Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

quinta-feira, 3 de março de 2022

O século XXI repete o anterior. Um mundo em guerra pelo petróleo: óleo e gás natural

Quinta, 3 de março de 2022O século XXI repete o anterior. Um mundo em guerra pelo petróleo: óleo e gás natural

O século XXI repete o anterior. Um mundo em guerra pelo petróleo: óleo e gás natural

03 MarçoUma ánalise sobre o atual momento na geopolítica

Por Pedro Pinho

Onde está o petróleo?


Apenas dois países estão entre as cinco maiores reservas de óleo e de gás do planeta: a Rússia e o Irã. Ambos são participantes da “Nova Rota da Seda”, o maior projeto de desenvolvimento do mundo, que já engloba mais de 145 estados nacionais, majoritariamente na África (44), na Ásia (42) e na Europa (29).

Por outro lado onde estão os maiores consumidores de óleo e de gás? De acordo com a bp Statistical Review of World Energy, edição de 2021, dos dez maiores consumidores, apenas cinco também são produtores, embora nem todos possam satisfazer a demanda interna. São grandes consumidores com produção que atende total ou significativamente o país, em exajoules: os Estados Unidos da América (62,49), a Federação Russa (21,20), a República Islâmica do Irã (11,70), a Arábia Saudita (10,55) e o Canadá (8,32). Os que completam a lista dos dez maiores são importadores líquidos, valores também em exajoules: República Popular da China (40,40), Índia (11,17), Japão (10,25), Alemanha (7,33) e Coreia do Sul (6,94). A distância destes para os demais é tamanha que o próximo da lista, que no entanto é autossuficiente, é o Brasil (5,77 exajoules). Ao qual seguem países europeus entre 5 e 3,5 exajoules de consumo.

O petróleo do mundo está na Venezuela (onde o reeleito presidente é chamado pela imprensa OTAN de ditador), no Oriente Médio, na Rússia e no Turcomenistão.

Precisa mais para que se compreenda a verdadeira causa das revoluções coloridas, dos injustificados ataques ao Iraque, à Líbia, à Síria, ao Afeganistão (vizinho de ricos detentores de reservas de petróleo)?

O que se evidencia em todas as guerras é a morte da comunicação. Quem pode imaginar que as notícias, as fotos, as entrevistas com que nos bombardeiam as mídias televisivas, impressas, radiofônicas nacionais e importadas sejam verdadeiras? Quando as fake news são as mais encontradas comunicações, tradicionais e virtuais?

Estamos assistindo a mudança de um Império, das finanças apátridas, por um novo que esperamos se consolide com respeito à humanidade e ao trabalho, ao invés da renda e da especulação financeira. O que faz o presidente de uma empresa do povo brasileiro dizer sem se envergonhar nem pedir desculpas que o objetivo da Petrobrás é pagar substanciais dividendos aos acionistas, mesmo que sejam obtidos não com suas operações, cada dia mais reduzidas, mas com a venda de valiosos ativos, que custaram o esforço de gerações de brasileiros.

Seguradora é condenada a indenizar por furto de celular dentro de carro estacionado em shopping do Gama

 Quinta, 3 de março de 2022

Os desembargadores da 1ª Turma Cível do TJDFT condenaram a seguradora Zurich Minas Brasil Seguros a indenizá-la pelos dando materiais sofridos, em razão de furto de seu celular que estava dentro do carro.

autora ajuizou ação, na qual narrou que seu carro foi arrombado dentro do estacionamento do Gama Shopping e que vários objetos foram furtados, dentre eles sua bolsa com documentos pessoais, cartões de banco e seu celular, seu notebook e um roteador que tinha acabado de comprar.

Marcha das Mulheres Ceilândia—Taguatinga neste sábado (5 de março). Participe!

Quinta, 3 de março de 2022

Convocação Geral para homens e mulheres que lutam contra a submissão da mulher

Avarandado no alvorecer

quinta-feira, 3 de março de 2022
Gal Costa e Dori Caymmi - Avarandado - Heineken Concerts 96

Avarandado no alvorecer

Voltei do front da minha guerra íntima e encontrei você que conserva o mesmo sorriso de 50 anos atrás. Nem acreditei que isso pudesse acontecer conosco nessa vida louca em séculos como o XX e o XXI. Afinal que pó mágico nos jogaram os duendes de 1969, na rua Miguel de Frias, no meio dos beijos apaixonados, para eternizar amor possivel na trégua de tantos combates? Cá estamos, sobreviventes dos sonhos de juventude, crendo ainda que a paz é possível, humanamente, apesar de milhões de pesares. Ao nos reencontrarmos, pude perceber a força bruta dos sentimentos que plantamos, sucesso absoluto das ideologias da paz e do amor, das liberdades de pensar e viver. Não vamos dizer palavra que embace o brilho dessa chance de silenciar bombas, olhar cada palmeira da estrada para namorar na orla da praia. Coisa linda saber que nossos corações nao envelheceram. Presente dos deuses nossos cerebros terem registrado que nao nos perdemos jamais. Viva nosso alvorecer em 2022. Ainda somos namorados de sempre. Cida Torneros

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Cida Torneros é jornalista aposentada e edita no Rio de Janeiro o Blog Vou de Bolinhas. É uma querida amiga deste Blog Gama Livre.

Mobilidade: Ibaneis pede mais dinheiro pra ônibus e a conta pode chegar a R$ 1 bilhão

Quinta, 3 de março de 2022
Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna


A Semob justifica a suplementação por considerar que a verba estipulada na Lei Orçamentária Anual (LOA) “não será suficiente para cobrir as despesas projetadas para todo o exercício.” Teria a Semob falhado nos cálculos, considerando quem em 2021 também se gastou perto de um bilhão (R$ 855.5 milhões) com as empresas de ônibus?


Por Chico Sant’Anna

Nem bem o ano começou e a secretaria de Mobilidade já deseja uma suplementação de verbas para pagar as empresas de ônibus do transporte coletivo da cidade. A pedida é de quase R$ 505 milhões, que vão se somar a R$ 442,5 milhões já alocados – R$ 72,8 milhões a título reembolso das despesas da gratuidade do transporte das Pessoas com Deficiência (PNE); R$ 100 milhões, do Passe Livre Estudantil (PLE); e R$ 269,7 milhões da chamada Manutenção do Equilíbrio Financeiro do Sistema. Somando tudo, por enquanto, o valor chegaria a quase um bilhão de reais: R$ 947,5 milhões nesse ano para as empresas de ônibus.

