Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

quinta-feira, 28 de setembro de 2023

STF recebe queixa-crime contra o ex-deputado federal (PL/Go) Major Vitor Hugo por difamação

Quinta, 28 de setembro de 2023
Em rede social, ex-parlamentar sugeriu que a deputada federal Erika Kokay teria se posicionado a favor do incesto.

Do STF
Por maioria, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) recebeu a queixa-crime apresentada pela deputada federal Erika Kokay (PT-DF) contra o ex-parlamentar Major Vitor Hugo (PL-GO) pelo crime de difamação. A decisão se deu na sessão virtual encerrada em 22/9, no exame da Petição (PET) 10081.
Vídeo

Segundo Kokay, em junho de 2021, Vitor Hugo teria divulgado, em suas redes sociais, vídeo com trecho de uma palestra realizada por Kokay em maio de 2016, em evento organizado pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação Pública do Paraná (APP Sindicato). Contudo, a versão divulgada conteria cortes que modificavam o sentido do discurso da deputada, levando a crer que ela defendia a prática do incesto (relação sexual entre parentes, consanguíneos ou afins).

A defesa do ex-parlamentar argumenta, entre outros pontos, que Hugo tinha, na época, imunidade parlamentar e que não houve edição do material, mas apenas a postagem de um trecho não integral, isto é, um “corte”.

Prevaleceu o voto do relator, ministro Dias Toffoli, que considerou presentes os requisitos exigidos pelo Código de Processo Penal (CPP) para o recebimento da queixa-crime. Ele ressaltou que não cabe, nessa fase processual, absolver ou condenar o acusado, mas apenas avaliar se há um suporte mínimo de provas da materialidade do crime e indícios razoáveis de autoria.
Ofensa à honra

Na análise da peça acusatória, o ministro verificou que a queixa-crime foi apresentada de forma clara e expressa, narrando o evento criminoso com todas as suas circunstâncias. Em relação ao argumento da imunidade parlamentar, o relator afirmou que não se trata de direito absoluto. Além disso, o conteúdo da manifestação não se relaciona com o exercício da função parlamentar.

Toffoli observou ainda que, a partir do momento em que o corte do trecho da palestra foi capaz de alterar o sentido original do discurso, de forma a atribuir à deputada a defesa de uma prática moralmente condenável, pode-se considerar que houve edição capaz de prejudicar a reputação da parlamentar e ofender sua honra.
Divergência

Os ministros Nunes Marques e André Mendonça divergiram, sob o fundamento de que o julgamento ainda não havia começado quando Vitor Hugo deixou o cargo de deputado federal. Nesse sentido, votaram para remeter a queixa-crime à Justiça Federal no Distrito Federal.

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Ex-deputado federal (PL/GO) Major Vitor Hugo / foto do site da Câmara dos Deputados


CPI do MST: após fim dos trabalhos, parlamentares apresentam declaração de voto simbólica contra parecer de Salles

Quinta, 28 de setembro de 202
Texto critica tentativa de criminalização da luta popular e aponta abuso de autoridade de bolsonaristas

Cristiane Sampaio
Brasil de Fato | Brasília (DF)

Parlamentares contrários à CPI do MST durante coletiva nesta quarta-feira (27), na Câmara dos Deputados - Rogério Thomaz

Um grupo de 15 parlamentares protocolou, nesta quarta-feira (27), uma declaração de voto contrária ao parecer produzido por Ricardo Salles (PL-SP), relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST). Como a atividade do colegiado se encerrou na terça (26), data final prevista para o cronograma oficial dos trabalhos da CPI, o documento não tem valor regimental. O texto foi protocolado na Câmara e lido em plenário para que conste futuramente nos anais da Casa.

O deputado Nilto Tatto (PT-SP), que encabeçou a elaboração do documento, afirma que o grupo investiu na iniciativa pelo valor simbólico e para deixar registrado o posicionamento dos parlamentares críticos à condução da CPI. “Não é possível aceitarmos a criminalização dos movimentos que lutam por reforma agrária, em especial o MST e a Frente Nacional de Luta (FNL). Nós queríamos enfrentar essa CPI para debater uma agenda positiva sobre como melhorar as políticas públicas de apoio à agricultura familiar e a política de reforma agrária. Em nenhum momento a direção da CPI aceitou fazer esse debate”.


O petista disse ainda que o grupo que liderou a mesa da CPI não fala em nome do segmento do agronegócio. Além de Salles na relatoria, a comissão tinha como presidente o deputado Zucco (Republicanos-RS), um dos bolsonaristas mais exaltados da Câmara. “Eles representam uma minoria do agronegócio, aquele [grupo] chamado de ‘ogronegócio’, como disse o ministro [da Agricultura] Fávaro, porque são aqueles 2% que cometem crimes, desmatam e assassinam lideranças indígenas, quilombolas, sem-terra e ambientalistas.”

Além de Tatto, assinam a declaração de voto os deputados Daiana Santos (PCdoB-RS), Lídice da Mata (PSB-BA), Gervásio Maia (PSB-PB), Sâmia Bomfim (PSOL-SP), Professora Luciene (PSOL-SP), Talíria Petrone (PSOL-RJ) e os petistas Padre João (MG), Camila Jara (MS), Paulão (AL), Valmir Assunção (BA), Alencar Santana Braga (SP), João Daniel (SE), Marcon (RS) e Gleisi Hoffmann (PR), esta última presidenta nacional do partido.


