“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ao vivo, pela TV Câmara, a sessão da CPI do Cachoeira que ouve neste momento Pagot, o ex-diretor do Dnit

Terça, 28 de agosto de 2012
Clique no link abaixo para assistir a TV Câmara. Pagot, ex-diretor do Dnit, acaba de ser chamado à mesa para depor.

Começa reunião da CPMI do Cachoeira

Da Agência Câmara
Começou a reunião da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira.

A comissão vai ouvir hoje o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antônio Pagot. Ele assumiu o cargo de diretor-geral do Dnit em 2007 e foi afastado em 2011, após denúncias de irregularidades que forçaram também a saída do então ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e abriram uma crise política entre o PR e a presidente Dilma Rousseff.

Também está marcado para hoje o depoimento do empresário paulista Adir Assad, dono das empresas JSM Terraplanagem e SP Terraplanagem, entre outras, que teriam recebido aproximadamente R$ 48 milhões da Delta Construções para pagar propinas e financiar campanhas, segundo a Polícia Federal.

Entretanto, ele obteve habeas corpus no Supremo Tribunal Federal para permanecer em silêncio.

A reunião da comissão está sendo realizada na sala 2 da ala Nilo Coelho, no Senado.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

Aprovadas convocações de Cavendish, Pagot e Raul Filho

Quinta, 5 de julho de 2012

Da Redação da Agência Senado

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) mista que investiga as relações do contraventor Carlos Cachoeira com agentes públicos e privados aprovou, nesta quinta-feira (5), a convocação do ex-dono da Delta Construções, Fernando Cavendish. Uma das maiores empreiteiras do país, a empresa é acusada pela Polícia Federal de integrar o esquema ilegal do empresário goiano.

O prefeito de Palmas, Raul Filho (PT), que aparece em vídeo negociando apoio a Cachoeira nas eleições em 2004 também vai depor na comissão, assim como o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Luiz Antonio Pagot, que acusou Cachoeira de ter tramado sua queda do órgão federal. As convocações foram aprovadas pelos integrantes da CPI, com os requerimentos sendo votados em bloco.

Os deputados e senadores avaliam agora os requerimentos de quebra de sigilos bancário, fiscal e telefônico. Depois, serão votados os pedidos de tomadas de providências sobre aspectos em avaliação pela CPI.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Pagot diz que quer falar à CPMI do Cachoeira

Sexta, 8 de junho de 2012
O ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot disse hoje (8) que “está à disposição” da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Cachoeira para prestar depoimento. Existem pelo menos nove requerimentos para a sua convocação que ainda não foram apreciados pelo plenário da CPMI. Alguns deputados e senadores querem que esses requerimentos sejam pautados na próxima reunião administrativa da comissão, marcada para quinta-feira (14).

“Estou no interior, mas ao inteiro dispor da CPMI para prestar depoimento”, disse Pagot, em entrevista, por telefone, à Agência Brasil. Ele evitou falar sobre quem tem interesse em impedir seu depoimento. “Não quero falar sobre isso. Só quero mesmo dizer que estou inteiramente à disposição da CPMI para prestar esclarecimentos.”

Na opinião do senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), Pagot tem muito a contribuir com a comissão. “Ele teria que falar de imediato, pode dar detalhes sobre as relações que existem nos bastidores entre as empreiteiras e os governos estaduais”, destacou o senador. “Estamos perdendo tanto tempo com quem não quer falar. Por que não ouvir quem quer?”, questionou.

O depoimento de Pagot passou a ser considerado urgente por alguns integrantes da comissão, após ele ter denunciado o uso de verbas públicas para formação de caixa 2 de campanhas eleitorais em São Paulo. A denúncia foi feita em entrevista à revista IstoÉ, na qual ele se referiu a um suposto esquema de desvio de verba na obra do Rodoanel para as campanhas de José Serra à Presidência e de Geraldo Alckmin ao governo paulista em 2010. Pagot também disse, em entrevista à revista Época, que contrariou interesses do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, que está preso em Brasília, e da Construtora Delta quando estava à frente do Dnit.

Pagot foi afastado do cargo de diretor-geral do Dnit após uma série de denúncias de corrupção no órgão, que derrubaram ainda o então ministro dos Transportes Alfredo Nascimento (PR-AM) e abriram uma crise política entre o PR e a presidenta Dilma Rousseff. Alfredo Nascimento reassumiu o cargo de senador após deixar a Esplanada dos Ministérios.