A Semob justifica a suplementação por considerar que a verba estipulada na Lei Orçamentária Anual (LOA) “não será suficiente para cobrir as despesas projetadas para todo o exercício.” Causa estranheza o fato de a LOA ter sido votada muito recentemente, em 14 de dezembro, e já se mostrar insuficiente para cobrir as despesas agora apontadas. Teria a Semob falhado nos cálculos, considerando quem em 2021 também se gastou perto de um bilhão (R$ 855.5 milhões) com as empresas de ônibus? No dia 25 de fevereiro, a Semob informou já ter gasto R$ 92.643 milhões, dos R$ 442,5 milhões alocados para 2022.

Ficção orçamentária

Especialista em planejamento e orçamento e ex-secretário adjunto de mobilidade do DF, Leandro Couto, considera essas constas todas “muito estranhas”. “Houve sub-orçamentação? O orçamento então virou uma enorme peça de ficção? Tudo isso dificulta a transparência e acompanhamento dos gastos púbicos” – salienta.

CONFRONTOS NO MUNDO TERMONUCLEAR E AS EXPRESSÕES DO PODER

 Quinta, 3 de março de 2022

Pedro Augusto Pinho

Impossível não vir à mente, aquele jovem que não pode enfrentar o grandalhão do pedaço, mas que salva sua imagem com o: “me segura senão eu bato”.


O poder pode ser analisado por suas expressões. Sem ministrar conhecimentos de outros, façamos breve síntese das cinco expressões do poder e onde as encontramos mais fortes nesta terceira década do século XXI.


Poder militar, que me fez pensar na situação várias vezes encontrada e que abre este artigo, está indiscutivelmente com a Federação Russa. É o grandalhão imbatível, reconquistando mais do que a posição da guerra fria: hoje não encontra concorrentes.


Poder econômico, mais importante que há uma década, no país sem dívida externa, mas, ao contrário, credor do ocidente, a República Popular da China. A cada dia com domínio crescente das tecnologias e o maior parque industrial do planeta, se firma como o grande poder econômico do século XXI.


Poder tecnológico, que sempre acompanha o militar e o econômico, a ponto de ser considerado, por muitos, como detalhamento destes, está no contexto euroasiático, na dupla Rússia-China.


Poder psicossocial, cuja importância alcançou pontos altos quando concentrado na religião ou nos veículos de comunicação de massa, hoje mais distribuído pelas comunicações virtuais, pelas bandas de cá, ainda está no contexto OTAN, ou seja, no idioma inglês, com o domínio de quase dois séculos consecutivos.


A disputa está no controle político, principalmente quando o mundo termonuclear —expressão do genial Darcy Ribeiro— pode não deixar sobreviventes se resolvido pela guerra.


Porém, o mundo da política ou é participativo ou uma falácia. Quem acredita em democracia onde apenas as mesmas forças são sempre vencedoras, e os eleitores, obrigados ou não, tem limitadíssimas alternativas de escolha?


Vejamos o Brasil. Desde 1822 tem os centrões, ou seja, o poder fundiário e bacharelesco como dominantes, e, o que é mais grave, quando se abre ainda que pequena brecha nesta couraça política, logo se articula e desencadeia um golpe: ora militar, ora parlamentar, ora judicial, e também múltiplo, como este último: parlamentar-judiciário, com respaldo militar. Mas fortemente carregado pelas finanças apátridas.


Uma questão certamente intriga a todos: como, em menos de trinta anos, a China, com Deng Xiao Ping (1904-1997), e a Rússia, com Boris Iéltsin (1931-2007), deixaram de ser um adendo ao mundo unipolar, ser uma colônia de banqueiros, para se transformarem em potências mundiais?


Alguns articulistas levantam a “questão dos mísseis” dos anos 1960. Mas a situação que envolveu John Kennedy e Nikita Khrushchov é totalmente diferente da que enfrentam Vladimir Putin e Joe Biden. Primeiro porque os Estados Unidos da América (EUA) nos anos 1960 era nação soberana, com poder militar semelhante ao da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS). Hoje os EUA é um país ocupado pelo sistema financeiro apátrida e perdeu muito do seu poder industrial, coesão social, e força econômica. Por outro lado a Federação Russa recuperou a até superou seu poderio militar e tecnológico bélico dos anos 1960, e tem, além das reservas de petróleo e gás, maiores da Europa e das maiores do mundo, o apoio integral da nova potência econômica, a República Popular da China. Não há potência econômica sem consumidores e a China é a maior potência comercial do planeta.


Os cinco grandes dos hidrocarbonetos, que movimentam o mundo real, o econômico e o militar, não as fantasias das “Sociedades Abertas”, do megaespeculador George Soros, são:


RESERVAS EM 31/12/2020, conforme bp Statistical Review of World Energy 2021, os cinco grandes:


País        (óleo bilhões de barris) (gás trilhões m³)

Venezuela ...............303,8

Arábia Saudita ........ 297,5

Irã ........................ 157,8 .................... 32,1

Iraque ....................145,0

Federação Russa .     107,8 ..................  37,4

Qatar ................................................. 24,7

Turcomenistão ....................................  13,6

EUA .................................................... 12,6


Enquanto o contexto euroasiático promoveu nestes 20 e poucos anos investimentos produtivos no desenvolvimento tecnológico, na industrialização, no comércio, na saúde e na educação, e no bem estar de seus povos, o contexto OTAN se preocupou em dar máxima rentabilidade ao capital especulativo, ao pagamento de elevados dividendos, e a transferir recursos dos tesouros nacionais para cobrir as aplicações mal sucedidas, as denominadas “crises”.


Além do que, os capitais marginais, ainda que tendo altas taxas de rentabilidade, colocam seus capitais, para esperar a próxima compra de drogas, pessoas e órgãos humanos, prostitutas de todas idades e sexos, aplicados nos 85 paraísos fiscais existentes no mundo. Ou seja, passam ao modelo de gestão compartilhada com os demais capitais, inclusive dos aristocratas e nobres ingleses.


Alguma dúvida do que está ocorrendo?


Eis a razão das agências noticiosas russas estarem censuradas no ocidente, assim com as vacinas russas e cubanas não terem aprovação no Brasil, todas estas restrições que nos fazem pagar mais caro e, certamente, por produtos piores, que não enfrentariam competição, e de nos colocarmos ajoelhados, com dinheiro na mão, aos pés dos bispos Macedo, Malafaia, Santiago, Soares e tantos outros neopentecostais, de outras denominações e até padres e bispos católicos ultraconservadores.


É na guerra da conversa, do levar no papo, do poder psicossocial que o mundo OTAN ainda se mantém. E com esta expressão do poder busca dominar a expressão política.


Apenas um movimento do acaso desencadeará a catástrofe nuclear. Dos capitais da prostituição e do jogo ao do palácio de Buckingham e ao da CIA, em Langley (Virgínia), não se espera encontrar suicidas em posição de mando.