Conteúdo

O documento reitera críticas relacionadas ao que chama de “vício de origem” da comissão, que não apontou em seu requerimento de criação qual seria o foco específico das investigações, conforme determinam as regras. Ao criticar a forma como o colegiado foi conduzido nos aspectos administrativo e político, a declaração afirma que houve “elaboração tendenciosa das pautas de votação, obstrução/atraso de acesso aos documentos, centralização das atividades da CPI na figura do relator, desrespeito ao regimento interno da Casa e comportamento misógino da presidência e da relatoria contra deputadas que integram a CPI”.

Também aponta que Salles afronta o Supremo Tribunal Federal (STF) ao incluir no relatório trecho que traz supostas irregularidades no Instituto de Terras de Alagoas (Iteral) e sugerir o indiciamento dos seus gestores. No início de setembro, a Corte chancelou por unanimidade uma liminar do ministro Luís Roberto Barroso que havia suspendido depoimentos dos referidos agentes públicos agendados para a CPI. Na ocasião, os magistrados afirmaram que a convocação de servidores estaduais para uma comissão parlamentar de inquérito do Legislativo federal atenta contra a autonomia dos entes federados e o pacto federativo.

quarta-feira, 27 de setembro de 2023

As pelejas do petróleo contra as finanças apátridas: o Brasil

Quarta, 27 de setembro de 2023
Plataforma de petroleo. Foto: divulgação

As pelejas do petróleo contra as finanças apátridas: o Brasil

Brasil: A luta contra interesses estrangeiros no setor de energia e petróleo - Uma análise histórica e atual.

Da AEPET com informação do Monitor Mercantil
Por 
Felipe Maruf Quintas e Pedro Augusto Pinho*
26 de setembro de 2023

As forças apátridas que atuavam na primeira metade do século 20 no Brasil levaram à imolação, no altar do desenvolvimento nacional, seu maior, senão único, estadista: Getúlio Dornelles Vargas. Qual o estopim de tão dramático fim? A criação da Petrobrás, em 1953, a empresa de economia mista que detinha o monopólio do petróleo no País.

A situação brasileira, na relação das finanças com o petróleo, não difere muito das que são observadas pelo mundo. Sempre consequência das relações coloniais que se estabeleceram pela Europa e, posteriormente, pelos Estados Unidos da América (EUA) com os demais países.

As especificidades brasileiras são decorrentes, como para todos os países, do contexto físico-geográfico. O que nos leva a apresentar breve resumo das fontes energéticas brasileiras.

Não nos faltam água e insolação, ou seja, podemos extrair energia dos rios, da biomassa e do Sol. Enquanto o mundo, em 2021, tinha 6,7% de energia obtida de fonte hídrica, o Brasil apresentava em sua matriz energética 27%. As renováveis, tais como a solar e a biomassa, no mundo, também não superavam os 6,7%, mas, no Brasil, atingiam 19%.


Porém as fontes fósseis, que contribuíam com 82% da energia primária dos países, no Brasil, mesmo com a descoberta do pré-sal, em 2007, ficavam em 53%.

Até um século após sua independência política e separação de Portugal, o Brasil continuava a ser colônia financeira da Inglaterra e importador de energia. Não se investia na energia fóssil, nem na hidrelétrica, e muito pouco se usava a biomassa. Até 1888, a principal fonte energética oficial ainda era o trabalho braçal escravo, que, uma vez emancipado, não logrou, por muitas décadas ainda, qualquer amparo e valorização. Foi o movimento que levou Getúlio Vargas ao poder, em 1930, que deu início à construção do Estado Nacional e iniciou o processo, planejado e articulado de industrialização e desenvolvimento do País, colocando, pela primeira vez, a estruturação do setor energético enquanto prioridade governamental.

E teve a partir de então, em toda a sua história, a oposição atuante dos interesses estrangeiros, quase sempre financeiros. Com a falta de criatividade que caracteriza a ação financeira, repetiam no Brasil os mesmos métodos de ação: falácias, golpes, comprando a imprensa e corrompendo os poderes dos Governos.

José Augusto Ribeiro, historiador e grande conhecedor da Era Vargas, escreve em A História da Petrobrás (Aepet, RJ, 2023), editada quando a empresa completou 70 anos e sofria o esfacelamento das três décadas de governos dominados pelas finanças:

“No auge da crise de agosto de 1954, um dos subchefes do Gabinete Militar da Presidência, o general Mozart Dornelles foi procurar Chateaubriand, que conhecia desde a Revolução de 30, ele combatente e Chateaubriand jornalista.

Chocado com a virulência dos ataques a Getúlio nas televisões de Chateaubriand, o general perguntou por que uma campanha tão rancorosa e mentirosa, na qual Carlos Lacerda não fazia a menor cerimônia com os fatos e podia inventar o que quisesse, porque as TVs de Chateaubriand não abriam espaço para o direito de resposta.

Ao menos, propõe o general Mozart, que Chateaubriand agisse para moderar o tom dos ataques, não necessariamente seu conteúdo. Chateaubriand interrompe para dizer:

— Mozart, eu sou o maior admirador do Presidente, eu adoro o Presidente.
E oferece:

—Na hora que o Presidente quiser eu tiro as televisões do Lacerda e entrego a ele, para defesa do governo.
Mas revela o preço:

— É só ele desistir da Petrobrás”.

E José Augusto Ribeiro, conhecedor de toda a História, conclui com a avaliação do ministro da Justiça, Tancredo Neves.


O PRESIDENTE MORRE, MAS NÃO DESISTE DA PETROBRÁS.

Nesta narrativa está a síntese da relação das finanças com o poder e o petróleo: corrupção e morte.

Em 40 anos de existência, a Petrobrás tirou o Brasil de importador de todo petróleo e derivados em país autossuficiente em derivados e a um passo da autossuficiência na produção de petróleo cru.

