Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 25 de setembro de 2022

Diretor da ABI Ivan Proença lerá nesta segunda (26/9) Manifesto em Defesa da Petrobrás

Domingo, 25 de setembro de 2022
                                              Foto: blog do autor

AEPET, com informações de 
Lu Lacerda*

Herói da luta em defesa da democracia, Proença impediu massacre em Centro Acadêmico

Ivan Proença, diretor da ABI, será um dos palestrantes do encontro que lançará oficialmente nesta segunda-feira (26), às 21h, o manifesto O PETRÓLEO VOLTARÁ A SER NOSSO E O BRASIL VOLTARÁ A CRESCER. Devido ao seu histórico de coerência e luta, a ele foi designada a tarefa de ler o documento. Proença participou em abril de 1964 da defesa do CACO, Centro Acadêmico Cândido de Oliveira, da Faculdade Nacional de Direito, de grande presença política no apoio a Jango, Brizola, ao trabalhismo e nacionalismo. Os lacerdistas armados, como os bolsoraristas de hoje, foram assassinar os membros do CACO, alunos da FND. Militar, estava de serviço no Ministério da Guerra, que, como a FND, ficava no entorno do Campo de Santana. Ivan Proença levou soldados e impediu o massacre dos lacerdistas. Foi cassado, afastado do Exército e anistiado em 1979. Tem mais de 90 anos.

Segunda-feira estarão ao lado de Proença o vice-presidente da AEPET, Felipe Coutinho, o jornalista Beto Almeida; o professor de Direito Econômico da USP, Gilberto Bercovici; Ivan Proença, diretor da ABI; e o geólogo Guilherme Estrella, ex-diretor de Exploração e Produção da Petrobrás. O evento será apresentado pelo jornalista Paulo Miranda.

Clique aqui para ler o manifesto O PETRÓLEO VOLTARÁ A SER NOSSO E O BRASIL VOLTARÁ A CRESCER

De Próprio Punho, por Ivan Proença: "Cassado como militar e cassado como professor, foi assim que resolvi criar a OLIP" (oficina literária mais antiga do Brasil, fazendo 50 anos)

Eu era oficial (capitão) do Regimento de Guarda Presidencial em 1964. No 1º de abril, dia do Golpe, não aderi. A seguir, fui preso, isolado, cassado e perseguido por 20 anos. Na minha nova carreira, professor, também fui cassado: eu e minha mulher, a professora Isis Maria Balter Proença, cassados e proibidos de prestar concurso público. Minhas novas tentativas, no jornalismo, junto à ABI inclusive, foram vigiadas e constam das fichas dos órgãos de repressão: atividades no âmbito da ABI, anos 70 e 80.

Cassado como militar e cassado como professor, foi assim que resolvi criar a Oficina de Ficção e Poesia, daria minhas aulas aqui e ali, inclusive, até em igreja, seria difícil "descobrirem" e intervir. Um salário insignificante, 6 a 7 escritores, mas ajudaria.

Os primeiros anos de Oficina foram dificílimos, como foi difícil atravessar o período obscurantista da Ditadura, trazendo à luz fatos enterrados por interesses escusos. Mas veio a Anistia: embora restrita, ajudou sob certos aspectos. Exemplo: embora sob intervalada vigilância, já não precisava apresentar-me no DOPS de três em três meses, para declarar sobre minhas atividades.

Reconstituí minha vida através do Mestrado e Doutorado, após fundar a Oficina. E repito aos escritores: oficina não faz escritor, apenas encurta os caminhos para a boa literatura. Hoje, minha oficina é tida como a mais antiga em funcionamento ininterrupto por 50 anos no País. Discreta, sem espírito mercadológico ou marqueteiro, a Oficina não possui vagas em seu sempre limitadíssimo número de ficcionistas e poetas.

Sou autor de 14 livros de Literatura e Cultura Brasileira, Prêmio Especial Esso de Literatura, cinco dos livros agora sendo reeditados, a exemplo do Ideologia do Cordel (sou especialista, membro da Academia de Cordel, maior coleção do Sudeste), e, a exemplo dos livros do Golpe e do Futebol e Palavra.