O senador Randolfe Rodrigues criticou a posição do relator Odair Cunha (PT-MG) de não pautar os requerimentos de convocação. “Tudo que tem interface com a Delta tem sido sobrestado. Esses pedidos de convocação fazem parte de um conjunto de outros requerimentos que não são colocados para serem apreciados. Não tenho como avaliar de outra forma a não ser a intenção de blindagem da Delta”, disse o senador.

O líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), também é a favor da ida de Pagot à CPMI. Ele destacou que, no primeiro dia de trabalho da comissão, apresentou um requerimento de preferência de votação e cobrou do presidente, senador Vital do Rêgo (PMDB-PB), a apreciação do texto. Segundo ele, o presidente se comprometeu a colocar o pedido em análise na próxima reunião. “Não pedi só a vinda do Pagot como testemunha, mas também a do ex-presidente da Delta Fernando Cavendish”, acrescentou Álvaro Dias.

O deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) disse que na próxima segunda-feira (11) a bancada do PT na Câmara se reunirá para deliberar sobre esse assunto e outros relacionados à CPMI. “Se o relator for a favor, eu também serei”, disse Vaccarezza. “A princípio eu acho que não deveríamos chamá-lo, porque fugiria do foco da CPMI. Mas, se ele quer comparecer para esclarecer alguma coisa, tem todo direito”, completou.

A Agência Brasil tentou falar, por telefone, com o relator da CPMI, deputado Odair Cunha, e com o presidente Vital do Rêgo, no entanto, ainda não obteve retorno.

Fonte: Agência Brasil —  Luciana Lima e Marcos Chagas, repórteres

terça-feira, 5 de junho de 2012

Caso Cachoeira: Senador Pedro Taques pede que MP ouça ex-diretor do Dnit

Terça, 5 de junho de 2012
O senador Pedro Taques (PDT-MT) protocolou, nesta segunda-feira (04.06), uma representação pedindo que o Ministério Público Federal (MPF) ouça o ex-diretor geral do Dnit, Luiz Antônio Pagot, acerca das declarações de que possui "informações relevantes” sobre o "Caso Cachoeira”. Em Plenário, o parlamentar fez o anúncio, lembrando que, na CPI do Cachoeira, há requerimentos para a convocação de Pagot.

"Não é crível ou razoável que um cidadão há mais de um mês venha dizer que possui fatos graves a revelar em favor da nação e ninguém queira ouvir este cidadão. Todos nós estamos desejosos de ouvi-lo”, disse Taques.


Conforme cita Pedro Taques no documento, as investigações realizadas pela Polícia Federal e os trabalhos da CPMI no Congresso, revelaram que havia uma profunda conexão entre as obras tocadas pelo Dnit, a Construtora Delta e o grupo de Carlinhos Cachoeira. Ele pontua que somente do Dnit – autarquia ligada ao Ministério dos Transportes -, consta que foram efetuados pagamentos da ordem de 2,75 bilhões à Delta, no período de 2009 e 2011.

Afastado do cargo, Luiz Antonio Pagot tem manifestado seu interesse em depor à CPMI e às autoridades competentes, afirmando que possui informações relevantes. "Todavia, até o momento não foi ouvido”, enfatiza o senador Pedro Taques.

Segundo entrevista que concedeu à Revista Época no mês de abril deste ano, Pagot afirmou que Cachoeira atuava associado ao Diretor da Delta – Cláudio Abreu – na prospecção de negócios em todo o território nacional, atuando, inclusive, dentro do Dnit. Em outra passagem, ele afirmou que algumas de suas exigências desagradaram à Delta.

Na representação, Pedro Taques também citou a entrevista concedida à revistaIstoé, na qual Luiz Antônio Pagot denuncia a formação de caixa dois em favor do PT e do PSDB.

"Diante do exposto, considerando que os fatos acima narrados caracterizam, em tese, a prática de inúmeros crimes contra o patrimônio público da União, além de outros delitos, requer-se ao Ministério Público Federal no Distrito Federal que sejam tomadas todas as providências cabíveis, de índole investigatória e judicial, no sentido de que todos os envolvidos sejam punidos, na medida da sua culpabilidade, começando pela oitiva do Sr. Luiz Antonio Pagot”, finaliza Pedro Taques.

Fonte: Assessoria do Senador Pedro Taques

sábado, 2 de junho de 2012

As confissões de Pagot

Sábado, 2 de junho de 2012
Da IstoÉ, Edição 2221 
Em entrevista à ISTOÉ, o ex-diretor do DNIT, hoje consultor, denuncia caixa 2 na campanha do PSDB e conta que, em 2010, quando estava na direção do órgão, arrecadou junto às empreiteiras para a campanha do PT
por Claudio Dantas Sequeira

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"Todos os empreiteiros do Brasil sabiam que o
Rodoanel financiava a campanha do Serra"
Luiz Antônio Pagot
Desde o início do ano, o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) Luiz Antonio Pagot tem prestado consultoria em projetos de navegação fluvial. Os negócios vão bem, mas a incursão no setor privado ainda não foi suficiente para apagar a mágoa que guarda pela maneira como deixou o governo, no rastro do escândalo de corrupção no Ministério dos Transportes. Casado, pai de uma filha, o economista, que é oficial reformado da Marinha, considera-se um técnico competente, de confiança, e diz que nutria pelo governo uma fidelidade quase canina. Mas a demissão, que classifica como “traição mortal”, alimenta agora um sentimento de vingança. E motivou Pagot, nos últimos dois meses, a fazer uma série de depoimentos à ISTOÉ. Em três encontros com a reportagem num hotel em Brasília, todos gravados, Pagot contou detalhes sobre a forma como, no exercício do cargo, foi pressionado pelo governo de José Serra a aprovar aditivos ilegais ao trecho sul do Rodoanel. A obra, segundo ele, serviu para abastecer o caixa 2 da campanha de José Serra à Presidência da República em 2010. “Veio procurador de empreiteira me avisar: ‘Você tem que se prevenir, tem 8% entrando lá.’ Era 60% para o Serra, 20% para o Kassab e 20% para o Alckmin”, disse Pagot. Nas conversas com ISTOÉ, Pagot também afirmou ter ouvido do senador Demóstenes Torres um pedido para que o ajudasse a pagar dívidas de campanha com a Delta com a entrega de obras para a construtora. Mas nem o aditivo de R$ 260 milhões para o trecho sul do Rodoanel foi liberado pelo DNIT – embora tenha sido pago pelo governo de São Paulo – nem o favor a Demóstenes foi prestado, segundo Pagot. Porém, ele não resistiu ao receber uma missão do comitê de campanha do PT durante as eleições de 2010. Pagot disse que, quando ocupava a diretoria do órgão que administrava bilhões em obras públicas em todo o País, recebeu do tesoureiro da campanha do PT, deputado José De Filippi (SP), um pedido para arrecadar recursos junto às empreiteiras. “Cada um doou o que quis. Algumas enviavam cópia do boleto para mim e eu remetia para o Filippi. Outras diziam ‘depositamos’”, afirmou. As doações, no entanto, teriam sido feitas pelas vias legais, de acordo com o ex-diretor do DNIT.
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CAIXA 2
Segundo Pagot, empreiteiro confirmou que 8% da verba para o trecho
sul do Rodoanel era desviada para a candidatura de Serra ao Planalto
Os segredos que Pagot guardava até agora ajudam a explicar por que a CPI do Cachoeira adiou deliberadamente sua convocação. Ele diz que está pronto para falar tudo e desafia: “Duvido que me chamem. Muitos ali têm medo do que posso contar.” Nas entrevistas à ISTOÉ Pagot forneceu detalhes dos encontros com o tesoureiro do PT, José De Filippi. Ele contou que, em meados de 2010, foi chamado ao QG petista, no Lago Sul, onde foi apresentado a Filippi, que lhe pediu ajuda para passar o chapéu entre as empreiteiras. Dias depois, revelou, os dois voltaram a se reunir no DNIT, onde Pagot lhe apresentou uma lista com cerca de 40 empreiteiras médias e grandes que tinham contrato com o órgão. Ao analisar hoje a prestação de contas da campanha, Pagot identifica ao menos 15 empresas que abasteceram a campanha do PT a pedido seu: Carioca Engenharia, Concremat, Construcap, Barbosa Mello, Ferreira Guedes, Triunfo, CR Almeida, Egesa, Fidens, Trier, Via Engenharia, Central do Brasil, Lorentz, Sath Construções e STE Engenharia. Elas doaram cerca de R$ 10 milhões, segundo a prestação de contas apresentada pelo PT ao TSE. Filippi disse à ISTOÉ que realmente foi apresentado a Pagot no comitê da campanha durante o primeiro turno da eleição. “Mas a conversa tratou da proposta de Pagot de a campanha receber três aviões do Blairo Maggi”, disse Filippi, que negou ter recebido boletos de depósitos. “Num segundo encontro, depois da eleição de Dilma, ficou acertado que Pagot buscaria recursos para saldar dívidas da campanha eleitoral”, admite Filippi.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Não tem jeito, mesmo. Demitido por suspeita de corrupção, Pagot continua a mandar no ministério

Segunda, 2 de abril de 2012
Por Carlos Newton
Oportuna reportagem de Guilherme Amado, no Correio Braziliense, mostra que a situação realmente fugiu ao controle e a desfaçatez domina completamente o governo federal, um dos três poderes apodrecidos da União.

