Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

CGU abre investigação para apurar novas denúncias no Dnit

Quarta, 5 de outubo de 2011
Da Agência Brasil
Débora Zampier - Repórter
A Controladoria-Geral da União (CGU) informou hoje (5), por meio de nota, que iniciou uma sindicância para apurar novas denúncias sobre irregularidades envolvendo o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit) e a organização não governamental Instituto Nacional de Desenvolvimento Ambiental (Inda).

A edição da revista Veja desta semana relaciona o general Jorge Fraxe, que assumiu a diretoria-geral do Dnit após a saída de Luiz Antonio Pagot, a um esquema de corrupção. De acordo com a revista, Fraxe mantém relações estreitas com o gerenciamento do Inda. Além de Fraxe, a revista aponta o envolvimento de duas funcionárias do Dnit, nomeadas na gestão de Pagot, que permaneceram nos cargos depois da série de demissões no Ministério dos Transportes e órgãos subordinados.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Era só o que faltava: o general que agora comanda o Dnit é acusado de ser dono de uma ONG que explora o governo

Segunda, 3 de outubro de 2011
Da Tribuna da Imprensa
Por Carlos Newton
Já virou rotina. A imprensa faz a denúncia e a oposição imediatamente aciona o Ministério Público. Desta vez é o PPS, que vai representar hoje à Procuradoria da República no Distrito Federal um pedido para investigar a ligação do diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), general do Exército Jorge Fraxe, com uma ONG ambiental montada com o objetivo de desviar dinheiro público de obras do governo federal.

A representação do PPS se baseia em denúncia da “Veja”. Na edição que começou a circular no fim de semana, a revista revela que o general é o verdadeiro dono da ONG Inda (Instituto Nacional de Desenvolvimento Ambiental), envolvida na denúncia de pagamento de propina de R$ 300 mil para o fechamento de um contrato com o próprio Dnit, vejam só que coincidência.

Segundo a revista, a tramóia foi revelada pelo diretor-administrativo da ONG, engenheiro Mardel Morais, autor da denúncia de que o oficial general é o verdadeiro dono da entidade. Ainda de acordo a revista, a negociação só não foi para frente por causa do escândalo de corrupção no Ministério dos Transportes, que provocou a queda do ministro Alfredo Nascimento.

“A farda não está acima da lei e não autoriza ninguém a desviar dinheiro público. É de se estranhar que a presidente Dilma, que anunciou uma faxina no Ministério dos Transportes, tenha nomeado para a direção do Dnit justamente um militar suspeito de envolvimento em corrupção. Cabe ao Ministério Público investigar esse caso para garantir que o propinoduto seja extirpado de vez do órgão”, afirmou o líder do PPS na Câmara, deputado federal Rubens Bueno (PR), em entrevista à Folha de S. Paulo, que não conseguiu contato com o Dnit para comentar o assunto.

Detalhe importante: o PPS vai acionar a Procuradoria da República no Distrito Federal porque foi essa seção do Ministério Público Federal que tomou a iniciativa de investigar o então ministro Antonio Palocci, enquanto o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, e a Comissão de Ética da Presidência da República, comandada pelo ex-ministro do Supremo Sepúlveda Pertence, se apressavam em declarar a inocência do chefe da Casa Civil em meio às comprovadas acusações de enriquecimento ilícito.

domingo, 25 de setembro de 2011

Dilma começa, mas não termina faxina em ministérios

Domingo, 25 de setembro de 2011
Do "O Estado de S. Paulo"

Limpeza ocorreu só na cúpula dos Transportes e no Dnit; Valec está sob comando interino e demissões na Conab ficaram na promessa

Mesmo com o respaldo da população - que deu manifestações de apoio nos atos públicos de 7 de Setembro, em Brasília, e na semana passada, no Rio -, a presidente Dilma Rousseff fez uma faxina incompleta nos setores do governo envolvidos em corrupção, irregularidades e mau uso do dinheiro público (veja gráfico ao final deste exto). A limpeza só ocorreu na cúpula do Ministério dos Transportes e no Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit).

