“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

terça-feira, 27 de junho de 2023

MPF pede cancelamento de outorgas de radiodifusão da Jovem Pan por desinformação e incentivo a ações antidemocráticas

Terça, 27 de junho de 2023
Foto ilustrativa: Canva

Entre 2022 e o início deste ano, emissora veiculou conteúdos falsos e falas frequentes em ataque ao processo eleitoral e às instituições

Do MPF
O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública pedindo o cancelamento das três outorgas de radiodifusão concedidas à Jovem Pan. A requisição se deve ao alinhamento da emissora à campanha de desinformação que se instalou no país ao longo de 2022 até o início deste ano, com veiculação sistemática, em sua programação, de conteúdos que atentaram contra o regime democrático. O MPF destaca que as condutas praticadas pela Jovem Pan violaram diretamente a Constituição e a legislação que trata do serviço público de transmissão em rádio e TV.

Além do cancelamento das outorgas de rádio, o MPF pede que a Jovem Pan seja condenada ao pagamento de R$ 13,4 milhões como indenização por danos morais coletivos. O valor corresponde a 10% dos ativos da emissora apresentados em seu último balanço. Também para reparar os prejuízos da programação à sociedade, o Ministério Público pleiteia que a Justiça Federal obrigue a Jovem Pan a veicular, ao menos 15 vezes por dia entre as 6h e as 21h durante quatro meses, mensagens com informações oficiais sobre a confiabilidade do processo eleitoral. As inserções devem ter de dois a três minutos de duração e trazer dados a serem reunidos pela União, também ré no processo.

A severidade das medidas pleiteadas se justifica pela gravidade da conduta da emissora. A Jovem Pan disseminou reiteradamente conteúdos que desacreditaram, sem provas, o processo eleitoral de 2022, atacaram autoridades e instituições da República, incitaram a desobediência a leis e decisões judiciais, defenderam a intervenção das Forças Armadas sobre os Poderes civis constituídos e incentivaram a população a subverter a ordem política e social.

Com as informações falsas e sem fundamento que veiculou de maneira insistente, a Jovem Pan contribuiu para que um enorme número de pessoas duvidasse da idoneidade do processo eleitoral ou tomasse ações diretas como as vistas após o anúncio do resultado da votação, especialmente o bloqueio de estradas em novembro passado e o ataque de vandalismo em Brasília no dia 8 de janeiro. As outorgas de rádio da emissora estão em operação em São Paulo e Brasília, mas a rede conta com mais de cem afiliadas que retransmitem o sinal a centenas de municípios em 19 estados, alcançando milhões de ouvintes.

RONDA POLÍTICA —Moraes autoriza Cid na CPI do DF, assessor de Lira e empresário se reuniram no MEC e mais

Terça, 27 de junho de 2023
Jair Bolsonaro e Mauro Cid - Reprodução/Facebook

O ministro autorizou o depoimento de seis convocados na condição de testemunha

Caroline Oliveira
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 27 de Junho de 2023

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou que Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro (PL), e Jorge Eduardo Naime Barreto, ex-chefe de Operações da Polícia Militar do Distrito Federal, compareçam à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Atos Antidemocráticos, na Câmara Legislativa do DF.

Também foram autorizadas as oitivas de Alan Diego dos Santos e George Washington de Oliveira Sousa, presos pela implantação de uma bomba próximo ao Aeroporto de Brasília, José Acácio Sererê Xavante, preso pelo ato terrorista de 12 de dezembro do ano passado, Cláudio Mendes dos Santos, preso por liderar o acampamento bolsonarista em Brasília, e Flávio Silvestre Alencar, major da PMDF preso por facilitar acesso dos golpistas ao prédio do STF em 8 de janeiro.


Moraes determinou que todos sejam ouvidos na condição de testemunha, garantindo-lhes o direito ao silêncio e de não se autoincriminar, "se instado a responder perguntas cujas respostas possam resultar em seu prejuízo ou em sua incriminação".

"O privilégio contra a autoincriminação em momento algum consagra o direito de recusa de um indivíduo a participar de atos procedimentais, processuais ou previsões legais estabelecidas licitamente. Dessa maneira, desde que com absoluto respeito aos direitos e garantias fundamentais do investigado, os órgãos estatais não podem ser frustrados ou impedidos de exercerem seus poderes investigatórios e persecutórios previstos na legislação", escreveu Moraes em sua decisão.

Assessor de Lira e empresário alvo da PF estiveram juntos em sede do governo

Um dos assessores mais próximos de Arthur Lira (PP-AL), Luciano Cavalcante, e o sócio da empresa Megalic, fornecedora de equipamentos de robótica a prefeituras alagoanas, Edmundo Catunda, estiveram juntos na sede do Fundo Nacional de Desenvolvimento à Educação (FNDE) em 3 de fevereiro de 2021, durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), segundo apuração da Folha de S. Paulo.

