“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 17 de julho de 2016

Julian Assange: "Google e Facebook recebem mais dados do que a NSA"

Domingo, 17 de julho de 2016
Do Esquerda.Net
O fundador do Wikileaks avança, contudo, que, tendo em conta que a NSA vigia estas empresas, acaba por deter toda a informação. Assange assegura que o "capitalismo de vigilância" é o novo modelo de negócio mundial.
17 de Julho, 2016
Assange na embaixada do Equador, na Inglaterra - Foto: Wikileaks
Durante um seminário internacional em Santiago do Chile sobre "Liberdade de Expressão, Direito à Comunicação Universal e Media Plurais para as Democracias do Mundo", no qual Assange participou via skype, o fundador do Wikileaks referiu que Sergéi Brinn, Larry Page e Mark Zuckerberg sabem mais coisas sobre os norte americanos do que a própria Agência de Segurança Nacional (NSA).

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Michel Temer foi informante dos EUA, revela Wikileaks

Sexta, 13 de maio de 2016

Presidente interino do Brasil, que suportou o “golpe de Estado constitucional” contra Dilma Rousseff, foi informador privilegiado dos Estados Unidos da América. Informação foi classificada de sensível e “apenas para uso oficial”.
13 de Maio, 2016 
Na foto: Michel Temer, Presidente interino do Brasil.
 
Segundo documentos divulgados, esta quinta-feira, pela Wikileaks, Presidente Interino Michel Temer, que derrubou Dilma Rousseff, por via de um “golpe de Estado constitucional” foi informante do governo dos Estados Unidos da América.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

WikiLeaks revela espionagem dos EUA a Netanyahu, Berlusconi e Ban Ki-moon

Terça, 23 de fevereiro de 2016
Da Agência Lusa e Agência Brasil
O portal WikiLeaks publicou novos documentos, nessa segunda-feira (22), que revelam espionagem por parte da Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) a líderes mundiais, incluindo o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon.

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

WikiLeaks vaza documentos supostamente obtidos em e-mail do diretor da CIA

Quinta, 22 de outubro de 2015
Da Agência Lula e Agência Brasil
A agência de informações norte-americana (CIA, da sigla em inglês) denunciou um ataque cibernético ao correio eletrônico pessoal do diretor da organização, John Brennan, depois que a Wikileaks divulgou vários documentos que teriam sido obtidos por meio desta conta de e-mail.

sábado, 4 de julho de 2015

WikiLeaks: NSA espionou assistente pessoal de Dilma e avião presidencial

Sábado, 4 de julho de 2015
Da Públcia
Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo

por | 4 de julho de 2015
Novo vazamento revela lista de pessoas alvejadas no Brasil; entre elas, Palocci, o ministro do Planejamento Nelson Barbosa e o atual embaixador nos EUA

Na mesma semana em que Dilma Rousseff realizou a primeira viagem presidencial aos Estados Unidos, informações secretas obtidas pelo WikiLeaks revelam detalhes sobre a espionagem da NSA, sigla em inglês da Agência Nacional de Segurança, contra a presidente e assessores próximos, ministros e um integrante do Banco Central.

Dilma Rousseff é recebida por Barack Obama no EUA. Foto: Agência Brasil
Dilma Rousseff é recebida por Barack Obama no
EUA. Foto: Agência Brasil

As informações, às quais a Agência Pública e a Revista Carta Capital tiveram acesso em primeira mão, revelam que a espionagem da NSA no início do governo Dilma se centrava não só na figura da presidente, mas em integrantes ou ex-integrantes importantes do governo nas áreas econômica, financeira e diplomática. São 29 “alvos”. Entre eles, Antônio Palocci, então chefe da Casa Civil.

O celular do assistente da presidente, Anderson Dornelles, responsável por cuidar das ligações pessoais de Dilma, também estava na mira da NSA. Nem o avião presidencial escapou da bisbilhotagem norte-americana.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Wikileaks divulga documentos pirateados em ataque virtual à Sony Pictures

Sexta, 17 de abril de 2015
Os documentos revelados pelo Wikileaks contêm detalhes sobre a estratégia de pressão pública da Sony, as suas relações com políticos e estratégias de negócios em relação à concorrência.

Da Agência Lusa / Agência Brasil
O portal Wikileaks publicou nessa quinta-feira (16) os documentos e e-mails da Sony Pictures que, no ano passado, foram supostamente pirateados por hackersnorte-coreanos.
Na base de dados publicada pelo Wikileaks constam 30.287 documentos, 173 mil mensagens de correio eletrônico e 2.200 endereços de e-mail da Sony Pictures, a filial cinematográfica da multinacional japonesa. Os documentos podem ser agora pesquisados por nomes e palavras-chave.
Em comunicado, o fundador da Wikileaks, Julian Assange, garantiu que os registros divulgados “mostram o funcionamento de uma influente multinacional”.
“Esses arquivos são dignos de interesse e estão no centro de um conflito geopolítico. São do domínio público e o Wikileaks vai garantir que assim continuem”, afirmou.
A Sony respondeu com outro comunicado, condenando a divulgação do que considera serem informações privadas e não de domínio público. Para a empresa, o Wikileaks continuou o trabalho de piratas virtuais, que prejudicam os funcionários da empresa.
O vazamento de informações sobre a Sony começou no ano passado e, segundo o governo norte-americano, foi de responsabilidade de piratas virtuais do regime norte-coreano, em represália à estreia do filme The Interview, uma sátira ao líder da Corea do Norte, Kim Jong-un.

