“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

Brasil: a Defesa necessária contra Trump

SEGUNDA, 19 DE JANEIRO DE 2026

Brasil: a Defesa necessária contra Trump

A guerra chegou à América do Sul. Mas Forças Armadas brasileiras estão concebidas como extensão do Pentágono. Transformá-las, preparando-as à defesa da soberania e livrando-as do combate ao “inimigo interno”, precisa estar na agenda nacional

.

A capacidade militar do Brasil, desde a Segunda Guerra Mundial, é concebida como extensão do poderio do Pentágono. Uma nova conflagração generalizada se desenha e, seja qual for o seu desenrolar, obedecendo ou contrariando Washington, seremos afetados.

Se, na melhor hipótese, forem usadas armas convencionais a carnificina se prolongará por tempo indeterminável. Na pior, armas nucleares encurtarão a guerra e o resultado será inimaginável.

Nas últimas décadas, orientações de nossa Defesa Nacional (DN) foram reescritas sem novidades substantivas. Consistem em generalidades e truísmos sobre o quadro geopolítico acompanhadas de proposições rotineiras das Forças Armadas.

Esses documentos mostram a DN como matéria da alçada militar. Revelam que as armas mais complexas são importadas e o desenvolvimento de tecnologia própria não acompanha o ritmo frenético dos grandes atores internacionais. Parcerias tradicionais são preservadas. As fileiras estão prontas para preservar a Lei e a Ordem e cumprir múltiplas funções. Finalmente, concluem que a DN estaria melhor, não fosse a avareza do Estado.

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Hasta siempre Comandante Che Guevara. 48 anos da execução do Che que, depois de preso e amarrado, foi assassinado por ordem dos Estados Unidos, na aldeia de La Higuera, na Bolívia. Tributo a um herói da América Latina


Sexta, 9 de outubro de 2015
Até sempre, Comandante!
 
Monumento a Che na Plaza de La Revolucion Ernesto Guevara, em Santa Clara, Cuba.
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Outubro
8
Os três
      Em 1967, mil e setecentos soldados encurralaram Che Guevara e seus pouquíssimos guerrilheiros na Bolívia, na Quebrada de Yuro,  prisioneiro, foi assassinado no dia seguinte.
      Em 1919, Emiliano Zapata tinha sido crivado de balas no México.
      Em 1934, mataram Augusto César Sandino na Nicarágua.
      Os três tinham a mesma idade, estavam a ponto de fazer quarenta anos.
      Os três caíram a tiros, a traição, em emboscadas.
      Os três, latino-americanos do século XX, compartilharam o mapa do tempo.
      E os três foram castigados por se negarem a repetir a história.

Eduardo Galeano, no livro “Os filhos dos dias”, 2ª edição, folha 320, editora L&PM.
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Outubro
9
Eu vi ele e vi que ele me via
Em 1967, quando Che Guevara jazia na escola de La Higuera, assassinado por ordem dos generais bolivianos e por seus mandantes distantes, uma mulher contou o que havia visto. Ela era uma a mais, camponesa entre muitos camponeses que entraram na escola e caminharam, lentamente, ao redor do morto:
— A gente passava por ali e ele olhava para a gente —disse.
— A gente passava e ele olhava. Ele sempre olhava para a gente. Era muito simpático.
Eduardo Galeano, no livro “Os filhos dos dias”, 2ª edição, folha 321, editora L&PM.
 

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"Muitos me chamarão de aventureiro e o sou, só que de um tipo diferente: dos que entregam a pele para provar suas verdades" (da última carta do Che aos seus pais)
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"Deixe-me dizer, com o risco de parecer ridículo, que o verdadeiro revolucionário é movido por grandes sentimentos de amor..." (Guevara)
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Geraldo Vandré

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"Hasta siempre Comandante"- Silvio Rodriguez (Con discursos del Che)




domingo, 19 de abril de 2015

Chomsky: a América Latina viveu uma mudança significativa, de importância histórica

Domingo, 19 de abril de 2015
Do ESQUERDA.NET
A última edição do Le Monde Diplomatique de Espanha publica uma longa entrevista com Noam Chomsky, feita em Buenos Aires por Ignacio Ramonet. Dada a sua extensão, o Esquerda.net publica-a em partes, sendo esta primeira sobre as mudanças na América Latina e as relações dos EUA com a Venezuela e Cuba. O título original de toda a entrevista é: “Contra o império da vigilância”.

