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(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Seminário Nacional “A Corrupção e o Sistema da Dívida” reúne auditores cidadãos de todo o país

Quinta, 5 de novembro de 2015
Até o dia 30 de outubro, a dívida federal já consumiu, somente em 2015, mais de R$ 939 bilhões, alcançando os R$ 3,1 bilhões por dia de média. O valor corresponde a 49% do total gasto pelo orçamento da União, enquanto itens de suma importância social, como saúde e segurança permanecem na casa dos 3% cada.
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Da Auditoria Cidadã da Dívida
Seminário Nacional "A Corrupção e o Sistema da Dívida"
Nos dias 30 e 31 de outubro, aconteceu em São Paulo, o Seminário Nacional “A Corrupção e o Sistema da Dívida”. O evento contou com 400 participantes, vindos de diversos estados do Brasil, incluindo integrantes que militam há anos pela Auditoria Cidadã da Dívida, assim como simpatizantes e marinheiros de primeira viagem.
A coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli, aponta que o evento foi um grande sucesso, não somente por ter mantido o auditório cheio durante a maior parte do período, mas principalmente pela qualidade dos debates. “Ficamos muito felizes em observar que o debate sobre a dívida pública está amadurecendo e novas formas de fazer com que o tema chegue a cada vez mais pessoas vão se construindo”, considera.
O seminário reuniu palestrantes e especialistas de reconhecimento nacional na sua área de atuação, como os deputados federais Luiza Erundina e Ivan Valente, ambos do PSOL; a professora e historiadora Raquel Varella, vinda diretamente de Portugal; o presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás, Fernando Siqueira; os economistas Plínio de Arruda Sampaio, também diretor do Correio da Cidadania, e o professor-doutor Marco Ferreira; os professores universitários Francisco Inairo Gomes e Antonio Lacerda; e outros especialistas da área do direito, jornalismo, comunicação e movimentos sociais.
Corrupção institucionalizada e o sistema da dívida
Quem abriu o evento foi a coordenadora do núcleo paulista da Auditoria Cidadã da Dìvida, Carmem Cecilia Bressane, mostrando como a “Corrupção Institucionalizada e o Sistema da Dívida”, tema do primeiro painel, projetaram fortes marcas em São Paulo, tendo transferido para a União dívidas originárias do estado de São Paulo. Segundo as análises feitas pelo núcleo de estudos, de 1998 a 2014, a dívida paulista passou de R$ 46 bilhões para R$ 200 bilhões, mesmo com o pagamento em dia de todas as parcelas.
A advogada também criticou o ajuste fiscal do governo que visa tributar ainda mais o trabalhador, enquanto os desvios do sistema da dívida giram na casa dos trilhões. “O que nos une é a indignação de ter um país tão rico com tanta gente vivendo em pobreza e miséria”, destacou. Segundo ela, os objetivos do evento eram encontrar caminhos para a divulgação da questão da dívida pública, mapear dificuldades de áreas sociais, trazer mais pessoas para essa causa e encontrar caminhos para alcançar o objetivo de auditar a dívida pública.
Dívida Pública: Para onde vai a Europa?
Na sequência, a palestrante internacional, vinda diretamente de Portugal, Raquel Varela, abordou a questão da dívida pública europeia, retratando como a corda arrebentou nos países onde havia menos capital para salvar os bancos europeus, caso de Grécia e Portugal. A historiadora afirmou que há uma absoluta dominação do Estado por parte do poder econômico. “Cada vez pagamos mais e cada vez devemos mais”.
“Não é aceitável viver em um mundo assim. A nossa bandeira tem que ser a luta pela transparência nas contas públicas e pelo pleno emprego. Não é aceitável viver assim. A dívida pública deveria ser abraçada por todos os trabalhadores. Temos que transformar a esperança em algo viável e não o desespero em algo convincente”, finalizou a doutora.
O petróleo brasileiro como fonte energética estratégica
O presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrpas (AEPET), Fernando Siqueira, enriqueceu a primeira mesa de debates, incluindo o petróleo brasileiro como uma matriz energética de interesse internacional. Segundo o engenheiro, o petróleo é a fonte mais eficiente de energia, pois é fácil de extrair, transportar e utilizar. No caso do Brasil, o tema é de suma importância, pois com as recentes descobertas do pré-sal, o país passou da 17ª reserva mundial em petróleo para a 3ª colocação, e podendo, inclusive, alcançar a primeira colocação nos próximos anos.
O palestrante mostrou como a mídia “domesticada” distorce informações a respeito da Petrobrás e sua importância estratégica nacional, afirmando, inclusive, que para além dos casos de corrupção descobertos na empresa, há mais de 60 mil funcionários que realizam seus trabalhos de forma séria diariamente. “Nosso país é o mais rico do mundo e só não se viabilizou ainda por conta da corrupção”, destacou o presidente da AEPET.
Formas de saqueio do estado
O professor de Ética e Filosofia, e presidente da Universidade do Mérito, Francisco Inairo Gomes, retratou a queda dos sistemas econômicos vigentes e a necessidade de se propor um novo modelo que supere os entraves atuais, que fizeram o Brasil e o mundo ficarem subjugados a oligarquias de poder colossal. Segundo o professor, a dívida pública se transformou em um instrumento de drenagem criminosa das riquezas nacionais. “Não sei para quem devo, porque devo ou até quando devo, mas vou continuar a pagar. Que beleza!”, ressaltou.
De acordo a seus estudos, a corrupção existe em diferentes escalas, constituindo as maiores formas de saqueio institucionalizadas no país. Dessas, fazem parte a emissão travada de moeda no Brasil, enquanto é liberada no exterior; importações e exportações super e subfaturadas; transferências internacionais de capitais líquidos; e juros escorchantes.
A Corrupção e o Sistema da Dívida
Encerrando a primeira noite, a coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli, apresentou dados atualizados da dívida pública brasileira e retratou o avanço que o Sistema da Dívida vem tendo no país. Segundo dados apurados a partir dos organismos oficiais, até o dia 30 de outubro, a dívida federal já consumiu, somente em 2015, mais de R$ 939 bilhões, alcançando os R$ 3,1 bilhões por dia de média. O valor corresponde a 49% do total gasto pelo orçamento da União, enquanto itens de suma importância social, como saúde e segurança permanecem na casa dos 3% cada.
“O Brasil é certamente o país mais rico do mundo, em recursos minerais e pela grandeza do seu povo. Estamos vendo uma crise econômica seletiva, onde o setor produtivo não consegue produzir, mas os bancos batem recordes de faturamento. Só no ano passado foram mais de RR 80 bilhões de lucro no setor bancário. Não podemos mais aceitar esse paradoxo, de sermos uma das maiores economias do mundo e estarmos na lanterna de índices de educação e desenvolvimento humano. O sistema da dívida tem atuado como um sistema de subtração de recursos nacionais ao setor financeiro, é evidente. O modelo econômico, os privilégios financeiros, o sistema legal e político, permeados pela corrupção e blindados pela grande mídia têm permitido com que o sistema da dívida se mantenha. Contudo, pelo conhecimento e com a força da verdade nós conseguiremos fazer com que o Brasil saia adiante e desenvolva todo o seu potencial”, apontou Fattorelli.
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terça-feira, 21 de julho de 2015