GOVERNO BOLSONARO —BNDES vendeu ações da Petrobras por R$ 22 bi e perde R$ 20 bi em dividendos

Terça, 27 de junho de 2023
BNDES admite que poderia ter lucrado mais se não tivesse vendido ações da Petrobras

Banco de Desenvolvimento vendeu participação em petroleira durante governo Bolsonaro

Vinicius Konchinski
Brasil de Fato | Curitiba (PR) | 26 de Junho de 2023 às 18:55

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deixou de receber R$ 20,4 bilhões em dividendos da Petrobras desde que vendeu suas ações da petroleira no início de 2020, durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). O valor é cerca de R$ 90% dos R$ 22,4 bilhões arrecadados pelo banco naquela que foi a maior oferta de ações da década no mercado brasileiro.

O cálculo sobre os dividendos foi feito pelo Observatório Social do Petróleo (OSP). Ele refere-se à participação nos lucros da Petrobras distribuídos no período fiscal que vai de 2019 até o primeiro trimestre de 2023. Os dividendos de 2019 foram pagos em 2020.


"Esse foi mais um péssimo negócio para o Estado", afirmou o economista Eric Gil Dantas, responsável pelo levantamento do OSP. "Com a venda dessas ações, banco deixou de ganhar praticamente o mesmo valor que recebeu na época da operação."

No total, o BNDES vendeu 760 mil ações da Petrobras a R$ 29,53 cada uma.

Após a venda, a Petrobras tornou-se a empresa que mais pagou dividendos no mundo. Isso ocorreu no primeiro trimestre de 2022. Em todo aquele ano, a Petrobras foi a segunda empresa que mais distribui lucros a acionistas.

Arcabouço Fiscal é tema de LIVE que o SITRAEMG promove nesta terça-feira (27/6)

Terça, 26 de junho de 2023
Da Auditoria Cidadã da Dívida

Nesta terça-feira (27/06), às 20h, a coordenadora nacional da ACD, Maria Lucia Fattorelli, participará de live organizada pelo Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário Federal no Estado de Minas Gerais (SITRAEMG). A live pretende debater o impacto do arcabouço fiscal no plano de carreira dos servidores públicos e contará com a mediação dos coordenadores do SITRAEMG, Joana Darc e David Landau.

Assista pelo canal do SITRAEMG no youtube (https://youtu.be/th3zcMCjnYI)


segunda-feira, 26 de junho de 2023

Entreguismo se disfarça pintado de verde

Segunda, 26 de junho de 2023

Para alcançar padrões de desenvolvimento norte americano ou europeu, o Brasil precisa consumir cerca de cinco vezes mais petróleo e gás natural.

Felipe Coutinho*
Na batalha das ideias precisamos combater o entreguismo e suas diferentes faces. Há pouco o entreguismo era justificado com a falácia da Petrobrás quebrada, a falácia da privatização para promoção da competição e redução dos preços, do combate a corrupção, da ineficiência e da falta de recursos da Petrobrás para investimento que traria a pretensa necessidade de capitais estrangeiros.

Agora estamos diante da falácia da transição energética que tenta justificar a não recuperação das refinarias, terminais, distribuidoras, transportadoras, campos de petróleo e outros ativos da Petrobrás que foram vendidos desde 2016. Também com ela se pretende justificar porque não se pretende ampliar o parque de refino da estatal.

Ao lado da falácia da transição energética, se mantém a falácia da necessidade de parcerias, a falácia da restrição de investimento com recursos próprios ou de terceiros, geridos e aplicados pela Petrobrás, segundo projeto e prioridades nacionais.

Esse entreguismo pintado de verde tem adeptos em amplo espectro político, desde os ecossocialistas aos anarcocapitalistas da escola austríaca. O senso comum foi pintado de verde. Essa batalha será mais dura do que a anterior.

Ao mesmo tempo que todas as mídias divulgaram as mencionadas falácias, nenhuma mostra que inexistiu a “Petrobrás quebrada” ou que “o ingresso de empresas estrangeiras não proporcionou competitividade ao setor nem reduziu os preços dos derivados aos consumidores” ou que “não faltaram recursos para investimento, diante dos insustentáveis dividendos pagos”.

Mas não há opção, temos que travar mais essa disputa de ideias se pretendemos promover o desenvolvimento soberano do Brasil e buscar a mais ampla divulgação dos dados reais e objetivos.

