Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

‘Cunha é pilantra de 5ª categoria’, diz Ciro Gomes

Quarta, 19 de agosto de 2015

Em encontro no qual discutiu a migração do seu grupo político para o PDT, o ex-ministro atacou o presidente da Câmara e diz que o governo Dilma faz o contrário do que prometeu. Confira os principais trechos e o áudio do discurso
Por  WILSON LIMA - Congresso em Foco
O ex-ministro Ciro Gomes acusou o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), de ser “um pilantra de quinta categoria” que está “mandando e desmandando na República. A declaração foi dada na segunda-feira (17) à noite, na abertura de um encontro interno do Pros, em Fortaleza, no qual o ex-governador cearense e seu grupo político discutiram a migração em massa para o Partido Democrático Brasileiro (PDT). O Congresso em Foco teve acesso ao áudio do discurso do ex-ministro da Fazenda, no governo Itamar Franco, e da Integração Nacional, no governo Lula.
“Não é fácil o trabalhador chegar em casa e ligar a televisão e assistir à novela mal-cheirosa, diária, da ladroeira [em referência à roubo], que não poupa mais ninguém. Pra bem dizer, o presidente da Câmara Federal do Brasil é um pilantra de quinta categoria que tá aí mandando e desmandando na República”, afirmou Ciro na reunião. Ele também criticou o governo Dilma, que, segundo ele, tem feito “tudo ao contrário” do que prometeu na campanha eleitoral.

sábado, 19 de novembro de 2011

O tamanho da goela

Sábado, 19 de novembro de 2011 
Por Ivan de Carvalho
Depois de um retiro durante o qual certamente ruminou o veneno político que lhe serviu o ex-presidente Lula ao convencê-lo a mudar seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo, o que o alijou das eleições de 2010, o ex-ministro, ex-governador do Ceará e ex-candidato a presidente da República duas vezes, Ciro Gomes, do PSB, está de volta.

            Ciro, um político que preza polêmicas, cria mais uma no retorno, que formaliza com uma entrevista à Folha de S. Paulo e ao UOL. Nela, considera “natural” que “em algum momento” o PSB saia da base de sustentação político-eleitoral do governo petista de Dilma Rousseff e passe a ser, não mais um aliado, mas um concorrente do PT em nível nacional.

            Antes de ingressar nos quadros do PSB, Ciro foi filiado ao PDS, PMDB, PSDB e PPS. E considera-se pronto para disputar concorrer pela terceira vez à Presidência da República. “Admito”, afirma. Questionado se o governador de Pernambuco e presidente do PSB, Eduardo Campos, seria o candidato mais forte à sucessão de Dilma Rousseff entre os partidos governistas, Ciro Gomes exercitou seu estilo franco e duro de dizer as coisas: “Hoje o mais forte ainda sou eu. Mas ele tem potencial para superar tranquilamente”.

            O mais importante na entrevista de Ciro foi, no entanto, a abordagem do tema da hegemonia petista sobre os partidos da base do governo federal, comandado há quase nove anos – e com mais três anos e 40 dias a serem acrescentados – pelo PT.

            Ciro acredita que o rompimento entre o PT e o PSB em âmbito nacional dependerá do que vai acontecer com sua legenda, que no momento “subalternizou-se”. Ele acha natural que o rompimento ocorra em algum momento, mas diz não saber se será mesmo em 2014, que – observação minha – seria o momento lógico.

            Seria em 2014, dá ele a entender, “a não ser que o PSB comece a definhar. Mas o PSB vem crescendo. Crescendo vai contrastar (pode-se trocar o verbo por confrontar, sem prejuízo do sentido), nesse mesmo espaço, a hegemonia do PT. Na opinião de Ciro Gomes, o PT “já liquidou” o PC do B e o PDT. Vale notar que o PC do B teve recentemente demitido do Ministério do Esporte o comunista Orlando Silva, num episódio extremamente desgastante, enquanto o presidente licenciado e controlador de fato do PDT, Carlos Lupi, ministro do Trabalho e Emprego, está todo enrolado em denúncias e desfruta de uma suposta “sobrevida” concedida pela presidente Dilma Rousseff, do PT.

