“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."
(Millôr Fernandes)
quarta-feira, 14 de outubro de 2026
Piketty: o Brasil precisa vencer
quarta-feira, 20 de maio de 2026
O mito da “geração empreendedora”
OUTRASPALAVRAS Trabalho e Precariado
Por Gabriel Medeiros
Título original:
O mito da geração empreendedora: Juventude, CLT e precarização no Brasil
sábado, 25 de abril de 2026
“A Fiocruz pode ser a Petrobras do século 21”
Por Guilherme Arruda
Texto publicado originalmente no OutraSaúde em 24/04/2026.

Denis Gimenez em entrevista a Guilherme Arruda
Historicamente, o mundo do trabalho no Brasil tem como principal traço a predominância dos empregos informais, de salários diminutos e baixa produtividade. Nesse cenário, apesar de crescentes ameaças de precarização, o mercado laboral no setor saúde se destaca por melhor remuneração e maior complexidade econômica. Poderia o impulsionamento do Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS) ser a chave para desencadear um novo ciclo de desenvolvimento que gere milhões de ocupações dignas para os brasileiros?
É o que propõem os pesquisadores do Centro de Estudos Sindicais e do Trabalho (Cesit) e professores do Instituto de Economia da Universidade Estadual de Campinas (IE/Unicamp), Denis Maracci Gimenez e Marcelo Manzano Prado, no artigo CEIS: fonte de empregos de qualidade. O escrito faz parte da série “Trabalho para todas as pessoas: é possível?”, uma publicação do Cesit em parceria com a Fundação Friedrich Ebert Brasil.
sábado, 24 de janeiro de 2026
Assim os rentistas dissolvem a democracia
sexta-feira, 26 de setembro de 2025
‘Dez anos de luta e dor’: PMs são condenados pela Chacina do Curió uma década depois
Quinto júri da chacina, ocorrida em 2015 em Fortaleza (CE), terminou esta quinta (25/9). Marcílio Costa de Andrade foi condenado a 315 anos, 11 meses e 10 dias de reclusão. Luciano Breno Freitas Martiniano foi sentenciado a 275 anos e 11 meses

