Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2023

BILIONÁRIOS NA MIRA —Americanas: "fraude monstruosa", diz presidente de associação de investidores

Quinta, 9 de fevereiro de 2023

Americanas entrou em recuperação judicial depois de detectar uma falha de R$ 20 bilhões em sua contabilidade - Divulgação

Aurélio Valporto, da Abradin, diz que homens mais ricos do Brasil devem ser investigados por crise na gigante do varejo

Vinicius Konchinski
Brasil de Fato | Curitiba (PR) | 09 de Fevereiro de 2023

A gigante do varejo Americanas entrou em recuperação judicial depois de detectar uma falha de R$ 20 bilhões em sua contabilidade. Para o presidente da Associação Brasileira dos Investidores (Abradin), o economista Aurélio Valporto, o erro, na verdade, é uma fraude.

Em entrevista ao Brasil de Fato, ele afirmou não ter dúvida de uma irregularidade intencional. Explicou que ela ocorreu para minimizar dívidas reais da companhia, aumentar seu lucro artificialmente e distribuir boa parte deles aos seus principais investidores: Jorge Paulo Lemann, o mais rico do país; Marcel Telles, o terceiro; e Beto Sicupira, o quarto.

Para Valporto, os três bilionários precisam ser investigados. Primeiro porque foram os principais beneficiados pela fraude. Depois, porque têm um histórico de práticas controversas no mercado.


Valporto reconheceu, entretanto, que a chance de punição a quem comete esses crimes no Brasil é pequena. Disse também que fraudes como essa atrapalham o desenvolvimento do país.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2023

ENTENDA OS ACORDOS —O Brasil saiu perdendo ao liberar empréstimos do BNDES para obras na Venezuela?

Quarta, 8 de fevereiro de 2023
País vizinho tem dívida de US$ 682 mi; apesar disso, Brasil acumulou superávit de US$ 41 bi nos últimos 20 anos

Lucas Estanislau
Caracas (Venezuela) | 08 de Fevereiro de 2023

Dívida da Venezuela com o BNDES é de 682 milhões de dólares

As intenções do novo governo Lula de retomar a utilização de recursos do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) para financiar empresas brasileiras que realizam obras no exterior intensificaram os debates, as críticas e até as fake news sobre esse modelo de incentivo a exportações brasileiras.

Declarações do presidente confirmaram os planos do petista de resgatar a prática adotada em seus dois primeiros mandatos, que foi iniciada por seu antecessor, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB), e repetida pela ex-mandatária Dilma Rousseff (PT).

No centro dos ataques à proposta, está o argumento de que esse tipo de financiamento à exportação de bens e serviços brasileiros de infraestrutura teria sido um fracasso, principalmente por conta de acordos com países como a Venezuela.


Assim como Cuba e Moçambique, o país andino é um dos que possui dívidas com o BNDES e essa inadimplência é constantemente utilizada pelos críticos para rechaçar a retomada dos desembolsos pós-embarque, como são chamados esses tipos de financiamentos realizados pelo banco.

Além das críticas, os contratos entre o Banco de Desenvolvimento e empresas brasileiras que atuaram na Venezuela também são, muitas vezes, objetos de manipulações e fake news que circulam nas redes sociais e em meios de comunicação.

Entre as mentiras mais comuns estão a de que o BNDES emprestou dinheiro diretamente ao país vizinho ou ainda que esses empréstimos teriam sido feitos exclusivamente por proximidade ideológica entre os governos petistas, no Brasil, e chavistas, na Venezuela.

O Brasil de Fato investigou os acordos do BNDES com empresas que atuaram na Venezuela e conversou com especialistas no tema para entender como realmente esses contratos funcionaram, se eles foram verdadeiramente prejudiciais ao país e quais as possibilidades e as limitações para repetir a receita.



BNDES na Venezuela: o Brasil saiu perdendo?

A dívida da Venezuela com o BNDES existe e não é um mito. Segundo dados oficiais, até dezembro de 2022, o país devia US$ 682 milhões em parcelas atrasadas de contratos adquiridos entre 2001 e 2015. Do total, mais de 96% dessa dívida (US$ 658 milhões) já havia sido indenizada pelo Fundo de Garantia à Exportação (FGE), mecanismo que funciona como um seguro aos acordos. Além disso, os débitos venezuelanos representam mais de 65% de todas indenizações feitas pelo FGE nos últimos 20 anos.

Aumento do número de médicos não reduziu desigualdades, diz pesquisa

Quarta, 8 de fevereiro de 2023

Marcelo Camargo/Agência Brasil

Brasil apresenta índice de 2,6 médicos por grupo de 1 mil habitantes

Da Agência Brasil
Publicado em 08/02/2023 - Por Daniel Mello - Repórter da Agência Brasil - São Paulo

A pesquisa Demografia Médica, lançada hoje (8) pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Associação Médica Brasileira, mostra que, apesar do expressivo crescimento no número de médicos nos últimos anos, permanece a desigualdade no acesso à medicina no Brasil.

Segundo o levantamento, em 2013, eram 357,5 mil profissionais, e, em 2023, chegou-se a 562,2 mil. Com isso, o Brasil apresenta um índice de 2,6 médicos por grupo de 1 mil habitantes. O número ainda está abaixo da média de 3,36 médicos por habitante entre os países avaliados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). No entanto, é semelhante ao de países como os Estados Unidos (2,64) e o Canadá (2,77).

Diferenças regionais

Há desigualdades tanto na divisão regional, quanto na atuação nas redes pública e privada de saúde. No Norte, o índice é 1,45 médicos a cada grupo de 1 mil habitantes, e no Nordeste, de 1,93. Enquanto no Sudeste, a proporção é de 3,39 médicos para 1 mil habitantes. No Distrito Federal, o índice chega a 5,53 e em Vitória, no Espírito Santo, a 14,49.

