Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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domingo, 28 de abril de 2019

Saúde e Bem-Estar 51 — Flúor: Um aliado ou um perigo?

Domingo, 28 de abril de 2019
Por


“Atualmente, 97% da população da Europa Ocidental bebe água não fluoretada. Isso inclui: Áustria, Bélgica, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Grécia, Islândia, Itália, Luxemburgo, Holanda, Irlanda do Norte, Noruega, Portugal, Escócia, Suécia, Suíça e aproximadamente 90% do Reino Unido e da Espanha. Embora alguns desses países fluoretem seu sal, a maioria não o faz. (Os únicos países da Europa Ocidental que permitem a fluoretação do sal são a Áustria, a França, a Alemanha, a Espanha e a Suíça)”. Essa afirmação está presente no site da Fluoride Action Network (http://fluoridealert.org/content/europe-statements).

sábado, 24 de novembro de 2018

Os desafios do controle interno no governo Ibaneis Rocha

Sábado, 24 de novembro de 2018
Por

Aldemario Araujo Castro
Professor, Advogado, Mestre em Direito, Procurador da Fazenda Nacional

Brasília, 24 de novembro de 2018


             O governador eleito do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, conhecido como administrador exigente e incansável perseguidor dos resultados mais positivos possíveis nas áreas de gestão, me honrou com a desafiadora missão de liderar o controle interno do Poder Executivo do Distrito Federal a partir de janeiro de 2019.

             O desafio ganha cores mais intensas em razão do ótimo trabalho já desempenhado pela Controladoria-Geral do Distrito Federal (CGDF). Trata-se de um órgão reconhecido amplamente por contar com profissionais de alta capacidade técnica e responsável pela execução de importantes ações nas áreas de auditoria, transparência, controle social, correição e ouvidoria. Aproveitar toda a positiva experiência acumulada na CGDF e avançar substancialmente nas várias áreas de atuação do controle interno são os instigantes objetivos a serem alcançadas.

             A atuação da CGDF a partir de 2019 encontrará uma sociedade que exige, com justa motivação e intensidade crescente, a prestação eficiente de serviços públicos e o combate à fraude, à corrupção e à improbidade administrativa. Invariavelmente, as pesquisas de opinião pública apontam nesses sentidos.

             A Constituição, em especial no art. 74, indica duas grandes vertentes para atuação dos sistemas de controle interno. De um lado, temos um controle de desempenho ou eficiência, ao pugnar o constituinte pela necessidade de avaliação de metas, programas de governo e os resultados da gestão quanto à eficácia e eficiência. De outro lado, temos um controle de conformidade, juridicidade ou integridade, ao exigir a Carta Magna a comprovação da legalidade e regular aplicação de recursos públicos.

             O governo Ibaneis Rocha terá como uma de suas diretrizes mais relevantes, exatamente porque sintonizada com as justas demandas da população, o fortalecimento do sistema de controle interno, atuando em parceria com as demais instâncias com atividades dessa natureza, para realizar de forma adequada os controles de eficiência e de integridade.

             Entre as ações a serem desenvolvidas no âmbito do controle de eficiência, deve ser destacado o acompanhamento, em tempo real, da avaliação dos cidadãos acerca da qualidade dos serviços e políticas públicas. Será realizado um monitoramento de rádios, jornais, emissoras de televisão e redes sociais para coletar reclamações e críticas formuladas pela população. Esses dados, assim como aqueles oriundos das ouvidorias, ao serem devidamente tratados, fornecerão importantíssimas informações para o controle político das ações de governo e para alimentar as várias frentes de atuação da Controladoria-Geral do Distrito Federal no sentido de se obter serviços e políticas públicas prestadas de forma satisfatória. Observe-se que essa iniciativa leva em conta que o cidadão efetivamente relata, com mais frequência, nos espaços indicados, suas angústias, dificuldades e insatisfações.

             O monitoramento aludido é similar ao já realizado no âmbito privado. As ferramentas de Business Analytics, tão importantes para definir as estratégias das empresas, serão trazidas para o Setor Público de maneira inédita, objetivando direcionar as ações governamentais de controle para as reais demandas da população.

       Cumpre destacar que inúmeros estudos, pesquisas e levantamentos especializados indicam que deficiências na gestão administrativa, e não a fraude ou corrupção, são as mais importantes causas de disfunções de toda ordem. Nesse sentido, e em relação a atuação da Controladoria-Geral da União (CGU), os professores Maria Rita Loureiro, Fernando Luiz Abrucio, Cecília Olivieri e Marco Antonio Carvalho Teixeira registraram: “Hoje sabemos que a principal causa das irregularidades encontradas nos municípios auditados até agora é a má gestão e não a corrupção. Erros devidos à falta de qualificação do pessoal levam a irregularidades no uso dos recursos federais pelos municípios e, em poucos casos, os erros podem ser enquadrados como efetivo desvio de dinheiro”.

             No tocante ao controle de integridade, entre outras iniciativas, será desenvolvido um programa (permanente) de combate à fraude, à corrupção e à improbidade administrativa com providências nos campos da prevenção, controle, repressão e recuperação. No âmbito da prevenção será adotado um boletim de ética e integridade, contemplando a divulgação de boas práticas, a ser distribuído para todos os servidores do Distrito Federal. Em termos de controle, será implementado o monitoramento informatizado, para todos os servidores do Distrito Federal, do enriquecimento ilícito. Constatações dessa natureza decorrerão do cruzamento de dados presentes em declarações de imposto de renda, movimentações bancárias, registros de imóveis, veículos, etc. Em relação aos aspectos repressivos, serão viabilizadas as pertinentes sindicâncias patrimoniais e reestruturadas as ações disciplinares. Na seara da recuperação (ou remediação), será buscado o aprimoramento das ações judiciais de ressarcimento do Erário. Merecerão especial atenção: 

a) a implantação e funcionamento da Comissão-Geral de Ética Pública e 

b) a aprovação e implementação do Fundo Distrital de Combate à Corrupção.