Os documentos revelados pelo Wikileaks contêm detalhes sobre a estratégia de pressão pública da Sony, as suas relações com políticos e estratégias de negócios em relação à concorrência.
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Leia também:

Cabra marcado para morrer

Assange diz ser vítima de “caça às bruxas”

Em meio a tensão diplomática, Equador concede asilo a Assange



terça-feira, 10 de dezembro de 2013

WikiLeaks revela pressão dos EUA em acordos comerciais

Terça, 10 de dezembro de 2013 
Documentos secretos mostram que Washington quer impor condições para a área de livre-comércio com a Ásia

Jamil Chade - Correspondente
GENEBRA - Documentos secretos da diplomacia americana revelam que a Casa Branca está fazendo pressão para fazer com que a área de livre-comércio que será estabelecida entre os Estados Unidos e a Ásia seja criada nos moldes propostos e exigidos por Washington. Os documentos foram revelados pelo grupo WikiLeaks e também admitem que o processo de negociação está "paralisado" diante da recusa dos EUA em atender aos pedidos dos demais governos. A publicação abriu uma crise nos governos envolvidos na negociação.

A criação de uma zona de livre-comércio entre os países do Pacífico é a grande aposta do presidente Barack Obama para ganhar mercado na Ásia. O processo negociador ainda gera preocupações no Brasil, já que os acordos são vistos como ameaça ao sistema multilateral e poderiam afetar o acesso de bens brasileiros nessas economias.   Leia a íntegra

sábado, 12 de outubro de 2013

WikiLeaks divulga primeiro vídeo de Snowden desde asilo na Rússia

Sábado, 12 de outubro de 2013
Da Agência Brasil*
Brasília - O portal WikiLeaks divulgou na madrugada de hoje (12) o primeiro vídeo do consultor de informática Edward Snowden desde agosto, quando ele se refugiou na Rússia após ter vazado documentos da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos Estados Unidos que apontam espionagem de dados e comunicações de autoridades e cidadãos de diversos países, inclusive do Brasil. As imagens divulgadas foram registradas em uma reunião, em Moscou, entre Snowden e mais quatro norte-americanos envolvidos na denúncia das atividades da NSA.

No depoimento registrado em vídeo, o ex-consultor disse que a falta de transparência do governo norte-americano “é uma tendência que se verifica na relação entre os governantes e governados”. Snowden criticou também o Departamento de Justiça dos EUA e disse “rejeitar processar os altos responsáveis que mentiram ao Congresso e ao país”, que não hesitam em "perseguir aqueles que dizem a verdade", referindo-se ao caso em que está envolvido.

“Existe um grande fosso entre os programas legais, a espionagem legal, a polícia legal, que têm objetivos específicos (…). Mas depois há um tipo de vigilância massiva que coloca toda a população sob um grande olho que vê tudo mesmo, aquilo que não é necessário”, diz Snowden no vídeo.

A Casa Branca refutou a alegação e informou que o acesso a esse tipo de ferramentas só é concedido a pessoas que têm autorização para isso e que existem vários sistemas de controle para impedir abusos.

Edward Snowden trabalhava em uma empresa que prestava serviços à NSA e é acusado de espionagem pelo governo dos Estados Unidos. No dia 16 de julho, ele pediu asilo temporário à Rússia.
*Com informações da Agência Lusa // Edição: Juliana Andrade

terça-feira, 10 de setembro de 2013

WikiLeaks: quem lucra com a espionagem digital

Terça, 10 de setembro de 2013
Da Pública — Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo
Por Bruno Fonseca, Jessica Mota, Luiza Bodenmüller e Natalia Viana
Nova publicação traz brochuras, contratos e metadados sobre os principais atores da indústria privada da vigilância global.

As revelações de que a presidenta Dilma Rousseff tornou-se um alvo direto da vigilância da NSA, a Agência Nacional de Segurança dos Estados Unidos, acenderam um alerta de emergência no alto escalão do governo. Documentos vazados por Edward Snowden, ex-analista da CIA (Agência Central de Inteligência), mostram que a espionagem tem como foco números de telefone e e-mails, além do rastreamento do IPs por meio de softwares como o “DNI selectors”, capazes de fazer uma varredura por todos os dados de navegação de um usuário na internet, incluindo seus e-mails.