8 DE JANEIRO —Passado um mês, centenas de pessoas seguem presas por atos golpistas

Quarta, 8 de fevereiro de 2023
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Passado um mês, centenas de pessoas seguem presas por atos golpistas

Relembre como foram os ataques a prédios da Esplanada em 08/01

RádioAgênciaNacional
Por Priscilla Mazenotti — Repórter da Rádio Nacional — Brasília
Publicado em 08/02/2023 

Eram 15h em Brasília quando começou o quebra-quebra. Centenas de pessoas desciam a Esplanada em direção ao Congresso numa manifestação golpista e pela intervenção militar. Do lado de fora dos prédios da Câmara, do Senado, do Palácio do Planalto e do Supremo Tribunal Federal, havia pouca resistência da polícia.

Do lado de dentro dos prédios, a segurança tentava conter os vândalos como podia: com bombas e gás lacrimogêneo.

O presidente Lula estava em Araraquara, interior de São Paulo, numa viagem para ver de perto os estragos provocados pela chuva. E logo veio o decreto de intervenção na segurança pública do Distrito Federal por 30 dias. E reforço no policiamento da Esplanada como Exército e o batalhão de elite das policias.

Desde cedo, o ministro da Justiça, Flávio Dino, acompanhava do local o que estava ocorrendo. Somente ali, no próprio domingo, mais de 300 pessoas foram presas em flagrante. Os crimes? Os mais diversos: atos terroristas, golpe de estado, ameaça, incitação ao crime. Penas que juntas podem chegar a 20 anos de prisão. Poucas horas depois dos ataques, Dino reafirmou a importância da Democracia.

E o prejuízo foi milionário. Destruição de obras de valor inestimável, como uma tela de Di Cavalcanti, do acervo do Planalto, orçada em R$ 8 milhões. Um relógio pêndulo do século XVII e que pertencia a D.João VI. Uma escultura de Bruno Giorgi e um painel de Athos Bulcão na Câmara. Isso sem contar as mesas, cadeiras, computadores atingidos. O estrago maior foi no plenário do Supremo Tribunal Federal, que precisou de reposição de praticamente todos os móveis.

No dia seguinte, enquanto a equipe de restauradores e da limpeza entrava em ação, a polícia levava para a detenção os envolvidos e desmontava o acampamento em frente ao QG do Exército em Brasília. De onde vinham as orientações para essa ação golpista, segundo o interventor, Ricardo Cappelli.

E os financiadores foram um dos alvos das investigações. Ricardo Cappelli disse que foi possível fazer uma radiografia de onde vinham os ônibus para Brasília com pessoas que pretendiam participar do ato.

Anderson Torres, então secretário de segurança do Distrito Federal, foi preso. Na casa dele foi encontrada uma minuta de decreto para instaurar um estado de defesa no TSE e, com isso, anular o resultado das eleições.

O governador do DF, Ibaneis Rocha, foi afastado. Os dois, em depoimento, se isentaram de responsabilidade. Mas, no relatório final, o interventor, Ricardo Cappelli, foi bem claro. Houve omissão por parte das autoridades, como confirmou em entrevista exclusiva à Rádio Nacional.

O fato é que hoje, 30 dias depois dessa tentativa de golpe, centenas de pessoas ainda estão presas. Mais de 100 mil denúncias encaminhadas por e-mail foram analisadas. A Advocacia-Geral da União (AGU) pediu o bloqueio dos bens dos presos, num total de R$ 18 milhões.

Anderson Torres continua preso e Ibaneis Rocha ainda está afastado. O ex-presidente Jair Bolsonaro foi incluído no inquérito, por determinação do ministro Alexandre de Moraes, e as investigações continuam. Nesta terça-feira (7), quatro policiais militares foram presos na quinta fase da Operação Lesa Pátria.

Edição: Rádio Nacional/Edgard Matsuki

PSOL apresenta projeto de lei para acabar com autonomia do Banco Central

Quarta, 8 de fevereiro de 2023

No mesmo dia, deputados da sigla pediram que Campos Neto seja convocado a explicar política monetária

Caroline Oliveira
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 08 de Fevereiro de 2023

Desde fevereiro de 2021, o Banco Central é autônomo e, portanto, não tem nenhuma ligação com a estrutura do Executivo - Marcello Casal Jr/Agência Brasil

A bancada do PSOL na Câmara protocolou, nesta terça-feira (7), um Projeto de Lei (PL) para retirar a autonomia do Banco Central. No mesmo dia, também apresentou um requerimento convocando o presidente do BC, Roberto Campos Neto, a dar explicações no plenário da Câmara sobre a alta na taxa de juros e um erro de fluxo cambial entre 2021 e 2022.

Em relação ao PL, a bancada propôs a exclusão da atual legislação, que confere um mandato fixo de quatro anos para o presidente e os diretores do banco, e a vinculação da instituição ao presidente da República.

Desde fevereiro de 2021, o BC é autônomo e, portanto, não tem nenhuma ligação com a estrutura do Executivo. Se aprovado, o PL estabelecerá que o presidente e os diretores serão indicados pelo presidente da República e por ele nomeados, após aprovação de seus nomes pelo Senado Federal.

Os deputados argumentam na proposta legislativa que a autonomia do Banco Central em relação ao governo eleito pela população "alija a participação cidadã através de seus representantes das definições e do processo decisório. Trata-se de um contrassenso, pois não estabelece sua independência, isenção, impessoalidade ou, sequer, sua proteção contra a política".

"Na verdade, estabelece uma forte dependência com o mercado e os setores financeiros. Esse efeito de captura ou entrega da regulação à parte do setor regulado, ocasiona o fim da autonomia de fato que hoje usufrui o banco, cria obstáculos na fiscalização e controle", continuam.

