Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 8 de julho de 2017

O poder das corporações e a corrupção no capitalismo globalizado

Sábado, 8 de julho de 2017
No capitalismo a corrupção é uma característica recorrente, mas os ideólogos do livre mercado insistem em defender a ideia de que menos Estado e mais capitalismo poderia reduzir a corrupção.
Por Luciana Genro*
Em “Os donos do poder” Raymundo Faoro demonstra como, desde o que se chamou “descobrimento” do Brasil, as elites sempre encontraram caminhos para manter as estruturas de poder intactas e fora do alcance do povo. Quem são, afinal, os verdadeiros donos do poder? O revezamento dos partidos no governo significa, de fato, uma mudança no controle do poder? Qual o papel da corrupção dentro do sistema?
O nexo indissolúvel entre o Estado e o capital
O poder econômico está acoplado ao Estado, fazendo dele um instrumento de garantia dos seus interesses. Isto é, o poder do capital está solidamente alicerçado no Estado, que enquanto aparelho de força garante, por meio da propriedade privada e das relações jurídicas, a existência do mercado que, por sua vez, assegura o processo de valorização do capital. Por isso, o Estado não é capitalista apenas porque está submetido à influência direta do capital, mas por razões estruturais, por ser parte integrante e direta das relações de produção capitalistas.[1]

domingo, 18 de junho de 2017

Cresce a resistência de classe à "globalização"

Domingo, 18 de junho de 2017
Do Resistir.Info

por Prabhat Patnaik [*]

A globalização promovida pelo governo Modi.















O termo "globalização", embora muito utilizado, é extremamente enganoso, tal como o seu presumido "par", o "nacionalismo". Isto acontece porque ambos os termos são utilizados de modo abrangente sem qualquer referência ao seu conteúdo de classe, como se só pudesse haver uma espécie de "globalização" e só uma espécie de "nacionalismo". Utilizar conceitos destacados do seu conteúdo de classe é um dos truques favoritos da ideologia burguesa: o que equivale a conferir universalidade a conceitos que no essencial pertencem só ao discurso burguês, como se este fosse o único discurso possível do universo e todas as opções estivessem confinadas apenas a trajectórias alternativas dentro deste universo.

Esta utilização não-classista de palavras que servem para tudo torna possível estabelecer antinomias. Assim, seja o que for pode parecer melhor do que outra coisa, como se fosse algo razoável. Isso equivale a endossar o que disse o lado conservador de Hegel: "O real é a razão". Portanto é estabelecida uma antinomia entre "globalização" e "nacionalismo" onde a primeira parece progressista, aberta, democrática e transportadora da "modernidade", ao passo que a última parece reaccionária, fechada anti-democrática ao ponto de ser fascista, e anti-"moderna". Qualquer oposição àquilo que existe (isto é, a "globalização") é então alcunhada, dentro desta disjuntiva binária, como um movimento reaccionário, um afastamento da marcha rumo à "modernidade", em direcção a um tradicionalismo opressivo e anti-democrático. A resistência contra a opressão dentro do actual regime de "globalização" é dessa forma desacreditada como uma regressão reaccionária a um passado horrendo.

terça-feira, 2 de maio de 2017

Lutas ideológicas no capitalismo contemporâneo

Terça, 2 de maio de 2017
Do Resistir.info

por Prabhat Patnaik [*]
A globalização provocou sofrimento agudo para os trabalhadores de todo o mundo. Este sofrimento não se limita apenas ao período da crise pós bolha imobiliária, nem apenas aos trabalhadores dos países capitalistas avançados. A descoberta de Joseph Stiglitz de que o salário médio real de um trabalhador masculino americano em 2011 era algo mais baixo do que em 1968 sugere claramente que este sofrimento tem tido uma longa duração. Da mesma forma, a presunção de que o sofrimento aflige apenas os trabalhadores de países capitalistas avançados cujas oportunidades de emprego contraíram-se porque o capital metropolitano tem relocalizado a actividade económica em países do terceiro mundo com baixos salários, e que os trabalhadores destes últimos consequentemente tem sido os beneficiários da globalização, é completamente falsa: esta relocalização, longe de reduzir as enormes reservas de trabalho do terceiro mundo, foi pelo contrário acompanhada por um aumento da dimensão relativa de tais reservas e, portanto, por um esmagamento das taxas de salários reais. Isto tem sido assim, dentre outras razões, devido ao assalto maciço ao sector da micro produção nestes países, e o despojamento de micro produtores, que a globalização implicou.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

Trump e a farsa da globalização

Sexta, 10 de fevereiro de 2017


Por Mauro Santayana
(RBA- Rede Brasil Atual) - O fato de o IED - Investimento Estrangeiro Direto - ter se mantido históricamente alto na era Lula-Dilma - (na faixa dos 60, 70 bilhões de dólares por ano) e estar conservando o mesmo patamar agora, no atual governo, mostra que o Brasil não precisa rastejar, como um verme, para conseguir capital externo.

