“ Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sexta-feira, 1 de abril de 2022

Maranhão: "PPI é fundamental para a entrega das refinarias"

Sexta, 1º de abril de 2022


Publicado pela AEPET
em 31/03/2022

De brasileira a ABICOM não tem nada

"O governo insiste na PPI, reconhecidamente nociva ao país, porque essa política é fundamental para vender as refinarias". A afirmação é do diretor Jurídico da AEPET, Ricardo Maranhão, em palestra no seminário "Petrobrás não é problema. Petrobrás é solução", promovido pelo PDT na manhã desta quarta-feira (30) no Rio. Ao criticar a política de paridade de preços de importação (PPI), Maranhão ponderou que a PPI foi implantada em 2016, mesmo ano da criação da Associação Brasileira de Importadores de Combustíveis (ABICOM).

"No Brasil, temos cerca de 200 empresas autorizadas a importar combustíveis, mas a ABICOM reúne apenas as nove maiores", disse, ponderando que o parque de refino brasileiro está entre os dez maiores do mundo, despertando a cobiça de especuladores", disse, acrescentando que não apenas a PPI, mas decisões tomadas em governos anteriores, como a venda de ações na bolsa de Nova Iorque têm forçado a Petrobrás a tomar decisões antagônicas aos compromissos da Petrobrás com o Brasil".

Ainda sobre a PPI, o diretor Jurídico da AEPET ponderou que, ao ser influenciada pelo câmbio e preços internacionais, faz com que o governo tenha pouco poder sobre os preços dos combustíveis.

Se a lei é contra o Brasil, precisa mudar

Por sua vez, o economista Claudio Oliveira, também diretor da AEPET, destacou três problemas ligados aos preços dos combustíveis no Brasil: a PPI; os carteis existentes na revenda e, após a entrega da BR Distribuidora, também na distribuição; a carga tributária elevada e subsídios. Para Oliveira, os subsídios e isenções aprovados a partir de legislação entreguista deveriam ser revogados.

"Búzios, o maior campo do mundo, por exemplo, não paga participação especial, enquanto o petróleo exportado cru não paga nenhum imposto ou taxa". Segundo os cálculos do economista, tais regras fazem a Petrobrás perder cerca de US$ 20 bilhões por ano, valor que poderia ser usado para reduzir a carga tributária, que é repassada ao consumidor.

"Se a lei está contra o Brasil, deve ser mudada", resumiu.

Nenhum país produtor adota PPI

Já a diretora do Sindipetro-RJ, Natália Russo, destacou que apenas países importadores adotam políticas de preços com base nas cotações internacionais. Natália mostrou ainda que culpar a carga tributária não passa de uma falácia, já que no Brasil a taxação sobre o diesel é de 22,8%, enquanto a média da OCDE é de 46%.

"Também não é verdade que os preços estejam altos por causa dos custos de produção ou refino. Só em 2021, houve queda de cerca de 30% dos custos no refino, enquanto a produção no pré-sal tem queda constante nos custos há anos. A culpa dos altos preços dos combustíveis é da PPI", finalizou.

Rogerio Lessa

segunda-feira, 29 de novembro de 2021

Petrobrás desvia US$ 50 bilhões do povo brasileiro para seus acionistas, e ninguém reclama?

Segunda, 29 de novembro de 2021


Escrito por Cláudio da Costa Oliveira
29 Novembro

A impressão é que vai tudo muito bem no Brasil. Não temos desemprego, não existe fome, a renda é muito bem distribuída. Educação, saúde, segurança, uma maravilha.

É o que podemos entender quando vemos uma estatal como a Petrobrás, mudar seus planos, passado apenas um ano, dobrando a previsão de distribuição de dividendos em seu planejamento quinquenal, de US$ 35 bilhões para US$ 70 bilhões, sem qualquer comentário da imprensa, de parlamentares ou de organizações que defendem a economia popular.

A seguir o quadro de Usos e Fontes do Plano Estratégico 2021/2025 elaborado no final de 2020 :

Usos e Fontes 2021/2025

Fonte : Plano Petrobrás

Vejam que a empresa previa uma Geração Operacional de Caixa no valor de US$ 125 bilhões para o período 2021/2025 e o pagamento de US$ 35 bilhões em dividendos.