Mesmo depois de o vazamento de documentos secretos da NSA jogar luz sobre a espionagem massiva realizada pela agência de segurança norte-americana, continuam nas sombras as empresas que fabricam e vendem essas tecnologias de vigilância e fazem lobby para o seu uso. Não há nenhuma estimativa que mostre o tamanho desse mercado. Sabe-se que apenas a área de spyware – um software-espião instalado sorrateiramente no computador – movimenta US$ 5 bilhões, e tem potencial para crescer cerca de 20% ao ano.

Segundo levantamento do jornal The Washington Post, o “black budget”, o orçamento destinado aos serviços de inteligência do governo dos Estados Unidos, soma US$ 52,6 bilhões ao ano – mais de 68% disso vai para a CIA, a NSA e o NRO (Escritório Nacional de Reconhecimento, órgão responsável por desenvolver, construir e operar satélites de reconhecimento). O valor reservado para as áreas de inteligência e vigilância dobrou em relação a 2001. A maior parcela de gastos é com coleta, exploração e análise de dados. Apenas a CIA tem um gasto previsto de US$ 11,5 bilhões para coleta de dados em 2013. As empresas contratadas são mantidas em segredo.

Quem lucra com tanta vigilância 

Leia a íntegra na Pública

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Jornalismo também está sendo julgado no desfecho do caso Manning

Sexta, 19 de julho de 2013
Por Alexa O'Brien, do The Daily Beast - See more at: http://www.apublica.org/2013/07/jornalismo-tambem-julgado-no-caso-manning-wikileaks-julian-assange/#sthash.kyxIasu0.dpuf
Da Pública
Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo

Por Alexa O'Brien, do The Daily Beast    #BradleyManning
 
Muitas das questões centrais tratadas durante o julgamento militar não serão abordadas publicamente até a sentença – e imprensa e público podem ser ignorados, diz Alexa O’Brien, jornalista que acompanha o caso em Maryland, Virginia 

Fort Mead, Maryland – No momento em que defesa e promotoria davam por encerradas as apresentações de seus argumentos no julgamento do maior caso de vazamento de informações da história norte-americana, a defesa argumentou, na segunda-feira, que a juíza que preside a corte militar, Coronel Denise Lind, deveria recusar a acusação de “ajuda ao inimigo” e outras acusações sérias feitas a Bradley Manning, soldado que disponibilizou centenas de milhares de documentos diplomáticos e relatórios do Exército dos EUA ao WikiLeaks, publicados integralmente no site da organização em 2010.
O advogado de defesa civil, David Coombs, também argumentou, na mesma segunda, que os promotores não conseguiram apresentar provas de que Manning tinha conhecimento de que a Al Qaeda – ou o inimigo – teria usado o WikiLeaks a seu favor. Qualquer coisa que se pareça com essa acusação abriria um precedente perigoso à imprensa livre, ele disse, porque os promotores militares já afirmaram que condenariam Manning da mesma forma, independentemente de a organização receptora dos documentos ser o The New York Times ou o WikiLeaks.
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Fort Mead, Maryland – No momento em que defesa e promotoria davam por encerradas as apresentações de seus argumentos no julgamento do maior caso de vazamento de informações da história norte-americana, a defesa argumentou, na segunda-feira, que a juíza que preside a corte militar, Coronel Denise Lind, deveria recusar a acusação de “ajuda ao inimigo” e outras acusações sérias feitas a Bradley Manning, soldado que disponibilizou centenas de milhares de documentos diplomáticos e relatórios do Exército dos EUA ao WikiLeaks, publicados integralmente no site da organização em 2010.

O advogado de defesa civil, David Coombs, também argumentou, na mesma segunda, que os promotores não conseguiram apresentar provas de que Manning tinha conhecimento de que a Al Qaeda – ou o inimigo – teria usado o WikiLeaks a seu favor. Qualquer coisa que se pareça com essa acusação abriria um precedente perigoso à imprensa livre, ele disse, porque os promotores militares já afirmaram que condenariam Manning da mesma forma, independentemente de a organização receptora dos documentos ser o The New York Times ou o WikiLeaks.

Muitas das questões centrais tratadas durante o julgamento militar não serão abordadas publicamente até a sentença – e imprensa e público podem ser ignorados, diz Alexa O’Brien, jornalista que acompanha o caso em Maryland, Virginia - See more at: http://www.apublica.org/2013/07/jornalismo-tambem-julgado-no-caso-manning-wikileaks-julian-assange/#sthash.kyxIasu0.dpuf
Por Alexa O'Brien, do The Daily Beast - See more at: http://www.apublica.org/2013/07/jornalismo-tambem-julgado-no-caso-manning-wikileaks-julian-assange/#sthash.kyxIasu0.dpuf

quinta-feira, 14 de março de 2013

WIKILEAKS: O papa Bergoglio e os Kirchner

Quinta, 14 de março de 2013
Por Marcus V F Lacerda                                    
Despachos oriundos da embaixada de Buenos Aires, vazados pelo Wikileaks, revelam que o novo papa da Igreja Católica, o argentino Jorge Bergoglio, era um nome bastante citado pela oposição argentina em conversas com diplomatas americanos.

Embora não haja nenhuma conversa direta entre o líder religioso e os diplomatas dos Estados Unidos, os oito cables que citam o cardeal no período de 2006 a 2010 mostram que a oposição do país vizinho, assim como os americanos, via nele um agente político poderoso contra os Kirchner.

O atual papa Francisco I é citado em um documento do final de outubro de 2006 que trata do revés político sofrido pelo aliado de Néstor Kirchner, então presidente, na província de Missiones, no nordeste do país. Carlos Rovira, tentara um plebiscito para alterar a constituição da província e tornar possível sua própria reeleição por indefinidas vezes. Mas foi batido pela oposição liderada pelo bispo emérito de Puerto Iguazú, Monsignor Piña.

“O Cardeal Jorge Mario Bergoglio, líder da Arquidiocese Católica de Buenos Aires, ofereceu seu apoio pessoal aos esforços de Piña, mas também desencorajou qualquer envolvimento oficial da Igreja em política”, relata o documento. O engajamento de outros religiosos na política é descrito neste mesmo telegrama. “A lista de candidatos da oposição era constituída principalmente de líderes religiosos, incluindo ministros católicos e protestantes, que eram amplamente vistos como líderes morais livres de qualquer bagagem política”, apontaram os diplomatas.

E se Bergoglio descartava o envolvimento “oficial” da Igreja, outros documentos revelam  que ele não se mantinha longe da política. Em um documento de maio de 2007, a relação entre a Igreja Católica e o governo Néstor Kirchner é descrita como “tensa”: “Bergoglio recentemente falou de sua preocupação com a concentração de poder de Kirchner e o enfraquecimento das instituições democráticas na Argentina”. Além disso, reportam os documentos, Bergoglio agia fortemente nos bastidores, provocando a irritação dos partidários de Kirchner. “O prefeito de Buenos Aires, Jorge Telerman, e sua parceira de coalizão e candidata a presidência, Elisa Carrio, supostamente encontraram-se com Bergoglio em abril, e a inclusão do líder muçulmano Omar Abud na lista de candidatos ao legislativo de Telerman foi supostamente ideia de Bergoglio”, reportaram os diplomatas. O religioso também era muito próximo de Gabriela Michetti, então ex-vice prefeita de Buenos Aires e atualmente deputada federal da oposição, segundo outro telegrama, de 26 de janeiro de 2010.

A relação desgastada entre a Casa Rosada e a Arquidiocese de Buenos Aires chegou ao rompimento entre as duas instituições. Os laços institucionais entre a presidência argentina e o cardeal só seriam retomados por Cristina Kirchner em 2008, quando ela se encontrou com Bergoglio, segundo telegrama de abril daquele ano. Dias depois, os americanos especulam sobre a possibilidade do Cardeal negar-se a celebrar a missa de 25 de maio – data nacional na Argentina – em decorrência da mudança das festividades de Buenos Aires para Salta.

Um líder manchado pela relação com a ditadura

Outro telegrama que cita Bergoglio, de outubro de 2007, narra a condenação de Christian Von Wernich, padre e ex-capelão da polícia de Buenos Aires durante a ditadura na Argentina. Wernich foi considerado cúmplice em sete assassinatos, 31 casos de tortura e 42 sequestros.

Após o veredito, a arquidiocese de Buenos Aires publicou uma nota em que convocava o sacerdote a se arrepender e pedir perdão em público. “A Arquidiocese disse que a Igreja Católica Argentina estava transtornada pela dor causada pela participação de um dos seus padres nestes crimes graves”, relata o despacho.

Para os americanos, este evento acabaria impactando na imagem de Bergoglio. “Entretando, numa época em que alguns observadores consideram o primaz católico romano Cardeal Bergoglio ser um líder da oposição à administração Kirchner por conta de seus comentários sobre questões sociais”, comenta o documento, “o caso Von Wernich pode ter o efeito, alguns acreditam, de minar a autoridade moral ou capacidade da Igreja (e, por conseguinte, do Cardeal Bergoglio) de comentar questões politicais, sociais ou econômicas”.

sexta-feira, 1 de março de 2013

WikiLeaks: Bradley Manning e os crimes de guerra dos EUA

Sexta, 1 de março de 2013
por Michael Ratner [*]
entrevistado por Paul Jay

PAUL JAY, editor sênior de TRNN: Michael Ratner, advogado de Wikileaks, assistiu à audiência, ontem, em que Manning falou, em tom firme, com inteligência e confiança, detalhando as inúmeras brutalidades às quais assistiu e que o levaram a enviar os documentos que, sim, enviou a Wikileaks. Aqui, Michael Ratner fala à TRNN e conta o que viu.

 
Michael, que fala conosco de New York City, é presidente emérito do Centro de Direitos Constitucionais; é presidente do Centro Europeu pelos Direitos Humanos e Constitucionais em Berlim; é o advogado que defende Julian Assange nos EUA; e também é membro do conselho editorial de The Real News Network. Obrigado pela entrevista.

 

MICHAEL RATNER: É um prazer estar com você, Paul.
 