19 de Abril, 2015
Noam Chomsky falando no Fórum Internacional pela Emancipação e a Igualdade. Captura de imagem de vídeo.
Noam Chomsky falando no Fórum Internacional pela Emancipação e a Igualdade. Captura de imagem de vídeo.
 
Em Buenos Aires (Argentina), de 12 a 14 de março passado, organizado pelo Ministério da Cultura e pelo Secretário de Coordenação Estratégica do Pensamento Nacional, Ricardo Forster, teve lugar um importante Fórum Internacional pela Emancipação e a Igualdade, que reuniu personalidades de grande prestígio vindas dos Estados Unidos, da América Latina e da Europa. Tratava-se de refletir sobre o momento que se está a viver não só na América Latina como também nalguns países da Europa, onde novas organizações políticas (Syriza, Podemos), que conhecem bem os avanços progressistas realizados na América Latina, estão a tentar mudar as coisas e contribuir com soluções de inclusão social e de rejeição das políticas “austeritárias”1.

No marco desse encontro excepcional, pudemos entrevistar o nosso amigo norte-americano Noam Chomsky, um dos intelectuais mais prestigiados do mundo. Um homem que há muito pensa como construir um mundo mais justo, menos desigual e com menos violência.

Ignacio Ramonet: Noam, em 9 de março passado, Barack Obama assinou uma ordem executiva e decretou “estado de emergência” nos Estados Unidos devido à “ameaça inusitada e extraordinária” que representaria a Venezuela para a segurança nacional do seu país. Que pensa desta declaração?

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

Desigualdade social em queda? Mentira...

Quarta, 5 de setembro de 2012
Paulo Schueler
A divulgação do relatório “Estado das cidades da América Latina e do Caribe – 2012″ deixou claro: a redução da desigualdade é o principal desafio na América Latina.

No caso do Brasil, o problema é ainda pior: sexta economia do mundo, o Brasil é o quarto país mais desigual da América Latina, ela mesma a mais desigual do mundo. Afirma o Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos (ONU-Habitat) que, na região, somos uma sociedade menos desigual apenas que Guatemala (78º economia do mundo), Honduras (98º) e Colômbia (27º).

utro dado assustador é que 124 milhões de pessoas vivem sob condições precárias nas cidades latino-americanas, sendo 28% delas (37 milhões) no Brasil. E “puxamos para baixo” o resultado da região, pois a média no Brasil é de 29% enquanto na latino-americana é de 25%.

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SUBAVALIAÇÃO

Pior do que contribuir para a vergonha de todos nossos vizinhos é saber que o relatório da ONU “subnotifica” a desigualdade brasileira. O jornalista Clóvis Rossi deu a senha, em coluna publicada na Folha de S. Paulo, na qual afirma:

“O único metro usado para medir a desigualdade chama-se índice de Gini… Acontece que o índice mede apenas a diferença entre salários. Não consegue captar a desigualdade mais obscena que é entre o rendimento do capital e o do trabalho”.
 
O que isso significa? Que nosso já vergonhoso quarto pior índice na América Latina não leva em conta os dados de renda relativos aos ganhos com geração e pagamento de lucros, juros e aluguéis. Respondam rápido: que país da região passa por uma espécie de bolha imobiliária?

E o que tem as taxas de juros mais elevada? Em qual deles está a principal bolsa de valores, com as maiores companhias? Brasil-il-il!

Sigamos adiante, pela estrutura tributária do Brasil: de quem o governo mais retira rendimento para se manter? É mais que sabido que possuímos uma estrutura regressiva, pela qual a maior parte da arrecadação é proveniente dos impostos sobre o consumo e a produção.

Proporcionalmente, os pobres pagam mais imposto que os ricos, quem apenas trabalha paga mais do que quem investe na bolsa ou compra títulos da dívida pública, o que traz elevação da desigualdade. Segundo o IPEA, um órgão do próprio governo, pessoas com renda de até dois salários mínimos são responsáveis por 54% da arrecadação do Estado.

