Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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sábado, 9 de setembro de 2023

Auditoria Cidadã da Dívida: “Juros altos não controlam a inflação brasileira. País é paraíso dos rentistas”

Sábado, 9 de setembro de 2023

Bolsa banqueiro não tem teto: Cada ponto percentual de na Selic, gasto extra de R$ 42,9 bilhões anuais

Da AEPET —Associação dos Engenheiros da Petrobrás

Em audiência Pública da comissão de finanças e tributação da Câmara dos Deputados, no último dia 30/08, em Brasília, foram debatidas as absurdas taxas de juros no Brasil.

A coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida Pública, Maria Lucia Fattorelli, frisou que juros altos não controlam a inflação brasileira. “A inflação brasileira é decorrente dos preços administrados, combustíveis e alimentos. Não é de demanda. Além disso, a inflação está dentro da meta”, afirmou.

Como consequência, os bancos seguem batendo recordes de lucros e o país voltando ao mapa da fome, com 70 milhões em insegurança alimentar. “Cada ponto percentual de aumento na taxa básica de juros –Selic, significa gasto extra de R$ 42,9 bilhões anuais. E os bancos ainda recebem remuneração diária da sobra de caixa”.

Assista a íntegra do depoimento aqui no AEPET TV

terça-feira, 29 de agosto de 2023

Convite para acompanhar nesta quarta-feira, 30 de agosto, a Audiência Pública sobre Política de Juros promovida pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados

Terça, 29 de agosto de 2023


Convite para participar da Audiência Pública sobre Política de Juros promovida pela Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados
Dia 30/08/2023 [quarta-feira] às 10 horas

Prezados amigos e amigas da ACD, representantes de Núcleos e entidades apoiadoras, 

Desde o ano passado, a ACD tem trabalhado incansavelmente pela aprovação do projeto de lei complementar PLP 104/2022, que limita os juros no Brasil. Cabe lembrar que, com o importante apoio de nossas entidades parceiras, apresentamos proposta legislativa, que foi aprovada pela Comissão de Legislação Participativa, originando o PLP 104/2022. Esse projeto se encontra a Comissão de Finanças e Tributação (CFT) e precisa ser aprovado urgentemente, a fim de estancar a enorme sangria de recursos públicos, das pessoas e empresas para o pagamento de juros extremamente abusivos praticados no Brasil.

Para debater a Política de Juros no Brasil, a CFT da Câmara dos Deputados promove Audiência Pública no dia 30 de agosto (próxima quarta-feira), às 10h, no Anexo II, Corredor das Comissões da Câmara dos Deputados, Plenário 04.

A participação efetiva, tanto presencialmente como na transmissão ao vivo que será feita no canal do Youtube da CTF, será fundamental para mostrar o imenso interesse da sociedade no limite dos juros. Por isso, pedimos que anotem na agenda e compareçam presencialmente, se possível, ou acompanhem pela página da CFT na web: https://www2.camara.leg.br/atividade-legislativa/comissoes/comissoes-permanentes/cft ou no canal da Câmara no Youtube: https://www.youtube.com/@CamaradosDeputadosoficial.

Dentre os convidados a se pronunciar durante a referida audiência pública, contaremos com a participação ilustre do Dr. Fernando Siqueira (engenheiro diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobras — AEPET); Prof. Ladislau Dowbor (economista e professor da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo), Prof. Marco Antônio Mitidiero Júnior (professor da Universidade Federal da Paraíba). A CFT também aprovou convite a representantes da Federação Brasileira de Bancos  (FEBRABAN), do Banco Central e do Ministério da Fazenda.

Eu também estarei entre os palestrantes e conto com o apoio de todos e todas para que tenhamos uma expressiva participação, tanto presencial como virtualmente, capaz de mostrar o quanto defendemos que o limite dos juros tem que virar lei.

Forte abraço,

Maria Lucia Fattorelli

Coordenadora Nacional da Auditoria Cidadã da Dívida


Coordenação Nacional da Auditoria Cidadã da Dívida 
SAUS, Quadra 5, Bloco N, 1º andar – Brasília/DF – CEP:70070-939 - Edifício Ordem dos Advogados do Brasil
Telefone (61) 2193-9731 — E-mail contato@auditoriacidada.org.br — www.auditoriacidada.org.br 

sábado, 5 de agosto de 2023

LIMITE DOS JUROS TEM QUE VIRAR LEI

Sábado, 5 de agosto de 2023

Da Auditoria Cidadã da Dívida

O volume de crédito rolado por cartões de crédito, cuja taxa média ficou em 437,3% a.a. em junho/2023, segundo dados divulgados pelo Banco Central, passou de R$ 30 bilhões no referido mês.