             Portanto, o trabalho será realizado para superar o que ainda existe de foco nos aspectos meramente formais e na atuação a posteriori, marcas de um controle insuficiente e insatisfatório diante de uma sociedade com níveis de exigências crescentes em relação ao funcionamento eficiente e escorreito da Administração Pública.

             A agenda de ações da Controladoria-Geral do Distrito Federal, sempre em construtiva e produtiva integração com os outros segmentos dessa importante atividade no âmbito do Poder Público, buscará universalizar e aumentar a expectativa de controle entre os agentes públicos e os agentes privados que mantêm relação direta com a Administração Pública. Essa percepção, provavelmente, é o mais efetivo elemento preventivo de deficiências de gestão e de ilicitudes de várias naturezas e intensidades.

             As iniciativas destacadas serão articuladas e fortalecerão as relevantes funções de promoção da transparência e fomento do controle social. Nesse sentido, serão vistas e revistas, para viabilizar seu contínuo aperfeiçoamento, as ações relacionadas com a Lei de Acesso à Informação, Portais de Transparência, aplicativos de uso em celulares e Ouvidoria. O Conselho de Transparência e Controle Social, um olhar crítico e necessário da sociedade civil organizada, será prestigiado e fortalecido. O alinhamento com a política de governança da administração pública distrital será objeto de especial atenção.

             Em suma, o conjunto das iniciativas mencionadas busca uma combinação de alta energia entre os sistemas representativos, participativos e de controle. De tal sorte que as profundas transformações sociais exigidas pelo cidadão brasileiro, e pelo brasiliense em particular, poderão deixar de ser uma mera esperança e começarão a ganhar contornos práticos e efetivos.

domingo, 21 de outubro de 2018

Saúde e bem-estar 42 — Consumo de leite animal e leite vegetal

Domingo, 21 de outubro de 2018
SAÚDE E BEM-ESTAR
50 textos (um a cada final de semana). Registros de uma caminhada em busca de saúde e bem-estar consistentes e duradouros. Veja todos os escritos em: http://www.aldemario.adv.br/saude.htm

Por
Aldemário Araújo

42 — CONSUMO DE LEITE ANIMAL E LEITE VEGETAL

O consumo do leite animal, notadamente bovino, envolve questões idênticas ou muito próximas daquelas relacionadas com o consumo de carnes (tratado em escrito anterior – número 41). Aqui, como lá, os grandes temas em debate são: a) bem-estar animal envolvido nas práticas de criação; b) agressões ao meio ambiente; c) uso de antibióticos e outras substâncias e d) qualidade nutricional.

Além dos aspectos já apontados, existem pontos de preocupação específicos ou adicionais. São, entre outros, os seguintes: a) as vacas recebem altas doses de “hormônio da gravidez” para produzir ininterruptamente mais leite (vivem bem menos por conta disso); b) já foram isolados quase 60 (sessenta) hormônios diferentes no leite de vacas vendido para consumo humano (alguns com forte ação na formação de tecido gorduroso) e c) o processo de pasteurização remove bactérias e micro-organismos benéficos.

Já foi visto que existe uma considerável controvérsia em torno da qualidade nutricional do leite (assim como das carnes). Fontes confiáveis indicam os laticínios (não processados ou industrializados) como alimentos saudáveis. Por outro lado, fontes igualmente confiáveis listam os laticínios entre os alimentos com efeitos nocivos para saúde. 

No segundo grupo, existem aqueles que formulam a seguinte pergunta: por que o homem é o único animal a consumir leite, de outra espécie, na idade adulta? A pergunta deixa implícita a seguinte afirmação: o leite animal não é um alimento natural/adequado para o organismo humano.

O açúcar presente no leite é a lactose. A enzina usada para digerir esse açúcar é a lactase. Uma parte considerável das pessoas não possui essa enzima. Esse fato gera a famosa intolerância ao leite (ou à lactose). Um fenômeno pouco conhecido é a diminuição progressiva, para quase toda a população, da produção de lactase a partir dos 4 anos de idade. Assim, a digestão adequada no leite é cada vez mais difícil ao longo da vida.

Existem várias evidências de que a caseína, proteína fortemente presente no leite, desencadeia reações alérgicas e inflamatórias no intestino. As consequências, nesse caso, podem envolver, entre outras: a) constipação; b) agravamento dos sintomas de síndrome de intestino irritado; c) doença de Crohn e d) câncer.

O consumo contínuo do leite aumenta os níveis estrogênicos. Nos homens, essa elevação está relacionada, conforme vários estudos, com o desenvolvimento de doenças cardiovasculares e câncer de próstata. Nas mulheres, o aumento referido está relacionado com o incremento de câncer de mama e câncer de ovário.

Existem dezenas de estudos indicando a ausência de relação entre o consumo de leite, os níveis de cálcio e a saúde óssea. Assim, parece ser um mito, bem arraigado, que o consumo de leite é um importante fator de combate a osteoporose. Em boa medida a primeira afirmação está relacionada com a composição do leite de vaca. Grande parte dos nutrientes presentes no leite não são absorvidos pelo organismo humano.