Leia também:

Autonomia nacional que as finanças apátridas não podiam aceitar. Os golpes se sucedem. O primeiro com a farsa da redemocratização.

A que democracia estariam as finanças propondo retomar? Certamente não aquela do período áureo do desenvolvimento brasileiro: 1930 — 1980, que denominavam ditaduras, de Vargas e dos militares. Provavelmente à República Velha, em que o País era colônia dos banqueiros ingleses, e os governantes tratavam a questão social como caso de polícia, e as elites restavam saudosas da escravidão.

Mas as farsas e invenções não morreram com Carlos Lacerda. Teve seguidor, ainda mais malévolo e inimigo do povo, em Fernando Henrique Cardoso, que declarou ter vindo para acabar com a Era Vargas.

E trabalhou oito anos de seu comprado mandato, tanto no aspecto da economia e da industrialização, como no aspecto institucional e organizacional, transformando o Brasil de Estado Nacional em subsidiário da banca internacional.

Estado, petróleo, finanças

Os Estados não se formam da mesma maneira, porém há aqueles que têm sua organização calcada na cultura nacional e os que têm sua institucionalização importada.

Ao apresentar a globalização como triunfo democrático, as finanças estavam implicitamente afirmando que os Estados não seriam mais nacionais, porém ideológicos. Daí a volta da ameaça comunista pois, na percepção financeira, uma ideologia se combate com outra ideologia. E no seu modelo binário, nós ou eles, ou se é cristão ou herege, ou “democrático” ou comunista. E para hereges o tratamento é a fogueira das inquisições. Nada mais próximo da revogação da Lei Áurea do que a revogação das legislações trabalhista e previdenciária, gerando a “uberização” do trabalho, e da aposentadoria, cada vez mais distante, e reduzida, quando chega a ocorrer.

Nota Oficial MST —CPI contra o MST fracassa

Quarta, 27 de setembro de 2023

Nota Oficial MST

CPI contra o MST fracassa

A CPI chega ao fim e não evidenciou os reais problemas do campo, pelo contrário, foi mais um palanque político para a direita bolsonarista.

Da Página MST


A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) contra o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) chegou ao fim nesta quarta-feira (27) com uma derrota política da bancada agromilitar. Ao final, a extrema-direita não conseguiu nem ao menos colocar para votação o relatório construído por Ricardo Salles. 


A CPI não evidenciou os reais problemas do campo, pelo contrário, foi mais um palanque político para a direita bolsonarista avançar no processo histórico de criminalização da luta em defesa da Reforma Agrária, buscando investigar as ocupações legítimas realizadas pelo MST ao longo deste ano. É neste contexto, que a CPI omite os principais problemas agrários do Brasil provocados pelo agronegócio, como o crescente desmatamento e queimadas, a grilagem de terra, a violência no campo, a super exploração do trabalho, a partir do uso de mão de obra análoga à escravidão, a destruição e contaminação dos bens naturais pelo uso de agrotóxicos.


Além disso, entendemos que a Comissão, tal qual as diligências realizadas e o próprio relatório, foram  formas de intimidação e perseguição contra as lideranças Sem Terra que lutam pela democratização do acesso à terra e por um projeto popular no Brasil.

Em um país, onde brasileiros e brasileiras ainda passam fome, repudiamos o relatório final apresentado pela Comissão e apontamos a necessidade de posicionar a legitimidade da luta pela terra e da Reforma Agrária como elementos centrais para se discutir um projeto político para o campo, enfrentando de frente as desigualdades sociais e garantindo o direito de viver e produzir alimentos saudáveis.

Destacamos que o MST não esteve sozinho na luta contra a tentativa de criminalização impulsionada pela CPI. Foram meses de solidariedade de milhares de organizações sociais do Brasil, através da plataforma MST em Debate. Por ela, o Movimento recebeu quase 65 mil assinaturas de brasileiros, além de centenas de notas e moções de apoio. A nível  internacional, com a plataforma “Tô com MST”, foram registradas quase mil assinaturas individuais, de mais de 400 representantes de organizações ou movimentos internacionais, de 93 países. 


Superada mais uma tentativa de criminalização, seguiremos em luta. Esta CPI em nenhum momento intimidou a histórica bandeira da Reforma Agrária, pela qual marcharemos até que a terra seja um bem de todas e todos no Brasil. Não recuaremos da tarefa de alimentar o povo brasileiro com dignidade e justiça social. 


Lutar! Construir Reforma Agrária Popular!


Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST


27 de setembro de 2023

LEI ORÇAMENTÁRIA —Orçamento do DF previsto para 2024 é de R$ 61 bilhões; Saúde e Educação têm menores reajustes

Quarta, 27 de setembro de 2023

Representantes de sindicatos discutiram em audiência da CLDF proposta apresentada pelo GDF

Valmir Araújo
Brasil de Fato | Brasília (DF)
Audiência da CESC ocorreu no auditório da CLDF — Gabinete Gabriel Magno/Divulgação

Com recursos menores para Educação e Saúde, o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2024 foi alvo de críticas de diversos segmentos da sociedade durante audiência da Comissão de Educação, Saúde e Cultura (CESC) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF).

O PL 613/2023 enviado pelo governo do Distrito Federal (GDF) prevê um orçamento de R$ 61 bilhões para 2024, contra R$ 55 bilhões estimados neste ano, ou seja, um aumento de mais de quase 7%. No entanto, o PLOA prevê um incremento de apenas 1,4% para a Educação e 7% para a Saúde.