O LIMITE DOS JUROS no Brasil é objeto de projeto de lei (PLP 104/2022) que nasceu da campanha lançada desde o ano passado pela Auditoria Cidadã da Dívida, em conjunto com diversas entidades da sociedade civil, com apoio inclusive da CNBB (ver depoimento de Dom Walmor Oliveira em https://www.youtube.com/watch?v=D5cF-kscuOg ) e da Comissão Brasileira Justiça e Paz. Em evento virtual, o lançamento da campanha foi um sucesso e contou com a participação de autoridades, jornalistas, inúmeras entidades da sociedade civil e apoiadores (https://www.youtube.com/watch?v=uFyRdrwUO2g&t=149s). A iniciativa rendeu até Prêmio à ACD, que recebeu o “Selo de Participação Legislativa”, entregue pela Comissão de Legislação Participativa (CLP) da Câmara dos Deputados às entidades da sociedade civil organizada que mais atuaram junto à Comissão nos anos de 2021 e 2022, por serviços relevantes à sociedade (https://www.youtube.com/watch?v=EaWFzAZtH0k).

Em vez de apoiar esse importante PLP 104/2022 construído pela base da sociedade, e que limita os juros ao máximo de 12% ao ano, além de impedir a continuidade da farra da Bolsa-Banqueiro (remuneração parasita, paga diariamente aos bancos, sobre dinheiro que sequer pertence a eles), o governo dialoga com bancos para “contratar uma transição”, segundo notícia publicada pelo Jornal do Comércio (https://bit.ly/44W1GQg):

“o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que uma solução para o rotativo sairá em 90 dias. Haddad afirmou que o governo federal vai contratar com o sistema bancário uma transição para um sistema melhor do que o atual. “Teremos um freio”, disse o ministro.”

Sem pressão social, entra governo, sai governo, e quem manda são bancos. Faça a sua parte e opine favoravelmente ao PLP 104/2022 no site da Câmara dos Deputados (https://www.camara.leg.br/enquetes/2333328).

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

Juro do cartão é o mais alto desde 2017; Até quando aceitaremos as taxas absurdas cobrada pelos bancos?

Quinta, 29 de setembro de 2022


Juro do cartão é o mais alto desde 2017
29 de setembro, 2022

Da Auditoria Cidadã da Dívida

A capa do caderno de economia do Correio Braziliense desta quinta-feira (29) retrata bem a importância de nossa Campanha pelo Limite dos Juros no Brasil. A notícia em destaque mostra que os juros do cartão de crédito são os maiores desde 2017, com taxas do rotativo chegando a 389,4% ao ano e cheque especial com custo médio de 128,6%. O texto aponta que as altas refletem a elevação da taxa básica de juros (Selic) promovida pelo Banco Central (BC) e que o número de famílias endividadas no país bate recorde. (Leia a matéria completa no Correio)

Do que mais precisamos para movimentar a sociedade em apoio ao limite dos juros? Está claro que a política monetária praticada pelo BC é prejudicial à sociedade e só serve ao setor financeiro. Com essa política o BC aprofunda a crise que enfrentamos desde 2015/16, quando o PIB encolheu 7%. Em vez de ampliar o acesso ao crédito para viabilizar a retomada da economia, os juros estão altíssimos e os bancos não cumprem seu papel nessa recuperação, já que estão lucrando como nunca com o pagamento de remuneração diária pelo BC e demais ganhos com títulos públicos, devido à alta da Selic.

Precisamos e podemos mudar esse cenário! O PLP 104/22, criado pela Auditoria Cidadã da Dívida em parceria com diversas entidades da sociedade civil, é um projeto de lei que já está tramitando na Câmara dos Deputados e visa estabelecer um teto máximo de 12% de juros ao ano, além de acabar com os mecanismos que fazem com que bancos não emprestem dinheiro para a sociedade. Faça a sua parte e pressione os parlamentares pela aprovação!

Acesse https://auditoriacidada.org.br/pressione-a-cft-pelo-limite-dos-juros e com apenas 1 clique envie a mensagem que preparamos.