Sistema financeiro avança no domínio da economia mundial

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Terça, 21 de julho de 2015
Da Tribuna da Internet

Guilherme Almeida
Sobre a dramática situação da Grécia, que ninguém entende como chegou a esse ponto, uma mensagem recebida do Além Mar pode nos esclarece muita coisa, mostrando como o sistema financeiro está avançando no domínio da economia internacional. Para facilitar as explicações, pedimos ao interlocutor do Além Mar que nos explicasse de forma primária, como se fôssemos mesmo muito burros…

O que é o BCE?

– O BCE é o banco central dos Estados da União Europeia que pertencem à zona euro, como é o caso de Portugal.

E donde veio o dinheiro do BCE?

– O dinheiro do BCE, ou seja o capital social, é dinheiro de nós todos, cidadãos da UE, na proporção da riqueza de cada país. Assim, à Alemanha correspondeu 20% do total. Os 17 países da UE que aderiram ao euro entraram no conjunto com 70% do capital social e os restantes 10 dos 27 países da UE contribuíram com 30%.

E é muito, esse dinheiro?

– O capital social era 5,8 mil milhões de euros, mas no fim do ano passado foi decidido fazer o 1º aumento de capital desde que há cerca de 12 anos o BCE foi criado, em três fases. No fim de 2010, no fim de 2011 e no fim de 2012, até elevar a 10,6 mil milhões o capital do banco.

Então, se o BCE é o banco destes países, pode emprestar dinheiro a Portugal, ou não? Como qualquer banco, pode emprestar dinheiro a um ou outro dos seus accionistas ?

– Não, não pode.

Por quê?!

– Por quê? Porque… porque, bem… são as regras.

Então, a quem pode o BCE emprestar dinheiro?

– A outros bancos, a bancos alemães, bancos franceses ou portugueses, por exemplo.

Ah, percebo, então Portugal ou a Grécia, quando precisa de dinheiro emprestado não vai ao BCE, vai aos outros bancos que por sua vez vão ao BCE.