JAY: Você ontem viveu dia muito fortemente emocionante, assistindo ao julgamento histórico de Bradley Manning. O que aconteceu lá?
 

RATNER: Fui cedo para Fort Meade, e foi coisa de dia inteiro. Bradley Manning estava na sala do tribunal. A maior parte de imprensa foi direcionada para um auditório, e só uns poucos – eu também, mas não sou jornalista – fomos autorizados a entrar na sala em que Bradley Manning depôs. Foi dia especial, porque o advogado de Bradley Manning e o próprio Bradley decidiram que Bradley se declararia culpado em algumas das acusações, com penas menores; mas não nas acusações de espionagem e colaboração com o inimigo..
 

Fato é que, para mim, no plano emocional, foi um dia devastador. No fim do dia, sentia-me uma ruína, emocionalmente devastado. Mas, ao mesmo tempo... Quem lá estava viu, afinal, quem é Bradley Manning. É um herói. Um desses raros homens que, diante de um crime para o qual todos fecham os olhos, encontra o que fazer e age.

New York Times e Washington Post recusaram o material que o Wikileaks publicou

Sexta, 1 de março de 2013
Paulo Nogueira*
O primeiro dia do julgamento de Bradley Manning é devastador para a imagem da mídia americana.
Um heroi
Um heroi

“Comprovado: Bradley Manning é heroi”.

Foi essa a reação imediata do cineasta Michael Moore quando foi revelado no primeiro dia de seu julgamento em corte marcial o recruta Manning admitiu oficialmente ter feito os aqueles célebres vazamentos para o Wikileaks. Entre os vazamentos o destaque foi o vídeo do helicópteto Apache a partir do qual, por engano, soldados americanos mataram civis iraquianos.

Manning aceitou dez das 22 acusações, mas negou a principal delas: ter ajudado o inimigo. É um crime passível de prisão perpétua. As acusações que ele admitiu podem lhe dar 20 anos de cadeia. Mas ainda haverá muitos movimentos. A promotoria deve insistir na tese de que o inimigo foi ajudado.

Com os vazamentos, afirmou, seu objetivo foi “estimular o debate público” entre os americanos sobre a política externa de seu país.

O objetivo foi amplamente alcançado, como se pode ver. E ultrapassado, uma vez que o debate rompeu as fronteiras americanas e ganhou o mundo.

O depoimento de Manning no primeiro dia do tardio julgamento – iniciado depois de mil dias de prisão – trouxe revelações sensacionais sobre o jornalismo que se faz hoje nas grandes corporações de mídia.

Antes de entregar o material ao Wikileaks, Manning fez o percurso clássico.

Tentou o New York Times. Ninguém o ouviu. Tentou o Washington Post. Nada. Tentou o Wikileaks. E foi feita história.

A mídia americana já começa a debater este fiasco extraordinário.

Manning é um heroi, como disse Michael Moore. Ajudou a ver um dos horrores do mundo contemporâneo, a Guerra do Iraque.

E Assange também é, por ter publicado os documentos valiosíssimos que o Times e o Post desprezaram.

*O jornalista Paulo Nogueira, baseado em Londres, é fundador e diretor editorial do site de notícias e análises Diário do Centro do Mundo.

domingo, 3 de fevereiro de 2013

Entrevista com Assange: “É bom que os governos tenham medo das pessoas”

Domingo, 3 de fevereiro de 2013 
Por Jamil Chade
O Estado de S. Paulo



LONDRES – A Internet está se transformando no maior instrumento de vigilância já criado e a liberdade que ela representa estaria seriamente ameaçada. A avaliação é de Julian Assange, criador do Wikileaks e que, há sete meses, vive na embaixada do Equador em Londres. Para ele, a web redefiniu as relações de poder no mundo, se transformou no “sistema nervoso central hoje das sociedades” e chega a ser mais determinante que armas. O problema, segundo ele, é que esse poder está agora se virando contra as populações.

O australiano recebeu a reportagem do Estado para uma entrevista sobre seu livro “Cypherpunks, Liberdade e o Futuro da Internet”, que está sendo lançado no Brasil nesta semana pela Boitempo Editorial.

Apesar de aparentar relaxado, não escondia a palidez de sete meses dentro de um escritório. Em junho de 2012, ele optou por pedir asilo ao Equador, diante de sua iminente deportação para a Suécia, onde é acusado de assédio sexual. Segundo ele, sua decisão de pedir refúgio ao governo de Quito tem como meta evitar sua extradição da Suécia para os EUA, onde seria julgado pela difusão de documentos secretos. O Equador lhe concedeu asilo. Mas a polícia britânica indicou que, assim que ele pisar para fora da embaixada em direção ao aeroporto, seria detido. O resultado tem sido um confinamento sem data para acabar.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

‘Estava certo de que ia morrer naquela cela animalesca’

Segunda, 3 de dezembro de 2012
Do Diário do Centro do Mundo Com a palavra enfim Bradley Manning, o recruta acusado de vazar documentos para o Wikileaks
Manning
O artigo abaixo foi publicado, originalmente, no jornal Guardian, e republicado a pedido pelo Diário. A tradução é de Camila Nogueira.