E que, por mais que seja conservador, esse capital não pensa, radicalmente, o Brasil, com um viés cegamente ideológico, como certos segmentos mais mesquinhos e burros do capital nacional costumam fazer, de vez em quando, infelizmente, na maior parte das vezes, em detrimento próprio.

segunda-feira, 11 de julho de 2016

A globalização e os trabalhadores do mundo; Desagregação da União Europeia, crise e sanções

Segunda, 11 de julho de 2016
Do resistir.info

A globalização e os trabalhadores do mundo

por Prabhat Patnaik [*]
A globalização foi anunciada como sendo benéfica para todos, como se fosse um grande passo rumo à melhoria econômica universal. Isto era evidentemente errado e não foram apenas economistas de esquerda que o disseram, mesmo economistas "convencionais" ("mainstream") como Paulo Samuelson disseram isso desde o princípio. A razão para o dizerem era simples: se o regime econômico do mundo permitisse importações livres de bens chineses ou indianos para os EUA, então isto teria necessariamente de prejudicar os salários reais dos trabalhadores americanos, porque estes desfrutando salários muito mais altos estariam então a competir, em seu próprio prejuízo, contra os trabalhadores de baixos salários chineses ou indianos. Portanto o facto de que a globalização necessariamente prejudicaria os trabalhadores nos EUA e em outros países avançados era óbvia para eles, na verdade para todos, de onde também se seguia que ela possivelmente não podia beneficiar todos os segmentos do povo trabalhador do mundo. Mas, de acordo com este argumento, acreditava-se geralmente que a globalização beneficiaria os trabalhadores em países como a China e a Índia, que são países de baixos salários do terceiro mundo.


Apresentando este argumento de modo diferente, uma vez que o livre movimento de bens e capital através do mundo aumenta a competição entre trabalhadores dos diferentes países, haveria alguma tendência rumo a um apagamento das diferenças salariais entre estes países. E ainda que isto significasse algum aumento nos salários reais dos trabalhadores do terceiro mundo, significaria também uma redução nos salários reais dos trabalhadores metropolitanos.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

Que as Transnacionais Paguem o Justo. Reforma Tributária — Tem que ser com justiça fiscal

Terça, 2 de fevereiro de 2016
1
O Instituto Justiça Fiscal (IJF), o Instituto de Estudos Socioeconômicos (INESC), a Rede Brasileira de Integração dos Povos (REBRIP), a Internacional de Servidores Públicos (ISP) e a Auditoria Cidadã da Dívida (ACD), com o apoio da Red Latinoamericana sobre Deuda, Desarrollo y Derechos (LATINDADD), da Red de Justicia Fiscal de América Latina y el Caribe (RJFALC), da Associação Nacional dos Fiscais da Receita Federal do Brasil (ANFIP), das Delegacias Sindicais do Sindicato Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (SINDIFISCO NACIONAL) de Salvador, do Rio de Janeiro, de Porto Alegre, do Ceará e do Espírito Santo, realizaram, nos dias 21 e 22 de janeiro, no Fórum Social Mundial Temático – 2016, oficinas para tratar do tema JUSTIÇA FISCAL PARA UM MUNDO MELHOR, e elaboraram, a partir dos debates realizados, o presente MANIFESTO.

REFORMA TRIBUTÁRIA – TEM QUE SER COM JUSTIÇA FISCAL
O tributo não é um fim em si mesmo, mas um meio para atender as demandas sociais. As grandes transformações sociais em andamento tanto demográficas e culturais quanto de estrutura produtiva têm produzido novas demandas que requerem uma reconfiguração e ampliação do fundo público especialmente aquele destinado à seguridade social, com garantia de suas fontes de financiamento.

