95 ANOS DA REVOLUÇÃO NACIONALISTA DE GETÚLIO E A NECESSIDADE DE A RETOMAR
Pedro Augusto Pinho*
“Se todas as pessoas anotassem diariamente num caderno seus juízos, pensamentos, motivos de ação e as principais ocorrências em que foram parte, muitos, a quem um destino singular impeliu, poderiam igualar as maravilhosas fantasias descritas nos livros de aventuras dos escritores da mais rica fantasia imaginativa. O aparente prosaísmo da vida real é bem mais interessante do que parece. Lembrei-me que, se anotasse diariamente, com lealdade e sinceridade, os fatos de minha vida como quem escreve apenas para si mesmo, e não para o público, teria aí um largo repositório de fatos a examinar e uma lição contínua da experiência a consultar”.
Com estas palavras Getúlio Dornelles Vargas dá início a seu “Diário”, em 3 de outubro de 1930. E foi nesta data que a historiografia brasileira assinala o início da revolução que marcou o fim da República Velha, movimento que eclodiu no Rio Grande do Sul, com participação de Minas Gerais (Virgílio de Melo Franco) e do Nordeste (Juarez Távora).
À época Getúlio era Presidente (Governador) do Rio Grande do Sul. Entre os eventos do dia, faz, em seu “Diário”, uma reflexão: “Examino-me e sinto-me com o espírito tranquilo de quem joga um lance decisivo porque não encontrou outra saída digna para seu estado. A minha sorte não me interessa e sim a responsabilidade de um ato que decide do destino da coletividade. Mas esta queria a luta, pelo menos nos seus elementos mais sadios, vigorosos e ativos. Não terei uma grande decepção? Como se torna revolucionário um governo cuja função é manter a ordem? E se perdermos? Eu serei depois apontado como o responsável, por despeito, por ambição, quem sabe? Sinto que só o sacrifício da vida poderá resgatar o erro de um fracasso”.
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