Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Comissão da Verdade devia investigar o caso Lula-Tuma

Sexta, 12 de dezembro de 2014
Da Tribuna da Internet 
Valmor Stédile 
Quem imagina Lula como referência positiva de resistência à ditadura, a ponto de admitir sua volta à Presidência da República em 2018, criando embaraços para o bom desempenho da presidente reeleita Dilma Rousseff, é bom refletir sobre o que escreveu Antonio Santos Aquino aqui na Tribuna da Internet.

Aquino citou frases emblemáticas, referindo-se à liderança de Lula, ditas nos anos 80 por Leonel Brizola (“o PT é a UDN de macacão e tamancos”) e Darcy Ribeiro (“o PT é a esquerda que a direita gosta”) ambos retratando a postura lulista na condução do Partido dos Trabalhadores, porém o mais impressionante foi a revelação da amizade do ex-operário com alguém da CIA chamado Stanley Gacek.


“Não se enganem, da CIA mesmo. Hoje esse sinistro personagem, é diretor adjunto da Organização Internacional do Trabalho. Veio a Luziânia no III Congresso da Nova Central Sindical e ficou por aqui conversando com o amigão Lula para ver os acontecimentos. Quem quiser e puder, desminta”, disse Aquino.

As recentes revelações de Tuma Júnior, que em seu livro diz que Lula era informante de Tuma pai, reforçam ainda mais a necessidade desta Comissão da Verdade haver se debruçado sobre o assunto. Ainda não tive acesso ao relatório, mas é evidente que algo deva ter sigo registrado a respeito.

CONTO DE OPERÁRIOS

“É difícil desmentir Stanley Gacek porque ele já foi chamado de “guru de Lula no sindicalismo dos EUA” aqui mesmo na Tribuna, por nosso comentarista internacional Argemiro Ferreira. Casado com a brasileira Liliane Fiúza, Gacek fala português fluentemente. Em 1980, quando Lula ficou preso por 31 dias, ele veio ao Brasil para demonstrar a “solidariedade” da poderosa AFL-CIO (Federação dos Trabalhadores das Indústrias dos EUA) ao sindicalista brasileiro.

Em 1981, Gacek levou Lula a Varsóvia para trocar figurinhas com Lech Walesa, o metalúrgico de Gdansk que recebeu toda ajuda da CIA para minar o governo da Polônia e chegar à presidência. Por fim, foi Gacek quem promoveu, em 1992, o primeiro encontro do Banco Mundial e do FMI com 80 líderes sindicais latino-americanos, incluindo Lula.

Muito conhecido no PT, onde é chamado de Stan, o sindicalista da AFL-CIO se mete também com negócios financeiros, representando interesses de fundos de pensão americanos que investem no Brasil.” (escreveu Carlos Newton, aqui na Tribuna)

PREMONIÇÃO BRIZOLISTA

É importante recordar que na entrada dos anos 80, com o esgotamento do ciclo autoritário que vinha desde a deposição do presidente João Goulart pelo golpe militar de 1964 (praticado com o apoio da CIA e a submissão do Congresso brasileiro), foi programada uma abertura política “lenta, gradual e segura”. As classes dirigentes cercaram-se de cuidados conspirando para evitar a ascensão de Leonel Brizola ao poder, que assombrava por carregar a bagagem histórica da Era Vargas, inclusive sendo cassado em 64 e submetido ao exílio de 15 anos.

Nas eleições de 1982, Brizola conquista o governo estadual do Rio de Janeiro e Lula fica em 4º lugar para governador de São Paulo, mas apesar disso o petista foi turbinado pela mídia para cumprir seu papel, dividindo o trabalhismo no 1º turno para perder no segundo. Fez isto em 1989, 1994 e só não em 1998 porque Brizola cedeu num gesto de humildade sendo seu vice, numa frustrada tentativa de evitar algo que considerava pior, a reeleição de Fernando Henrique Cardoso, porque queria estancar as privatizações que depois Lula acatou subscrevendo a famosa “Carta ao Povo Brasileiro”.

Brizola costumava dizer que “o PT é como uma galinha que cacareja para a esquerda, mas põe os ovos para a direita”. E a conclusão vinha do debate presidencial de 1989, como é possível verificar no pequeno trecho do vídeo abaixo:

https://www.youtube.com/embed/9ViENegKea4