Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

quinta-feira, 5 de dezembro de 2024

🎫🏹 Convidamos para a abertura da exposição 'Os Olhos do Xingu' no Museu Nacional da República, em Brasília

Quarta, 4 de dezembro de 2024


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A Rede Xingu+, o Instituto Socioambiental (ISA) e a Delegação da União Europeia no Brasil têm o prazer de convidá-lo(a) para a abertura da exposição Os Olhos do Xingu, que ocorre em 6 de dezembro de 2024, às 11h, no Museu Nacional da República, em Brasília (DF).

A exposição conta com curadoria da comunicadora indígena Kujaesãge Kaiabi. São 20 fotografias e 20 vídeos de oito comunicadores indígenas da Rede Xingu+ que oferecem uma imersão nas belezas e nos desafios enfrentados pelos povos da Bacia do Rio Xingu, nos estados de Mato Grosso e Pará.

Os materiais retratam os modos de vida, as ameaças e a resistência dos povos indígenas e ribeirinhos do Corredor de Áreas Protegidas do Xingu. Por meio de uma experiência interativa, o público poderá ouvir as histórias por trás das imagens e conhecer mais sobre a cultura, os rituais e os desafios dos povos do Xingu.

A abertura contará com a presença dos comunicadores Xinguanos, que realizarão uma visita guiada às obras apresentadas, seguida de coquetel.

Exposição Os Olhos do Xingu


Abertura: 6 de dezembro de 2024, às 11h
Local: Museu Nacional da República, – Setor Cultural Sul, Lote 2, Brasília (DF)
Visitação: 6 de dezembro de 2024 a 02 de fevereiro de 2025
Entrada: Gratuita


Realização: Rede Xingu+, União Europeia, Instituto Socioambiental (ISA)

Apoio: Fundação Rainforest da Noruega

Produção: Incentivem Soluções Culturais

Parceria: Secretaria de Relações Internacionais e Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Governo do Distrito Federal




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Socioambiental se escreve junto.

Silia Moan

Instituto Socioambiental (ISA)


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Irregularidades —TCDF recebeu 94 denúncias contra o Iges desde 2020

Quinta, 5 de dezembro de 2024

Representação feita por deputado que aponta superfaturamento e má qualidade de refeições foi aceita pela Corte

Bianca Feifel
Brasil de Fato | Brasília (DF) | Postado originariamente no BdF Brasília de 04 de dezembro de 2024

O PL aprovado transfere, em caráter emergencial e temporário, a gestão do Hospital Cidade do Sol, em Ceilândia, para o IGES-DF - Divulgação/IGES-DF

O Tribunal de Contas do Distrito Federal (TCDF) aceitou uma representação feita pelo deputado distrital Gabriel Magno (PT) a respeito de possível irregularidade do contrato do Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do DF (Iges) com a empresa de alimentação hospitalar Salutar. O relatório apresentado pelo parlamentar aponta indícios de superfaturamento, processos trabalhistas e fornecimento de alimentos impróprios para o consumo.

A denúncia soma-se a outras 94 representações contra o Iges recebidas pelo TCDF entre 2020 e setembro de 2024, segundo documento enviado pelo órgão ao Brasil de Fato DF. Os processos, dos quais alguns já foram arquivados, apontam uma série de possíveis irregularidades em contratos diversos, como o firmado com uma empresa de atendimento à saúde mental durante a pandemia do coronavírus e outro celebrado junto a uma empresa que presta serviços de tecnologia da informação (TI).

As representações também apontam anormalidades em processos seletivos realizados pelo Iges, em que supostamente não foi respeitado o princípio da impessoalidade, levando ao favorecimento de determinados candidatos. Três pedidos de investigação enviados ao TCDF indicam supostas ocorrências de nepotismo dentro do Instituto.

A denúncia de desabastecimento de medicamentos e de insumos e a falta de médicos anestesiologistas e obstetras nos hospitais administrados pelo Iges também é frequente entre os pedidos apresentados ao Tribunal.

Comida estragada e superfaturamento

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Fattorelli foi eleita para receber Prêmio Transparência e Fiscalização Pública 2024 e estende a homenagem a toda a ACD (Auditoria Cidadã da Dívida)

Quarta, 4 de dezembro de 2024

A coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), Maria Lucia Fattorelli, foi eleita para receber o Prêmio Transparência e Fiscalização Pública de 2024 e convida a todas as pessoas que se dedicam à ACD para participar da Sessão Solene, ocasião em que irá compartilhar a homenagem com todo o coletivo da entidade.

O prêmio é outorgado pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados e ocorrerá no próximo dia 10 de dezembro, às 09h, no Plenário Ulysses Guimarães.

À frente da ACD desde sua fundação logo após o grande Plebiscito Popular da Dívida realizado no ano 2000, Fattorelli criou a expressão “Sistema da Dívida” para desmascarar o uso inadequado do endividamento público no Brasil, sem contrapartida em investimentos e sem a devida transparência. Ressalta que a ACD se dedica a promover a auditoria prevista na Constituição Federal a fim de enfrentar esse Sistema que, a cada ano, consome a fatia mais privilegiada do orçamento federal. Em 2023, por exemplo, os juros e amortizações da dívida pública receberam 43,23% de recursos federais, o que equivale a R$ 1,89 trilhões. A ACD luta para que esses recursos sejam devidamente empregados em nosso desenvolvimento socioeconômico e em benefício da população brasileira que paga essa conta.

Receber o Prêmio Transparência e Fiscalização Pública de 2024 é uma grande honra para toda a ACD! Continuaremos nossa luta denunciando os perversos mecanismos do Sistema da Dívida, e a má gestão dos recursos públicos, para que seja democratizada a gestão fiscal, sempre com o compromisso de construir uma sociedade mais justa e igualitária.

Participe, pois você faz parte dessa conquista e desse reconhecimento!

