Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Relatores da ONU pedem que Reino Unido deixe fundador do WikiLeaks sair de embaixada em liberdade

Quinta, 27 de dezembro de 2018
Da
ONU no Brasil

Especialistas em direitos humanos da ONU pediram neste mês (21) que o Reino Unido permita a saída em liberdade do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, da embaixada do Equador em Londres. O programador reside há mais de seis anos no prédio da missão diplomática equatoriana.
Assange foi preso em 7 de dezembro de 2010 no país por conta de um mandado europeu de prisão, após ser acusado de condutas sexuais irregulares na Suécia. A acusação não foi fundamentada e, após interrogatório em Londres, o procurador sueco decidiu em 2017 não seguir com a investigação.

Retrato de Julian Assange no Museu de Oakland, Estados Unidos, feito pelo artista Eddie Cola. Foto: Flickr (CC)/Steve Rhodes
Retrato de Julian Assange no Museu de Oakland, Estados Unidos, feito pelo artista Eddie Cola. Foto: Flickr (CC)/Steve Rhodes

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Equador confirma que concedeu naturalização a Julian Assange

Quinta, 11 de janeiro de 2018

Da EFE e Agência Brasil

Quito A ministra das Relações Exteriores do Equador, María Fernanda Espinosa, durante coletiva de imprensa em que confirmou que seu país concedeu, em dezembro, a naturalização equatoriana ao fundador do WikiLe
Quito – A ministra das Relações 
Exteriores do Equador, María
Fernanda Espinosa, durante
coletiva de imprensa em que
confirmou que seu país concedeu,
em dezembro, a naturalização 
equatoriana ao fundador do
WikiLeaks, Julian Assange.
Ele está asilado desde
2012 na embaixada do
país em Londre
José Jácome/EFE/direitos reservados

A chanceler do Equador, María Fernanda Espinosa, confirmou nesta quinta-feira (11) que seu país concedeu a naturalização equatoriana ao fundador do WiKiLeaks, o australiano Julian Assange, em 12 de dezembro do ano passado. As informações são da EFE.

"O que a naturalização faz é dar mais proteção ao asilado e não altera, de modo algum, mas fortalece, sua condição de pessoa internacionalmente protegida", indicou a chefe da diplomacia equatoriana.

domingo, 12 de novembro de 2017

Clinton, Assange e a guerra à verdade

Domingo, 12 de novembro de 2017
Do Resistir.Info
por John Pilger
Em 16 de Outubro a Australian Broadcasting Corporation (ABC) divulgou uma entrevista com Hillary Clinton: uma das muitas destinadas a promover o seu livro-de-ajuste-de-contas sobre o porquê de não ter sido eleita Presidente dos EUA.

Folhear o livro da Clinton, What Happened (O que aconteceu), é uma experiência desagradável, como uma dor de barriga. Calúnias e lágrimas. Ameaças e inimigos. "Eles" (os eleitores) foram objeto de uma lavagem ao cérebro e foram arrebanhados contra ela pelo odioso Donald Trump com a cumplicidade de eslavos sinistros enviados da grande treva conhecida como Rússia, apoiados por um "niilista" australiano, Julian Assange.

Em The New York Times foi publicada uma notável fotografia de uma jornalista a consolar Clinton, que acabara de entrevistar. A líder perdedora era, acima de tudo, "absolutamente feminista". Os milhares de vidas de mulheres que esta "feminista" destruiu quando no governo – Líbia, Síria, Honduras – eram irrelevantes.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

“Temer passou aos EUA informações sobre política brasileira”, diz criador do WikiLeaks em entrevista

Segunda, 9 de janeiro de 2017
Do Jornal do Brasil
O criador do WikiLeaks, Julian Assange, deu uma entrevista exclusiva ao jornalista Fernando Morais, do blog Nocaute. Na conversa, cujo teaser está no Youtube, Assange, asilado na embaixada de Equador em Londres desde 2012, afirmou que o presidente Michel Temer concedeu ao governo norte-americano informações “que não muitos tiveram acesso” sobre a política brasileira.

domingo, 11 de dezembro de 2016

ONU rejeita apelo do governo britânico sobre Assange

Domingo, 11 de dezembro de 2016
Do resistir.info

        – Esta notícia foi omitida pelos media corporativos

por Christoph Peschoux
No  dia 30 de Novembro de 2016 as Nações Unidas rejeitaram a tentativa de recurso do Reino Unido contra a decisão de Fevereiro da ONU em favor de Julian Assange.

A decisão portanto mantém-se em vigor e exige ao Reino Unidos e à Suécia que ponham um fim imediato à detenção de Julian Assange e lhe conceda compensação monetária.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Advogados de Assange pedem revogação do mandado de detenção europeu

Segunda, 22 de fevereiro de 2016
Da Agência Lusa e Agência Brasil
Suécia pede formalmente para Equador interrogar Assange
O fundador do Wikileaks, Julian Assange, está refugiado desde 2012 na Embaixada do Equador em LondresAFP/Arquivo
A defesa de Julian Assange pediu hoje (22) a um tribunal de Estocolmo que revogue o mandado de detenção europeu emitido em 2010 contra o fundador do Wikileaks por acusação de violação.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

ONU apela ao Reino Unido e à Suécia para libertar Assange

Sexta, 5 de fevereiro de 2016
Resultado de imagem para foto assange
Da Agência Sputinik Brasil e Agência Brasil
Especialistas da ONU apelaram hoje (5) às autoridades do Reino Unido e da Suécia para libertar Julian Assange, fundador do WikiLeaks, e respeitar o seu direito à liberdade de deslocamento.

O Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária da ONU declarou que a privação de liberdade ilegal de longo prazo foi aplicada a Assange por causa de uma investigação "pouco ativa" da procuradoria da Suécia. A detenção de Assange foi realizada em detrimento do direito internacional.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

WikiLeaks: Julien Assange pode ser libertado

Quinta, 4 de fevereiro de 2016
Depois de passar três anos e meio na Embaixada do Equador em Londres, o fundador da WikiLeaks poderá sair amanhã em liberdade. Notícia atualizada às 18h00.
Julien Assange
 
Julien Assange apresentou queixa contra o Reino Unido e a Suécia ao grupo de trabalho das Nações Unidas sobre Detenções Arbitrárias em 2014. A decisão deste grupo, que não é legalmente vinculativa e é apenas considerada como uma recomendação moral. A decisão acabou de ser publicada e a conclusão foi que foi, de facto, uma "detenção arbitrária".

domingo, 17 de janeiro de 2016

Suécia pede formalmente para Equador interrogar Assange

Domingo, 17 de janeiro de 2016
Da Agência Andes / Agência Brasil

Foto de arquivo divulgada em 2012, do fundador do Wikileaks Julian Assange na varanda da Embaixada do Ecuador em Londres
Foto de arquivo divulgada em 2012, do fundador do Wikileaks Julian Assange na varanda da Embaixada do Ecuador em Londres —Kerim Okten/EPA/Agência Lusa
A promotoria sueca informou, na última semana, que solicitou ao Equador permissão para interrogar na sua embaixada, em Londres, o fundador do site Wikileaks, Julian Assange sobre as acusações de estupro que pesam sobre ele. A justiça sueca quer interrogar Assange pela denúncia de estupro, um crime que ele nega.
"A solicitação escrita foi enviada recentemente pelo ministério da Justiça à promotoria equatoriana. Não podemos dizer quando chegará a resposta", anunciou a promotoria, em um comunicado.
Suécia e Equador assinaram em dezembro um acordo de cooperação judicial para fazer avançar as investigações que têm ramificações nos dois países, mas principalmente para permitir o interrogatório de Assange.
O australiano, de 44 anos, acusado por uma sueca de um estupro que teria acontecido a região de Estocolmo em agosto de 2010, vive recluso na embaixada equatoriana de Londres desde junho de 2012.
Assange, com ordem de prisão europeia, se recusa voltar para a Suécia por medo de ser extraditado para os Estados Unidos, onde foi censurada a publicação do Wikileaks, em 2010, de 500.000 documentos classificados sobre Iraque e Afeganistão, assim como  250.000 comunicações diplomáticas.
Após ter descartado um interrogatório em Londres, os juízes suecos tinham aceitado, em 2015, viajar para a capital britânica para colher o depoimento do fundador de Wikileaks. Mas o Equador se negou a abrir as portas da embaixada, na ausência de um acordo bilateral.
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Julian Assange: Justiça sueca arquiva parte do caso contra fundador do Wikileaks por prescrição

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Julian Assange: Justiça sueca arquiva parte do caso contra fundador do Wikileaks por prescrição

Quinta, 13 de agosto de 2015
Da Agência Lusa / Agência Brasil
O Ministério Público da Suécia anunciou hoje (13) que arquivou o processo em que o fundador do Wikileaks, Julian Assange, era acusado de agressão sexual por duas cidadãs suecas. O motivo do arquivamento foi a prescrição dos crimes alegados. Um outro processo, no qual Assange é acusado de violação, ainda está aberto e só prescreve em agosto de 2020.
“Julian Assange manteve-se voluntariamente longe da justiça e se refugiou na embaixada equatoriana em Londres. Passado o prazo de prescrição de algumas das acusações, vejo-me obrigada a suspender a investigação”, afirmou a procuradora Marianne Ny, em comunicado divulgado em Estocolmo. Sobre a acusação de violação, “o inquérito preliminar prossegue”, precisou.
Assange está refugiado na embaixada do Equador no Reino Unido desde junho de 2012, depois de esgotados todos os recursos que apresentou contra o mandado de detenção da Suécia emitido em novembro de 2010.
O australiano, de 44 anos, nega as acusações e se recusa a ir para Estocolmo, por temer ser extraditado para os Estados Unidos, onde querem julgá-lo pela divulgação de milhares de documentos diplomáticos e militares confidenciais.
Assange e a procuradora Ny acusam-se mutuamente por não ter havido, até o momento, nenhuma audiência. “Desde o início, eu propus soluções simples: venha à embaixada e recolha o meu depoimento ou prometa não me extraditar para os Estados Unidos. Essa funcionária sueca recusou as duas. Recusou inclusive um depoimento por escrito”, afirmou Assange em comunicado.
O australiano disse-se “extremamente desiludido” por não poder dar a sua versão dos fatos e reiterou que as relações sexuais com as suecas que o acusaram foram consentidas.

A procuradora afirmou, no entanto, que Assange tem se recusado a responder às convocações da Justiça sueca. “Desde o outono de 2010 que tento obter uma audiência com Julian Assange, mas ele sempre se esquivou”.
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sexta-feira, 17 de abril de 2015

Wikileaks divulga documentos pirateados em ataque virtual à Sony Pictures

Sexta, 17 de abril de 2015
Os documentos revelados pelo Wikileaks contêm detalhes sobre a estratégia de pressão pública da Sony, as suas relações com políticos e estratégias de negócios em relação à concorrência.