Ao fim, como noticiou o Monitor Mercantil, em 02/03/2022, na coluna Fatos e Comentários, o jornalista Marcos de Oliveira, “há a bolha de US$ 2 quadrilhões”, em papéis podres — dívidas e derivativos, analisa o Instituto Schiller, pronta para estourar.


Nenhuma surpresa, além da oportunidade da revelação. Desde nossas coloridas jornadas de 2013, venho escrevendo que a crise 2008-2010 apenas estava interrompida, até por falta de recursos nos tesouros estadunidense e europeus. Mas a disputa entre capitais tradicionais e marginais não revelara nitidamente um vencedor, e a especulação já fazia antever nova crise. Com o golpe das finanças no Brasil, em 2016, se apossando do pré-sal, e de lambuja outros valiosos ativos brasileiros, imaginei que uma parte estava dando lastro a estes papéis podres. Ainda tenho esta compreensão, pois a crise não foi descortinada.


Mas a guerra, certamente Putin tem conhecimento, ainda mais preciso, deste imenso furo nas finanças OTAN, foi desencadeada pela absoluta fragilidade ocidental.


Concluo transcrevendo da coluna do jornalista Marcos de Oliveira, parte do Manifesto divulgado pelo Instituto Schiller, fundado por Helga Zepp-LaRouche, viúva do escritor, professor e político estadunidense Lyndon LaRouche (1922-2019):


“A City de Londres e Wall Street, os proprietários desse sistema falido, estão desesperados para destruir qualquer alternativa funcional a seu sistema —como a aliança da Rússia e da China em torno da Iniciativa Cinturão e Rota (Nova Rota da Seda), que agora incorpora quase 150 nações— e o establishment financeiro declarou abertamente que é isso o que está em jogo” e “Se as políticas atuais continuarem, a guerra nuclear se tornará uma possibilidade muito real — depois da qual não haverá vencedores e muito provavelmente não haverá sobreviventes”.

 

Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.

quarta-feira, 2 de março de 2022

"Entre poesia e canções" abre temporada das Sextas Musicais com homenagem às mulheres

Quarta, 2 de março de 2022

Com retorno do público presencial, a cantora Sandra Duailibe leva ao palco do CTJ Hall, no dia 4, às 20h, espetáculo com repertório de autores consagrados da MPB. Show terá a participação da poetisa Maria Maia


Fonte: EIXOS COMUNICAÇÃO INTEGRADA

Na abertura da temporada 2022 das Sextas Musicais, a cantora Sandra Duailibe, uma das estrelas da nossa MPB, leva ao palco do CTJ Hall — Casa Thomas Jefferson o espetáculo Entre poesia e canções em homenagem às mulheres. No dia 4 de março, às 20 horas, ela interpretará canções e composições de Fátima Guedes, Dorival Caymmi, Tom Jobim, entre outros, acompanhada da poetisa Maria Maia, que recitará alguns de seus versos inspirados no feminino.

A apresentação marca o retorno do público presencial ao CTJ Hall, na Casa Thomas Jefferson da 706/906 Sul — verifique o protocolo Covid-19 para comparecimento. Mas a transmissão ao vivo pelo YouTube do centro binacional, que tem o apoio da Embaixada dos EUA na realização de seus eventos culturais, será mantida em todos espetáculos. Dessa forma, esse patrimônio de belas apresentações musicais permanecerá disponível online.

Para enriquecer ainda mais a noite, o espetáculo terá a presença de luxo da guitarrista Marlene Souza Lima, que, em 2021, recebeu o Prêmio Mulher Negra, da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do DF. Farlley Derze, ao piano, parceiro de muitas jornadas musicais de Sandra Duailibe, a acompanhará nesta noite especial. No palco, um cenário cheio de arte e flores.

O repertório de Entre poesia e canções:

Boa noite, amor (José Maria de Abreu e Francisco Matoso)
Lua Brasileira (Fátima Guedes)
Lígia (Tom Jobim)
Garota de Ipanema (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
Ela é carioca (Tom Jobim e Vinicius de Moraes)
Bolerar (Cassia Portugal, Marcia Forte e Sandra Duailibe)
Madalena (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza)
Requebrado (Ângela Brandão)
A vizinha do lado (Dorival Caymmi)
Mulheres do Brasil (Joyce)
Mulher Brasileira (Benito de Paula)

Sobre o Dia Internacional da Mulher

O Dia Internacional da Mulher, 8 de março, foi designado pela Organização das Nações Unidas com o objetivo de lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres, independentemente de divisões nacionais, étnicas, linguísticas, culturais, econômicas ou políticas. Atualmente, a data é comemorada em mais de 100 países com o objetivo de manter a conscientização da importância dessas conquistas e das que ainda precisam ser alcançadas.

Sobre os artistas

Sandra Duailibe, cantora, aos 6 anos ingressou no Conservatório Carlos Gomes, em Belém, onde estudou até os 15 anos. Foi dentista, empresária do turismo e, em 2005, abraçou o canto como vida e profissão. Elegante, com timbre de voz singular e interpretações emocionantes, é considerada uma das estrelas da nossa MPB.

Ex-Ministro da Justiça admite que foi um erro não investigar a Dívida Pública

Quarta, 2 de maró de 2022

Ex-Ministro da Justiça, Eugênio Aragão, admite que foi um erro não investigar a Dívida Pública

Vídeo publicado no Youtube pelo Cana
O jurista Eugênio Aragão, membro do Ministério Público (MPF) de 1987 a 2017 e Ministro da Justiça do governo Dilma Roussef em 2016, admitiu que o MPF falhou em não investigar a dívida pública após a entrega de relatórios da CPI da Dívida de 2009. Em respostas a questionamento feita pela coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli, Aragão assumiu que do "ponto de vista do patrimônio público, não há dúvidas, pelo que foi levantado na CPI, que estamos sendo lesados há muito tempo". Como o Brasil estaria se as investigações tivessem ocorrido e o governo tivesse interrompido a injustificável remuneração da sobra de caixa dos bancos e a inconstitucional contabilização de juros como amortização? E se tivessem revisto as ilegalidades das dívidas dos estados, já pagas várias vezes? Com certeza estaríamos em outro patamar! É ano de eleição e precisamos cobrar dos candidatos o comprometimento com a auditoria da dívida! É hora de virar esse jogo! Confira a reposta completa e divulgue! O vídeo é um trecho do Programa Viva Roda, de maio de 2017, com o jornalista Guga Noblat, cujo vídeo completo está disponível em https://www.youtube.com/watch?v=vXrtb... #AuditoriaJá

Fake News: YouTube suspende conta de Bia Kicis

Quarta, 2 de março de 2022
ia Kicis
Mais uma vez, a deputada federal Bia Kicis (União Brasil-DF) é penalizada pelas plataformas sociais por divulgar fake news. No início de fevereiro foi o Instagram e, agora, é o YouTube que a bloqueou por sete dias, a contar de 25/2. A parlamentar não poderá postar novos vídeos, nem fazer transmissões ao vivo. Motivo? Veicular desinformações sobre a vacinação infantil durante uma live.

