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(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 23 de janeiro de 2025

Reduto do capital —Fórum Econômico Mundial reúne países capitalistas para salvar neoliberalismo falido, afirma ativista do Paquistão

Quinta, 23 de janeiro de 2025

País é um dos que mais sofrem com mudanças climáticas, agravadas pelo modelo de produção e consumo do capitalismo 

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
 
O Paquistão tem sofrido com enchentes devastadoras resultantes das mudanças climáticas; o país contribui com apenas 1% dos gases que poluem o planeta

O Fórum Econômico Mundial (FEM), que se autodefine como uma organização internacional para a cooperação público-privada, realiza sua reunião anual em Davos, na Suíça, nesta semana. Até a próxima sexta-feira (24), figuras da economia mundial se reúnem no evento. Em contraponto, o encontro funciona como “uma oportunidade para os principais países capitalistas se unirem para criar estratégias para salvar a ordem econômica neoliberal falida”. 

A avaliação é de Mudabbir Ali, coordenador internacional da organização Fight Inequality Alliance (Aliança para a Luta contra a Desigualdade, em tradução livre) no Paquistão. Para o ativista, o fórum em Davos “aspira trazer ao sistema capitalista maior concentração de riqueza e poder nas mãos da classe de 1% dos super-ricos”. 

Dados divulgados pela Oxfam na segunda-feira (20), revelam que a riqueza somada dos bilionários do mundo aumentou US$ 2 trilhões (cerca de R$ 12 trilhões) em 2024. Isso representa crescimento três vezes maior do que o registrado no ano anterior. Já o número de pessoas pobres quase não muda desde 1990.

Ali explica que as decisões tomadas no evento capitalista “influenciam diretamente a condição econômica dos países em desenvolvimento no Sul Global”, como o Paquistão. Essa influência é manifesta na forma de desemprego, inflação e aumento da dívida do país no exterior. 

“Também é importante notar que o desenvolvimento e a extravagância dos países ricos no Norte Global dependem da extração e expropriação de recursos naturais dos países pobres no Sul Global”, afirma, ao ressaltar que as decisões do Fórum de Davos “reforçam a divisão entre pobres e ricos ao distorcer o sistema para proteger a elite global, já rica e poderosa”.  

Paquistão, um país ainda feudal

Ao Brasil de Fato, o ativista do conglomerado de organizações que desafiam a riqueza e o poder mal distribuídos no mundo explica que a base econômica do Paquistão é a agricultura, expondo que 69% da população de 240,5 milhões de pessoas, segundo o Banco Mundial, depende do plantio para sua subsistência.  

Contudo, os produtores não são independentes e vivem sob o domínio e exploração de proprietários de terras no país. “Essa vasta classe camponesa enfrenta desafios socioeconômicos significativos, principalmente devido à existência duradoura do feudalismo. Apesar das reformas tentadas décadas atrás, o sistema feudal continua arraigado, deixando os camponeses vulneráveis ​​à exploração por proprietários de terras influentes”.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Paquistão: 168 crianças assassinadas pela CIA

Terça, 16 de agosto de 2011
Da Pública Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo
Controlados à distância, os ataques aéreos com aviões não tripulados da CIA são a opção dos governos Bush e Obama para driblar a lei que não permite os seus soldados em território paquistanês. O dano colateral: 168 crianças assassinadas

O Bureau of Investigative Journalism, parceiro da Pública, identificou relatos sobre 168 crianças assassinadas – 44% dos 385 civis mortos – em sete anos de ataques de aviões não tripulados, pilotados remotamente pela CIA, em áreas tribais do Paquistão.

O paquistanês Din Mohammad, por exemplo, teve a má sorte de ser vizinho, na região de Danda Darpakhel, no Waziristão do norte, de supostos militantes da rede Haqqani, um grupo insurgente que luta contra as forças americanas no vizinho Afeganistão.

No dia 8 de setembro de 2010, mísseis destruíram a casa dos supostos militantes, matando seis deles. Um dos mísseis atingiu também a casa de Din Mohammad matando o filho, estudante em um colégio militar no Waziristão, duas filhas e o sobrinho, todos em idade escolar.

Embora os repórteres de campo do Bureau tenham identificado detalhes deste ataque, os EUA negam que civis tenham sido mortos na campanha militar naquele país.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

CIA: Ataques aéreos por controle remoto mataram mais de 2 mil no Paquistão

Segunda, 15 de agosto de 2011
Da "Pública Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo"
Como os soldados americanos não podem operar dentro do Paquistão, a administração Obama tem dependido cada vez mais de ataques aéreos controlados a partir dos EUA para atingir supostos militantes nas regiões tribais do oeste do país
Ataques de aeronaves não-tripuladas, pilotadas pela CIA através de controle remoto, causaram bem mais mortes no Paquistão do que se pensava, de acordo com nova pesquisa publicada pelo centro de jornalismo independente Bureau of Investigative Journalism, parceiro da Pública.

Mais de 160 crianças estão entre as 2.292 mortes registradas desde 2004. Há relatos consistentes de pelo menos 385 civis entre esses mortos.

Um oficial de combate ao terrorismo do governo americano também vazou estimativas internas do número total de mortos. A estimativa é de que 2.050 pessoas tenham sido mortas durante ataques de aviões sem tripulantes, e somente 50 seriam civis.

Investigação
A investigação feita pelo Bureau sobre essa guerra secreta envolveu uma pesquisa e reavaliação de tudo o que se sabia sobre cada um dos ataques de aviões sem tripulantes.

O estudo é baseado em uma análise detalhada de fontes confiáveis: 2.000 notícias que saíram na mídia; testemunhos; registros desde o campo de batalha feitos por ONGs e advogados; documentos diplomáticos do governo dos EUA; documentos de inteligência vazados; e entrevistas com jornalistas, políticos e oficiais de inteligência.

O resultado foi publicado em 10 de agosto em uma base de dados que cobre cada um dos ataques com detalhe. Uma ferramenta de busca, uma linha do tempo e mapas que podem ser pesquisados acompanham os dados. Clique aqui para acessar a base de dados completa, em inglês.

A pesquisa vai permitir uma maior compreensão pelo público da guerra remota – controlada desde os EUA através de aviões pilotados por controle remoto – promovida pela CIA contra os militantes no Paquistão. O Bureau foi avisado de que oficiais da inteligência americanos estão fazendo uma campanha para desacreditar o trabalho jornalístico, afirmando que há “problemas significativos com seus números e metodologias”.

Iain Overton, editor do Bureau, comenta que “Não me surpreende que os serviços de inteligência ataquem nossa investigação desta maneira. Mas dizer que nossa metodologia tem problemas antes mesmo de publicarmos mostra a maneira como eles operam. E isso é ainda mais reforçado pelo fato de que eles não conseguem chamar os ‘não combatentes’ pelo que realmente são: civis, frequentemente crianças”.

Leia a íntegra da reportagem.
Leia ainda "A história por trás dos dados".
Veja também “Não sou sortudo” – mais de mil feridos pelos ataques da CIA