O presidente da CESC, deputado Gabriel Magno (PT), disse que existem erros nos cálculos que estipulam os pisos constitucionais da Educação, Saúde e Cultura. Segundo ele existem erros nos cálculos da Cultura, que foram feitos a partir de valores errados e no caso da Educação foram incluídos os recursos para a Universidade do Distrito Federal, pois a CLDF aprovou uma emenda que desconsidera os gastos universitários do piso de 25%.

“Quando você desconta os recursos da Universidade fica devendo R$ 60 milhões para cumprir o fundo constitucional. Então não cumpre a própria constituição”, explicou Magno. “Na Saúde, assim como na Educação e Cultura o que era pra ser piso virou teto”, acrescentou o deputado, destacando que sem a legislação dos pisos, essas áreas perderiam recursos.

Para a diretora do Sinpro-DF (Sindicato dos Professores dos Distrito Federal), Luciana Custódio, é fundamental que o governo cumpra parte do acordo para o fim da greve dos docentes e convoque os concursados. “Nós temos mais de dois terços dos profissionais que atuam em sala de aula em contratação temporária”, ressaltou Luciana, sugerindo a retomada do movimento unificado do serviço público em defesa do concurso público e das nomeações.

Saúde

Já o presidente do SindMédico-DF (Sindicato dos Médicos do Distrito Federal), Gutemberg Fialho, destacou o baixo valor que o PLOA destina para contratação de servidores da Saúde. “Nós temos um quadro de servidores da Saúde completamente defasado. Então, o foco precisa ser mudado e nós precisamos estar presentes nessas discussões para tentar interferir”, ressaltou Gutemberg, acrescentando que é preciso melhorar as condições de trabalho e salários para atrair médicos para a rede pública do DF.

De acordo com o presidente do SindEnfermeiro (Sindicato dos Enfermeiros do DF), Jorge Henrique Filho, o GDF segue a linha do governo do ex-presidente Bolsonaro que tinha como foco a desregulamentação da atenção primária e o foco na especialização e privatização da Saúde. “Nós temos apenas 60% do território do Distrito Federal com a cobertura da estratégia da saúde da família [atenção primária]”, informou Jorge Henrique, destacando que a rede pública do DF está com um déficit de ao menos 1 mil enfermeiros.

Um dos representantes do Ministério Público, o promotor de justiça Vinícius Bertaia, disse que também analisou o PLOA e chamou atenção a grande quantidade de recursos para a atenção especializada e para a construção de hospitais em detrimento do investimento na atenção primária. “Observamos que o investimento na área da atenção básica e primária, que para nós é muito caro. Todos os cenários que atuamos nós visualizamos sempre que quando há investimentos na atenção primária tem melhores resultados”, avaliou.

Outros membros do Ministério Público, dos sindicatos e representantes de entidades formadas por aprovados em concursos públicos do GDF também participaram da Audiência Pública nesta segunda-feira (25), no auditório da CLDF.

Encaminhamentos

​​Ao final da audiência o presidente da CESC se comprometeu a mediar um diálogo dos membros do Ministério Público com o relator do PLOA na CLDF, o deputado Eduardo Pedrosa (União). “Nós vamos oficiar a CEOF (Comissão de Economia, Orçamento e Finanças) para que haja o cumprimento de todos os pisos constitucionais e também sobre as importantes demandas e observações que foram feitas pelos diversos representantes na reunião de hoje”, assegurou Gabriel Magno.


Edição: Márcia Silva

STF mantém indenização a irmãos de menina morta por bala perdida em escola no RJ

Quarta, 27 de setembro de 2023

O Plenário rejeitou recurso do município contra decisão da ministra Rosa Weber.


Do STF
Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou provimento ao Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 1409638, por meio do qual o Município do Rio de Janeiro (RJ) pretendia afastar sua responsabilidade pela morte da menina Jéssica de Jesus Teixeira, atingida por uma bala perdida enquanto brincava durante o recreio em sua escola. Com isso, ficou mantida decisão do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ), que condenou o município a pagar R$ 120 mil, a título de danos morais, a serem divididos entre os três irmãos da menina.

Integridade física

O fato ocorreu em dezembro de 2002, na Escola Municipal Pernambuco, no bairro de Maria da Graça, na capital fluminense. De acordo com o TJ-RJ, ao receber estudantes na rede oficial de ensino, o poder público assume o compromisso de preservar sua integridade física e deve empregar todos os meios necessários para tanto, sob pena de incidir em responsabilidade civil por eventos lesivos.

Ainda de acordo com o TJ-RJ, mesmo sabendo dos riscos decorrentes de constantes conflitos entre traficantes nas proximidades, os agentes públicos que administram a unidade escolar não tomaram as providências necessárias para cumprir seu dever de guarda e vigilância das pessoas que estão sob os seus cuidados.

Fatos e provas

A decisão do Plenário, tomada na sessão virtual finalizada em 22/9, confirma o entendimento monocrático da presidente do STF, ministra Rosa Weber, de que seria necessário reexaminar fatos e provas para se chegar à conclusão diversa à que chegou o TJ-RJ , o que não é possível em sede de recurso extraordinário.

Processo relacionado: ARE 1409638

Tribunal do Júri condena homem denunciado pelo MPF por tentar assassinar servidor do Incra e dois assentados em Itaberaí (GO)

Quarta, 27 de setembro de 2023

Episódio ocorreu durante ação de reintegração de posse de área na zona rural do município goiano

Arte: Comunicação/MPF

Do MPF
Tribunal do Júri Federal condenou, na segunda-feira (25), a pedido do Ministério Público Federal (MPF), um homem acusado de tentar assassinar servidor do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) que atuava em Goiás. O funcionário público cumpria ordem judicial de reintegração de posse no assentamento rural Santa Rosa, na zona rural de Itaberaí, em Goiás. O servidor estava acompanhado de mais dois assentados no momento do ocorrido.

