“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 10 de agosto de 2025

Conselho da Petrobras aprova volta da distribuição de gás de cozinha

Domingo, 10 de agosto de 2025

No governo anterior, empresa abriu mão do negócio

© REUTERS/Caetano Barreira/Proibida reprodução
Bruno de Freitas Moura - Repórter da Agência Brasil
Publicado originalmente em 08/08/2025

A Petrobras informou, na noite desta quinta-feira (7), que o conselho de administração da estatal aprovou a volta ao negócio de distribuição de gás liquefeito de petróleo (GLP), popularmente chamado de gás de cozinha ou botijão. 

A empresa tinha aberto mão do setor durante o governo de Jair Bolsonaro (2019-2022). Em 2020, a companhia vendeu a empresa Liquigás para dois grupos privados: Copagaz - Distribuidora de Gás S.A. e a Nacional Gás Butano Distribuidora.

No comunicado desta quinta-feira, a empresa não detalha como seria à volta ao mercado de distribuição de gás, por exemplo, se seria na venda direta de botijão para consumidores residenciais.

A decisão estratégica acontece em um cenário em que o governo, principal acionista e controlador da estatal, tem manifestado preocupação com o preço do botijão de gás.

terça-feira, 27 de junho de 2023

GOVERNO BOLSONARO —BNDES vendeu ações da Petrobras por R$ 22 bi e perde R$ 20 bi em dividendos

Terça, 27 de junho de 2023
BNDES admite que poderia ter lucrado mais se não tivesse vendido ações da Petrobras

Banco de Desenvolvimento vendeu participação em petroleira durante governo Bolsonaro

Vinicius Konchinski
Brasil de Fato | Curitiba (PR) | 26 de Junho de 2023 às 18:55

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) deixou de receber R$ 20,4 bilhões em dividendos da Petrobras desde que vendeu suas ações da petroleira no início de 2020, durante o governo do presidente Jair Bolsonaro (PL). O valor é cerca de R$ 90% dos R$ 22,4 bilhões arrecadados pelo banco naquela que foi a maior oferta de ações da década no mercado brasileiro.

O cálculo sobre os dividendos foi feito pelo Observatório Social do Petróleo (OSP). Ele refere-se à participação nos lucros da Petrobras distribuídos no período fiscal que vai de 2019 até o primeiro trimestre de 2023. Os dividendos de 2019 foram pagos em 2020.


"Esse foi mais um péssimo negócio para o Estado", afirmou o economista Eric Gil Dantas, responsável pelo levantamento do OSP. "Com a venda dessas ações, banco deixou de ganhar praticamente o mesmo valor que recebeu na época da operação."

No total, o BNDES vendeu 760 mil ações da Petrobras a R$ 29,53 cada uma.

Após a venda, a Petrobras tornou-se a empresa que mais pagou dividendos no mundo. Isso ocorreu no primeiro trimestre de 2022. Em todo aquele ano, a Petrobras foi a segunda empresa que mais distribui lucros a acionistas.

domingo, 25 de setembro de 2022

Diretor da ABI Ivan Proença lerá nesta segunda (26/9) Manifesto em Defesa da Petrobrás

Domingo, 25 de setembro de 2022
                                              Foto: blog do autor

AEPET, com informações de 
Lu Lacerda*

Herói da luta em defesa da democracia, Proença impediu massacre em Centro Acadêmico

Ivan Proença, diretor da ABI, será um dos palestrantes do encontro que lançará oficialmente nesta segunda-feira (26), às 21h, o manifesto O PETRÓLEO VOLTARÁ A SER NOSSO E O BRASIL VOLTARÁ A CRESCER. Devido ao seu histórico de coerência e luta, a ele foi designada a tarefa de ler o documento. Proença participou em abril de 1964 da defesa do CACO, Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, da Faculdade Nacional de Direito, de grande presença política no apoio a Jango, Brizola, ao trabalhismo e nacionalismo. Os lacerdistas armados, como os bolsoraristas de hoje, foram assassinar os membros do CACO, alunos da FND. Militar, estava de serviço no Ministério da Guerra, que, como a FND, ficava no entorno do Campo de Santana. Ivan Proença levou soldados e impediu o massacre dos lacerdistas. Foi cassado, afastado do Exército e anistiado em 1979. Tem mais de 90 anos.