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

O poder mundial e nós

Segunda-feira, 28 de setembro de 2015
Adriano Benayon 
Defino o capitalismo como um sistema econômico e político no qual capitais privados vão sendo cada vez mais concentrados nas mãos de poucos oligarcas dominantes. Isso lhes permite conquistar não só as grandes empresas financeiras e produtivas, mas também o Estado.
2. Isso acontece sob regimes abertamente fascistas e também sob regimes aparentemente democráticos, em que o dinheiro e a mídia, a serviço dos oligarcas, controlam o sistema político e o resultado das eleições.
3. O capitalismo nos países centrais, mercê notadamente de guerras que envolveram os aspirantes à hegemonia, tornou-se, ao longo dos últimos 350 anos, um sistema de poder mundial, sob a hegemonia do capitalismo britânico, que depois consolidou sua associação com o norte-americano, formando o império angloamericano.
4. Atualmente, restam duas potências não subordinadas ao império, China e Rússia, capazes de propiciar equilíbrio na balança do poder mundial. Sem esse equilíbrio, não há como país algum, no mundo, desenvolver-se.
5. Veja-se a anomia prevalente no cenário mundial, do início dos anos 1990 até há pouco, período em que o império angloamericano cometeu colossais genocídios: na Iugoslávia, seguindo-se Iraque, Afeganistão, novamente Iraque, Líbia, para citar só alguns. Agora, em pauta, a Síria.
6. O auge da tirania imperial corresponde no Brasil aos governos Collor e FHC. Na Argentina, ao de Menem, e mais exemplos vergonhosos mundo afora.
7. O enfraquecimento e dissolução da União Soviética haviam deixado o planeta à mercê do império, secundado por seus satélites.
8. Mas a China vem ganhando poder em todos os campos, e a Rússia reafirma-se como potência nuclear e balística de grande porte.
9. Isso lhes dá autonomia nas decisões políticas e econômicas, e limita um pouco a tirania exercida pelo império angloamericano em âmbito global.
10. Se se tivessem mantido abertos à influência do império, não teriam alcançado o status de potências mundiais. Para tanto, precisaram de regime centralizado e fechado.
11. As histórias da Coreia do Sul e de Taiwan ilustram a mesma constatação: para se desenvolverem, tiveram governos militares nacionalistas, devido a circunstâncias especiais: a presença do comunismo na China e na Coreia do Norte, com apoio do Exército Vermelho da China de Mao Dze Dong. Este havia empurrado os partidários de Chiang Kai Chek para Taiwan (Formosa), onde se instalaram sob a proteção da esquadra norte-americana.
12. Em suma, os EUA precisavam deixar fortalecer-se aqueles dois países, empobrecidos pela exploração colonial e pela ocupação japonesa, além de devastados por guerras, antes e durante a 2ª Guerra Mundial. Do contrário, seus povos seriam reunidos a seus compatriotas sob governos comunistas.
13. Em nossa história, como na da Argentina, houve progressos para o desenvolvimento, exatamente sob regimes autoritários, no período entre-guerras da 1ª metade do Século XX e durante a 2ª Guerra Mundial.
14. O senador Severo Gomes, desaparecido no mar, em 1992, comentava que a arrancada para o desenvolvimento da Argentina e do Brasil fora possível graças ao relativo isolamento comercial propiciado pela 1ª Guerra Mundial (1914-1918) e pela depressão dos anos 1930, seguida da 2ª Guerra Mundial (1939-1945).
15. A melhora das estruturas econômica e social só se pode realizar sob condições de poder central forte, como, no Brasil, as dos anos subsequentes à Revolução de 1930 e no Estado Novo (1937-1945), mercê da consciência nacionalista do Exército e da visão esclarecida e habilidade do presidente Vargas.
16. Como tenho exposto, Vargas foi injusta e incessantemente acoimado de ditador por agentes do império, horrorizado com a perspectiva de o País atingir o desenvolvimento econômico e social.
17. Por isso não cessavam de injuriar o presidente os adeptos do império angloamericano, fosse fascinados pela democracia de molde ocidental, fosse a soldo daquele império.
18. Tive, com frequência, ocasião de trocar ideias com Severo Gomes, empresário e antigo ministro da Indústria e Comércio (MIC) no governo do general Geisel. Também, com outros grandes brasileiros: o general Andrada Serpa, o físico Bautista Vidal (secretário de Tecnologia Industrial do MIC com Severo Gomes e criador do Programa do Álcool, Energia da Biomassa), e o Dr. Enéas Carneiro.
19. Todos tinham consciência plena de que o desenvolvimento só é possível com autonomia nacional e que um dos requisitos para esta existir é a autonomia industrial e tecnológica, inclusive com domínio da energia nuclear aplicada à defesa.
20. O que precede significa que, para o Brasil, é vital ter estratégia que:
1) contemple estarem as potências hegemônicas intervindo permanentemente em nosso País;
2) acompanhe a balança do poder em âmbito global, avaliando a medida em que o império se veja obrigado a concentrar recursos e atenção em outras regiões.
21. Dado o nosso recuo econômico, financeiro e tecnológico – crescente nos últimos decênios – a chance de êxito que possa ter o projeto de sobrevivência do País depende de unir o máximo possível das forças nacionais.
22. Estas têm sido agudamente divididas em direita e esquerda, ao longo dos últimos 85 anos. O marco foi a Revolução de 1930, a qual abriu a perspectiva de desenvolvimento do País.
23. Em seguida, o império angloamericano fomentou novos separatismos e passou a investir mais intensamente em cooptar e corromper locais, notadamente na mídia, como Assis Chateaubriand Bandeira de Mello, dono dos Diários Associados, a maior cadeia jornalística da época.
24. Já no mandato de Vargas assumido em 1951, indagado Chatô, por que atacava o presidente e abria total espaço na TV a Carlos Lacerda, seu virulento e audacioso adversário, respondeu: “se ele desistisse de criar a Petrobrás, eu passaria apoiá-lo e lhe daria espaço em minha rede de comunicação”.
25. Outro, foi o notório Roberto Marinho, dono de O Globo desde 1931. Esse, desde 1964, recebeu favores oficiais e fartos recursos norte-americanos para tornar-se dominante na comunicação social.
26. Mais tarde, o império declarou, através de Henry Kissinger, que não podia tolerar o surgimento de uma potência no Hemisfério Sul. Assim, foram cavados profundos fossos ideológicos entre brasileiros e n outros modos de intervenção.
27. Em 1932, Londres fomentou a falsamente denominada Revolução Constitucionalista, em São Paulo, que se poderia ter transformado em guerra separatista do Estado onde a industrialização despontava promissora.
28. A constitucionalização real veio em 1934, preparada por Vargas desde antes daquela teleguiada “revolução”. A insurreição comunista, em 1935, tempo de grande polarização esquerda/direita, reflexo do cenário europeu antecedente à 2ª Guerra Mundial.
29. Era muito pequeno o número de operários organizados, e a geopolítica dava chances nulas de êxito aos comunistas brasileiros: poder naval do império britânico absoluto no Atlântico Sul, e proximidade dos EUA.
30. Sendo incipiente o desenvolvimento do poder militar da União Soviética (URSS), não havia como esta apoiar o levante comunista no Brasil. Ademais, Stalin dava prioridade à infra-estrutura industrial da URSS. Não apostava na revolução internacional, ao contrário de Trotsky, alijado do poder.
31. Entre os comandados de Prestes, infiltraram-se agentes do Intelligence Service, o M16 britânico, e os planos dos ataques eram previamente conhecidos das forças legalistas.
32. O resultado da insurreição de 1935 foi exacerbar a polarização ideológica, de interesse exclusivo do império anglo-americano.
33. Pior, sua memória tem servido à irracionalidade que faz reprimir, atribuindo-se-lhes ser comunistas, os que se opõem ao império angloamericano ou não fecham os olhos aos crimes deste.
34. Seguiu-se o golpe de 1937, que instituiu o Estado Novo, repressor de comunistas e outros. A geopolítica e a influência da finança angloamericana determinaram a participação do Brasil na 2ª Guerra Mundial: bases no Nordeste para as FFAA dos EUA e envio da Força Expedicionária à Itália, vinculada a comando norte-americano.
35. Entretanto, o império não hesitou em patrocinar o golpe de 1945 e as intervenções subsequentes, que prosseguem até hoje, e vêm logrando seus objetivos desde agosto de 1954:
a) desnacionalizar e a desindustrializar o Brasil, impedindo o desenvolvimento de tecnologias controladas por empresas nacionais, tanto privadas como estatais;
b) enfraquecer as Forças Armadas e a capacidade estratégica do País, indústrias básicas, infra-estrutura e o domínio da energia nuclear;
c) desinformar e abaixar o nível de educação dos brasileiros, investindo na anticultura e na demolição dos valores éticos indispensáveis à evolução de nação próspera e equilibrada;
36. Esse processo tem sido realizado não só durante governos claramente subordinados aos interesses financeiros angloamericanos (Café Filho, JK, Castello Branco, Collor e FHC).
37. Também, durante os demais, que, no essencial, cederam às pressões imperiais, não obstante terem tido, setorialmente, patriotas voltados para o desenvolvimento nacional.
38. Destaque-se, ademais, que eleições dependentes de dinheiro grosso e grande mídia levaram a desastres de origem parlamentar, inclusive a presente Constituição e emendas.
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*Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

