Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quarta-feira, 25 de março de 2020

Pai de Alexandre Guerra (Novo) o afasta do grupo Giraffas

Quarta, 25 de março de 
Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna


Como alguém que coloca de castigo o filho que fez coisa errada, Carlos Guerra, patriarca da família, fundador do Giraffas e o verdadeiro dono das empresas diz que segue as orientações das autoridades sanitárias, que não apoia o governo e que o filho não é mais o CEO do grupo econômico e que concordou em deixar de ser acionista dele.


Por Chico Sant’Anna
Foi um puxão de orelha, em público e pelas redes sociais. Daqueles bem dados. O portal Metropoles informa que o empresário Carlos Guerra, acionista maior do grupo Giraffas exonerou o filho, Alexandre Guerra das funções de Chief Executive Officer (CEO), diretor executivo em Português do grupo econômico Giraffas. O empresário disse ainda discordar das recentes declarações do filho – também em vídeo pelas redes sociais –  e que ambos concordaram “para evitar esse tipo de vínculo (politico com o grupo econômico, que), Alexandre deixe de ser acionista da empresa”.

sexta-feira, 20 de março de 2020

Será que agora sai? Projeto do VLT pronto para ser apresentado ao DF

Sexta, 20 de março de 2020
Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna

O itinerário é um pouco maior do que o previsto em 2009e contará com um maior número de estações. Projeto foi elaborado pelo consórcio formado pela Viação Piracicabana – empresa de ônibus em nome da filha de Nenê Constantino, dono da Gol e da Viação Pioneira – associada à empreiteira Serveng Civilsan – citada na Lava-Jato – e mais outras três empresas. O orçamento prevê gastos, a valores de junho de 2019, da ordem de R$ 2,4 bilhões.

Por Chico Sant’Anna
Esquentando os trilhos. Está saindo do papel. Se o Corona vírus não atrapalhar, dia 27 a secretaria de Mobilidade Urbana (Semob) apresenta em audiência pública o projeto de implantação do Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), no trecho que vai do Aeroporto ao final da Asa Norte, passando pela Avenida W.3 Sul e Norte. Esse é um projeto que vem sendo acalentado pelo brasiliense desde 2009, é tido como o instrumento fundamental de revitalização da W.3 e solução parcial de um dos graves problemas de mobilidade urbana por que passa Brasília.

Desde a gestão de José Roberto Arruda, o governo do Distrito Federal perdeu inúmeras oportunidades de contar com recursos federais para essa obra. Para a execução do trecho entre o Aeroporto e a Estação Sul do Metrô, bem como para a ampliação em 7 quilômetros da linha do metrô, fazendo-o chegar ao Setor O, da Ceilândia, a Expansão de Samambaia e ao início da Asa Norte, cerca de R$ 1,2 bilhão foram aportados pela União. As verbas chegaram a ser disponibilizadas no Programa de Aceleramento do Crescimento – PAC, no governo Lula, depois no PAC da Mobilidade e por fim, no Legado da Copa, governo Dilma Rousseff, mas nem as gestões de Agnelo Queiroz (PT), Rogério Rosso (na época no PMDB) e Rodrigo Rollemberg (PSB) produziram os projetos técnicos necessários para a liberação dos repasses. Com a chegada do governo Temer e agora o de Bolsonaro, os recursos para esses fins deixaram de existir.

sexta-feira, 20 de setembro de 2019

Política DF: Pra onde vai Reguffe?

Sexta, 20 de setembro de 2019
Do Blog Brasília, por Chico Sant’Anna
Reguffe agora no Podemos espera ter condições de organizar a sua caminhada às urnas de 2022.

Reguffe escolheu um partido que diz ele ser de centro, para atrair a maior massa do eleitorado. Espera conquistar votos à esquerda, centro e à direita. No passado, Reguffe se elegeu com apoio do eleitorado petista, pedetistas, dos socialistas e também do MDB. Qual será o desempenho em uma carreira quase solo? As urnas dirão.

Por Chico Sant’Anna
O senador Antônio Reguffe, até aqui sem partido, decidiu se filiar ao Podemos, antigo Partido Trabalhista Nacional (PTN), que em 2016 mudou de nome. Reguffe se soma ao time de Álvaro Dias (PR), Romário (RJ), e outros sete senadores, dentre eles Lasier Martins (RS), que respondeu a processo por violência doméstica contra sua esposa. Escolheu um partido que diz ele ser de centro, para atrair a maior massa do eleitorado. Espera conquistar votos à esquerda, centro e à direita.

O problema é que para muitos analistas, o Podemos está mais inclinado à direita e o pior, não chega a estar puro e imune às intempéries judiciais. Assim como Reguffe, vários dos parlamentares do Podemos não são de raiz, migraram de outros partidos. A próxima conquista do Podemos deve ser a senadora Juíza Selma Arruda, eleita pelo PSL, mas cujo mandato está sob risco de ser cassado por acusação de abuso de poder econômico e caixa dois. O líder máximo do Podemos, senador Álvaro Dias, também migrou do PSDB para o PV e, em seguida, para o Podemos. Ele também é outro que pode ter a tranquilidade abalada. Segundo o site Intercept Brasil, Dias faria parte de uma “turma protegida pela Lava-Jato”. Ele é citado nas delações premiadas. Em uma delas, o ex-candidato a presidente foi acusado de receber propina para ajudar a melar a CPI da Petrobrás. “Em outro episódio, e-mails do advogado da Odebrecht, Rodrigo Tacla Durán, indicavam que Álvaro Dias teria recebido R$ 5 milhões em propina para pegar leve nas perguntas aos investigados na CPMI de Carlos Cachoeira, o empresário do jogo do bicho em Goiás” – diz o site. Dias nega qualquer irregularidade. Dentre os senadores do Podemos também há quem tenha sido denunciado por violência doméstica, o que pode atrapalhar os planos de Reguffe junto ao eleitorado feminino.

