Com o objetivo de investigar organização criminosa acusada de
peculato, lavagem de dinheiro e desvios de verbas públicas, a Polícia
Federal (PF) em Roraima, em conjunto com a Receita Federal, deflagrou a
Operação Anel de Giges, na manhã de hoje (28). Estão sendo cumpridos 17
mandados judiciais, sendo nove de busca e apreensão e oito de condução
coercitiva (quando a pessoa é levada para a delegacia a fim de prestar
depoimento e, em seguida, liberada).
Em lados opostos dentro do PMDB, os senadores Roberto Requião (PR) e Romero Jucá (RR) trocaram acusações neste fim de semana, diante das especulações de que Jucá, que é líder do governo no Senado e presidente do partido, estaria tramando a expulsão de Requião, que faz oposição pública ao governo e a Michel Temer.
Requião gravou um vídeo afirmando que Jucá estaria buscando um laranja para assinar uma ação no PMDB para promover sua expulsão e emendou: "Romero Jucá, se eu solto meus cachorros atrás de você, vai ser bem mais sério que uma busca da Polícia Federal ou da Lava Jato”, disse o parlamentar, fazendo referência a denúncias da Lava Jato contra Jucá.
Governista e oposicionista, senadores do PMDB trocaram acusações após especulação sobre expulsão
O líder do governo gravou, então, uma resposta, garantindo que não deve nada à Polícia Federal nem à operação que apura crimes de corrupção, organização criminosa e lavagem de dinheiro na relação entre a Petrobras, empresários de empreiteiras e políticos. "Pelo visto o senador Requião deve estar andando com muitos vira-latas e deve ser igual a eles. Não tenho medo de cara feia, nem de bravata (...) O senhor disse que pode soltar seus cachorros em cima de mim, solte, não tenho medo. Não devo nada nem a Policia Federal, nem a Lava Jato".
Em crítica aos líderes do partido, Requião arrematou: "Não roubar, não deixar roubar, denunciar e punir quem rouba. É isso Romero Jucá, é isso a nossa posição. Por isso cogitam a minha expulsão? Vão manter só o pessoal com a tornozeleira no pé?”, declarou.
Jucá afirmou, então, que, como presidente do PMDB, levará "essa história e a situação do Paraná para a reunião da executiva (do partido) e acrescentou que as colocações do senador Requião "são lamentáveis e atrasadas, visando uma política antiga, bolivariana e petista”.
Ex-presidente da Transpetro cita Romero Jucá, Renan Calheiros e José Sarney
O ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal (STF), homologou na noite desta terça-feira (24) a delação premiada
do ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado, responsável pela queda
do senador Romero Jucá do Ministério do Planejamento nesta segunda-feira
(23), após divulgação de conversa na qual Jucá planeja interromper as
investigações da operação Lava Jato.
A partir de agora, a delação
de Machado passa a ter valor jurídico e pode provocar desdobramentos que
resultem em novos inquéritos abertos pela Procuradoria-geral da
República com a autorização do STF.
A
delação de Machado passa a ter valor jurídico e pode provocar
desdobramentos que resultem em novos inquéritos abertos pela
Procuradoria-geral da República com a autorização do STF.
Na
cúpula do PMDB, o receio é que se confirmem as informações que vêm
circulando no Palácio do Planalto e no Congresso Nacional: a de que
Machado gravou José Sarney e o presidente do Senado, Renan Calheiros, em
tentativas de se estancar a Lava Jato. Quem teve acesso
aos áudios, gravados pelo ex-presidente da Transpetro em conversas
separadas com os peemedebistas, afirma que o caso Jucá "não é nada"
comparado ao que Renan e Sarney disseram.
As gravações foram feitas no âmbito da delação premiada que Sérgio Machado fechou com a Procuradoria, negociada
desde março, quando a conversa com Jucá foi gravada. O acordo com a PGR
foi selado na semana passada. Nas gravações, Machado compromete, ainda,
os senadores Jader Barbalho e Edison Lobão.
Em
depoimento à Polícia Federal, o empresário Geraldo Magela Fernandes da
Rocha, 65, afirmou que aceitou ser laranja do ministro do Planejamento,
Romero Jucá, em uma empresa que geria a TV Caburaí, de Boa Vista,
Roraima. O depoimento faz parte de um inquérito contra o ministro, que
tramita no Supremo Tribunal Federal. Segundo a petição de agosto de
2014, de autoria do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, o uso
de laranja para gerir uma empresa, se confirmado, pode configurar “crime
de falsidade ideológica, por ser Romero Jucá o verdadeiro proprietário
gestor da TV Caburaí”. As informações são do jornal Folha de S.Paulo. Continue lendo
O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao Supremo
Tribunal Federal (STF) a inclusão do presidente do Senado, Renan
Calheiros (PMDB-AL), do ministro do Planejamento, Romero Jucá, e dos
senadores Valdir Raupp (PMDB-RO) e Jader Barbalho (PMDB-PA) em um
inquérito já aberto na Corte que investiga o suposto pagamento de
propina na construção da usina Belo Monte. O ex-ministro de Minas e
Energia, Edison Lobão (PMDB-MA) já é investigado.