Já as com renda superior a 30 salários mínimos contribuem com apenas 29%.

O quadro torna-se ainda pior quando lembramos que a estrutura de gastos do Estado privilegia as despesas financeiras, os juros e amortizações da dívida pública – justamente onde há ganho de capital.

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NÚMEROS REDONDOS

Voltando a Clóvis Rossi, para termos os números redondos: “No ano passado, o governo federal dedicou 5,72% do PIB ao pagamento de juros de sua dívida. Já o Bolsa Família, o programa de ajuda aos mais pobres, consumiu magro 0,4% do PIB. Resumo da história: para 13.330.714 famílias cadastradas no Bolsa Família, vai 0,4% do PIB. Para um número infinitamente menor, mas cujo tamanho exato se desconhece, a doação, digamos assim, é 13 vezes maior”.

Tantos números não deixam margem para dúvida: a política econômica levada a cabo pelo PT não resultou em redução da desigualdade; pelo contrário: faz, a cada dia, elevar-se o abismo entre pobres e ricos.

Se levarmos em conta as propostas que o governo tem na gaveta, à espera apenas das eleições de outubro, como a retirada de direitos trabalhistas e uma nova reforma da previdência, não precisamos nem esperar: os futuros relatórios da ONU trarão o Brasil em posição mais vergonhosa…

Fonte: Tribuna da Internet, com informações do site do PCB

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Informalidade e precariedade no emprego causam pobreza rural na América Latina

Quarta, 22 de agosto de 2012
Da OIT


SANTIAGO (Notícias da OIT) – A precariedade e a informalidade no mercado de trabalho são dois dos fatores que contribuem para que mais da metade da população rural da América Latina se mantenha na pobreza, apesar do crescimento econômico ocorrido na região nos últimos anos, de acordo com a segunda parte de um relatório conjunto apresentado hoje pela FAO, OIT e CEPAL.

Entre os pobres das áreas rurais, menos da metade têm acesso a mercados formais de trabalho e nos piores casos esta cifra cai até somente 2%, dependendo do país, segundo o estudo Políticas de Mercado e Pobreza Rural na América Latina, realizado pelas três agências das Nações Unidas.

Os organismos enfatizam no estudo que a pobreza entre a população rural caiu somente de 60% em 1980 para 53% em 2010 apesar do aumento das exportações agrícolas, à maior produção e ao crescimento econômico registrado pela América Latina durante grande parte da última década.
 
O estudo acrescenta que isto deixa claro que o funcionamento atual do mercado de trabalho não está distribuindo os benefícios do crescimento, particularmente entre as pessoas que moram e trabalham nos setores rurais.
 
Debilidade nas instituições do mercado de trabalho
 
Esta semana foi divulgado o segundo volume do estudo iniciado em 2010, que no total abarcou 12 países. O novo volume incorpora dados da Argentina, Bolívia, Guatemala, Honduras, México, Paraguai e Uruguai.
A segunda parte do relatório diz que a vinculação entre a precariedade nos empregos e a pobreza rural se dá, entre outros fatores, por debilidades nas instituições do mercado de trabalho, tais como a ausência ou não cumprimento do salário mínimo, de proteção social, da sindicalização e as formas de contratação da mão de obra.
 
Por outro lado, existem problemas estruturais que contribuem para reproduzir a pobreza dos trabalhadores rurais, entre os quais se encontram o trabalho infantil e a discriminação contra a as mulheres.
 
“As mulheres representam 20% da força laboral agrícola na América Latina e no Caribe e desempenham uma função chave na segurança alimentar, mas não têm igualdade de acesso aos recursos e sofrem discriminação no mercado de trabalho, tanto em termos de seus salários como em condições de trabalho”, assinalou o representante regional da FAO, Raúl Benitez.
 
O predomínio da informalidade é essencial para entender esta situação, diz o relatório. A isto somam-se mecanismos de intermediação laboral e subcontratação que também incidem na precarização dos empregos e no consequente aumento da pobreza.
 
“A grande quantidade de pessoas que trabalham em condições de informalidade no setor rural nos indica a presença de um importante déficit de trabalho decente em nossa região, pois significa que ganham o sustento em condições precárias, sem segurança nem direitos e com baixos salários”, comentou Elizabeth Tinoco, Diretora Regional da OIT para a América Latina e o Caribe.
 
