Sexta, 15 de maio de 2026
Pochmann: Brasil, trajetória de um desmonte
A partir dos anos 1990, a ideia de nação foi abandonada e corre o risco de se tornar rótulo vazio. Sem projeto, território abre-se a interesses empresariais, de fundamentalismo e de mídia. País só voltará a existir plenamente se pensar seu desenvolvimento além das eleições
OutrasPalavras Crise Brasileira
Por Marcio Pochmann
Foto: Zuleika de Souza/Divulgação
Título original: Do nacionalismo ao globalismo liberal: o Brasil como território em disputa
A passagem do Brasil nacional-desenvolvimentista para o globalismo liberal não foi apenas uma mudança de política econômica. Foi uma profunda transformação no próprio sentido de país.
Entre 1930 e o fim dos anos 1980, mesmo com contradições, autoritarismos e desigualdades, havia um projeto nacional. O sentido nacional era o de industrializar, urbanizar, integrar o território, ampliar o emprego formal e criar alguma expectativa de mobilidade social para o conjunto dos brasileiros.
A partir dos anos 1990, contudo, esse horizonte foi sendo desmontado. A abertura comercial desenfreada, a generalização das privatizações, a difusão da financeirização e a constante redução do papel estratégico do Estado substituíram a ideia de nação por uma lógica de mercado, concorrência individual e submissão às cadeias globais do capital.