           “Nós (o PSB) seremos o próximo”, afirma Ciro e vai adiante: diz que o PT, no governo federal, “cooptou tudo o que é sociedade civil organizada no Brasil. Tudo. Centrais sindicais, movimento estudantil, tá tudo dominado”. Novidade não é, mas estava faltando um político importante para proclamar isto com todas as letras. Este repórter só faria a exceção da OAB – por enquanto.

            Ciro diz, sobre o PT, uma verdade evidente por si mesma: “O tamanho da goela não tem limite”.

            O PMDB já percebe isto cada vez com mais clareza. Este partido discute internamente e conclui que se continuar sendo caudatário, mero apoiador, como nos últimos 17 anos, vai definhar. Seu destino será semelhante ao do PFL, agora DEM. Sinal desta compreensão, de que é preciso mostrar a cara nas eleições majoritárias, foi a cooptação do deputado Gabriel Chalita do PSB para o PMDB, com a missão de concorrer à prefeitura de São Paulo. Pois o PT, por intermédio do presidente Lula, vai tentar convencer Chalita (e o PMDB, em conseqüência) a desistir em favor de Haddad, o candidato do PT.
             
O tamanho da goela não tem limite.
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Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia deste sábado.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

domingo, 10 de outubro de 2010

Vice de Dilma é o chefe de um ajuntamento de assaltantes, diz Ciro

Domingo, 10 de outubro de 2010
Acabam tirando o YouTube do ar. Ô bichinho que queima a língua dos outros...

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Viajando na maionese

Quarta, 6 de outubro de 2010
Com um coordenador desse...

terça-feira, 1 de junho de 2010

Mordeu, agora assopra

Terça, 1 de junho de 2010
Para beneficiar Dilma, Lula detonou a candidatura de Ciro Gomes, fazendo com que o PSB não apresentasse candidato para a Presidência da República. No dia em que o partido de Ciro anunciou sua adesão à Dilma, Lula liberou milhões de reais para emenda do deputado cearense.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Lula, Dilma e a cabeça. Não de Benguell, mas de Ciro

Terça, 27 de abril de 2010
PSB, a pedido de Lula, cortou hoje a cabeça de Ciro Gomes. Agora não adianta mais espernear. Submeta-se, ou não.

sábado, 24 de abril de 2010

Governo tenta disfarçar

Sábado, 24 de abril de 2010 
Por Ivan de Carvalho
    Nos últimos dias, a sucessão presidencial passa por uma mudança importante, ainda que já esperada – o enterro da candidatura do ex-governador e ex-ministro Ciro Gomes pelo PSB para atender à estratégia do Palácio do Planalto de fazer uma campanha bipolarizada, com debate centrado somente na comparação dos governos FHC e Lula, como se a história do Brasil andasse para trás.
    Há todo um esforço do presidente Lula, do PT e do próprio PSB com o objetivo de passar à opinião pública a impressão de que tanto Lula quanto sua candidata Dilma Rousseff, bem como o governo e o PT, nada têm a ver com o fim da candidatura de Ciro (seria a terceira vez que ele disputaria a presidência da República, caso não o houvessem barrado).
    O esforço é para que o fim da candidatura, à revelia do candidato, pareça de responsabilidade apenas do PSB, de modo a reduzir os estragos que uma reação forte de Ciro contra o jogo montado pelo presidente da República e o PT, em conjunto com a direção do PSB, possa causar, digamos, indiretamente, à candidatura de Dilma Rousseff à sucessão de Lula.
    Provavelmente para impedir, tanto quanto possível, que esta falsa versão de uma decisão solo do PSB acabe se impondo pela força da repetição, Ciro Gomes já deixou absolutamente claro que sua candidatura morreu e deu estocadas, em entrevista ao portal iG, no presidente Lula e em dirigentes do seu partido, chegando ainda a afirmar que o candidato José Serra (PSDB) é mais preparado que a candidata Dilma Rousseff (PT) para enfrentar eventuais crises econômicas que venham a surgir.
    Este elogio contido a Serra em contexto em que o tucano é com vantagem comparado à candidata governista a presidente pode ser um rompante de ira política de Ciro ao ver-se traído – é assim que ele vem se considerando, ante a ação bem sucedida do Planalto para por fim à sua candidatura – mas não se pode descartar que represente algo mais na posição do ex-candidato do PSB.
     Ciro Gomes e José Serra eram não somente adversários políticos como havia entre eles uma inimizade pessoal. Sombras da sucessão presidencial de 2002. Há poucos dias, vendo o golpe que o governismo no Planalto e no PSB ultimava contra Ciro, Serra deu declaração afirmando que Ciro tem “uma pinimba comigo, mas é de mão única” e que ele, Serra, nada tem “que se oponha” a Ciro.
    Resta esperar um pouco mais de tempo para ver que rumo tomará Ciro, ver se aprofunda o rompimento já aberto com o governismo – disse que Lula “viaja na maionese” e “está se sentindo o todo-poderoso e acha que vai batizar Dilma presidente da República”.
O PSB se prepara para formalizar na terça-feira a decisão de não ter candidato próprio à sucessão de Lula e para apoiar Dilma Rousseff. Depois disso, Ciro – que impedido de concorrer a presidente, não disputará qualquer outro mandato nas eleições de outubro – ficará mais à vontade para aprofundar, ou não, seu rompimento com o governo.
No caso de uma pessoa com o temperamento e o caráter dele, só esperando para ver.
 Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia deste sábado.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Marina Silva: A saída de Ciro e o retrocesso democrático

Sexta, 23 de abril de 2010
Lula e o PT pressionaram tanto o PSB, que Ciro vai sobrar. Não terá a legenda para disputar a Presidência da República. Veja a seguir postagem de Marina Silva, candidata a Presidente da República, hoje, em seu site.
"A saída de Ciro e o retrocesso democrático

Qual o sentido político da democracia? É a liberdade de escolha bem informada. Numa eleição em dois turnos, como a presidencial, o primeiro foi concebido para oferecer ao eleitor um leque de alternativas políticas. A partir da diversidade de idéias e do debate entre elas, compete ao cidadão escolher as que entende serem as melhores para si e para o país.

É particularmente perverso que esse processo, que está no cerne da democracia, seja instrumentalizado para impedir abalos na manutenção de projetos de poder. Não é admissível que se queira manipular o direito de escolha por meio da redução forçada do leque de opções.

Assistimos agora, com o veto à candidatura de Ciro Gomes, a uma expressão exemplar desse tipo de intolerância democrática. É fácil prever que os mesmos grupos que trabalharam para tirar Ciro da disputa presidencial tentarão agora assimilá-lo.

Os que costumam agir dessa maneira são aqueles que têm dificuldade em transformar a visão democrática em ação e não admitem a alternância de poder. Primeiro, buscam eliminar os adversários que querem disputar legitimamente a preferência dos eleitores. Depois, tentam se colocar como o único hospedeiro possível para que os expurgados consigam sobreviver na vida pública.

Aquele que foi empurrado para fora do processo passa então a ser apontado como bom companheiro, patriota, desde que aceite ser assimilado por aqueles que articularam o seu expurgo.

Perde o país, perde a democracia."