Sônia Felipe, pós-doutora em Bioética e autora do livro “Galactolatria: mau deleite”, afirma: “A maior parte dos seres humanos não tem mais a  produção da enzima que permite digerir o açúcar do leite, que é a lactose. Em função disso, as pessoas sofrem uma série de disfunções digestivas e outros males que hoje os estudiosos apontam como de origem galactogênica”. “A estudiosa orienta as mães a oferecer outros tipos de leite de origem vegetal às crianças. 'Você pode fazer leite de arroz para o seu filho'. Além disso, ela orienta, a não ser em casos de alergias, oferecer leite feito de nozes, semente de girassol, semente de abóbora, amêndoa, castanha do pará e até de amendoim”. Ouça uma entrevista de 25 minutos com Sônia Felipe no seguinte endereço eletrônico: 

O doutor Alberto Peribanez Gonzalez, no livro “Cirurgia Verde”, observa: “Enquanto a indústria de laticínios de origem animal e de soja demanda cada vez mais monocultura, agrotóxicos, estabulação, antibióticos e ração de soja, com o consequente desmatamento de biomas, a elaboração urbana e regional de laticínios vegetais de castanhas e nozes irá clamar por mais árvores, mais plantios, mais agroflorestas”.

Veja as considerações dos doutores Lair Ribeiro, Roberto Kater e Ricardo Vargas acerca do leite e dos produtos lácteos: 

Veja como fazer o leite vegetal: 

sábado, 13 de outubro de 2018

Saúde e bem-estar. 40 - Para não comer XI — Iogurte "tradicional"

Sábado, 13 de outubro de 2018
Por
Aldemario Araujo


SAÚDE E BEM-ESTAR

50 textos (um a cada final de semana). Registros de uma caminhada em busca de saúde e bem-estar consistentes e duradouros. Veja todos os escritos em: http://www.aldemario.adv.br/saude.htm


40 PARA NÃO COMER XI – IOGURTE “TRADICIONAL”

O doutor Joseph Mercola é mundialmente conhecido no campo da “medicina natural” em função de seus livros e intensa atuação profissional. O site mercola.com é considera o portal mais pesquisado na internet acerca de saúde natural. 

Mercola, no livro “Cura sem esforço”, dedica um capítulo aos alimentos reconhecidos amplamente como saudáveis mas que devem ser evitados. São eles: a) cereais integrais; b) adoçantes naturais como agave; c) produtos de soja não fermentada; d) óleo vegetal; e) a maior parte dos peixes e f) iogurte tradicional.

sábado, 15 de setembro de 2018

Saúde e bem-estar 37. Para não comer VIII — Cereais integrais

Sábado, 15 de setembro de 2018
Por
Aldemário Araújo*

SAÚDE E BEM-ESTAR
50 textos (um a cada final de semana). Registros de uma caminhada em busca de saúde e bem-estar consistentes e duradouros. Veja todos os escritos em: http://www.aldemario.adv.br/saude.htm

O doutor Joseph Mercola é mundialmente conhecido no campo da “medicina natural” em função de seus livros e intensa atuação profissional. O site mercola.com é considera o portal mais pesquisado na internet acerca de saúde natural. 

Mercola, no livro “Cura sem esforço”, dedica um capítulo aos alimentos reconhecidos amplamente como saudáveis mas que devem ser evitados. São eles: a) cereais integrais; b) adoçantes naturais como agave; c) produtos de soja não fermentada; d) óleo vegetal; e) a maior parte dos peixes e f) iogurte tradicional. 

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Saúde e bem-estar 35. Para não beber VI — Energéticos

Segunda, 3 de setembro de 2018
Por
Aldemário Araújo Castro*


É crescente o consumo de energéticos. Em geral, são usados: a) para dar mais energia para as atividades físicas; b) aumentar a disposição; c) tornar a pessoa mais ativa e d) eliminar ou diminuir o sono. Observam-se: a) o consumo mais frequente e intenso em festas e b) uma associação com a ingestão de bebidas alcoólicas. 

Normalmente, envolvem uma mistura de: a) açúcar; b) vitaminas; c) guaraná; d) ginseng; e) cafeína e f) estimulantes (taurina, glucoronolactona, etc). Os nomes comerciais mais lembrados são: a) red bull; b) burn e c) monster. A chamada versão normal das bebidas energéticas chegam a conter o equivalente a 15 colheres de açúcar. A quantidade de substâncias adicionadas para conferir cor, sabor e prolongar a vida útil (validade) é considerável e preocupante.

A alíquota de 35% do Imposto de Renda e a Marianne tributária

Segunda, 3 de setembro de 2018
Por
Aldemario Araujo Castro* 

"Existe a necessidade de superação da profunda injustiça social instalada na tributação brasileira tal como se processa na atualidade"

As repercussões da globalização na tributação brasileira. Esse foi o título da minha dissertação de mestrado. O nomadismo fiscal foi um dos vários aspectos abordados. Em síntese, trata-se do fenômeno caracterizado pela movimentação, notadamente de domicílio entre países, buscando o melhor ambiente fiscal possível (menor tributação). Ilustrei a abordagem do tema com a seguinte curiosidade: "Um dos exemplos mais emblemáticos do nomadismo fiscal nos tempos de globalização ocorreu com a modelo francesa Laetitia Casta. A referida modelo foi escolhida como uma das Mariannes, símbolo da república francesa representado pela figura de um busto feminino. A honra de ser uma Marianne é enorme, como ocorreu com Catherine Deneuve durante longo período. O busto confeccionado chega a ser distribuído por todas as repartições públicas francesas. Ocorre que a modelo Laetitia Casta, conforme noticiou a imprensa internacional, adotou Londres como domicílio fiscal para escapar de uma tributação menos favorável existente na França".