MORADIA —Sete mil famílias no DF sofrem com conflitos de despejo

Quarta, 8 fevereiro de 2023
Comunidade que vive com estrutura precária na Santa Luzia, Cidade Estrutural, no Distrito Federal - Movimento Nossa Brasília

Mapeamento aponta situação preocupante na Capital Federal

Valmir Araújo
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 07 de Fevereiro de 2023

O Mapeamento Nacional de Conflitos pela Terra e Moradia aponta que ao menos sete mil famílias do Distrito Federal são atingidas por conflitos, despejos ou estão ameaçadas de serem despejadas. O mapeamento mostra que a Capital Federal tem o maior número de famílias ameaçadas por despejos da região Centro-Oeste.

No Distrito Federal foram mapeados ao menos 30 conflitos de despejos e 829 famílias já foram despejadas, conforme o mapeamento. Outro dado que preocupa é que mais de 5.200 famílias estão ameaçadas de serem despejadas em Brasília.

De acordo com o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) do Distrito Federal um dos casos mais graves é o de Santa Luzia, na região administrativa da Estrutural, com 4 mil famílias ameaçadas de despejo. O militante do MTST, Rud Rafael, defende que o governo do Distrito Federal deveria investir em infraestrutura e melhorias habitacionais para as famílias ameaçadas de despejo.

A beijação geral

Fevereiro
8

A beijação geral


Em 1980 explodiu na cidade brasileira de Sorocaba uma insólita manifestação popular.

Em plena ditadura militar, uma ordem judicial havia proibido os beijos que atentavam contra a moral pública. A sentença do juiz Manuel Moralles, que castigava esses beijos com cadeia, os descrevia assim:

Beijos há que são libidinosos e, portanto, obscenos, como o beijo no pescoço, nas partes pudendas etc., e como o beijo cinematográfico, em que as mucosas labiais se unem numa insofismável expansão de sensualidade.

A cidade respondeu se transformando num grande beijódromo. Nunca ninguém se beijou tanto. A proibição multiplicou a vontade, e teve muita gente que só de curiosidade quis conhecer o gostinho do beijo insofismável.”


Eduardo Galeano, no livro ‘Os filhos dos dias’,
2ª ed., 2012, pág. 56, L&PM Editores.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2023

Consumo de gás de cozinha no Brasil em 2022 atinge a pior marca em 10 anos

Terça, 7 de fevereiro de 2023

Consumo de gás de cozinha no Brasil em 2022 atinge a pior marca em 10 anos

Publicado no site da AEPET em 07/02/2023

Levantamento do OSP revela que no ano passado o Brasil teve o menor consumo per capita de GLP: 43,52 m³ para cada 1 mil habitantes

O consumo de gás de cozinha no Brasil caiu 2,52% em 2022, registrando a pior marca em dez anos. O maior impacto na venda de botijões aconteceu nas regiões Sul e Sudeste, com redução de 3,74% e 3,61%, respectivamente. O GLP (Gás Liquefeito de Petróleo) alcançou ainda dois recordes históricos no Brasil em 2022 e fechou o ano com o maior preço real e o menor consumo per capita deste século.

O levantamento é do Observatório Social do Petróleo (OSP) e mostra que, na média, o gás de cozinha era vendido ano passado no país a R$ 109,86, o valor mais alto desde 2001 (comparativo anual em valores deflacionados para dezembro de 2022), quando teve início a série histórica de preços divulgados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). A análise do período aponta ainda que em 2022 o Brasil teve o menor consumo per capita de GLP, com a marca de 43,52 m³ para cada 1 mil habitantes.

‘Este trabalho liberta’

Terça, 7 de fevereiro de 2023


‘Este trabalho liberta’

Deboche, sadismo ou o que mais possa ter sido
7 De Fevereiro De 2023

O Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto foi instituído em 2005, pela Organização das Nações Unidas (ONU). Ele lembra o genocídio cometido pelos nazistas contra vários povos, a grande maioria judeus (cerca de 960 mil). Estima-se que, no total, só em Auschwitz, mais de 1 milhão de pessoas tenham sido mortas.

Aberto em 1947, mais de 49 milhões de pessoas já visitaram o memorial no antigo campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, no sul da Polônia, desde então.

Por deboche, sadismo ou o que mais possa ter sido, nos portões de acesso ao campo havia a inscrição “Arbeit macht frei”, que significa “Este trabalho liberta”. As inscrições foram feitas pelos próprios prisioneiros, recrutados entre aqueles com habilidades na metalurgia.

Conceito e medidas do desemprego

Na edição da coluna Empresa-Cidadã da semana passada, iniciamos uma conversa sobre conceitos econômicos de uso corrente, nem sempre bem definidos ou utilizados. Foi o caso então do conceito de PIB. Ficamos na superfície mesmo, sequer derivando conceitos de nacional versus interno; bruto versus líquido, etc., etc.

Hoje, falamos de algo que afeta muito as pessoas vítimas dele. Do conceito de desemprego. Defini-lo na superfície é simples; emprego não é tão difícil. Uma pessoa está empregada somente se tem um emprego em tempo parcial ou integral. Então, emprego é o número total de pessoas correntemente empregadas.

Não é aí que o cuidado menor com o conceito incomoda. Há o caso dos desalentados, aqueles ou aquelas que já jogaram a toalha.

Simplificando muito (talvez demais), a questão é que, do índice apurado pela verificação da participação dos interessados que continuam a procura, comemora-se quando este índice fica menor.

Atingiu 8,5%, partindo de um percentual maior, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad).

Quem está desempregado está 100% desempregado, excluídos os aposentados, os que estão mudando de emprego (diz-se friccional) e mais uma outra situação. Como seria estar 8,5% desempregado?