A matéria mostra que, nos gabinetes e corredores do Ministério dos Transportes, Luiz Antonio Pagot ainda é saudado como “Doutor Pagot”. Pivô da crise que levou a presidente Dilma Rousseff a demitir toda a cúpula da pasta, em julho do ano passado, o ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) ainda é figurinha fácil no ministério, por onde circula com liberdade, com acesso inclusive ao ministro Paulo Sérgio Passos.

Só entra pelo acesso privativo, cumprimenta os vigias e avisa que “vai ao gabinete”. O vaivém pelos andares do Ministério dos Transportes — cobiçado até hoje por seu partido, o PR — tem a ver com a nova atividade de Pagot. Antes todo-poderoso do setor de transportes, ele agora atua como consultor de empresas do segmento hidroviário.

Leva clientes ao ministério, faz o meio de campo entre políticos e o ministro, e troca informações sobre a rotina do órgão. Por coincidência, apenas coincidência, é claro, o lobby ocorre num momento em que o governo decidiu entregar a manutenção de algumas hidrovias à iniciativa privada, com a promessa de crescimento do setor. “Ponto para Pagot”, ironiza o repórter Guilherme Amado.

Traduzindo tudo isso: nada de novo no front ocidental, como dizia o genial escritor alemão Erich Maria Remarque. o Dnit, antigo DNER, continua a ser um dos maiores antros de corrupção do Planalto.

Detalhe importante: o atual ministro Paulo Sérgio Passos, não pode ser considerado um cidadão acima de qualquer suspeita. Servidor de carreira do DNIT, ele já tinha tempos para aposentadoria, mas continuava trabalhando, numa dedicação mais do que suspeita ao serviço público, e num órgão onde a corrupção sempre falou mais alto. Esta é a realidade. O resto é silêncio, como dizia outro escritor genial, Erico Veríssimo.

Fonte: Tribuna na Internet

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Controladoria-Geral da União conclui auditoria especial nas áreas de transportes. Prejuízo ultrapassa os R$680 milhões

Quarta, 8 de setembro de 2011
Da CGU
CGU conclui auditoria especial na área de transportes
A Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu hoje e está encaminhando aos órgãos competentes, para as providências nas respectivas áreas de atribuições, relatório contendo os resultados da Auditoria Especial realizada, por determinação da presidenta Dilma Roussef, para apurar denúncias de irregularidades no Dnit e na Valec.

A equipe de auditores designada pelo ministro Jorge Hage no dia 6 de julho último (pela Portaria n 1.322/CGU) analisou 17 processos de licitações e contratos e constatou 66 irregularidades, que apontam prejuízo potencial de R$ 682 milhões, em um total de R$ 5,1 bilhões fiscalizados.

Um resumo das conclusões e recomendações da CGU já está disponível no site da Controladoria (veja aqui). A partir de amanhã (09/09), a íntegra do Relatório da Auditoria também estará publicada no site da CGU.

Os trabalhos de apuração contaram com pleno apoio tanto do ex-ministro Alfredo Nascimento (que também solicitou à CGU a investigação), quanto do atual ministro Paulo Sérgio Passos, que deu orientação expressa aos órgãos do ministério para facilitar o pleno acesso dos auditores a toda a documentação, processos e arquivos necessários.

Casos emblemáticos e diagnóstico do órgão

Tendo em vista a decisão do Governo de fazer um amplo diagnóstico, com vistas a uma completa reformulação e renovação nos órgãos envolvidos – Dnit e Valec – a CGU decidiu não limitar as apurações aos casos denunciados na imprensa e incluir outros fatos, alguns dos quais já se encontravam com investigações em andamento.

Com isso, foram ultimadas e incluídas no relatório as análises de casos considerados emblemáticos e representativos dos principais tipos de problemas que a CGU encontra frequentemente nas auditorias de obras públicas, sobretudo do DNIT.