Leia também artigo de Ivan de Carvalho, jornalista baiano, que hoje trata das pressões do Planalto para conseguir eliminar Ciro da corrida pela Presidência da República.
"Lula está navegando na maionese" 
(Ciro Gomes, descontente pela interferência de Lula para que o PSB não tenha candidato a Presidência da República)

Ciro e as 30 moedas

Sexta, 23 de abril de 2010 
Por Ivan de Carvalho
Ciro Gomes queria ser candidato a presidente da República.
Tinha (continua tendo, naturalmente) um currículo político invejável.
Nascido no interior de São Paulo, foi deputado estadual cearense, prefeito de Fortaleza, governador do Ceará por dois mandatos.
Ministro da Fazenda do governo Itamar Franco por apenas três meses, assumiu o cargo apontado como talvez o único político disponível capaz de manter a credibilidade do Plano Real em fase de implantação, credibilidade ameaçada pelo chamado “caso da parabólica”, envolvendo Rubens Ricúpero, que por isto teve que deixar o Ministério da Fazenda. Cumpriu a missão.
Em 1997, depois de ter sido filiado no início de sua vida política ao PDS e passado para o PMDB, desliga-se do PSDB e ingressa no PPS, legenda pela qual concorre às eleições de 1998 para presidente da República. Uma mudança brusca imposta à legislação eleitoral por uma “interpretação” do TSE sob a influência do então presidente da corte, o ministro do STF Nelson Jobim, impondo a chamada “verticalização das coligações”, inviabiliza o apoio formal do PFL à sua candidatura e leva a um apoio informal apenas de metade deste partido, deixando Ciro sem a estrutura de sustentação de uma candidatura viável. Fica em terceiro lugar. Em 2002, concorre novamente à presidência pela coligação PPS-PTB-PDT, mas tem dez por cento dos votos e passa a apoiar Lula, em cujo governo ocupa o Ministério da Integração Nacional, mais tarde ocupado pelo peemedebista baiano Geddel Vieira Lima.
A “verticalização das coligações” teve o resultado de assegurar que a eleição acabasse por ser polarizada entre o PSDB e o PT, um quadro que se repetiria nas eleições presidenciais seguintes, mesmo depois que o Congresso Nacional acabou com a “verticalização” imposta pela “interpretação” do TSE. A “verticalização” foi, lá atrás, o principal fator para formatar o atual quadro partidário, em que predominam fortemente o PT e o PSDB.
Mas, voltando a Ciro, novamente ele tentava, este ano, por um partido médio, o PSB, disputar a presidência da República. Até o fim da semana passada estava com dez por cento das intenções de voto, mas o PSB ontem consumou a traição a Ciro, avisando-o que não terá a legenda do partido para ser candidato a presidente, conforme desejava o presidente Lula e o presidente do PSB, Eduardo Campos, que faz de tudo para ter o apoio do PT e de Lula para reeleger-se governador de Pernambuco.
Este e outros interesses regionais do PSB, especialmente na região Nordeste, estão para Ciro como as 30 moedas de prata pagas a Judas estiveram para Jesus. O leitor naturalmente sabe quem pagou as 30 moedas de prata.
Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta sexta.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ciro Gomes continua na disputa para a Presidência

Quinta, 22 de abril de 2010
O deputado federal Ciro Gomes, que luta no seu partido, o PSB, para ter direito a concorrer nas eleições para presidente, distribuiu hoje (22/4) nota à imprensa. Ele desmentiu boatos de que havia retirado sua candidatura, acrescentando que a considera importante para seu partido e para o Brasil. Afirmou que se o PSB decidir o contrário, que assuma o ônus da decisão.
O Palácio do Planalto está pressionando os governadores do PSB para que o partido negue a candidatura a Ciro. Já não acha, o governo Lula, que o político cearense possa atrapalhar a campanha de Serra.