Terça-feira, 10 de dezembro
Às 09h
Plenário Ulysses Guimarães

BOLSONARO TRAIDOR DE QUEM? RESTITUINDO INTELIGÊNCIA E EMOÇÃO AO POVO

Quarta, 4 de dezembro de 2024
Pedro Augusto Pinho*

BOLSONARO TRAIDOR DE QUEM? RESTITUINDO INTELIGÊNCIA E EMOÇÃO AO POVO

 

O brilhante intelectual brasileiro Jessé Souza pergunta: “afinal, o que é, para além do sentido retórico, compreensível de forma articulada por nós, individualmente, mas que apresenta desafios aparentemente intransponíveis logo que pretendamos defini-lo de forma adequada, “ser gente”?” (Jessé Souza, “A Construção Social da Subcidadania; para uma sociologia política da modernidade periférica”, Editora UFMG, BH, 2003, Parte 3, final do Capítulo 1).


Seria desmedida arrogância buscar em um artigo o que Jessé Souza pergunta em mais de 20 livros. Busquemos, pois, auxílio no gênio Darcy Ribeiro. Nos magníficos “Estudos de Antropologia da Civilização”, logo no I Volume, “O Processo Civilizatório” (1968), Darcy atribui aos instrumentos para ação humana sobre a natureza e sobre os próprios homens o surgimento “de novas formações socioculturais”.


E exemplifica com uma evolução do processo civilizatório, onde se constata que, na medida em que a tecnologia evolui, os tempos de transformação se estreitam. Se séculos separam a Revolução Pastoril da Mercantil, entre as I e II Revoluções Industriais mal completaram 100 anos para que se substituísse a fonte de energia primária: do carvão mineral para o petróleo. E novas formas de poder surgem ou se transformam a cada passo desta cadeia evolutiva, resultando nos incorporados e nos excluídos, quem, afinal, “é gente”.

 

Da Revolução Agrícola, a primeira que atingiu o homem caçador coletor, à Revolução Termonuclear, da fissão nuclear, o poder e a cidadania sofreram muitas transformações. Civilizações teocráticas e agnósticas se sucederam e, consequentemente, valores foram sendo incluídos, transformados e descartados.

Podemos antever, às vésperas da fusão nuclear, um novo sistema civilizatório sendo articulado na sociedade humana, nas “gentes”. Infelizmente não poderemos mais contar com a clarividência intelectual de Darcy Ribeiro, mas temos em Jessé Souza o questionador que nos irá conduzir para as mais completas respostas.

 

QUESTÃO FUNDAMENTAL: EDUCAR

 

Anne Cheng, filósofa e sinóloga francesa, na extraordinária “História do Pensamento Chinês” (1997, na tradução de Gentil Avelino Titton para Editora Vozes, Petrópolis, 2008), denomina o capítulo que trata do confucionismo de “A aposta de Confúcio no homem”.


Confúcio, como Lao Zi (século VI a.C.), antecedem o pensamento grego de Sócrates, Aristóteles, Platão, todos do século III a.C. Foram os pensadores do humano, não do divino, este último mais fabular do que histórico, mas que dominou o ocidente, a partir do judaísmo, criando um Deus só para seu povo, por volta de 2.000 a.C.

 

São as duas linhas do pensamento e do comportamento humano: a que trata de homem como ser construtor de sua história e aquela que é uma distração das divindades, o resultado de apostas.


Como se deduz facilmente na linha confuciana, ser um homem significa ser o permanente estudante; “estudar e ocupar um cargo são atividades gêmeas, inseparáveis, do conceito do cavaleiro” (Confúcio, “Analectos”).

 

Veja na História do Brasil, por 400 anos o ensino não foi obrigação do Estado, era iniciativa privada, quase totalmente para “elevação da alma”. E, mesmo depois de Getúlio Vargas ter colocado, junto com a saúde, funções do Estado, muito se fez para que não tivesse êxito, até por golpes em dirigentes eleitos.


Sob domínio neoliberal financeiro, o ensino público retrocede até ser privatizado, como o governador bolsonarista Tarcísio de Freitas está fazendo no Estado de São Paulo: leiloando escolas públicas.


O saber, mais do que qualquer outra condição humana, assombra os poderes que não representam “as gentes”.

terça-feira, 3 de dezembro de 2024

Livro "Estratégia Saúde da Família: 30 Anos" será lançado no dia 10 de dezembro no auditório 2 da Faculdade de Ciências da Saúde da UnB. Participe!!!

Terça, 3 de dezembro de 2024

Lançamento do Livro “ESF no Brasil: 30 anos”

Estratégia Saúde da Família será revisitada por três décadas apresentando desafios e perspectivas futuras

No próximo dia 10 de dezembro, às 19h, o Auditório 2 da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília (UnB) será palco do lançamento do livro “ESF no Brasil: 30 anos”, organizado pela enfermeira sanitarista e professora da UnB, doutora em Ciências da Saúde Maria Fátima de Sousa.

A obra celebra os 30 anos da Estratégia Saúde da Família (ESF), uma das principais iniciativas do Sistema Único de Saúde (SUS) para a organização da atenção primária no país.

O livro é mais uma edição da Editora ECoS, do Laboratório de Educação, Informação e Comunicação em Saúde da Universidade de Brasília. A obra revisita três décadas de transformações, conquistas e desafios da ESF, destacando sua relevância para a promoção da saúde e a redução das desigualdades em todo o território nacional. Com contribuições de diversos autores, a publicação aborda desde os marcos históricos e a consolidação do modelo até os desafios contemporâneos e perspectivas futuras para a atenção básica no Brasil.

A programação incluirá uma roda de conversa com a organizadora e convidados especiais, além de sessão de autógrafos. O evento é aberto ao público e promete ser um momento de celebração e reflexão sobre os efeitos da Estratégia Saúde da Família na saúde pública brasileira.

Para mais informações, entre em contato pelo e-mail: ecos@unb.br ou pelo WhatsApp 98147-4040.

Serviço:
Evento: Lançamento do Livro “ESF no Brasil: 30 anos”
Data: 10 de dezembro de 2024
Horário: 19h
Local: Auditório 2 da Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade de Brasília (UnB), Campus Darcy Ribeiro.