Em visita ao Louvre, considerado o maior e mais importante museu do mundo, procurei pela Marianne entre suas milhares de obras e suas infindáveis salas. A Marianne em questão é um famoso quadro do pintor Eugene Delacroix, denominado "A liberdade guiando o povo". O mapa do museu indicava a presença da Marianne na sala 700, bem próxima da "grande galeria" e da mundialmente conhecida "Mona Lisa".

Depois de ver a “Mona Lisa" na sala 711, numa verdadeira operação de guerra, onde você disputa um lugar quase no tapa para observar e fazer um registro fotográfico de uma pintura de dimensões físicas reduzidas e baixo impacto visual (ao menos para um leigo em artes), rumei para a sala 700.

Chegando na sala 700, nada de Marianne. Nenhum vestígio. Nenhuma indicação. Nenhuma informação. Situação estranha para o símbolo nacional da França. Aliás, símbolo que influenciou muitos outros países na representação da República. No Brasil, em especial, o busto feminino estilizado figura em vários brasões e bandeiras de municípios e Estados, além de aparecer em cédulas e moedas.

Já na saída do museu uma luz de esperança se acende. Avistei a indicação de uma exposição especial voltada para as obras de Delacroix, o autor do quadro onde aparece a figura icônica da Marianne.

Ao visitar o espaço da exposição especial não deu outra. Eis que surgiu, depois de duas ou três salas, nada mais nada menos que a Marianne. Os expositores deram pouco destaque para uma obra tão importante. Paciência...

Volto ao início deste texto. Lá tratei de uma "Marianne tributária". É importante registrar que o povo brasileiro precisa ser guiado para a liberdade em matéria de tributação.

Não se trata da liberdade dos tributos ou da carga tributária. Uma carga tributária considerável é necessária para financiar os enormes compromissos do Estado brasileiro com a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, como expressamente exige o texto constitucional, e se efetiva em amplos sistemas públicos de educação, saúde, previdência e assistência social. É sempre bom pontuar que o mercado não fez, não faz e nem fará nada de muito significativo em termos de combate estrutural às desigualdades socioeconômicas (não é a sua função, nem a sua vocação).

A libertação em questão é do modelo de tributação. Dito de outra forma, existe a necessidade de superação da profunda injustiça social instalada na tributação brasileira tal como se processa na atualidade. Seus traços mais salientes são: a) elevada pressão fiscal sobre o consumo e a renda-trabalho; b) menor incidência sobre a renda-capital e a propriedade; c) quantidade enorme de benefícios indevidos para setores e segmentos específicos; d) excessiva complexidade da legislação tributária; e) níveis insatisfatórios de recuperação da dívida ativa em função da ausência de meios humanos, materiais e normativos adequados; f) vários expedientes de elisão fiscal que reduzem significativamente a arrecadação e produzem desonerações em segmentos com alta capacidade contributiva; g) existe literalmente uma montanha de riqueza brasileira não tributada em paraísos fiscal; h) relativa fragilidade da Administração Tributária em função do número insuficiente de servidores e da falta de condições materiais adequadas de trabalho e i) elevadíssimos níveis de sonegação e evasão fiscais.

Portanto, uma nova alíquota de 35% para o imposto de renda das pessoas físicas (ou naturais), como estudado pela Receita Federal do Brasil, é, como parte de um conjunto de providências, uma medida salutar. Essas providências devem atacar os problemas apontadas linhas atrás. No campo específico do imposto de renda, seria preciso, entre outras iniciativas: a) corrigir adequada e anualmente a tabela; b) adotar uma progressividade efetiva com um número adequado de alíquotas (aliás, uma exigência constitucional); c) providenciar a incidência sobre a distribuição de lucros e dividendos; d) extinguir a tributação exclusiva na fonte; e) eliminar a tributação favorecida no âmbito de aplicações financeiras e f) suprimir mecanismos indevidos de redução do imposto (pejotizações, juros sobre o capital próprio, etc).

A nossa "Marianne tributária", condutora da libertação do perverso modelo fiscal instalado no Brasil, não é uma pessoa, um candidato ou uma instituição. É uma referência meramente figurativa. Somente a conscientização e organização populares consequentes produzirão transformações significativas e inclusivas nessa e em outras áreas relevantes da realidade tupiniquim.

Aliás, muito cuidado, na seara fiscal e em outras fundamentais, com as análises e “propostas” veiculadas pela grande imprensa (e seus arautos) e pelo indefectível mercado e seus representantes (técnicos, candidatos e acadêmicos). Especial cuidado deve ser dispensado aos liberais: a) de conveniência; b) tardios e c) seletivos. Até porque o pensamento liberal, em que pese os equívocos, merece respeito e consideração pelo que tem de positivo e construtivo.