O pedido de
extensão da investigação foi baseado na delação premiada do ex-senador
Delcídio do Amaral. O inquérito tramita em segredo de Justiça no STF e
tem como relator o ministro Edson Fachin.
Segundo Janot, Delcídio
do Amaral disse na delação que houve pagamento de “ao menos R$ 30
milhões, a título de propina pela construção de Belo Monte, pagos ao PT e
ao PMDB” e que o dinheiro pago ao PT foi destinado à campanha da
presidenta afastada Dilma Roussef. Já o valor pago ao PMDB foi destinado
ao “grupo de José Sarney”, do qual fazem parte Lobão, Renan, Jucá,
Raupp e Barbalho. Ainda segundo Delcídio, o pagamento da propina era
feito pelas empresas participantes do consórcio da usina.
Para o procurador, os políticos tinham consciência de que os valores vinham de vantagens indevidas.
O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal
(STF), autorizou a quebra dos dados bancários e fiscais do ministro do
Planejamento, Romero Jucá (PMDB), em um inquérito que investiga fraude
no repasse de emendas parlamentares. Ao todo, Jucá é alvo de seis
inquéritos no STF. Em nota, a assessoria do ministro do Planejamento
informou que Jucá já colocou à disposição todas as informações relativas
ao processo.
Na tarde do dia 17 de maio, uma quinta-feira de trabalho no Congresso, o
senador Romero Jucá, do PMDB de Roraima, subiu à tribuna para, como de
hábito, defender os mais caros interesses do país. Desta vez, exortaria
os parlamentares a legalizar a mineração em terras indígenas, prevista
num projeto de lei patrocinado por ele. Jucá se ajeitou na tribuna,
empertigando-se diante do microfone, e se pôs a falar: “Quero aqui
registrar a importância deste debate. Para o Brasil, é muito importante (a aprovação da lei)”.
Passou, então, a explicar os benefícios da proposta: “Haverá pagamento
de royalties ao Poder Público e também à população indígena. Ganhará o
direito à mineração aquele que pagar mais à comunidade indígena. Haverá
uma licitação. Haverá todo o cuidado ambiental, todo o cuidado
antropológico da Funai”. Jucá – talvez convencido de que comovera os
colegas por ter, pela primeira vez na carreira, empregado no mesmo
discurso os termos “licitação”, “cuidado ambiental” e “cuidado
antropológico” – encerrou com um apelo para que o projeto seja aprovado
logo, ainda neste ano. Por que Jucá tem pressa?
Em 2 de abril – portanto, um mês antes do discurso de Jucá –, a empresa
Boa Vista Mineração pedira autorização ao governo para explorar ouro em
nove terras que contêm áreas indígenas. O pedido fora feito ao
Departamento Nacional de Produção Mineral, o DNPM, instância burocrática
que cuida do assunto. A quem pertence a Boa Vista Mineração, uma
empresa com capital de R$ 2 milhões? A sócia majoritária chama-se Marina
Jucá, de 29 anos, filha do senador Romero Jucá. Outros dois sócios dela
no negócio também são ligados ao senador. O tino empresarial de Marina
Jucá é recente. Não faz muito tempo, era empregada no gabinete do pai e
fazia faculdade em Brasília.
Supremo manda prosseguir inquérito que envolve Romero Jucá
Débora Zampier - Repórter
O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu hoje (15) que irá
dar prosseguimento ao inquérito que tramita na Corte contra o líder do
governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR). Ele e o prefeito de Cantá
(RR), Paulo Peixoto, são acusados de participar de um esquema de desvio
de verbas federais em obras municipais.
O julgamento do inquérito começou em agosto de 2005 e foi interrompido
por vários pedidos de vista. A primeira questão de ordem foi se o STF
era ou não competente para analisar o caso. Para os ministros Gilmar
Mendes, Luiz Fux, Antonio Dias Toffoli e Celso de Mello, o STF não
deveria ser responsável pelo inquérito porque não há indícios de que
Jucá esteja envolvido. Neste caso, o processo iria para a primeira
instância, porque o segundo acusado não tem foro privilegiado. No
entanto, a maioria dos ministros entendeu que o STF deve continuar
apurando os fatos.
A segunda preliminar questionava se o processo deveria ser trancado
devido à natureza duvidosa das provas colhidas. De acordo com o relator,
Marco Aurélio Mello, não ficou provado se as provas obtidas no processo
são lícitas. O argumento também foi defendido por Gilmar Mendes. Mais
uma vez, a maioria entendeu que a ação não deveria continuar.
Irmão de Romero Jucá denuncia esquema de corrupção no Ministério da Agricultura
Em VEJA desta semana, Oscar Jucá Neto diz a
pasta de Wagner Rossi foi loteada por PMDB e PTB com o objetivo de
arrecadar dinheiro ilegal
A edição de VEJA que chega às bancas neste sábado levanta indícios de
que mais um esquema de desvio de recursos e dilapidação do patrimônio
público corroi o Planalto. Desta vez, os escândalos envolvem o
Ministério da Agricultura, tendo a Companhia Nacional de Abastecimento, a
Conab, como posto avançado, e o ministro Wagner Rossi, do PMDB, como
virtual comandante do esquema.