Durante os últimos dois anos e meio, passados por ele em uma prisão militar, muito foi dito sobre Bradley Manning, mas nada foi ouvido dele. Isso mudou na semana passada quando o jovem recruta de vinte e três anos, acusado de vazar documentos secretos para o WikiLeaks, testemunhou em seu julgamento sobre as condições de sua detenção.

As medidas opressivas e torturantes às quais foi submetido, incluindo confinamento solitário prolongado e nudez forçada, são de conhecimento há algum tempo. Uma investigação formal da ONU denunciou tais condições como “cruéis e desumanas”. O coronel aposentado da força aérea  PJ Crowley, porta-voz do Departamento de Estado, demitiu-se após as críticas  ao tratamento dispensado a Manning. Um psicólogo que atende aos presos testemunhou, nestes dias, que as condições às quais Manning foi submetido eram mais agressivas  do que as encontradas no corredor da morte ou na Baía de Guantânamo.

Ainda assim, ouvir o suposto delator descrever os abusos em suas próprias palavras transmitiu um horror ainda mais intenso. O repórter do Guardian Ed Pilkington, que esteve no julgamento, citou Manning: “Se eu precisasse de papel higiênico, eu deveria gritar ‘Detento Manning requer papel higiênico!” e “Eu estava autorizado a passar vinte minutos ao sol, acorrentado, a cada vinte e quatro horas.” Referindo-se ao início de sua detenção, Manning se recorda, “Eu havia desistido. Estava certo de que estava prestes a morrer naquela cela animalesca, de 2 por 3”.

O tratamento de Bradley Manning é uma das desgraças do primeiro mandato de Obama, e expressa muitas das dinâmicas que formam sua presidência. O presidente não apenas defendeu o tratamento de Manning mas também, como comandante supremo dos juízes da Corte Marcial, impropriamente decretou a culpa de Manning quando afirmou em uma entrevista que “ele infrigiu a lei”. Leia a íntegra no Diário do Centro do Mundo

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

CIA procura afundar Correa

Segunda, 29 de outubro de 2012
Do site resistir.info
por Craig Murray [*]

Cerca de um mês atrás perguntei a um antigo colega no British Foreign and Commonwealth Office o que Hague [1] considerava como o fim do jogo no impasse quanto ao asilo de Julian Assange e quais eram as margens de manobra em termos de negociações. O meu amigo foi desdenhoso – a política era simplesmente esperar pela eleição presidencial no Equador, em Fevereiro. Os Estados Unidos e seus aliados estão confiantes em que Correa perderá e meu amigo e eu, tendo ambos sido diplomatas sénior durante muitos anos, entendemos o que os Estados Unidos estariam a fazer para assegurar esse resultado. Com Correa substituído por um presidente pró EUA, o asilo de Assange será retirado, a Polícia Metropolitana será convidada a entrar na Embaixada do Equador para removê-lo e Assange será enviado imediatamente para a Suécia de onde poderia ser extraditado para os Estados Unidos a fim de enfrentar acusações de espionagem e ajuda ao terrorismo.

Fico impressionado com a ingenuidade daqueles que perguntam porque os Estados Unidos não poderiam simplesmente pedir a extradição de Assange do Reino Unido. A resposta é simples – o governo de coligação. Acordos de extradição são tratados internacionais de governo a governo e a decisão sobre a sua aplicação é em última análise política e governamental – eis porque foi Teresa May [ministra do Interior da Grã-Bretanha] e não um juiz tomou as decisões finais e muito diferentes sobre [a extradição de] Babar Ahmad e [a não extradição de] Gary Mackinnon.

Apoiantes da CIA no Reino Unido têm argumentado enfaticamente que seria impossível à Suécia dar a garantia de que Assange não seria extraditado para os Estados Unidos, pelo que ele estaria preparado para retornar à Suécia para acabar com a tentativa patética de um golpe tramado aqui. De facto, como acordos de extradição são governamentais e não instrumentos judiciais, seria perfeitamente possível ao governo sueco dar aquela garantia. Aqueles que argumentam de outra forma, como Gavin Essler e Joan Smith aqui na Grã-Bretanha, não estão a ser verdadeiros – suspeito que a própria veemência deles indica que sabem disso.

A maior parte dos deputados liberais-democratas ficam felizes ao endossar a noção de que Assange deveria ser devolvido à Suécia para enfrentar acusações sexuais. Contudo, mesmo os reiteradamente humilhados deputados liberais-democratas revoltar-se-iam com a ideia de que Assange deveria ser enviado para enfrentar prisão perpétua em solitária nos Estados Unidos pelo trabalho da Wikileaks. Eis porque os Estados Unidos afastaram o pedido de extradição do Reino Unido, para evitar a perturbação que isto provocaria a Cameron. Não estou a especular, houve intercâmbios diplomáticos directos de nível muito alto acerca deste ponto entre Washington e Londres.

