Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Sobre a conjuntura e o protagonismo do PSOL

Quinta, 19 de outubro de 2017
Do blog O Real não se vê

Por Nildo Ouriques

Carta aos militantes do PSOL (II)*

A crise brasileira se aprofunda e o regime político exibe todos os dias sua podridão. A recente absolvição de Aécio Neves no senado e, da mesma forma, as sucessivas compras de votos e negociatas do liberal Temer para se manter no Planalto, revelam claramente que nada podemos esperar de um parlamento repleto de ladrões e corruptos. Na economia, o desemprego elevado e os baixos salários condenam milhões ao abismo social. No entanto, a rapinagem sobre o Estado, as privatizações, os subsídios, a isenção de impostos, o perdão e/ou refinanciamento a longo prazo de dívidas de empresários e latifundiários engordam a burguesia brasileira. Não há recursos para garantir a previdência social, repete todos os dias o governo. Tampouco há recursos para superar a crise dos estados e municípios que sequer podem assegurar salários a professores, médicos e funcionários públicos, obrigados por Meireles e Temer a pagar uma dívida ilegítima e interminável.  No entanto, sobram recursos para a festa dos empresários!

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

As provas de Palocci

Sexta, 8 de setembro de 2017
Do blog 'O Real Não Se Vê'
Por Nildo Ouriques
O direito burguês é conquista histórica contra o despotismo dos monarcas. No entanto, livre deles, é necessário reconhecer que num estado burguês, de classe, teremos sempre uma justiça de classe. Não há e nem haverá justiça para as maiorias no interior deste sistema, razão pela qual o Estado atua de maneira permanente contra lei e, em consequência, o sistema prisional aqui e em outros países da América Latina está repleto de pobres, negros e índios. Às vítimas do sistema, as prisões do sistema. Um peixe gordo atrás das grades é caso raro.

sábado, 8 de julho de 2017

A coesão burguesa e o político vulgar

Sábado, 8 de julho de 2017


Do Blog O Real não se vê

Por Nildo Ouriques
Na esquerda subsiste uma dúvida: a burguesia esta ou não unificada diante da crise? A dúvida que assalta alguns camaradas com larga experiência tem - curiosamente - origem na aparente divisão da imprensa, pois enquanto a Globo joga duro pela destituição de Temer, a Folha - o jornal municipal paulista - apoiava a permanência do corrupto. É possível observar as oscilações das empresas jornalísticas com certa diversão sem perder o fio da meada. Não resta dúvida que, lentamente, a campanha jornalística está manufaturando o consenso sobre a necessária queda de Temer.

A coesão burguesa é de fácil identificação. Todas as frações do capital querem o fim da previdência social e das leis trabalhistas - aprofundamento da superexploração da força de trabalho - e o corte sistemático do investimento e gasto público. O desemprego bateu 18% na grande São Paulo na semana passada. Enorme. O pesado custo da crise recai sobre os trabalhadores, condenando-os ao abismo social. O superendividamento do estado - pilar da estabilidade monetária - segue sua marcha inabalável. No ano passado, o governo destinou 1 trilhão e 300 bilhões para juros (R$ 304 bilhões) e custo de amortização (1.044 trilhão) da dívida interna. Enfim, o automatismo da dívida e do rentismo superou a casa do trilhão anual!!!!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

O burguês delator

Quinta, 1º de maio de 2017
Do blog O Real Não se Vê
Análise de conjuntura e ideias na América Latina

Por Nildo Ouriques

O burguês delator

Imagem relacionada Cresci ouvindo que as empresários pagavam propina para políticos. Ninguém era senador ou deputado, prefeito ou governador sem a grana de um empreiteiro. O político exitoso fazia obras e estas exigiam, obrigatoriamente, aquela gente nefasta. Em consequência, os empreiteiros eram tão detestáveis quanto necessários. Nestes termos, quando comecei a dar importância para a política, tudo sugeria que entre os capitalistas existia uma espécie de laranja podre, mas o mundo dos negócios não era uma podridão completa.

Aos 18 anos li o Manifesto Comunista – arrogantes juvenis, eu confesso, sim, sou leitor tardio! – e observei a natureza de classe do estado: antes que representante do bem comum destinado a disciplinar o instinto animal das pessoas (“o homem é o lobo do homem”) o Estado era um estado de classe, capitalista. As ilusões liberais terminaram. Ainda assim, durante um tempo ainda sentia a falta de um exemplo conclusivo, uma prova final, um caso verdadeiramente exemplar para comprovar a verdade anunciada por Marx.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

A alma de Lula

Sábado, 6 de fevereiro de 2016
Por Nildo Ouriques
Foi Chico de Oliveira, o oscilante sociólogo uspiano, quem afirmou ser Lula um "homem sem caráter". De minha parte, não descarto a análise de extração psicanalítica, mas considero a caneta presidencial o indicador mais confiável sobre o caráter de qualquer presidente. No entanto, antes que o rasteiro moralismo burguês dominante torça o nariz para meu desprezo inicial pela perspectiva moral, reafirmo que, na política, é claro que o caráter conta, mas a prova final sobre a conduta presidencial será sempre o Diário Oficial.

Ainda assim, não cometo engano em afirmar que, entre os petistas, poucos conhecem Lula na intimidade - e, portanto, seu caráter - tão bem quanto Gilberto Carvalho, o ex-ministro chefe do gabinete presidencial entre 2004-2010. A propósito das investigações sobre a edição de medidas provisórias criadas para benefício das multinacionais do setor automobilístico, Gilbertinho - como é conhecido nas suas bases - afirmou que "o estímulo à indústria automobilística era a alma do presidente Lula". Arrematou dizendo que "dada a importância do setor automobilístico no Brasil, essa coisa de estímulo ao setor era, digamos, a alma do presidente Lula. Ele sempre teve muita preocupação com isso."(Valor, 26 de janeiro).