Não se perca de vista que o Estado, na faceta fiscal, assim como nas demais, não é a expressão maior dos males sociais. Não é um (ou o) inimigo consciente e insensível a ser derrotado ou domado. O espaço estatal, eis a dura e crua realidade, é meticulosamente capturado para, como instrumento, como ferramenta, satisfazer os humores e apetites de poderosas forças econômicas nacionais e transnacionais (em regra, profissionalmente “escondidas” pela mídia e pelos escândalos de corrupção).

*Aldemario Araujo é advogado, professor, mestre em Direito, procurador da Fazenda Nacional

domingo, 26 de agosto de 2018

Saúde e bem-estar 34: Para não comer V — Sal Refinado

Domingo, 26 de agosto de 2018
Por
Aldemario Araujo*


Rigorosamente, o título deste escrito deveria ser “PARA NÃO COMER - CLORETO DE SÓDIO”. Isso porque o sal refinado comumente vendido é quase que a simples reunião de cloreto e sódio. O verdadeiro sal, ou o alimento merecedor da designação de sal, deve conter uma quantidade considerável de nutrientes minerais. 

O sal, o verdadeiro sal, o sal de qualidade, é essencial para a vida. Eis alguns dos processos biológicos para os quais ele é fundamental: a) fornece os principais eletrólitos para o corpo (junto com o potássio); b) atua na regulação osmótica dos líquidos presentes nas células; c) participa na transmissão de impulsos nervosos; d) forma, no estômago, o ácido clorídrico (crucial para a digestão); e) atua na regulação do pH sanguíneo; f) auxilia o funcionamento do fígado e dos rins na eliminação de toxinas; g) ajuda no funcionamento do coração e dos músculos; h) colabora na hidratação do organismo e desempenha importante papel na absorção de aminoácidos e glicose e i) participa da regulação da temperatura do corpo. 

Atente para os seguintes fatos: a) o suor e as lágrimas são salgados; b) as células do organismo estão banhadas em água salgada e c) a composição mineral do sangue humano é basicamente igual à do mar. 

O sal adequado para ser consumido, em quantidade moderada, é aquele natural e não refinado. Nessa linha, podem ser usados: a) o sal marinho; b) flor de sal; c) sal integral e d) sal rosa do Himalaia. 

O sal rosa do Himalaia é uma das melhores opções. A cor rosa decorre da grande concentração de minerais. Esse sal foi formado quando as montanhas eram o leito do mar. Por não ser refinado, o sal rosa do Himalaia conserva mais de 80 elementos naturais necessários ao bom funcionamento do organismo. Em se tratando de sal rosa do Himalaia é preciso chamar atenção para todo tipo de fraude e falsificação envolvida. 

O sal processado ou refinado contém cerca de 97,5% de cloreto de sódio. O restante envolve a adição de agentes secantes. Essas substâncias químicas, como o ferrocianeto e o silicato de alumínio, são particularmente perigosas para a saúde. Os mais de 84 elementos presentes no sal marinho são eliminados do processamento industrial. São extraídos, entre outros: a) enxofre; b) bromo; c) magnésio e d) cálcio. Ademais, a “lavagem industrial” do sal ocasiona a perda de algas microscópicas que fixam o iodo natural. O iodeto de potássio, adicionado depois, predispõe o organismo a doenças, notadamente da tireoide (distintas do bócio). O iodeto para ser estabilizado reclama a adição de dextrose. A inconveniente cor roxa decorrente exige a adição de alvejantes como o carbonato de sódio (provocador de cálculos renais e biliares). Subsistem os riscos do sal processado: a) liquefazer e b) formar pedras. Esses problemas são contornados com o acréscimo de óxido de cálcio ou “cal de parede” (gera o aparecimento de pedras nos rins e na vesícula biliar). 

O sal vendido nos supermercados, depois do refino ou processamento, é um agradável pó branco, brilhante, “soltinho” e “inofensivo”. Longe dos olhos do consumidor estão presentes: a) antiumectantes; b) alvejantes; c) estabilizantes; d) conservantes e e) uma pobreza nutricional “invejável”. 

O sal, aqui entendido aquele refinado ou processado, é um dos temas de interesse e preocupação da Organização Mundial de Saúde (OMS). “(...) a OMS convocou todos os países de mundo para reduzir o consumo de sal para não mais do que 5 gramas diários por pessoa, e muitos países da Região, como Argentina, Brasil, Canadá e Chile, estabeleceram recentemente comissões nacionais ou ‘força-tarefa’ para atuar na redução da ingesta de sal na dieta./As dietas modernas típicas fornecem quantidades excessivas de sal, desde a infância até à idade adulta. Sabe-se que o consumo maior do que 5 gramas diários pela população aumenta a prevalência da pressão arterial alta. Esta por sua vez é o principal fator de risco para doenças cardiovasculares, como infartos, acidentes cérebro-vasculares, falência cardíaca e renal. Em muitos países das Américas, o consumo de sal é três vezes maior do que o recomendado./A adição de sal à mesa não é o único problema. A maior proporção do sal da dieta provém de alimentos processados ou elaborados em restaurantes, incluindo pães, carnes processadas, embutidos e cereais elaborados./(...) ‘Consumidores têm pequeno controle sobre os níveis de sal nos alimentos processados. Sua opção é apenas não consumir comidas processadas, mas isto é muito difícil em alguns casos. Trabalhando com as indústrias alimentícias para mudar suas práticas, nós podemos realmente mudar o consumo de sal ao nível populacional’./Participantes do Grupo de Especialistas reunidos mostraram que a redução do consumo de sal ao nível populacional é uma das medidas sanitárias de maior custo-efetividade e equidade para reduzir doenças crônicas” 
(https://www.paho.org/bra/index.php?option=com_content&view=article&id=640:grupo-de-especialistas-recomenda-a-diminuicao-de-consumo-de-sal&Itemid=463).