Para Alícia Bárcena, Secretaria Executiva da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL), “é fundamental promover políticas que permitam crescer com aumentos de produtividade, complementadas com políticas orientadas a melhorar o funcionamento do mercado de trabalho rural para assegurar que os ganhos de produtividade se traduzam em melhores rendimentos do trabalho e, por esse caminho, menor pobreza”.
 
O relatório diz que os países devem reforçar a institucionalidade e as políticas públicas, de maneira que contribuam padra o melhor funcionamento do mercado de trabalho rural para que o emprego seja uma via efetiva de redução da pobreza.
 
As três agências propõem uma série de áreas de políticas destinadas ao mercado de trabalho, que apontam para a diminuição da pobreza rural e a melhoria da geração e qualidade do emprego.
 
Estas políticas deveriam promover medidas orientadas ao cumprimento dos salários mínimos, a formalização do emprego, a ampliação de qualificação para trabalhadores/as rurais, o fomento das instâncias de diálogo, a informação sobre os direitos dos trabalhadores, a erradicação do trabalho infantil, a promoção do emprego feminino e a certificação laboral, entre outras.

Mais informações sobre os dois volumes do relatório podem ser obtidas em http://www.rlc.fao.org/es/prensa/noticias/informalidad-y-precariedad-en-el-empleo-factores-clave-de-la-pobreza-rural-en-america-latina/

quinta-feira, 21 de julho de 2011

América Latina para além dos dados

Quinta, 21 de julho de 2011
Da Radioagência NP
Segundo a Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal) somos 594 milhões de latinoamericanos. Em nosso fértil território vivem 183 milhões de pobres e 74 milhões de indigentes.

Na divisão por idade somos compostos por uma maioria jovem: 27,3% (até 14 anos); 33,6% (15 a 34 anos), 19% (35 a 49), 11,8% (50 a 64 anos), e 8,3% com 65 anos para cima.

Temos uma população economicamente ativa (PEA) de quase 277 milhões, dos quais 164 milhões são homens e 113 são mulheres.

Nos últimos anos, aumentou no continente o emprego formal (51%), frente à queda no índice de desemprego (em 2000 era de 10,4%, em 2010 caiu para 7,6%).

Com uma população urbana de 79,3%, uma taxa de analfabetismo de 8,3% na população acima de 15 anos, e uma taxa de fecundidade de 2,3 filhos por casa ao longo dos anos 2000, a América Latina, vai traçando hoje o que será a ordem do dia da produção de vida de amanhã.

1- Questão social e educação
Na questão social da educação, dois dados merecem atenção.

1) os 20% mais ricos se apropriam 19,3 vezes a mais da riqueza e da renda no continente, em comparação aos 20% mais pobres.

2) dos jovens entre 25 a 29 anos, apenas 8,3% concluíram o terceiro grau. Na comparação entre jovens ricos e pobres, apenas um jovem pobre consegue concluir o 3º grau, em comparação a 27 jovens de melhor poder aquisitivo que terminam.

A situação das jovens mulheres latinoamericanas de 15 a 29 anos, é ainda mais complexa. Enquanto 80% das jovens com maior renda participam do mercado de trabalho formal no continente, menos de 50% das jovens pobres conseguem estabelecer vínculos formais.

O gasto público com educação é de 5% do Produto Interno Bruto (PIB) e o total de estudantes públicos na região é de 91 milhões no ensino fundamental e médio, em contraposição a 19 milhões em escolas particulares.

2.    O que os dados não mostram
Os resultados do período neoliberal são catastróficos. A aparente melhoria de vida encobre a essência do endividamento e da nova forma do capital apostar nos seus ganhos sem fronteiras, utilizando para isto as políticas públicas para revigorar seus ganhos.

A corrida do grande capital tem gerado uma forma de fazer política cujo conteúdo histórico segue o mesmo: a apropriação privada da riqueza e da renda advinda da exploração do trabalho em solo latinoamericano.

Por um lado, os trabalhadores são induzidos a uma nova lógica de consumo e, para produzirem sua sobrevivência com base numa gama de necessidades técnico-científicas oriundas da produção dos países centrais, entram no caminho sem volta do endividamento pessoal.