Saiba mais sobre a campanha em

#limitedosjurosjá #temquevirarlei

sábado, 26 de maio de 2018

quinta-feira, 26 de abril de 2018

As lutas atuais contra a dívida ilegítima numa perspetiva histórica

Quinta, 26 de abril de 2018
A diminuição da prestação pública de serviços associada à era neoliberal, da qual a financeirização tem sido uma característica fundamental, levou à mercantilização dos serviços básicos e submergiu as pessoas em níveis crescentes de dívida privada. Os indivíduos ficaram cada vez mais dependentes de empréstimos para terem acesso a serviços básicos, como habitação, educação e saúde.


por 
Eric Toussaint , Christina Laskaridis , Nathan Legrand
12 de abril de 2018


Foto de Paulete Matos - Esquerda.net

CONTEÚDOS:
1. Introdução 
2. Estudos de caso 
- 2.1. Estudo de caso anglo-irlandês “Not Our Debt” que analisa a responsabilidade pela crise
- 2.2. Estudo de caso “15MpaRato” que analisa a transparência das dívidas contraídas
- 2.3. Estudo de caso “Debt Resistance UK” que analisa as instituições financeiras que ludibriam as autoridades locais
- 2.4. Estudo de caso “Rolling Jubilee” que mostra que é possível anular a dívida se houver vontade política
3. Auditorias à dívida: um movimento abrangente para denunciar dívidas
- 3.1. Objetivos das auditorias
- 3.2. Reflexões sobre a experiência da auditoria grega
4. Precedentes históricos do repúdio da dívida
- 4.1. Equador e Islândia
- 4.2. O repúdio da dívida nos EUA nos anos trinta do séc. XVIII
- 4.3. México: A luta bem sucedida contra a dívida nos séc. XIX e XX
- 4.4. O repúdio da dívida na Rússia Soviética
- 4.5. O repúdio da dívida na Costa Rica
- 4.6. A longa lista de anulações ou repúdios de dívida entre os séculos XIX e XXI
5. A doutrina da dívida odiosa
6. Conclusão

1. Introdução

A presença crescente de credores e de detentores de ativos na esfera do poder é uma característica generalizada da financeirização. Convém destacar dois aspetos da financeirização, que servem para compreender o contexto em que surgiram várias lutas recentes contra a dívida. O primeiro diz respeito à financeirização da vida quotidiana com o consequente aumento das dívidas privadas. O segundo aspeto diz respeito ao modo como a crise financeira foi gerida. A diminuição da prestação pública de serviços associada à era neoliberal, da qual a financeirização tem sido uma característica fundamental, levou à mercantilização dos serviços básicos e submergiu as pessoas em níveis crescentes de dívida privada. Os indivíduos ficaram cada vez mais dependentes de empréstimos para terem acesso a serviços básicos, como habitação, educação e saúde. Vários autores desta publicação analisam os detalhes e as variações nacionais desses processos.
Os fracassos do sistema financeiro que vieram à tona durante a crise financeira global foram encobertos pelo Estado e o custo avassalador do resgate do setor financeiro, por sua vez, criou dificuldades às finanças públicas. Os países foram apanhados por esquemas que convertem dívida privada em pública, fazendo aumentar o pagamento da dívida em detrimento de outras despesas. A adoção generalizada de medidas de austeridade empurrou esses custos para o setor público, que cobriu os prejuízos e as insolvências do setor bancário. Em certos casos, o setor financeiro chegou mesmo a morder a mão a quem lhe deu de comer, levando os Estados à bancarrota (Cutillas, 2014). A situação fez com que vários países da zona do euro pedissem ajuda oficial à Troika (BCE, FMI e Comissão Europeia) e foi particularmente nesses casos que o poder dos credores sobre os países se fez notar. Utilizando meios de retenção do crédito e retirando qualquer capacidade de manobra aos países endividados, foi-lhes imposta a austeridade e os grandes condicionalismos estruturais (Roos, 2016). Os métodos bola de neve, os negociantes de crédito, os agiotas, os oficiais de justiça e os credores multilaterais e internacionais trabalharam no sentido de manter a convicção de que é imperativo pagar. Mesmo quando se demonstra que a acumulação de dívida não foi usada para beneficiar os objetivos coletivos de uma população, o poder da alta finança permite que sejam exercidas pressões sobre Estados e indivíduos financeiramente dependentes.

