Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

As lições ministradas à Dilma na Escolinha do Professor Rotundo

Quinta, 28 de janeiro de 2016
Do Blogue Náufrago da Utopia
Por Celso Lungaretti

Bajulado repulsivamente pela esquerda chapa branca quando dá declarações favoráveis à continuidade de Dilma Rousseff na Presidência, o ex mandachuva da economia na ditadura militar e signatário impune do AI-5 nem sempre se alinha com a retórica governista.



Em entrevista publicada n'O Globo desta 5ª feira (28), Delfim Netto disse inexistir "a menor dúvida" de que houve mesmo estelionato eleitoral na eleição de 2014. Além disto, deu alguns conselhos de amigo urso à presidente, pois, argumentou, com o impeachment "fora do radar", "temos que usar (sic!) a Dilma".



E o que ele sugere? Simplesmente que Dilma confronte o PT para continuar impondo aos brasileiros medidas recessivas e antipopulares, insistindo na opção neoliberal que fez em 2015. Leiam e constatem:


O que ela precisa fazer?
Todo mundo sabe que o sistema de aposentadoria viola as regras da aritmética. É um problema que vai ter que ser enfrentado. Em segundo, as vinculações são absurdas, incompreensíveis. Vinculação é estar num avião, ligar o piloto automático e esperar acabar a gasolina. Também não se pode manter tudo indexado ao salário mínimo. O quarto ponto é: nenhum empresa hoje sabe qual o seu passivo trabalhista. Porque a Justiça do Trabalho parte da hipótese de que todo trabalhador é hipossuficiente e todo empresário é ladrão. 

Mas o PT historicamente é contra essas medidas...
O PT pode ser contra. O PT não sabe regra de três. Se for necessário, [ela deve] dizer: “Nós vamos ensinar regra de três ao PT”. 

Ela teria que se colocar contra o PT?
Ela não vai se colocar contra o PT coisa nenhuma. Ela tem que se colocar a favor do Brasil. Se o PT for contra, ele que está contra o Brasil. Ou [Dilma] faz isso, ou morre.
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domingo, 17 de janeiro de 2016

Para salvar a pele de Dilma, até o Delfim Netto serve

Domingo, 17 de janeiro de 2016 

Por Celso Lungaretti
Delfim Netto foi um dos 17 signatários do Ato Institucional nº 5, que deu sinal verde para os órgãos de repressão da ditadura militar barbarizarem, matarem, torturarem, estuprarem, darem sumiço em cadáveres, etc. Isto faz dele co-autor de todos os crimes cometidos pelos terroristas de Estado entre 13 de dezembro de 1968 e 31 de dezembro de 1978.
Delfim Netto não se arrepende de todo sangue que jorrou de sua caneta e já chegou a afirmar que assinaria de novo o AI-5. Eis, textualmente, a defesa que fez da sua ignomínia em junho de 2013: "Se as condições fossem as mesmas e o futuro não fosse opaco, eu repetiria".
Este é o indivíduo cuja opinião favorável à continuidade da presidente Dilma Rousseff no poder foi valorizada pelo Brasil 247  a ponto de ocupar toda a capa da edição 74 de sua revista. De que vale, afinal, o apoio de quem apoiou o AI-5?!
Não há nada a estranhar, contudo, pois na campanha presidencial de 2014 o site do Brasil 247 chegou a reproduzir, respeitosamente, críticas a Marina Silva formuladas por... Reinaldo Azevedo! Tão respeitosamente que o pitbull ultradireitista foi introduzido apenas como "expoente do movimento neocon".
Mesmo que eu estivesse me afogando, recusaria uma mão estendida por Delfim Netto.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Ele também tem duas caras. Só que ambas são horríveis

Segunda, 7 de abril de 2014
Do Blog Náufrago da Utopia

Se preferir ir direto à fonte, clique aqui e leia o artigo no Náufrago da Utopia.