Paulo Márcio De Mello
Servidor público professor aposentado da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj)

AUTOEXÍLIO —Revista Time descreve o "espetáculo bizarro" de Bolsonaro na Flórida

Terça, 7 de novembro de 2023
"O ressurgimento de Jair Bolsonaro na Flórida é um espetáculo bizarro, mesmo se tratando de um estado que serve de refúgio para figuras excêntricas"

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Revista cita encontros com apoiadores e conexões com entorno de Donald Trump

Redação
Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) 

Ex-presidente tem participado de eventos com admiradores nos Estados Unido

A revista americana Time, uma das principais publicações dos Estados Unidos e reconhecida mundialmente, classificou como "bizarra" e "surreal" a vida que o ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro vem levando desde que abandonou o Brasil antes mesmo do fim de seu mandato e se exilou no estado da Flórida, onde ficam os famosos parques da Disney.

A revista listou alguns dos hábitos de Bolsonaro no primeiro mês fora da presidência, como passeios a supermercados, almoços sozinho em restaurantes de fast-food e conversas com apoiadores junto à casa onde está hospedado, de propriedade do lutador José Aldo.

O texto destaca ainda que não é possível dizer o que Bolsonaro pretende durante sua passagem pela Flórida. "A conta dele no TikTok mostra aos 74 milhões* de seguidores vídeos cuidadosamente escolhidos: famílias sorridentes usando camisas do Brasil e entregando cestas de pão, morangos e Nutella; montagens com músicas emotivas mostrando Bolsonaro abraçando crianças e longas filas de pessoas querendo uma foto com ele."

"Em um evento organizado em homenagem a ele por um grupo de brasileiros conservadores nos Estados Unidos, Bolsonaro ficou sob a luz de um holofote num pequeno centro comercial em Orlando, sentado em uma cadeira roxa com um pufe felpudo e uma única flor", descreve a revista.

TERROR BOLSONARISTA —Lesa Pátria: PF prende coronel e mais três policiais militares por omissão em atos golpistas

Terça, 7 de fevereiro de 2023
Coronel Jorge Eduardo Naime Barreto, ex-comandante de Operações da PM-DF, era responsável pela segurança da Esplanada dos Ministérios - Divulgação/PM-DF

Nova fase de operação tem quatro mandados de prisão contra policiais militares expedidos pelo STF

Redação
Brasil de Fato | Brasília (DF) | 07 de Fevereiro de 2023

A Polícia Federal prendeu, na manhã desta terça-feira (7), quatro policiais militares suspeitos de se omitir no enfrentamento e colaborar com os atos golpistas de 8 de janeiro na Esplanada dos Ministérios, em Brasília (DF). Os mandados expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) compõem a quinta fase da operação Lesa Pátria e, além das prisões, há ainda seis ordens de busca e apreensão.

Os alvos são o coronel Jorge Eduardo Naime Barreto, ex-chefe do Departamento Operacional da Polícia Militar do DF; o capitão Josiel Pereira César, ajudante de ordens do comando-geral da Polícia Militar; o major Flávio Silvestre de Alencar, envolvido na ação que "liberou" o acesso dos vândalos ao prédio do STF; e o policial Rafael Pereira Martins. Os nomes não foram divulgados pela PF, mas revelados em reportagem da GloboNews.

Mulher hostiliza motorista com falas de teor racista na padaria Roma, Setor Sul do Gama

Terça, 7 de janeiro de 2023

Do Portal gamacidadao

Mulher hostiliza motorista com falas de teor racista na padaria Roma, Setor Sul do Gama

Na cidade do Gama em Brasília — DF, um motorista de aplicativo denuncia passageira por racismo na madrugada deste último domingo (5/2). Jhony Charlies Gonçalves do Nascimento, motorista de um veículo de aplicativo, sofreu com ofensas de uma cliente por um desentendimento quanto ao caminho que tinha escolhido para deixá-la em casa. A ação foi gravada pelo trabalhador que foi chamado de “vagabundo”, “mala” e “sujeira”, além de ter captado no vídeo a frase: “nunca vi mais preto”.

Jhony chamou a polícia e os dois foram encaminhados à 20ª Delegacia de Polícia (Gama), onde ele fez um boletim de ocorrência por injúria racial.

Queremos saber qual foi a atitude da plataforma em relação a passageira, já que a bandeira é de TOLERÂNCIA ZERO contra o R@C1SM0 ?

Geopolítica e opções para as Forças Armadas no século 21

Terça, 7 de fevereiro de 2023
Geopolítica e opções para as Forças Armadas no século 21

Escrito por Pedro Pinho
Publicado em A-Destaque

Os anos 2000 não representaram apenas a mudança de milênio.


Desde o século XVII, no Ocidente, as trocas dos séculos passaram a ter características específicas. E as alterações civilizacionais que se processam eram cada vez mais rápidas e profundas. Este conhecimento é fundamental para os detentores do poder e para os estudiosos da política, da história, das ciências sociais, em geral. Porém como entender as mudanças que ocorrem cotidianamente na nossa vida se somos, simultaneamente, atores e vítimas?

Nestas reflexões procuramos focar as Forças Armadas Brasileiras (FFAA) que foram constituídas, efetivamente, ao longo do século XX e receberam diversas influências, na maioria colonizadoras, para atender a interesses estrangeiros.

O período que as FFAA puderam desenvolver-se com mais autonomia foi aquele em que o positivismo à maneira brasileira dominou o poder e a cúpula militar. Buscaram-se soluções nacionais, no entanto o atraso social e o baixo nível de desenvolvimento industrial foram obstáculos restritivos importantes para que se constituíssem Forças Armadas Brasileiras.

Quando militares formados nesta época, Costa e Silva, Médici e Geisel, ocuparam o poder (1967-1980), buscaram eliminar os óbices do passado, como se verifica no grande impulso à industrialização, na integração social e regional, na educação, cultura e direitos sociais rurais e nos investimentos em fontes e gestão de energia.

O fim destes governos militares não se deu, como erroneamente é divulgado, inclusive por interesses contraditórios à esquerda e à direita, pelo renascimento da democracia, mas pelos neoliberais, que buscavam o poder para as finanças apátridas, e encontraram, numa esquerda mal formada, os desejados e nada críticos aliados.