sábado, 20 de março de 2010

Ciro pode ficar sobrando

Sábado, 20 de março de 2010 
Por Ivan de Carvalho
Esta semana o PT – que teve a alegria de comemorar alguns resultados de sua candidata, Dilma Rousseff (ainda que não todos) na pesquisa eleitoral do Ibope feita sob encomenda da Confederação Nacional da Indústria – também sofreu um revés. O partido e o presidente Lula queriam porque queriam que Ciro Gomes fosse candidato a governador de São Paulo. Ele não deverá ser e o PT já desistiu e prepara Mercadante para a missão suicida.
    Atendendo a inúmeros pedidos e a pressões de seu partido, o PSB, Ciro Gomes chegou, há alguns meses, a transferir seu título eleitoral do Ceará, estado que já governou e que é o núcleo de sua base política (seu irmão, Cid Gomes, é o atual governador cearense) para São Paulo. Cedeu nas preliminares, mas se manteve firme na decisão.
    Explicando melhor. Lula e o PT estão assim meio no mato sem cachorro quanto à eleição para o governo de São Paulo, de longe o maior colégio eleitoral do país (25 por cento do total do eleitorado) e o estado mais importante da Federação, nos aspectos demográfico e econômico. Consequentemente, também no aspecto político.
O Mensalão do PT devastou, política e popularmente, as principais lideranças do partido em São Paulo, bastando citar o ex-presidente nacional da legenda e ex-ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu e o ex-presidente nacional do PT, José Genoíno. Sobrou o ex-prefeito de Ribeirão Preto e então ministro da Fazenda Antonio Palocci, mas então explodiu aquele Caso da Mansão Bem Assombrada e o arrombamento, na CEF, do sigilo bancário do caseiro da mansão, Francenildo, que dera com a língua nos dentes. E, embora assegurando que não solicitou a ilegal quebra do sigilo do Francenildo – um cidadão comum como qualquer outro, o que, na época (ah, povo esquecido) criou um sentimento de revolta arrasador – afogou-se o então ministro.
Restou na proa do PT paulista, para fins eleitorais, o segundo time:
O honrado Luis Eduardo Suplicy, que nas eleições de 2006 para senador levou um enorme susto do concorrente Afif Domingos – e que voltou ao Senado envergando um cuecão vermelho por cima do terno em protesto por causa de alguma coisa.
A ex-prefeita e candidatíssima de guerras e derrotas Marta Suplicy, que deverá disputar uma cadeira no Senado. A outra cadeira ainda não tem aspirante firmado, do lado lulista. Talvez seja candidato alguém de um partido aliado. É o lógico.
E – voltando ao PT – restou também o senador Aloísio Mercadante, figura respeitável que renunciou à liderança do PT no Senado, mas não renunciou, então renunciou irrevogavelmente, até que irrevogavelmente anunciou que não renunciaria. E que não vai por gosto disputar o governo paulista, por imaginar que perde para o ex-governador Geraldo Alckmin, do PSDB, mas mesmo assim foi empurrado para a disputa pelo cargo hoje ocupado pelo governador José Serra, por falta de alternativa para o PT. Mercadante queria disputar a reeleição para o Senado.
Pois a alternativa a Mercadante era, no planejamento de Lula e do PT, Ciro Gomes, aliás um inimigo ostensivo do governador e candidato tucano a presidente José Serra. Mas Ciro tem dado todos os sinais de que só quer mesmo disputar a sucessão de Lula, nada de governo paulista. Problema dele. Tira votos de Serra, é verdade, mas o governo está com a idéia de uma eleição plebiscitária, radicalizada entre Serra e Dilma (representando a comparação entre os governos FHC e Lula). O partido de Ciro, o PSB, é presidido e dominado pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos, que só faz o que Lula quer. Daí que Ciro pode ficar sem legenda para disputar a presidência ou qualquer outra coisa, pois afirmou, esta semana, que “deputado nunca mais”.
Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia deste sábado.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Aborto e sucessão presidencial