Neste 2022, comemoram-se (evento dia 6 de abril) os 50 anos da OLIP, Oficina Literária Ivan Proença, a mais antiga do País, que abrigou, e abriga, alguns de nossos mais importantes escritores, pela boa e relevante escrita.

No Governo Brizola, fui Diretor de Cultura do Estado, do MIS e de Projetos Especiais. Hoje, sou militante e ativíssimo, lecionando e acompanhando o GTNM (Grupo Tortura Nunca Mais), atuando no Conselho da ABI, repudiei o rótulo com que o novato na ABI, vice-presidente, contemplou-me e a outros veteranos companheiros (velhos acomodados), na ânsia de promover outras intrusas "renovadoras".

Pouco antes da 1ª Anistia, afinal, convite para lecionar em uma faculdade, a FACHA, onde trabalharia tranquilo, sabendo que não seria demitido após visita dos repressores. O diretor, professor Hélio Alonso, tinha bom trânsito com militares (cursara a Escola Superior de Guerra) e se interessava por ter bons professores, mesmo sabendo-os contrários à Ditadura: eu e mais três, tornando-nos, até, com o tempo, amigos do diretor.

Hoje, durante e depois da pandemia, estamos ministrando as aulas por skype. Recebo por e-mail os textos, "trabalhos de casa" dos escritores, corrijo, comento em aula e devolvo, fotografando cada um por WhatsApp ou e-mail. Novos tempos.

Ivan Cavalcanti Proença é coronel do Exército. Um Exército que lutou (com a ABI) por "o Petróleo é nosso", por um Brasil mais igual, por um nacionalismo fraterno e por um patriotismo nunca ufanista. É Mestre e Doutor em Literatura (UERJ e UFRJ) e palestrante em quase todos os estados do Brasil, além de 40 anos lecionando também na FACHA. É membro e diretor da Academia Carioca de Letras.

Fonte: Lu Lacerda

segunda-feira, 30 de maio de 2022

SÓ PARA EXPORTAÇÃO —Refinaria privatizada descumpre promessa e mantém navios sem combustível na Bahia

Segunda, 30 de maio de 2022
Acelen, criada pelo fundo Mubadala Capital, dos Emiradores Árabes, assumiu controle da Rlam - Divulgação

Empresa que comprou Rlam chegou anunciar retomada do abastecimento, mas isso nunca ocorreu

Vinicius Konchinski
Brasil de Fato | Curitiba (PR) | 30 de Maio de 2022

A Acelen, empresa que comprou da Petrobras a Refinaria Landulpho Alves (Rlam), em São Francisco do Conde (BA), descumpriu sua promessa e não retomou o abastecimento de navios que passam pelo Porto de Salvador.

O fornecimento de óleo combustível a embarcações parou em 1º de dezembro, quando a Petrobras repassou à companhia privada o controle da Rlam, agora chamada de Refinaria de Mataripe. O fato gerou queixas de oficiais da Marinha Mercante e uma denúncia do Sindicato das Agências de Navegação do Estado da Bahia (Sindinave) à Agência Nacional do Petróleo (ANP).

O Brasil de Fato tratou das reclamações em reportagem em fevereiro. Na época, a Acelen informou que empenhava todos seus esforços para retomar o serviço até o fim de março.


Dias depois da reportagem, ainda em fevereiro, Acelen chegou a divulgar uma nota pública informando que, no dia 21 daquele mês, o abastecimento havia sido retomado. Segundo a empresa, na época, a operação era feita apenas por meio de barcaças, as quais retirariam o combustível de um terminal administrado pela Acelen e o levariam a navios.

Acontece que, segundo Gonzalo Jorrín, diretor-executivo do Sindinave, isso nunca ocorreu. “Não é verdade [que o abastecimento foi retomado]. Não houve nenhuma novidade sobre isso”, afirmou Jorrín.

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

A DESINFORMAÇÃO E O ESTADÃO

Sexta, 24 de dezembro de 2021

Por Pedro Augusto Pinho*
O septuagenário cientista social (USP), articulista de “O Estado de S. Paulo”, Celso Ming, ex-parceiro de Luís Nassif, trouxe na quinta-feira, 23 de dezembro de 2021, uma falácia para os leitores deste quase sesquicentenário jornal: petróleo com prazo de validade. 

