção de hábitos alimentares mais saudáveis”.
De acordo com a pesquisadora do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor – Idec, embora seja direito do consumidor ter acesso à informação de fácil compreensão acerca do que ele está consumindo, as letras pequenas, “a presença de termos técnicos e números, a necessidade de cálculo de porção e a poluição visual do rótulo, que dá mais destaque à publicidade do produto do que às informações nutricionais”, dificultam a compreensão da leitura dos rótulos de alimentos.
Na avaliação dela, um dos maiores desafios relacionados ao consumo de alimentos ultraprocessados “é a publicidade enganosa e abusiva. A indústria de alimentos se utiliza de estratégias de comunicação mercadológica, como personagens e brindes, direcionadas a crianças, um público vulnerável e facilmente ludibriado pelo marketing. Além disso, alegações nutricionais nos rótulos de alimentos não saudáveis, como ‘rico em fibras’, ‘caseiro’, ‘natural’, ‘zero gordura trans’, competem com a informação nutricional e confundem o consumidor sobre o real conteúdo do produto”.

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Comer veneno?

Segunda, 26 de fevereiro de 2018
Da Change.Org

Este abaixo-assinado trata de um tema importante sobre meio ambiente e alimentação. Clique aqui e assine se quiser apoiar.

NÃO QUEREMOS COMER VENENO! Somos contra a aprovação das leis do "pacote veneno"!

Abaixo-assinado por Leticia Antonioli
Brasilia, Brasil
Clique para assinar
VAMOS TOMAR VENENO?
Quando você se sentar à mesa para as refeições, lembre-se de que o presidente Michel Temer e a bancada ruralista estão em vias de aprovar no Congresso o “pacote veneno”.

Trata-se de um conjunto de 17 projetos de lei, todos apensados ao PL 6.299/2002, do senador e Ministro da Agricultura Blairo Maggi, que libera o uso de uma quantidade enorme de agrotóxicos para uso na agricultura, entre eles o glifosato. A liberação dos agrotóxicos pode ser uma forma de comprar os votos da bancada ruralista para a permanência de Temer no poder.

O ministro Blairo Maggi teria chamado o sindicato das indústrias de agroquímicos para auxiliar na elaboração de uma Medida Provisória que contemple todos os assuntos do “pacote veneno”, para liberação dos agrotóxicos.

O governo quer também mexer nos rótulos de embalagens para retirar a obrigatoriedade de publicar informações ao consumidor de certas substâncias nos alimentos. Quer substituir a palavra “agrotóxico” por “fitossanitários”, além de criar a Comissão Técnica Nacional de Fitossanitários (CTNFito), no âmbito do Ministério da Agricultura e excluir o IBAMA e a ANVISA do processo de aprovação de novos agroquímicos.

O Brasil, como um dos maiores produtores de alimentos do mundo, corre risco de tornar-se o maior destino de agrotóxicos banidos em países europeus como a França.

O glifosato, cujo uso na agricultura é motivo de conflito internacional entre organismos internacionais de proteção à saúde e produtores, é um agrotóxico que, segundo pesquisas acadêmicas recentes, pode provocar Parkinson, Alzheimer, anencefalia, câncer e doenças degenerativas do sistema nervoso.
Clique para assinar

sábado, 24 de fevereiro de 2018

SAÚDE E BEM-ESTAR 8: A Indústria Alimentícia — Os Alimentos Processados

Sábado, 24 de fevereiro de 2018
Por
Aldemario Araujo*


SAÚDE E BEM-ESTAR
50 textos (um a cada final de semana). Registros de uma caminhada em busca de saúde e bem-estar consistentes e duradouros. Veja todos os escritos em: http://www.aldemario.adv.br/saude.htm

8 A INDÚSTRIA ALIMENTÍCIA – OS ALIMENTOS PROCESSADOS

A humanidade passou a conviver, a partir das décadas de 50 e 60 do século XX, com uma enorme oferta de comidas industrialmente processadas. A alimentação passou a ser buscada, majoritariamente, nas prateleiras dos mercados e supermercados em enlatados, embalados, congelados, etc. O surgimento do fast food (comida rápida em lanchonetes) é um capítulo especialmente relevante nesse filme da “modernidade”.

O avanço da indústria alimentícia coincide com a explosão de doenças como obesidade, hipertensão, diabetes (tipo 2), diabesidade, Alzheimer, Parkinson, câncer, autoimunes, asma, eczema, alergias, cardiovasculares, lúpus, esclerose múltipla, osteoporose, osteoartrite, doença pulmonar obstrutiva crônica, etc. A estreita relação entre os dois fenômenos não pode ser ignorada.

É intuitivo que a conservação de alimentos por semanas, meses e até anos reclama a adição de quantidades consideráveis de substâncias artificiais. Além da manutenção por longo período, esses elementos buscam acentuar sabores e gerar uma espécie de compulsão (vício ou dependência) voltada para o consumo continuado.

A maioria dos alimentos processados são verdadeiras “bombas químicas” com ingredientes oriundos, em boa parte, de grandes petroquímicas e fábricas de químicos básicos (conservantes, acidulantes, aromatizantes, corantes, solventes, emulsificantes, realçadores de sabor, etc). Uma pergunta, portanto, é inevitável. Como o organismo humano reage a esses coquetéis preparados pela indústria? Não é preciso muito esforço para compreender que o corpo responde negativamente a quase todos esses elementos (os danos não são experimentados imediatamente, é bom frisar).

Existe um “Sistema Internacional de Numeração de Aditivos Alimentares”, elaborado pelo Comitê do Codex sobre Aditivos Alimentares e Contaminantes de Alimentos (CCFAC). Esse mecanismo estabelece um padrão numérico internacional de identificação dos aditivos alimentares conhecido  pela sigla INS (International Numbering System). O INS, esclarece (?) a ANVISA, “não supõe uma aprovação toxicológica da substância pelo Codex”. Veja a lista em questão no seguinte endereço eletrônico:

A enorme quantidade de açúcar, sódio e gordura hidrogenada (ou trans) em boa parte dos alimentos processadas constitui uma preocupação adicional. São fatores geradores de obesidade, distúrbios metabólicos e hipertensão. Ademais, essa comida acidificante concorre para a formação de um terreno ou ambiente biológico propício ao aparecimento e desenvolvimento de inúmeras doenças.

Uma das consequências mais perversas da alimentação industrializada ou processada, dominante ou quase exclusiva, é a subtração da dieta diária dos vários nutrientes essenciais para o funcionamento saudável do organismo (minerais, vitaminas, aminoácidos, etc).

Um capítulo especialmente preocupante da atuação da indústria alimentícia está relacionado com as crianças. Existe, infelizmente, uma intensa propaganda voltada para o público infantil. O objetivo é claro. Busca-se conquistar o paladar das crianças e desenvolver hábitos (ou vícios), extremamente lucrativos, para toda a vida. Nessa linha, não deixe de conferir o documentário “Muito Além do Peso” (http://www.muitoalemdopeso.com.br).
-- 

*Aldemario Araujo Castro é Professor, Advogado, Mestre em Direito e Procurador da Fazenda Nacional