Diretrizes para revisão do Planejamento Estratégico da Petrobrás

A atual direção da Petrobrás divulgou “novos direcionadores” para a revisão do Plano Estratégico da estatal.

Os termos “sustentável”, “sustentabilidade” e “transição energética” são recorrentes. Não se encontra menção a “crescimento”, “aumento da produção”. Nada relativo à recuperação da integração vertical e nacional pela recuperação dos ativos recentemente vendidos.

Entre os seis direcionadores estratégicos está “Ênfase na adequação e aprimoramento do parque de refino por meio do ganho de eficiência e conjugação de matérias-primas de matriz renovável no desenvolvimento de processos industriais resilientes e produtos sustentáveis”. Não se pretende ampliar o parque de refino, mas apenas “adequá-lo e aprimorá-lo”, com “ganho de eficiência e matérias primas renováveis”, o que parece contraditório porque a produção de biocombustíveis — Diesel Renovável e BioQAV — é muito mais cara que a produção de seus equivalentes de origem fóssil.

Que ganho de eficiência pode ser obtido com o aumento dos custos de produção com o uso de “matérias primas de matriz renovável”, como óleos vegetais e sebo animal, para produção de biocombustíveis nas refinarias da Petrobrás?

Noutro direcionador se lê “Busca pela transição energética justa, em linha com as empresas congêneres internacionais, prioritariamente por meio de parcerias de excelência técnica e por programas de responsabilidade social que mitiguem as externalidades da atuação da companhia e fomentem cadeias produtivas locais”. Se pretende buscar esta imprecisa “transição energética justa”, enquanto não se trata do aumento da produção de energia barata e confiável que é aquela que pode promover a industrialização e o desenvolvimento nacionais.

Um problema do Brasil é consumir pouca energia

Existe relação entre consumo de energia per capita, crescimento econômico e desenvolvimento humano.

A Figura 1 apresenta o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos países em função do consumo de energia primária per capita, com dados de 2021. [1] [2]


Figura 1: Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) em função do consumo per capita de energia para 2021

Quanto maior o consumo de energia per capita, maior o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos países. O consumo de energia está correlacionado, reforça e é reforçado, pelo desenvolvimento das nações. Não existe país com alto desenvolvimento humano e baixo consumo relativo de energia.

A Figura 2 apresenta o consumo per capita histórico para os países selecionados.


Figura 2: Histórico do consumo de energia por pessoa por país

Entre 2001 e 2021, a China elevou seu consumo de energia per capita de 9,8 para 30,7 kWh, elevação superior a três vezes. Enquanto seu IDH subiu de 0,55 para 0,77.

No mesmo intervalo, a Índia dobrou seu consumo de 3,5 para 7,0 kWh por pessoa. Seu IDH se elevou de 0,50 para 0,63.

Os EUA, Reino Unido e outros países desenvolvidos tiveram redução nos seus consumos per capita de energia e encontraram dificuldade em incrementar seus IDHs. Entre 2001 e 2021, o IDH dos EUA foram de 0,89 para 0,92.

Comparando-se com a China e a Índia, o Brasil teve um desempenho medíocre no período, seu consumo de energia variou de 12,6 para 16,3 kWh por pessoa. Enquanto o IDH se elevou de 0,69 para 0,75.

Consumos por fontes de energias primárias

A matriz energética mundial depende dos fósseis que representam 83,7% do total (Petróleo 31,48%, Carvão 27,36% e Gás Natural 24,84%). A energia nuclear representa 4,3% e as potencialmente renováveis 12,0% (Hidroelétrica 6,88%, Eólica e Solar 4,66%, outras 0,47%). [3]

A Figura 3 apresenta a origem das fontes primárias de energia para o mundo e os países selecionados em 2021.

Figura 3: Fontes primárias de energia por país para 2021

O Brasil tem a maior participação relativa das energias potencialmente renováveis entre os principais países do mundo, com 39,72% (Hidroelétrica 30,48%, Eólica e Solar 7,48%, outras 1,76%). Os fósseis representam 59,09% (Petróleo 39,75%, Carvão 6,35% e Gás Natural 12,99%) e a energia nuclear 1,19%.

Enquanto o Brasil tem 39,72% da sua matriz energética com fontes potencialmente renováveis, o mundo tem apenas 12,0%, os EUA têm 8,65% e a África do Sul com apenas 3,35%.

Fontes primárias potencialmente renováveis

Há diversos aspectos que limitam as energias potencialmente renováveis em cumprir papel histórico equivalente ao das energias de origem fóssil, em relação ao desenvolvimento econômico e social.

Os seus custos de produção são relativamente mais altos, considerando os custos externalizados pelos seus produtores, como o custo de distribuição, o custo do complemento de suprimento de energia confiável para compensar a intermitência, além das subvenções diretas e indiretas tais como os impostos relativamente mais baixos, os créditos de carbono, vantagem de acesso prioritário à rede de distribuição e os subsídios de capital.