Deste modo, todas as eleições, desde 1989, foram disputadas pela capacidade de atender o sistema financeiro internacional e o fiel cumprimento dos dez mandamentos do Consenso de Washington. Sempre que um governante, por alguma medida, fugia deste compromisso, o poder judiciário o obrigava a retornar ao leito do rio.

Assim, a instrução neoliberal que entrou no ensino militar ainda no período da Junta Governativa Provisória de 1969, formada por militares da Marinha, Augusto Rademaker, da Aeronáutica, Márcio de Souza e Mello e do Exército, Aurélio de Lyra Tavares, a princípio nos cursos de formação de comando e estado maior, foi se alastrando por todo ensino militar. Hoje, todos oficiais e suboficiais só conseguem se diplomar com respostas adequadas ao pensamento neoliberal: empreendedorismo, competitividade, estado mínimo, eficiência privada, e os erros de estatismo e da solidariedade, que não seja por financiamento privado, dito altruísta.

E, o que é fundamental, a crença religiosa na globalização. Para militares, esta certeza permite alienar bens esgotáveis e não renováveis, como minérios e petróleo, sem considerar crime de lesa-pátria. Também não se incomodar em destruir a nascente informática brasileira, construída no governo Geisel, para que a tenhamos hoje totalmente importada, verdadeiro atentado à soberania nacional.

Por iniciativa da Cátedra e Rede em Economia Global e Desenvolvimento Sustentável da UNESCO e da Universidade das Nações Unidas (REGGEN) têm sido realizados seminários, painéis de discussão e promovidas publicações sobre a globalização desde 1997. Que saibamos, nenhuma instituição militar brasileira tem enviado representante, até por serem majoritariamente “de esquerda” os brasileiros que dele participam.

A primeira falácia, que os militares brasileiros assumem como verdadeira, é o projeto de dominação comunista. Não compreendem que, mesmo a denominada esquerda, no Brasil e no mundo, adota pautas neoliberais e farsantes como a da questão climática.

Comparar o preparo intelectual dos militares do Brasil de hoje, com os de posto equivalente na década de 1950, quando os Estados Unidos da América (EUA) já se faziam presente na formação dos militares brasileiros, é comparar a profundidade de análise de um jovem da 8ª série do curso fundamental, com a de pós-doutor, aprovado com mérito e distinção.

E, como lhe foi ensinado pelos emissários de West Point, o que os distingue dos demais é o comando, “saber mandar” (!). Daí não ter constituído qualquer desconforto assumirem mais de quatro mil cargos civis no governo Bolsonaro. Um “especialista em logística” deixar faltar equipamento/material vital para salvar vidas em hospital, e muitas outras lamentáveis ocorrências, até permitem a interpretação de serem intencionais.

A compreensão do Brasil é fundamental, mas o entendimento das forças que regem o mundo no início do século XXI também é básico. E esta compreensão está na análise geopolítica.

DO MUNDO BIPOLAR AO MULTIPOLAR

A Guerra Fria deixou de ser motivo geopolítico com a ausência da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), e com a recuperação dos EUA, após sucessivas derrotas no Oriente, em guerras (Coreia, Vietnã) e na economia (emergência japonesa), e sob domínio do sistema financeiro, que se espraiava por quase cem locais (países, estados, cidades e bairros), sem leis e sem tributos, assumindo ativos reais e também sem lastro, em todos continentes. Por uma década se imaginou o mundo unipolar e, por ser o país de maior produto interno bruto (PIB), tecnologia e forças armadas mais desenvolvidas, os EUA ficaram como seu representante.

É óbvio que este poder das finanças gerou diversos tipos de descontentamento e revoltas, que foram tratadas com as Revoluções Coloridas e os tradicionais golpes de estado, que os EUA aplicavam à larga: 1945, Brasil; 1948, Venezuela; 1951, Argentina e Bolívia; 1953, Irã; 1954, Guatemala e Paraguai; 1962, República Dominicana; 1963, diversos na Ásia, Oriente Médio, África e América do Sul que atormentam estes continentes até a década de 1980. A partir das desregulações dos anos 1980, os golpes passaram a ter mais um sentido de mudança do controle monetário do que para derrubada de governos contrários aos EUA. Ocorrem inclusive na Europa e são, em alguns casos, promovidos pela comunicação de massa, para beneficiar dinastias nacionais favoráveis ao sistema financeiro apátrida, que assim se apossa dos países. Os pretextos de defesa das investidas das esquerdas têm até o benefício de encontros financiados pelo capital financeiro apátrida ou órgãos do estado estadunidense, com pautas identitárias ou sociais, ditas “de esquerda”, em favor de minorias, empoderamento feminino, liberdade sexual etc.

O mundo bipolar passa a unipolar e logo a multipolar, com a recuperação da Federação Russa e o extraordinário crescimento da República Popular da China (RPCh).

São dois casos exemplares que deveriam ser esmiuçados nas escolas militares, para sua compreensão mais profunda, o que exigiria também conhecimento de idiomas que, sendo de comunistas (sic), não estão nos currículos de quem deve conhecer o mundo para melhor defender o Brasil.

A Federação Russa, parte da Comunidade de Estados Independentes (CEI), foi resultado do desmonte da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

As finanças colocaram em Moscou um palhaço, como fizeram, novamente, na Ucrânia, após o golpe Revolução Laranja 3, governando a Rússia. É até irônica a repetição das mesmas medidas, dos mesmos discursos, das mesmas acusações, em todos os golpes e tentativas. Se disserem que o dirigente é corrupto e o povo está revoltado, fiquem certos, trata-se de governo que atende os mais necessitados e cobra dos ricos o que jamais pagaram.