Marcos Divino Nicácio foi condenado pelo Tribunal do Júri a sete anos e três meses de reclusão, pela prática do crime de homicídio qualificado tentado contra o servidor do Incra e os dois assentados, tendo, como qualificadora, o fato de o crime ter sido praticado mediante promessa de pagamento. A pena também foi aumentada devido a condenação anterior por furto.

São Cosme e São Damião. No dia 27 de setembro, viva todos os erês!

 Quarta, 27 de setembro de 2023

Por Taciano

Repetindo uma postagem do dia 27 de setembro de anos anteriores, afinal, todo dia 27 de setembro é dia de São Cosme e Damião, festa no Candomblé,  na Ubanda e na Igreja Católica.


A baiana Mariene de Castro canta em homenagem aos santos meninos. Santos da Igreja Católica e também do Candomblé e da Umbanda.


Inesquecíveis os carurus que eram oferecidos pelos comerciantes do popular Mercado de Santa Bárbara, na histórica e cantada, por Ari Barroso, "Baixa dos Sapateiros". Eu matava aula na Universidade Federal da Bahia, em faculdade no início da Avenida Joana Angélica, e "me picava" para a Baixa dos Sapateiros. Afinal, primeiro os Santos, depois os professores. Lá, muito caruru e roda de samba. Muita música para os santos católicos, muito batuque em homenagem e festejos aos erês e aos dois santos do Candomblé. Tempo bom! Tempo que deixa saudades até hoje. Tempos sagrados!

No vídeo abaixo, Maria Bethânea canta 'Oração a São Cosme e São Damião'. Cantora baiana e de interpretação sublime de música aos santos.

Oração a São Cosme e Damião
Maria Bethânia
https://youtu.be/fZQlSaZIgNA

NESTA QUARTA —Ruralistas desafiam STF e votam marco temporal 'turbinado' no Senado

Quarta, 27 de setembro de 2023
Indígenas denunciam que PL 2903 atropela direito à consulta prévia previsto pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) - Antônio Cruz/Agência Brasil

PL 2903 ignora julgamento que derrubou tese jurídica e propõe novos retrocessos de direitos indígenas

Murilo Pajolla
Brasil de Fato | Lábrea (AM) | 27 de Setembro de 2023

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado vota na manhã desta quarta-feira (27) o Projeto de Lei (PL) 2903/2023, que estabelece o marco temporal das terras indígenas. Na tarde do mesmo dia, o Supremo Tribunal Federal (STF) analisa pontos que ficaram de fora da análise da tese jurídica, como a indenização a fazendeiros.

Por meio do PL 2903, senadores ruralistas propõem não apenas implementar o marco temporal derrubado pelo STF, mas também legitimar invasões de terras indígenas ao disponibilizá-las, sem consulta prévia aos moradores, ao agronegócio e a grandes empreendimentos, como hidrelétricas, mineração, rodovias e ferrovias.


Entre os retrocessos mais explícitos nos direitos indígenas previstos pelo PL 2903 , está o trecho que diz que “não haverá qualquer limitação de uso e gozo aos não indígenas” que ocuparem territórios indígenas “antes de concluído o processo demarcatório”.

Quem avançar sobre terras indígenas terá “garantida sua permanência na área objeto de demarcação”. O texto considera todas as construções erguidas na área a ser demarcada como “de boa fé” e, portanto, passíveis de indenização.

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Desmentidos, silêncio e palavrão: o depoimento de general Heleno à CPMI do 8 de janeiro

Terça, 26 de setembro de 2023
Deputado bolsonarista é expulso de sessão, mas se recusa a sair e depoimento é suspenso

Caroline Oliveira*
Brasil de Fato | São Paulo (SP) | 26 de Setembro de 2023

Heleno prestou depoimento à CPMI nesta terça-feira (26) - Geraldo Magela/Agência Senado

O ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI) no governo Jair Bolsonaro (PL), o general Augusto Heleno fez defesa irrestrita do ex-presidente em depoimento à Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do 8 de janeiro, nesta terça-feira (26). O militar também contradisse depoimentos anteriores de outros militares e se exaltou com a relatora da comissão, a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), em sessão que foi suspensa no início da tarde.

Durante seu depoimento, Heleno disse que não teve conhecimento de reunião no dia 24 de novembro, na qual o ex-presidente Jair Bolsonaro teria buscado o apoio das Forças Armadas para um golpe de Estado. Na ocasião, o general Marco Antônio Freire Gomes, então comandante do Exército, teria ameaçado dar voz de prisão a Bolsonaro.

"Jamais me vali de reuniões ou palestras ou conversas para tratar de assuntos eleitorais ou políticos partidários com meus subordinados no GSI. Não havia clima para isso e o único ser político do GSI, era eu mesmo", disse Heleno. O militar da reserva também afirmou que não tem relação com nenhum dos alvos da CPMI.

Em alguns momentos, Heleno mostrou descontrole ao ser interrogado. Após ser perguntado pela senadora Eliziane Gama (PSD-MA) se considerava que houve fraude nas eleições de 2022, Heleno negou, dizendo que "já tem um novo presidente da República" e que não podia dizer que houve fraude. A senadora, então, afirmou que ele "mudou de ideia". "Ela fala as coisas que ela acha que está [sic] na minha cabeça. P*, é pra ficar p*, né?! P* que pariu!", irritou-se o ex-ministro de Bolsonaro.

