Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)

sexta-feira, 31 de julho de 2026

CULTURA POPULAR —DF: Planaltina recebe encontro que celebra a força do maracatu neste sábado (1º)

Sexta, 31 e julho de 1026

CULTURA POPULAR
DF: Planaltina recebe encontro que celebra a força do maracatu neste sábado (1º)

'Manifestação que preserva saberes ancestrais e celebra a diversidade do nosso povo', diz mestre

Brasil de Fato — Brasília (DF)
31.jul.2026

Grupo de Maracatu Tambores do Amanhecer de Planaltina (DF) | Crédito: Divulgação

Mais de 250 batuqueiros de oito grupos de maracatu, manifestação cultural afro-brasileira, se encontram neste sábado (1º), no Complexo Cultural de Planaltina, região administrativa do Distrito Federal, para celebrar a cultura musical do baque e cobrar políticas públicas para o setor.

O 3º Encontro de Baques do DF promove um espaço de celebração da cultura popular e da força coletiva do maracatu. Gratuita, a programação ocorre das 13h às 21h, e reúne música, cortejo, espiritualidade, cinema, economia criativa e convivência.

A tarde começa com a simbólica lavagem do percurso, conduzida por baianas, babalorixás e lideranças religiosas afro-brasileiras. Depois, é o baque que toma conta. O som grave das alfaias se encontra com o toque das caixas, o balanço dos agbês e a marcação dos gonguês. O resultado é uma grande roda de ritmos, cores e histórias, um encontro em que cada grupo chega com sua identidade e todos se encontram para celebrar.

Também será feita a devolutiva da Carta da Cultura aos grupos de Maracatu, com demandas levantadas pelos próprios coletivos no encontro de 2025. Rafael Reis, coordenador-geral do Comitê, explica que “a carta serve como documento orientador para a busca de políticas públicas que considerem as características da tradição”.

O evento é realizado pelo Maracatu Tambores do Amanhecer, de Planaltina, e pelo Programa Nacional dos Comitês de Cultura no Distrito Federal.

Cultura popular

Ao reunir grupos de diferentes partes do DF, o evento dá visibilidade a uma rede que há anos produz, ensaia, ensina e brinca maracatu no Planalto Central, mantendo os tambores afinados e fazendo da cultura uma prática viva, coletiva e cotidiana.

“O maracatu é memória, resistência e identidade. É uma manifestação cultural afro-brasileira que preserva saberes ancestrais, fortalece comunidades e celebra a diversidade do nosso povo. Ao conhecer o maracatu, o público entra em contato com uma história de luta, fé, respeito às tradições e valorização da cultura popular”, afirma Daniel Pernambuco, fundador, coordenador e mestre do Maracatu Tambores do Amanhecer.

No mesmo dia do encontro, 1º de agosto, é comemorado o Dia Nacional do Maracatu em todo o Brasil. A data foi sancionada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2024.

“Cada toque do tambor, cada canto e cada passo carregam a força de gerações que mantêm viva essa herança cultural. O maracatu é patrimônio e merece ser conhecido e valorizado. O respeito às raízes afro-brasileiras fortalece a identidade cultural do Brasil. O maracatu une pessoas de diferentes origens por meio da arte, da coletividade e do respeito”, acrescenta Pernambuco.

Oito grupos participam do evento: Maracatu Tambores do Amanhecer, de Planaltina; Maracatu do Boiadeiro Boi Brilhante, do Paranoá; Zenga Baque Angola, do Guará; Baque Dandalunda, da Ceilândia; Baque Mandaçaias, do Jardim Botânico; Baque Folha, de Samambaia; Grupo Vivendo e Batucando, da Asa Norte; e Baque Lobo Guará, do Noroeste.

A programação do Encontro de Baques inclui ainda a exibição do documentário Esse Som é Massa, que registra memórias e experiências das comunidades brincantes, além de uma feira de artesanato e gastronomia, valorizando a economia criativa e os saberes produzidos nos territórios.

Grupo Baque Folha, que surgiu em Ceilândia (DF), também faz parte da programação do encontro | Crédito: Divulgação

Reivindicações

Em encontro realizado ano passado, grupos de maracatu do DF apontaram suas principais demandas ao Comitê de Cultura do DF com o objetivo de fortalecer a tradição na capital. “A escuta foi fundamental para coletarmos insights, percepções, frustrações e os sonhos dos fazedores de cultura. Foi de extrema importância para fomentar políticas públicas com base em evidências”, explica Rafael Reis, coordenador geral do comitê.

Os principais desafios enfrentados pelo segmento foram a necessidade de infraestrutura adequada, como sedes para ensaios, oficinas e espaços para as práticas culturais, além de maior reconhecimento e valorização do maracatu como patrimônio e da ampliação de sua presença nos eventos oficiais no calendário cultural do DF.

Também foram destacadas reivindicações relacionadas ao fortalecimento das políticas públicas para o setor, como a criação de linhas específicas de fomento, ampliação das vagas nos editais do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), maior transparência na distribuição de recursos, além de apoio para a realização de eventos, desburocratização das apresentações em espaços públicos e implementação de um cadastro unificado dos grupos.

Além disso, participantes defenderam o incentivo à articulação entre coletivos, com a promoção de encontros nacionais, intercâmbios com grupos de Recife (PE) e ações de comunicação que ampliem a visibilidade do maracatu.


Serviço

3º Encontro de Baques — Grupos de Maracatu do DF
Data: sábado (1º)
Horário: 13h às 21h
Local: Complexo Cultural de Planaltina, ao lado da Rodoviária de Planaltina
Entrada: gratuita


Apoie a comunicação popular no DF:


Faça uma contribuição via Pix e ajude a manter o jornalismo regional independente. Doe para dfbrasildefato@gmail.com

Siga nosso perfil no Instagram e fique por dentro das notícias da região.

Entre em nosso canal no Whatsapp e acompanhe as atualizações.

Faça uma sugestão de reportagem sobre o Distrito Federal, por meio do número de Whatsapp do BdF DF: 61 98304-0102