O feroz Estado de Israel e suas ações com britânicos e estadunidenses

Terça, 3 de dezembro de 2024

O feroz Estado de Israel e suas ações com britânicos e estadunidenses

Artigo publicado originariamente no PÁTRIA LATINA  de 2 de dezembro de 2024


*Pedro Augusto Pinho

Só os muito ingênuos ou doutrinados pelos sionistas, ingleses e estadunidenses não conseguem enxergar que o Estado de Israel foi a vingança do Reino Unido contra as populações de suas antigas colônias no Oriente Médio e nordeste da África.

Em relação aos Estados Unidos da América (EUA) foi mais outra ação pelo domínio do mundo. Não pela ocupação territorial como colônias politicamente definidas, mas no novo modelo colonizador das dívidas (financeiro) e sujeição tecnológica e para apoio político e votos em fóruns internacionais.

Na geopolítica do século XXI, distinguem-se as alianças, no Oriente Médio, da Síria com o Irã, apoiados pela Rússia, e da inclusão nos BRICS do Egito e do Irã, antigas colônias/protetorados britânicos.

Sem dúvida forma-se, naquela área do antigo Império Otomano, nova realidade fruto da brandura com que aquele Império tratou as sociedades sob seu domínio. Países como a Síria, o Egito, o Iraque e o Líbano integram o passado otomano na história de seus estados árabes. Muito diferente do domínio britânico, que mesmo antes da criação com apoio brasileiro do Estado de Israel (1948), havia constituído o Kuwait, um satélite na então província otomana, para ser praça de guerra inglesa (1899).

Recorde-se que os otomanos tentaram, em vão, impedir que judeus imigrassem para Palestina e dessem ao sionismo o ponto de apoio demográfico, com a consequência que está nos noticiários destas últimas décadas.

A pilhagem sempre foi atividade cultivada pela aristocracia inglesa desde tempos imemoriais, e dos EUA, desde quando o petróleo alavancou seu modelo de financiamento estatal para desenvolver a industrialização privada naquela parte do continente norte-americano.

A Síria vem tendo seu petróleo roubado pelas tropas dos EUA, acantonadas em seu território. São fatos que a ideologia neoliberal financeira oculta pelo controle que tem das mídias e até mesmo dos currículos escolares (veja-se a respeito o leilão de escolas públicas promovido pelo governador bolsonarista Tarcísio de Freitas, em São Paulo – 29/novembro/2024).

O Oriente Médio está sendo preparado pelas decadentes finanças neoliberais para ruptura que conduzirá o Mundo à III Grande Guerra.

O significado do Oriente Médio é ser o maior polo petrolífero do mundo. Em meados de 2023, as reservas de petróleo globais eram estimadas em 1,6 trilhões de barris, aumento de 3,3% em relação ao ano anterior. Isso significa que, malgrado toda campanha pela “transição energética”, nenhum país está cogitando seriamente de dispensar o petróleo como sua mais importante fonte primária de energia.

Só quem não tem petróleo defende sua substituição.

Além das reservas da Arábia Saudita, com 290 bilhões de barris, lá se encontram as reservas do Irã (173 bilhões de barris), do Iraque (127 bilhões), do Kuwait (110 bilhões), dos Emirados Árabes Unidos (108 bilhões), do Catar (21,5 bilhões), do Omã (sete bilhões), do Iêmen e do Egito (cinco bilhões, cada), da Síria (4,5 bilhões), além do que se supõe na porção marítima da Faixa de Gaza.  Ou seja, metade do petróleo líquido (óleo) e gasoso mundial.

E o segundo polo petrolífero está na América Latina, graças às reservas venezuelanas, as maiores em um mesmo país, ao Brasil do pré-sal, ao México, ao Equador, à Colômbia, à Bolívia e à Argentina. Considerando que o terceiro maior polo petrolífero está na Rússia e em países seus aliados (Azerbaijão, Cazaquistão, Uzbequistão), vê-se a dificuldade da antiga hegemonia ocidental (leia-se EUA e Reino Unido) manter seu poder. E fica ainda mais consistente quando um quarto polo está na África, onde se processa sua segunda luta pela independência, começando na região ocidental do Sahel.

A guerra, para países bélicos, que tem boa parte de seu Produto Interno Bruto (PIB) originado da produção e comercialização de artefatos e serviços militares, é sempre a opção preferencial. E, quando em decadência, como se observa após mais de quatro décadas de domínio, torna-se uma condição de sustentação para seu poder neoliberal financeiro.

Posicionemos, geograficamente, este local que EUA e Reino Unido, com a ação desumana de Israel, pretendem ser o Saravejo, o 28 de junho de 1914, estopim da I Grande Guerra, para a primeira guerra termonuclear.

O Oriente Médio compreende a área de 7,2 milhões de km² onde habitam cerca de 260 milhões de pessoas. Os países mais populosos são a Turquia e o Irã, ambos com cerca de 80 milhões de habitantes e o mais extenso, com área de 2,2 milhões de km², é a Arábia Saudita.

Muitas diferenças mais do que identidades se observam neste Oriente Médio.

As principais etnias lá encontradas são os árabes, os persas e os turcos. Os judeus estão concentrados no Estado de Israel e majoritariamente de imigrações recentes. Sob o ponto de vista religioso, lá se encontram as três maiores religiões monoteístas: o judaísmo, o cristianismo e o islamismo. Estas duas últimas com diversificadas crenças, matizes dos cultos e interpretações, e, consequentemente, dos pastores e hierarquias religiosas.

O petróleo e sua importância como fonte primária de energia e como insumo industrial tem sido a mais relevante produtora de guerras neste oeste asiático. Ainda que surjam em todas as mídias não por interesses colonizadores dos EUA e da Europa Ocidental, mas pelos supostos conflitos culturais, sobressaindo as diversidades religiosas.

Assim vai sendo o mundo inteiro preparado para não ver como surpreendente este recanto, construído desde 1.300, que chega ao século XVII estendido pela Ásia Ocidental, norte da África e sudeste europeu, tolerante com a diversidade de povos sob seu domínio, capaz de deflagrar uma guerra nuclear.