Algum evento pouco claro fez com que Boris Yeltsin passasse o governo da Rússia para Vladimir Putin. Este se revelou o mais notável estadista deste início do século, recuperando poder ainda mais consolidado e aberto do que o existente na URSS. A Federação Russa é efetiva potência, inclusive militar, que o Ocidente reunido não consegue derrotar, nem pelas armas, nem pelos embargos, nem pela economia e propaganda dentro da Rússia. E, dia a dia, as notícias e análises ocidentais sobre a Guerra na Ucrânia são desmentidas pelos fatos.

A China passou por diversas crises internas desde a Revolução Cultural de Mao Tse Tung, o capitalismo de Deng Xiao Ping (1978-1990), e as alterações ocorridas no final do século XX. Com Xi Jin Ping na direção do Partido Comunista Chinês, foi sendo aos poucos reestruturando o poder, de modo a incluir toda população, usando Assembleias descentralizadas e um sistema de repartição de responsabilidades no governo que fez de cada chinês eficaz construtor do seu país. Deste modo foi possível absorver os recursos financeiros e tecnológicos estrangeiros sem perder o controle do poder nacional. A esta construção deram o nome de comunismo à maneira chinesa. Podemos entender que o comunismo serviu mais para salvaguardar as lideranças que libertaram o país do “século da humilhação”, pois existe o modo de produção capitalista em muitas ações do Estado e nas iniciativas privadas.

A Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI, em inglês), também chamada Nova Rota da Seda, e a Organização para Cooperação de Xangai (OCX) constituem sólida base para o mundo multipolar. Um mundo de cooperação já antevisto por Johann Gottlieb Fichte, em 1796, quando escreveu sobre o “Fundamento do Direito Natural Segundo os Princípios da Doutrina da Ciência”. Sinteticamente ele estabelece que

“se um povo não tem alguma forma de governo, não existindo um Estado, ele não tem quem o proteja, estando assim completamente destituído de direitos”. Logo o contrato social é impositivo para a cidadania. No entanto, os Estados só se obrigam a fazer acordo para usufruírem benefícios recíprocos, ou seja, mantendo suas individualidades. A lição da RPCh é a dessa união para benefício recíproco, que trouxe 149 países e 32 organizações internacionais, até outubro de 2022 para o BRI.

Há uma perspectiva das finanças não aceitarem sua derrota e impulsionarem uma guerra de fins catastróficos. O Brasil precisa estar bem preparado e consciente do que significa colocar o aborto e não a cooperação internacional na pauta de governo. Questões individuais, como as possibilidades do corpo, que não sejam o uso e abuso por terceiros, e ideais transcendentes, que apenas à pessoa tem valor, não podem ser confundidos com encargos do Estado Nacional, nem se pode sujeitar o Estado Nacional a acordos de humilhação, como a China conheceu das potências ocidentais e do Japão por cem anos.

Mais de meio século de doutrinação neoliberal provocou a desfiguração das Forças Armadas. É indispensável reexaminar os currículos, os professores e colocar todos da ativa nas salas de aula. Conhecer o Brasil e as novas relações internacionais. A Guerra Fria acabou e o inimigo de hoje não é o comunismo, mas as finanças apátridas, que trazem a corrupção, o desemprego, a chantagem, a miséria, a mentira e a fome para o País.

Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, pertenceu ao Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra (ESG), é atual presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás – AEPET.


Transcrito do MONITOR MERCANTIL




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segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

O Grito

https://youtu.be/oyFmNPoDbDU
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Fevereiro 

O Grito 

Bob Marley nasceu na pobreza, e gravou suas primeiras músicas dormindo no chão do estúdio.

E em poucos anos se fez rico e famoso e dormiu em leito de plumas, abraçado à Misse Mundo, e foi adorado pelas multidões.

Mas nunca esqueceu que ele não era apenas ele. Pela sua voz cantava o sonoro silêncio dos tempos passados, a festa e a fúria dos escravos guerreiros que durante séculos tinham enlouquecido seus amos ingleses nas montanhas da Jamaica. 

Eduardo Galeano, no livro ‘Os filhos dos dias’,
2ª ed., 2012, pág. 54, L&PM Editores. 

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Observação: Bob Marley nasceu em 6 de fevereiro de 1945, na Jamaica. Morreu de câncer em 11 de maio de 1981, em hospital de Miami.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

Petrobrás deve voltar a ser empresa de petróleo e energia para o século XXI

Quarta, 1 de fevereiro de 2023

Pedro Augusto Pinho*

Petrobrás deve voltar a ser empresa de petróleo e energia para o século XXI


A Petrobrás deixou de ser empresa de petróleo e energia com a reforma demolidora de Fernando Henrique Cardoso (FHC), em 1997 para ser apenas uma empresa de negócios. E, desde então, vendendo ativos e fazendo ruinosas parcerias, a Petrobrás vem se afastando dos objetivos para qual foi criada. Mais em um período, menos em outro, esta situação não foi revertida, mas foi aprofundada após o golpe de 2016.

A descoberta do pré-sal, feito notável devido unicamente à competência da Petrobrás no segmento “upstream” (exploração e produção de óleo e gás), permitiu pequena trégua no desmonte, quando abria a possibilidade de reverter tudo de antinacional realizado por FHC. Porém são aguas passadas, o que fazer agora, neste terceiro Governo Lula, é que deve ser nossa preocupação e empenho.

A Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), com a participação da Associação Brasileira de Imprensa (ABI) e outras instituições e personalidades da sociedade civil, elaborou o conjunto de oito medidas, sem ordenação de precedência, que seriam necessárias para resgatar o papel que a Petrobrás já desempenhou para o povo brasileiro: atender o mercado de derivados de petróleo aos menores preços possíveis, desenvolver a tecnologia do petróleo aos melhores níveis internacionais, promover o desenvolvimento econômico e social do Brasil coma máxima contribuição das empresas e das tecnologias brasileiras.