O esquema de corrupção foi denunciado por Oscar Jucá Neto, o Jucazinho,
irmão do senador Romero Jucá, líder do governo no Senado. Jucazinho foi
exonerado na semana passada do cargo de diretor financeiro da Conab. A
demissão aconteceu depois de VEJA revelar
que ele havia autorizado um pagamento de 8 milhões de reais a uma
empresa-fantasma que já foi ligada à sua família e que hoje tem como
“sócios” um pedreiro e um vendedor de carros - laranjas dos verdadeiros
donos, evidentemente.
Jucazinho decidiu contar o que sabe porque atribuiu sua saída a uma
armação de peemedebistas contra seu irmão - e também porque se sentiu
humilhado com a exoneração. O caso azedou as relações entre o senador
Jucá e o vice-presidente, Michel Temer, padrinho do ministro Wagner
Rossi. Os dois trocaram ameaças e xingamentos por telefone.
Em entrevista a VEJA, Jucazinho contou que existe um consórcio entre o
PMDB e o PTB para controlar a estrutura do Ministério da Agricultura com
o objetivo de arrecadar dinheiro. Suas informações incluem dois casos
concretos de negócios nebulosos envolvendo a Conab. Em um deles, a
estatal estaria protelando o repasse de 14,9 milhões de reais à gigante
do mercado agrícola Caramuru Alimentos. O pagamento foi determinado pela
Justiça e se refere a dívidas contratuais reclamadas há quase vinte
anos. O motivo da demora: representantes da Conab negociam um “acerto”
para aumentar o montante a ser pago para 20 milhões de reais. Desse
total, 5 milhões seriam repassados por fora a autoridades do ministério.
O segundo caso envolve a venda, em janeiro deste ano, de um terreno da
Conab numa das regiões mais valorizadas de Brasília, distante menos de 2
quilômetros do Congresso e do Palácio do Planalto. Apesar de ser uma
área cobiçada, uma pequena empresa da cidade apareceu no leilão e
adquiriu o imóvel pelo preço mínimo: 8 milhões de reais – um quarto do
valor estimado de mercado. O comprador, Hanna Massouh, é amigo e vizinho
do senador Gim Argello do PTB, mandachuva do partido e influente na
Conab.
Nas mais de seis horas de entrevista, que pode ser lida na edição de
VEJA desta semana, Oscar Jucá Neto não poupa seus antigos companheiros
de ministério. Diz que o ministro Wagner Rossi lhe ofereceu dinheiro
quando sua situação ficou insustentável. “Era para eu ficar quieto”,
afirma. “Ali só tem bandido.”
Um lobista conta a ÉPOCA que buscava dinheiro vivo com doleiros para
negócios suspeitos, que era usado para ocultar o nome de Jucá em
empresas e que uma empreiteira deu um imóvel ao senador
Diego Escosteguy e Murilo Ramos. Com Marcelo Rocha
Romero Jucá é um profissional. Em 30 anos consagrados integralmente ao
serviço público, as finanças de Jucá percorreram uma trajetória invejável. De
garoto que cresceu à míngua no Recife, Jucá tornou-se um político rico.
Amealhou, apenas em valores declarados à Justiça Eleitoral, R$ 4,4 milhões em
patrimônio – tudo registrado em nome de familiares, sem computar as empresas
que florescem em nome de seus parentes. Enquanto o patrimônio de Jucá e o de
sua família cresciam às franjas do poder público, crescia também o número de
processos contra ele. Jucá já foi acusado – e com abundantes provas – de quase
tudo. No governo Sarney, à frente da Funai, foi acusado de cobrar propina para
permitir exploração ilegal de madeira em terras indígenas. No governo Collor,
foi acusado de desviar à sua fundação dinheiro federal destinado a “ações
sociais”. Nos governos FHC e Lula, já como senador, foi acusado de comprar
votos, de dar calote em bancos públicos, de receber propina de empreiteiras, de
empregar parentes, de fazer caixa dois...
Com tantas acusações, Jucá começa a competir em feitos que atingem os cofres
públicos com nomes bem mais conhecidos no plantel nacional de réus por
corrupção, gente como Joaquim Roriz e Paulo Maluf. Nas últimas semanas, na
tentativa de iluminar as ações profissionais de Jucá, ÉPOCA entrevistou
lobistas, doleiros, ex-funcionários, empresários e laranjas ligados ao senador.
A reportagem obteve documentos e depoimentos inéditos sobre as negociatas de
Jucá – entre eles contratos de gaveta, procurações para laranjas e acordos
comerciais. Um dos principais lobistas associados a Jucá, Geraldo Magela
Fernandes, aceitou contar, em entrevista gravada, o que fez e presenciou em 30
anos de relação com Jucá