domingo, 31 de agosto de 2025
Marcas profundas —Emendas parlamentares, Constituição retalhada e semipresidencialismo: as heranças do golpe contra Dilma e o destino de seus protagonistas
Domingo, 31 de agosto de 2025
Nove anos depois, veja consequências da conspiração que derrubou a primeira mulher eleita presidenta do Brasil
Brasil de Fato — São Paulo (SP)
Rodrigo Chagas
31.ago.2025
Neste domingo, 31 de agosto, completam-se nove anos do afastamento de Dilma Rousseff, primeira mulher a ocupar a presidência da República. O processo, conduzido pelo Congresso sob a acusação de “pedaladas fiscais”, foi amplamente denunciado por movimentos populares, juristas e cientistas políticos como um golpe parlamentar, jurídico e midiático.
Quase uma década depois do golpe, as consequências seguem moldando a política brasileira. De um lado, o Congresso passou a abocanhar fatias cada vez maiores do orçamento, condicionando o Executivo o modelo de emendas impositivas e consolidando o chamado orçamento secreto, hoje repaginado em versões como as emendas Pix. Ao mesmo tempo, a Constituição de 1988 foi retalhada: direitos sociais foram fragilizados, o teto de gastos e reformas neoliberais foram implementados, mais empresas públicas foram privatizadas. Cresceu, ainda, a pressão pelo semipresidencialismo. Em resumo, um programa que não havia vencido uma eleição por quase 20 anos, mas que estava represado no Congresso de direita.
Entretanto, ao contrário do que esperavam os principais articuladores do golpe, no campo político, o impeachment abriu espaço para a ascensão da extrema direita, enquanto os partidos tradicionais da Nova República perderam protagonismo. A Lava Jato, motor do lawfare contra o PT, fragmentou-se após o rompimento com Jair Bolsonaro (PL) e escândalos como a Vaza Jato. O campo progressista, por sua vez, resistiu contra todas as retiradas de direitos descritas acima e contra o esvaziamento dos partidos tradicionais. Além disso, venceu as eleições presidenciais em 2022, garantindo a volta de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ao Planalto.
sexta-feira, 28 de março de 2025
O julgamento dos golpistas é uma virada de página
— Marcelo Godoy, O Estado de S. Paulo (26/03/2025)
Pela primeira vez na história — cevada e abastardada por incursões golpistas das Forças Armadas e pela conciliação a serviço dos interesses da classe dominante (a mesma, desde sempre, dos engenhos e do latifúndio até a Faria Lima) —, a República se apresenta disposta a rever sua inércia política e romper com a crassa indulgência com o crime, marca que nos persegue desde as origens de nossa formação.
O julgamento dos principais criminosos do governo passado e da intentona de 8 de janeiro de 2023 é ato político na sua melhor acepção: diz, finalmente — e hosanas seja de uma vez por todas! —, que o atentado contra as instituições democráticas é crime e que seus autores devem ser punidos com o máximo rigor da lei, sejam eles os vândalos mobilizados pelo ódio e a ignorância, sejam os paisanos de paletó e gravata, sejam os engalanados de farda.
Estamos diante de uma virada de página significativa e, talvez, só agora possamos conhecer a efetiva restauração democrática, iniciada timidamente com o pacto de 1985. Sob o império das circunstâncias, esse pacto possibilitou a reconstitucionalização de 1988, sem assegurar, todavia, o império do poder civil — conditio sine qua non de qualquer pretensão democrática digna do nome.
Abandonando o Planalto pelas portas dos fundos, os militares conservariam, até aqui, a preeminência sobre a política nacional. Denotativa dessa distorção é o fato de, hoje, em nosso governo, o ministro da Defesa comportar-se como mero porta-voz da caserna junto ao poder civil.
Há, portanto, razão para registrar a mudança de rota: pela primeira vez em nossa história, um ex-presidente da República e meia dúzia de generais — réprobos, mas poderosos — conhecem o banco dos réus e são processados pelo poder civil por crime contra a democracia. Isto não é pouco, e precisa ser destacado.
quinta-feira, 16 de janeiro de 2025
O novo ano e o horizonte desafiador
quarta-feira, 8 de janeiro de 2025
Políticos e jornalistas revivem 8 de janeiro: dia entrou para história
“Eu falei: gente, isso aqui não pode ser verdade. Isso é uma montagem, não é verdade”, contou ao programa Caminhos da Reportagem, da TV Brasil, com participação da Agência Brasil.
Assustada, a parlamentar foi à casa de sua mãe onde a televisão estava transmitindo a barbárie ao vivo.
“Eu fiquei estarrecida. Levei minutos para acreditar no que estava vendo”, diz se recordando da multidão subindo a rampa do Congresso Nacional, quebrando vidros do prédio e ocupando um pedaço do Senado Federal, onde cumpre mandato há cinco anos.
O impacto foi revivido quando na segunda-feira seguinte (9), de volta de São Luís, Eliziane Gama encontrou “um ambiente desolador, de guerra” no Senado. “Parecia um filme de terror: o prédio totalmente escuro, [com] o chão totalmente molhado, [e] as vidraças destruídas. Você não conseguia caminhar dentro do Congresso Nacional.”
Ainda pasma com a voracidade destrutiva dos invasores, a senadora revela que a possibilidade de distúrbio ainda que absurda estava no horizonte.
“O que ocorreu era algo que a gente vigiava, que a gente dizia que não pode acontecer, mas a gente nunca parou para pensar e dizer que isso vai acontecer.”
Na opinião de Eliziane Gama, que foi relatora da CPMI do 8 de janeiro, tudo que se viu foi semeado durante anos por Jair Bolsonaro quando ocupava a Presidência da República (2019-2022) e atentava contra a democracia.
“Ele questionava o processo da eleição, colocava em xeque a vulnerabilidade da urna eletrônica. Então, essa coisa de criar uma instabilidade do processo democrático, ele automaticamente criou um colchão de condições para que o movimento mais extremista brasileiro chegasse ao que nós acompanhamos no 8 de janeiro.”
Assinatura de Bolsonaro