A gravação da parlamentar foi excluída pela plataforma por violar regras sobre Covid-19 do YouTube, segundo informa o monitoramento da consultoria Novelo Data e o site Sonar. Elas estão em desacordo com as diretrizes do Youtube.

STF: Lewandowski suspende andamento de última ação penal contra Lula

Quarta, 2 de março de 2022

Caso envolve a compra de 36 caças Grippen pelo Ministério da Defesa

Por Felipe Pontes — Repórter da Agência Brasil - Brasília
Publicado em 02/03/2022 — 16h36 

O ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu hoje (2) uma liminar (decisão provisória) para suspender o andamento da última ação penal que ainda pesa contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na Justiça Federal de Brasília. O caso envolve a compra de 36 caças Grippen pelo Ministério da Defesa.

A suspensão deve durar até que o plenário do Supremo julgue o mérito de um pedido de trancamento definitivo da ação, feito pela defesa de Lula no âmbito de uma reclamação que trata das conversas colhidas pela Polícia Federal na Operação Spoofing, que apura a invasão dos aparelhos celulares de diversas autoridades da República. Não há prazo definido para que isso ocorra.

No Supremo, a defesa de Lula apresentou conversas extraídas de um grupo no aplicativo Telegram em que integrantes da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e os procuradores de Brasília Frederico Paiva e Herbert Mesquita, responsáveis pela Operação Zelotes, aberta para investigar irregularidades na tramitação de medidas provisória durante os governos de Lula e Dilma (2003 a 2016).

Segundo os advogados, as mensagens demonstram que os membros do Ministério Público Federal (MPF) sabiam faltar elementos para embasar um pedido de condenação no caso dos caças Grippen, mas seguiram adiante com a denúncia como forma de sobrecarregar a defesa de Lula com processos, mesmo que sem chance de sucesso.

REGRA GERAL —Estado de SP aplica "pena de fome" em seus presídios, com média de jejum de 15 horas por dia

Quarta, 2 de março de 2022

Com cerca de 202 mil pessoas atrás das grades, o estado paulista concentra um quarto de toda a população carcerária do país - Brasil de Fato


Padrão em cartas de presos, relatos de familiares e inspeções da Defensoria revela que a fome é política de Estado

Gabriela Moncau
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 02 de Março de 2022

"Dona Maria, aqui também não está nada fácil. A maior dificuldade é a fome. Cortaram muitos itens, como o docinho, o pãozinho, a salada e o suco. A nossa alimentação não está nos suprindo. No café um pãozinho e dois dedos de café. No almoço uma boia muito rala, dois dedos de feijão. A mesma coisa na janta, que a gente paga às 16h30 da tarde. Passamos mais de 14 horas sem nada para comer. No domingo, é uma caneca de sopa e uma bisnaguinha para cada. Muitos passam mal de fome. Eu mesmo já passei mal."

A carta é de um homem preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, em São Paulo, e chegou ao Brasil de Fato por meio da Associação de Amigos e Familiares de Presas/os (Amparar). O relato não é, nem de longe, isolado.

Com 201.088 pessoas aprisionadas no momento, o estado de São Paulo, apesar de corresponder a aproximadamente um quinto dos habitantes do Brasil, concentra cerca de um quarto de toda a população carcerária do país (que somava, em junho de 2021, 820.689 pessoas de acordo com dados do Ministério da Justiça).

Nos últimos 26 anos, São Paulo aumentou o encarceramento em 400% e, com ele, também seu complexo prisional. Representando cerca de um sétimo das 1.381 prisões espalhadas pelo país, o número de presídios no estado hoje está em 179.

"Em praticamente todas as unidades que a gente visita, a falta de alimentação ou a insuficiência dela é uma pauta das pessoas que estão presas", alega Thiago de Luna Cury, coordenador do Núcleo Especializado de Situação Carcerária da Defensoria Pública do Estado de São Paulo.

EUA ignoraram vacina sem patente e financiaram imunizantes de grandes marcas, diz pesquisadora

Quarta, 2 de março de 2022

Pesquisadora da Escola Baylor de Medicina de Houston, María Elena Bottazzi é uma das criadoras da Corbevax, vacina sem patentes contra a covid-19 - Reprodução/ Baylor College of Medicine

Equipe de María Elena Bottazzi desenvolveu Corbevax, vacina contra covid-19 que já está em uso na Índia; leia entrevista

Brasil de Fato
José Eduardo Bernardes —01 de Março de 2022

População não precisa se converter em cientista, mas entender a base dos medicamentos
Apesar das seguidas tentativas de organizações internacionais e de alguns entes governamentais de quebrar as patentes das vacinas contra a covid-19 e facilitar sua aquisição por países que não dispõem de recursos, os monopólios dos grandes laboratórios farmacêuticos se impuseram ao bem comum.

Contudo, nadando contra a maré, uma equipe de cientistas do Hospital Infantil da Escola Baylor de Medicina de Houston, no Texas, Estados Unidos, desenvolveu uma vacina não patenteada contra a covid-19, a Corbevax.

Os cientistas criaram a fórmula do insumo, que pode ser distribuída a qualquer laboratório interessado. As células produtoras são como uma receita que permite produzir a vacina em uma escala de dez litros. Vários países, a maioria do sudeste asiático, já adquiriram a fórmula.

Um dos principais aquisitores do insumo foi a Índia, que já começou a aplicar a Corbevax na população. O imunizante tem mais de 80% de eficácia contra a covid-19 e 50% menos sintomas adversos do que a Covishield, também aplicada na Índia.

“Estamos há dez anos trabalhando com vacinas contra o coronavírus com o propósito justamente de fazer protótipos e tê-los prontos para uma eventual emergência. Nossa experiência com a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS, da sigla em inglês) e com a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS, da sigla em inglês) foi que nos permitiu ter esse protótipo para a covid-19, e agora já estamos no processo de transferência de tecnologias”, explica a cientista María Elena Bottazzi.

Bottazzi, que é a convidada desta semana no BDF Entrevista, é reitora associada na Escola Baylor de Medicina e é uma das desenvolvedoras da vacina Corbevax, ao lado do cientista Peter Hotez. Nascida na Itália, a cientista foi criada em Honduras e hoje vive nos Estados Unidos.

terça-feira, 1 de março de 2022

UM GAMENSE NA CÂMARA FEDERAL?

Terça, 1º de março de 2022


Líder comunitário do Gama se lança como pré-candidato à deputado federal
Da redação do Gama Cidadão 1 de março de março

2022 é ano eleitoral, onde a população terá a oportunidade de eleger seus deputados estaduais, distritais e federais, senadores, governadores e presidente da república. Embora a eleição seja somente em outubro, o debate político segue fervilhando, seja pelos temas que sempre surgem ou pelas pré-candidaturas que começam a se lançar.

E os perfis das candidaturas são bem diversos, indo de representantes de categorias profissionais, movimentos sociais, empresários, líderes religiosos e comunitários, dentro dos vários partidos que existem e seus espectros ideológicos.

Umas das novidades dessa eleição são as mudanças relativas às listas de candidatos dos partidos ou federações, agora a lista deve levar em consideração a quantidade de cadeiras em disputa somando-se mais um, de modo que, para a realidade do DF, as listas para deputados distritais deverão ter no máximo 25 candidaturas e para deputados federais 9 candidaturas.

E é nesse cenário que Juan Ricthelly, 31 anos, advogado, servidor público e líder comunitário gamense se lança como pré-candidato à deputado federal pelo PSOL, em entrevista ao Gama Cidadão tivemos a oportunidade de conversar sobre esse desafio, as lutas da cidade, a conjuntura local e as razões dessa escolha política.

Gama Cidadão: Você é uma liderança comunitária bastante identificada com o Gama e suas questões. Teria como falar um pouco dessa relação e como começou esse envolvimento com as questões da comunidade?

Juan Ricthelly: Eu nasci no Hospital Regional do Gama, estudei numa das primeiras turmas do CAIC Carlos Castello Branco, que hoje está passando por uma reconstrução, na Escola Classe 28 que é na Vila Roriz, na parte da cidade onde morei a maior parte da minha vida, no CEF 10, no CEM 02… Aqui eu construí a minha vida, tenho amigos do Jardim de Infância, amizades de 20 anos, pessoas que me viram nascer, crescer, constituir e uma família, costumo dizer que aqui é o meu lugar no mundo, já viajei por alguns países, quero viajar muito mais, mas o Gama é para onde sempre eu quero voltar depois de uma viagem longa, aqui é o meu lar, é o único lugar no mundo onde eu posso ter esse sentimento de pertencimento, onde faço parte de uma comunidade.

Então eu posso dizer tranquilamente que essa relação e envolvimento com o Gama fazem parte de mim e do que eu sou como ser humano, embora o meu envolvimento mais ativo com as questões políticas e comunitárias tenha começado bem depois.

GC: Teria como falar um pouco mais sobre esse ponto? Onde e como exatamente você começou a atuar como uma liderança comunitária?

JR: Acredita que o meu filho de 6 anos e meio que me fez essa pergunta esses dias?

Ele perguntou:

“Pai, como é que uma pessoa vira um líder comunitário?”

E aquela pergunta me gerou uma reflexão sobre isso e um monte de memórias vieram como consequência.

Mas de forma bem objetiva, comecei a atuar em 2014, ainda estava na faculdade estudando Direito, quando uma amiga que estudou comigo no ensino médio, me convidou para ajudar com uma iniciativa relacionada às mudanças e transtornos que foram causados pela implantação do BRT aqui no Gama, o início daquilo foi um caos e deixou muita gente irritada, então começamos a reunir pessoas e criamos o Gama em Movimento.

Pedimos uma reunião com a Administração Regional e solicitamos uma reunião entre a comunidade e os responsáveis por aquela mudança, na época o administrador era o Adauto. Fizeram uma ponte com o DFTRANS que na época era comandado pelo Jair Tedeschi, e marcamos uma reunião no auditório do CILG.

Nós fizemos um cartaz em A4, tiramos várias cópias e saímos pregando em todos os pontos de ônibus do Gama, no dia da reunião tinha umas 115 pessoas da comunidade, e foi onde ouvi falar pela primeira vez do Fórum Comunitário e de Entidades do Gama e do portal Gama Cidadão que estava cobrindo o evento.

Depois chamamos outra reunião, com o tempo a pauta foi perdendo força e aquele grupo do Gama em Movimento se desarticulou. Mas uma vitória concreta que tivemos foi a volta da linha de ônibus pra UnB na época, e criamos esse ambiente de diálogo entre a comunidade e o poder público.

Ainda tenho contato e amizade com praticamente todo mundo, mas posso dizer que foi aí que tudo começou.

GC: Quando o Gama em Movimento se desarticulou você perdeu aquele núcleo de atuação vinculado à pauta de mobilidade. Depois disso, pra onde você foi?

JR: Eu fiquei à deriva, já que eu não conhecia ninguém desse circuito de lideranças comunitárias, mas depois do Gama em Movimento fui convidado para fazer parte do Atitude no AR, um programa da Rádio Comunidade que funciona lá na Igreja de Nossa Senhora Aparecida.

Fomos entrevistados como Gama em Movimento, lá conheci o Adriano Couto que é meu amigo até hoje e trabalhamos juntos por algum tempo nesse programa de rádio, e isso me ajudou a conhecer pessoas.

Outro rumo que tomei foi em relação a pauta do meio ambiente, e comecei nisso de uma forma inusitada. Estava passando um dia pela feira e vi uns tratores preparando o terreno para a construção de um estacionamento, larguei o que estava fazendo, arranquei os piquetes e comecei a carregar pedras junto com um pessoal em situação de rua, formando no chão a frase “O PARQUE É NOSSO!”, com as pedras e cal para destacar.

Tirei umas fotos, escrevi um texto criticando mais aquela perda do Parque Ecológico do Gama e aquilo repercutiu, me fazendo chegar em lideranças comunitárias históricas que já atuavam naquela luta há décadas, como o presidente do Conselho Comunitário do Setor Norte do Gama, Alex Ribeiro, e a partir daí, acho que comecei a entrar no circuito de lideranças comunitárias.

Depois criei o Gama Verde, que é uma ONG não formalizada, voltada para o debate ambiental do Gama, onde mapeamos cachoeiras, trilhas e locais com potencial pró ecoturismo, oferecemos palestras em escolas para alunos, pais e professores, apoio técnico e informação para a comunidade em audiências públicas, ativismo judicial em defesa do meio ambiente, passeios eco turísticos comunitários, plantio de mudas, limpeza de leitos de rios, córregos e nascentes…

E com o tempo me aproximei do Fórum Comunitário e de Entidades do Gama e as coisas foram acontecendo.

GC: Você foi candidato a deputado distrital em 2018, fez uma campanha com um forte viés ecológico e com foco nas questões do Gama. Agora se lança como pré-candidato a deputado federal, quais as razões dessa escolha? E como você vai fazer para furar essa bolha?

JR: Ser candidato naquela ocasião foi uma experiência muito intensa, que me trouxe alguns aprendizados, doloridos até, mas também alguma maturidade política.