Por Celso Lungaretti

Dentre os economistas que serviram a ditadura, os mais lembrados são Roberto Campos e Delfim Netto.
O primeiro tinha todos os defeitos e, ao menos, algum caráter. Quando foi abandonada a orientação por ele sempre defendida (era devoto do deus Mercado), não quis mais ser ministro.

O segundo tinha todos os defeitos, somados a um apetite insaciável pelo poder. 
Expelido do Ministério da Fazenda em 1974 porque a economia brasileira entrara em parafuso, aceitou voltar por baixo, bem por baixo, em 1979.  Como ministro da Agricultura, mesmo ignorando se alface brotava no chão ou dava em árvores.

Além, é claro, de ter ajudado a escancarar as portas do inferno, ao assinar o AI-5. Hoje alega que ignorava com quantos paus o regime fazia suas canoas, mas homens dignos, nessas circunstâncias, abstêm-se, ao invés de tomarem partido no escuro e assinarem cheques em branco.

Seja quem for que detenha o poder...

Num país sério, seu prestígio teria virado pó a partir da redemocratização.  
Aqui continuou dando aulas, escrevendo em jornais e até sendo a eminência parda de presidentes ditos de esquerda (existirão pessoas tão ingênuas a ponto de acreditarem que sejam mesmo os Paloccis da vida que traçam as linhas-mestras econômicas dos governos petistas?).
Agora, Delfim Netto cospe no prato em que comeu, inculpando o então presidente da Petrobrás, Ernesto Geisel, pelo fracasso de sua política econômica e consequentes cinco anos de ostracismo, mas omitindo que, quando assumiu o poder, Geisel teve pena dele e atirou-lhe uma boia, nomeando-o embaixador na França.  
E, como quem não quer nada, dá sua contribuiçãozinha ao lobby para a privatização a Petrobrás, malhando o ferro enquanto está quente:

...o Delfim estará ao seu dispor.

"Em 1972, eu estava em Roma numa reunião do Fundo Monetário Internacional. E o Giscard D´Estaing que era o ministro de finanças da França, tinha ficado muito amigo do Brasil. E ele me disse: 'olha Delfim, os árabes estão preparando um cartel. Eles vão elevar o preço do petróleo a US$ 6'. Nós pagávamos US$ 1,20 o barril.
Quando voltei para o Brasil, comuniquei isso ao presidente, o presidente convocou uma reunião. Nossa proposta (...) era: 'vamos abrir a exploração de petróleo. Vamos fazer contrato de exploração de petróleo com empresas privadas', que era para acelerar o processo.
O Geisel se opôs dramaticamente. Quem quebrou o Brasil foi o Geisel. O Geisel era o presidente da Petrobras. A Petrobras passou 20 anos produzindo 120 mil barris por dia. Quando houve a crise do petróleo, as reservas eram praticamente iguais a um ano de exportação, não tinha dívida. A dívida foi feita no governo Geisel.
O Geisel, na verdade, era o portador da verdade. O Geisel sempre tinha a verdade pronta".
Alguém esperava do Delfim Netto um comportamento diferente? Eu, não.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

A ex-guerrilheira Dilma cai no conto de Delfim Neto, guru da direita econômica e da ditadura

Quarta, 17 de novembro de 2010
Sob o título “Dilma buscará implementar a idéia de Delfim Netto, de Déficit Nominal Zero” o site Auditoria Cidadã da Dívida desnuda, mais uma vez, a hipocrisia e a perversidade da orientação econômica que tem submetido os governos brasileiros. A análise comenta o fato de que a ex-guerrilheira Dilma Rousseff, eleita presidente do Brasil, vai buscar o denominado “déficit nominal zero” o que, como lembra o site, significa cortar mais gastos sociais para que os juros da dívida possam ser pagos.

A idéia, má para o país e seu povo, mas maravilhosa para a banqueirada, foi proposta a Lula, em 2005, “por ninguém menos que o economista Delfim Netto”. Agora Dilma Rousseff se compromete a adotar o Déficit Nominal Zero.

Leia a análise feita pelo site “Auditoria Cidadã da Dívida”.