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Rollemberg x Ibaneis: Acabou a paz.

Quinta, 30 de maio de 2019
Do Blog Brasília, por Chico Sant’Anna

Atual e ex-governador trocam farpas nas redes sociais. Um acusa o outro de ineficiente.

Por Chico Sant’Anna
Cinco meses, essa parece ser ter sido o prazo máximo da paciência do ex-governador Rodrigo Rollemberg. Nas redes sociais, ele demonstra claramente ter abandonado a quarentena a que se propôs seguir e passou a ficar de olho vivo e crítico na administração de Ibaneis Rocha. Nas redes sociais dispara contra a atual gestão, fazendo um contra-ponto com a sua própria administração. A situação da Saúde, que convenhamos, não foi nada exemplar em sua gestão, está em duas longas mensagens de Rollemberg em sua página no Facebook.

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Comentário do Gama Livre: Nessa briga, cada um tem razão quando acusa o outro de ineficiente.

sábado, 3 de novembro de 2018

GDF: O arrudismo está de volta

Sábado, 3 de novembro de 2018
Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna

Os escândalos do Mensalão dos Democratas apurados na Operação Caixa de Pandora parecem não terem sido suficientemente fortes para afastar de vez a força de Arruda na administração local.


Por Chico Sant’Anna
Oito anos depois de ser afastado do Palácio do Buriti, com a cassação de José Roberto Arruda, o arrudismo começa a voltar ao GDF, curiosamente pelas mãos de uma pessoa que se notabilizou por liderar os profissionais de Direito da cidade, o governador eleito, Ibaneis Rocha. Os escândalos do Mensalão dos Democratas apurados na Operação Caixa de Pandora parecem não terem sido suficientemente fortes para afastar de vez a força de Arruda na administração local. Nomes chaves da equipe dele farão parte do secretariado do novo governo. Isso, sem contar com a eleição de Flávia Arruda, sua esposa, à Câmara dos Deputados.

sábado, 3 de fevereiro de 2018

(In)mobilidade urbana: Brasília, a capital dos engarrafamentos

Sexta, 2 de fevereiro de 2018
Do Blog Brasília, por Chico Sant'Anna

A ampliação da EPIA Sul, para introdução do BRT, em 2014, já se mostra insuficiente para o fluxo de carros. BRT não conseguiu atrair os motoristas que trafegam em veículos particulares. Foto de Chico Sant’Anna.

MEm 2017, o brasiliense gastou, em média, 20% a mais do seu tempo retido em engarrafamentos. O trânsito de Brasília reteve os motoristas por 97 horas no ano além do necessário. É como se o brasiliense tivesse ficado quatro dias preso dentro de seu veículo.
Por Chico Sant’Anna
Concebida com grandes ruas e avenidas, Brasília – quem diria? -, entupiu suas artérias aos 58 anos de idade e hoje é a décima cidade sul-americana mais engarrafada, segundo a empresa de gestão de GPS TomTom, que monitora o fluxo de trânsito no mundo inteiro. Por meio da pesquisa TomTom Traffic Index, ela mede engarrafamentos em 390 cidades de 48 países. Ela mensura o que  chama de “tempo extra de viagem”. As campeãs de engarrafamento na América do Sul são, pela ordem, Rio de Janeiro, Santiago, no Chile; e Buenos Aires, na Argentina.
A pesquisa afere apenas o tempo em transporte individual. Outros modais não são contabilizados. No caso de Brasília, não são levados em conta os engarrafamentos do Entorno. Isto pode tornar a espera ainda maior. Cinco outras cidades brasileiras estão na lista mais crítica: Salvador, Recife, Fortaleza, São Paulo e Belo Horizonte. Porto Alegre, Brasília e Curitiba – pela ordem -, abrem a relação de cidades que estão com o sinal amarelo aceso.

Leia a íntegra em:
https://chicosantanna.wordpress.com/2018/02/02/inmobilidade-urbana-brasilia-a-capital-dos-engarrafamentos/ 

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Bancada Federal: os votos do DF contra os servidores

Segunda, 29 de agosto de 2016
Do blog "Brasília, por Chico Sant'Anna"


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Por Chico Sant’Anna
Numa cidade onde mais de 200 mil famílias estão diretamente vinculadas ao serviço público, seja ele federal ou distrital, votar um projeto-de-lei que prejudique o funcionalismo é um risco eleitoral bastante elevado.

No dia 10/8, a Câmara Federal votou o Projeto de Lei Complementar (PLP) 257/16, de autoria do Palácio do Planalto. Para o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap) a proposta gera um efeito devastador sobre os servidores.

Sob pressão de trabalhadores, os parlamentares derrubaram várias medidas consideradas negativas ao funcionalismo. Entretanto, foi mantida e até ampliada para 30 anos o atrelamento do crescimento dos gastos públicos anuais à variação da inflação do período anterior.

A medida é um limitador não só de futuros reajustes dos salários por três décadas, mas também de investimentos em setores sociais vitais para a sociedade como Previdência, Saúde e Educação.
Pois a proposta do Executivo recebeu o voto Sim de ampla parcela da bancada candanga na Câmara Federal.

Dos oito deputados, cinco deram apoio às medidas de Michel Temer.

domingo, 14 de fevereiro de 2016

Park Way: um novo santuário para animais silvestres

Domingo, 14 de fevereiro de 2016

Passaros gaiola 
Por Chico Sant’Anna
Iniciativas de instituições públicas e privadas estão re-inserindo animais nas matas do Park Way. Mas a grilagem de terras, a ação equivocada de alguns moradores, os planos de expansão do Aeroporto e a falta de fiscalização e punição por parte do Poder Público, podem contribuir para o fracasso de transformar o bairro num santuário para animais silvestres.

Eles estão voltando. Na verdade, são parentes daqueles que foram obrigados a deixar as matas do Park Way quando o bairro começou a ter uma ocupação mais acentuado. Ou que simplesmente foram capturados e engaiolados.

Mesmo assim, graças à preservação de algumas importantes manchas de vegetação natural, principalmente nas áreas da APA Gama-Cabeçado Veado, tem sido possível repopular o bairro com animais silvestres apreendidos pelas autoridades ambientais. No ano que passou, foram reintroduzidos cerca de 1.500 aves de diferentes portes e espécimes, além de 30 mamíferos.

segunda-feira, 27 de julho de 2015

Grilagem ataca no Park Way (matéria complementada com novas informações)

Sábado, 25 de julho de 2015
A invasão fica na quadra 28 conjunto 3, nos fundos do lote 1, no Park Way.
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Postagem complementada com novas informações
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Por Chico Sant’Anna
Urgente!

Uma invasão de gente rica está se desenrolando desde a sexta-feira 24/7, no Park Way. Já tem até garagem e casa de barco funcionando no local.

Leia aqui a matéria completa

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Mobilidade Urbana: Hamburgo na Alemanha quer eliminar carros no centro da cidade em 20 anos

Quarta, 25 de dezembro de 2013
Enquanto no Brasil e em Brasília a política fiscal tem sido incentivar a compra de mais carros de passeio, superlotando as vias das cidades e, principalmente, estacionamentos, países europeus pensam exatamente no sentido inverso. Na cidade alemã de Hamburgo, que tem uma população de aproximadamente dois milhões de habitantes, um projeto foi feito para potencializar as áreas verdes, ciclovias e transporte público coletivo. Em 20 anos, a Hamburgo deseja dar fim aos carros individuais no centro da cidade.


Confira os detalhes na reportagem de Constanza Martínez Gaete, com tradução de Maria Júlia Martins, publicada na via Plataforma Urbana e na ArchDaily Brasil.

Meta da cidade de Hamburgo é potencializar o verde. Foto de © Niels Linneberg, Flickr
Cerca de 40% da área de Hamburgo, a segunda maior cidade da Alemanha, é coberta com áreas verdes, como cemitérios, centros esportivos, jardins, parques e praças. Para uni-los em conjunto com passeios e ciclovias, a cidade lançou o plano Rede Verde, que tem como objetivo eliminar a necessidade de automóveis para o deslocamento das pessoas nos próximos 20 anos.

sábado, 9 de novembro de 2013

Maria Elisa Costa: procurem entender Brasília

Sexta, 9 de novembro de 2013

Foto de Flavinho Santos

Por mim convidada a escrever para o blog Brasília, por Chico Sant’Anna, algumas linhas sobre a polêmica do Projeto de Preservação do Conjunto Urbanístico de Brasília, o PPCUB enviado pelo governo Agnelo à Câmara Distrital, a arquiteta e filha de Lucio Costa, o urbanista que projetou Brasília, me enviou as seguintes reflexôes, abaixo.

Chico Sant’Anna


Para entender o Tombamento de Brasília e a Portaria 314 do Iphan

Quando o governador José Aparecido propôs o tombamento de Brasília – apenas 25 anos depois de inaugurada – criou-se uma situação inedita: como tombar o que ainda estava em obras? O Iphan, até então, tombava construções, mesmo em se tratando de proteger conjuntos urbanos, como Ouro Preto ou o Pelourinho.

Quem descobriu a solucão foi o arquiteto Ítalo Campofiorito Ele “captou” a essência da proposta de Lucio Costa – Brasília “nasceu já’ pronta, como Minerva”, e foi implantada exatamente assim, como foi concebida – como roupa de adulto dentro da qual se colocou a capital recém-nascida.

E foi essa sintonia absoluta entre concepção e implantação que tornou possível a transferência definitiva da capital.

Leia também:


Italo então propôs que se tombasse, exatamente, a concepcão de Lucio Costa, que definiu a configuração do espaço urbano através da estrutura viaria, da volumetria construída e do paisagismo, estabelecendo critérios basicos de uso e ocupação do solo pertinentes a cada uma das chamadas Escalas Urbanas.

domingo, 20 de outubro de 2013

Mobilidade urbana: Austrália lança ônibus gratuito a energia solar

Domingo, 20 de outubro de 2013
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Por Chico Sant’Anna, com base no Catraca Livre

Enquanto no Brasil, cidades como Brasília insistem no uso de ônibus movido a óleo diesel, na Austrália já existe ônibus elétrico, movido à energia solar, sem uso de redes elétricas nas vias públicas, e, o que é melhor, gratuitos.

O ônibus Tindo está circulando desde fevereiro nas ruas de Adeleide, Austrália. Ele é totalmente abastecido por energia solar, tem capacidade para 40 pessoas sentadas e oferece ar-condicionado e wi-fi aos passageiros. O veículo não cobra tarifa, pois não existe gastos com energia elétrica ou combustíveis.

Além da energia solar, o ônibus tem umatecnologia que se vale da energia liberada nas freiadas. Um sistema de frenagem regenerativa, transforma o impacto dos freios em força, economizando cerca de 30% do consumo.

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O veículo faz parte da frota da companhia de transporte público da cidade, que tem por meta reduzir as emissões de carbono ocorridas no transporte público. Desde fevereiro, oveículo experimental já percorreu mais de 60 mil quilômetros, economizando 14 mil litros de diesel e livrando a atmosfera de 70 toneladas de gases poluentes. Ele tem autonomia de 200 quilômetros em condições climáticas normais.


domingo, 18 de agosto de 2013

Ano da Copa atrairá dois milhões de turistas estrangeiros a menos do que o esperado

Domingo, 18 de agosto de 2013
Governo abandona previsão de receber oito milhões de turistas
estrangeiros no ano do Mundial de Futebol. Meta agora gira 
em torno de 6 milhões.

Governo trabalha, agora, com a previsão de seis milhões, no
máximo 6,5 milhões de turistas. Os altos custos hoteleiros no
Brasil, a crise financeira que afeta a América do Norte e 
Europa, bem como a crise de divisas na Argentina podem
desanimar os potenciais torcedores. As novas projeções
apontam um volume de turistas de 18% a 25% inferior ao
anteriormente projetado.
Governo abandona previsão de receber oito milhões de turistas estrangeiros no ano do Mundial de Futebol. Meta agora gira em torno de 6 milhões.

Governo trabalha, agora, com a previsão de seis milhões, no máximo 6,5 milhões de turistas. Os altos custos hoteleiros no Brasil, a crise financeira que afeta a América do Norte e Europa, bem como a crise de divisas na Argentina podem desanimar os potenciais torcedores. As novas projeções apontam um volume de turistas de 18% a 25% inferior ao anteriormente projetado.

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Transporte público: Agnelo inaugura o superado

Segunda, 15 de julho de 2013

Os ônibus inaugurados por Agnelo não possuem piso rebaixado,não usam combustível alternativo e ainda operam com as desumanas catracas.Foto: Roberto Castro/GDF
Os ônibus inaugurados por Agnelo não possuem
piso rebaixado, não usam combustível alternativo
e ainda operam com as desumanas catracas.
Foto: Roberto Castro/GDF

Por Chico Sant’Anna



O sistema que entra em operação é ultrapassado em termos de tecnologia de transporte coletivo e, mesmo quando analisado sob a ótica de transporte público em ônibus, também se mostra desatualizado.

Foi com pompa, ao estilo de Odorico Paraguaçu, e com direito até a bandeiras vermelhas presas em alguns veículos, que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz inaugurou recentemente o novo sistema de transporte coletivo do Distrito Federal.

“Novo” é forma de falar. Especialistas no assunto apontam o sistema que entra em operação como ultrapassado em termos de tecnologia de transporte coletivo e, mesmo quando analisado sob a ótica de transporte público em ônibus, também se mostra desatualizado.

Leia também:


Nas imagens, ao centro, a publicidade do GDF mostra o esforço físico para o usuário subir no ônibus. À esquerda, o ônibus alemão. À direita, o ônibus espanhol. Ambos possuem piso rebaixado e alguns deles ainda operam umdispositivo que regula a altura da suspensão com o piso do passeio público.
Nas imagens, ao centro, a publicidade do GDF
mostra o esforço físico para o usuário subir
no ônibus. À esquerda, o ônibus alemão.
À direita, o ônibus espanhol. Ambos possuem
piso rebaixado e alguns deles ainda operam
um dispositivo que, sob o comando do motorista,
regula a altura da suspensão com o piso do passeio público.


Na verdade, os novos ônibus que estão entrando em operação não são novos. Podem ser de fabricação recente, mas estão baseados em uma tecnologia da década de 1960, já aposentada em vários países. Os ônibus de Agnelo são veículos montados em chassis de caminhão. Por isso, tem o piso elevado, o que prejudica a acessibilidade de quem entra ou sai. Como não há piso rebaixado, os usuários são obrigados a uma ginástica especial para aceder ou deixar os novos ônibus. Em países como França, Alemanha ou Espanha, o assoalho dos ônibus estão no mesmo nível do passeio público o que permite até a um cadeirante entrar e sair sem grandes problemas.

Catracas

Os ônibus trazem, segundo a propaganda oficial, GPS e câmeras de segurança, mas nem todos serão climatizados como acontece em outras localidades que vivenciam temperaturas bem menos agressivas do que as de Brasília.
transporte coletivo - piso onibus2
Os ônibus europeus não usam catracas
e por isso possuem mais espaço
de circulação
interna do que os de Brasília,
 que contam com antiquadas roletas
e ferragens, dificultando a locomoção.
A cobrança das passagens em dinheiro
abordo coloca em risco os passageiros,
apesar da existência de cofre.

O ícone deste atraso tecnológico é a persistência das indelicadas roletas. Estamos no século XXI, onde a tecnologia da informação tudo permite. Os bilhetes e cartões informatizados dispensam, inclusive, a construção das caras e cercadas paradas de ônibus do BRT. O controle pode ser feito pelos passes magnéticos sem a necessidade de cercadinhos e currais, como são chamadas pelos usuários as paradas destinadas à integração. O sistema permite o acompanhamento em tempo real do volume de passageiros e da receita.

Leia a íntegra de

Transporte público: Agnelo inaugura o superado

terça-feira, 18 de junho de 2013

Brasília acordou.

Terça, 18 de junho de 2013
 
Texto e fotos pelo celular de Chico Sant’Anna
Há muito, a Capital Federal não vivenciava uma mobilização dos brasilienses de tal envergadura. A marcha de milhares de jovens ao Congresso Nacional na tarde de segunda-feira, 17/6, foi de proporção similar ao dia da votação das Diretas Já e da promulgação da Constituição, em 1988. O jardim frontal ao edifício do Congresso Nacional abrigou uma multidão calculada no seu momento de pico entre oito e dez mil manifestantes. Não só a parte frontal ficou totalmente tomada, como também as laterais inclinadas do gramado do Parlamento serviram de arquibancada para centenas de jovens.

Só jovens: esta foi outra marca desta segunda-feira. Muitos eram menores de idade, secundaristas e a grande maioria tinha idade de 1vinte e poucos anos, não mais. Nenhuma bandeira de partido ou central sindical. Nem mesmo a UNE, que se notabilizou pelos caras pintadas se fazia formalmente presente.
Sem lideranças tradicionais, os jovens tinham em comum um objetivo: demonstrar sua indignação. Uma indignação potencializada, no caso de Brasília, pelos gastos bilionários para sediar um único jogo da Copa das Confederações, em detrimento da qualidade de vida do brasiliense. Desde a posse do atual governo petista/peemedebista, o contribuinte local vê a depreciação da qualidade dos serviços de saúde, educação, transporte público e é obrigado a conviver com uma escalada de violência jamais vista em Brasília e que vem registrando uma média diária de dois homicídios e dois sequestros relâmpagos.
Cantando slogan, hinos nacionais ou mesmo refrãos comuns aos estádios de futebol devidamente adaptados ao momento político e gritando palavras de ordem não pouparam ninguém. Os alvos principais foram a presidente Dilma e o governador Agnelo, mas sobrou para as principais lideranças do parlamento. O presidente da Comissão de Direitos Humanos, da Câmara dos Deputados, Marco Feliciano, foi, ao lado do atual e do ex-presidente do Senado, Renan Calheiros e José Sarney, tema predileto dos gritos de milhares de manifestantes.
Também a imprensa tradicional não foi poupada. A Rede Globo, como na época das Diretas Já era constantemente tema de palavras de ordem que demonstravam a perda de credibilidade da rede midiática. Por sinal, à tarde, mensagens veiculadas em outras redes, as sociais, orientavam os manifestantes a que eles mesmos documentassem e divulgassem informações e imagens do ato, pois não tinham confiança nos meios de comunicação.
Nada de faixa confeccionada de forma profissional. Os cartazes, feitos a mão, em cartolinas e com pincel atômico, também demonstraram que a indignação popular é motivada por múltiplos temas da conjuntura nacional. Foram questionados desde os gastos com a Copa do Mundo, a votação da PEC 37, que reduz o poder de investigação do Ministério Público; mensaleiros, concessões de rádio e televisão a políticos, a corrupção no poder públco, reeleição…
Assunto para motivar insatisfação é que não faltou.
 
Cordão Policial
A Polícia Militar do Distrito Federal, formou um cordão de isolamento com 400 homens, segundo um comandante no local. Era uma linha de contenção, às margens do laguinho que separa o Congresso Nacional do gramado em frente. Por de trás dela a Polícia do Legislativo e viaturas perfiladas como se fossem barricadas.
À frente da PM os manifestantes, cujo objetivo era ocupar o Congresso e acampar no Salão Verde.
Várias investidas foram feitas contra o cordão de isolamento, repelidas muitas vezes com spray de pimenta. Os jovens só conseguiram êxito quando dezenas de pessoas conseguiram subir na marquise do Congresso Nacional.

A tomada da marquise foi festejada como uma apoteose. Há muitos anos a marquise é espaço proibido até para turistas.
Aos gritos de o Congresso é do Povo, dançaram em torno da cupula da Câmara dos Deputados como se fosse um troféu, uma taça. Depois, se concentram na beirada da grande laje que abriga as cúpulas do Senado e da Câmara e a sombra dos manifestantes trazia um simbolismo que encantava os demais manifestantes que em milhares continuavam no gramado e de lá ligavam seus celulares na função lanterna. Os celulares são hoje as velas que marcaram manifestações do passado.
 
Ao mesmo tempo em que ocorria a tomada da marquise outro grupo de manifestantes entrou na via de acesso à Chapelaria da Câmara, principal entrada de carro ao Congresso e que fica abaixo do nível dos jardins.
A ocupação da marquise do Congresso parece ter desnorteado por algum tempo o esquema de segurança, que além da Polícia Militar contava com agentes da Polícia do Legislativo das duas Casas do Parlamento. O certo é que os manifestantes conseguiram romper o cordão de isolamento, atravessar dos laguinhos, que foram construídos para dificultar a aproximação de manifestantes, e chegaram até à varanda do Congresso. De lá, um grande número saltou para o acesso de carro à Chapelaria da Câmara dos Deputados, se somando aos que haviam entrado antes.
 