Fazer uma campanha eleitoral sem recursos, sem experiência, sem alguém experiente do lado para orientar e ajudar, só com a cara, a coragem, os sonhos e a vontade de mudar o mundo… É lindo na teoria, na prática a realidade é mais dura.

A minha equipe de campanha éramos eu e dois amigos de escola, um pai desempregado com quatro filhas que morava em Santo Antônio do Descoberto, uma mãe solo negra e desempregada da Santa Maria, sou muito grato à eles, chego a chorar quando penso nisso, nós fizemos o melhor que podíamos dentro das nossas limitações financeiras, físicas e políticas, e por mais que não tenhamos sido eleitos, acho que foi uma boa campanha.

Hoje a conjuntura do país e do mundo é outra, eu também sou outra pessoa, que aprendeu muitas coisas e seguramente tem tantas outras para aprender, e acredito que o momento nos exige ousadia e coragem, dentro disso, uma candidatura a federal me possibilita pautar questões que eu não conseguiria como distrital.

A última vez que o Gama elegeu um federal foi o Agnelo Queiroz em 1995, quando ele morava na cidade, trabalhava como médico no HRG e fazia parte da vida política local. O Gama é uma cidade importante para essa região sul do DF e do Entorno, parte considerável da população dos municípios recorre aos equipamentos e serviços públicos daqui, trabalha do lado de cá dessa fronteira imaginária, compartilha e sofrem de problemas semelhantes aos nossos, votam aqui no DF embora vivam lá, e acho que a construção de uma pré-candidatura que faça esse diálogo e essa conexão, tem o potencial de furar essa bolha, uma parte considerável do eleitorado do Distrito Federal não mora aqui. E eu quero dialogar com essas pessoas.

GC: Hoje a Administração Regional do Gama é controlada pelo Deputado Daniel Donizet e seu grupo político, você fez duras críticas ao deputado, a administração e sua gestão. Como você explica esse antagonismo com o deputado e seu projeto político pra cidade?

JR: Que pergunta! Mas vamos lá! Não sei nem por onde começar… (Risos)

Esse é um ponto com algumas questões que precisam ser abordadas e vamos começar primeiramente pela questão do respeito, acho que esse é um aspecto fundamental em qualquer âmbito da vida, principalmente quando estamos tratando de questões comunitárias, podemos não concordar em algumas coisas, mas o respeito é fundamental, ainda mais numa cidade como o Gama, onde todo mundo se conhece, a gente se esbarra na padaria, nos botecos, na feira, nas audiências públicas…

E a forma como o deputado chegou na cidade foi extremamente desrespeitosa, naquele episódio lamentável de puro destempero emocional, onde foi extremamente estúpido com a então administradora Juliana Navarro, que foi presidente da OAB Gama e Santa Maria.

E essa postura infelizmente reflete em como alguns de seus assessores atuam na cidade, é tanto que ninguém gosta deles, os caras conseguem unir a esquerda e à direita da cidade num ranço geral contra eles, por não respeitarem as pessoas e o trabalho delas como lideranças, são agressivos, se apropriam do trabalho alheio como se fosse deles, e isso é uma postura horrorosa. Basta ver o que estão fazendo agora com a Professora Maria Antônia, chega a ser criminoso.

Agora sobre o deputado em si, é uma pessoa que não tem vínculo de construção de trabalho junto à comunidade anterior à sua eleição, dos 9 mil votos que ele teve, só uns 400 vieram do Gama, não foi a nossa comunidade que o elegeu!

Mas aí, ele resolveu se autoproclamar o deputado da cidade, reivindicar a Administração Regional do Gama para si, e por um motivo bem simples. Ele se elegeu surfando na onda bolsonarista, era do PRP, foi pro PSL, depois pro PSDB e agora está no PL, o cara teve uma média de um partido por ano desde que se elegeu, é um sommelier de legenda partidária.

E como se elegeu surfando nessa onda, não tem base eleitoral sólida, então essa reivindicação da Administração Regional do Gama, essa tentativa artificial de colar a imagem dele como alguém da cidade, de se apropriar do trabalho e das lutas históricas da comunidade como uma conquista pessoal dele, faz parte dessa tentativa desesperada de ter essa base vinculada ao Gama e aos donos de gatos e cachorros.

E para além dessas questões ainda tem o elemento de cooptação de lideranças comunitárias legítimas, de meios de comunicação comunitários, como o Notícias do Gama que está nitidamente com ele, o grupo Nós que Amamos o Gama no Facebook, de instituições por meio de pessoas como a Coordenação Regional de Ensino do Gama.

Ele é um alienígena, não faz parte da comunidade, não é um deputado da cidade, ao contrário da Jacqueline Silva, que tem uma história com a Santa Maria por exemplo.

E por não ser alguém da cidade e da comunidade, ele não compreende algumas questões dessa comunidade, basta ver a postura dele em relação ao Posto 8 quando surgiu aquela ideia absurda de transformar o posto em estacionamento do Santa Lúcia, a ideia repercutiu mal na comunidade e ele teve que recuar.

Espero de coração que ele seja derrotado nesta eleição.

GC: Recentemente você fez uma publicação no Twitter, que republicou em suas outras redes sobre a condição da Professora Maria Antônia como legítima representante do Gama na CLDF, numa clara provocação ao deputado Daniel Donizet. No passado você teve alguns atritos com a Profª Maria Antônia, e agora faz essa sinalização de reconhecimento, como você explica isso?

JR: É um fato que tive as minhas diferenças com a Professora, em audiências públicas, reuniões e até cheguei a embargar uma obra pública na gestão dela como administradora regional do Gama, por meio de uma Ação Popular, mas eu nunca a desrespeitei como pessoa e sempre a reconheci como uma lideranças comunitária legítima em razão de todo o trabalho que ela desenvolveu na cidade ao longo de sua vida. É alguém que tem uma história com a nossa cidade, que podemos até discordar em um ponto ou outro, mas no fim acredito que ambos queremos o melhor para a nossa comunidade, e sim, ela pode dizer que é uma deputada do Gama, é verdade.

GC: Você fez uma menção ao Fórum Comunitário e de Entidades do Gama, que teve um protagonismo importante durante a questão do Posto 8 e vez ou outra surge como um ator social e político relevante nos debates da comunidade. Qual o papel do Fórum hoje na política da nossa cidade?

JR: O Fórum já tem mais de 10 anos de atuação, e é um espaço onde as principais lideranças comunitárias já passaram, pessoas de diversos seguimentos e até ideologias, e é na minha opinião um patrimônio da nossa comunidade.

Não tem um CNPJ, não tem um estatuto ou regimento, e ainda assim funciona aos trancos e barrancos há mais de uma década, não é um espaço formal e funciona com base em regras que foram estabelecidas lá atrás pelos fundadores, com pequenas variações.