A intermitência na produção é típica das energias eólica e solar fotovoltaica. Os parques eólicos precisam de capacidade instalada maior, caso se pretenda garantir a demanda nos períodos de menor incidência dos ventos. Tanto eólica quanto a solar fotovoltaica precisam de complemento de fontes confiáveis, tais como as fósseis, nuclear ou a hidroelétrica, para garantir o suprimento mesmo com sua intermitência.

A energia elétrica não serve para os mesmos fins que os combustíveis líquidos e o carvão. Os combustíveis líquidos de origem fóssil são fundamentais para o transporte de mercadorias e pessoas, navegação e aviação. As atividades industriais de mineração e siderurgia dependem das energias fósseis.

Não se produz painéis fotovoltaicos, baterias e turbinas eólicas a partir da energia elétrica. Mineração de metais raros, siderurgia e fusão de metais para produção de ligas dependem de energias muito concentradas e de altas temperaturas, ou seja, precisam de fontes primárias de energia com elevada qualidade.

Também a manutenção da rede de distribuição de energia elétrica, com a substituição de cabos de transmissão constituídos por elementos metálicos, depende das energias fósseis.

Existe diferença entre quantidade e qualidade das energias primárias. Por exemplo, as energias solar, eólica, das ondas e marés têm densidades energéticas muito baixas, relativamente baixa capacidade de realização de trabalho, elevado custo para suas obtenções, reduzidas facilidades, flexibilidades e confiabilidades aos seus usos, além de que limitadas temperaturas podem ser atingidas a partir de suas aplicações.

Conclusão

A transição energética e a sustentabilidade não podem ser instrumentalizadas pela atual direção da Petrobrás com argumentos falaciosos para justificar o entreguismo, com a não recuperação das refinarias, terminais, distribuidoras, transportadoras, campos de petróleo e outros ativos da Petrobrás que foram privatizados desde 2016. Também não podem ser usados como justificativas para não se ampliar o parque de refino da estatal.

Para se desenvolver econômica e socialmente o Brasil precisa consumir muito mais energia. As energias potencialmente renováveis são mais caras de serem produzidas, menos confiáveis e dependem das fósseis para serem produzidas e mantidas. O Brasil já tem a matriz energética com maior participação relativa das renováveis entre os principais países do mundo e, para se desenvolver, precisa consumir muito mais energia confiável e relativamente mais barata, como o petróleo e o gás natural. Para alcançar padrões de desenvolvimento norte americano ou europeu, o Brasil precisa consumir cerca de cinco vezes mais petróleo e gás natural.

A direção da Petrobrás precisa revisar o planejamento estratégico da companhia com o objetivo de aumentar a exploração, produção, refino, distribuição, transporte e comercialização do petróleo e dos seus derivados. O plano deve contemplar a agregação de valor ao petróleo, com sua conversão a petroquímicos e químicos no país, com a redução significativa da exportação do petróleo cru. O plano deve contemplar a pesquisa, o desenvolvimento e o investimento em energias potencialmente renováveis, a serem produzidas aos menores custos possíveis, atuando integralmente verticalizada com a produção das suas matérias primas.

*Felipe Coutinho é engenheiro químico e vice-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás


Referências

[1] Our World in Data, “Explore data on Energy”.
[2] Our World in Data, “The Human Development Index around the world”.
[3] Our World in Data, “Which sources does our global energy come from? How much is low-carbon?”.

MPF apresenta ao CNJ sugestões de classificação em processos judiciais envolvendo jornalistas

Segunda, 26 de junho de 2023

Foto: Fabio Rodrigues Pozzebon/Agência Brasil

Alterações podem facilitar identificação e monitoramento de casos de assédio judicial

Do MPF
O Ministério Público Federal (MPF) encaminhou ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sugestões de alterações de assuntos nas Tabelas Processuais Unificadas, com a intenção de facilitar a identificação de episódios de assédio judicial contra jornalistas e comunicadores. Atualmente, as ações judiciais que têm como objeto conteúdo jornalístico não possuem especificações próprias, o que dificulta a pesquisa e monitoramento nos sistemas judiciais. O ofício com a proposta foi encaminhado na última sexta-feira (23).

A proposição de mudança foi debatida pelo Fórum de Monitoramento das Violações à Liberdade de Imprensa e Assédio Judicial contra Jornalistas, com base nas sugestões das entidades Tornavoz e Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), participantes do fórum. Sem padronização, os processos judiciais que tratam do tema ficam misturados a outros tipos de conflitos que não possuem relação com a atividade de imprensa. Há dificuldade, por exemplo, em extrair dados nos sistemas judiciais sobre processos com pedidos de remoção de conteúdo ou proibição de exibição de matérias.