A partir desse relato, é possível constatar a precariedade dos projetos de engenharia – fato reiteradamente apontado pela CGU – e o modo como essas deficiências contribuem para a geração de superestimativas nos orçamentos de referência da própria Administração, daí para o sobrepreço nos contratos, e como, por fim, podem levar, ao superfaturamento das obras, com prejuízo aos cofres públicos.

Desse modo, foram incluídos, além das denúncias inicialmente mencionadas (BR-280/SC, BR-116/RS, Ferrovia de Integração Oeste-Leste – FIOL), os fatos relativos às obras de restauração e duplicação do Lote 07 da BR-101 no Estado de Pernambuco/PE; às obras do Contorno de Vitória/ES; às irregularidades constatadas no âmbito do Dnit/ES e do Dnit/RS; à licitação para estruturação de Postos de Pesagem Veicular – PPV; a impropriedades na contratação de empresas terceirizadas pelo Dnit e pela Valec; a impropriedades na execução de obras delegadas; à contratação de empresa para fornecimento de trilhos (Fiol e FNS); e à construção da Ferrovia Norte-Sul.

Cabe lembrar, também, que, além dos casos abordados neste Relatório de Auditoria da Secretaria Federal de Controle Interno da CGU, outras situações irregulares encontram-se em apuração na Corregedoria-Geral da União (outra unidade da CGU), mediante sindicâncias e processos disciplinares, cujos prazos obedecem aos ditames legais e não podem ser abreviados, tendo em vista o direito ao contraditório e à ampla defesa dos acusados. A Corregedoria-Geral, ademais, vai receber também uma cópia do relatório, tanto para subsidiar aqueles processos já em curso, quanto para possível instauração de novos processos e sindicâncias.

Segundo o relatório da auditoria hoje encerrada, além do problema da má qualidade dos projetos, há, no Dnit, um grande número de projetos antigos em estoque, que acabam sendo licitados já defasados em relação ao volume médio diário de tráfego, ao nível de serviço, às localizações de jazidas e às necessidades de desapropriações, o que, inevitavelmente, conduz à necessidade de aditivos contratuais, consequência das necessárias revisões de projeto em fase de obra.

O relatório sustenta que, tanto no Dnit quanto na Valec, “raríssimos são os empreendimentos em que não há acréscimos de custos, muitos dos quais se aproximam do limite legal, algumas vezes até superando-os, tornando sem efeito os descontos obtidos nos processos licitatórios”, que, aliás, em muitos casos, são irrisórios. Para exemplificar, o relatório da Controladoria exibe uma tabela com 13 empreendimentos que receberam aditivos contratuais. Três deles excederam o limite legal (de 25%) e em um dos casos o custo aumentou em 73,7%.

Lago no caminho

Um dos casos analisados que não estavam entre as denúncias da imprensa foi o lote 7 da BR-101- Nordeste (em Pernambuco), obra onde se registrou o maior número de problemas, entre as que integraram a auditoria. Ali se constataram fortes indícios de 14 diferentes tipos de irregularidades, tendo os prejuízos alcançado cerca de R$ 53,8 milhões, decorrentes, principalmente, de deficiências no projeto executivo, serviços de terraplenagem superestimados, superfaturamento, pagamento por serviços não realizados, além de execução de serviços sem cobertura contratual. O valor total da obra, com os aditivos e reajustes decorrentes de prorrogações de prazo foi de R$ 356 milhões.

sábado, 16 de julho de 2011

A guerrilha da corrupção

Sábado, 16 de julho de 2011
Da Veja
Diretor afastado do Dnit diz que petista negociava reajustes de preço e recebia "ajuda de custo" diretamente das empreiteiras

Rodrigo Rangel
Luiz Pagot ameaçou revelar no Congresso a participação do PT e de petistas no escândalo do Ministério dos Transportes, mas calou-se

Havia uma monumental expectativa em torno do depoimento, no Congresso, do ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) Luiz Antonio Pagot. Pilar da estrutura de corrupção montada pelo Partido da República (PR) no Ministério dos Transportes, Pagot foi afastado do cargo pela presidente Dilma Rousseff e, desde então, ameaça envolver o PT e os petistas nas denúncias de irregularidades. Se era blefe, houve quem sentisse calafrios. De renegado, Pagot passou a ser tratado com uma deferência incomum para alguém acusado de cobrar propina e superfaturar obras públicas. Foi recebido pelo chefe de gabinete da Presidência, ouviu elogios de ministros, senadores e lideranças políticas do governo. Sua "demissão sumária", anunciada pelo Palácio do Planalto, foi substituída temporariamente por "férias".