Mas ainda assim, consegue articular a comunidade em torno de pautas comuns como saúde, meio ambiente, cultura… Se não fosse o Fórum, o Posto de Saúde 8, que hoje o autoproclamado deputado do Gama faz alarde como se fosse uma conquista dele, teria virado estacionamento do Hospital Santa Lúcia.

E aquele protagonismo do Fórum incomodou ele e os seus assessores, que naquela ocasião fizeram de tudo para sabotar o Fórum, e infelizmente foram bem-sucedidos nisso, no passado por exemplo, teve uma plenária em Janeiro, depois uma com a OAB Gama e Santa Maria sobre a ideia absurda de retirar a Vara de Trabalho do Gama e mudar pra Taguatinga, depois disso o Fórum parou, e nessa reunião de Janeiro de 2021, o deputado teve a audácia de aparecer na plenária do Fórum e dar mais uma demonstração de seu já conhecido destempero emocional.

Tem algum tempo que estou no Fórum, já estive na Mesa Mediadora por diversas vezes, e agora voltei, está um pouco difícil pegar ritmo, já que o Fórum ficou quase um ano parado, mas nós vamos conseguir, ainda mais num ano tão decisivo como esse.

O Fórum já organizou atos, protestos, debates e é um espaço com muito potencial, que já fez muito por nossa comunidade e ainda vai fazer muito mais. O papel do Fórum é o de unir as lideranças comunitárias, dialogar com os movimentos sociais, a mídia alternativa local que cumpre um papel importantíssimo e o Estado.

GC: Já temos vários candidatos da cidade em pré-campanha, ao que tudo indica teremos a Profª Maria Antônia de volta ao jogo, o deputado Daniel Donizet tentando colher politicamente o trabalho que tentou fazer por aqui… Como você acha que vai ser a eleição aqui no Gama?

JR: Para federal até agora eu não sei de ninguém daqui, só a minha pré-candidatura até o momento, na última tivemos o meu amigo Roberto Tim, a minha amiga de infância Géssyca Alves e uma multidão de distritais da comunidade como o meu amigo Ailton Miranda, o Alexandre Tota, o Professor Edgard, a Professora Maria Antônia, o Allan Freire e outros que não me recordo agora.

Agora para distrital já temos esses dois que você mencionou, o autoproclamado, também conhecido como coveiro de CPI e a Professora Maria Antônia, que acho que vai vir forte. Tem a minha amiga Professora Flávia que é uma ambientalista que eu respeito muito e vai fazer um debate interessante sobre educação e meio ambiente, o Allan que saiu recentemente do NOVO e deve ir para o União Brasil, já que ele está enfatizando tanto essa palavra nos pronunciamentos dele, o Ailton Miranda que sempre consegue fazer uma boa votação, não sei se o Tota vem, mas faz um trabalho muito bonito e teve muitos votos na última, e também não sei se a Thabata vem.

Na Santa Maria a Jaqueline Silva vai estar muito forte, embora tenha um rival poderoso que disputa a mesma base, que o Daniel Radar, um cara que eu admiro muito.

Fora esses, seguramente teremos os candidatos forasteiros com estrutura e grana, que conseguem fazer campanha por todo o DF e já possuem uma base sólida de apoiadores, normalmente esses são os que conseguem serem eleitos.

GC: E para o GDF qual cenário você enxerga?

JR: A eleição para o GDF é sempre uma incógnita, levando em consideração que depois do Roriz, ninguém mais conseguiu ser reeleito, toda eleição aparece um salvador que logo depois se converte em vilão.

O Arruda nos “salvou” do Roriz, o Agnelo nos “salvou” do Arruda, o Rollemberg nos “salvou” do Agnelo, o Ibaneis nos “salvou” do Rollemberg, e seguramente vai aparecer alguém com a proposta de nos “salvar” do Ibaneis, e precisamos até. (risos)

GC: E a nominata dos partidos e PSOL?

Objetivamente em relação às candidaturas, o PSOL possivelmente deve lançar a Keka Bagno, que foi a pessoa mais bem votada na última eleição pro Conselho Tutelar e é alguém muito inteligente, com uma história forte e bem articulada, o PT está entre a Professora Roseane e o Magela, o deputado Leandro Grass que estava na REDE, agora foi para o PV e estava se lançando como pré-candidato, não sei se vai manter, tem o IZALCI pelo PSDB que infelizmente teve uns votos e posicionamentos horrorosos, o Reguffe que na minha opinião foi um parlamentar insipiente e não tem nenhum carisma e o NOVO deve lançar algum anarcocapitalista que vai ter a destruição do Estado, das empresas públicas e do funcionalismo público como solução para os nossos problemas.

Vai ser uma campanha dura e acho que o Ibaneis não está reeleito, e espero que não seja mesmo.

GC: Para finalizar a nossa conversa que está ótima, gostaria de perguntar: Caso você venha a ser eleito como Deputado Federal pelo DF, quais serão as suas pautas prioritárias de atuação no Congresso Nacional?

JR: Para mim a questão ambiental é estruturante e perpassa tudo, pois sem o equilíbrio do meio ambiente, sem a capacidade de regeneração da natureza ser respeitada e os metabolismos do planeta sendo perturbados como têm sido, basta ver como o debate sobre a questão climática é algo urgente que está no centro dos debates mundiais, embora muito pouco esteja sendo feito, sem tudo isso que eu mencionei, não tem economia, não tem saúde, não tem qualidade de vida, primeiramente os mais pobres sofrem os efeitos desses desequilíbrios, mas é algo com potencial de impactar todos, a extinção da espécie humana está em curso e precisamos fazer algo para ontem.

Então em primeiro lugar eu coloco a questão ambiental, obviamente que no meu mandato não vou tratar apenas disso, os debates nacionais chegam num gabinete parlamentar e precisam ser tratados com seriedade, e para além disso, vou ser um aliado e estar sempre na linha de frente na luta pelos direitos das mulheres, dos LGBTs, dos povos originários, comunidades tradicionais e outras minorias, seguramente vou usar todos os meios ao meu alcance para apoiar e fortalecer a luta contra o racismo que é um problema estrutural da nossa sociedade, nos meus votos e intervenções vou defender as empresas públicas, o SUS que é um patrimônio coletivo nacional, as universidade públicas, os servidores e o serviço público em geral, a educação e o seu aperfeiçoamento respeitando e valorizando a importâncias dos professores.