Desmentido sobre Mauro Cid

Em outro momento do depoimento, Heleno afirmou que o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid, não participava de reuniões com o então presidente da República e os comandantes das Forças Armadas. Foi em uma dessas reuniões que, segundo vazamentos de depoimento de Cid, Bolsonaro consultou os chefes da Marinha, Exército e Aeronáutica sobre apoio a uma minuta golpista.

"O tenente-coronel Mauro Cid não participava de reuniões, ele era o ajudante de ordens do presidente da República. Não existe essa figura do ajudante de ordens sentar numa reunião dos comandantes de Força e participar da reunião. Isso é fantasia. É a mesma coisa é essa delação premiada, ou não premiada, do Mauro Cid... Estão apresentando trechos dessa delação e me estranha muito, porque a delação está ainda sigilosa, ninguém sabe o que o Cid falou", disse o general.

A afirmação de Heleno, porém, foi desmentida por internautas. O perfil "Desmentindo Bolsonaro" na rede social X (antigo Twitter) mostrou uma foto postada pela comunicação oficial do Planalto que mostra uma reunião de Bolsonaro, então na presidência, com os chefes das Forças Armadas. O próprio Heleno e Mauro Cid estavam presentes.

Foto da comunicação oficial da Presidência mostra Mauro Cid (ao fundo, à direita) junto de Heleno, Bolsonaro e dos então chefes das Forças Armadas em 2019 / Marcos Corrêa/PR

Em 1º de junho, Augusto Heleno afirmou à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF), também sobre o 8 de janeiro, que não participou de conspirações golpistas.

"Se eu tivesse sido articulador, eu diria aqui. Eu acho que o tratamento que estão dando a essa palavra 'golpe' não é um tratamento adequado. Porque um golpe, para ter realmente sucesso, ele precisa ter um líder principal, alguém que esteja disposto a assumir esse papel de liderar um golpe. Não é uma atitude simples, ainda mais em um país do tamanho e da população do Brasil", disse na ocasião.

Heleno também falou sobre o episódio em que chamou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de "bandido". Em dezembro do ano passado, enquanto saía do Palácio do Alvorada, ele respondeu "não" a um apoiador bolsonarista que perguntou se "bandido sobe a rampa", em referência ao então presidente eleito Lula. "Eu continuo achando até hoje que bandido não sobe a rampa", disse em depoimento à CPMI.

Sessão suspensa

O depoimento de Heleno foi suspenso no início da tarde desta terça após tumulto causado pelo deputado federal Abílio Brunini (PL-MT), um dos bolsonaristas mais barulhentos da atual legislatura. Acostumado a interromper adversários políticos durante sessões no Congresso, Brunini armou confusão com a deputada federal Duda Salabert (PDT-MG) e foi expulso da sessão pelo presidente da CPMI, deputado Arthur Maia (União-BA).

O bolsonarista se recusou a sair, obrigando Maia a suspender a sessão. Brunini não será autorizado a participar da retomada do depoimento de Heleno, que não foi agendada.


* Com a redação do Brasil de Fato no Rio de janeiro

Edição: Rodrigo Durão Coelho

INCITAÇÃO AO ESTUPRO —Bolsonaro se torna réu na Justiça do DF por ataques a Maria do Rosário em 2014

Terça, 26 de setembro de 2023

Agora sem foro privilegiado, ex-presidente vai às redes sociais e afirma que é vítima de 'perseguição política'

Redação
Brasil de Fato | Rio de Janeiro (RJ) | 26 de Setembro de 2023

Bolsonaro se torna réu por agressão cometida quando era deputado - Agência Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) se tornou réu por incitação ao crime de estupro no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) por incitação ao crime de estupro, em decorrência de ataques à deputada federal Maria do Rosário (PT-RS), em 2014.

Na época, quando também era deputado federal, Bolsonaro agrediu Maria do Rosário e, entre outros ataques, disse que não a estupraria por ela ser "muito feia". O caso foi inicialmente apresentado ao Supremo Tribunal Federal (STF), mas ficou por vários anos sem análise.

Bolsonaro chegou a se tornar réu em 2016, mas o Supremo suspendeu a análise do caso em 2019, depois que ele assumiu a presidência da República. Após deixar o cargo, em 1º de janeiro de 2023, Bolsonaro deixou de ter foro privilegiado, o que fez com que o ministro Dias Toffoli decidisse enviar o caso para o TJDFT, ou seja, em primeira instância.


O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) ratificou a denúncia feita em 2014 pela Procuradoria-Geral da República e apresentou a demanda ao TJDFT, que determinou o andamento do processo contra o agora ex-presidente.

Ao ser notificado da decisão, Bolsonaro foi às redes sociais de dizer vítima de "perseguição". Em post no X, antigo Twitter, ele afirmou que "mais uma vez a ordem dos fatos é modificada para confirmar mais uma perseguição política conhecida por todos!".

Edição: Thalita Pires

Izalci e a derrocada tucana

Terça, 26 de setembro de 2023

Do Blog Brasília, por Chico Sant'Ana

De olho no Buriti, Izalci Lucas faz gestos aos bolsonaristas. Tenta atraí-los. Recentemente, concedeu título de honra ao mérito, a um capoeirista que estava dentre os invasores do Congresso Nacional. Na CPMI do 8 de Janeiro, defende a tese de que o golpe foi armação do governo Lula. O mais novo aceno foi o convite para que o senador Marcos do Val (Podemos-ES) se filie ao PSDB. Iniciativa bloqueada pela direção nacional dos tucanos.