– Pois . . .

Mas para que complicar? Não era melhor Portugal ou a Grécia irem directamente ao BCE?

– Bom… sim… quer dizer… em certo sentido… mas assim os banqueiros não ganhavam nada nesse negócio!

Agora não percebi!!..

– Sim, os bancos precisam de ganhar alguma coisinha. O BCE de maio a dezembro de 2010 emprestou cerca de 72 bilhões de euros a países do euro, a chamada dívida soberana, através de um conjunto de bancos, a 1%, e esse conjunto de bancos emprestaram ao Estado português e a outros Estados a 6 ou 7%.

Mas isso assim é um “negócio da China”! Só para irem a Bruxelas buscar o dinheiro!

– Não têm sequer de se deslocar a Bruxelas. A sede do BCE é na Alemanha, em Frankfurt. Neste exemplo, ganharam com o empréstimo a Portugal uns 3 ou 4 bilhões de euros.

Isso é um verdadeiro roubo… Com esse dinheiro, nem precisariam cortar nas pensões, no subsídio de desemprego ou parte do 13º salário…

– As pessoas têm de perceber que os bancos têm de ganhar bem, senão como é que podiam pagar os dividendos aos accionistas e aqueles ordenados aos administradores que são gente muito especializada.

Mas quem é que manda no BCE e permite um escândalo destes?

– Mandam os governos dos países da zona euro. A Alemanha em primeiro lugar que é o país mais rico, a França, Portugal e os outros países.

Então, os governos dão o nosso dinheiro ao BCE para eles emprestarem aos bancos a 1%, para depois estes emprestarem a 5 e a 7% aos governos que são donos do BCE?

– Bom, não é bem assim. Como a Alemanha é rica e pode pagar bem as dívidas, os bancos levam só uns 3%. A nós ou à Grécia ou à Irlanda que estamos de corda na garganta e a quem é mais arriscado emprestar, é que levam juros a 6, a 7% ou mais.

Então nós somos os donos do dinheiro e não podemos pedir ao nosso próprio banco!…

– Nós, quem?! O país, Portugal ou a Alemanha, não é só composto por gente vulgar como nós. Não se queira comparar um borra-botas qualquer que ganha 400 ou 600 euros por mês ou um calaceiro que anda para aí desempregado, com um grande accionista que recebe 5 ou 10 milhões de dividendos por ano, ou com um administrador duma grande empresa ou de um banco que ganha, com os prêmios a que tem direito, uns 50, 100, ou 200 mil euros por mês. Não se pode comparar.

Mas, e os nossos governos aceitam uma coisa dessas?

– Os nossos governos… Por um lado, são, na maior parte, amigos dos banqueiros ou estão à espera dos seus favores, de um empregozito razoável quando lhes faltarem os votos.

Mas então eles não estão lá eleitos por nós?

– Em certo sentido, sim, é claro, mas depois… quem tem a massa é quem manda. É o que se vê nesta actual crise mundial, a maior de há um século, para cá. Essa coisa a que chamam sistema financeiro transformou o mundo da finança num cassino mundial, como os cassinos nunca tinham visto nem suspeitavam, e levou os EUA e a Europa à beira da ruína. É claro, essas pessoas importantes levaram o dinheiro para casa e deixaram a gente como nós, que tinha metido o dinheiro nos bancos e nos fundos, a ver navios. Os governos, então, nos EUA e na Europa, para evitar a ruína dos bancos tiveram de repor o dinheiro.

E onde o foram buscar?

– Onde havia de ser!? Aos impostos, aos ordenados, às pensões. De onde havia de vir o dinheiro do Estado?…

Mas meteram os responsáveis na cadeia?

– Na cadeia? Que disparate! Então, se eles é que fizeram a coisa, engenharias financeiras sofisticadíssimas, só eles é que sabem aplicar o remédio, só eles é que podem arrumar a casa. É claro que alguns mais comprometidos, como Raymond McDaniel, que era o presidente da Moody’s, uma dessas agências de rating que classificaram a credibilidade de Portugal para pagar a dívida como lixo e atiraram com o país ao tapete, foram… passados à reforma. Como McDaniel é uma pessoa importante, levou uma indenização de 10 milhões de dólares a que tinha direito.

E então como é que é? Engolimos e calamos?

– Isso já não é comigo, eu só estou a explicar…

domingo, 28 de junho de 2015

A Corrupção e o Sistema da Dívida

Domingo, 28 de junho de 2015
Vídeo-aula explica o Sistema da Dívida no Brasil. A corrupção é intrínseca ao funcionamento desse sistema, que opera no Brasil e em diversos países, beneficiando principalmente ao setor financeiro nacional e internacional.