No entanto, o que se verifica é o colapso de uma civilização calcada unicamente no lucro, que não carrega feridos, e tem a perspectiva de redução populacional em curto prazo, para que não cesse de concentrar renda e riqueza.

Neste momento de penúria econômica e cultural, a recomendação das finanças é reduzir ainda mais as despesas com a educação, a saúde e o trabalho, como se os robôs e a inteligência artificial pudessem substituir o que o grande cientista brasileiro, neurocirurgião Miguel Nicolelis, chamou “O Verdadeiro Criador de Tudo; como o cérebro humano esculpiu o universo como nós o conhecemos” (Editora Planeta, SP, 2020).

Nesta obra, Nicolelis discorre sobre a informação gödeliana (G-info), aquela devida ao lógico tcheco Kurt Gödel (1906-1978), que afiança quanto mais complexo é um ser vivo, mais informação gödeliana, aquela que não pode ser traduzida pela lógica digital, ele acumulou.

“Nos seres humanos”, afirma Nicolelis na obra referida, “esse processo alcança o ápice quando se usa G-info para gerar conhecimento, cultura, tecnologias e recrutar grandes grupos sociais para colaborações coletivas que melhorem em demasia as nossas chances de adaptação para as mudanças do meio ambiente”, erroneamente atribuídas aos combustíveis fósseis.

E prossegue Nicolelis: “a G-info pode, por exemplo, explicar por que a maior parte do processo neural é executada inconscientemente”. Ora, como então digitaliza-la?

Os EUA criaram o “11 de setembro de 2001” para invadir o Iraque (2003), a Líbia (2011), proclamar o Califado Islâmico do Iraque e da Síria (2014), sendo o Afeganistão uma derrota militar e econômica que saiu das manchetes mundiais.

Também sob o pretexto da corrupção, que vem desde a Idade Média sendo atribuído aos opositores do poder fundiário, comercial, financeiro, desde 2011, a Síria enfrenta violentos conflitos motivados por denúncias de corrupção do presidente Bashar al-Assad, oriundas dos EUA, Reino Unido e aliados europeus.

Há um núcleo de planejamento de ações desestabilizadoras a serem aplicadas em países ou movimentos opositores por todo mundo, coordenado por Washington, que nem sempre tem sucesso, como se observou na Coreia, no Vietnã, em Cuba, no Afeganistão e, mais recentemente contra a Rússia, a partir da Ucrânia, entre outros desastres estadunidenses.

Infelizmente, o Brasil é dos casos de sucesso desta aparelhagem golpista, como foi o Irã (1953) e o Chile (1973).

O atual Plano contra o Mundo parte dos conflitos entre a Turquia e o Irã, os mais populosos do Oriente Médio, que se conectam com a OTAN e os BRICS, dois polos da rivalidade pelo domínio global.

A questão que se coloca no entanto não interessa às partes agressoras: seria outro tiro no pé, como reconhece a Europa envolvida na agressão da OTAN à Rússia?

Não se pode esquecer que a China, grande potência econômica, tecnológica e civilizacional do século XXI dá apoio ao governo Assad e já incluiu a Síria na Iniciativa do Cinturão e Rota, a nova Rota da Seda. E a Rússia procura aproximar o Irã da Turquia, o que incluiu uma conferência trilateral para solução de divergências.

A Guerra portanto é objetivo do decadente ocidente unipolar, não do novo poder multipolar aberto pelos BRICS.

*Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.

Compositor de Aquarela, Toquinho compartilha memórias em documentário

Terça, 3 de dezembro de 2024
Letycia Bond - Repórter da Agência Brasil
Publicado em 03/12/2024 — São Paulo
© Reuters/Gustau Nacarino/Proibida reprodução

"Mosca branca". Nesse caso, descrição atribuída a um musicista que brincava pelas ruas sem asfalto, nos arredores da casa em que viveu quando criança, no bairro do Bom Retiro, em São Paulo. Compositor de uma das canções que mais marcaram a infância de muitos brasileiros, a que começa com os seguintes versos: Numa folha qualquer/Eu desenho um sol amarelo.

Um dos principais expoentes da música popular brasileira (MPB), Antonio Pecci Filho, que adotou o nome artístico Toquinho, ganhou, aos 78 anos, um documentário que permite que os espectadores revivam com ele sua história, recheada de lembranças bem-humoradas e o brilho único de amizades de longa data.

Dirigido por Erica Bernardini, o filme Toquinho: Encontros e um Violão dá ênfase ao entrecruzamento da vida do musicista com a Itália, repetido muitas vezes ao longo dos anos. Foi, inclusive, nesse contexto que compôs a famosa música Aquarela, que, há quatro décadas, encanta crianças de todo o Brasil. E da Itália também, já que se pode dizer que metade dela é criação sua e metade do italiano Guido Moura. Toquinho conta que Moura já tinha feito parte da melodia e que ele a completou.

Chico Buarque

O musicista relata que, certa vez, foi parar no Velho Mundo por conta de um convite de seu íntimo amigo Chico Buarque, de quem é próximo desde a juventude. Chico havia se mudado para Roma no início da ditadura civil-militar, em 1969, com a então esposa, a atriz Marieta Severo, grávida da primeira filha do casal.

Embora nessas e em outras narrações, Toquinho seja capaz de adicionar comicidade, também demonstra ter sensibilidade e a devida seriedade ao compartilhar o caso de um amigo que foi perseguido pelos agentes de repressão.

Alerta amarelo —Início de dezembro será marcado por chuvas intensas no DF, prevê Inmet

Terça, 3 de dezembro de 2024

Brasília recebe alerta amarelo, isto é, perigo potencial para as chuvas neste mês; umidade está em 95%

Brasil de Fato | Brasília (DF) |
 
Alerta é de 'Perigo Potencial' para chuvas intensas em Brasília - Foto: Lúcio Bernardo Jr/Agência Brasília

A capital federal está em alerta amarelo para grau de severidade das chuvas, ou seja, com aviso de chuvas intensas, segundo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). O alerta é desta segunda-feira (02) até terça-feira (03). Já a umidade máxima do ar registrada é de 95%.