Live 26/6 (nesta segunda-feira): “Banco Central não reduz juro: a ilegitimidade da dívida está escancarada. Participe!!!

Segunda, 26 de junho de 2023

Da Auditoria Cidadã da Dívida (ACD)

Nesta semana, o Banco Central manteve a Taxa Selic em 13,75% ao ano, e assim o Brasil permanece com uma taxa de juros real elevadíssima, de 9,44% ao ano, enquanto a Europa pratica 2% NEGATIVOS, Japão pratica 3,5% NEGATIVOS, e Estados Unidos 1,2%. O velho argumento do Banco Central de “combate à inflação” cada vez mais se mostra como um completo engodo: o IPCA acumulado nos últimos 12 meses terminados em maio de 2023 foi de 3,94%, valor este que se encontra totalmente dentro da meta de inflação para 2023 (1,75% a 4,75%). E mesmo quando a inflação estava alta nos anos anteriores, ela não decorria de excesso de demanda, mas de preços administrados pelo próprio governo (combustíveis, energia, etc.) e preços de alimentos (devido à priorização da agricultura de exportação), que não caem com a alta de juros.

Portanto, nunca esteve tão clara e cristalina uma das principais ilegitimidades da dívida pública na atualidade: a definição da taxa de juros, que faz a dívida se multiplicar por ela mesma, sem financiar investimento social nenhum. Segunda feira, às 19h, o economista da ACD Rodrigo Avila debaterá este tema com os(as) amigos(as) da ACD nos nossos canais no Facebook (https://www.facebook.com/auditoriacidada.pagina) e YouTube (https://www.youtube.com/AuditoriaCidadadaDivida).

PARTICIPE E ENVIE TAMBÉM SUA PERGUNTA !!!

https://auditoriacidada.org.br/live-26-6-banco-central-nao-reduz-juro-a-ilegitimidade-da-divida-esta-escancarada/

OUTRAS NOTÍCIAS

domingo, 25 de junho de 2023

Teto da dívida pública US: o repúdio das dívidas pelo presidente Franklin Roosevelt votado ao silêncio

Domingo, 25 de junho de 2023

Quando o presidente Joe Biden diz que os EUA nunca denunciaram nenhuma obrigação de dívida, é uma mentira para convencer de que não há alternativa a um acordo bipartidário ruim


Teto da dívida pública US: o repúdio das dívidas pelo presidente Franklin Roosevelt votado ao silêncio

28 de Maio por Eric Toussaint

 printer text


Desempregados fazem fila à porta de uma cozinha popular aberta em Chicago por Al Capone durante a depressão, 1931- Unemployed men queued outside a depression soup kitchen opened in Chicago by Al Capone, 1931, Wikimedia Commons, https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Unemployed_men_queued_outside_a_depression_soup_kitchen_opened_in_Chicago_by_Al_Capone,_02-1931_-_NARA_-_541927.jpg

Quem aprendeu na escola que nos anos 1930 o governo americano simplesmente cancelou uma provisão central de contratos de dívida envolvendo uma quantidade fenomenal de dinheiro? Em que livro de história isso é analisado? A narrativa histórica é moldada pelo pensamento dominante de que governos como o dos EUA devem respeitar a sacralidade dos contratos, especialmente em matéria de dívida e propriedade. Isto está longe de ser o caso. O repúdio da cláusula de ouro nos contratos de dívida em nome da ordem pública, do interesse geral e da necessidade é um episódio importante na história «contemporânea». Um episódio que tem sido negligenciado, inclusive nos Estados Unidos. O repúdio unilateral de todos ou parte dos contratos de dívida, como vários governos têm feito nos últimos dois séculos, é altamente atual à medida que mais e mais países se aproximam de mais uma grande crise de dívida.



A 19 de abril de 1933, seis semanas após o início do seu mandato presidencial, o democrata Franklin Roosevelt anunciou que os EUA não mais reembolsariam suas dívidas em ouro

A 19 de abril de 1933, seis semanas após o início do seu mandato presidencial, o democrata Franklin Roosevelt anunciou que os EUA não mais reembolsariam suas dívidas em ouro, contentando-se em reembolsá-las em papel-moeda, em dólares na forma de notas bancárias. Essa decisão tem enorme importância, uma vez que vários contratos de empréstimo estipulavam que os credores podiam exigir o reembolso da dívida ou em ouro, ou em dólares calculados à taxa de 20 dólares por onça de ouro.