Senadores
Um grupo de parlamentares formado pelos senadores, Paulo Paim e Eduardo Suplicy, do PT, e Inácio Arruda, do PCdoB, chegou a ir até à varanda na expectativa de poder dialogar com os líderes dos protesto. Não tiveram êxito. Foram dissuadidos pelos seguranças que consideravam a situação perigosa e desaconselharam os três parlamentares a sair para o contato com os jovens. Outro problema é que não era possível identificar na multidão quem eram as lideranças.

Um medo reinou entre os presentes que temiam que a manifestação pudesse transformar-se numa grande catástrofe e com muitos feridos. Não havia canais de interlocução. Nenhuma liderança política local ou nacional se fez presente temendo ser mal recebida. Entre os manifestantes e o interior do Congresso Nacional apenas as grandes janelas de vidro da Chapelaria do Congresso e um cordão de isolamento policial menor do que o existente do lado de fora e que já fora subjulgado. Embora bem inferior aos manifestantes, estavam bem armados com pistolas taser, pistolas tradicionais, cassetetes, sprays de pimenta – que foram largamente utilizados – e outros apetrechos.
Além desses policiais, nas laterais externas, o Congresso estava literalmente cercado por soldados e viaturas da Patrulha Tático Móvel – Patamo, do Batalhão de Operações Especiais – Bope e do Corpo de Bombeiros. No Congresso Nacional correu, inclusive, a informação de que o presidente em exercício da Câmara, deputado André Vargas, havia autorizado a entrada do Bope na Casa, caso o Parlamento viesse a ser invadido. Durante muitas horas o clima de tensão foi grande e a falta de uma perspectiva de como a manifestação acabaria deixou muita gente preocupada.
Por fim, os manifestantes foram se dispersando, por volta das 22 horas, após mais de seis horas de protesto. Foram embora, mas deixaram uma mensagem forte e que não deve ser ignorada nem pelos políticos da Capital Federal nem do governo Federal. O brasiliense que foi às ruas não acredita mais nos partidos, não confia nas autoridades constituídas e estão descontentes com as prioridades adotadas pelos governos do Distrito Federal e do Brasil em detrimento das necessidades sociais.

Esta avaliação estava bem clara nos cartazes. “Brasília Acordou”, diziam uns. “Este foi apenas o primeiro dia” diziam outros. Não foi  a voz rouca das ruas, como se costuma classificar os clamores populares, mas sim um grito uníssono, bastante audível e que pode se repetir por mais vezes se novos rumos não forem adotados pelas autoridades constituídas.

sábado, 25 de maio de 2013

Agnelo deve ter criado a Secretaria Especial de Medidas Desagradáveis

Sábado, 25 de maio de 2013
Interdição do Eixão do Lazer é a mais nova
medida impopular do governo Agnelo
Queiroz. População promete 
manifestações públicas
Por Chico Sant’Anna
Tem dias que penso que o governador Agnelo Queiroz possui um assessor só para idealizar medidas que desagradem à população. São tantas, que talvez um assessor só não deve ser o suficiente. Deve ser uma espécie de Secretaria Especial de Medidas Desagradáveis. Deve ter sido lá que foi projetada, dentre outras maldades, a devastação do Balão do Aeroporto e também a reabertura a carros do Eixo Rodoviário, aos domingos, pondo fim ao Eixão do Lazer. Diversos movimentos sociais estão descontentes e convocaram manifestações públicas em defesa do Eixão sem carros.

O titular desta  secretaria deve ter sido indicado por Joseph Blater, o todo poderoso da FIFA, que está se lixando para o que pensa e deseja o cidadão brasiliense e se a qualidade de vida da cidade ficará prejudicada para que a Federação Internacional de Futebol e seus cartolas possam arrecadar mais.

Brasília faz propaganda afirmando que seu estádio é ecologicamente correto e que pode ganhar reconhecimento internacional por isso. O estádio pode até ser ambientalmente correto – o que tenho minhas dúvidas face aquela montanha de concreto – mas, com certeza, a organização da Copa não tem nada de ecológico.
Ciclo-faixa que passa em frente ao Mané garrincha não poderá ser utilizada nos dias de jogos.

Quem quiser ir ao estádio pedalando sua magrela não poderá fazê-lo. Se Robinho ainda jogasse no Santos, o famoso “Pedala Robinho” estaria proibido. A ciclo-faixa do Eixo Monumental estará interditada. No lugar de montar um grande bicicletário público, estimulando um tráfego não poluente, o Secretário Especial de Medidas Desagradáveis definiu que elas não devem circular.

domingo, 12 de maio de 2013

Fora do Plano: Balão do Aeroporto: quem mentiu?

Domingo, 12 de maio de 2013
Gougon---fora-do-plano
Neste mês de maio, passei a assinar a coluna Fora do Plano, da Revista MeiaUm. Para acessar a revista clique aqui.
A primeira coluna, publicada, em 8 de maio de 2013, na Edição nº 24, da Revista MeiaUm, conta com ilustração de GouGon e você confere abaixo.
 