São elas:

1– Restauração do monopólio estatal do petróleo, exercido pela Petrobrás;

2– Reversão da privatização dos ativos da Petrobrás, destacando a BR Distribuidora, refinarias, malhas de gasodutos (NTS e TAG), distribuidoras de GLP e gás natural (Liquigás e Comgás), produção de fertilizantes nitrogenados (FAFENs), direitos de exploração e produção de petróleo e gás natural e as participações na produção de petroquímicos e biocombustíveis;

3– Reestruturação da Petrobrás como Empresa Estatal de petróleo e energia, dando conta de sua gestão, com absoluta transparência, ao controle do povo brasileiro;

4– Alteração da política de preços da Petrobrás, com o fim do Preço Paritário de Importação (PPI), que foi estabelecido em outubro de 2016, e restauração do objetivo histórico de abastecer o mercado nacional de combustíveis aos menores preços possíveis;

5– Limitação da exportação de petróleo cru, com adoção de tributos que incentivem a agregação de valor e o uso do petróleo no país;

6– Recompra das ações da Petrobrás negociadas na bolsa de Nova Iorque (ADRs);

7– Desenvolvimento da política de conteúdo nacional e de substituição de importações para o setor de petróleo, gás natural e energias potencialmente renováveis;

8– Estabelecimento de um plano nacional de pesquisa e investimentos em energias potencialmente renováveis, sob a liderança da Petrobrás.

Neste artigo trataremos de dois itens, a nosso ver precedentes para a concretização dos demais. Apenas o primeiro e o quinto exigiriam ações junto aos poderes executivo e legislativo para suas consecuções, uma vez atingidos os dois a seguir detalhados.

O Primeiro é recuperar o interesse e a soberania nacional em sua direção, ou seja, ter novamente o controle da companhia pelo Estado e brasileiros nacionalistas e competentes em sua gestão, o que está hoje entregue às finanças apátridas. E para este intento não se exige lei nem decisão judicial, basta adotar a medida administrativa de recompra de ações.


RECOMPRAR AS AÇÕES EM MÃOS ESTRANGEIRAS


De acordo com informação no site da própria Petrobrás, de 31/12/2022, sua composição acionária está assim constituída:

1) Governo Federal, 3.740.470.811 ações, representando 28,67%;

2) BNDESPar, 900.210.496 ações, representado 6,90%;

3) BNDES, 135.248.258 ações, representando 1,04%;

4) FMP-FGTS Petrobrás, 170.486.020 ações, representando 1,31%.

O Caixa FMP-FGTS Petrobras é o fundo mútuo de privatização que aplica recursos do FGTS de seus investidores na aquisição de ações emitidas pela Petróleo Brasileiro S.A. (Petrobrás). Ele está atualmente fechado para captação. Para realizar o resgate, o trabalhador formaliza seu pedido junto às Instituições Administradoras do FMP-FGTS, escolhidas para a aplicação, que são: BTG, Caixa Econômica Federal, Daycoval, Genial, Itaú e XP;

5) ADRs, adquiridas na Bolsa de Nova Iorque (ações ordinárias, ON, e preferenciais, PN), 2.719.780.254 ações, representando 20,85%;

6) B3 – Estrangeiros (Resolução n° 2.689 C.M.N), 3.320.159.198 ações, representando 25,45%;

7) Investidores Institucionais, 920.778.139 ações, representando 7,06%.

Investidores Institucionais são instituições que gerem o capital de terceiros, buscando aplicar estes recursos em aplicações financeiras lucrativas para seus cotistas. Entre essas instituições, estão: bancos, seguradoras, fundos de investimentos, fundos de pensão e family offices;

8) Varejo em geral, 1.137.068.085 ações, representando 8,72%.

Verifica-se, assim, que os estrangeiros já detêm 46,30% das ações da Empresa. Basta que eles estejam parcialmente entre os Investidores Institucionais ou adquiram ações no varejo, para completarem os 3,71% que lhes darão a participação de mais da metade do capital, ou seja, a propriedade formal da Petrobrás.

O Governo Brasileiro têm somente 36,61% das ações de sua maior empresa e da maior responsável pelo desenvolvimento econômico e social do País.
Desde outubro de 2022, as ADRs da Petrobrás na Bolsa de Nova Iorque (BNY) estão em queda. Na sexta-feira, 27/01/2023, a ADR estava, no fechamento, a US$ 11,29. Na Bolsa brasileira em São Paulo (Bovespa) as ações ordinárias (PETR3), as mais caras, custavam no fechamento em 27/01/2023, R$ 29,13, e as preferenciais (PETR4), R$ 25,77. O câmbio US$/R$, na mesma sexta feira, estava a R$ 5,10 por dólar estadunidense. Cada ADR equivale a duas ações na Bovespa.

O preço, considerando as ON, as mais caras, das ações da Petrobrás, em mãos estrangeiras, no dia 27/01/2023, sendo US$ 30.706.319.067,66 (BNY) mais US$ 37.927.936.250,09 (Bovespa), estava custando US$ 68.634.255.317,75.

O Banco Central informa que as reservas internacionais do Brasil em 31/12/2022 eram US$ 324,7 bilhões, o patamar mais baixo em 11 anos, devido às péssimas aplicações deste montante no exterior. E, considerando as expectativas mais otimistas, estas reservas estarão ainda menores ao final de 2023, pelas remunerações negativas que se esperam nas moedas e títulos referenciados em dólar estadunidense.

Assim, aplicar 21% das reservas brasileiras na compra das ações em mãos estrangeiras não só é a melhor aplicação financeira e econômica para este dinheiro da poupança brasileira, como representa a recuperação da soberania e da autonomia decisória na mais importante e maior empresa nacional.

Em mãos brasileiras, a Administração da Petrobrás poderá realizar o que é a segunda mais importante providência: reestruturar a Petrobrás para se ter, novamente, empresa de petróleo e energia, com as condições tecnológicas e políticas para o século XXI.


