Segunda, 15 de agosto de 2011
Da "Pública Agência de Reportagem e Jornalismo Investigativo"
Como
os soldados americanos não podem operar dentro do Paquistão, a
administração Obama tem dependido cada vez mais de ataques aéreos
controlados a partir dos EUA para atingir supostos militantes nas
regiões tribais do oeste do país
Por Chris Woods, do Bureau of Investigative Journalism
Ataques de aeronaves não-tripuladas, pilotadas pela CIA através de
controle remoto, causaram bem mais mortes no Paquistão do que se
pensava, de acordo com nova pesquisa publicada pelo centro de jornalismo
independente Bureau of Investigative Journalism, parceiro da Pública.
Mais de 160 crianças estão entre as 2.292 mortes registradas desde 2004. Há relatos consistentes de pelo menos 385 civis entre esses mortos.
Um oficial de combate ao terrorismo do governo americano também vazou estimativas internas do número total de mortos. A estimativa é de que 2.050 pessoas tenham sido mortas durante ataques de aviões sem tripulantes, e somente 50 seriam civis.
Investigação
A investigação feita pelo Bureau sobre essa guerra secreta envolveu
uma pesquisa e reavaliação de tudo o que se sabia sobre cada um dos
ataques de aviões sem tripulantes.
O estudo é baseado em uma análise detalhada de fontes confiáveis: 2.000 notícias que saíram na mídia; testemunhos; registros desde o campo de batalha feitos por ONGs e advogados; documentos diplomáticos do governo dos EUA; documentos de inteligência vazados; e entrevistas com jornalistas, políticos e oficiais de inteligência.
O resultado foi publicado em 10 de agosto em uma base de dados que cobre cada um dos ataques com detalhe. Uma ferramenta de busca, uma linha do tempo e mapas que podem ser pesquisados acompanham os dados. Clique aqui para acessar a base de dados completa, em inglês.
A pesquisa vai permitir uma maior compreensão pelo público da guerra remota – controlada desde os EUA através de aviões pilotados por controle remoto – promovida pela CIA contra os militantes no Paquistão. O Bureau foi avisado de que oficiais da inteligência americanos estão fazendo uma campanha para desacreditar o trabalho jornalístico, afirmando que há “problemas significativos com seus números e metodologias”.
Iain Overton, editor do Bureau, comenta que “Não me surpreende que os serviços de inteligência ataquem nossa investigação desta maneira. Mas dizer que nossa metodologia tem problemas antes mesmo de publicarmos mostra a maneira como eles operam. E isso é ainda mais reforçado pelo fato de que eles não conseguem chamar os ‘não combatentes’ pelo que realmente são: civis, frequentemente crianças”.
Leia a íntegra da reportagem.
Leia ainda "A história por trás dos dados".
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