Por Chico Sant’Anna

A polêmica envolvendo o eventual despejo do senador Izalci Lucas (PSDB-DF) de um dos mais prestigiados gabinetes do Senado Federal revela a decadência de outrora um dos mais fortes partidos políticos do Brasil, a falta de rumo da legenda e a guinada, cada vez mais à direita, do parlamentar candango. Izalci, como líder de partido, ocupa um raro gabinete no Salão Azul do Senado, e tem direito a uma vintena de assessores muito bem pagos. O local fica entre a presidência da Casa e o plenário e é destinado a legendas com muitos parlamentares eleitos, mas no PSDB de hoje, além de Izalci, só há mais um senador no ninho tucano, Plínio Valério, do Amazonas.

Não fosse o histórico, hoje o PSDB poderia ser rotulado de partido nanico. Na Câmara dos Deputados, os tucanos possuem quatorze parlamentares. Para ganhar um pouco de espaço nas comissões tiveram que compor um bloco bastante heterodoxo. Estão unidos com PDT, Avante, PP, Patriota e PSB. Dezesseis parlamentares federais é muito pouco num Congresso de 594 cadeiras, ainda mais para um partido que dirigiu o Brasil durante oito anos e, em 2010, elegeu oito governadores, dentre eles São Paulo e Minas Gerais. Em outubro passado, nenhum candidato tucano ao Senado foi vitorioso.

Leia a íntegra

STF reafirma que danos ao meio ambiente são imprescritíveis

Terça, 26 de setembro de 2023

Segundo a decisão, com repercussão geral, danos ambientais não podem ser considerados meros ilícitos civis, pois afetam toda a coletividade.

Do STF
Por unanimidade, o Supremo Tribunal Federal (STF) reafirmou seu entendimento de que a pretensão da União de ressarcimento pela exploração irregular do seu patrimônio mineral não está sujeita à prescrição. A controvérsia foi analisada no Recurso Extraordinário (RE) 1427694, com repercussão geral (Tema 1.268).

Lavra ilegal de areia

No caso dos autos, o Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4) havia mantido determinação da Justiça Federal em Santa Catarina de que duas empresas recuperassem áreas degradas em decorrência da lavra ilegal de areia nas margens do rio Itajaí-açu. Contudo, os pedidos da União de ressarcimento pela lavra ilegal de minério e de indenização por dano moral coletivo foram negados, com o entendimento de que os fatos haviam ocorrido havia mais de cinco anos e, portanto, a pretensão estaria prescrita.

Conduta criminosa

No recurso, a União argumenta que a extração mineral clandestina é uma conduta criminosa grave, já que se trata de apropriação de patrimônio não renovável e finito. Também sustentava que a exploração ilegal não pode ter o mesmo prazo prescricional de delitos comuns, pois há o risco de que o bem se torne escasso ou inexistente para gerações futuras.

Coletividade

Em manifestação no Plenário Virtual, a ministra Rosa Weber (presidente) observou que, de acordo com a jurisprudência do STF, a pretensão de reparação civil por dano ambiental é imprescritível.

Ela lembrou que, no julgamento do RE 654833 (Tema 999), foi fixado o entendimento de que o dano ambiental não é um mero ilícito civil, por afetar toda a coletividade, e os interesses envolvidos ultrapassam gerações e fronteiras. “O direito ao meio ambiente está no centro da agenda e das preocupações internacionais inauguradas formalmente com a Declaração de Estocolmo e, como tais, não merecem sofrer limites temporais à sua proteção”, afirmou.

Por unanimidade, o colegiado deu provimento ao recurso e determinou sua devolução à primeira instância, para que prossiga o julgamento da causa.

Tese

A tese de repercussão geral fixada foi a seguinte: “É imprescritível a pretensão de ressarcimento ao erário decorrente da exploração irregular do patrimônio mineral da União, porquanto indissociável do dano ambiental causado.”

Foto: Agência Brasil

ATAQUE TERRORISTA —Cuba denuncia ataque terrorista à embaixada nos EUA

Terça, 26 de setembro de 2023

Embaixada de Cuba em Washington - Prensa Latina

Ataque acontece no retorno do presidente cubano dos EUA após participar da Assembleia da ONU

Gabriel Vera Lopes
Habana (Cuba) | 25 de Setembro de 2023

Neste domingo (24), o governo cubano denunciou um ataque terrorista contra a embaixada de Cuba em Washington. Dois coquetéis molotov foram lançados contra o prédio por um indivíduo cuja identidade ainda não foi revelada. Não foram registrados ferimentos em funcionários.

"Nesta noite (24), a Embaixada de Cuba nos EUA foi alvo de um ataque terrorista por um indivíduo que atirou dois coquetéis molotov. Não houve danos ao pessoal. Os detalhes estão sendo esclarecidos", escreveu o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, nas redes sociais.

Além disso, o ministro das Relações Exteriores denunciou que "grupos anti-cubanos recorrem ao terrorismo quando se sentem impunes". Ele afirmou que as autoridades americanas foram avisadas "repetidamente" de que esse tipo de ataque poderia ocorrer.

Apesar disso, de acordo com as informações obtidas pelo Brasil de Fato através de fontes envolvidas nas atividades em Nova York, as autoridades norte-americanas não reforçaram as medidas de segurança na embaixada cubana.

segunda-feira, 25 de setembro de 2023

Morador de condomínio que cuspiu em síndico deve pagar indenização

Segundo, 25 de setembro de 2023

                                                Imagem ilustrativa

Do TJDF
A 3ª Turma Recursal dos Juizados Especiais do Distrito Federal condenou um condômino ao pagamento de indenização a síndico por cuspir em seu rosto e peito. A decisão fixou o valor de R$ 3.500,00, por danos morais.

