Terça, 20 de setembro de 2016
Da Auditoria Cidadã da Dívida
Maria Lucia Fattorelli
Carmen Bressane
Gisela Collares
Rodrigo Ávila
A propaganda é extremamente sedutora: vender algo “podre” para alguém
que ainda se dispõe a pagar 40% ou até mais por isso. Excelente
negócio!
Essa poderosa propaganda é a que vem sendo usada para apresentar um
escandaloso esquema de transferência de recursos públicos para o setor
financeiro privado.
Trata-se do anúncio da “venda”, “cessão”, “securitização” ou
“novação” de créditos devidos à União, Estados ou Municípios, inscritos
ou não em Dívida Ativa.
Na realidade, tais créditos, dos quais a Dívida Ativa é o mais
representativo em volume, não saem do lugar. O que está sendo vendido é
um papel novo, emitido por “empresa estatal não dependente”, que é uma
pessoa jurídica de direito privado. As debêntures são vendidas a
investidores privilegiados com desconto de até 60% e juros de mais de
20% sobre o valor de face. A Dívida Ativa só serve de parâmetro para
indicar o tamanho da garantia dada pelo ente federado para essa empresa.