Por Chico Sant’Anna - blogdochicosantanna@gmail.com
 
Árvores cortadas, terra arrasada. O estrago está feito. Um caos viário e a desilusão tomam conta do Balão do Aeroporto, outrora cartão-postal da capital. Ali surgirá um mergulhão, dividindo em dois o Bambolê da Dona Sarah. Por não ser obra para a Copa das Confederações, pergunta-se por que não ter se esperado até 15 de junho, data do único jogo na cidade. Mais grave é a troca de informações desencontradas no GDF.

Quando da derrubada das árvores, em 8 de abril, a Comunicação para a Copa se apressou em afirmar que tudo acontecia “com base nas regras impostas pela legislação ambiental. A ampliação da via conta com estudo de impacto ambiental e licenciamento ambiental emitido pelo Instituto Brasília Ambiental – Ibram”. No Ibram, a história é outra. Em 16 de abril, anunciou multa de R$ 150 mil ao DER pela “supressão não autorizada das árvores do Balão do Aeroporto”. À mídia, o secretário de Meio Ambiente, Eduardo Brandão, afirmou que o certo teria sido solicitar antes a licença de obras e a autorização do corte das árvores. Leia a íntegra

terça-feira, 30 de abril de 2013

A Copa e a Capa mágica de R$ 5,4 milhões de Agnelo

Terça, 30 de abril de 2013
 
Por Chico Sant’Anna
Desde a campanha eleitoral de 2010, quem ouvisse as promessas do atual governador Agnelo Queiroz só poderia pensar que ele seria um milagreiro, pois prometia arrumar a saúde em 90 dias, reduzir a violência urbana, botar a casa em ordem, deixar tudo tinindo em curtíssimo espaço de tempo.
Agnelo conseguiu fazer o Balão do Aeroporto
evaporar e no lugar dele surgir uma 
trincheira para que as delegações da Fifa
não enfretem trânsito. Foto: Chico Sant’Anna

Agora, descobre-se que o governador está mais para mágico do que operador de milagres. Mágico daqueles que fazem desaparecer ou transformar os objetos. Agnelo com um passe de mágica conseguiu fazer desaparecer o Balão do Aeroporto, fez evaporar o VLT e tornou invisíveis as linhas 2 e 3 do metrô do Distrito federal.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

Brasília por Chico Sant'Anna: obras das vias do Expresso DF vão atrasar, pelo menos, seis meses

Segunda, 15 de abril de 2013
 
O atraso nas obras terá como principal conseqüência o retardo na entrada em funcionamento dos novos ônibus, recém licitados pelo GDF. 
Por Chico Sant’Anna
Prevista para ser entregue em seis de junho deste ano, nove dias antes da abertura da Copa das Confederações, a obra de construção do Expresso DF vai atrasar, pelo menos, seis meses. Agora, a nova previsão de data para a conclusão do Eixo Sul, que vai ligar Gama e Santa Maria ao Plano Piloto, é dezembro de 2013.

As obras no canteiro central e nas laterais da Epia trazem transtornos ao trânsito. Foto: divulgação

O secretário de transportes, José Walter Vasquez, ouvido por este blog, nega que o atraso seja decorrente da falta de recursos para tocar a obra. Até março deste ano, teriam sido investidos R$ 130 milhões. No início, a obra tinha sido orçada em R$ 553.619.830,71, mas os informes do GDF à imprensa já mencionam a cifra de R$ 785 milhões, 41,8% a mais.


Segundo os informes do GDF, as obras do Expresso Sul criando um corredor exclusivo de ônibus foram iniciadas em seis de dezembro de 2011 – e deveriam estar concluídas em 12 meses -, com verba própria do governo do Distrito Federal. Em 14/4, foi acertada a entrada de recursos do governo Federal. Um acordo entre a Casa Civil da presidência da República, a Caixa Econômica Federal e o GDF selou a garantia dos repasses necessários para a finalização da obra. Ainda neste mês, segundo o informe oficial, parte da verba será repassada a administração candanga.

Leia a íntegra no Brasília por Chico Santana

segunda-feira, 8 de abril de 2013

Obras para a Copa provocam hecatombe ambiental no Balão do Aeroporto

Segunda, 8 de abril de 2013


Foto: Chico Sant'Anna
Obras para a Copa provocam derrubada de
árvores com meio século de existência.


Cartão Postal da cidade, o Bambolê da Dona Sara, como é conhecido pelos mais pioneiros, foi alvo de uma motosserra alucinante, em um ritmo de desflorestamento amazônico.


Texto e fotos por Chico Sant’Anna


Quem passou neste último fim de semana pelo Balão do Aeroporto deve ter imaginado que uma hecatombe acontecera naquele local. Árvores cinqüentenárias estavam todas rachadas, retorcidas, jogadas ao solo, sem dó ou piedade. Mas não se tratava de nenhuma bomba atômica, destas que a Coréia do Norte ameaça lançar. Os estragos foram todos feitos pela Novacap e pela empresa que adapta a ligação viária entre o Aeroporto de Brasília e o início do Plano Piloto.


A dimensão do diâmetro dos troncos das árvores da noção do tamanha da agressão protagonizada pelo GDF.
A dimensão do diâmetro dos troncos das árvores da noção do tamanha da agressão protagonizada pelo GDF.