O autor conta que é morador e síndico do condomínio, onde o réu também reside, e que, no dia 21 de agosto de 2022, faltou água no prédio. Relata que ao ir averiguar o que teria ocorrido foi interceptado pelo morador, que o questionou sobre o porquê da falta de água de forma agressiva e com xingamentos. Alega que tentou evitar as agressões verbais, momento em que o réu cuspiu em seu rosto e peito. Por fim, informa que já houve outras situações de desentendimentos entre as partes, inclusive que já havia registro de pedido de socorro em ata do condomínio.

Governo vai investir R$ 2 bilhões para segurança na Amazônia Legal. Proposta prevê 34 bases de apoio da Força Nacional

Segunda, 25 de setembro de 2023
© Marcello Casal Jr/Arquivo/Agência Brasil

Por Luciano Nascimento - Repórter da Agência Brasil - Brasília
Publicado em 25/09/2023

O secretário-executivo do Ministério da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Capelli, afirmou hoje (25) que o governo vai investir cerca de R$ 2 bilhões em um plano de segurança para Amazônia Legal. A proposta prevê a criação de 34 novas bases de segurança, implantação de um centro de comando da Força Nacional de Segurança e um centro de cooperação internacional para troca de informações e ações com os países vizinhos.

"Estamos construindo aqui no Brasil um plano ousado com investimentos de cerca de R$ 2 bilhões para a Amazônia brasileira – chamado Amazônia mais Segura e Soberana, com a implantação de 34 bases de segurança, das quais 28 terrestres e seis fluviais”, disse Capelli durante a abertura da 13ª Semana de Segurança Cidadã e Justiça.

Capelli representou o ministro da Justiça e Segurança Pública, Flávio Dino, no evento, realizado em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e o Governo da Bahia. O objetivo é comemorar a semana que termina no dia 29, com o compartilhamento de experiências de boas práticas e projetos na área de segurança pública da América Latina e do Caribe.

“Temos os desafios de fazer as políticas dos estados atuarem de forma articulada para enfrentar o crime que está cada vez mais organizado”, disse. “O crime organizado não reconhece fronteiras geopolíticas. A gente enfrenta o crime na Amazônia brasileira e ele espirra para o país ao lado.

Campo: década ruim para os criadores do DF

Segunda, 25 de setembro de 2023

Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna

Leite, ovos, pescados, rebanhos…, a década de 2011 a 2022 não foi boa para os produtores rurais do DF. Apicultura destoa e produtores de mel festejam o crescimento de 129% da produção local.

Por Chico Sant’Anna

A produção de proteína animal no Distrito Federal sofreu forte queda na década compreendida entre 2011 e 2022. A queda na produção local pode ter contribuído para que o brasiliense gastasse mais reais para comprar o que comer e também na geração de empregos rurais.

Segundo dados da pesquisa Pecuária Municipal 2022, recém divulga pelo IBGE, leite, ovos e mel renderam no ano passado aos produtores de Brasília R$ 298,1 milhões, mas os números poderiam ser melhores, se não tivesse ocorrido uma queda no desempenho rural candango. Em alguns casos, como a produção de ovos (18,5 milhões de dúzias), as quedas se deram num período mais recente, invertendo uma curva de crescimento. Em 2022, as granjas, que colocam Brasília na 49°posição dentre todas as cidades do Brasil, produziram 46,7% menos do que no ano anterior. Foram 16.310 dúzias a menos, fazendo com que a produção voltasse aos patamares de 2011.

Leia a íntegra

Justiça condena Cargill por trabalho escravo e infantil de fornecedores de cacau

Segunda, 25 de setembro de 2023
Por Daniel Haidar | 25/09/23

Ministério Público do Trabalho defendeu responsabilidade de multinacional por “fingir que não está vendo” o uso de mão de obra infantil e análoga à de escravo em fornecedores de cacau; empresa pode recorrer

O MPT cobra a responsabilização de toda a cadeia produtiva do cacau, incluindo as indústrias que compram insumos de produtores rurais autuados por irregularidades (Foto: Sidney Oliveira/Agência Pará)

A multinacional Cargill foi condenada pela Justiça do Trabalho, em primeira instância, por práticas de trabalho escravo e infantil em plantações de cacau de seus fornecedores no Brasil. A empresa ainda pode recorrer da decisão.

A condenação é resultado de uma Ação Civil Pública (ACP) movida pelo Ministério Público do Trabalho (MPT). O órgão cobra a responsabilização de toda a cadeia produtiva do cacau, incluindo as indústrias que compram insumos de produtores rurais autuados por irregularidades.

Em sentença proferida no dia 18 de setembro, a 39ª Vara do Trabalho de Salvador determinou que a empresa pague uma indenização de R$ 600 mil por danos morais coletivos, a serem aplicados em projetos de proteção a crianças. Inicialmente, o MPT havia solicitado uma indenização de R$ 119 milhões.

Fundada nos Estados Unidos, a Cargill é responsável pelo processamento de grande parte do cacau produzido no país. Em nota enviada à Repórter Brasil, a empresa afirma que “não tolera tráfico humano, trabalho forçado ou infantil em suas operações ou cadeia de suprimentos”. A multinacional alega ainda que aplica “medidas imediatas” para suspender fornecedores flagrados em violações. Leia aqui a íntegra da nota enviada pela Cargill.

Ação do MPT se baseou em tratados internacionais

De acordo com os procuradores, a Cargill se omitiu “do dever legal de coibir e prevenir” que seus fornecedores utilizem mão de obra infantil ou que submetam trabalhadores a condições típicas da escravidão. O MPT ingressou com a ação após compilar diversos flagrantes dessas violações em fornecedores da multinacional.