Confiavam em que o problema Correa logo estaria ultrapassado, mas depois disso o Departamento de Estado ficou chocado com o retorno de Hugo Chavez. Tal como Correa, altos diplomatas dos EUA convenceram-se – e convenceram La Clinton – de que Chavez ia perder. O furor com o retorno de Chavez levou a diktat de que o mesmo erro não devia ser cometido no Equador.

US$ 87 MILHÕES

As operações da CIA dentro do Equador são em todo caso muito menos perturbadas do que na Venezuela. Soube que o orçamento dos EUA, utilizando principalmente fundos da CIA, destinado a influenciar as eleições equatoriana, a partir do resultado venezuelano foram quase triplicados até atingirem 87 milhões de dólares. Uma quantia que acabará nos cofres da campanha de oposição e será utilizada para financiar, subornar ou chantagear os media e oficiais. Aguardem um certo número de escândalos mediáticos e denúncias de corrupção contra o governo de Correa nas próximas semanas.

Não tenho muitas referências acerca da política equatoriana e realmente não sei qual a probabilidade de Correa ser reeleito. Ignoro igualmente se qualquer dos partidos da oposição é decente e não nas mãos dos EUA. Mas sei que os EUA empenham-se muito em que Correa perca, estavam muito confiantes na sua derrota e agora já não estão. Do seu ponto de vista, o perigo é que ao elevar a aposta os seus esforços tornar-se-ão tão óbvios que o tiro sairá pela culatra devido a uma reacção nacionalista. A minha fonte estado-unidense, contudo, assegura que a administração Obama não utilizará realmente os fundos para incitar a outra tentativa de golpe militar contra Correa. Isso aparentemente foi descartado. Assange a ser expulso para os braços da CIA por uma ditadura militar recém instalada pode ser difícil de vender mesmo para os nossos pavorosos media de referência.

[1] William Hague, ministro dos Negócios Estrangeiros da Grã-Bretanha.
[*] Ex-embaixador britânico e activista de direitos humanos.
O original encontra-se em http://www.craigmurray.org.uk/archives/2012/10/cia-look-to-swamp-correa/

Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

O Mundo Amanhã: Comunista x Sionista

Quinta, 11 de outubro de 2012
Da Pública
Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo


Nesta entrevista, Julian Assange recebe o intelectual esloveno Slavoj Žižek na sua prisão domiciliar na Inglaterra. Ambos conversam, via satélite, com um dos líderes da direita americana, David Horowitz 

O intelectual superstar Slavoj Žižek é conhecido por suas contribuições à teoria da psicanálise, à crítica cultural e à política, na qual sempre se engajou para além das discussões acadêmicas – ele foi candidato à presidência da Eslovênia nos anos 90. Cultuado pela jovem vanguarda intelectual europeia, esse notório provocador se define como leninista mas também como lacaniano. Já David Horowitz é um soldado linha dura do pensamento conservador americano – e um sionista sem o menor pudor. Nos anos 60 e 70, foi uma liderança de esquerda na cidade californiana de Berkeley. Depois de colaborar com os Panteras Negras, começou seu caminho sem volta para a direita. Hoje, seu instituto faz campanhas contra influências islâmicas e de esquerda na mídia, na academia e na política.

Este encontro entre mentes tão diferentes é, no mínimo, acalorado. “Você é um apoiador da coisa mais próxima que temos do nazismo”, diz Horowitz. “Você apoia os palestinos. Eu não vejo como diferenciar os palestinos, que querem matar os judeus, dos nazistas”.

Irritado, o esloveno dispara: “Desculpe, você já foi à Cisjordânia?”.
Em alguns momentos, Assange tem que segurar o exaltado Žižek, embora seu adversário esteja em outro continente.

“Nós, totalitaristas das antigas, deveríamos nos juntar  e nos livrar deste liberal aqui!” brinca Žižek para Horowitz, referindo-se a Assange.

O tom da conversa varia entre o antagônico e o bem humorado; os três falam de personalidades que vão de Stalin a Obama, do conflito entre Israel e Palestina, do desejo da liberdade ao Estado de vigilância,– passando, é claro, pelo trabalho o WikiLeaks, considerado “perigoso” por Horowitz.

No final, Žižek conclui: “Isso foi uma loucura!”.

Veja a seguir o episódio, ou clique aqui para baixar a entrevista completa.



terça-feira, 9 de outubro de 2012

Olimpíadas 2016: Você será vigiado

Terça, 9 de outubro de 2012
Da Pública
Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo
Por Andrea Dip
 
Documentos diplomáticos vazados pelo Wikileaks mostram como o governo dos Estados Unidos monitorou tudo que aconteceu durante as Olimpíadas de Inverno no Canadá

Durante os 16 dias dos Jogos Olímpicos de Inverno em Vancouver, no Canadá, em 2010, mais de 30 orgãos do governo americano – entre eles a Casa Branca, o FBI, o Departamento do Tesouro, o Centro Nacional de Contraterrorismo, a Secretaria Nacional de Defesa, os Comandos militares (incluindo o famoso Comando do Sul) e até um bunker nuclear da época da Guerra Fria (conhecido como “Cheyenne Mountain”) – receberam relatórios do Consulado americano em Vancouver, detalhando todas as manifestações que aconteceram e que aconteceriam. Todas mesmo. No pacote, eram descritas com minúcias o que os representantes americanos consideravam suspeitas de atos terroristas, possíveis ameaças de bombas, incidentes e manifestações de qualquer tipo – até mesmo uma inofensiva bicicletada atraiu a atenção dos americanos.