Segunda-feira estarão ao lado de Proença o vice-presidente da AEPET, Felipe Coutinho, o jornalista Beto Almeida; o professor de Direito Econômico da USP, Gilberto Bercovici; Ivan Proença, diretor da ABI; e o geólogo Guilherme Estrella, ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobrás. O evento será apresentado pelo jornalista Paulo Miranda.

Clique aqui para ler o manifesto O PETRÓLEO VOLTARÁ A SER NOSSO E O BRASIL VOLTARÁ A CRESCER

De Próprio Punho, por Ivan Proença: "Cassado como militar e cassado como professor, foi assim que resolvi criar a OLIP" (oficina literária mais antiga do Brasil, fazendo 50 anos)

Eu era oficial (capitão) do Regimento de Guarda Presidencial em 1964. No 1º de abril, dia do Golpe, não aderi. A seguir, fui preso, isolado, cassado e perseguido por 20 anos. Na minha nova carreira, professor, também fui cassado: eu e minha mulher, a professora Isis Maria Balter Proença, cassados e proibidos de prestar concurso público. Minhas novas tentativas, no jornalismo, junto à ABI inclusive, foram vigiadas e constam das fichas dos órgãos de repressão: atividades no âmbito da ABI, anos 70 e 80.

Cassado como militar e cassado como professor, foi assim que resolvi criar a Oficina de Ficção e Poesia, daria minhas aulas aqui e ali, inclusive, até em igreja, seria difícil "descobrirem" e intervir. Um salário insignificante, 6 a 7 escritores, mas ajudaria.

Os primeiros anos de Oficina foram dificílimos, como foi difícil atravessar o período obscurantista da Ditadura, trazendo à luz fatos enterrados por interesses escusos. Mas veio a Anistia: embora restrita, ajudou sob certos aspectos. Exemplo: embora sob intervalada vigilância, já não precisava apresentar-me no DOPS de três em três meses, para declarar sobre minhas atividades.

Reconstituí minha vida através do Mestrado e Doutorado, após fundar a Oficina. E repito aos escritores: oficina não faz escritor, apenas encurta os caminhos para a boa literatura. Hoje, minha oficina é tida como a mais antiga em funcionamento ininterrupto por 50 anos no País. Discreta, sem espírito mercadológico ou marqueteiro, a Oficina não possui vagas em seu sempre limitadíssimo número de ficcionistas e poetas.

Sou autor de 14 livros de Literatura e Cultura Brasileira, Prêmio Especial Esso de Literatura, cinco dos livros agora sendo reeditados, a exemplo do Ideologia do Cordel (sou especialista, membro da Academia de Cordel, maior coleção do Sudeste), e, a exemplo dos livros do Golpe e do Futebol e Palavra.

Neste 2022, comemoram-se (evento dia 6 de abril) os 50 anos da OLIP, Oficina Literária Ivan Proença, a mais antiga do País, que abrigou, e abriga, alguns de nossos mais importantes escritores, pela boa e relevante escrita.

No Governo Brizola, fui Diretor de Cultura do Estado, do MIS e de Projetos Especiais. Hoje, sou militante e ativíssimo, lecionando e acompanhando o GTNM (Grupo Tortura Nunca Mais), atuando no Conselho da ABI, repudiei o rótulo com que o novato na ABI, vice-presidente, contemplou-me e a outros veteranos companheiros (velhos acomodados), na ânsia de promover outras intrusas "renovadoras".

Pouco antes da 1ª Anistia, afinal, convite para lecionar em uma faculdade, a FACHA, onde trabalharia tranquilo, sabendo que não seria demitido após visita dos repressores. O diretor, professor Hélio Alonso, tinha bom trânsito com militares (cursara a Escola Superior de Guerra) e se interessava por ter bons professores, mesmo sabendo-os contrários à Ditadura: eu e mais três, tornando-nos, até, com o tempo, amigos do diretor.

Hoje, durante e depois da pandemia, estamos ministrando as aulas por skype. Recebo por e-mail os textos, "trabalhos de casa" dos escritores, corrijo, comento em aula e devolvo, fotografando cada um por WhatsApp ou e-mail. Novos tempos.

