“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 6 de junho de 2014

Limpeza de área

Sexta, 6 de junho de 2014
Investigações sobre a morte de um morador de rua por tiro disparado por um PM põem em xeque versão oficial do crime; para ouvidor da polícia de São Paulo há “indícios de execução” 
por Claudia Belfort, Joseane Teixeira
Duas semanas antes de sua morte, Bruno Alves de Campos perguntou ao pastor Ivo “por que existe o sofrimento?”  Tinha os olhos tristes. O religioso, conhecido por seu trabalho social junto a moradores de rua em São José do Rio Preto, noroeste de São Paulo, recorreu à desobediência de Adão e Eva para justificar a existência de tanta dor no mundo.  O rapaz não respondeu.

Negro, magro, pouco mais de 1,90m, Bruno estava na cidade havia um mês, largara um emprego na prefeitura de Presidente Prudente, a 270 km dali, para procurar a mãe biológica, Célia, de quem foi separado aos 4 anos de idade. “Todo mundo sabia que Bruno tinha um vazio no peito. Nunca precisou de uma informação precisa sobre o paradeiro da mãe, qualquer pista era uma esperança e ele não pensava, criança ainda, deixava tudo, calçava o chinelo e corria”, conta Onofre de Campos, 66 anos, ferroviário aposentado, que junto com a esposa Paulina, adotou o menino e sua irmã Bruna, em 1998, um ano depois de serem tirados da mãe, alcoólatra e moradora de rua, pelo conselho tutelar. Deu a eles casa, escola e seu sobrenome.

Com o casal de católicos praticantes Bruno viveu até a adolescência, quando, entre idas e vindas em busca de Célia conheceu o crack. Abandonou a família, mas foi acolhido pelo capoeirista Mestre Onça, com quem ficou até pouco antes partir para Prudente, em meados de 2013. Lá também foi acolhido, dessa vez pelo diretor de teatro Celso Aguiar que lhe ofereceu uma oportunidade de emprego na Secretaria de Cultura da cidade.
“Quem desse ao Bruno a chance de ser ouvido, se apaixonava. Ele tinha muita força de vontade e um coração bom”. Ficaram amigos a ponto de Celso entregar-lhe as chaves de sua casa. “Eu queria ajudá-lo a se estabelecer. Disse ‘vai ficando em casa até você conseguir se arranjar’. Nunca sumiu uma moeda”.

Ficou três meses por lá e novamente arriscou tudo por uma pista da mãe. “Eu vou atrás de mim” disse para Celso antes de partir. O destino era Penápolis. Antes parou em São José do Rio Preto. Dessa vez não teve acolhida, tampouco encontrou a mãe, apenas repetiu sua história marcada por drogas, pela vida nas ruas e pela morte.

Usuário de crack, sem dinheiro e morando na rua, foi assassinado com um tiro na testa a alguns metros da Praça da Liberdade, no bairro Santa Cruz, pelo soldado da Polícia Militar, Alexandre Mendes, da 2ª Cia do 17o. batalhão. Bruno agora engorda uma triste estatística que mostra que 6 em cada 10 mortos em decorrência de ação policial no Estado de São Paulo são negros, segundo a pesquisa de Desigualdade Racial e Segurança Pública em São Paulo, do Grupo de Estudos sobre a Violência e Administração de Conflitos (Gevac) da Universidade de São Carlos (Ufscar).

As circunstâncias do crime são nebulosas e incluem imprecisões no boletim de ocorrência, mudanças de versão por parte do policial e suspeita de plantação de provas. A investigação, que no último dia 29 de maio passou a correr em segredo de Justiça, é marcada pelo medo. Os moradores do entorno da praça temem os andarilhos e usuários de droga. As testemunhas do crime temem a polícia. Poucos se dispõem falar e quando o fazem pedem anonimato.
Onofre de Campos e a esposa Paulina, os pais adotivos de Bruno
Onofre de Campos e a esposa Paulina, os pais adotivos de Bruno

Uma bermuda e uma pistola


O policial Alexandre Mendes, 41 anos, estava de férias na noite de 25 de fevereiro quando, segundo ele mesmo, foi acionado por um morador do bairro para verificar três rapazes que estavam na Praça da Liberdade, apelidada de Figueira, em atitude “suspeita”.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Milícias mudam de estratégia para não chamar atenção, mostra estudo da Uerj