Por Ivan de Carvalho


O presidente da “Frente Parlamentar em Defesa da Vida – contra o aborto”, Luiz Bassuma, que se desligou formalmente esta semana do PT, partido que o suspendeu por um ano devido a sua luta contra a descriminalização do aborto, fez a este repórter, na terça-feira, uma afirmação que merece ser examinada por toda a sociedade e especialmente por todos os eleitores brasileiros.
    Esta afirmação do deputado baiano (que já não iria disputar as eleições de 2010, mesmo se não houvesse sido suspenso pelo diretório nacional do PT) já foi incluída no artigo publicado ontem neste espaço, mas merece e precisa ter abordagem mais ampla e profunda. Entendo, aliás, que a mídia não somente baiana, mas toda a mídia brasileira tem com seus leitores, ouvintes, telespectadores e internautas o compromisso de informar clara e intensamente sobre o assunto, pois ele pode ser para muitos um fator de grande relevância na avaliação do voto que cada eleitor vai dar para presidente da República nas eleições do ano que vem.
    O que disse, então, o presidente da “Frente Parlamentar em Defesa da Vida – contra o aborto” e que aqui foi divulgado ontem? Disse que entre as razões pelas quais optou em ingressar no PV e pelas quais sua mulher, Rose Santana, que também deixou o PT, optou pelo PV para concorrer a uma cadeira de deputada federal foi que este partido é o único, até agora, a ter como aspirante à presidência da República uma pessoa contrária à liberação do aborto, a senadora Marina Silva, que, como Bassuma e Rose, também abandonou o PT para ser “mantenedora de sonhos”.
    Não conheço partido brasileiro relevante (entre os irrelevantes, e são tantos, se há algum, não sei, mas não importa, pela irrelevância política) que seja oficialmente a favor da descriminalização do aborto, a não ser o PT. É o único. E puniu Bassuma porque este é contra. PMDB, PSDB, DEM, PSB, PR, PP, PTB, PDT, pelo menos que eu saiba, não têm posição formal pela liberação do aborto. Mas, e os candidatos a presidente? Aí é que está o nó.
    Conforme o presidente da Frente Parlamentar em Defesa da Vida – contra o aborto”, dos quatro candidatos a presidente mais importantes, José Serra (PSDB), Dilma Roussef (PT), Ciro Gomes (PSB) e Marina Silva (PV), somente esta é contra a liberação do aborto. Luiz Bassuma afirmou saber que, “pessoalmente”, Dilma Rousseff, José Serra e Ciro Gomes são favoráveis à descriminalização.
    Bem, isto poderia ser “pessoalmente” apenas se estivéssemos tratando de simples indivíduos, uma florista, um motorista de ônibus, um gari. Mas são três pré-candidatos importantes a presidente da República em plena pré-campanha para conquistar a mente do eleitor. A mídia não deve permitir, sob pena de traição a seu público, que continuem sem dar um piu a respeito do assunto, na mais costurada e colada boca de siri.
    Isto é enganar o eleitor. Rousseff, Serra e Ciro Gomes – assim como Marina declara numa boa – devem ser intensamente cobrados a declarar publicamente, sem tergiversações, sua posição “pessoal” sobre o aborto, já que a posição pessoal de um eventual presidente da República, ainda que ele se omita, que nada declare ao público ou fale nos bastidores e ainda se abstenha de toda ação (comportamento extremamente improvável), pode ter influência relevante numa decisão, por exemplo, do Congresso Nacional a respeito. Pelo simples fato de saberem, os que vão decidir, que o presidente é “pessoalmente” a favor da liberação do aborto.
    Vou adiante. O candidato a presidente pode, por esperteza, não revelar publicamente sua posição favorável, escondê-la para não se indispor com parcelas do eleitorado, para não ter a candidatura abortada, mas após eleito e no poder, sair da sombra para trabalhar pela liberação do aborto, mais ou menos intensamente. Terá, assim, enganado o eleitorado. E a mídia será cúmplice, se não puser esses candidatos contra a parede para que digam a verdade.

Este artigo foi publicado originalmente na Tribuna da Bahia desta quinta-feira.
Ivan de Carvalho é jornalista baiano