Ivan Cavalcanti Proença é coronel do Exército. Um Exército que lutou (com a ABI) por "o Petróleo é nosso", por um Brasil mais igual, por um nacionalismo fraterno e por um patriotismo nunca ufanista. É Mestre e Doutor em Literatura (UERJ e UFRJ) e palestrante em quase todos os estados do Brasil, além de 40 anos lecionando também na FACHA. É membro e diretor da Academia Carioca de Letras.

Fonte: Lu Lacerda

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

Petrobrás para os brasileiros: um dossiê para a verdade

Quinta, 8 de setembro de 2022

Da AEPET
Publicado em 08/09/2022O

Observatório Social do Petróleo e a FNP acabam de lançar uma publicação que mostra a importância da Petrobrás para a conquista da Soberania Nacional e desmente os argumentos daqueles que lutam para diminuir ou mesmo afastar a empresa de seu papel histórico.

Tendo Eric Gil Dantas como pesquisador responsável, “Dossiê Petrobrás para os brasileiros” está dividido em dois capítulos: “Por uma Petrobrás para os brasileiros”; “A privatização da Petrobrás: fatiando e entregando a maior empresa do Brasil”.

A intenção da publicação é mostrar o que vem ocorrendo com a Petrobrás e o porquê de isto ser ruim para a economia de verdade, aquela que sustenta o dia a dia de duas centenas de milhões de brasileiros. Privatizações, encolhimento de sua atuação, saída de regiões como Norte/Nordeste, demissões, queda drástica dos investimentos e criação de monopólios privados no setor são algumas das piores consequências da atual política para a Petrobrás, para além dos preços recordes dos combustíveis.

Clique aqui para ler a publicação em PDF

domingo, 3 de julho de 2022

Em defesa da Embrapa

Domingo, 3 de julho de 2022
Governo Bolsonaro coloca em risco anos e anos de estudos, pesquisas e desenvolvimento tecnológico - Arquivo MST

Nenhuma nação se ergueu soberana e como civilização até hoje, nem na história antiga, nem na história recente, sem soberania alimentar, genética, energética e científica

Artigo | Em defesa da Embrapa

"Nos postemos de pé, por uma Embrapa pública, patrimônio do povo brasileiro e voltada às reais necessidades do povo"

Frei Sérgio Antônio Görgen*

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS) | 02 de Julho de 2022

O povo brasileiro precisa da Embrapa. O Brasil, para ser uma nação justa, soberana e seu povo bem alimentado, necessita da Embrapa — de uma Embrapa forte, pública, dinâmica, abrangente, plural, democrática, focada na transição ecológica que a vida humana e do planeta exigem, na agricultura familiar e camponesa, na produção de alimentos saudáveis e na soberania alimentar e genética.

Nenhuma nação se ergueu soberana e como civilização até hoje, nem na história antiga, nem na história recente, sem soberania alimentar, genética, energética e científica.

A Embrapa é um pilar essencial na construção de uma Nação Soberana e uma civilização justa e fraterna —projeto pelo qual lutamos. Sem ciências – sempre no plural e sempre plural, autônoma e soberana, sem deixar de ser dialógica e respeitadora – nossos sonhos civilizatórios se esboroam na dependência que nos escraviza a projeto de outros, que nos sugam e exploram.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Venda da RLAM: ato subserviente e contra o Brasil

Segunda, 6 de dezembro de 2021

Divulgação/Petrobrás

Venda da RLAM: ato subserviente e contra o Brasil
06 Dezembro

Venda da RLAM constitui um ato de subserviência explícita do CADE

- Conselho Administrativo de Defesa Econômica, autarquia federal vinculada ao Ministério da Justiça, e do Tribunal de Contas da União (TCU) aos interesses privados alienígenas. 

A Administração da Petrobrás anunciou, no final de novembro, que concluiu a venda da Refinaria Landulpho Alves Mataripe (RLAM) e dos ativos logísticos associados para ACELEN. Esta é uma empresa criada pelo Mubadala Capital, gestora de ativos da Mubadala Investment Company, estatal financeira de Abu Dhabi, emirado árabe. A ACELEN assumirá a gestão da RLAM, que passa a ser denominada simplesmente Refinaria de Mataripe. Pode parecer uma simples questão de nome, mas apaga a história de um ex-governador da Bahia que lutou para a construção desta primeira refinaria no Brasil, o também senador e relator da lei que criou a Petrobrás, em 1953, Landulfo Alves (1893-1954).

A Administração da Petrobrás alega que a decisão é parte do compromisso firmado com o CADE para a abertura do mercado de refino.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2021

A segunda morte de Landulpho Alves

Quinta, 2 de dezembro de 2021

150px-Landulfo Alves



A segunda morte de Landulpho Alves

AEPET —02 Dezembro









Ex-senador foi um dos mais ferrenhos defensores da Lei que criou a Petrobrás



Neste dia 30 de novembro de 2021, a atual gestão da Petrobrás assinou o segundo atestado de óbito de Landulpho Alves de Almeida (1883/1954). Político baiano, formado em Engenharia Agronômica, correligionário de Getúlio Vargas, foi nomeado interventor da Bahia, em 1938. Como senador, entre 1951 e 1954 e líder da bancada do Partido Trabalhista Brasileiro no Senado Federal, defendeu em intensa luta política, durante os anos de 1952 e 1953, e foi o relator da Lei nº 2.004, de 1953, que estabeleceu o monopólio estatal do petróleo e criou a Petrobrás.


Por este histórico, deu nome à primeira refinaria de petróleo do Brasil, a Refinaria Nacional do Petróleo ou Refinaria de Mataripe, que começou a ser construída em 1949 e que entrou em funcionamento em 17 de setembro de 1950. Com a criação da Petrobrás, em 1953, a refinaria foi incorporada ao patrimônio da companhia, passando a chamar-se, quatro anos depois, Refinaria Landulpho Alves-Mataripe, em homenagem ao engenheiro baiano que muito lutou pela causa do petróleo no Brasil.

Como interventor do Estado Novo na Bahia, Landulfo Alves pleiteava desde 1938 a construção de uma refinaria em território baiano, o que só foi autorizado pelo governo federal em 1946. Em consequência da nova refinaria, a Bahia se manteve como principal estado produtor por quase três décadas e chegou a ser responsável por produzir cerca de 30% da demanda do Brasil.



A Refinaria Landulpho Alves possui capacidade instalada para 323 mil barris/dia (51.352 m³). É a segunda em capacidade instalada no País, depois da Refinaria de Paulínia (Replan). Em 24 de Março de 2021, o conselho da Petrobrás aprovou a venda da RLAM para a Mubadala Capital pelo valor de US$ 1,65 bi.

Além de desnecessária, a venda da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), pela atual administração da Petrobrás para o Fundo Mubadala, de US$ 1,65 bilhão, comprova que a privatização da unidade está sendo feita sem sua devida valoração. A avaliação feita pela Federação Única dos Petroleiros (FUP) se baseia em cálculos do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep), que, usando o método de fluxo de caixa descontado, apontou que a refinaria valeria entre US$ 3 bilhões e US$ 4 bilhões. Ou seja, a RLAM foi vendida pela metade de seu real valor.

Desde este 1º de dezembro de 2021, a refinaria que faz parte da história do Brasil, da Petrobrás e da garantia da nossa soberania, passa a ser gerida por um fundo de investimentos dos Emirados Árabes Unidos e soterra a lembrança e o passado de luta de Landulpho Alves.

segunda-feira, 21 de junho de 2021

O projeto bolsonarista de desconstrução do Brasil

Segunda, 21 de junho de 2021

O projeto bolsonarista de desconstrução do Brasil

A “gripezinha” já consumiu meio milhão de vidas brasileiras. O desemprego, até dezembro, é calculado em cifras avassaladoras. É inestimável o prejuízo decorrente da devastação ambiental em curso. Não se sabe quando a indústria manufatureira se recuperará. O Banco Central, temente da inflação, eleva a taxa Selic. A fome é o espectro que ronda a vida de milhões de brasileiros. Nada obstante, a estreita capa dos privilegiados permanece tranquila, como a personagem do conhecido poema de Bertolt Brecht (Intertexto), porque tem onde morar, pode trabalhar e garantir o sustento individual e familiar.