A seguir o quadro de Usos e Fontes do Plano Estratégico 2022/2026 elaborado agora em 2021

Usos e Fontes 2022/2026

Fonte: Plano Petrobrás

Vejam que agora o empresa prevê Geração Operacional de Caixa de US$ 160 bilhões (US$ 35 bilhões superior ao plano anterior). Este aumento foi causado pelas premissas utilizadas na projeção do preço do petróleo e do cambio, como vemos no gráfico a seguir :

Fonte : Plano Petrobrás

Nota-se também que o incremento na Geração Operacional de Caixa, entre um plano e outro, foi totalmente utilizado para aumentar o pagamento de dividendos, que subiram de US$ 35 para US$ 70 bilhões.

CESSÃO ONEROSA
Em 2010, com o objetivo de capitalizar a Petrobrás para os investimentos no pré-sal, foi feita a chamada “cessão onerosa”, quando o governo brasileiro transferiu para a companhia 5 bilhões de barris da área do pré-sal.

Neste mesmo processo e com o mesmo objetivo, foi dada isenção da Participação Especial (governamental) para a companhia na exploração dos campos do pré-sal. Na época acreditava-se que os poços do pré-sal produziriam entre 10 a 15 mil barris dia. Hoje estes poços estão produzindo mais de 50 mil barris dia.

Atualmente ao invés de utilizar estes recursos para aumentar os investimentos no pré-sal, a Petrobrás desvia para seus acionistas. 

Hoje a empresa investe menos do que investia em 2005, antes da descoberta do pré-sal. Isto é feito para sobrar mais recursos (o chamado “caixa livre”) para pagar dividendos.

Dentro do Plano Estratégico 2022/2026, estimamos que, somente para o campo de Búzios, a renúncia fiscal represente mais de US$ 50 bilhões. É um absurdo que tem de ser corrigido imediatamente.

CPI NA PETROBRÁS 
Diante deste e de outros fatos, fica clara a necessidade da instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito – CPI na Petrobrás, conforme solicitado em manifesto por importantes entidades como Aepet, ABI, Clube de Engenharia, Conselho Federal de Economia – Confecon e Federação Brasileira de Geólogos – Febrageo https://aepet.org.br/w3/index.php/conteudo-geral/item/6927-manifesto-da-aepet-e-entidades-exige-fim-do-ppi-com-cpi-na-petrobras

Cláudio da Costa Oliveira
Vice-diretor cultural da Aepet —Associação dos Engenheiros da Petrobrás

quarta-feira, 14 de outubro de 2020

Na Petrobrás, as diretorias mudam mas a crença de que somos idiotas fica

Quarta, 14 de outubro de 2020

Por

Cláudio da Costa Oliveira*

Em setembro de 2017 escrevi artigo com o título “Para a atual diretoria da Petrobrás somos todos idiotas”

https://www.aepet.org.br/w3/index.php/conteudo-geral/item/776-para-a-atual-diretoria-da-petrobras-somos-todos-idiotas 

Fiz isto em resposta a uma carta enviada na época aos funcionários repleta de afirmativas de autopromoção. Mentiras com as quais tentavam convencer os menos preparados. Chamavam estas cartas (foram diversas), que não permitiam perguntas e muito menos comentários, de “diálogo”.

Pois bem, hoje, avisado por um amigo, deparei no site da empresa com uma tentativa de explicar o inexplicável com o título   “Conheça nossos novos caminhos”

https://novoscaminhos.petrobras.com.br/  

Iniciam o documento esclarecendo “estamos concentrando esforços no que vai trazer os resultados que queremos”

Sem dúvida, inclusive o atual presidente Castello Branco sempre foi muito claro daquilo que queria. Logo que tomou posse afirmou “Meu sonho é vender a Petrobrás”. De lá para cá não fez outra coisa senão afirmar que a empresa está focada em “gerar valor para os acionistas” Só não explica bem para quais acionistas ele está se referindo.