Segundo órgão, a chuva terá entre 20 e 30 mm/h ou até 50 mm/dia, com ventos intensos de 40 a 60 km/h. Há baixo risco de corte de energia elétrica, queda de galhos de árvores, alagamentos e de descargas elétricas.

Já as instruções do Inmet é para que, em caso de rajada de vento, não se deve abrigar debaixo de árvores, pois há risco de queda e descargas elétricas. Também não se deve estacionar veículos próximos a torres de transmissão, placas e propagandas. O órgão destaca que deve se evitar aparelhos eletrônicos ligados à tomada.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

"Desonestidade" Após anúncio de cortes, Marinha retrata civis como privilegiados e é alvo de críticas nas redes

Segunda, 2 de dezembro de 2024
Marinha do Brasil publica vídeo em que compara a carreira militar com a de civis - Reprodução/Youtube

Reações ao vídeo destacam a 'vergonha' de mostrar brasileiros desfrutando enquanto membros das Forças Armadas trabalham

Redação
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 02 de dezembro de 2024

A Marinha do Brasil publicou neste domingo (1⁰), em homenagem ao 13 de dezembro, Dia do Marinheiro, um vídeo comparando a carreira militar com a de civis. Enquanto os membros das Forças Armadas aparecem salvando o país com seu trabalho árduo, os demais cidadãos brasileiros são retratados em momentos de descontração, praticando esportes e viajando. A peça audiovisual, de 1 minuto e 15 segundos, é concluída com a frase: “Privilégios? Vem para a Marinha”.



A divulgação do vídeo acontece em meio à discussão sobre cortes de benefícios a servidores da Marinha e gerou críticas nas redes sociais. O escritor e médico Bruno Gino, por exemplo, publicou um vídeo incluindo os trabalhadores brasileiros em ação na agricultura, construção civil, comércio, entre outros serviços essenciais para a economia brasileira.

Outras reações ao vídeo destacam a “vergonha” e a "desonestidade" de se retratar civis em situações de festas e lazer quando, na verdade, a maioria trabalha na escala 6x1 para sobreviver e, inclusive, para pagar salários e benefícios de membros das Forças Armadas e demais servidores públicos.



Cortes no orçamento militar

Na última quarta-feira (27), o governo federal anunciou um pacote de ajuste fiscal que prevê mudanças na previdência das Forças Armadas, com a previsão de gerar uma economia R$ 4 bilhões em dois anos aos cofres públicos. “Para as aposentadorias militares, nós vamos promover mais igualdade, com a instituição de uma idade mínima para a reserva e a limitação de transferência de pensões, além de outros ajustes. São mudanças justas e necessárias”, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em pronunciamento.

A idade média atual para aposentadoria no setor militar é de 52 anos, limite que subiria para 55 segundo a nova proposta do governo. As mudanças devem ser formalizadas em um projeto de lei que o governo promete enviar ao Congresso nos próximos dias.

Neste sábado (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, se reuniram no Palácio do Planalto com os comandantes das Forças Armadas, que buscam atenuar a perda de benefícios, especialmente em relação ao aumento da idade de aposentadoria. A reunião ocorreu dias depois da divulgação do relatório da Polícia Federal (PF) sobre a tentativa de um golpe de Estado em 2022. Dos 37 indiciados pela PF, 25 são militares.


Edição: Martina Medina

domingo, 1 de dezembro de 2024

ENTREVISTA —'Todas as tentativas de tomada do poder na história do Brasil envolveram militares', diz Ana Penido

Domingo, 1º de dezembro de 2024

Especialista em Defesa e Segurança analisa tentativa de golpe desmascarada pela Polícia Federal

Vanessa Gonzaga
Brasil de Fato | Belo Horizonte (MG) | 01 de dezembro de 2024

Golpe deu errado porque não havia consenso dentro do Alto Comando das Forças Armadas e porque Bolsonaro não assumiu a responsabilidade, acredita Penido

A investigação da Polícia Federal (PF) que desmascarou o plano de golpe de Estado no país reacendeu o debate na sociedade sobre a participação das Forças Armadas brasileiras em eventos golpistas.

Entre os 37 indiciados pela PF por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa, 25 são militares. A lista inclui o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Alexandre Ramagem e Valdemar Costa Neto.

Para entender sobre o cenário que se abre após a investigação, o histórico da participação militar em tentativas de golpes no Brasil, as disputas internas do Exército e os desafios para a transformação da política de defesa do país, conversamos com Ana Penido, cientista social, com mestrado em Estudos Estratégicos da Defesa e da Segurança pela Universidade Federal Fluminense (UFF) e doutorado em Relações Internacionais pelo Programa San Tiago Dantas.

"O golpe é só o momento mais espetacular da participação política das Forças Armadas. Tem que olhar e mexer nas continuidades. Entram governos de esquerda e de direita e os militares continuam lá", chama a atenção.


Leia a entrevista completa:

Brasil de Fato MG: Os militares têm um histórico golpista no Brasil?

Ana Penido: O golpe é só o momento mais espetacular da participação política das Forças Armadas. Quando o golpe acontece, ele pode dar certo ou pode dar errado, tanto faz. Mas ele só acontece porque a participação dos militares na política foi consentida pelo poder civil.

Vejamos um exemplo básico, a chantagem: "eu só vou topar essa missão de operação de Garantia da Lei da Ordem se vocês aprovarem o excludente de licitude. Eu só vou ser julgado por outros militares". Isso é o quê? Isso é chantagem, isso é barganha. É questionar o poder político para que as forças militares tenham que ser empregadas.

Então, o golpe é só um momento extraordinário. Não adianta a gente enfrentar um golpe olhando para um momento extraordinário. Tem que olhar para essas continuidades. E ninguém mexeu nessas continuidades ainda. Entrou um governo de esquerda, entrou um governo de direita, saiu um governo de esquerda, saiu um governado de direita, e as Forças Armadas estavam lá, como elas sempre estiveram.