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terça-feira, 3 de março de 2015

Notas depois de um mês de governo de Syriza


Terça, 3 de março de 2015
Por Pedro Fuentes
Pedro FuentesPassou um pouco mais de um mês do grande triunfo que comoveu a Europa e levou a SYRIZA sob o comando de Tsipras ao governo. Neste mês ele teve que enfrentar as negociações com o inimigo mais poderoso da Grécia e dos povos da Europa: a chamada troika, que nada mais são que as instituições europeias e todos os governos do eurogrupo, que terminam se curvando ante Merkel.
Há setores da esquerda que com base nos acordos alcançados já dizem que a Syriza capitulou e que o processo terminou. Que a realidade lhes deu a razão. Esta não é a nossa opinião. Compartilhamos das críticas às negociações que foram feitas, mas seria um grave erro usar essas críticas para sepultar o processo encabeçado pela Syriza e seu governo. A luta segue aberta e o processo não está perdido, pelo contrário, a luta apenas começou.
Momentos difíceis se abrem para o governo da Syriza e para o povo grego, e temos que apostar com nossa ação para que sigam sendo um esteio na longa e difícil luta para derrotar a troika e a globalização neoliberal.

terça-feira, 29 de julho de 2014

A esquerda que não desejamos mais

Terça, 29 de julho de 2014
Em período eleitoral como o que vivemos no Brasil, vale a pena reproduzir, por ainda atual em sua essência, um artigo do Le Monde Diplomatic Brasil e publicado pelo Gama Livre em 1º de janeiro de 2012. O artigo nos leva a uma reflexão sobre 'Os rumos da esquerda', nos fazendo refletir sobre 'A esquerda que não desejamos mais'.

Adiante o artigo.


Domingo, 1 de janeiro de 2012
Do "Le Monde Diplomatic Brasil"
OS RUMOS DA ESQUERDA
A esquerda que não desejamos mais


O jogo está perdido? Poderiam os eleitores e militantes de esquerda mais interessados no conteúdo do que nos rótulos ter esperanças, inclusive nos países ocidentais, de combater a direita junto com camaradas conquistados pelo liberalismo, mas ainda eleitoralmente hegemônicos?
por Serge Halimi

Os norte-americanos que se manifestam contra Wall Street protestam também contra seus contatos dentro do Partido Democrata e da Casa Branca. Certamente eles não sabem que os socialistas franceses continuam invocando Barack Obama como exemplo. Segundo estes, o presidente norte-americano teria sabido, ao contrário de Nicolas Sarkozy, agir contra os bancos. Seria mesmo um equívoco? Quem não quer (ou não pode) atacar os pilares da ordem liberal (financeirização, globalização dos fluxos de capitais e mercadorias) é tentado a personalizar a catástrofe, a imputar a crise do capitalismo aos erros de concepção ou gestão de seu adversário interno. Na França, o culpado seria Sarkozy; na Itália, Berlusconi; na Alemanha, Merkel. Muito bem, mas e no resto do mundo?

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Brasil: Impossível pensar o futuro sem discutir a geopolítica mundial. Entrevista especial com Carlos Lessa


Segunda, 28 de julho de 2014
"...o PT tentou se criar “anti-Getúlio”. Eu lembro do Lula dizendo a seguinte frase: “A Consolidação das Leis do Trabalho - CLT é o AI-5 dos trabalhadores”. Ou seja, para ele, a CLT impediria qualquer ingerência dos trabalhadores em seu futuro. O PT era antigetulista, e depois começou a diminuir um pouco isso, mas ao mesmo tempo pegou do pragmatismo de Getúlio a pior de todas as dimensões, porque Getúlio era pragmático nas alianças que fazia, mas apesar das alianças ele nunca permitiu dissolver os objetivos nacionais. Enquanto isso, o PT vende o petróleo no leilão de Libra. Getúlio nunca permitiu que a privatização fosse um elemento pragmático a ser negociado; soberania nacional sempre foi fundamental para Getúlio. E esse conceito nem existe no governo Lula."
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Do IHU
Instituto Humanitas Unisinos
 