Da Agência Lusa / Agência Brasil
O portal Wikileaks publicou nessa quinta-feira (16) os documentos e e-mails da Sony Pictures que, no ano passado, foram supostamente pirateados por hackersnorte-coreanos.
Na base de dados publicada pelo Wikileaks constam 30.287 documentos, 173 mil mensagens de correio eletrônico e 2.200 endereços de e-mail da Sony Pictures, a filial cinematográfica da multinacional japonesa. Os documentos podem ser agora pesquisados por nomes e palavras-chave.
Em comunicado, o fundador da Wikileaks, Julian Assange, garantiu que os registros divulgados “mostram o funcionamento de uma influente multinacional”.
“Esses arquivos são dignos de interesse e estão no centro de um conflito geopolítico. São do domínio público e o Wikileaks vai garantir que assim continuem”, afirmou.
A Sony respondeu com outro comunicado, condenando a divulgação do que considera serem informações privadas e não de domínio público. Para a empresa, o Wikileaks continuou o trabalho de piratas virtuais, que prejudicam os funcionários da empresa.
O vazamento de informações sobre a Sony começou no ano passado e, segundo o governo norte-americano, foi de responsabilidade de piratas virtuais do regime norte-coreano, em represália à estreia do filme The Interview, uma sátira ao líder da Corea do Norte, Kim Jong-un.

Os documentos revelados pelo Wikileaks contêm detalhes sobre a estratégia de pressão pública da Sony, as suas relações com políticos e estratégias de negócios em relação à concorrência.
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sábado, 21 de junho de 2014

Dois anos na embaixada

Sábado, 21 de junho de 2014
A detenção do editor do WikiLeaks, Julian Assange, é a mais longa prisão sem julgamento da Justiça sueca

Da Pública
Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo
por | 19 junho, 2014
Completam hoje [19/6/2014] dois anos desde que Julian Assange atravessou a porta branca da embaixada equatoriana em Londres, disfarçado, temendo ser interceptado pela polícia britânica que lhe monitorava cada passo através de uma pulseira eletrônica presa ao seu tornozelo. Já fazia então um ano e meio que Julian estava sob prisão domiciliar em uma casa no interior da Inglaterra, após começar o vazamento dos despachos das embaixadas norteamericanas que renderam tantas revelações, tantas reportagens e tanta inspiração para tanta gente. Hoje já são 1289 dias de prisão. Sem qualquer julgamento, sem qualquer condenação.
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Julian Assange posa com a camisa da equipe equatoriana na embaixada que o acolheu. Foto: AneurisMatt
Dentro da embaixada, que fica no andar térreo de um prédio vitoriano, em frente ao templo do consumo de Londres, a loja Harrod’s, Julian ocupa duas salas: uma delas, um escritório transformado em quarto onde se amontoam suas poucas mudas de roupa, os presentes que continuam a chegar de todo lado do mundo, cartões de incentivo, livros, papeis. No outro, apenas uma tela que a equipe usa para projetar fundos diversos quando o jornalista participa por Skype de algum evento (como aconteceu no debate de encerramento do Arena Net Mundial) , uma mesa com uma enorme tela de computador e outros, pequenos, espalhados por todo lado. Não há um quintal onde Julian possa tomar sol quando ele dá o ar da graça na cinzenta Londres, e diante do escritório, cujas cortinas ficam permanentemente fechadas, um carro policial vigia, escuta, espia ostensivamente qualquer movimentação lá dentro.

quinta-feira, 6 de março de 2014

Žižek: O que é um autêntico evento político?

Quinta, 6 de março de 2014
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   Em dezembro de 2013 visitei Julian Assange na embaixada equatoriana localizada logo atrás da loja Harrods em Londres. Foi uma experiência um tanto deprimente, apesar da gentileza do pessoal da embaixada. A embaixada é um apartamento de seis cômodos sem jardim anexo, de forma que Assange não pode nem dar uma andada diária ao ar livre. Ele também não pode pisar para fora do apartamento, ao corredor principal da casa – policiais esperam por ele lá. Algo como uma dúzia deles estão o tempo todo em torno da casa e em alguns dos prédios circundantes, um deles inclusive debaixo de uma pequena janela de banheiro que dá para o jardim dos fundos, caso Assange tente escapar por aquele buraco na parede. O apartamento é grampeado de cima a baixo, sua ligação de internet é suspeitosamente lenta… então como assim o Estado britânico decidiu empregar em torno de 50 pessoas em tempo integral para vigiar Assange e controlá-lo sob o pretexto legal de que ele se recusa a ir à Suécia para ser questionado sobre uma má conduta sexual leve (não há acusações legais contra ele!)? É tentador se tornar um thatcherita e perguntar: onde está a política de austeridade aqui? Se um ninguém como eu fosse procurado pela polícia sueca para uma interrogação semelhante o Reino Unido também empregaria 50 pessoas para me vigiar? A pergunta séria está aqui: de onde brota tal desejo ridiculamente excessivo de vingança? O que Assange, seus colegas e fontes denunciantes fizeram para merecer isso?