Uma segunda dimensão é que essa ideia de anistia é equivocada. Nem sempre os golpes "deram em pizza". Eles só acabam em pizza quando eles são feitos por motivações à direita no espectro político e coordenados pelas altas patentes. Quando as insurreições militares foram à esquerda, nós vimos punições duríssimas. Não aconteceu anistia. Até hoje, a Justiça Militar é extremamente punitiva quando se olha para as baixas patentes. Só "dá em pizza" quando você é de direita e quando você é patente alta.

Agora, com relação ao histórico, os militares são o aparato coercitivo do Estado e não é possível dar um golpe sem militares. Todas as tentativas de tomada do poder na história do Brasil envolviam militares. Mas, por outro lado, militares sozinhos não dão golpes.

Militares necessariamente constroem alianças ou com a elite civil ou com a elite de outros estados nacionais, no caso do Brasil, principalmente com os Estados Unidos. Nunca é uma coisa exclusiva do segmento militar. Uma lacuna que a gente tem que analisar é quem financiou. Militar não é bobo, ninguém tenta um golpe militar sem combinar com quem paga. De onde vem esse financiamento?

Qual seria o cenário se o golpe tivesse se efetivado?

Golpe é igual guerra. Você sabe como começa, mas você não sabe como termina. É muito difícil planejar um cenário. Tem um aspecto que eu chamaria a atenção: nos documentos, é super dissonante a dimensão de como seria a reação ao golpe.

Você vai ver declarações de militares projetando uma guerra civil. E você vai ter declarações de militares falando que não ia acontecer rigorosamente nada, só um funeral bonito.

O DNA das Forças Armadas na trama golpista

Domingo, 1º de dezembro de 2024

O endosso dos chefes militares aos acampamentos bolsonaristas. A naturalização da ideia de ruptura institucional. As declarações para intimidar o campo democrático. O papel da mídia comercial. Uma síntese da relação entre Forças Armadas e golpismo, para além do inquérito da PF


OutrasPalavras

Publicado em OUTRASPALAVRAS em 27/11/2024

Antes do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes levantar o sigilo sobre o inquérito que investiga a tentativa de golpe de Estado no Brasil, por parte do entorno do então presidente Jair Bolsonaro (PL), outra notícia passou quase despercebida, um dia antes.

Após pedido feito em uma ação civil pública protocolada pelo Ministério Público Federal (MPF), o Comando do Exército se negou a mudar o nome da 4ª Brigada de Infantaria Leve de Montanha, sediada em Juiz de Fora (MG). A unidade é denominada “Brigada 31 de Março” e se refere não só à data oficial do início da ditadura em 1964 como também ao dia em que tropas lideradas pelo general Olympio Mourão Filho, chefe da unidade na cidade mineira, partiram dali em direção ao Rio de Janeiro para depor o presidente João Goulart.

O MPF também pedia que os militares da unidade fizessem um curso sobre o “caráter ilícito do golpe militar de 1964” e as conclusões da Comissão Nacional da Verdade a respeito do regime, o que também foi negado pelo Exército. “Não há necessidade de criação de qualquer novo curso para os integrantes da 4ª Brigada de Infantaria Leve Motorizada, tendo em vista que os assuntos relacionados aos temas dos direitos humanos constam na capacitação de seus quadros”, aponta o Comando, em sua justificativa.

Este nem de longe é um episódio trivial. As investigações da Polícia Federal sobre a trama golpista mostram não somente o envolvimento de militares da ativa e da reserva como também apontam para uma certa naturalidade em relação à discussão sobre ruptura institucional. A certa altura, em uma das mensagens trocadas com outro tenente-coronel, o ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, reclama: “Em 64 não precisou assinar nada”.

Tanto no caso de Juiz de Fora como no da organização criminosa investigada pela PF, fica evidente que existe uma noção deturpada a respeito do golpe de 1964 e do próprio papel das Forças Armadas na vida republicana do país. Acostumados a interferir em diferentes graus na vida pública e institucional brasileira, os integrantes da caserna têm uma percepção de democracia no mínimo peculiar, atribuindo às Forças Armadas o papel de Poder Moderador que poderia intervir em casos de crise ou conflito de Poderes.

É sintomático ter sido achado em poder do Coronel Peregrino, assessor de Walter Braga Netto, um documento intitulado “Minuta 142”, referência ao artigo da Constituição invocado pelos militares para justificar essa suposta carta-branca de intromissão. A maciça maioria dos juristas sempre rejeitou a tese e, em abril deste ano, o STF foi assertivo. “A chefia das Forças Armadas é poder limitado, excluindo-se de seu âmbito qualquer interpretação que permita sua utilização para indevidas intromissões no independente funcionamento dos outros Poderes, relacionando-se a autoridade sobre as Forças Armadas às competências materiais atribuídas pela Constituição ao Presidente da República.”

Nada disso parece valer para quem se acha acima dos Poderes constituídos, inclusive do próprio Judiciário. E, diante deste cenário, é pouco crível a tentativa de “separar o CPF do CNPJ”, como dizem comentaristas da mídia corporativa. O DNA das Forças, como instituição, está na raiz do golpismo.

Golpismo arraigado

A versão que parte da mídia corporativa quer passar é que o golpe só não avançou ainda mais, a partir de suas tratativas, por que não foi possível conseguir a adesão de dois dos três comandantes do alto escalão militar: o general Marco Antonio Freire Gomes, comandante do Exército, e o tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, líder da Aeronáutica. Já o almirante Almir Garnier (comandante da Marinha) “se colocou à disposição”.

Ambos teriam sido instados a participar da trama em reuniões com o próprio presidente Jair Bolsonaro e, em outras ocasiões, pelo ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, com o então candidato a vice na chapa do PL, general Braga Netto, determinando ataques pessoais aos dois por meio das chamadas milícias digitais.

Ambos têm sido tratados como heróis (e este termo foi utilizado de fato) por alguns jornalistas e outras figuras públicas. O fato de terem sabido que um golpe estava em andamento e nada terem dito a ninguém ou comunicado às autoridades policiais não seria prevaricação, mas sim um cuidado extremo em função de um momento delicado no qual alguma fagulha poderia incendiar o palheiro.