sábado, 14 de abril de 2018

No rumo da inadimplência, o mundo deve o dobro do que produz a cada ano

Sábado, 14 de abril de 2018
Da Tribuna da Internet
Imagem relacionada
Charge do Adão Iturrusgarai (Arquivo Google)
 Pedro do Coutto
Como disse em artigo anterior, o repórter Sérgio Tauhata revelou na edição de quarta-feira do Valor, 12 de abril, que a dívida global dos países do mundo, incluindo e populações atinge a soma estratosférica de 237 trilhões de dólares, de acordo com os dados do Instituto de Finanças Internacionais. Para se dimensionar esse valor enorme, basta compará-lo com o Produto Bruto Mundial, que em 2017 oscilou em torno de 100 trilhões de dólares, em números redondos. O montante da dívida explica as razões da concentração de renda do planeta, com destaque para o caso do Brasi,l objeto de reportagem de Cássia Almeida, O Globo de quinta-feira.
Se calcularmos o efeito dos juros anuais sobre a dívida mundial global, vamos nos deparar com outra soma assombrosa. Se a média anual de juros fosse a adotada pelos EUA teríamos a incidência da taxa de 1,5% em cima dos 237 trilhões de dólares, o que significaria aproximadamente 6 trilhões de dólares a cada doze meses. O PIB do Brasil é de 6,6 trilhões de reais o que aproximadamente significa 2 trilhões de dólares.

quinta-feira, 14 de julho de 2016

Entidades pedem auditoria da dívida em evento sobre PLP 257 na Câmara dos Deputados

Quinta, 14 de julho de 2016
“Esse mesmo projeto que corta direitos, enriquece o capital financeiro. Não podemos aceitar pagar essa conta”

Da Auditoria Cidadã da Dívida
Diante da aprovação do regime de urgência para a votação do PLP 257, representantes de entidades de classe e trabalhadores lotaram o auditório Nereu Ramos na Câmara dos Deputados para Audiência Pública sobre o projeto que propõe renegociar a dívida dos estados com a União.

Conduzida pelo relator do projeto na Câmara, o deputado Wolney Queiroz (PDT/PE), que se comprometeu a buscar uma solução que contemple todos os lados, o debate levantou os pontos polêmicos do projeto de lei, com foco nos prejuízos para os servidores e a prestação de serviços públicos essenciais a população.

A coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli, apontou outros pontos polêmicos contidos no plano de auxílio aos estados, entre eles o dispositivo que transforma a União em seguradora internacional para investidores privados nacionais e estrangeiros e o item referente a garantia de remuneração de sobra de caixa de bancos.

Ao discorrer sobre o histórico em que foram contraídas as dívidas dos estados, Fattorelli também revelou um esquema ilegal contração de dívidas e seu crescimento com base na cobrança abusiva de juros sobre juros.

“Esse mesmo projeto que corta direitos, enriquece o capital financeiro. Não podemos aceitar pagar essa conta”, criticou.

quarta-feira, 27 de abril de 2016

A mãe dos bancos. Raposas tomando conta do galinheiro: Copom mantém juros em 14,25% ao ano pela sexta vez seguida

Quarta, 27 de abril de 2016
Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil
Pela sexta vez seguida, o Banco Central (BC) não mexeu nos juros básicos da economia. O Comitê de Política Monetária (Copom) manteve por unanimidade hoje (27) a taxa Selic em 14,25% ao ano. A decisão era esperada pelos analistas, que preveem que a taxa permanecerá inalterada até o fim do ano.

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Em comunicado, o Copom informou que o nível atual de inflação não permite ao Banco Central começar a reduzir os juros básicos agora. "O comitê reconhece os avanços na política de combate à inflação, em especial a contenção dos efeitos de segunda ordem dos ajustes de preços relativos. No entanto, considera que o nível elevado de inflação em 12 meses e as expectativas de inflação distantes dos objetivos do regime de metas não oferecem espaço para a flexibilização da política monetária", informou o texto.

Os juros básicos estão nesse nível desde o fim de julho do ano passado. Com a decisão do Copom, a taxa se mantém no mesmo percentual de outubro de 2006. A Selic é o principal instrumento do banco para manter sob controle a inflação oficial, medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Oficialmente, o Conselho Monetário Nacional estabelece meta de 4,5%, com margem de tolerância de 2 pontos, podendo chegar a 6,5%. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o IPCA acumulou 9,39% nos 12 meses encerrados em março, depois de atingir o recorde de 10,71% nos 12 meses terminados em janeiro.