Nos 16 documentos vazados pelo Wikileaks entitulados “Vancouver 2010 Winter Olympics: Situation Report” (Jogos Olímpicos de Vancouver 2010: Relatório de Situação) disponíveis no Cablegate, é possível ver o grau de vigilância americana sobre os países que recebem megaeventos. Os relatórios, enviados geralmente por volta de 22h, continham uma sessão “Questões de Segurança”, onde eram detalhados os protestos que estavam sendo programados para os próximos dias, os que haviam acontecido naquele dia, incidentes e possíveis ameaças terroristas; outra chamada “Operações de Segurança” que acompanhava os compromissos de autoridades norte-americanas, principalmente os do vice-presidente Joe Biden, que assistia aos Jogos de Inverno; e outras, dedicadas às questões consulares e aos jogos em si. Leia a íntegra

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Cabra marcado para morrer

Segunda, 1 de outubro de 2012
Do "Diário do Centro do Mundo"
Paulo Nogueira*
Assange no terraço da embaixada equatoriana em Londres

Um jornal australiano obteve um documento do governo americano em que Julian Assange e o Wikileaks são classificados como “inimigos do Estado”.

A notícia está repercutindo em todo o mundo, e com razão.

“Inimigos do Estado” é a mesma categoria em que estão catalogados o Talibã e a Al-Qaeda, por exemplo. Na prática, pela legislação de segurança americana, significa que eles podem ser presos sem processo formal por tempo indeterminado.

Podem também ser executados. Mortos. Eliminados. Como se estivéssemos vivendo o seriado 24 horas.

Onde, no Brasil, o repúdio à perseguição movida pelo governo americano a Assange? Ninguém se importa com ele? Algum colunista brasileiro o defendeu? Assange foi alvo de um único editorial? Ou, por criticar os Estados Unidos, ele não pode ser defendido?

Não só a perseguição americana já passou dos limites. Também a intransigência inglesa em não dar a ele salvo conduto para que pegue um avião rumo ao Equador vai passar para a história como um dos maus momentos da história recente do Reino Unido, em seu alinhamento com a política externa americana.

Assange está confinado na modesta embaixada equatoriana em Londres. Ontem, numa fala na ONU, o ministro das relações exteriores do Equador, Ricardo Patiño, alertou para os riscos físicos que Assange enfrenta em sua presente situação. Lembremos que o pretexto para isso é o sexo que duas suecas fizeram consensualmente com ele.

Por teleconferência, Assange também falou ontem num fórum da ONU. Como sempre, num gesto de elegância, falou menos de si mesmo e mais do soldado Bradley Manning. (Também numa atitude admirável, Assange recusou um prêmio de “liberdade de expressão” concedido pela editora argentina Perfil — que no Brasil é sócia da Abril na Caras — quando soube que também estava sendo homenageado um jornalista do Equador que recebe subvenções americanas e trata a patadas o governo constitucional de Rafael Correa.)

Manning é acusado de ter passado ao Wikileaks os documentos americanos que, entre outras coisas, mostravam a Guerra do Iraque como ela era e é, não como os Estados Unidos fingiam que era.
Manning está preso à espera de julgamento, e pode ser condenado à morte por traição. Até que ativistas fizessem pressão, ele foi submetido a condições degradantes numa cadeia militar americana. Estava privado de qualquer contato com outros presos, e durante boa parte do tempo era impedido de vestir qualquer roupa. Tecnicamente, como lembraram os ativistas, estava sob tortura contínua.

E agora: o mundo vai esperar o quê para gritar pela libertação de Assange? Que ele morra?

sábado, 22 de setembro de 2012

Equador propõe levar Assange para sua embaixada na Suécia


Sábado, 22 de setembro de 2012
Do Estadão.com.br

Ricardo Patiño afirmou que outra possibilidade é o Reino Unido entregar um salvo-conduto ao criador do WikiLeaks

QUITO - O chanceler do Equador, Ricardo Patiño, propôs transferir o fundador do Wikileaks, Julian Assange, da embaixada de seu país em Londres, onde está refugiado, à da Suécia - onde é acusado de crimes sexuais - como uma das opções para resolver sua situação. Em nota divulgada pelo Ministério das Relações Exteriores equatoriano, Patiño propôs pela primeira vez que o "Equador possa conseguir a autorização para transferi-lo, se for necessário, à nossa embaixada na Suécia", onde "o processo poderia continuar tendo a proteção do Equador e atendendo os requerimentos da justiça sueca". Leia a íntegra no Estadão.