Cartão Postal da cidade, o Bambolê da Dona Sara, como é conhecido pelos mais pioneiros, foi alvo de uma motosserra alucinante. Em um ritmo de desflorestamento amazônico, espécies do cerrado de meio século de existência, que de tão destruídas não eram passíveis de reconhecimento, tombaram em minutos. Espécimes que testemunharam a presença de desbravadores como Bernardo Sayão, Lúcio Costas e Israel Pinheiro, já não mais estarão presente para fornecer sombras às futuras gerações de brasilienses.


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O Bambolê da Dona Sarah será todorecortado por atalhos viários. Do antigo monumento
O Bambolê da Dona Sarah será todo recortado por atalhos viários. Do antigo monumento Espaço Cósmico 81, apenas a base de apoio em concreto resta no local. Fotos dos blogs da Conceição e do Cláudio Humberto


O próprio Balão do Aeroporto será um trevo deformado em sua essência, com mergulhões aqui, alças açula. Do velho bambolê só deve restar o marco de concreto que segurava a escultura Monumental Espaço Cósmico 81, de Yutaka Toyota. Exposta desde 1980, a obra em forma de cubo foi retirada para realização de reformas no local em meados de 2005 e nunca mais se viu.


A beleza da natureza, os canteiros floridos que ali existiam, está dá lugar a uma série de atalhos viários de asfalto de duvidosos e um túnel traçados para que os carros possam trafegar com maior rapidez. Tudo isso, para atender uma federação de futebol que, a exemplo do que os técnicos chamam de “economia do circo”, realizará uma meia dúzia de jogos na Capital Federal, raspará os cofres públicos e do público, e em seguida, com a mala cheia de dinheiro, irá realizar a mesma façanha em outras paragens.


Ambientalistas e moradores da cidade questionam aação devastadora do GDF
Ambientalistas e moradores da cidade questionam aação devastadora do GDF


Dirão alguns: mas a derrubada das árvores se fazia necessária. Ledo engano: todo o trajeto do metrô no canteiro lateral do Eixão teve as árvores removidas temporariamente e depois replantadas no mesmo local. A Novacap tem a expertise deste trabalho. O problema é que o processo é mais caro e demorado. Este é o preço que se paga pela falta de planejamento e de capacidade laboral da atual gestão do GDF.


Economia de circo


O termo “economia de circo” é uma referência as troupes que rotineiramente chegam a pequenas cidades, pedem apoio público para subir as lonas, recolhem a poupança do público por meio da venda de ingressos, souvenires, pipocas e algodão doce e depois de não ter mais o que sugar naquela localidade, partem para a cidade mais próxima. No município, não fica nenhuma arrecadação de impostos nem participação na receita dos ingressos. Só o lixo a varrer.


Com a FIFA está sendo igual. Brasília está construindo um estádio megalomaníaco, tudo nele é por conta do GDF que, para tanto, deixou de investir em diversas áreas sociais. Mas o GDF não terá nenhuma participação na receita dos jogos, na venda de imagens, nem mesmo nos souvenires a serem vendidos nos arredores do Mané Garrincha que será cercado como um forte apache.


Balão do Aeroporto 7-4-2013 (6)
Na contra-mão do aquecimento global, Brasília é uma cidade onde, cada vez mais, o verde perde espaço para o asfalto.


Pior! Até mesmo o título de patrimônio histórico da cidade está constantemente em risco. Ícone desta subserviência aos ditames desta federação, envolta em suspeitas de casos obscuro mundo a fora, é o próprio estádio. Sua identidade tem que ser escondida. O mundo não pode conhecê-lo pelo nome de Mané Garrincha. A homenagem tem que desaparecer, pois impede ganhos com patrocínio e, quem sabe, poderia render direitos autorais aos herdeiros do craque das pernas tortas.


Subserviente, Agnelo Queiroz que, tentando esconder o verdadeiro nome do estádio, já perdeu a primeira batalha com a Câmara Legislativa do DF, agora envia um novo projeto, propondo uma moratória: durante os jogos a denominação Mané Garrincha desaparece. Depois, quando a FIFA for embora, o nome pode voltar. Espero que a CLDF não caia nesta esparrela.


As obras viárias implementadas pelo GDF apostam na sucateada tecnologia de ônibus a diesel – soluções que as experiências de Quito, Buenos Aires e Bogotá – já demonstraram ser de curta validade – e aposentam as duas linhas previstas para o metrô, bem como os diversos circuitos de Veículo Leve sobre Trilhos no Plano Piloto em Taguatinga.


Para tanto, o verde da cidade é sacrificado sem pestanejar. Foi assim na obra da EPTG tocada por José Roberto Arruda, está sendo assim nas obras do Expresso DF, na Epia, entre o Gama e o Plano Piloto, tocadas por Agnelo Queiroz. Entre uma administração e outra não houve nenhuma mudança de postura ambiental. Ambos usaram e usam a motosserra levianamente. O resultado já é perceptível na EPTG. De Estrada Parque – como o próprio nome a identifica – a via virou um maciço de asfalto e concreto, impermeabilizando o solo, sem deixar áreas para a infiltração das águas das chuvas, mas gerando imensas áreas alagadas.


É sintomático o silêncio de nossas autoridades ambientais distritais, bem como dos parlamentares que se dizem ligados ao verde. Nada se ouve, nenhum protesto, nenhuma ação efetiva. Aos poucos, o asfalto avança sobre as sucupiras, quaresmeiras, aleluias. As vias ficam sem suas sombras e ao brasiliense resta mais poluição e menos qualidade de vida.