Os contratos de empréstimo que continham tal disposição (ou seja, uma cláusula de ouro) representavam uma soma colossal para a época: 120 mil milhões de dólares, dos quais 20 mil milhões de dívidas contraídas pelos poderes públicos e 100 mil milhões de dívidas contraídas pelo sector privado. Essa soma era largamente superior à riqueza mercantil produzida em um ano nos EUA (segundo Sebastian Edwards os contratos de dívida com uma cláusula em ouro representavam à época 180 % do PIB dos EUA [1]). Além da abolição da restituição em ouro, o governo proibiu a posse de ouro acima de um valor de US$ 100 e ordenou que todas as empresas e indivíduos residentes nos Estados Unidos vendessem seu ouro para o Federal Reserve. Em troca do ouro, o governo lhes dá notas bancárias.

Por U.S. Government Printing Office — http://www.goldline.com/images/conf-order.pdf, domínio público, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=11370129

























A decisão do presidente Roosevelt ganhou a aprovação do Congresso dos EUA, que em junho de 1933 aprovou por lei o abandono da cláusula de ouro nos instrumentos de dívida. A minoria de congressistas de seu partido e do partido republicano que se opôs a esta decisão disse alto e bom som que se tratava simplesmente de um repúdio a dívidas e contratos. Lewis Douglas, o diretor de orçamento, um dos conselheiros e assessores mais próximos do presidente Roosevelt, tentou se opor à decisão e disse numa reunião do gabinete de crise de Roosevelt que isso significava «o fim da civilização ocidental» (Edwards, p. 58). Sebastian Edwards, um economista neoliberal, que publicou um livro em 2018 inteiramente dedicado a esta decisão da administração Roosevelt, intitula o capítulo 6 de seu livro «A Transfer of Wealth to the Indebted Class», o que tem um significado muito claro (Edwards, p. 57).

 A minoria de congressistas de seu partido e do partido republicano que se opôs a esta decisão disse alto e bom som que se tratava simplesmente de um repúdio a dívidas e contratos

Após o cancelamento da cláusula do ouro em todos os contratos de dívida, o presidente dos EUA anunciou uma desvalorização de 69 % do dólar em relação ao ouro (uma onça de ouro valeria agora 35 dólares [2], enquanto anteriormente valia 20,67 dólares). Isto significa que os EUA e os mutuários privados que «emitiram» ou assinaram títulos de dívida com uma cláusula de ouro não pagariam suas dívidas em ouro, passando a pagá-las em papel-moeda fortemente desvalorizado.

Em fevereiro de 1935 o Tribunal Supremo pronunciou-se, a pedido do governo, sobre a constitucionalidade da decisão de anular a cláusula então tomada pelo Congresso e pelo presidente.

Perante o Tribunal Supremo, um elemento fundamental da argumentação jurídica do governo era que, em 1933, o Congresso estava confrontado com a imperiosa «necessidade de agir» para acabar com a Depressão. Esta «ação» necessária, que incluía a desvalorização do dólar em relação ao ouro, só podia ser efetiva se a cláusula do ouro fosse eliminada dos contratos passados e futuros. Se as cláusulas relativas o ouro fossem mantidas, isso significava, segundo o governo, a falência à escala nacional. Por isso, ainda segundo o governo, o Congresso, confrontado com uma recessão profunda, o descalabro bancário e o pânico monetário, aprovou a resolução conjunta, anulando todas essas cláusulas. Segundo o governo, tratava-se de salvar o país.

Por seu turno, os juristas antagônicos à anulação da cláusula do ouro afirmavam que esta era equivalente a uma expropriação sem indemnização (Edwards p. 152).

Perante estas duas posições, os juristas favoráveis à anulação da cláusula do ouro afirmaram que os detentores dos títulos de dívida tinham de assumir os riscos que tinham tomado ao comprarem os títulos (Edwards, p. 151). Os advogados da administração Roosevelt argumentaram que a cláusula em questão era «contrária à ordem pública», termo legal que implica que certas ações, regulamentos ou contratos provocam prejuízo ao público e aos cidadãos em geral. Segundo o governo, a cláusula do ouro era «incompatível com o nosso atual sistema monetário» [3] (Edwards, p. 140).

Finalmente, com 8 votos a favor e um contra, o Supremo Tribunal declarou que a anulação da cláusula do ouro era contrária à Constituição! Mas por 5 votos contra 4, considerou que isso não implicava prejuízo. Em consequência, o repúdio da cláusula do ouro, com efeitos retroativos a todos os títulos da dívida, foi confirmado.