Seus primeiros argumentos são pífios e se tivesse lido os artigos divulgados pela Associação dos Engenheiros da Petrobrás — AEPET não cometeria erro tamanho. 

Os leilões para novas áreas de exploração de petróleo, senhor Ming, foram o fracasso estampado em manchete pela imprensa escrita e apregoado na televisiva por um motivo muito simples e demonstrável: apenas a Petrobrás detém tecnologia de exploração e de produção em águas ultra profundas. Nenhuma petroleira ofereceria lance para jogar dinheiro fora. A expectativa daquelas empresas era a presença da Petrobrás, assumindo as operações e solucionando os problemas, ficando elas no aguardo dos lucros certos para retirar sua parte da sociedade. Tendo a Petrobrás sido impedida de participar, o leilão falhou. 

Mas seria exigir muito destas empresas e da própria licitante, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis — ANP, reconhecerem o motivo daquele revés; foi mais fácil atribuir às incertezas ambientais, está na moda. Já o leilão seguinte, Campos de Atapu e Sépia, onde a única dificuldade, a tecnologia de produção, a Petrobrás já resolvera e a existência de petróleo (óleo e gás) está assegurada, os dois campos encontraram licitantes. 

E por que tão poucos? 

E é aí que o comentarista se perde em apanhados de vacuidades, desvãos solipsísmicos, ou puro desconhecimento dos meandros da energia. 

Comecemos do início. Desde a década de 1980, com as desregulações financeiras, culminado com o Consenso de Washington, em 1989, o mundo se viu tomado pelas finanças. Elas subvertem a noção do ganho pela produção, logo pelo trabalho, logo com uso indispensável da energia, pela pura e simples especulação, forma conhecida desde o primórdio capitalista, o mercantilismo, com as companhias das índias orientais inglesa e holandesa, quando se criaram os bancos centrais em Amsterdã (1609) e Inglaterra (1694) e o templo do jogo, a Bolsa de Paris (1724). 

Este retrocesso, com as tecnologias da informação, já conhecidas desde a década de 1920, aprofundadas com Claude Shannon (1948) e Norbert Wiener (1948), explode com as finanças do século XXI, onde têm presença marcante os capitais marginais, das drogas, dos contrabandos de tudo, inclusive pessoas e órgãos humanos, da prostituição e corrupções, que estão até assustando o último grande império nacional, os Estados Unidos da América (EUA), como o próprio Estadão apontou em editorial (página A17) em 17/12/2021, “O PCC na mira dos EUA”. 

Ora, comentarista de economia, se não está suportado na produção e no consumo, o capital não precisa de energia, não é mesmo? Basta se mover no sentido da contínua e crescente concentração de renda, que é disfarçada denominando milionários aqueles que têm efetivamente milhões e não os bilhões necessários para ingresso neste seleto clube no atual milênio. E observe que a concentração de renda ocorreu nos primeiros anos deste milênio na contramão da demografia. Nos 12 primeiros anos, a população mundial cresceu um bilhão de pessoas, no entanto o Produto Interno Bruto mundial vem apresentando pífios crescimentos, alguns anos de decréscimos e ainda não se recuperou da “crise” 2008/2010. 

Uma economia que dispensa aumento de produção e cresce na especulação só pode ter baixa demanda de energia. E é exatamente o que nos mostra a tradicional “bp Statistical Review of World Energy”, de 2021: entre 2009 e 2019, o crescimento do consumo de energia foi 1,9%, e, apenas de 2019 para 2020, já caíram 4,2%, situando-se em 91 trilhões de barris de óleo equivalente. Especificamente o petróleo (óleo e gás), neste período, teve a redução de 6,2%, substituído pela hidroeletricidade e por esta imensa área coberta pela designação “renovável”, que abarca os biocombustíveis, o vento, as marés e a ultra dispersa energia solar. Mas, ainda assim, 56%, ou seja, a maioria do consumo de energia no planeta vem somente do petróleo. 

Nas condições hodiernas os reservatórios de petróleo conhecidos podem suportar o consumo por pouco mais de 40 anos. Mas não seria de esperar que o comentarista pudesse avaliar este significado e associá-lo à atuação das petroleiras privadas. 