Outra coisa que tenho bastante nítida, vou lutar pelos direitos dos trabalhadores e qualquer proposta de revisão ou revogação da Reforma da Previdência, Reforma Trabalhista e do Teto de Gastos que chegar, terá o meu apoio! Foi horrível o que fizeram com essas reformas, que alardearam como a solução para os nossos problemas, que ia gerar milhões de empregos, que até hoje não chegaram e nem vão, só serviram para desequilibrar as relações de trabalho no Brasil em proveito dos patrões e dificultar a vida da nossa população.

A integração real do DF com o Entorno também será um dos eixos mais importantes do meu mandato, precisamos acabar com esse empurra-empurra, onde o Estado de Goiás ignora e o Distrito Federal finge que não existe, e a população sofre no meio disso, precisamos discutir sobre integração no transporte, na educação, na saúde e em tudo o que for possível e necessário.

E embora a política externa seja tocada pelo Executivo, eu já adianto que sou simpático de uma política onde o Brasil se porte de forma soberana e autônoma, descolado dessa submissão aos EUA, e em diálogo e trabalho constante com a América Latina, a África, os BRICs e tudo o que represente uma alternativa à essa ordem mundial comandada pelos Estados Unidos e pela Europa.

Para finalizar, queria agradecer pela oportunidade dessa conversa e dizer que estou aberto ao diálogo com todo mundo que se sentir à vontade em debater. Obrigado!
Juan Ricthelly*

Tributo a Moraes Moreira. Há dois carnavais o artista deixou de 'Balançar o chão da Praça' e de gritar: 'Chame gente! Chame gente!`

Terça, 1º de março de 2022

Esta postagem foi publicada originalmente em abril de 2021, com o título "Tributo a Moraes Moreira. Há um ano o artista deixou de 'Balançar o chão da Praça' e de gritar: 'Chame gente! Chame gente!'

Então vamos à postagem com a atualização do título para "Tributo a Moraes Moreira. Há dois carnavais o artista deixou de 'Balançar o chão da Praça' e de gritar: 'Chame gente! Chame gente!`


Moraes Moreira Carnaval 1991
Moraes Moreira tocando a música 'Chão da Praça' no  Carnaval de 1991 em pleno encontro de trios. Observe a loucura que era. E como bom era. Vídeo postado no Youtube pelo Canal JP DroneVideo.


E para balançar o Chão da Praça, Moraes Moreira chamava gente. Como? Cantando o "Chame Gente". Vídeo postado no Youtube pelo Canal Antonio Carlos Laranjeiras Sampaio. Participações de Armandinho, Morais Moreira, Gilberto Gil, André Macedo, Caetano, Margareth Menezes, Ricardo Chaves, Durval Lelys, Bel Marques, Ivete, Daniela Mercury, Carlinhos Brown, Luis Caldas e Lazzo.

A partida de Moraes Moreira

Por Taciano

Aos 72 anos de idade, quando ainda dormia, na madrugada de 13 de abril de 2020, em sua casa no Rio de Janeiro, Moraes Moreira foi chamado para compor, cantar e tocar músicas no Céu.

Se já há um ano não pode mais balançar o chão da praça em Salvador com a sua voz e a sua guitarra, deve estar a balançar as nuvens do Céu, tendo como plateia e acompanhantes santos, anjos e arcanjos. Afinal, resistir ao seu ritmo, quem há? Ninguém, seja nós na Terra ou anjos nos Céus. 

Se os santos, anjos e arcanjos hoje não resistem as suas canções, se sacudindo lá em cima pra lá e pra cá —eu tenho certeza disso—, não era eu, um simples mortal, quando ainda garoto, adolescente ou já adulto, que conseguiria resistir. Impossível não acompanhá-lo no trio elétrico pelas avenidas, ruas, praças, ladeiras e becos da Cidade da Bahia (crédito para Jorge, o Amado, que assim se referia carinhosamente à querida e mágica Salvador). 

Imagine você se algum baiano teria forças, mesmo que quisesse, para resistir e não sair atrás do trio elétrico com Moraes Moreira, Baby Consuelo, Pepeu Gomes, Luiz Caldas e Paulinho Boca de Cantor. Como resistir aos Novos Baianos? Nunquinha! Era ajeitar a mortalha —que era a fantasia antes da invenção do abadá—, pegar um chapéu de palha para tentar se proteger do sol do verão da Bahia, e ir atrás do trio elétrico dos Novos Baianos. Afinal, só não vai atrás do trio elétrico quem já morreu. 

Sim, tenho saudades, muitas saudades, dos meus Carnavais nas ruas, avenidas, ladeiras, becos e praias da Bahia. Isso da quinta-feira anterior ao início do Carnaval, que era naquela época dos anos 70, 80 e 90, o dia da abertura oficial da folia de Momo. Na noite da quinta-feira o Rei Momo recebia as chaves da cidade, normalmente das mãos do prefeito, e aí...o pau quebrava no mesmo momento. Trios, charangas, blocos, o cacete a quatro, atendiam às ordens do Rei Momo. Alegria geral, Carnaval até a manhã da quarta-feira de cinzas. E eu? Dentro dessa zorra toda. De quinta à noite, sexta, sábado, domingo, segunda, terça, madrugada de quarta e na maioria das vezes até a manhã do dia de cinzas. 

Durante os dias de Carnaval ir em casa? Só para tirar uma soneca, avisar a mãe que estava vivo e bem, dar um mergulho no mar azul e verde da Bahia para recarregar as energias, 'traçar' uma feijoada ou um sarapatel, ou um gostoso cozido com pirão, feitos pela Dona Lygia —a minha mãe— e voltar pro furdunço. Voltar com a proteção de todos os santos e Orixás da Bahia e, também, da reza e mentalização positiva da Dona Lygia que ficava com o coração na mão, agoniado, pelo desaparecimento do seu filho caçula na multidão do Centro de Salvador. E tome balançar o chão da praça.

Salve Moraes Moreira! Salve o Carnaval da Bahia!

O vento não levou

Hoje não é dia 29, pois neste ano de 2022 o mês de fevereiro acabou ontem, dia 28. Mas em 29 de fevereiro de 1940 em Hollywood foi dia de premiação do Oscar. Então o texto abaixo faz sentido. Leia.


29

O vento não levou

O dia de hoje tem o costume de fugir do calendário, mas volta a cada quatro anos.
É o dia mais estranho do ano.
Mas este dia não teve nada de estranho  em Hollywood, em 1940.
Com toda a normalidade, em 29 de fevereiro Hollywood outorgou quase todos os seus prêmios, oito Oscar, a O vento levou, que era um longo suspiro de nostalgia pelos bons tempos de escravidão perdida.
E assim Hollywood confirmou seus hábitos. Vinte e cinco anos antes, seu primeiro supersucesso, O nascimento de uma nação, havia sido um hino de louvor ao Ku Klux Klan.

(Eduardo Galeano, no livro ‘Os filhos dos Dias’. L&PM Editores, 2012, pág. 77)