Contudo, eles também não falaram a respeito de forma espontânea, mesmo depois de Bolsonaro não estar no poder e do 8 de janeiro já ter passado. Só quando foram convocados como testemunhas resolveram dizer o que sabiam.

É bom relembrar como os dois, com Garnier, chegaram ao mais alto posto da carreira militar. A posse aconteceu depois de uma inédita saída tripla do comando das Forças em 30 de março de 2021, quando saiu também do Ministério da Defesa o general Fernando Azevedo e Silva. Junto com Braga Netto, o trio foi promovido porque seria mais alinhado ao presidente do que os ocupantes anteriores.

A trama golpista e o dever de agir

Domingo, 1º de dezembro de 2024
Roberto Amaral*
A trama golpista e o dever de agir

Do ponto de vista não só jurídico, quanto da realpolitik, era impossível punir os generais Eurico Gaspar Dutra e Góes Monteiro, bem como seus muitos coadjuvantes que, em 1937, com Getúlio Vargas, derrubaram o regime constitucional de 1934 e implantaram a ditadura do Estado Novo, que nos cobraria 15 anos de arbítrio sem peias até cair de inanição em 1945. Impossível a punição simplesmente porque, com o ditador, a caserna encarnava o poder e o exercia sobre toda a vida civil e institucional. O direito era o que ela proclamasse. Os militares eram inatingíveis, mas tão só enquanto senhores de baraço e cutelo do poder sustentado pelos fuzis. Restaurada a vida democrática, todavia, a nova ordem jurídica não se fez valer, e antigos e novos dirigentes, sátrapas e régulos, os delinquentes do Estado Novo e os líderes da reação democrática, militares e civis, se reuniram na confraternização da impunidade. Aplicou-se a regra do silêncio sobre o passado e proclamou-se a impunidade no presente e no futuro. O ministro da guerra da ditadura seria o primeiro presidente eleito na democracia.

Similar seria a crônica da ascensão e queda da ditadura militar instaurada em 1º de abril de 1964. Como antes, e até aqui: a negociação, a conciliação em nome da pacificação dos espíritos, a concordata entre atores dos dois lados.
Em 1945, na democracia acovardada, como em 1955, no 11 de novembro, como depois de Aragarças e Jacareacanga, como em 1961, na frustrada tentativa de impedir a posse de João Goulart, os golpistas derrotados seriam consagrados pela conciliação, codinome da impunidade, mãe de todos os crimes.
 

Em 1979, o Congresso, então muito menos reacionário e menos corrupto que o atual, promulga a proposta de anistia enviada pela ditadura, cujo objetivo, logrado, era livrar seus agentes da punição necessária pelos monstruosos crimes cometidos. Livravam-se da lei os fardados, quando a resistência já havia sido punida com cassações, banimentos, prisões, torturas e assassinatos sem conta. E até hoje se procuram tantos e tantos cadáveres, como os de Mário Alves, Stuart Angel e Rubens Paiva, três de um número ainda não conhecido das vítimas da insanidade covarde, como desconhecido (mas que se sabe extenso) é o número de torturadas e torturados nos desvãos do quartéis e delegacias de polícia, nos porões dos DOI-CODI de todos o país e nos muitos “aparelhos” mais ou menos clandestinos.

Essa política de recuo permanente, e recuo como fim em si mesmo, levaria à concordata política de 1985, mediante a qual os militares, embora rendidos pela opinião pública, ditaram os termos do abandono da cena aberta negociados com a chamada “classe política” de então. Pelo menos duas das muitas cláusulas impostas e aceitas deveriam ter sido recusadas como ignominiosas: a exigência de uma constituinte parlamentar, e não exclusiva, como exigia o quadro nacional e o bom direito constitucional; e o veto a qualquer possibilidade de punição dos militares meliantes.

A renúncia ao dever de ser e fazer cobra seu preço: o regime da república democratizada foi subsumido pelo regime decaído, e os militares mantiveram a curatela mais que secular sobre a vida civil e as instituições. Sua preeminência se estende à Constituinte e sobrevive nos governos da Nova República. Mediante várias formas de intervenção, como vetos e propostas de redação, os grupos de pressão militares terminaram por participar da elaboração do texto que um Ulysses Guimarães entusiasmado saudaria como “A Constituição cidadã”. O general Leônidas Pires Gonçalves, Comandante Militar do Oeste (CMO) na ditadura, ministro do exército no governo Sarney desde 1985, transforma-se em constituinte ad-hoc, poderoso como representante da caserna. Deve-se a intervenção sua a excrescência em que se constitui o art. 142 da Constituição vigente.

Em nossa história os  fardados, mesmo  vencidos, reescrevem o passado, ditam o presente e condicionam o futuro. 

Assim, de concessão em concessão, de omissão em omissão, de conciliação em conciliação, chegamos aos planos macabros dos militares agrupados em torno do capitão Bolsonaro. Cavando a cova na qual a democracia seria encerrada, renunciamos, em todas as oportunidades oferecidas, ao dever republicano de punir os sediciosos derrotados. Vencer esse destino é o desafio presente.

Militares e civis impunes constituiriam o núcleo da urdidura do golpe de 1964. Seus herdeiros formam a súcia que comandou e sustentou o projeto bolsonarista. Seu líder é o General Villas Bôas, comandante do exército que em 2018 intimou um STF genuflexo a não conceder habeas corpus ao candidato Lula, assim afastando-o da disputa eleitoral quando liderava as pesquisas de intenção de votos. Funcionou como abre-alas às rotas que levariam à presidência um obscuro deputado do baixo clero da Câmara dos Deputados, ex-capitão irrelevante, acusado de terrorismo na própria unidade em que servia. 