No Relatório de Inflação, divulgado no fim de março pelo Banco Central, a autoridade monetária estima que o IPCA encerre 2016 entre 6,6% e 6,9%. O mercado está mais pessimista. De acordo com o boletim Focus, pesquisa semanal com instituições financeiras divulgada pelo Banco Central, o IPCA fechará o ano em 6,98%.

Há sete semanas seguidas, o mercado reduz a estimativa de inflação. Além do fim do impacto da elevação de preços administrados (como energia e combustíveis), a queda do dólar tem contribuído para a diminuição dos índices de preços. Nos próximos meses, a expectativa é que a inflação desacelere ainda mais por causa do agravamento da crise econômica.

Embora ajude no controle dos preços, o aumento ou a manutenção da taxa Selic em níveis elevados prejudica a economia. Isso porque os juros altos intensificam a queda na produção e no consumo. Segundo o boletim Focus, os analistas econômicos projetam contração de 3,88% do Produto Interno Bruto (PIB, soma dos bens e serviços produzidos pelo país) em 2016. No Relatório de Inflação, o BC prevê retração de 3,5%.

A taxa é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao reajustá-la para cima, o Banco Central segura o excesso de demanda que pressiona os preços, porque os juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. Quando reduz os juros básicos, o Copom barateia o crédito e incentiva a produção e o consumo, mas enfraquece o controle da inflação.

 [Clique sobre a imagem para melhor observar]


domingo, 18 de outubro de 2015

“Deixamos de dever ao FMI para dever aos bancos”


Domingo, 18 de outubro de 2015
Da Auditoria Cidadã da Dívida
publicado originalmente no portal www.extraclasse.org.br
Por Naira Hofmeister


“Deixamos de dever ao FMI para dever aos bancos” 
Maria Lucia Fattorelli  — Foto: Matheus Caporal/Ceape/TCE-RS

Maria Lucia Fattorelli é auditora fiscal aposentada, mas sua vida não tem nada de inativa. Coordenadora do movimento pela Auditoria Cidadã da Dívida Pública, ela passa os dias voando entre o escritório em Brasília e diversos estados brasileiros, onde oferece seminários e palestras para mostrar a urgência de uma investigação dos contratos que levam o Brasil a gastar quase a metade de seu orçamento anual com juros e amortizações da dívida pública, enquanto Saúde e Educação levam apenas 3,6% do bolo cada uma.
“Utilizamos o endividamento às avessas, de tal modo que ao invés de representar um aporte de recursos, ele tem sido um mecanismo de desvio de dinheiro público para o setor financeiro privado”, acusa. A inversão dessa relação era o que pedia o movimento popular que se opunha à intervenção do Fundo Monetário Internacional (FMI) no Brasil – uma das bandeiras do Fórum Social Mundial de Porto Alegre, atendida pelo ex-presidente Lula em 2005, que negociou a antecipação do pagamento do empréstimo ao banco. Uma atitude que, na opinião de Maria Lucia, não trouxe benefícios políticos nem financeiros para o país. “A dívida apenas mudou de mãos e ficou muito mais cara. E ainda continuamos vinculados aos compromissos com aquela instituição, como o Ministério da Fazenda avisou que faria”, lamenta.
Dez anos depois, a população brasileira vê o receituário neoliberal ser aplicado mais uma vez nos diversos contingenciamentos de gastos públicos anunciados ao longo de 2015 pelo governo federal. “O ajuste fiscal serve para que sobrem mais recursos para pagar os juros da dívida, que são os mais elevados do mundo e não param de subir”, alerta a auditora. Sua defesa da revisão de contratos firmados com instituições financeiras não é inédita no mundo: no Equador, o presidente Rafael Correa apoiou-se em um levantamento feito por especialistas internacionais – time do qual ela participou – para propor aos credores uma maneira de reduzir os pagamentos, fazendo sobrar recursos para investimentos sociais. “Ao contrário do que se poderia imaginar, 95% dos credores aceitaram”. Além do Equador, Maria Lucia também participou da recente auditoria da dívida pública na Grécia, tema que ela também aborda nesta entrevista ao Extra Classe.
Extra Classe – Por que devemos estar atentos à dívida pública?
Maria Lucia Fattorelli – Em tese, o endividamento deveria ser um instrumento de melhoria social, possibilitando grandes investimentos em infraestrutura, geração de energia e outras necessidades sociais. No entanto, após as investigações feitas na CPI da Dívida, em 2010, constatamos que a maior parte da nossa dívida atual é ilegítima, não traz nenhuma contrapartida para o país: geramos dívida para pagar juros da nossa própria dívida, o que, inclusive, é inconstitucional. E essa dívida pública está sendo paga por toda a sociedade, que precisa conhecer o que está pagando. Para exemplificar, enquanto Saúde e Educação receberão cada uma cerca de 3,6% do orçamento planejado para 2015, juros e amortizações da dívida pública levarão 47% dos gastos do governo federal.
EC – Qual a origem da dívida pública e quem são seus credores?
Maria Lucia – A origem da dívida é sempre obscura e incerta, daí a necessidade de se auditar os contratos realizados. Oficialmente não temos como saber quem são os credores da dívida, pois o próprio governo federal afirma não saber, enquanto o Banco Central se nega a informar, alegando “sigilo bancá- rio”. Contudo, sabemos que são poucas instituições financeiras, e de grande porte, as únicas com condições para comprar os títulos da dívida diretamente do Banco Central, os chamados dealers.
EC – A dívida do Brasil diminui com o passar dos anos?