EMPRESA DE PETRÓLEO E ENERGIA PARA O SÉCULO XXI


A primeira estrutura organizacional da Petrobrás foi elaborada por Hélio Marcos Pena Beltrão, ministro nos governos Costa e Silva e João Figueiredo, que foi incumbido, em novembro de 1953, de a realizar. O trabalho, entregue em fevereiro de 1954, é uma primorosa análise dos modelos e tipos de organização, a relação entre empresa e Estado, e as diretrizes que nortearam o modelo apresentado. Resumidamente, a Petrobrás estava composta de uma Direção Colegiada, um conjunto de assessorias empresariais, outro conjunto para assessoria e coordenação das unidades operacionais, e as unidades operacionais representativas de órgãos regionais e especializados nas atividades próprias do petróleo.

O desenvolvimento da Petrobrás e da própria indústria do petróleo ensejaram alguns projetos, sendo o mais relevante aquele de criação de subsidiárias, mas o modelo de Hélio Beltrão, ajustado às condições tecnológicas e da expansão da Petrobrás, inclusive para o exterior, só veio a ser radicalmente alterado com a nova lei do petróleo, em 1997, que extinguiu o monopólio operacional da Petrobrás e a transformou em empresa de negócios.

Trataremos de organizar novamente para o Brasil a sua empresa de petróleo e energia.

Muito dos princípios utilizados por Hélio Beltrão ainda estão atuais e são usados por empresas em todo mundo. A mais importante diferença está no processo decisório.

O exemplo de maior sucesso neste milênio é encontrado na República Popular da China (RPCh): a participação e a descentralização. Este conjunto possibilitou inclusive a aceitação de empresas estrangeiras no processo de desenvolvimento chinês, sem que o País perdesse a soberania, o controle e a orientação desejada para os investimentos. Acresce uma constante ênfase de Beltrão: as decisões, sempre que possível, devem ser tomadas por que, em primeiro, arcará com suas consequências.

Nada há de aproveitável na atual estrutura organizacional e gerencial da Petrobrás pós 1997.

Vamos às propostas. Todo conjunto bem sucedido, quer Estatal quer privado, pode ser resumido em três grupos. O da Decisão Superior, estratégica, do negócio; o das Decisões Administrativas e Operacionais; e as Decisões sobre a Execução.

A Decisão Superior da Petrobrás deve estar entregue ao Conselho de Administração e à Diretoria Executiva. Os componentes do Conselho representarão os acionistas, considerada a compra pela União das ações em mãos estrangeiras, o Governo Brasileiro terá a maior parcela de Conselheiros, outro conjunto importante no Conselho são os membros da Diretoria que trazem as informações e análises técnicas das diversas áreas de atuação da Empresa, um terceiro grupo deve ser constituído pelos empregados, em número idêntico ao dos Diretores.

Consideremos então a composição da Diretoria Executiva por áreas de atuação: (a) Exploração e Produção, (b) Refino e Petroquímica, (c) Xisto, Minério e Fertilizantes, (d) Bioenergia, (e) Outras Fontes de Energia, (f) Transporte, (g) Comercialização, (h) Administração, (i) Informação, Pesquisa e Desenvolvimento, (j) Finanças e (k) Internacional. Logo tem-se que o Conselho de Administração deveria ser composto de 33 a 35 membros, o que, de certo modo, democratiza e dá transparência à Empresa.

O Presidente do Conselho também o será da Diretoria Executiva e ligados diretamente à Presidência estarão os órgãos normativos para toda Petrobrás, as Assessorias: de Comunicação Social, Jurídica, de Planejamento e Organização, de Recursos Humanos, e Ouvidoria.

Tomemos para exemplo a Diretoria de Exploração e Produção (E&P).

Além de um órgão central de planejamento, coordenação e controle, haverá órgãos operacionais permanentes e outros de duração definida.
A exploração é uma atividade permanente e se dá por todo território nacional. Pode-se, exemplificativamente, criar seis órgão, um central para as bacias marítimas de investigação em águas profundas e ultra profundas, outros para as bacias terrestres e costeiras: norte, nordeste, leste e centro-oeste, sul e sudeste. Divisão semelhante pode ser aplicada ao órgão de perfuração. Os órgãos de produção só existiriam onde há produção de petróleo, e os de duração determinada seriam os grupos executivos para desenvolvimento de campos, ou seja, entregar as descobertas aos órgãos de produção.
Em todos os órgãos haveria o Comitê Deliberativo, composto dos chefes, designados conforme as Normas da Empresa, e empregados eleitos pelos colegas, guardadas proporções para os níveis médio e superior, atividades administrativas e operacionais. Estes Comitês Deliberativos, além da participação nas decisões em geral, também discutiriam o aperfeiçoamento do quadro de pessoal, a necessidade de pessoal, aprovação dos orçamentos, e propostas para melhorar o desempenho do órgão. Muitas poderiam ser aprovadas no próprio órgão, outras seriam encaminhadas para os órgãos centrais e até a Diretoria e Conselho, a depender do assunto e dos valores envolvidos.

Teríamos, com esta organização, o que não só propunha Hélio Beltrão, como o que promoveu o salto da RPCh.

Este é um artigo e não um Manual de Organização, mas se pode observar que a Petrobrás estaria contribuindo, com seu conhecimento e recursos, para a evolução do fornecimento de energias ao Brasil, com a informática e as telecomunicações nacionais, com a descentralização de atividades, levando empresas, empregos e recursos para todas regiões do País. A transparência que esta estrutura participativa proporcionaria, certamente influenciaria outros órgãos públicos e empresas privadas, muito mais que “gerências de governança e conformidade”.

Tratamos de dois, dos oito itens enunciados como as propostas que a AEPET espera ver acolhidas pelo Governo Lula. Seria muito significativo e importante que outros colegas aprofundassem os demais itens e fizessem críticas a estes aqui tratados.


*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado, foi professor universitário, serviu no Corpo Permanente da Escola Superior de Guerra (ESG) e, atualmente, é Presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET).


Transcrito do AEPET Diário, 01/02/2023.