Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 15 de março de 2024

A HUMANIDADE CAMINHA PARA SUA DEGRADAÇÃO OU PARA SUA REGENERAÇÃO?

Sexta, 15 de março de 2024

Aldemario Araujo Castro
Advogado
Mestre em Direito
Procurador da Fazenda Nacional
Brasília, 15 de março de 2024

Segundo informação amplamente divulgada nos meios de comunicação, as despesas militares em escala global cresceram 9% em 2023, comparadas às do ano anterior. O Balanço Militar do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS), sediado em Londres, indica gastos militares da ordem de 2,2 trilhões de dólares americanos em 2023 (fonte: estadao.com.br). O aumento referido decorre do crescimento do número de conflitos e tensões geopolíticas. Assim, governos de todos as partes do globo decidiram reforçar seus estoques de munições e reverter “deficiências” em suas estratégias de “defesa” e segurança.

Inegavelmente, o cenário internacional de crescimento exponencial de gastos militares cria um ambiente profundamente refratário à cultura de paz e desenha, a partir dos conflitos fomentados, uma forte degradação da qualidade de vida de milhões de pessoas, notadamente diante dos deslocamentos forçados e da pobreza extrema produzidos. "Nas últimas décadas, os deslocamentos forçados atingiram níveis sem precedência. Estatísticas recentes revelam que mais de 67 milhões de pessoas no mundo deixaram seus locais de origem por causa de conflitos, perseguições e graves violações de direitos humanos. Entre elas, aproximadamente 22 milhões cruzaram uma fronteira internacional em busca de proteção e foram reconhecidas como refugiadas. A população de apátridas (pessoas sem vínculo formal com qualquer país) é estimada em 10 milhões de pessoas" (fonte: acnur.org).

“Só em 2022 foram registrados 55 conflitos em 38 países, sendo que 8 deles são considerados guerras, em que há mais de mil mortes relacionadas por ano, contra 5 no ano anterior. As oito guerras de 2022 foram: Etiópia, Ucrânia, Somália, Iêmen, Burkina Faso, Mali, Mianmar e Nigéria. Mas conflitos antigos, como a guerra da Síria, continuam a causar vítimas mesmo anos depois de seu ápice, embora em números menores hoje em dia” (fonte: estadao.com.br).

A cobertura jornalística da grande imprensa é profundamente seletiva em relação a esses conflitos. Esse fenômeno cria as chamadas “crises humanitárias silenciosas”.