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Jacques Lacan propôs como axioma da ética da psicanálise: “Não cedas de teu desejo”. Não seria esse axioma uma designação precisa dos atos dos denunciantes? A despeito de todos os riscos envolvidos na sua atividade, eles não estão dispostos a ceder – de que? Isso nos traz à noção de evento: Assange e seus colaboradores realizaram um verdadeiro e autêntico evento político – com isso, pode-se facilmente compreender a reação violenta das autoridades. Assange e seus colegas são frequentemente acusados de traidores, mas são algo muito pior (aos olhos das autoridades) – para citar Alenka Zupančič:
“Mesmo se Snowden vendesse suas informações discretamente a outro serviço de inteligência, esse ato ainda contaria como parte dos ‘jogos patrióticos, e se necessário ele seria liquidado como um ‘traidor’. No entanto, no caso de Snowden, estamos lidando com algo inteiramente diferente. Estamos lidando com um gesto que questiona a própria lógica, o próprio status quo, que por um bom tempo vem servindo de único fundamento para toda a (não)política ‘ocidental’. Com um gesto que, digamos, põe tudo a perder, sem nenhuma consideração por lucro e sem seus próprios interesses em jogo: assume-se o risco porque baseia-se na conclusão de que o que está acontecendo é simplesmente errado. Snowden não propôs nenhuma alternativa. Snowden, ou melhor, a lógica de seu gesto, assim como, digamos, o gesto de Bradley Manning – é a alternativa.”

Essa descoberta fundamental do WikiLeaks está lindamente sintetizada na auto-designação irônica de Assange como um “espião para o povo”: “espiar para o povo” não é uma negação direta da espionagem (o que seria antes agir como um agente duplo, vendendo nossos segredos para o inimigo) mas sua auto-negação, isto é, ele mina o próprio princípio universal da espionagem, o principio do sigilo, já que seu objetivo é tornar segredos públicos. Funciona portanto de forma semelhante à forma pela qual a “ditadura do proletariado” marxiana deveria ter funcionado (mas raramente o fez, é claro): como uma auto-negação iminente do próprio princípio de ditadura. Àqueles que continuam pintando o espantalho do comunismo devemos responder: o que o WikiLeaks está fazendo é a prática do comunismo. O WikiLeaks simplesmente realiza o bem comum na informação.


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

Dilma e a Internet

Sexta, 20 de setembro de 2013
Por Ivan de Carvalho
Julian Assange, fundador do site WikiLeaks e que está asilado na embaixada do Equador em Londres, sem salvo-conduto do governo britânico para sair de lá, afirmou que a decisão da presidente Dilma Rousseff de adiar, sem nova data prevista, a “visita de estado” que faria em 23 de outubro a Washington, foi um “importante ato simbólico”.

Que foi um ato simbólico não há dúvida nenhuma, mas quanto à importância resta ainda esperar alguns desdobramentos para chegar-se à conclusão se teve ou não. A presidente do Brasil adiou a viagem em evidente busca de dois objetivos.

Um, de política externa, representado por uma busca de afirmação no cenário internacional, ao que tende ainda a dar certas consequências, e o afastamento da ideia de ausência de firmeza na reação à bisbilhotice praticada pelo “império” americano na Petrobrás e no Palácio do Planalto, neste último envolvendo a própria presidente Dilma Rousseff e assessores, os formais e talvez um ou outro informal, a exemplo de Lula. A ação envolvendo o Palácio do Planalto é realmente irritante e, como sabe toda a torcida do Flamengo, a presidente é muito irritadiça.

O outro, de política interna. A caça ao voto, pelo espetáculo do nacionalismo berrante, em um momento em que a presidente candidata à reeleição faz todos os esforços, os razoáveis e alguns que extrapolam a razoabilidade, para recuperar-se das quedas brutais de popularidade e de aprovação de seu governo que ocorreram entre março e o fim de junho – principalmente nas três últimas semanas juninas. Só um exemplo, para não cansar o leitor com o que ele já sabe: o quase inacreditável (só não absolutamente inacreditável porque de fato aconteceu) discurso eleitoral com que saudou, em sua chegada ao país, no Palácio Guanabara, o papa Francisco.

Mas, voltando às afirmações de Julian Assange – que promoveu a incômoda divulgação de milhares de documentos confidenciais do governo americano –, ele sugeriu que a nossa decidida presidente não se limite ao adiamento da visita que faria aos EUA em outubro. Sugere que Dilma Rousseff dê a isso sequência com outras iniciativas, como a concessão de asilo à jornalista britânica Sarah Harrison, que integra a equipe do site WikiLeaks e está em Moscou, sem poder retornar ao Reino Unido por causa de seu envolvimento nos pedidos de asilo do ex-técnico (e herói moderno) Edward Snowden, que denunciou a espionagem eletrônica global praticada pelo governo americano (essa mesma que atingiu a Petrobrás, o Palácio do Planalto e a presidente Rousseff). Explica Assange que Sarah já viveu no Brasil e gosta do país e argumenta que essa atitude de conceder o asilo “seria uma oportunidade para o país pegar a bandeira dos direitos humanos, que os EUA deixaram cair”.

Além das afirmações relatadas, feitas por Assange à Folha de S. Paulo, em entrevista, lá do seu confinamento na embaixada equatoriana em Londres, ele participou, por vídeo-conferência, de um seminário sobre “Liberdade, privacidade e o futuro da Internet”, em São Paulo. Voltou a defender que o governo brasileiro conceda asilo a Sarah Harrison, mas concentrou-se então em outra questão muito mais ampla, em relação ao Brasil.