Por que é urgente descriminalizar o BNDES

Domingo, 25 de junho de 2023
Obra financiada pelo BNDES en Angola. Foto: BBC Brasil

Por que é urgente descriminalizar o BNDES

Empréstimos do banco a países do Sul Global foram criminalizados pela Lava Jato, mídia e políticos conservadores. Mas são essenciais para a diplomacia, comércio exterior e até a reconstrução da indústria nacional, por meio das exportações

OUTRASPALAVRAS

Por Dante Apolinario, Gabriel Horacio de Jesus Soprijo, Lívia Romano F. da Cruz, Lucas Santiago Portari, Luciana Henrique e Mariana Barboza Cerino, no Observatório da Política Externa e Inserção Internacional do Brasil (OPEB)
Introdução

Ao retornarmos ao processo da Operação Lava-Jato, o BNDES foi uma das instituições duramente acusadas de financiar projetos, fora do país, de companhias envolvidas em denúncias de corrupção. Em virtude disso, foi instaurada a CPI do BNDES em 2015, para investigar a participação do Banco em possíveis esquemas. Dada à luz dos fatos, como consta no próprio site da instituição, as acusações acabaram por revelar-se infundadas. Mas isso não impediu que um certo panorama de incerteza, em relação ao Banco em questão, se construísse.

Já no início do ano de 2023, Lula afirmou, no discurso de posse do novo presidente do BNDES, que o motivo da escolha pelo nome de Aloizio Mercadante era porque o país necessitava de alguém que pensasse em “desenvolvimento” e em “reindustrializar” o país. As oportunidades com uma possível exportação de bens e serviços produzidos no Brasil é a de que aumente a competitividade das empresas brasileiras, entradas de divisas e geração de empregos. Dessa forma, poderia ocorrer uma expansão do mercado brasileiro e o desenvolvimento de novas tecnologias.

Por um lado, alguns dos riscos de tal empreitada, como apontado por Nelson Marconi, da FGV, estão no fato de que esse investimento poderia ser destinado para o próprio país, não para fora. Por outro, o posicionamento de Mercadante no que tange a projeção brasileira não poderia ter sido mais claro. Em entrevista recente no programa Roda Viva, Mercadante enfatizou o lançamento de linhas de crédito para exportação. Isso porque, se não ocorresse uma ajuda por parte do Banco de Desenvolvimento, a indústria brasileira correria sério risco de colapso: “Nós somos 2% da economia mundial. Se as empresas brasileiras não exportarem, e disputarem o mercado internacional, elas não terão futuro, nem eficiência e competitividade. Temos que aumentar a produtividade para disputar, e o BNDES tem que ajudar financiando a exportação de empresas brasileiras.”

O posicionamento reflete o esforço necessário para “limpar a imagem”: segundo o atual presidente da República, o banco foi vítima de um intenso processo difamatório durante os quatro últimos anos. Cabe, portanto, uma análise mais precisa do histórico de atuação do BNDES.

Atuação BNDES

Ao analisarmos os dados fornecidos pelo próprio BNDES, — em seu Livro Verde — observamos que a mesma instituição foi estratégica no combate aos efeitos da Crise de 2008. Anteriormente a ela, entre 2001 e 2007, há um período de estabilidade, os estoques de crédito do BNDES em relação ao PIB giram em torno de uma taxa média de 5,7%. Já entre 2008 e 2010, a taxa sobe para 8,1%, e se mantém em ritmo de crescimento entre 2011 e 2014, chegando a uma nova média de 10,2%. Após 2014, há uma reversão e um processo de queda aos níveis pré-crise. Outros dados interessantes de serem observados, que também confirmam a tendência de queda do gráfico, é a participação do saldo das operações de financiamento do BNDES como proporção da carteira total de crédito da economia ao longo de pouco mais de duas décadas, desde meados de 2000 até 2021:

Uma das ações notáveis de atuação do BNDES, ocorreu ainda durante o primeiro governo Lula, em 2003, com a assim chamada Política Industrial, Tecnológica e de Comércio Exterior, que objetivava o aumento da eficiência econômica e o desenvolvimento de tecnologias com maior potencial de competição no comércio internacional por meio do financiamento do BNDES. Em 2007, os setores tiveram um ganho ainda mais expressivo de participação relativa nas liberações do BNDES, quando as políticas econômicas do governo estavam se adaptando para uma fase anticíclica, e criou-se o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que visava incentivar o investimento privado e aumentar o investimento público em infraestrutura. De qualquer modo, em 2011, é substituído pelo Plano Brasil Maior (PBM), com objetivos ligados a investimento, inovação, pequenas empresas e exportação, servindo de base para o futuro e o Plano Nacional de Exportações (2015 até 2018).