O general intendente (da ativa) impressiona a CPI do Senado pela insuperável capacidade de mentir, deixando atordoados mesmo parlamentares calejados. A Câmara dos Deputados curva-se ao mando do jagunço alagoano, espécime temporã do bagaço da cana, da lavoura estropiada lavrada pelos boias-frias, representante da usina falida pendurada nos empréstimos levantados no Banco Brasil para jamais serem pagos, pois para isso a oligarquia elege seus deputados. O STF, humilhado com a nomeação do primeiro Nunes Marques (outro ocupará a vaga do ministro Marco Aurélio, que se aposenta em junho), silencia quando a PF investiga a conduta do ministro Dias Toffoli, suspeito de prevaricação. O ministro do meio ambiente é acusado de traficar madeira da Amazônia, e o presidente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis é objeto de inquérito pela Polícia Federal, por contrabando de madeira da floresta amazônica sob seus cuidados. O “Posto Ipiranga” faliu, por falta de combustível. Falta-lhe tudo, seja competência, caráter ou credibilidade. Logo mais será um estorvo. No Rio de Janeiro, o ainda presidente comanda uma choldra de motoqueiros e milicianos; o capitão paraquedista, em doce vilegiatura às custas do erário, promove comício eleitoral fora de época, ataca as instituições amesquinhadas e mente sobre a peste. Mente deslavadamente, com desfaçatez que faz corar as pedras do calçadão de Copacabana.

segunda-feira, 19 de outubro de 2020

Os seis ministros do Supremo ainda não sabem que estão vendendo a Petrobrás

 Segunda, 19 de outubro de 2020

Sylvio Massa de Campos*

SylvioMassaSaem engrandecidos a AEPET, pelo depoimento do seu diretor, e o Ministro Lewandowski

"Há cem mil maneiras de exprimir o reverso da verdade e o campo de
ação da mentira não comporta limites."

Ensaios - Montaigne

Desde 1953 que tentam fechar a Petrobrás. Durante esses 67 anos ela tem vitoriosamente resistido. No início os ataques vinham de fora, principalmente tinham origem no poder da multinacionais de petróleo e de seus governos. Não queriam investir em busca do óleo e não queriam construir refinarias no nosso país. Queriam manter-se como exportadores e distribuidores de derivados para o nosso consumo. O percurso desse período de lutas está muito bem registrado na Carta Testamento do Presidente Getúlio Vargas.

No presente, os ataques contra a empresa, buscando reduzi-la a fornecedora de matéria-prima, vêm de dentro, de seus dirigentes, de seu conselheiros, de pequena parte de seu corpo técnico, de ministros e de um reduzido corpo de políticos e principalmente de um governo que aceita a subserviência às forças do imperialismo. O plano atual foi bem urdido e foi estruturado a partir da era FHC, para lançar a pá de cal sobre os seus vitoriosos escombros.

Eis alguns aspectos que os ministros do STF não sabiam quando votaram a favor da venda das refinarias. Todas as empresas de petróleo, estatais ou privadas, têm as atividades integradas, como forma de se auto financiar no movimento incerto dos preços de seus setores, em particular o da prospecção do petróleo, de alto risco exploratório.

Como ponto de partida, o nome da Petrobrás deveria ser trocado para Petrobrax, apagando da memória do povo que "o petróleo é nosso". Em seguida o plano de organização da empresa foi alterado, preparando-a para ser dividida em áreas especializadas, fugindo da estrutura verticalizada. Em complemento a esse movimento, surge a implantação dos preços internacionais dos derivados a serem aplicados ao nosso mercado interno, como se a renda dos consumidores brasileiros estivesse no mesmo nível dos consumidores americanos ou europeus.

Seguindo o plano, outro ousado passo é dado nessa estruturação contra os interesses do país: é fixada propositadamente uma capacidade ociosa de 30% no parque nacional de refino. Em consequência, é estimulada a importação equivalente dos derivados não refinados no país a preços do golfo americano. A Petrobrás reduz seu mercado e caem suas receitas para a geração de seu fluxo financeiro. É dado o sinal para a mídia explorar dois temas que abalam a confiança da população no símbolo até então motivo de seu orgulho: a corrupção e o seu estado falimentar. A corrupção de fato existiu, praticada por um restrito número de inescrupulosos empregados, mas foi urdida por uma teia bem articulada, principalmente com atores estrangeiros, empresas multinacionais e nacionais e representantes do corpo político e do mercado financeiro.

A Petrobrás foi a principal vítima, mas era necessário manchá-la de forma indelével e repetir diuturnamente esse fato.

Quanto ao bordão da Petrobrás quebrada, também era necessário para justificar o que hoje está ocorrendo: a venda de seus rentáveis ativos que a conduzem para ser apenas produtora de matéria prima regional de alto risco exploratório, da flutuação dos preços internacionais e da variação da taxa de câmbio.