Assange atacou diretamente a proposta que, segundo o governo brasileiro, a presidente Dilma Rousseff deverá levar à Assembléia Geral da ONU, na semana que vem. É a proposta de criação de uma “governança global” para a Internet. O fundador do WikiLeaks disse que é “interessante” para um país se proteger do monitoramento por outro governo, mas qualificou a proposta do governo brasileiro de “perigosa”. E explicou o óbvio: “Será que realmente queremos um governo no controle da Internet?”. Uma pergunta muito apropriada: como ficariam, não o governo ou os governos controladores, mas os usuários da rede? O governo brasileiro estaria, pelo que entendi da proposta e do que sobre ela disse Assange, preocupado em blindar o próprio governo, enquanto os usuários da Internet estariam cada vez mais monitorados pelo governo que controlaria a rede.

E, assim, estamos nos preparando para ir à ONU levar lixo para lambuzar a Internet. Mas Assange chamou atenção para outra proposta – a de manter no Brasil os dados coletados pelas empresas de tecnologia. Assange faz parecer bem simples a refutação dessa proposta brasileira. A resposta, diz ele, não é armazenar os dados em outro lugar e sim “não coletar”.

A “fórmula” é autoexplicável.
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Este artigo foi publicado originariamente na Tribuna da Bahia desta sexta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

domingo, 30 de junho de 2013

Julian Assange: Declaração após um ano na Embaixada do Equador

Domingo, 30 de junho de 2013

Declaração após um ano na Embaixada do Equador

por Julian Assange
Já se passou um ano desde que cheguei a esta Embaixada em busca de refúgio à perseguição.

Em consequência dessa decisão, pude trabalhar relativamente a salvo da espionagem estado-unidense.
 
Mas hoje, o calvário de Edward Snowden acaba de começar.
 
Dois processos perigosos e fora de controle instalaram-se na última década, com consequências fatais para a democracia.
 
O segredo de Estado propagou-se a uma escala aterradora.
 
Simultaneamente, a privacidade humana foi secretamente erradicada.
 
Algumas semanas atrás, Edward Snowden revelou a existência de um programa em execução – que envolve a administração Obama, a comunidade de inteligência e as maiores corporações de serviços da Internet – destinado a espiar o mundo inteiro.
 
Automaticamente foram-lhe atribuídas pela administração Obama acusações de espionagem.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

"Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet"

Segunda, 8 de abril de 2013
Sexta-feira haverá um debate sobre o futuro da liberdade, pela via da internet, no contexto do lançamento do livro do ativista Julian Assange, criador do Wikileaks. Estará presente a autora da apresentação do livro no Brasil, Natalia Viana, e representante do Wikileaks, criadora da Agência Pública, composto só por mulheres:  https://www.facebook.com/events/107099569487132/

Debate "Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet", de Julian Assange

Natalia Viana participará do debate de lançamento do livro "Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet", de Julian Assange et. al, no dia 12 de abril, sexta-feira. Diretora da Agência Pública de jornalismo investigativo, parceira do WikiLeaks no Brasil, Natalia assina a apresentação do livro de Assange.

O evento marca também o lançamento da edição número 20 da revista Margem Esquerda, que conta com um dossiê especial "Os donos da voz", ao qual Natalia Viana colabora com uma reflexão sobre a crise do jornalismo industrial e os novos modelos de produção.

O evento é gratuito e não requer inscrição.

Saiba mais sobre Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet, de Julian Assange, Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn e Jérémie Zimmermann: http://bit.ly/Xox32G


Saiba mais sobre a Revista Margem Esquerda n.20: http://bit.ly/11iIFmP


Confira a página oficial de "Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet": http://www.facebook.com/CypherpunksBrasil


Debate Cypherpunks + Margem 20
com Natalia Viana
Sexta-feira | 12/4 | 19h | Bar e restaurante Olê Ola
410 Norte | Bloco E | Loja 89
Brasília | DF

https://www.facebook.com/events/107099569487132/

sexta-feira, 1 de março de 2013

WikiLeaks: Bradley Manning e os crimes de guerra dos EUA

Sexta, 1 de março de 2013
por Michael Ratner [*]
entrevistado por Paul Jay

PAUL JAY, editor sênior de TRNN: Michael Ratner, advogado de Wikileaks, assistiu à audiência, ontem, em que Manning falou, em tom firme, com inteligência e confiança, detalhando as inúmeras brutalidades às quais assistiu e que o levaram a enviar os documentos que, sim, enviou a Wikileaks. Aqui, Michael Ratner fala à TRNN e conta o que viu.

 
Michael, que fala conosco de New York City, é presidente emérito do Centro de Direitos Constitucionais; é presidente do Centro Europeu pelos Direitos Humanos e Constitucionais em Berlim; é o advogado que defende Julian Assange nos EUA; e também é membro do conselho editorial de The Real News Network. Obrigado pela entrevista.

 

MICHAEL RATNER: É um prazer estar com você, Paul.
 

JAY: Você ontem viveu dia muito fortemente emocionante, assistindo ao julgamento histórico de Bradley Manning. O que aconteceu lá?
 

