Segunda, 20 de maio de 2013
Helio Fernandes
Tribuna da Imprensa
Excluindo as privatizações envolvendo Petrobras e Vale, jamais houve
nada parecido em exibição de lobismo, do que a tramitação da MP dos
Portos. Foi lobismo explícito, aberto, escancarado, e num volume
espantoso, movimentando bilhões e bilhões.
E tudo sem constrangimento, sem pudor, sem o mínimo de vergonha.
Renan Calheiros violou e violentou tudo que era possível, e além do
mais, sabia o que estava fazendo. A quem prejudicava (o País), a quem
favorecia (negocistas mais do que notórios), citados nominalmente.
Tripudiou sobre os derrotados, dizia: “Eu não tenho opinião, faço o
que o plenário determina”. Estava farto de saber que 63 senadores
estavam com o governo, apenas 9 do outro lado. Frase curta dele, depois
de receber telefonema de agradecimento de Dona Dilma: “A sociedade
queria essa MP, não podíamos negar”.
Renan era vigiado pelos senadores Eunicio de Oliveira e Romero Jucá, o
Planalto não tinha tanta confiança nele, apesar do alto custo que
sempre cobra. Henrique Eduardo Alves não ganhou telefonema.
NUNCA O INTERESSE PÚBLICO
PERDEU TANTO, TÃO INTENSAMENTE
Além do cálculo de 800 bilhões, que serão movimentados pelos
negocistas dos portos, essa importância só vale para agora. O setor
privado vai montar um supermonopólio, tão escandaloso que não sobrará
mais nada para portos estatais. Isso estava evidente a todo momento, os
próprios defensores da negociata não escondiam: “O volume de negócios
será fantástico, mas isso é do jogo”. E se abraçavam, satisfeitos.