Aldemario Araujo*

Professor, Advogado, Mestre em Direito e Procurador da Fazenda Nacional

domingo, 5 de agosto de 2018

Saúde e bem-estar: Para não comer II — óleos vegetais hidrogenados, margarina e batata frita

Domingo, 5 de agosto de 2018
Por Aldemario Araujo


SAÚDE E BEM-ESTAR
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31 PARA NÃO COMER II – ÓLEOS VEGETAIS HIDROGENADOS, MARGARINA E BATATA FRITA

Anteriormente, foram realizadas as seguintes considerações acerca das gorduras trans, hidrogenadas ou parcialmente hidrogenadas:

“Cabe uma palavra sobre as ‘gorduras trans’, presentes em pipocas de micro-ondas, bolos, biscoitos, bolachas recheadas, brownies, pizzas, defumados, congelados, molhos industriais, etc. Segundo a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária): a) são ‘formadas durante o processo de hidrogenação industrial’; b) ‘esse tipo de gordura faz mal para a saúde’ e c) ‘é importante lembrar que não há informação disponível que ateste benefícios à saúde a partir do consumo de gordura trans’. Esse importante e sensível tema merece detalhamento adiante”.

“Existe um tipo especialmente nocivo de gordura. Conhecidas como ‘gorduras trans’, resultam da submissão de óleos vegetais a um processo industrial de hidrogenação. Assim, óleos líquidos são transformados em gorduras sólidas. Esse processo foi desenvolvido com o objetivo de aprimorar a consistência dos alimentos, acentuar o sabor, melhorar a textura e aumentar o período de conservação (prazo de validade).

terça-feira, 29 de maio de 2018

Tentando entender . . .

Terça, 29 de maio de 2018
Texto escrito em 27/5/2018

Por
Alemario Araujo*


TENTANDO ENTENDER …

“Desde que a Petrobrás iniciou sua nova política de preços para os combustíveis, em 3 de julho do ano passado, o óleo diesel subiu 56,5% na refinaria, segundo cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE) - passou de R$ 1,5006 para R$ 2,3488 (sem contar os impostos). O aumento acompanhou a cotação do petróleo no mercado internacional, exatamente a intenção da estatal. Mas, para os caminhoneiros, essa alta vem tornando sua atividade inviável. E, por isso, desde segunda-feira, 21, eles pararam rodovias no País, causando o desabastecimento de produtos e de combustível nas cidades. Os protestos estão no 7º dia seguido. Na quinta-feira, 24, o governo anunciou um acordo com lideranças de caminhoneiros, mas como o movimento é difuso, as manifestações continuaram. Na sexta-feira, 25, o presidente Michel Temer acionou as forças de segurança nacionais para desbloquear rodovias” (Estadão – “O Estado de S. Paulo” na internet).

Bem que gostaria de escrever algo sobre a crise decorrente da paralisação dos caminhões no Brasil, conforme pedido de análise de uma ex-aluna.

Veja que falei "paralisação dos caminhões".

A primeira grande dificuldade é definir quem paralisou os caminhões.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

SAÚDE E BEM-ESTAR 19: PARA COMER [1] – OVO

Segunda, 14 de maio de 2018
Por
Aldemario Araujo


SAÚDE E BEM-ESTAR

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19 PARA COMER I – OVO



O melhor alimento do mundo para os seres humano é o leite materno. Existe um virtual consenso em torno dessa afirmação. Ele contém todos os nutrientes necessários para a saúde do bebê, muda de composição e aparência em fases para atender a necessidades distintas e funciona até como a primeira vacina (por conta das imunoglobulinas do colostro).

sábado, 20 de janeiro de 2018

Registros de uma caminhada em busca de saúde e bem-estar consistentes e duradouros

Sábado, 20 de janeiro de 2018
Por Aldemario Araujo*


SAÚDE E BEM-ESTAR
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3 AS INFLUÊNCIAS ESCRITAS

As influências escritas (livros), em relação aos registros posteriores, são basicamente as seguintes:

CIRURGIA VERDE. Conquiste a saúde pela alimentação à base de plantas. Alberto Peribanez Gonzalez. Editora Alaúde. Veja um resumo da obra, de minha autoria, no seguinte endereço eletrônico: http://www.aldemario.adv.br/cirurgiaverde.pdf.

sábado, 15 de abril de 2017

Sua Excelência, o Eleitor

Sábado, 15 de abril de 2017
Por
Aldemario Araujo Castro*

                        Existe um virtual consenso na sociedade brasileira acerca da necessidade de uma profunda reforma político-eleitoral. Da esquerda à direita do arco político afirma-se, corretamente, que o atual modelo está completamente esgotado e produz distorções de várias ordens. Ademais, o fragilíssimo sistema político-eleitoral brasileiro também sofre de um mal bem maior. A crise da democracia representativa, observada nos quatro cantos do globo terrestre, aumenta muito de intensidade em decorrência das mazelas tupiniquins.

