Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador operação o recebedor. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador operação o recebedor. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Deflagrada operação “O Recebedor” em Goiás

Sexta, 26 de fevereiro de 2016
Operação é desdobramento da Lava Jato investiga corrupção, lavagem de dinheiro e formação de cartel em obras da ferrovia Norte-Sul
Deflagrada operação “O Recebedor” em Goiás
Coletiva de imprensa na sede da Polícia Federal em Goiás (Foto: Ascom MPF/GO) 
 
Na manhã desta sexta-feira, 26 de fevereiro, está sendo realizada operação conjunta pelo Ministério Público Federal em Goiás (MPF/GO) e Superintendência de Polícia Federal em Goiás (PF/GO), que deflagrou no estado e em mais seis unidades da federação a operação “O Recebedor”, sendo cumpridos 44 mandados de busca e apreensão e sete mandados de condução coercitiva, por 180 policiais federais.

A operação, que é um desdobramento de fatos apurados na Operação Lava Jato, decorre de acordo de leniência e colaboração premiada que a empresa Camargo Corrêa fechou com o MPF/GO em atuação conjunta dos procuradores da República da força-tarefa da Lava Jato com procuradores da República do Núcleo de Combate à Corrupção da Procuradoria da República em Goiás e das Procuradorias da República em Anápolis e Rio Verde, e em colaboração com a PF/GO.

Em razão do acordo, a Camargo Corrêa, que confessou a prática de cartel, corrupção, lavagem de dinheiro e crimes de licitação, além de se comprometer a restituir aos cofres públicos R$700 milhões, dos quais R$75 milhões destinados a ressarcir os danos acusados à Valec, entregou provas documentais e testemunhais contra as demais empreiteiras integrantes do esquema, bem como contra o ex-presidente da Valec, José Francisco das Neves.

As diligências que estão sendo realizadas nesta sexta-feira tem por objetivo recolher provas de pagamentos de propina a ex-diretores da Valec, por empreiteiras contratadas para construir as ferrovias Norte-Sul e Integração Leste-Oeste, da prática de cartel e lavagem de dinheiro, revelados pela Camargo Corrêa.

Os investigadores buscam, ainda, fortalecer o acervo probatório de investigações criminais encerradas ou em curso na PF/GO, assim como procedimentos investigatórios em curso no âmbito do MPF/GO, que tratam da prática de sobrepreço, superfaturamento, crimes contra a Lei de Licitações, a exemplo de formação de cartel, corrupção passiva, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro, praticados pela empresa estatal Valec – Engenharia, Construção e Ferrovias em razão das obras da Ferrovia Norte-Sul, havendo ainda indícios da prática dos mesmos crimes com relação à Ferrovia de Integração Leste-Oeste, durante o período em que foi presidida por José Francisco das Neves, o “Juquinha”.

O trabalho investigativo até então realizado apontou prejuízos aos cofres públicos estipulados em R$ 631.544.676,51, considerando-se somente os trechos executados na construção da Ferrovia Norte-Sul, no âmbito de Goiás.

Em síntese, o método utilizado para o recebimento de propina consistia na realização, pelas empreiteiras executoras das obras, de pagamentos a um escritório de advocacia e para mais duas empresas sediadas em Goiás e indicadas por “Juquinha”, sendo que os pagamentos não se referiam a serviços efetivamente realizados, utilizando-se contratos de fachada para dar aparência de legalidade aos pagamentos feitos pelas empreiteiras em benefício de “Juquinha”.

A Camargo Corrêa admitiu haver pago mais de R$ 800.000,00 em propina para Juquinha.

O nome da operação é uma referência à defesa apresentada por José Francisco das Neves no Caso Trem Pagador, na qual seus advogados alegaram que "se o trem era pagador, Juquinha não foi o recebedor".

Confira abaixo as empresas e pessoas alvos de mandados de busca e apreensão: