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(Millôr Fernandes)

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Milícias são apontadas como possíveis autoras do assassinato de juíza

Segunda, 15 de agosto de 2011
Da Agência Pulsar

Uma força tarefa formada por três juízes irá analisar os processos que estavam sendo administrados pela juíza Patrícia Acioli, assassinada em Niterói na madrugada sexta-feira (12) com 21 tiros. O deputado Marcelo Freixo (Psol) acusa as milícias.

A força tarefa vai investigar possíveis ligações entre réus e o crime cometido. A juíza atuava principalmente no combate de milícias, grupos de extermínio e máfia de vans.

Conhecida como a juíza do “martelo pesado”, era rigorosa no julgamento de autos de resistência, que são registros de mortes em confrontos com a polícia. Também julgava casos de policiais corruptos. Estima-se que Patrícia Acioli tenha condenado mais 60 nos últimos dez anos.

Em 2009, a juíza foi informada pela Polícia Federal que integrantes da máfia das vans estariam tramando sua morte e de seus familiares. A Associação dos Juízes Federais do Brasil afirmou que Patrícia Acioli integrava uma lista de 12 pessoas que estavam marcadas para morrer.

Em declaração pública, o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol), disse que a juíza pagou o "preço da covardia" do sistema judiciário. "Se o poder judiciário tivesse 20% da coragem de Patrícia, ela não teria pagado por isso", garantiu.

Freixo responsabiliza ainda o governo de Sérgio Cabral (PMDB). De acordo com o deputado, não é verdade que o problema das milícias tenha sido resolvido no Rio de Janeiro como alega o governador.

Para justificar seus argumentos, Freixo cita a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou as milícias, realizada em 2008. Na época, os resultados apontaram para existência de 160 áreas no estado do Rio de Janeiro dominadas pela máfia. Hoje, de acordo com o deputado, esse número subiu para 300 áreas.

Freixo afirma ainda que “as milícias continuam dominando o transporte alternativo no estado”. De acordo com ele, o governo não instala UPPs na áreas de milícias devido a interesses eleitorais.

“É o crime organizado dentro do Estado”, conclui Freixo após acusar o atual prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, de ter feito acordo com milicianos para ganhar as eleições. (pulsar)