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Auditoria Cidadã da Dívida: Palestra na Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados

Terça, 22 de setembro de 2015
Da Auditoria Cidadã da Dívida
No dia 16 de setembro de 2015, a coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli, deu uma excelente palestra na Câmara dos Deputados, em apresentação sobre o Orçamento 2016, pela Consultoria de Orçamento da Câmara dos Deputados. Assista ao vídeo e entenda uma série de mecanismos temerários que têm feito a dívida pública crescer exponencialmente, sob altíssimas taxas de juros sustentadas por falácias como de que o país vive uma “inflação de demanda”. Entenda também como o Banco Central, utilizando o mecanismo de “swap cambial”, teve prejuízo de mais de R$ 158 bilhões, verba pública usada para garantir a farra dos banqueiros!
Parte 1:
Parte 2:
Assista aos demais vídeos da sessão no site da Câmara dos Deputados:
palestra na comissao de seguridade social e familia da camara dos deputados

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Prosperar ou sucumbir


Segunda, 20 de julho de 2015
Resultado de imagem para foto adriano benayon
Por Adriano Benayon * - 20.07.2015
O caso da Grécia ajuda a compreender o desafio que o Brasil terá de enfrentar.
2. Como salienta a auditora Maria Lucia Fattorelli, que prestou inestimável colaboração ao Parlamento grego no exame da dívida pública daquele país, ele vem sendo sangrado, há anos, pelo sistema da dívida, governado por grandes bancos de âmbito mundial.
3. Só de 2010 ao presente, a renda nacional da Grécia foi reduzida em 30%, os salários caíram nessa proporção, os pensionistas perderam mais de 50%. O  desemprego passa dos 27% e atinge mais de 60% entre os jovens.
4. Mesmo tendo o povo rejeitado, em plebiscito, o mais recente programa dos “credores”, e tendo o Parlamento mostrado à nação as ilegalidades e fraudes originadoras da maior parte da dívida, faltou coragem ao governo do Syriza para desistir de mais um acordo com a União Europeia.
5. Entretanto, esse acordo dará prosseguimento à destruição econômica e social do país. Trata-se de um terceiro programa de “resgate”, na realidade, de arrocho com calendários de curto prazo.
6. Até quarta-feira (15), o Parlamento grego tem que aprovar mais aumentos de impostos e reformar o sistema de pensões. Só depois disso, os ditadores da União Europeia (Alemanha e França), autorizarão negociar um memorando de entendimento com Atenas.
7. Até outubro, as autoridades gregas têm que implementar mais reformas nas pensões e zerar o déficit, além de cumprir programa de privatizações. Também, alterar as relações de trabalho, facilitando as demissões.  Em suma, elevar as doses dos “remédios” que têm arruinado a saúde do paciente.
8. A mensagem está claríssima. A tirania financeira mundial não tolera qualquer medida dos países envolvidos pelo sistema da dívida, em defesa de suas economias e de seus povos, por mais moderada que seja: eles são pressionados a enredar-se, cada vez mais, na armadilha financeira.
9. Pergunto-me  por que motivo, afora a corrupção – que  jogou papel importante na passividade de muitos de seus antecessores  - o atual governo grego se curvou às imposições do Banco Central Europeu, FMI e tiranos da União Europeia, entidade gradualmente moldada pela oligarquia financeira angloamericana, para subordinar os países da Europa continental.
10. Suponho que as causas sejam os temores de: a) sanções por parte da Alemanha, da França e associados,  os maiores importadores das produções primárias e origem do grosso do turismo, as duas principais fontes de divisas da Grécia; b)  corte do crédito por parte do sistema financeiro internacional e congelamento de fundos depositados no exterior, além de arresto de bens.
11. Não se podem comparar as dimensões, nem as dotações de recursos naturais do Brasil e da Grécia. O Brasil poderia até beneficiar-se das sanções a que estaria sujeito, em caso de cumprir a cláusula da independência, evidentemente superior à própria Constituição (que também a proclama, embora ignorada na prática).
12. Antes, deve ficar claro que, sem autonomia nacional, não há a menor possibilidade de evitar a ruína, que avança a passos largos em nosso País.
13. A soberania vem sendo, há decênios, preterida pelas “boas relações” com as potências imperiais e pela subordinação da política econômica ao sistema financeiro, comandado pelo eixo Londres-Nova York e operado nessas praças e nas offshore, sob controle delas.
14. É de notar, ademais, o espantoso grau dessa subordinação, que supera, em muito, a existente até em países de menor dimensão e aparentemente mais frágeis que o Brasil.