Hoje, do capital total da companhia só 36% está nas mãos do governo brasileiro (representante do povo), os outros 64% está nas bolsas de valores (cassinos de aposta) a maioria na posse de estrangeiros.

Bolsas de valores (cassinos) não tem compromisso com o desenvolvimento e o crescimento das empresas. A partir do momento em que o papel está cotado na bolsa o único interesse deles é com o pagamento de dividendos. A empresa pode estar se esvaindo, mas desde que esteja pagando bons dividendos, seu valor na bolsa continuará alto.

O pior é que as bolsas são controladas por grandes fundos de investimentos (BlackRock, Vanguard, J.P.Morgan etc), que formam a Banca financeira internacional. Como sabemos, nos cassinos a “banca” sempre ganha.

Toda empresa tem seu produto principal. O mais rentável. Mas não é por isto que  abandona outras linhas menos rentáveis, mas mesmo assim rentáveis. O que importa é o conjunto.

Vender ativos altamente rentáveis e estratégicos como NTS, TAG e BR Distribuidora bem como as refinarias não tem justificativa. Alegar necessidade de redução de endividamento é uma tese sem suporte, pois o retorno médio que estes ativos geram para a empresa é superior ao custo dos empréstimos.

Estamos assistindo a sangria da companhia para beneficiar o mercado de capitais. Isto já estava claro no Plano de Negócios e Gestão - PNG 2020/2024 e vai ficar mais claro ainda quando da apresentação do PNG 2021/2025 previsto para o final de novembro em Nova Iorque.

No novo PNG uma das principais premissas, o preço do Brent, será reduzido de  US$ 45-50 do plano anterior (2020/2024) para algo em torno de US$ 35. Com isto, a principal fonte de recursos do plano, a geração operacional de caixa, será reduzida. Para compensar a empresa pretende aumentar a venda de ativos e reduzir os investimentos, com o objetivo óbvio de manter ou aumentar o pagamento de dividendos.

Para saber disto não é necessário ser mãe Dináh nem ler bola de cristal, basta acompanhar as declarações da própria empresa.

O documento (no site da Petrobrás) destaca “Transparência é muito importante para nós”. Se for verdade fica a nossa sugestão para que abram um campo para que possamos colocar comentários e fazer perguntas.

Se não conhecêssemos os objetivos da atual administração da companhia poderíamos lembrar-nos da máxima antiga “Nunca coloquem todos os ovos na mesma cesta”  


*Cláudio da Costa Oliveira, Economista da Petrobrás aposentado.

Outubro de 2020  

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*Fonte: AEPET 

Associação do Engenheiros da Petrobrás

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

O FEITIÇO VIRA CONTRA O FEITICEIRO. SAI O RESULTADO 2019 DA PETROBRÁS

Quinta, 20 de fevereiro de 2020
Por
Cláudio da Costa Oliveira*

A Administração da Petrobrás publicou nesta quarta-feira (19) informações sobre o resultado da empresa em 2019. Falta ainda a publicação de alguns dados relevantes, como as demonstrações em dólares.

O Presidente Castello Branco divulgou a mensagem com o título “O PRIMEIRO ANO DA IMPLEMENTAÇÃO DE UMA NOVA ESTRATÉGIA”.

“UMA NOVA ESTRATÉGIA”??? Desculpe-me Sr. Presidente, mas o Sr. está querendo se apropriar de conquistas dos seus antecessores.

Na verdade a atual estratégia teve início em 2016, cujas bases, “brilhantemente” implantadas por Pedro Parente, estão em vigor até hoje, quais sejam:

- A “jabuticaba” da métrica “dívida líquida/ebida ajustado”, fajuta e extemporânea como mostramos no artigo:

- A “jabuticaba” da política de preços baseada no Preço de Paridade de Importação – PPI. Um crime que vem sendo praticado contra a população brasileira, a própria Petrobrás e à economia da Nação, como mostramos no seguinte artigo, que incorpora a compreensão dos caminhoneiros brasileiros em carta encaminhada ao Presidente Bolsonaro; 

Após discorrer longamente sobre o desempenho dos papéis da companhia na Bolsa de Valores, que é um cassino de apostas e nada tem a ver com a realidade da empresa. E onde a palavra chave é “dividendo” esteja a empresa bem ou mal. O Presidente Castello Branco passou para a apresentação do “me engana que eu gosto” com frase esclarecedora de suas intenções “Nossas atividades geraram em 2019 um lucro líquido de R$ 40 bilhões, o maior da história da Petrobras”.