Brasil: Impossível pensar o futuro sem discutir a geopolítica mundial. Entrevista especial com Carlos Lessa 
“Há muitos anos eu já disse que nós caminhávamos imensuravelmente para a desaceleração da economia, e infelizmente tudo que imaginei aconteceu. Hoje o Brasil está tendo dificuldades imensas de manter se movendo como estava se movendo”, assinala o economista.
Foto: Uol
“A verdade é que se houvesse uma redução significativa do valor da dívida das famílias, das empresas e dos Estados nacionais, haveria naturalmente, sem grande trauma, uma mudança no perfil de retração da riqueza do mundo.” A declaração é do economista Carlos Lessa à IHU On-Line, ao comentar as razões de ainda haver tantas desigualdades sociais no mundo. Segundo ele, “o que a história está mostrando é que os comandos desse sistema financeiro assumiram o comando da economia mundial, porque é muito difícil mexer no valor dessa dívida”.
Na entrevista a seguir, concedida por telefone, o ex-presidente do BancoNacional de Desenvolvimento – BNDES menciona a dívida da Argentina como um exemplo que diz “respeito à saúde do mundo como um todo; (...) ela é uma espécie de preliminar das dificuldades que estão à frente”. E alfineta: “Se 93% aceitaram a proposta argentina e estão recebendo segundo essa proposta, como 7% podem derrubar tudo?”.
Lessa também comenta a criação do banco do BRICs como uma possibilidade de “restabelecer liquidações compensatórias de dinheiro entre as moedas dos países do BRICs”. Entretanto, enfatiza, “se ele fizer isso, já está introduzindo uma dimensão importante no jogo financeiro mundial. E minha pergunta é: Vão fazer, ou não vão fazer? É a sério, ou não é a sério? Porque isso já é uma tentativa de reduzir o peso do dólar; e eu não vejo como os americanos concordam com isso tranquilamente”. E cutuca: “A presidenta Dilma foi à última reunião de Davos dizer que o Brasil está inteiramente consciente e subordinado à ideia do Consenso de Washington, mas aí esse sistema de compensações monetárias entre as moedas dos BRICs não é o que Washington quer; por outro lado, o silêncio brasileiro com respeito à questão argentina — o nosso comportamento está sendo muito encabulado e retraído — é o que Washington quer. Então, eu não sei, e a pessoa (Dilma) para mim também não sabe, apesar de estar perdendo o campeonato”.
Segundo ele, apesar de a população ter melhorado o padrão de vida nos governos Lula e Dilma, especialmente no que se refere à distribuição da renda, “o governo do PT não usou esse ‘oxigênio’ que o Brasil teve para dar sustentabilidade no longo prazo à melhoria”. Na avaliação dele, “para frente, o Brasil vai se confrontar com um problema muito sério: um pedaço enorme do patrimônio das empresas brasileiras, das empresas que estão no Brasil, dos bancos brasileiros e das famílias ricas, está apoiado na dívida das famílias pobres que se endividaram para comprar automóvel, geladeira e mobiliário, então, terá uma queda de braço para frente no país”.
Defensor de um projeto nacional, Carlos Lessa é categórico quanto ao assunto: “Nós estamos órfãos de um projeto nacional. Agora, é evidente que qualquer projeto nacional começa por projetar o Brasil do futuro. (...) Nós fomos achando que é possível tocar o futuro sem discutir o futuro, então é complicado”. E conclui: “Pelo menos três dos grandes países periféricos do mundo têm projetos nacionais claros, enquanto o Brasil não tem nenhum. Nós nem sequer discutimos a geopolítica mundial; nós não temos posicionamento nenhum”.
Carlos Lessa é formado em Ciências Econômicas pela antiga Universidade do Brasil e doutor em Ciências Humanas pelo Instituto de Filosofia e Ciências Humanas da Universidade de Campinas (Unicamp). Em 2002, foi reitor da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ. Ele também foi presidente do Bndes.
Confira a entrevista.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

Tsipras: "A conquista do governo por parte do povo da Syriza na Grécia, será uma vitória para todos os povos da Europa"

Segunda, 12 de maio de 2014

Alexis Tsipras, o dirigente de trinta e nove anos da esquerda grega, está confiante que o seu partido SYRIZA irá ganhar as próximas eleições europeias, conseguindo causar uma "reação em cadeia positiva" em toda a Europa. "O euro da senhora Merkel não é uma estrada de sentido único", destaca Tsipras nesta entrevista concedida ao Ηuffington Post. As últimas sondagens dão ao seu partido 21,5% das intenções de voto , enquanto o centro-direita estagna nos 18,1% . De acordo com o líder grego, a vitória da Syriza "será a vitória de todos os povos da Europa".

Foto de Left.gr









Se conseguir ganhar as eleições europeias, haverá eleições antecipadas na Grécia?

sábado, 21 de setembro de 2013

Desvendar o núcleo financeiro da classe capitalista transnacional – Os 161 indivíduos do topo

Sábado, 21 de setembro de 2013


por Peter Phillips e Brady Osborne
Publicado em resistir.info 

Neste estudo, decidimos identificar em pormenor as pessoas nos conselhos de administração (CA) (boards of directors) das dez principais firmas de administração de activo e as dez principais corporações mais centralizadas no mundo. Devido a sobreposições, há um total de treze firmas, as quais colectivamente têm 161 administradores nos seus CA. Pensamos que este grupo de 161 indivíduos representa o núcleo financeiro da classe capitalista transnacional do mundo. Eles administram colectivamente U$23,91 milhões de milhões (trillion) em fundos e operam em praticamente todos os países do mundo. Eles constituem o centro do capital financeiro que movimenta o sistema económico global. Os governos ocidentais e os corpos políticos internacionais trabalham de acordo com os interesses deste núcleo financeiro a fim de proteger o fluxo irrestrito de capital de investimento em qualquer lugar do mundo. 
 
