Domingo, 11 de setembro de 2011
Luciene Cruz - Repórter
O fogo que atingiu o Jardim Botânico de Brasília na
última semana trouxe motivos mais fortes para celebrar o Dia Nacional do
Cerrado, comemorado hoje (11). Segundo o diretor do Jardim Botânico,
Jeanito Gentilini, é preciso o aprofundamento e o reconhecimento do
bioma para que medidas sejam tomadas a fim de evitar o seu
desaparecimento.
“As coisas acontecem, causam um impacto e aí a gente tem que dar um
passo à frente. Tem que haver aprofundamento dessas questões, porque
pega fogo todo ano, que trabalhos são necessários a médio e longo prazo
para que a gente tenha uma base real de trabalhar o bioma de forma mais
correta, com entendimento da sua importância. Essa reflexão é que fica”,
comentou.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
apontam que o Cerrado, considerado segundo maior bioma brasileiro,
perdeu 49% da cobertura original. A área inicial de mais de 2 milhões de
quilômetros quadrados (km²) foi reduzida a 1 milhão de km².
Segundo Genitlini, ainda não é possível mensurar o total da área do
parque que foi atingida. “Será feito um sobrevoo porque as áreas que não
foram queimadas ainda sofrem risco”, disse. O diretor também destacou
que é preciso conscientizar a população. “É necessário tratar o entorno
da estação ecológica, que está dentro da área urbana, de forma mais
cuidadosa. Ter mais cuidado com a questão de colocar fogo sem má
intenção, mas que toma grandes proporções e viram uma catástrofe como a
que aconteceu”, completou.
Para aumentar a conscientização, a área incendiada será incluída nas
visitações. “Vamos incluir na visitação a parte que pegou fogo para as
pessoas terem noção do que é e como fica. É um trabalho de formiguinha,
mas se criarmos um grupo com a sociedade civil, os parlamentos e o
governo a gente consegue”, acrescentou.
O evento também contou com a participação do diretor do Departamento
de Florestas do Ministério do Meio Ambiente, João Medeiros, que defende
a inclusão do Cerrado como patrimônio nacional, assim como ocorre com a
Amazônia e a Mata Atlântica. “Estamos trabalhando pelo reconhecimento
do Cerrado como patrimônio nacional".