Quinta, 11 de outubro de 2012
Vladimir Platonow
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Os grupos de milicianos estão reinventando o modo de agir para não chamar a atenção do Estado e poder continuar a operar negócios criminosos altamente lucrativos. A conclusão é parte do estudo No Sapatinho – Evolução das Milícias no Rio de Janeiro (2008-2011), lançado ontem (10) à noite na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

Publicada lei que estabelece pena para envolvidos em milícias e grupos de extermínio

Sexta, 28 de setembro de 2012
Renata Giraldi
Repórter da Agência Brasil

A punição para crimes relativos a grupos de extermínio, milícias, organizações paramilitares e esquadrões pode chegar a oito anos de detenção. A lei tipificando o crime e estabelecendo a pena foi sancionada pela presidenta Dilma Rousseff e está na edição de hoje (28) no Diário Oficial da União.

O Artigo 2º do texto determina que a pena será aumentada em um terço até a metade, se o crime de homicídio for praticado por milícia privada, sob “o pretexto de prestação de serviço de segurança ou por grupo de extermínio”. A pena mínima é quatro anos e a máxima, oito. Pelo Código Penal, de 1940, a associação de mais de três pessoas para cometer crimes é denominada quadrilha, cuja pena vai de um a três anos.

O Artigo 288 do texto publicado hoje no Diário Oficial da União detalha em que consiste o crime: “Constituir, organizar, integrar, manter ou custear organização paramilitar, milícia particular, grupo ou esquadrão com a finalidade de praticar qualquer dos crimes [previstos no Código Penal]”, diz.

No começo deste mês, o plenário da Câmara aprovou o projeto de lei que tipifica o crime de extermínio e penaliza a constituição de grupo de extermínio, milícia privada ou esquadrão, assim como a oferta ilegal de serviço de segurança pública e de patrimônio, aumentando a pena para homicídio relacionado a esses casos em um terço e até a metade. O projeto foi à sanção presidencial.

A proposta foi elaborada a partir de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) que investigou as ações de grupos de extermínio e milícias privadas na Região Nordeste do Brasil. A ideia é limitar também a ação dos responsáveis por chacinas, nas quais são mortos civis, autoridades públicas, policiais e dissidentes de quadrilhas, além de testemunhas de crimes.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Um país dominado pelo crime organizado

Domingo, 6 de novembro de 2011
Amanhã, quinta (10/11), haverá na Assembléia Legislativa de São Paulo um ato suprapartidário em defesa do deputado estadual Marcelo Freixo (Psol-RJ). Ativista dos direitos humanos, presidiu a CPI das Milícias do Rio de Janeiro, que resultou na prisão ou indiciamento de mais de 225 pessoas.

No filme Tropa de Elite 2, inspirou a criação do personagem/deputado que combatia as milícias. Agora teve que deixar o Brasil para que não morresse ou acontecesse o assassinato de sua mulher e filhos. Mais uma mancha para um país que não sabe o que fazer em termos de segurança pública.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Marcelo Freixo: parapoliciales en Brasil son "desafío al Estado democrático"

Terça,1 de novembro de 2011
Da BBC Mundo
A punto de abandonar transitoriamente Brasil por amenazas de muerte, el diputado estatal Marcelo Freixo aseguró que los grupos criminales de Río de Janeiro integrados por policías son "un desafío al Estado democrático de derecho".

Freixo, conocido activista de los derechos humanos de 44 años, dijo en diálogo telefónico con BBC Mundo que las siete amenazas que recibió en octubre corresponden a "milicias" que operan principalmente en la zona oeste de Río de Janeiro.

Esos grupos integrados por policías y expolicías, guardias de cárceles y bomberos fueron el blanco de una comisión parlamentaria presidida por Freixo en 2008, que investigó sus actividades tras el secuestro y tortura de dos periodistas.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Milícias são apontadas como possíveis autoras do assassinato de juíza

Segunda, 15 de agosto de 2011
Da Agência Pulsar

Uma força tarefa formada por três juízes irá analisar os processos que estavam sendo administrados pela juíza Patrícia Acioli, assassinada em Niterói na madrugada sexta-feira (12) com 21 tiros. O deputado Marcelo Freixo (Psol) acusa as milícias.

A força tarefa vai investigar possíveis ligações entre réus e o crime cometido. A juíza atuava principalmente no combate de milícias, grupos de extermínio e máfia de vans.

Conhecida como a juíza do “martelo pesado”, era rigorosa no julgamento de autos de resistência, que são registros de mortes em confrontos com a polícia. Também julgava casos de policiais corruptos. Estima-se que Patrícia Acioli tenha condenado mais 60 nos últimos dez anos.