Será que ele não sabe? Será que ele esqueceu? O resultado de R$ 40 bilhões foi obtido com R$ 24 bilhões de lucro com venda de ativos, principalmente com a TAG, e R$ 14 bilhões com a venda do controle da BR Distribuidora. Ou seja, dos R$ 40 bilhões, R$ 38 bilhões nada tem a ver com o desempenho da companhia.

Mesmo assim, no período, foram distribuídos mais de R$ 10 bilhões aos acionistas, mostrando ao mercado o empenho do Presidente que, na falta de lucro, vende ativos para pagar dividendos. Maravilha!.

Mas o Presidente tem também os seus méritos, em apenas um ano de administração quebrou recordes históricos, vejam:

LIQUIDEZ CORRENTE
Este tradicional indicador da capacidade da empresa cumprir com seus compromissos de curto prazo é apurado pela divisão do Ativo Corrente pelo Passivo Corrente. Quanto maior o indicador, mais confortável a situação financeira da empresa. A seguir os dados históricos:

Liquidez Corrente Petrobrás

2010 2011 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 2019
1,9 1,8 1,7 1,5 1,6 1,5 1,8 1,9 1,5 0.95

Parabéns Presidente Castello Branco, o recorde de menor liquidez corrente da história da companhia é seu!

ESCONDENDO FATOS HISTÓRICOS

O Presidente Castello Branco é um mestre em esconder dados positivos da companhia. Assim não existe qualquer comemoração nem mesmo divulgação quando entram em produção novas plataformas, pois são efeitos da descoberta do pré-sal, que os administradores atuais não tiveram qualquer participação, e dos investimentos feitos no período 2009 a 2014, quando foram investidos mais de US$ 250 bilhões.

E o Presidente Castello Branco vai além. Qualquer empresa petroleira no mundo que ganhasse o prêmio da OTC, principal prêmio da indústria de petróleo e gás, procuraria divulgar o fato o mais rapidamente possível e na maior intensidade.
  
A Petrobrás, pela quarta vez, ganhou o prêmio, que foi anunciado no final de semana (8/9 de fevereiro de 2020). No dia 11 publiquei artigo com a pergunta: “Será que vão vender o prêmio também?” 

Recebi muitas ligações de petroleiros, inclusive lotados no CENPES, perguntando onde eu havia obtido a informação, pois ninguém havia sido informado do fato.

Só no dia 12 a direção da companhia divulgou (fatos e dados) o recebimento do prêmio. Sem qualquer comemoração.

Seria porque toda a tecnologia foi desenvolvida antes de 2016, sem qualquer participação dos atuais administradores que hoje estão mais preocupados em destruir tudo, inclusive o próprio CENPES?

Muitos amigos me perguntam se o problema da Petrobrás hoje é que a empresa está sendo administrada como uma empresa privada.

Não é verdade, pois a empresa privada não cria política de preços para entregar seu mercado aos concorrentes, assim como não vende ativos que rendem mais de 20% ao ano para amortizar divida que custa menos de 7% ao ano.

Por outro lado, numa empresa privada, se o Presidente, no dia da posse, falasse que seu sonho é vender a empresa, seria demitido na mesma hora.

Outros me perguntam se o problema é que esta Direção só está preocupada com a remuneração dos acionistas.

Também não verdade. Se fosse assim estariam investindo para aumentar a capacidade de produção da companhia para 10 milhões de barris dia em 2030.

Mas então qual é o objetivo da atual administração? Simplesmente dilapidar a companhia e isto eles vem fazendo bem.

Cláudio da Costa Oliveira
Economista aposentado da Petrobrás