RATNER: Fui cedo para Fort Meade, e foi coisa de dia inteiro. Bradley Manning estava na sala do tribunal. A maior parte de imprensa foi direcionada para um auditório, e só uns poucos – eu também, mas não sou jornalista – fomos autorizados a entrar na sala em que Bradley Manning depôs. Foi dia especial, porque o advogado de Bradley Manning e o próprio Bradley decidiram que Bradley se declararia culpado em algumas das acusações, com penas menores; mas não nas acusações de espionagem e colaboração com o inimigo..
 

Fato é que, para mim, no plano emocional, foi um dia devastador. No fim do dia, sentia-me uma ruína, emocionalmente devastado. Mas, ao mesmo tempo... Quem lá estava viu, afinal, quem é Bradley Manning. É um herói. Um desses raros homens que, diante de um crime para o qual todos fecham os olhos, encontra o que fazer e age.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Mentiras, cortinas de fumo e a vergonhosa difamação de Julian Assange

Sábado, 16 de fevereiro de 2013

por John Pilger
Em Dezembro último, aguentei-me com apoiantes da WikiLeaks e de Julian Assange no frio glacial no exterior da Embaixada equatoriana em Londres. Foram acesas velas; as caras eram jovens e velhas e de todo o mundo. Estavam ali para demonstrar a sua solidariedade humana para com alguém com admiráveis nervos de aço. Não tinham qualquer dúvida acerca da importância do que Assange revelara e alcançara, nem dos graves perigos que agora enfrenta. Inteiramente ausentes estavam mentiras, maldade, inveja, oportunismo e nem ânimo patético de uns poucos que reclamam o direito de manter limites no debate público.

Estas manifestações públicas de calor humano para com Assange são comuns e raramente noticiadas. Vários milhares de pessoas abarrotaram a Municipalidade de Sidney, com centenas de outros na rua por não caberem mais ali. Em Nova York, recentemente, Assange recebeu o prémio Yoko Ono Lennon Prize for Courage. Na plateia estava Daniel Ellsberg, o qual arriscou tudo para revelar a verdade acerca do barbarismo da guerra do Vietname.

Assim como a filantropa Jemima Khan, o jornalista investigador Phillip Knightley, o aclamado realizador de filmes Ken Loach e outros arrecadavam dinheiro para a defesa de Julian Assange. "Os EUA estão determinados a esmagar alguém que revelou os seus segredos sujos", escreveu-me Loach. "A extradição via Suécia é mais do que provável... será difícil escolher a quem apoiar?"

Não, não é difícil.

No New Statesman da semana passada, Jemima Khan, uma filantropa, terminou o seu apoio a uma luta épica por justiça, verdade e liberdade com um artigo sobre o fundador da WikiLeaks. Para Khan, os Ellsbergs e Yoko Onos, os Knightleys e Loaches, e as incontáveis pessoas que representam, foram ludibriadas. Todos nós somos "tacanhos". Todos nós somos displicentemente "fiéis". Todos nós somos cultistas.

Nas palavras finais do seu j'accuse, Khan descreve Assange como "um L. Ron Hubbard australiano". Ela deve ter sabido que tal insulto gratuito faria uma manchete bombástica – como na verdade fez em toda a imprensa australiana.

Respeito Jemima Khan por apoiar causas humanitárias, tais como a dos palestinos. Ela apoia o Martha Gellhorn Prize for Journalism, do qual sou um dos juízes e também a feitura dos meus próprios filmes. Mas o seu ataque a Assange é especioso e actua para uma galeria familiar cuja coragem é enviada por twitter a partir de um smartphone. Uma das principais queixas de Khan é que Assange se recusou a aparecer num filme acerca da WikiLeaks do director americano Alex Gibney, no qual ela foi produtora executiva. Assange sabia que o filme não seria "subtil" nem "justo" e nem "representaria a verdade", como Khan afirmou, e que o seu próprio título, "WikiLeaks, nós roubamos segredos", era uma prenda para os fabricantes de uma falsa acusação criminal que poderia condená-lo a um dos buracos infernais da América. Tendo entrevistado ressentidos e vira-casacas, Gibney insulta Assange como paranóico. A DreamWorks também está a fazer um filme cerca do "paranóico" Assange. Oscars para todos.

A essência dos ataques de Khan e Gibney é que o Equador concedeu asilo a Assange sem ter provas. As provas são volumosas. Assange foi declarado inimigo "oficial" de um estado torturador, assassino e predatório. Isto está claro nos dossiers oficiais, obtidos sob [a Lei de] Liberdade de Informação, que revela a perseguição "sem precedentes" que Washington promoveu contra ele, juntamente com o abandono pelo governo australiano de um cidadão seu: uma base legal para concessão de asilo.

Khan refere-se a uma "longa lista" de "aliados alienados e insatisfeitos" de Assange. Quase nenhum foi alguma vez aliado. O que é gritante acerca da maior parte dos ditos "aliados" e inimigos de Assange é que os mesmos exibem os sintomas de desenvolvimento interrompido que atribuem a um homem cuja resiliência e humor, mesmo sob pressão extrema, são evidentes.

Na sua "longa lista" está o advogado londrino Mark Stephens, que lhe cobrou quase meio milhão de libras em taxas e custos. Esta conta foi paga a partir de um adiantamento sobre um livro cujo manuscrito não autorizado foi publicado por um outro "aliado" sem o conhecimento ou permissão de Assange. Quando Assange mudou o seu defensor legal para Gareth Peirce, a principal advogada britânica de direitos humanos, nela encontrou uma verdadeira aliada. Khan não faz qualquer menção à evidência condenatória e irrefutável que Peirce apresentou ao governo australiano, advertindo de como os EUA deliberadamente "sincronizaram" seus pedidos de extradição com casos pendentes e que o seu cliente enfrentava uma grave perversão de justiça e perigo pessoal. Peirce contou ao cônsul australiano em Londres em pessoa que havia conhecido poucos casos tão chocantes como este.

É uma táctica para desviar atenção discutir se a Grã-Bretanha ou a Suécia representam o maior perigo de entrega de Assange aos EUA. Os suecos recusaram todos os pedidos de garantias de que ele não será despachado sob um arranjo secreto com Washington; e é o executivo político em Estocolmo, com os seus laços estreitos à extrema-direita na América, não os tribunais, que tomará esta decisão.

Khan está correctamente preocupada acerca de uma "resolução" das alegações de má conduta sexual na Suécia. Pondo de lado o tecido de falsidades demonstrado nas provas deste processo, ambas as mulheres tiveram sexo consensual com Assange, e nenhuma delas afirmou outra coisa; e a promotora em Estocolmo, Eva Finne, quase descartou o caso. Como Katrin Axelsson e Lisa Longstaff, da [organização] Mulheres contra violação (Women Against Rape), escreveram no Guardian em Agosto último: "As alegações contra [Assange] são uma cortina de fumo por trás da qual um certo número de governos tentam limitar as acções da WikiLeaks por esta ter audaciosamente revelado ao público seu planeamento secreto de guerras e ocupações com o seu cortejo de violações, assassínios e destruição... As autoridades importam-se tão pouco acerca da violência contra mulheres que manipulam à vontade alegações de violação. [Assange] deixou claro que está disponível para interrogatório das autoridades suecas, na Grã-Bretanha ou via Skype. Por que estão elas a recusar este passo essencial na sua investigação? Do que é que têm medo?"

14/Fevereiro/2013
  • Assine a petição: http://freeassange.org/sign-petition

    O original encontra-se no New Statesman e em johnpilger.com/...


    Este artigo encontra-se em http://resistir.info/ .
  • domingo, 3 de fevereiro de 2013

    Entrevista com Assange: “É bom que os governos tenham medo das pessoas”

    Domingo, 3 de fevereiro de 2013 
    Por Jamil Chade
    O Estado de S. Paulo



    LONDRES – A Internet está se transformando no maior instrumento de vigilância já criado e a liberdade que ela representa estaria seriamente ameaçada. A avaliação é de Julian Assange, criador do Wikileaks e que, há sete meses, vive na embaixada do Equador em Londres. Para ele, a web redefiniu as relações de poder no mundo, se transformou no “sistema nervoso central hoje das sociedades” e chega a ser mais determinante que armas. O problema, segundo ele, é que esse poder está agora se virando contra as populações.

    O australiano recebeu a reportagem do Estado para uma entrevista sobre seu livro “Cypherpunks, Liberdade e o Futuro da Internet”, que está sendo lançado no Brasil nesta semana pela Boitempo Editorial.

    Apesar de aparentar relaxado, não escondia a palidez de sete meses dentro de um escritório. Em junho de 2012, ele optou por pedir asilo ao Equador, diante de sua iminente deportação para a Suécia, onde é acusado de assédio sexual. Segundo ele, sua decisão de pedir refúgio ao governo de Quito tem como meta evitar sua extradição da Suécia para os EUA, onde seria julgado pela difusão de documentos secretos. O Equador lhe concedeu asilo. Mas a polícia britânica indicou que, assim que ele pisar para fora da embaixada em direção ao aeroporto, seria detido. O resultado tem sido um confinamento sem data para acabar.

    sábado, 22 de dezembro de 2012

    "Cypherpunks Liberdade e o futuro da internet", por Julian Assange


    Conheça a página de Cypherpunks: liberdade e o futuro da internet
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    Pré-venda
    O lançamento está previsto para o início de fevereiro e o título já pode ser comprado antecipadamente em algumas livrarias.
    Aproveite a pré-venda com desconto na Saraiva e na Travessa!


    Cypherpunks - Liberdade e o futuro da internet
    Julian Assange et al.
    “Este livro não é um manifesto. Não há tempo para isso. Este livro é um alerta.”
    Julian Assange

    Cypherpunks – liberdade e o futuro da internet é o primeiro livro de Julian Assange, editor-chefe e visionário por trás do WikiLeaks, a ser publicado no Brasil. A edição brasileira, a ser lançada pela Boitempo, terá a colaboração do filósofo esloveno Slavoj Žižek e da jornalista Natalia Viana, parceira do WikiLeaks no Brasil e coordenadora da agência Pública de jornalismo investigativo.

    Prevista para sair na primeira semana de fevereiro, a obra é resultado de reflexões de Assange e de um grupo vanguardista de pensadores rebeldes e ativistas que atuam nas linhas de frente da batalha em defesa do ciberespaço (Jacob Appelbaum, Andy Müller-Maguhn e Jérémie Zimmermann). A questão fundamental que o livro apresenta é: a comunicação eletrônica vai nos emancipar ou nos escravizar?
    Apesar de a internet ter possibilitado verdadeiras revoluções no mundo todo, Assange prevê uma futura onda de repressão na esfera on-line, a ponto de considerar a internet uma possível ameaça à civilização humana. O assédio ao WikiLeaks e a ativistas da internet, juntamente com as tentativas de introduzir uma legislação contra o compartilhamento de arquivos, caso do Sopa (Stop Online Piracy Act) e do Acta (Anti-Counterfeiting Trade Agreement), indicam que as políticas da internet chegaram a uma encruzilhada. De um lado, encontra-se um futuro que garante, nas palavras de ordem dos cypherpunks, "privacidade para os fracos e transparência para os poderosos"; de outro, a ação da parceria público-privada sobre os indivíduos, que permite que governos e grandes empresas descubram cada vez mais sobre os usuários de internet e escondam as próprias atividades, sem precisar prestar contas de seus atos.