15. Haja vista, entre os exemplos mais notáveis,  as estratosféricas taxas de juros aqui praticadas:
a) as que, compostas, estão levando a dívida pública brasileira a mais crises conducentes a ainda mais vergonhosas abdicações de soberania e a perda de substância econômica;
b) as impostas a empresas nacionais atuantes na produção e a pessoas físicas dependentes de seu trabalho, taxas, como se sabe, grandes múltiplos daquelas, mais que absurdas.
16. Duas premissas têm de sustentar uma análise realista:
1)   o truculento sistema da dívida não faz concessões aos que nele se enredam: as ameaças, pressões e sanções são manipuladas de forma a obrigá-los a subscrever os “acordos” praticamente por inteiro;
2)   portanto, tentativas de atenuar as penosas condições a que os “devedores” são submetidos, são reprimidas do mesmo modo que seriam medidas capazes de, a médio e longo prazos, liberá-los do crônico enfraquecimento a que vem sendo forçados.
17. Apesar de a presidente ter reduzido os já deprimidos investimentos federais e elevado os já inadmissivelmente altos ganhos dos concentradores financeiros, estes e seus mentores da oligarquia angloamericana não estão satisfeitos e usam seus diversos instrumentos de pressão política para desestabilizar e derrubar o governo.
18.  Está claro que as potências imperiais e seus vassalos brasileiros não toleram mudanças na política econômica nos últimos 61 anos, por mais modestas que sejam. Ao contrário, só admitem radicalizá-la, o que implica levar o País à miséria, intensificando-se a desnacionalização e a desindustrialização da economia.
19. Portanto, se quiser ter alguma chance de, um dia, encontrar o desenvolvimento, o Brasil terá de adotar, desde já, políticas, por completo, diferentes das que têm prevalecido.
20. Por exemplo, reduzir a taxa de juros dos títulos públicos em 2 pontos percentuais, já escandalizaria a grande mídia e os acadêmicos que papagueiam doutrinas econômicas inaplicáveis aos contextos reais.
21. O que se deve fazer, em lugar disso, é diminuir essas taxas em 15 pontos percentuais (cerca de 17% aa. para 2% aa.). Sobre a dívida interna bruta de R$ 3,3 trilhões, isso significa economizar R$ 500 bilhões anuais, quantia equivalente a 10% do PIB.
22. Vale lembrar que os defensores do arrocho gerido pelo ministro da Fazenda e Banco Central alegam que ele fará economizar entre R$ 70 bilhões e R$ 80 bilhões.
23. Além disso, esses cortes têm efeito multiplicador negativo, por implicar redução de investimentos e de despesas, enquanto o dinheiro poupado com o estéril gasto financeiro da dívida pública poderia ser investido produtivamente, com apreciável geração de receitas adicionais.
24. A sensível redução dos juros é também indispensável por ser o único meio de evitar a capitalização deles, o fator determinante do crescimento exponencial da dívida pública.
25. Mas, para fazer o serviço completo nessa área, há que suprimir artigos lesivos ao País da falsa Constituição “cidadã”, de 1988, a começar pelo de nº 164, que usurpa do Tesouro Nacional o direito de emitir moeda e o confere exclusivamente ao Banco Central. Pior, ao proibir que este financie o poder público, o submete à agiotagem dos bancos privados.
26. É também espantoso que a Lei 4.595, de 31.12.1964, tenha sido recepcionada pela Constituição, como Lei complementar, e continue sendo o arcabouço do sistema financeiro do País, tendo sido elaborada sob medida para os interesses dos bancos concentradores. Há que fazer outra sob princípios bem diferentes.
27. Essas são algumas das medidas de que o País precisa, a fim de realizar políticas macroeconômicas decentes, devendo-se também enunciar a reformulação completa das estruturas microeconômicas, sem as quais aquelas de pouco valem.
28. Ou seja: novas políticas industrial, tecnológica, de serviços e dos mercados, afora infraestruturas econômicas e sociais compatíveis com tais estruturas, livres das garras dos carteis e abertas à concorrência dos produtores.
29. Claro que a defesa nacional deve ser uma das prioridades, em interação com a indústria voltada para o bem-estar e para  o progresso técnico. Tudo isso exige administrações civil e militar inspiradas em valores elevados e conscientes de que a solidariedade nacional tem de prevalecer sobre ambições pecuniárias e de poder.
30. Em tal sistema, o mérito, não só intelectual, é aferido desde as primeiras letras, e o importante setor estatal tem de ser administrado de modo que os equipamentos e empresas estatais estejam a serviço da sociedade em seu conjunto e, portanto, não sejam objeto de comércio.
* - Adriano Benayon é doutor em economia pela Universidade de Hamburgo e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