Uma breve história da investigação sobre a elite do poder americana

Uma longa tradição de investigação sociológica documenta a existência de uma classe dominante nos Estados Unidos, cujos membros traçam directivas e determinam prioridades políticas nacionais. A classe dominante americana é complexa e competitiva, perpetuando-se através da interacção de famílias de alto padrão social com estilos de vida, ligações corporativas e pertença a clubes sociais e escolas privadas semelhantes.

Já foi determinado há muito que a classe dominante americana é sobretudo auto-perpetuante, mantendo sua influência através de instituições elaboradoras de políticas tais como a National Association of Manufacturers, a US Chamber of Commerce, o Business Council, Business Roundtable, o Conference Board, American Enterprise Institute for Public Policy Research, Council on Foreign Relations, e outros grupos de política centrados nos negócios. Estas associações desde há muito dominaram as decisões políticas dentro do governo estado-unidense.

No seu livro de 1956, The Power Elite , C. Wright Mills documentou como a II Guerra Mundial solidificou a trindade de poder nos EUA que compreendia corporações, militares e elites governantes numa estrutura de pode centralizada pelos interesses de classe e a trabalhar em uníssono por todos os "alto círculos" de contacto e acordo. Mills descreveu como a elite do poder eram aqueles "que decidiam tudo o que fosse para ser decidido" com consequências importantes. Estes decisores do círculo mais alto tendiam a estar preocupados com relacionamentos inter-organizacionais e o funcionamento da economia como um todo, ao invés da promoção dos seus interesses corporativos particulares.

As elites políticas do círculo mais alto (higher-circle policy elites, HCPE) constituem um segmento da classe superior americana e são os principais decisores na sociedade. Embora estas elites mostrem alguma noção do "senso de nós" (we-ness"), eles também tendem a ter desacordos contínuos sobre políticas específicas e acções necessárias em várias circunstâncias sócio-políticas. Estes desacordos podem bloquear respostas reaccionárias agressivas a movimentos sociais e distúrbios civis, como no caso do movimento trabalhista na década de 1930 e o movimento de direitos civis na década de 1960. Durante estes dois períodos, os elementos mais liberais das HCPE tendiam a dominar o processo de tomada de decisão e apoiou a aprovação das leis de Relações Trabalhistas Nacionais e de Segurança Social em 1935, bem como as leis de Direitos Civis e Oportunidades Económicas em 1964. Estas peças de legislação eram vistas como concessões aos movimentos sociais em curso e a inquietações civis, e foram implementadas ao invés de instituir políticas mais repressivas.

Entretanto, durante período de ameaças vindas de inimigos externos, como nas I e II Guerras Mundiais, elementos mais conservadores/reaccionários da HCPE avançaram com êxito nas suas agendas. Durante e após a I Guerra Mundial, os Estados Unidos instituíram respostas repressivas a movimentos sociais, como por exemplo através dos Palmer Raids e da aprovação do Espionage Act de 1917 e do Sediction Act de 1918. Após a II Guerra Mundial, a HCPE permitiu e encorajou os ataques da era McCarthy contra liberais e radicais e, em 1947, a aprovação do National Security Act e da lei trabalhista Taft-Hartley. Nos últimos vinte e cinco anos, e especialmente desde os eventos do 11/Set, a HCPE nos EUA tem estado unida no apoio a um império americano de poder militar que mantenha uma guerra repressiva contra grupos de resistência – tipicamente alcunhados como "terroristas" – em todo o mundo. Esta guerra ao terror é muito mais acerca de proteger a globalização transnacionais, a livre movimentação do capital financeiro, a hegemonia do dólar e o acesso ao petróleo do que acerca da repressão ao terrorismo. Cada vez mais, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (NATO) é uma associada dos interesses de dominação global dos EUA.
A classe capitalista transnacional (CCT)