O 8 de janeiro tornou-se uma data na qual as pessoas costumam lembrar onde estava, e o que estavam fazendo quando receberam a notícia de impacto, como aconteceu nas transmissões do primeiro pouso do homem na lua (1969), do acidente fatal de Ayrton Senna (1994) ou do choque dos aviões contra as Torres Gêmeas do World Trade Center em Nova York (2001).
Como aconteceu com a senadora, a jornalista e escritora Bianca Santana lembra-se vivamente onde estava quando soube dos incidentes: tinha aterrissado em Brasília vindo de São Paulo naquela tarde de domingo. Ainda estava no avião quando começou a receber mensagens no celular indagando se tinha chegado bem.
Curiosa, começou a pesquisar no aparelho o que estava acontecendo. Uma amiga a buscou no aeroporto da capital federal e a levou direto para casa.
“A gente decidiu ficar recolhida. Nem saiu para comer.”
Para Bianca Santana, a intentona que viu inicialmente pela tela do celular “tinha uma assinatura muito forte.” Ela rememora que Jair Bolsonaro instigou a balbúrdia, esvaziando a credibilidade do sistema de votação. “Ele anunciou inúmeras vezes que não aceitaria o resultado das urnas.” Para ela, o ex-presidente “o tempo todo colocou em xeque a confiança da população no processo eleitoral. Isso já é um processo de tentativa de golpe.”
Na opinião do jornalista Leandro Demori, que apresenta o programa Dando a Real com Leandro Demori, na TV Brasil, os sentimentos contra a democracia foram provocados por Jair Bolsonaro antes mesmo de chegar ao poder.
“Na eleição de 2018, [Bolsonaro] já havia aventando a possibilidade de fraude eleitoral, a pauta do voto impresso, e [a ideia] que o sistema não era seguro. Isso tudo acaba desembocando no 8 de janeiro.”
A jornalista Juliana Dal Piva, autora do livro O Negócio do Jair: a história proibida do clã Bolsonaro, avalia que o ex-presidente “criou uma narrativa em cima de uma mentira e foi intensificando essa mentira” com o passar do tempo, especialmente nos dois últimos anos de mandato, e apesar da disseminação de falsidades ”se recusava a admitir que ele não tinha prova.” Ela lembra que Bolsonaro “foi eleito e reeleito [para] vários mandatos como deputado federal [total de seis mandatos] e como presidente da República pelo sistema eletrônico de votação.“
Golpe encenado
Ter atos contra a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva era esperado pelo senador do Randolfe Rodrigues (PT-AP).
“Eu sabia que eles não aceitariam pacificamente o resultado das eleições de 30 de outubro de 2022. Eu tinha consciência disso. Então, para mim, não foi surpresa.”
Ele, no entanto, admite o estarrecimento com a falta de iniciativa das forças de segurança para proteger os prédios públicos.
“O que eu não esperava era a negligência coordenada e organizada para permitir que eles acessassem as sedes dos Três Poderes - os terroristas daquele dia. Mas quando eu os vi invadindo o Congresso Nacional, o meu sentimento naquele momento é que tinha um golpe de Estado em curso.”
Randolfe Rodrigues, que é formado em História, diz que temeu um desfecho semelhante ao do Chile nos anos 1970, quando o presidente Salvador Allende foi cercado no Palácio de La Moneda pelas tropas lideradas pelo general Augusto Pinochet. “Eu tive receio daquele Brasília - 8 de janeiro ser um 11 de setembro chileno de 1973.”
A possibilidade de haver um novo golpe de Estado no Brasil era tão aventada que os roteiristas da produtora Porta dos Fundos criaram dois esquetes humorísticos simulando a mobilização de militares para fazer uma nova intervenção golpista.
“Havia já, né, essa sombra do golpe. Ela já estava presente há muito tempo, né?”, recorda-se o publicitário Antonio Tabet, um dos sócios e roteiristas da produtora. “Falava-se muito disso, havia muitas indiretas, uma comunicação truncada, umas ameaças veladas, e o fato de o governo da época [2019-2022] ser alinhado com ideais e interesses não exatamente democráticos, fazia com que esse assunto fosse efervescente.”
Na opinião de Tabet, os esquetes Golpe em Brasília e Golpe no Rio foram dissuasivos de alguns espíritos menos democráticos. “Eu tenho certeza que esses vídeos circularam muito, tem milhões de views cada um deles. E certamente bateu em alguém que queria fazer e que mudou de ideia vendo aquilo.”
“O humor informa de uma maneira simpática. Às vezes, uma pessoa assistindo a um telejornal, ela não consegue entender direito como funcionam as instituições, para que servem, o que é isso, qual é o real perigo, o real ridículo disso. O humor vai lá e joga um holofote na cara daquilo”, acredita o roteirista.
No dia 8 de janeiro, como que seguindo um roteiro bem ensaiado, milhares de pessoas que estavam acampadas no Setor Militar Urbano em Brasília iniciaram às 13h uma longa marcha até a Praça dos Três Poderes.
Às 15h, os golpistas conseguiram subir a rampa do Congresso para invadir e destruir prédio. Vinte minutos depois, outros vândalos derrubaram as grades de isolamento do Palácio do Planalto, subiram a rampa, quebraram os vidros da fachada e entraram no prédio. Às 15h37, iniciaram a invasão do edifício-sede do Supremo Tribunal Federal (STF).
A Agência Brasil enviou mensagem, na segunda-feira (6), ao advogado Paulo Bueno, defensor do ex-presidente Jair Bolsonaro, para manifestação, mas não obteve resposta até o momento. O espaço segue aberto.
*Com entrevistas de Ana Passos, Marieta Cazarré, Patrícia Araújo e Thiago Padovan, da TV Brasil
Edição:
Carolina Pimentel
quinta-feira, 2 de janeiro de 2025
Retrospectiva —Extrema direita termina 2024 com menos força política e na mira da Justiça

segunda-feira, 4 de março de 2024
Afinal quem manda no Brasil neste anárquico mundo de hoje?

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2024
O CONSUMIDOR E A VIA CRÚCIS DA INCORPORAÇÃO IMOBILIÁRIA
quarta-feira, 17 de janeiro de 2024
Ministério da Saúde na mira, mais uma vez






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