Por outro lado, o capital industrial dá passo atrás e retoma a histórica participação latina de produtora de bens primários para abastecer os países centrais.  

Os latinoamericanos transformam-se assim, desde a infância, em consumidores dos atuais bens vendidos como de primeira necessidade – celulares, computadores, vários mps, entre outros -. Para isto, precisam ser primeiro consumidores de crédito para depois adquirir tais bens.

O endividamento familiar torna-se peça chave da inclusão nessa sociedade na qual os latinos trabalham, mas que não os permite consumir o básico necessário com o salário que ganham.

A educação precária torna-se regra da operação do capital no continente, tanto no que tange à remuneração e contratação dos professores, quanto ao conteúdo das disciplinas formais lecionadas.

A educação formal para o consumo e não necessariamente o trabalho formal, empobrece a compreensão de totalidade da jovem futura classe trabalhadora e reforça o palco fértil para a consolidação da alienação como requisito básico de venda de bens importantes mas não necessariamente vitais.

Nessa linha, o desenvolvimento como sinônimo de consumo, modernidade e tecnologia ganha mais força do que nunca e entra na mentalidade da classe que vive do trabalho como algo natural em vez de construído historicamente.

O cenário latinoamericano necessita de políticas públicas de Estado que promovam mudanças substantivas no que diz respeito à tomada do poder e da orientação sobre a prioridade do pacto social no continente, com primazia para a centralidade do trabalho e da educação.

Além disto, requer que a política de integração crie condições para que a prioridade dos sujeitos coloque limites à soberania dos mercados liderados pelo capital (inter)nacional. A integração dos povos necessita modificar o histórico caminho no continente em que desenvolvimento e dependência aparecem como constitutivos do sentido do trabalho alienado.

Necessitamos com urgência de uma política de Estado de transição que coloque na trilha as modificações estruturais que reorientem o sentido do trabalho, da socialização da produção, da riqueza e da renda no território. Caso contrário¸ a melhoria dos dados permanecerá como sinônimo de uma conta maior a ser paga pelo trabalho.

Roberta Traspadini é economista, educadora popular e integrante da Consulta Popular/ ES.
21/07/11

terça-feira, 27 de outubro de 2009

América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo, diz Noam Chomsky

Terça, 27 de outubro de 2009
Em entrevista ao La Jornada, Noam Chomsky fala sobre a América Latina, definindo-a como uma das únicas regiões do mundo onde há uma resistência real ao poder do império. "Pela primeira vez em 500 anos há movimentos rumo a uma verdadeira independência e separação do mundo imperial. Países que historicamente estiveram separados estão começando a se integrar. Esta integração é um pré-requisito para a independência. Historicamente, os EUA derrubaram um governo após outro; agora já não podem fazê-lo", diz Chomsky.

La Jornada

A América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo, diz Noam Chomsky. Há aqui uma resistência real ao império; não existem muitas regiões das quais se possa dizer o mesmo. Entrevistado pelo La Jornada, um dos intelectuais dissidentes mais relevantes de nossos tempos assinala que a esperança e a mudança anunciada por Barack Obama é uma ilusão, já que são as instituições e não os indivíduos que determinam o rumo da política. Em última instância, o que Obama representa, para Chomsky, é um giro da extrema direita rumo ao centro da política tradicional dos Estados Unidos.

Presente no México para celebrar os 25 anos de La Jornada, o autor de mais de cem livros, lingüista, crítico antiimperialista, analista do papel desempenhado pelos meios de comunicação na fabricação do consenso, explica como a guerra às drogas iniciou nos EUA como parte de uma ofensiva conservadora contra a revolução cultural e a oposição à invasão do Vietnã. Apresentamos a seguir a íntegra das declarações de Chomsky ao La Jornada:

A América Latina é hoje o lugar mais estimulante do mundo. Pela primeira vez em 500 anos há movimentos rumo a uma verdadeira independência e separação do mundo imperial. Países que historicamente estiveram separados estão começando a se integrar. Esta integração é um pré-requisito para a independência. Historicamente, os EUA derrubaram um governo após outro; agora já não podem fazê-lo.
Leia a entrevista no site de Carta Maior