Além disso, desde 1991, o BNDES apoiou mais de US$ 96 bilhões em exportações para 45 países, gerando retorno líquido de US$ 4,2 bilhões ao Banco, que representou em média 9,8% do total dos desembolsos entre 2007 e 2017. Os desembolsos representam cerca de 48% do total do orçamento dos projetos e seus financiamentos movimentaram uma rede de 4.044 fornecedores no Brasil, sendo 2.785 micro, pequenas e médias empresas, quais permanecem mais tempo no mercado, demonstrando a efetividade da atuação do BNDES.

Em seu papel, o BNDES financia projetos no exterior que tenham exportações brasileiras de bens e serviços destinados a suas obras. Tem-se, por exemplo, o projeto Cuba, que apresentou benefícios como acesso a um mercado restrito, além de trazer a atuação de aproximadamente 400 empresas brasileiras. As exportações se diferenciam de investimentos no exterior; com os governos estrangeiros / empresas importadoras sendo os responsáveis pelo pagamento das exportações brasileiras, a entrada de divisas subsequentemente viabiliza melhores investimentos no setor produtivo nacional.

Casos mais antigos, como o metrô de Caracas, geram dúvidas na população brasileira, porém, retrata um caso de internacionalização – segundo Eduardo Suplicy, senador de São Paulo na época, “trata-se de um financiamento de US$ 194 milhões para uma construtura brasileira realizar exportações de serviços de engenharia, além de máquinas e equipamentos produzidos no Brasil”, em auxílio à obras que ocorrem no exterior.

Experiência Internacional

No cenário internacional, as grandes economias aproveitam as oportunidades de financiamentos a outros países como meio de estímulo de sua própria dinâmica interna. Ou seja, as operações internacionais do BNDES durante os governos Lula e Dilma seguiram uma prática bem comum no mundo. Seguem três exemplos, do Exim Bank dos EUA, do Banco de Desenvolvimento da China e o UK Export Finance.

sábado, 24 de junho de 2023

Primeiro satélite brasileiro lançado em 1993 ultrapassa tempo de vida e bate recorde da Nasa

Sábado, 24 de junho de 2023
Imagem Ilustrativa - Sputnik Brasil, 1920, 24.06.2023
Nos siga noTelegram
Da Site Sputnik Brasil
Projetado para durar apenas um ano, primeiro satélite produzido no Brasil bate recorde não só da agência espacial norte-americana como da japonesa Jaxa.
Em 1993, o primeiro satélite desenvolvido, construído e operado no Brasil, o SCD-1 (Satélite de Coleta de Dados 1), foi lançado ao espaço durante o governo de Itamar Franco.
No sábado passado (17), após 30 anos, quatro meses e quatro dias, o satélite bateu o recorde e se tornou o equipamento enviado ao espaço para observação da Terra há mais tempo em operação na órbita do planeta, segundo o UOL.
De acordo com a mídia, o SCD-1 superou duas barreiras para conseguir o feito: deixou para trás a Nasa e japonesa Jaxa, que projetaram o satélite Geotail, lançado em 24 de julho de 1992 e desativado em 28 de novembro de 2022, o qual era o recordista anterior.
Com cerca de 115 kg, o SCD-1 tem formato de um prisma octogonal, com 1 m de largura e 1,45 m de altura. Seus oito lados e a parte de cima são cobertos por células solares. Posicionado a 750 km de altitude, ele viaja a 27 mil km por hora, o que o faz levar 1 hora e 40 minutos para dar uma volta completa na Terra. Assim, passa 16 vezes por dia sobre o território brasileiro para cumprir seu trabalho.
Com todas as características, o satélite também ultrapassou a própria expectativa de vida em mais de 30 vezes, visto que foi projetado para durar apenas um ano.
"O lançamento e consequente sucesso do SCD-1 representou uma grande conquista para o Inpe e para o Brasil, cujo objetivo era a autonomia de acesso ao espaço e o desenvolvimento de satélites em território nacional. Este recorde realça a robustez do projeto e a elevada qualidade da fabricação, da integração e dos testes realizados", disse Sebastião Varotto do Inpe, Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, responsável pelo projeto.
Varotto classifica o satélite como "um tributo à competência da engenharia espacial brasileira". Ainda segundo a mídia, o SCD-1 já percorreu mais de 7 bilhões de quilômetros ao girar em torno do planeta. Daria quase para ir a Marte e voltar duas vezes.
O satélite continua a coletar do espaço dados ambientais e meteorológicos de estações de monitoramento espalhadas pelo território brasileiro e os transmite a centros de processamento, em Cuiabá (MT) e em Natal (RN).
Atualmente, suas informações são acessadas por 80 empresas e instituições, entre elas Marinha do Brasil, Aneel, Eletronorte, Embraer, Embrapa e Sabesp, entre várias outras.