Não sabiam os seis ministros que votaram a favor da venda das refinarias que aproximadamente 60% do capital da Petrobrás, em Bolsa, é controlado por aplicadores estrangeiros e que exigem, seja a que preço for, a remuneração dos dividendos.

Os ministros foram enganados quando foi afirmado que as oito refinarias representavam apenas 7% do ativo imobilizado da empresa.

Deveria ser dito com honestidade que essas refinarias tinham sido depreciadas ao longo dos 67 anos de existência da Petrobrás. Quando vendidas, os recursos irão diretamente para a conta de LUCROS e garantirão os tão esperados dividendos dos especuladores das Bolsas de Valores. Como foi efetivado com a BR Distribuidora- segunda maior empresa comercial do país,-vendida não se sabe a quem, numa alegria incontida na Bolsa de Valores, com pagamento antecipado de expressivos dividendos.

Não sabiam os seis ministros que votaram contra a Petrobrás que o atual presidente da empresa declarou que o seu sonho sempre foi de privatizá-la.

Também não se preocuparam em conhecer a "ficha" curricular dos atuais Conselheiros.

Foram enganados ao suporem que o CADE tinha proposto uma regulação do mercado de refino, em conflito com os caminhoneiros, por efeito dos preços do diesel ,quando na verdade foi a Petrobrás que foi a ele oferecendo a descontração do setor com a venda das oito refinarias. Os futuros compradores, já escolhidos ou não, multinacionais ou empresários estrangeiros ou não, constantes da lista do Banestado ou não,e que terão, em cada região, um monopólio privado controlando a oferta dos produtos ou os seus preços, com base nos preços internacionais e com a renda do salário mínimo da maioria dos brasileiros.

Merecem, porém, destaque os votos dos ministros Edson Fachin que, por duas vezes, releu, em alto e bom som, a mensagem da Mesa Diretora do Congresso Nacional, alertando os Juízes da Suprema Corte que, em caso de indeferimento da Liminar, "abre-se espaço para cenários de FRAUDE." Completa o Ministro Fachin:"os fatos são fatos ou verdadeiros ou falsos."

Merece também salientar-se o luminoso voto do Ministro Ricardo Lewandowski, que ultrapassando os labirintos jurídicos, buscou na AEPET, por intermédio de seu Diretor, Eng. Ricardo Maranhão, o panorama e significado verdadeiros do que acontece na administração da Petrobrás. Pela primeira vez, nesta longa seção do STF, são pronunciados os fundamentos que deveriam nortear a atual direção da Petrobrás: Soberania e Segurança Nacional ao revés do que vem sendo praticado, contrariamente aos seus objetivos estatutários.

Saem engrandecidos dessa reunião a AEPET, pelo depoimento do seu diretor, e o Ministro Lewandowski, que usando fatos verdadeiros sobre o desmonte atual da Petrobrás, alertou seus pares para um eventual crime de lesa-pátria a ser cometido, quando do julgamento do mérito.

*Sylvio Massa de Campos - Economista aposentado da Petrobrás

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

O FEITIÇO VIRA CONTRA O FEITICEIRO. SAI O RESULTADO 2019 DA PETROBRÁS

Quinta, 20 de fevereiro de 2020
Por
Cláudio da Costa Oliveira*

A Administração da Petrobrás publicou nesta quarta-feira (19) informações sobre o resultado da empresa em 2019. Falta ainda a publicação de alguns dados relevantes, como as demonstrações em dólares.

O Presidente Castello Branco divulgou a mensagem com o título “O PRIMEIRO ANO DA IMPLEMENTAÇÃO DE UMA NOVA ESTRATÉGIA”.

“UMA NOVA ESTRATÉGIA”??? Desculpe-me Sr. Presidente, mas o Sr. está querendo se apropriar de conquistas dos seus antecessores.