Em 2009, a juíza foi informada pela Polícia Federal que integrantes da máfia das vans estariam tramando sua morte e de seus familiares. A Associação dos Juízes Federais do Brasil afirmou que Patrícia Acioli integrava uma lista de 12 pessoas que estavam marcadas para morrer.

Em declaração pública, o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), disse que a juíza pagou o "preço da covardia" do sistema judiciário. "Se o poder judiciário tivesse 20% da coragem de Patrícia, ela não teria pagado por isso", garantiu.

Freixo responsabiliza ainda o governo de Sérgio Cabral (PMDB). De acordo com o deputado, não é verdade que o problema das milícias tenha sido resolvido no Rio de Janeiro como alega o governador.

Para justificar seus argumentos, Freixo cita a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou as milícias, realizada em 2008. Na época, os resultados apontaram para existência de 160 áreas no estado do Rio de Janeiro dominadas pela máfia. Hoje, de acordo com o deputado, esse número subiu para 300 áreas.

Freixo afirma ainda que “as milícias continuam dominando o transporte alternativo no estado”. De acordo com ele, o governo não instala UPPs na áreas de milícias devido a interesses eleitorais.

“É o crime organizado dentro do Estado”, conclui Freixo após acusar o atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, de ter feito acordo com milicianos para ganhar as eleições. (pulsar)

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Operação da PF contra grupo de extermínio prende subcomandante-geral da PM de Goiás

Terça, 15 de fevereiro de 2011
Da Agência Brasil
Gilberto Costa - Repórter
 Vinte e sete pessoas foram presas em Goiás suspeitas de envolvimento com a execução de crianças, adolescentes e mulheres nas cidades de Goiânia, Formosa, Rio Verde, Acreúna, Flores de Goiás e Alvorada do Norte.

Entre os presos pela Polícia Federal (PF) na Operação Sexto Mandamento (“Não Matarás”) está o atual subcomandante-geral da Polícia Militar (PM-GO), o coronel Carlos Cézar Macário. Por determinação do governador Marconi Perillo, o militar já foi exonerado. Além do subcomandante, a PF prendeu 12 militares em Goiânia. Mais seis foram presos pela própria Polícia Militar de Goiás. O nome desses militares e dos civis presos não foram divulgados.

Segundo nota da PF, foram intimidados o ex-secretário de Segurança Pública Ernesto Roller e o ex-secretário da Fazenda de Goiás Jorcelino Braga “para prestarem esclarecimentos sobre os supostos indícios de prática de tráfico de influência que resultaram nas promoções de patentes de integrantes da organização criminosa”.

Os presos poderão ser indiciados por homicídio qualificado em atividades típicas de grupo de extermínio; prática de formação de quadrilha; tortura qualificada; falso testemunho; prevaricação (falta de cumprimento do dever na administração pública); fraude processual; ocultação de cadáver; posse ilegal de arma; e ameaça a autoridades, testemunhas e jornalistas.

Denúncias sobre o paradeiro de pessoas desaparecidas após abordagens policiais podem ser feitas pelo e-mail denuncia.srgo@dpf.gov.br.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Polícia Civil prende sete suspeitos de integrar milícia da zona oeste do Rio

Sexta, 8 de outubro de 2010
Da Agência Brasil
Vitor Abdala - Repórter

Rio de Janeiro - A Polícia Civil prendeu na manhã de hoje (8) sete pessoas suspeitas de envolvimento com uma milícia que atua na zona oeste da cidade do Rio. Segundo a polícia, o grupo criminoso, conhecido como Piraquê, atua nas comunidades de Ilha de Guaratiba, Barra de Guaratiba e Pedra de Guaratiba.

A chamada Operação Biscoito é coordenada pela Delegacia de Repressão a Ações Criminosas Organizadas (Draco) com o apoio do Ministério Público Estadual e de várias delegacias especializadas e distritais.

Cerca de 90 policiais civis cumprem dez mandados de prisão e 18 mandados de busca e apreensão, contra a quadrilha. As milícias são grupos paramilitares que controlam dezenas de comunidades e bairros carentes do Rio de Janeiro, principalmente na zona oeste da cidade. Esses grupos se envolvem em atividades criminosas, como a venda de proteção, a exploração de TV a cabo clandestina e de transporte alternativo, além de crimes como agressões e homicídios.