sábado, 18 de julho de 2015

Os 80 mil milhões de que a Grécia precisa estão na Suíça . . . e são gregos

Sábado, 18 de julho de 2015 
De Carta Maior 
O quantia que gregos sonegaram e esconderam na Suíça supera os 80 bilhões de euros. Alguém ainda acredita que a dívida pública é legal, moral ou legítima?

Carlos Enrique Bayo* Tahir / Flickr
Entre as muitas canalhices que a Troica e o Conselho Europeu cometeram contra a Grécia, talvez a mais cínica foi a de ocultar que todo o dinheiro que os gregos necessitam agora está em paraísos fiscais e foi fruto de evasão fiscal por parte dos magnatas tão apoiados por Merkel e Rajoy. Indo direto ao ponto: o valor que se esconde em contas na Suíça supera os 80 bilhões de euros –precisamente, a quantidade que se negocia agora para um terceiro resgate grego –, segundo os especialistas consultados pelo programa Rundschau (Panorama) da radiotelevisão suíça (SRF).

quinta-feira, 16 de julho de 2015

Zoe Konstantopoulou e Maria Lucia Fattorelli contra a austeridade e o Sistema da Dívida

Quinta, 16 de julho de 2015

Da Auditoria Cidadã da Dívida

Nesta semana Zoe Konstantopoulou enviou uma linda carta ao Parlamento Grego e ao povo grego, colocando-se contra o programa de austeridade aprovado (antes que ele tivesse ido a votação), e a coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, Maria Lucia Fattorelli, por sua vez, mandou uma carta a Zoe, em resposta, dando total apoio à luta do povo grego contra a austeridade e o Sistema da Dívida.
Leia as cartas a seguir (ambas traduzidas ao português).
Zoe Konstantopoulou
Não ao Memorando de Servidão
Eis o discurso proferido no início da manhã de 11 de julho por Zoe Konstantopoulou, presidente do parlamento grego, sobre a questão da proposta do governo para as instituições credoras:
Senhoras e senhores,
Em momentos como este temos de agir e falar com sinceridade obrigatória e ousadia política. Devemos assumir a responsabilidade que cabe a todos e a cada um de nós.
Temos de defender, de acordo com os ditames de nossa consciência, as coisas que são sagradas, atemporais e não negociáveis, as leis e os direitos do povo e da sociedade. Devemos guardar o legado daqueles que deram suas vidas e sua liberdade para que possamos viver como pessoas livres hoje. Devemos preservar a herança dos jovens e das gerações futuras, da civilização humana. [Devemos preservar], além disto, os valores inalienáveis ​​que definem e animam nossa existência pessoal e coletiva.
Como cada pessoa escolhe e decide agir pode ser diferente, e ninguém tem o direito de banalizar decisões que surgem a partir de um processo e julgamento existencial, para repreendê-las, ou explorá-las para consumo político.
Todos e cada um de nós somos julgados e devemos ser julgados por nossas posições e nossas decisões, por nosso Sim e por nosso Não, por nossas ações e omissões, pelos nossos compromissos e as nossas respostas, pela nossa dedicação e abnegação.