                        Um dos capítulos mais recentes dessa triste novela, turbinado por dezenas de delações premiadas dos dirigentes de uma das maiores empresas do Brasil, consiste na proposta, costurada pelos caciques dos maiores partidos, de adoção da lista fechada nas eleições proporcionais (para os parlamentos federal, distrital, estadual e municipal). Por essa via, o eleitor sufragaria o partido político e os eleitos seriam aqueles integrantes de uma lista organizada internamente pelas referidas agremiações político-partidárias. Em suma, não haveria voto popular diretamente nos candidatos (https://goo.gl/Y3mBwT).

sexta-feira, 17 de março de 2017

Debochismo juramentado e praticante

Sexta, 17 de março de 2017

Aldemario Araujo Castro*
O dramaturgo Dias Gomes construiu um personagem impagável. O Prefeito de Sucupira, Odorico Paraguaçu, neto de Firmino e filho de Eleutério, notabilizou-se por ser corrupto e demagogo. O palavreado utilizado por Odorico, particularmente na interpretação magistral de Paulo Gracindo para a televisão, era peculiaríssimo. Os últimos episódios da cena política nacional evocam as pitorescas construções vernaculares de Odorico. Sem erro ou excesso, somos testemunhas estarrecidas de um debochismo juramentado e praticante.