Na Valec, a estatal responsável pela construção das grandes ferrovias previstas no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), como a Norte-Sul e a Oeste-Leste, foi afastado só o presidente José Francisco das Neves, o Juquinha. Ele saiu no rastro do escândalo que abalou o Ministério dos Transportes, no início de julho. Investigações da Controladoria-Geral da União (CGU) indicaram desvios de R$ 279,7 milhões na Valec.

Juquinha foi substituído interinamente por Felipe Sanchez da Costa, diretor da Valec, mas, segundo informações de dentro da estatal, quem manda de fato na empresa é Luiz Carlos Oliveira Machado, diretor de Engenharia, um protegido do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A Ferrovia Norte-Sul, uma das principais obras da Valec, foi iniciada no governo Sarney (1985-1990) e nasceu envolvida em escândalos. Na época, descobriu-se que a licitação havia sido dirigida e os vencedores já eram conhecidos havia meses.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Controladoria-Geral da União conclui auditoria especial nas áreas de transportes. Prejuízo ultrapassa os R$680 milhões

Quarta, 8 de setembro de 2011
Da CGU
CGU conclui auditoria especial na área de transportes
A Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu hoje e está encaminhando aos órgãos competentes, para as providências nas respectivas áreas de atribuições, relatório contendo os resultados da Auditoria Especial realizada, por determinação da presidenta Dilma Roussef, para apurar denúncias de irregularidades no Dnit e na Valec.

A equipe de auditores designada pelo ministro Jorge Hage no dia 6 de julho último (pela Portaria n 1.322/CGU) analisou 17 processos de licitações e contratos e constatou 66 irregularidades, que apontam prejuízo potencial de R$ 682 milhões, em um total de R$ 5,1 bilhões fiscalizados.

Um resumo das conclusões e recomendações da CGU já está disponível no site da Controladoria (veja aqui). A partir de amanhã (09/09), a íntegra do Relatório da Auditoria também estará publicada no site da CGU.

Os trabalhos de apuração contaram com pleno apoio tanto do ex-ministro Alfredo Nascimento (que também solicitou à CGU a investigação), quanto do atual ministro Paulo Sérgio Passos, que deu orientação expressa aos órgãos do ministério para facilitar o pleno acesso dos auditores a toda a documentação, processos e arquivos necessários.

Casos emblemáticos e diagnóstico do órgão

Tendo em vista a decisão do Governo de fazer um amplo diagnóstico, com vistas a uma completa reformulação e renovação nos órgãos envolvidos – Dnit e Valec – a CGU decidiu não limitar as apurações aos casos denunciados na imprensa e incluir outros fatos, alguns dos quais já se encontravam com investigações em andamento.

Com isso, foram ultimadas e incluídas no relatório as análises de casos considerados emblemáticos e representativos dos principais tipos de problemas que a CGU encontra frequentemente nas auditorias de obras públicas, sobretudo do DNIT.

A partir desse relato, é possível constatar a precariedade dos projetos de engenharia – fato reiteradamente apontado pela CGU – e o modo como essas deficiências contribuem para a geração de superestimativas nos orçamentos de referência da própria Administração, daí para o sobrepreço nos contratos, e como, por fim, podem levar, ao superfaturamento das obras, com prejuízo aos cofres públicos.

Desse modo, foram incluídos, além das denúncias inicialmente mencionadas (BR-280/SC, BR-116/RS, Ferrovia de Integração Oeste-Leste – FIOL), os fatos relativos às obras de restauração e duplicação do Lote 07 da BR-101 no Estado de Pernambuco/PE; às obras do Contorno de Vitória/ES; às irregularidades constatadas no âmbito do Dnit/ES e do Dnit/RS; à licitação para estruturação de Postos de Pesagem Veicular – PPV; a impropriedades na contratação de empresas terceirizadas pelo Dnit e pela Valec; a impropriedades na execução de obras delegadas; à contratação de empresa para fornecimento de trilhos (Fiol e FNS); e à construção da Ferrovia Norte-Sul.

Cabe lembrar, também, que, além dos casos abordados neste Relatório de Auditoria da Secretaria Federal de Controle Interno da CGU, outras situações irregulares encontram-se em apuração na Corregedoria-Geral da União (outra unidade da CGU), mediante sindicâncias e processos disciplinares, cujos prazos obedecem aos ditames legais e não podem ser abreviados, tendo em vista o direito ao contraditório e à ampla defesa dos acusados. A Corregedoria-Geral, ademais, vai receber também uma cópia do relatório, tanto para subsidiar aqueles processos já em curso, quanto para possível instauração de novos processos e sindicâncias.

Segundo o relatório da auditoria hoje encerrada, além do problema da má qualidade dos projetos, há, no Dnit, um grande número de projetos antigos em estoque, que acabam sendo licitados já defasados em relação ao volume médio diário de tráfego, ao nível de serviço, às localizações de jazidas e às necessidades de desapropriações, o que, inevitavelmente, conduz à necessidade de aditivos contratuais, consequência das necessárias revisões de projeto em fase de obra.

O relatório sustenta que, tanto no Dnit quanto na Valec, “raríssimos são os empreendimentos em que não há acréscimos de custos, muitos dos quais se aproximam do limite legal, algumas vezes até superando-os, tornando sem efeito os descontos obtidos nos processos licitatórios”, que, aliás, em muitos casos, são irrisórios. Para exemplificar, o relatório da Controladoria exibe uma tabela com 13 empreendimentos que receberam aditivos contratuais. Três deles excederam o limite legal (de 25%) e em um dos casos o custo aumentou em 73,7%.

Lago no caminho

Um dos casos analisados que não estavam entre as denúncias da imprensa foi o lote 7 da BR-101- Nordeste (em Pernambuco), obra onde se registrou o maior número de problemas, entre as que integraram a auditoria. Ali se constataram fortes indícios de 14 diferentes tipos de irregularidades, tendo os prejuízos alcançado cerca de R$ 53,8 milhões, decorrentes, principalmente, de deficiências no projeto executivo, serviços de terraplenagem superestimados, superfaturamento, pagamento por serviços não realizados, além de execução de serviços sem cobertura contratual. O valor total da obra, com os aditivos e reajustes decorrentes de prorrogações de prazo foi de R$ 356 milhões.

Se não for míope, é cego. E surdo

Quarta, 8 de setembro de 2011
A coisa continua ruça no Ministério dos Transportes. Isso se levarmos em conta a visão do recém-empossado ministro Paulo Sérgio Passos. Colocado no cargo para garantir que nada fosse feito sem o seu conhecimento, evitando assim a repetição da roubalheira denunciada, parece que o ministro passou a sofrer de miopia e surdez em últimos graus.

Presente no palanque oficial do Sete de Setembro, em Brasília, ao ser perguntado o que havia achado da Marcha Contra a Corrupção, o ministro declarou: “Não vi nada”.

Como alguém que não conseguiu ver 30 mil ou 40 mil pessoas em manifestação em frente ao local em que se encontrava pretende identificar possíveis falcatruas em licitações e contratos em seu ministério?

Não enxergando como não enxergou a multidão que protestava na Esplanada dos Ministérios, vai acabar ficando sem ver coisa com coisa nos Transportes.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Passos no caminho da impunidade

Terça, 16 de agosto de 2011
Ser contra comissões parlamentares de inquéritos (CPI) para apurar roubalheiras ou suspeitas de roubalheiras em qualquer dos ministérios é, de fato, dar passos gigantes na direção da impunidade e da retirada de uma das funções dos parlamentares, que é a função fiscalizadora, função essa determinada pela Constituição.

Paulo Sérgio Passos, que substituiu o senador Alfredo Nascimento no Ministério dos Transportes quando da explosão dos escabrosos casos de corrupção no Dnit, defendeu em depoimento no Senado que não se criasse CPI para apurar denúncias na sua pasta. E nem em outros ministérios.

Amanhã (17/8) ele, possivelmente, vai repetir a mesma conversa, o mesmo ponto de vista que tem sobre CPIs, na Câmara dos Deputados.

Para ele a Controladoria-Geral da União (CGU) é que deveria fazer o trabalho de fiscalização. A CGU e os órgãos de auditoria, admite. Parece que apesar de ministro, não engole que os deputados e senadores exerça a função fiscalizador. E veja que essa função dos parlamentares é no mundo todo, pelo menos nos Estados considerados democráticos. Se o ministro estiver certo em sua defesa, que se altere a Constituição.
 
Mas que Passos pisou em falso, pisou.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

PR ameaça deixar base do governo Dilma

Segunda, 15 de agosto de 2011
Do Estadão 
Ex-ministro Alfredo Nascimento anunciará nesta terça a decisão sobre eventual saída

Vera Rosa - O Estado de S. Paulo
Alvo da faxina promovida pela presidente Dilma Rousseff no Ministério dos Transportes, o PR ameaça agora sair da conflagrada base de apoio do governo no Congresso. A decisão será anunciada nesta terça-feira, em discurso do senador Alfredo Nasicmento (AM), que foi defenestrado dos Transportes na esteira das denúncias de corrupção e atualmente comanda o partido.

Leia a íntegra.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Para CNBB, denúncias de corrupção no governo causam "perplexidade e indiganação"

Quinta, 11 de agosto de 2011
Da Agência Brasil
Mariana Jungmann  - Repórter
A Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou hoje (11) uma nota na qual declara que as denúncias recentes de corrupção no governo geram um clima de “perplexidade, insegurança e indignação”. O texto da nota, formulado pelo Conselho Episcopal Pastoral da CNBB, que está reunido em Brasília, diz ainda que “os princípios éticos da verdade e da justiça exigem exemplar apuração dos fatos com a consequente punição dos culpados, porque não se pode transigir diante da malversação do emprego do dinheiro público. Sacrificar os bens devidos a todos é um crime que clama aos céus por lesar, sobretudo, os pobres”.

A nota diz ainda que as instituições de Estado têm demonstrado solidez, mas que o aperfeiçoamento da democracia exige uma administração transparente e uma profunda reforma política.

O presidente da CNBB, dom Raymundo Damasceno Assis, contudo, elogiou a atuação da presidenta Dilma Rousseff em relação às denúncias de corrupção no governo dela. De acordo com o cardeal, as demissões no Ministério dos Transportes e no Departamento Nacional de Infraestrutura de Trasnportes (Dnit), demonstram que o governo está buscando mais transparência.

“O governo está no seu começo ainda e, realmente, essas medidas têm sido bastante claras, que sinalizam evidentemente para uma gestão pública muito mais transparente, muito mais honesta, porque, de fato, tem ocorrido demissões”, disse dom Assis.

Para ele, a presidenta deve ser informada antecipadamente das operações da Polícia Federal (PF), como a que prendeu 38 pessoas esta semana, suspeitas de integrar um esquema de corrupção no Ministério do Turismo. Ele lembrou que a PF está subordinada ao Ministério da Justiça e segue orientações dos superiores hierárquicos.

“Não podem ser operações arbitrárias, decididas por uma pessoa ou um grupo de policiais, mas deve ser realizada dentro de um quadro de normas que regulam as ações da Polícia Federal. Mas, é claro que é normal que a presidenta da República saiba o que está acontecendo no país. Se nós nos informamos pelos meio de comunicação, é evidente que ela também deve tomar conhecimento, talvez até com antecipação”, disse.

O presidente da CNBB cobrou, contudo, que as normas constitucionais e a dignidade humana sejam respeitadas nessas operações. Disse que é preciso aguardar a defesa dos acusados antes de condená-.los e que, uma vez concluídas as investigações e encontrados os culpados, haja punição.