Na verdade a atual estratégia teve início em 2016, cujas bases, “brilhantemente” implantadas por Pedro Parente, estão em vigor até hoje, quais sejam:

- A “jabuticaba” da métrica “dívida líquida/ebida ajustado”, fajuta e extemporânea como mostramos no artigo:

- A “jabuticaba” da política de preços baseada no Preço de Paridade de Importação – PPI. Um crime que vem sendo praticado contra a população brasileira, a própria Petrobrás e à economia da Nação, como mostramos no seguinte artigo, que incorpora a compreensão dos caminhoneiros brasileiros em carta encaminhada ao Presidente Bolsonaro; 

Após discorrer longamente sobre o desempenho dos papéis da companhia na Bolsa de Valores, que é um cassino de apostas e nada tem a ver com a realidade da empresa. E onde a palavra chave é “dividendo” esteja a empresa bem ou mal. O Presidente Castello Branco passou para a apresentação do “me engana que eu gosto” com frase esclarecedora de suas intenções “Nossas atividades geraram em 2019 um lucro líquido de R$ 40 bilhões, o maior da história da Petrobras”.

Será que ele não sabe? Será que ele esqueceu? O resultado de R$ 40 bilhões foi obtido com R$ 24 bilhões de lucro com venda de ativos, principalmente com a TAG, e R$ 14 bilhões com a venda do controle da BR Distribuidora. Ou seja, dos R$ 40 bilhões, R$ 38 bilhões nada tem a ver com o desempenho da companhia.

Mesmo assim, no período, foram distribuídos mais de R$ 10 bilhões aos acionistas, mostrando ao mercado o empenho do Presidente que, na falta de lucro, vende ativos para pagar dividendos. Maravilha!.

Mas o Presidente tem também os seus méritos, em apenas um ano de administração quebrou recordes históricos, vejam:

LIQUIDEZ CORRENTE
Este tradicional indicador da capacidade da empresa cumprir com seus compromissos de curto prazo é apurado pela divisão do Ativo Corrente pelo Passivo Corrente. Quanto maior o indicador, mais confortável a situação financeira da empresa. A seguir os dados históricos:

Liquidez Corrente Petrobrás

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019
1,9 1,8 1,7 1,5 1,6 1,5 1,8 1,9 1,5 0.95

Parabéns Presidente Castello Branco, o recorde de menor liquidez corrente da história da companhia é seu!

ESCONDENDO FATOS HISTÓRICOS

O Presidente Castello Branco é um mestre em esconder dados positivos da companhia. Assim não existe qualquer comemoração nem mesmo divulgação quando entram em produção novas plataformas, pois são efeitos da descoberta do pré-sal, que os administradores atuais não tiveram qualquer participação, e dos investimentos feitos no período 2009 a 2014, quando foram investidos mais de US$ 250 bilhões.

E o Presidente Castello Branco vai além. Qualquer empresa petroleira no mundo que ganhasse o prêmio da OTC, principal prêmio da indústria de petróleo e gás, procuraria divulgar o fato o mais rapidamente possível e na maior intensidade.
  
A Petrobrás, pela quarta vez, ganhou o prêmio, que foi anunciado no final de semana (8/9 de fevereiro de 2020). No dia 11 publiquei artigo com a pergunta: “Será que vão vender o prêmio também?” 

Recebi muitas ligações de petroleiros, inclusive lotados no CENPES, perguntando onde eu havia obtido a informação, pois ninguém havia sido informado do fato.

Só no dia 12 a direção da companhia divulgou (fatos e dados) o recebimento do prêmio. Sem qualquer comemoração.

Seria porque toda a tecnologia foi desenvolvida antes de 2016, sem qualquer participação dos atuais administradores que hoje estão mais preocupados em destruir tudo, inclusive o próprio CENPES?

Muitos amigos me perguntam se o problema da Petrobrás hoje é que a empresa está sendo administrada como uma empresa privada.

Não é verdade, pois a empresa privada não cria política de preços para entregar seu mercado aos concorrentes, assim como não vende ativos que rendem mais de 20% ao ano para amortizar divida que custa menos de 7% ao ano.

Por outro lado, numa empresa privada, se o Presidente, no dia da posse, falasse que seu sonho é vender a empresa, seria demitido na mesma hora.

Outros me perguntam se o problema é que esta Direção só está preocupada com a remuneração dos acionistas.

Também não verdade. Se fosse assim estariam investindo para aumentar a capacidade de produção da companhia para 10 milhões de barris dia em 2030.

Mas então qual é o objetivo da atual administração? Simplesmente dilapidar a companhia e isto eles vem fazendo bem.

Cláudio da Costa Oliveira
Economista aposentado da Petrobrás