Elites do poder capitalista existem em todo o mundo. A globalização do comércio e do capital leva as elites do mundo a relacionamentos cada vez mais interconectados – até o ponto em que sociólogos começaram a teorizar o desenvolvimento de uma classe capitalista transnacional (CCT) (transnational capitalist class). Num dos trabalhos pioneiros neste campo, The Transnational Capitalist Class  (2000), Leslie Sklair argumentou que a globalização elevou as corporações transnacionais (TNC) a papéis mais influentes, com o resultado de que nações-estado tornaram-se menos significantes do que acordos internacionais desenvolvidos através da Organização Mundial de Comércio (OMC) e outras instituições internacionais. A emergir destas corporações multinacionais estavam uma classe capitalista transnacional, cujas lealdades e interesses, se bem que ainda enraizadas nas suas corporações, eram cada vez mais de âmbito internacional. Sklair escreveu:
A classe capitalista transnacional pode ser analiticamente dividida em quatro fracções principais: (i) proprietários e controladores das TNC e suas filiais locais; (ii) burocratas e políticos da globalização; (iii) profissionais da globalização; (iv) elites promotoras do consumo (comerciantes e media). Também é importante notar, naturalmente, que a CCT e cada uma das suas fracções nem sempre está inteiramente sobre todas as questões. No entanto, em conjunto, as pessoas principais nestes grupos constituem uma elite do poder global, a classe dominante ou círculo interno no sentido de que estas expressões têm sido utilizadas para caracterizar as estruturas da classe dominante de países específicos. 
Seguiu-se William Robinson em 2004 com o seu livro A Theory of Global Capitalism: Production, Class, and State in a Transnational World. Robinson afirmou que 500 anos de capitalismo haviam levado a uma mudança de época na qual toda actividade humana é transformada em capital. Deste ponto de vista, o mundo tornou-se um mercado único (single market), o qual privatizou relacionamentos sociais. Ele viu a CCT como a partilhar cada vez mais estilos de vida, padrões de educação superior e consumo semelhantes. A circulação global de capital está no cerne de uma burguesia internacional, a qual opera em grupos (clusters) oligopólicos por todo o mundo. Estes grupos de elites formam alianças transnacionais estratégicas através de fusões e aquisições com o objectivo de concentração acrescida da riqueza e do capital. O processo cria uma poliarquia de elites hegemónicas. A concentração de riqueza e poder a este nível tende à super-acumulação, levando a investimentos especulativos e guerras. A CCT faz esforços para corrigir e proteger seus interesses por meio de organizações globais como o Banco Mundial, o Fundo Monetário Internacional, o G20, o Fórum Social Mundial, a Comissão Trilateral, o Grupo Bilderberg, o Banco Internacional de Pagamentos e outras associações transnacionais. Robinson afirmou que, dentro deste sistema, nações-estado tornam-se pouco mais do que zonas de contenção de população e que o poder real jaz nos decisores que controlam o capital global.

sábado, 6 de julho de 2013

A ilegalidade é a nova normalidade

Sábado, 6 de julho de 2013
De resistir.info
por Paul Craig Roberts [*]



Em vários artigos e no meu último livro, The Failure of Laissez Faire Capitalism And Economic Dissolution Of The West , tenho destacado que a crise de dívida soberana europeia está a ser utilizada para acabar com a soberania dos países que são membros da UE.

Não há dúvida de que isto é verdadeiro, mas a soberania dos estados membros da UE é apenas nominal. Embora os países individuais ainda retenham alguma soberania em relação ao governo da UE, eles estão todos sob o polegar de Washington, como se demonstrou com a recente ação ilegal e hostil imposta pelas ordens de Washington à França, Itália, Espanha, Portugal e Áustria contra o avião que transportava o Presidente da Bolívia, Evo Morales.


Retornando à Bolívia desde Moscovo, ao avião de Morales foi negada autorização de sobrevoo e reabastecimento pelos fantoches franceses, italianos, espanhóis e portugueses de Washington. Foi obrigado a aterrar na Áustria, onde o avião foi vasculhado em busca de Edward Snowden. Era um jogo de poder por parte de Washington sequestrar Snowden do avião presidencial da Bolívia em desafio ao direito internacional e ensinar a reformadores surgidos do nada, como Morales, que não é permitida independência às ordens de Washington.


Os estados fantoches europeus cooperaram com esta extraordinária violação da diplomacia e do direito internacional apesar do facto de cada um dos países estar raivoso por Washington espionar seus governos, diplomatas e cidadãos. Os seus agradecimentos a Snowden, cujas revelações os fizeram conscientes de que Washington estava a registar todas as suas comunicações, foi ajudar Washington a capturar Snowden.

sábado, 11 de maio de 2013

Sociólogo português diz que crise econômica criará o estado de mal-estar na Europa

Sábado, 11 de maio de 2013
Gilberto Costa
Correspondente da Agência Brasil/ EBC
Lisboa – A crise econômica está fazendo a Europa deixar de ser o continente em que as políticas sociais diminuem os efeitos das desigualdades econômicas e permitem uma boa qualidade de vida ao conjunto da população. “Querem criar o Estado de Mal-Estar na Europa”, critica Boaventura de Sousa Santos, o sociólogo português mais conhecido no Brasil, fazendo referência ao antigo Welfare State [Estado de Bem-Estar] criado na Europa, a partir do final da 2ª Guerra Mundial (1945).

Segundo Boaventura, a Europa está deixando de ser um continente de primeiro mundo para tornar-se “um miniatura do mundo, com países de primeiro, segundo e terceiro mundos”. Ele se refere ao empobrecimento de alguns países e a falta de proteção aos cidadãos, como acontece em Portugal, na Espanha e na Grécia, mas com reflexos em todo o continente.