Emílio Odebrecht, dono da maior empreiteira do país, disse à Justiça que o caixa dois não nasceu ontem. 'Sempre existiu. Desde a minha época, da época do meu pai e também de Marcelo', contou. Como o patriarca Norberto fundou a empresa em 1944, isso significa que a prática tem ao menos sete décadas. Sobreviveu a quatro regimes políticos, sete trocas de moeda, múltiplos arranjos partidários. 'Sempre foi o modelo reinante no país', resumiu Emílio, que deve calçar uma tornozeleira eletrônica durante os próximos quatro anos. Marcelo, o herdeiro, ocupa uma cela em Curitiba desde junho de 2015. Nos próximos dias, as delações do clã abrirão um novo capítulo na crise brasileira. A Procuradoria-Geral da República pedirá ao STF a abertura de ao menos 80 inquéritos contra políticos. A lista, ainda secreta, assusta figurões do governo e da oposição. Todos se beneficiaram do mesmo 'sistema ilegal e ilegítimo de financiamento', para usar a expressão cunhada pela própria Odebrecht” (http://goo.gl/rT6CR6).
Os principais caciques do PT, PMDB, PSDB e outras siglas partidárias menos visíveis ensaiam publicamente o discurso da fuga. Ouvem-se as desculpas mais esfarrapadas, tais como: “caixa dois é diferente do crime puro e simples de corrupção” e “[a prática do caixa 2] é eticamente reprovável, mas não se confunde necessariamente com corrupção".
Para espanto geral, a operação em curso para abafar as consequências negativas do envolvimento dos principais atores da política nacional conta com o solícito apoio público de membros da cúpula do Poder Judiciário. O polêmico, para dizer o mínimo, Ministro Gilmar Mendes, não só participa de viagens, reuniões e almoços com a fina flor dos mandatários envolvidos de corpo e alma com os mais variados e graves ilícitos penais como declara para a imprensa que “[o caixa 2] tem que ser desmistificado" e "vai ter que se fazer alguma coisa".
E a “coisa” toma corpo. Sob o pomposo rótulo de “Reforma Política”, Temer, Maia, Eunício e Gilmar, entre centenas de outros nomes de escalões inferiores, buscam a “solução” para o financiamento passado e futuro das campanhas eleitorais. No cardápio de opções constam: a) “anistia” do caixa 1; b) anistia do caixa 2; c) inexigibilidade de conduta diversa; d) excludente de ilicitude e e) imunidade para toda e qualquer forma de financiamento eleitoral. Outras fórmulas serão bem recebidas. A criatividade jurídica eficiente para o malfeito nesse campo será muito bem recompensada, notadamente se for suficientemente ampla para abarcar os crimes de corrupção e lavagem de dinheiro.
A sociedade civil organizada acompanha e denuncia as manobras evasivas urdidas nos porões fétidos da grande política nacional. Eis um emblemático exemplo: “Enquanto a população anseia pela punição severa de crimes cometidos pela classe política, na esteira da megainvestigação da Operação Lava Jato, membros do Congresso rumam na contramão do povo e tentam se salvar da maneira mais antirrepublicana, aprovando projetos e alterando legislações em vigor para salvar suas peles. Esta é uma das constatações do presidente da Associação Nacional de Peritos Criminais Federais (APCF), Marcos de Almeida Camargo, entidade que tem papel determinante na resolução de crimes em todas as esferas da administração pública” (http://goo.gl/9IzAR3).
Esses episódios grotescos se somam a outros tantos casos recentes. O eterno líder do Governo, Senador Romero Jucá, foi protagonista destas três pérolas: “Se acabar o foro, é para todo mundo. Suruba é suruba. Aí é todo mundo na suruba, não uma suruba selecionada” (http://goo.gl/w8Xnyu), “Tem que resolver essa porra... Tem que mudar o governo pra poder estancar essa sangria” (http://goo.gl/zcp2D5) e “Nós não vamos parar. Nós vamos trabalhar, vamos cumprir a nossa tarefa e vamos melhorar a vida dos brasileiros” (http://goo.gl/ufV6Cv).
O Primeiro-Ministro, Eliseu Padilha, não ficou atrás. “Em palestra para funcionários da Caixa Econômica Federal, o ministro Eliseu Padilha (Casa Civil) explicou o funcionamento da engrenagem fisiológica que permite ao governo de Michel Temer dispor de maioria no Congresso. Em timbre de galhofa, Padilha usou como exemplo o preenchimento do cargo de ministro da Saúde. Contou que, para obter o apoio do PP, descartou a nomeação de 'um médico famoso de São Paulo' para acomodar na poltrona o deputado Ricardo Barros (PP-PR), um engenheiro civil. (…) Padilha lembrou que, na composição da primeira equipe do governo Temer, havia uma decisão de nomear ministros notáveis em suas respectivas áreas. A pasta da Saúde seria do PP. Mas a legenda foi alertada para o desejo do presidente de ter na poltrona um profissional que fosse 'distinguido'. 'Aí nós ensaiamos uma conversa de convidar um médico famoso em São Paulo', relatou o chefe da Casa Civil, sem mencionar o nome do doutor Raul Cutait./Segundo Padilha, o PP mandou um recado para Temer: 'Diz para o presidente que o nosso notável é o deputado Ricardo Barros.' Portador da mensagem, o ministro aconselhou o amigo a ceder ao partido, campeão no ranking de enrolados no escândalo da Petrobras. 'Nós não temos alternativa', disse Padilha a Temer, realçando que o objetivo do governo era obter 88% dos votos no Legislativo./'Vocês garantem todos os votos do partido em todas as votações?', perguntou Padilha. E os representantes do PP: 'Garantimos.' O ministro diz ter encerrado a negociação nos seguintes termos: 'Então, o Ricardo será o notável'“ (http://goo.gl/IOr6pC).
O que existe de comum nessas situações, como foi destacado na hipotética frase inicial de Odorico, é o menosprezo pela ética, pelo senso de ridículo e pela censura pública. Esses atores políticos nem coram para desdenhar escancaradamente do mais lídimo e crescente sentimento voltado para o saneamento radical dos costumes políticos no Brasil. Alguém, com o juízo no lugar, acredita nesta nota de Temer, Gilmar, Eunício e Maia: “Esse debate não busca apagar o passado, mas olhar com resolução para o futuro, construindo o sistema mais adequado aos tempos atuais e atendendo melhor aos desígnios de nossa democracia e às expectativas de nosso povo” (http://goo.gl/A9ZHyq)? Esses senhores estão sinceramente preocupados com a democracia e o povo?
Destaque-se que o caminho para a solução dos principais problemas brasileiros não passa por “salvadores da pátria” (algum iluminado pelos deuses ou “apolítico”, tipo Trump), produtos de marketing político-eleitoral (como foi Collor no passado ou Dória no presente) ou aprendizes de ditadores (como o caricato Jair Bolsonaro).
O único caminho factível, mesmo lento e trabalhoso, reside na intervenção popular (não confundir com a tresloucada intervenção militar). Somente a mobilização e conscientização populares, em torno de medidas efetivamente transformadoras, mudará o Brasil. Trata-se de atuação que não pode, nem deve, ser terceirizada (para representantes de qualquer tipo ou líderes “esclarecidos”). A força motriz das mudanças de fundo, sem prejuízo de combativos e comprometidos representantes e lideranças políticas como seus instrumentos, deve estar centrada na cidadania ativa, no protagonismo da atuação de cada cidadão nos mais variados espaços sociais.
É preciso ressaltar, ainda, que o mundo dos políticos vai para a vitrine dos horrores e, ao atrair todas as atenções e revoltas, deixa os interesses de fundo ocultos e protegidos. Para os monumentais interesses socioeconômicos responsáveis por poderosos mecanismos geradores de desigualdades e mazelas sociais de várias ordens é extremamente conveniente que a grande maioria da sociedade atribua seus problemas e dificuldades quase que exclusivamente aos vários tipos de corrupção protagonizados pelos agentes eleitos.
Essas últimas considerações, postas de forma mais abstrata, podem ser verificadas numa perspectiva mais concreta de um grande tema do momento. O parlamentar, financiado pelas empresas da área de previdência privada, votará com os interesses dos trabalhadores ou com os interesses dessas organizações? Observe-se que a Reforma da Previdência, profundamente polêmica quanto aos números envolvidos e visceralmente injusta nas medidas a serem implementadas, viabilizará uma atuação em grande escala das instituições financeiras privadas que: a) poderão administrar os fundos de previdência dos servidores públicos e b) contratarão planos com trabalhadores interessados em benefícios integrais (impraticáveis com as novas regras da previdência). E mais. Tomando como referência as palavras do Ministro-Chefe da Casa Civil, as bancadas da “base de sustentação” do governo participarão de um debate sério sobre a situação da previdência e as propostas a serem implementadas (quais e suas intensidades)? Ou, ao revés, trata-se de um jogo de cena porque os votos parlamentares já foram “comprados” na arena fisiológica do toma-lá-dá-cá? Nessa última linha, cabe perguntar: o governo Temer-Padilha-Meirelles utiliza o fisiologismo mais rasteiro como instrumento para proteger, defender e realizar os interesses populares (dos trabalhadores)?

Deixando de lado os entretantos e indo direto aos finalmentes”, como dizia Odorico, na arena da grande política institucional de âmbito nacional, é preciso identificar a ligação entre interesses socioeconômicos, medidas transformadoras da realidade numa perspectiva democrática e popular e a atuação política voltada para implementar essas últimas. Decididamente, a ação política de cada cidadão, individual e coletivamente, precisa ir além, muito além, da execração, inclusive eleitoral, dos debochistas de plantão. 
17 de março de 2017
*Aldemario Araujo Castro é advogado, mestre em Direito, procurador da Fazenda Nacional, professor da Universidade Católica de Brasília