Essa choldra de generais e oficiais de todos os escalões de todas as armas sustentou o mandato e os desmandos do cupincha delinquente. Seu produto é a infâmia, a conjuração, a traição. A saída encontrada à derrota eleitoral foi, por ganância e temor, a permanência no poder por meio de duas tentativas de golpe de Estado, a primeira das quais mediante a inominável tentativa de assassinato do presidente, do vice-presidente da república e de um ministro do Supremo, façanha típica de gangsters, ainda inédita entre nós. São as urdiduras de novembro-dezembro de 2022, recém reveladas pela Polícia Federal. A maquinação frustrada é conhecida em seus pormenores, os conspiradores nomeados, mas os delinquentes de alta patente ainda estão longe da punição.

O desafio, queimante como brasa viva, é político, e tão só político, e não se resolverá com a tentativa de transferir para o poder judiciário, como até aqui, a responsabilidade das decisões cruciais. O STF já se anunciou, em episódios anteriores, como “sensível ao rumor das ruas”, metáfora para nos dizer que sua coragem é do tamanho da pressão que sofrer. Cumpre aos partidos e movimentos sociais promover a mobilização das massas, das forças populares e progressistas, agora e já, quando o poder executivo declina de seu dever de falar à sociedade.
 

Estranha estratégia que abandona a política e renuncia à ação. A todas essas preocupantes ausências se soma, como agravante, a presença de um Congresso ultra-reacionário, em crise moral e ética, forcejando por levar avante um projeto de anistia que ofende a dignidade nacional e premia o golpismo. 
Não é hora de “pacificar o país”, mediante mais uma conciliação com o crime. A pacificação de que o país carece é aquela que pede guerra aberta à concentração de renda, à ditadura do capital estéril sobre o trabalho (expressa num “teto de gastos” austericida) e a produção que nos retém, subdesenvolvidos, na periferia do capitalismo atrasado, quando temos ou tínhamos todas as condições de fazer deste território um país rico, habitado por uma população feliz, aquela que desfruta de reais condições de trabalho e vida dignas, negadas à maioria absoluta da população brasileira, cuja economia é controlada por 1% de sua população, possuidora de algo como 28% da renda nacional. Mas nos distanciamos disso quando absorvemos como nossa a ideologia da classe dominante e aceitamos como política de um governo de centro-esquerda e raízes populares as regras do grande capital cantadas em prosa e versa pelos especuladores da Faria Lima e seus procuradores na grande imprensa...

Por que um governo eleito para promover o desenvolvimento se curva diante do império do ajuste fiscal a qualquer preço, mesmo ao preço de renunciar à proteção dos pobres que o elegeram?

A visão de realidade, que expurga o otimismo irresponsável, porque irreal, não esconde, porém, o registro de alguns avanços, no esforço coletivo de salvar a democracia liberal-burguesa para na sequência construir a democracia social de nossos sonhos. A conditio sine qua non de qualquer progresso político é o estabelecimento da soberania do poder civil, oportunidade que se oferece hoje ao país em termos jamais conhecidos na história republicana: a oportunidade de a sociedade dizer que tipo de forças armadas deseja.

Raramente o cavalo passa encilhado mais de uma vez. 

Avanço político é o encontro de uma PF surpreendentemente republicana com um STF até aqui disposto a levar às últimas consequências o compromisso com a guarda da Constituição, desempenhando, nestes termos, papel extremamente diverso daquele de quando serviu de aríete ao projeto golpista que ensejou a ascensão de um facínora à presidência da república. Trata-se de avanço, sabendo-se, porém, que nada obstante seu caráter essencial, ele ainda está longe de dar conta de todo o caminho a ser palmilhado. Aguarda-se o pronunciamento do MPF, prometido para daqui a longos e perigosos mais três meses, e com ele a denúncia dos indiciados, e aguarda-se o julgamento dos réus, o que cobrará ainda muito tempo.

Difícil, porém, será qualquer mobilização se o governo permanecer silente e aparentemente imóvel, se os partidos não tiverem condições (ou não quiserem) articular a sociedade civil, se os sindicatos não forem atraídos às ruas. E, para o bom desfecho, muito dependemos do presidente Lula. Dele a nação aguarda uma diretiva, uma palavra de ordem que não pode ser delegada, nem adiada. Do contrário, tudo continuará como dantes no castelo de Abrantes. E amanhã voltaremos a ter os calcanhares picados pelas mesmas serpentes, retomando o círculo vicioso de nossa história.
 
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Pés de barro – Com que então, após a derrota da extrema-direita no pleito de 2022, os comandantes do exército e da aeronáutica foram convidados a participar de um golpe de Estado (que já contava com apoio entusiasmado do hidrófobo chefe da marinha), por óbvio conhecendo seus agentes e, em vez de cumprir com seu dever legal e funcional de denunciar a conspiração e deter seus agentes, houveram por bem prevaricar? E, nada obstante isto, o dispendioso dispositivo militar do Estado brasileiro, infestado de extremistas, passará mais uma vez incólume, e até mesmo festejado pela "resistência ao golpe"?

Um respiro no Uruguai – A América Latina festeja a inspiradora volta do Frente Amplio ao poder, com a vitória de Yamandú Orsi sobre o candidato do presidente Lacalle Pou (Partido Nacional). Orsi venceu por estreita margem, e enfrentará um Congresso no qual dificilmente terá maioria. Ainda assim, o feito não é pequeno, num cenário regional e global de avanço da extrema-direita, de mãos dadas com o financismo liberal. O Frente Amplio nos ensina que o caminho da mobilização nas ruas, nos sindicatos, no corpo a corpo com a população, permite à esquerda atenta para o processo histórico derrotar nas urnas projetos de filiação neoliberal, assumindo com o povo o compromisso de ampliação dos direitos sociais. E deve resultar em uma dose de alívio para a diplomacia brasileira.

Noventa anos de uma militante singular – Luiza Erundina de Sousa, paraibana de Uiraúna, chega aos 90 anos de uma trajetória tão rica e inspiradora quanto improvável. Militante socialista de vida inteira, fez um governo histórico à frente da maior cidade da América do Sul, voltado para a habitação popular, o transporte público, a educação de qualidade e a participação cidadã — além da preservação da memória da ditadura que tanto combateu. Com Erundina aprendemos, hoje como ontem, e sempre, que o desânimo é conservador, e a esperança revolucionária.

* Com  a colaboração de Pedro Amaral