    O livro aborda temas polêmicos, como a ideia de que o Facebook e o Google seriam, juntos, "a maior máquina de vigilância que já existiu", capaz de rastrear continuamente nossa localização, nossos contatos e nossa vida. Nesse contexto, seremos colaboradores dispostos a ceder docilmente tais informações? Será que temos a capacidade, através da ação consciente e do conhecimento tecnológico, de resistir a essa tendência e garantir um mundo em que a internet possa ajudar a promover a liberdade? E existiriam formas legítimas de vigilância, por exemplo aquela usada contra os chamados "quatro cavaleiros do Infoapocalipse" (lavagem de dinheiro, drogas, terrorismo e pornografia infantil)?

    Assange e os outros debatedores trazem à tona questões complexas relacionadas a essas escolhas cruciais ao refletir sobre vigilância em massa, censura e liberdade, assim como sobre o movimento cypherpunk, que usa a criptografia como mecanismo de defesa dos indivíduos contra a apropriação da internet pelos governos e empresas. Os cypherpunks defendem a utilização desse e de outros métodos similares como meio para provocar mudanças sociais e políticas. O movimento atingiu o auge de suas atividades durante as “criptoguerras”, sobretudo após a censura da internet em 2011, na Primavera Árabe. O termo cypherpunk, uma derivação de cipher (escrita cifrada) e punk, foi incluído no Oxford English Dictionary em 2006.

    Julian Assange tem sido uma voz proeminente no movimento cypherpunk desde sua criação, nos anos 1980. Ele foi responsável por inúmeros projetos de software alinhados com a filosofia do movimento, inclusive o código original para o WikiLeaks. Desde dezembro de 2010, o ativista tem sido mantido em prisão domiciliar no Reino Unido, sem que qualquer acusação formal tenha sido feita contra ele. Temendo ser extraditado para a Suécia, que poderia entregá-lo às autoridades norte-americanas (as quais já manifestaram seu interesse em julgá-lo por espionagem e fraude), Assange conseguiu asilo político na Embaixada do Equador em Londres, onde permanece desde junho de 2012. Nesse período, tem se dedicado a promover debates sobre a sociedade contemporânea com grandes intelectuais de todo o mundo – e foi nesse contexto que escreveu Cypherpunks.

    Sobre o livro
    “O caso WikiLeaks é sintoma de uma tendência muito mais ampla e perigosa: nossas instituições políticas e jurídicas estão empenhadas em sistematicamente censurar e restringir os potenciais democráticos da nova mídia digital. É por essa razão que o livro de Assange constitui uma leitura obrigatória para qualquer pessoa interessada na realidade de nossas liberdades.” – Slavoj Žižek
    "Cypherpunks é uma leitura emocionante e vital, que explica claramente como o controle corporativo e governamental da internet representa uma ameaça fundamental para a nossa liberdade e democracia." – Oliver Stone

    Sobre os autores
    Julian Assange é o editor-chefe e visionário por trás do WikiLeaks. Originalmente um participante da lista de discussão Cypherpunk, hoje é um dos maiores expoentes desse movimento no mundo. É autor de inúmeros projetos de software alinhados à filosofia cypherpunk.

    Jacob Appelbaum é um dos fundadores da Noisebridge, em São Francisco, membro do Chaos Computer Club de Berlim, defensor e pesquisador do Tor Project e desenvolvedor de softwares. Na última década, concentrou-se em ajudar ativistas em defesa do meio ambiente e dos direitos humanos. Desde que assumiu o lugar de Julian Assange em uma palestra, vem sendo perseguido e assediado com ameaças veladas e explicitas do aparato repressivo do Estado.

    Andy Müller-Maguhn é veterano do Chaos Computer Club, cofundador da European Digital Rights (Edri) e representante europeu eleito do Icann, responsável pela elaboração de políticas internacionais para a determinação de “nomes e números” na internet. Trabalha atualmente com a criptografia nas telecomunicações e a investigação sobre a indústria da vigilância.

    Jérémie Zimmermann é cofundador e porta-voz do grupo de defesa do anonimato na internet La Quadrature du Net, que recentemente conquistou uma vitória histórica na política europeia, organizando uma campanha pública para derrotar o Acta no Parlamento Europeu. Além de se dedicar a criar ferramentas para a viabilização da interatividade em debates públicos, tem se envolvido profundamente nas questões de direitos autorais, no debate sobre a neutralidade da rede e em outras questões legislativas que tangem ao uso da internet.

    Ficha técnica
    Título: Cypherpunks
    Subtítulo: Liberdade e o futuro da internet
    Autores: Julian Assange et al.
    Tradução: Cristina Yamagami
    Páginas: a definir
    ISBN: 978-85-7559-307-3
    Preço: R$ 36,00
    Editora: Boitempo