De um reservatório de petróleo se extrai um percentual do petróleo que é denominado fator de recuperação. No Brasil, em 1970, o fator de recuperação dos campos brasileiros estava em menos de 30%. No entanto a Petrobrás investia nas tecnologias de recuperação, quer em seus laboratórios regionais, quer no Centro de Pesquisas, Desenvolvimento e Inovação Leopoldo Américo Miguez de Mello - CENPES, quer enviando seus geólogos e engenheiros para cursos e estágios no exterior. Com a descoberta do pré-sal, que tem reservatórios mais prolíficos, o fator está hoje próximo a 70%, ou seja, foi como se descobrisse outro tanto de petróleo quanto o já produzido. E tem mais, a Petrobrás detém a mais avançada tecnologia de exploração e produção entre as petroleiras estatais e privadas, e com o desenvolvimento da tecnologia de exploração, outros “pré-sal” poderão surgir, aumentando em muito, não apenas no Brasil, mas em áreas de pouca ou nenhuma pesquisa como existem na África, no Pacífico e na Sibéria, a quantidade de petróleo no mundo. Ouso afirmar, com a experiência profissional de mais de um quarto de século somente na área do petróleo, que o mundo ainda estará usufruindo da energia dos combustíveis fósseis por mais de um século. 

Talvez Celso Ming estivesse querendo fazer eco aos poucos letrados em energia Paulo Guedes e Hamilton Mourão. Muito diferentes do ex-presidente Ernesto Geisel. 

Mas há uma consequência para o “mercado” desta financeirização da vida econômica. As empresas petroleiras, como de resto todas aquelas que têm suas ações majoritariamente em mãos de especuladores, hoje denominados “gestores de ativos”, cortam investimentos produtivos e vendem ativos para inflar dividendos, assim como tomam dívidas para recomprar suas próprias ações, valorizá-las e recompensar com elevados bônus seus executivos, com sérios riscos para o futuro dessas empresas privadas. 

Para não me alongar apenas dois exemplos. Daquela que já foi a maior empresa do mundo e, obviamente, do setor petróleo, a antiga Standard Oil of New Jersey (SONJ), atualmente ExxonMobil Corporation, incorporada em 1999; tem 28,75% de suas ações em mãos de fundos de investimentos, que tem em significativa parcela o controle de The Vanguard Group (o segundo maior do mundo, com quase 10 trilhões de dólares estadunidenses em ativos), que também é o maior investidor institucional com 24,59% das ações. Outro importante acionista, com 5,96% do capital, é o State Street Global Advisors. 

Outra estadunidense, onde também The Vanguard Group tem significativa participação, desmentindo a competitividade da privatização, é a Chevron, fundada no Texas, em 1879, por Peter Chevron. Os fundos onde predominam os controlados pelo The Vanguard Group e State Street Global Advisors (SSgA) detêm 33,96% das ações. Os principais investidores institucionais, totalizando 32,26% do capital, são: The Vanguard Group (7,96%), SSgA (7,25%), BlackRock (4,56%), Geode Capital, Berkshire Hathaway etc. 

Outra importante petroleira que vem se assenhoreando dos ativos da Petrobrás e prometendo transformar um monopólio estatal brasileiro em monopólio privado neerlandês é a Shell, que pertence ao De Nederlandsche Bank com 39,22%, ao BlackRock com 7,14% e The Capital Group com 4,99%. É importante notar que o BlackRock é o maior gestor de ativos do mundo, com um patrimônio superior a 10 trilhões de dólares estadunidenses, controla direta e indiretamente empresas de diversos segmentos e influi nas políticas econômicas de muitos governos. Não é apenas um setor que se “privatiza” hoje, é a própria economia que sai do controle do Estado, onde se encontram todos os poderes que passam a sofrer assédio e suborno destes gigantes financeiros. 

Por conseguinte senhor comentarista, quem está com prazo de validade é nosso País ao se meter nesta armadilha das privatizações, das alienações indiscriminadas de ativos brasileiros para empresas que têm seus controles em capitais crescentemente marginais. 

Atenção brasileiros, patriotas, que desejam ter um passaporte nacional e não de apátrida, pois deixarão assim de ter um lugar que os acolha. Privatizar no mundo controlado pelas finanças faz mal aos países. 

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.