Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados."

(Millôr Fernandes)
Mostrando postagens com marcador irlanda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador irlanda. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Nova Grécia de Tsipras provoca onda anti-austeridade na Irlanda

Segunda, 2 de fevereiro de 2015

Na Irlanda existe a possibilidade dos partidos historicamente dominantes, Fine Gael e Fianna Fail, ficarem fora do poder pela primeira vez desde a fundação do Estado em 1922. A vitória do Syriza na Grécia deu um impulso extra aos partidos da oposição, principalmente ao Sinn Féin, que há meses acumula novos apoiantes.
Gerry Adams, Presidente do Sinn Féin, e Alexis Tsipras, líder do Syriza e atual primeiro-ministro da Grécia.

A economia irlandesa cresce e o desemprego desce, mas a chegada ao poder de um governo de esquerda radical na Grécia reavivou o debate sobre os sacrifícios provocados pela austeridade e pelos cortes.

A vitória do Syriza na Grécia deu um impulso extra aos partidos da oposição, entre eles o partido de esquerda Sinn Féin, que há meses acumula novos apoiantes.

“Esta carga insustentável de dívida que se impôs ao nosso povo é a principal causa da nossa miséria económica”, disse o líder do Sinn Féin, Gerry Adams, no Parlamento após as transcendentais eleições na Grécia.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Irlanda institui Auditoria Cidadã da Dívida

Quinta, 5 de maio de 2011
Da "Auditoria Cidadã da Dívida"
Notícia do Portal “Bussiness World” mostra que movimentos sociais da Irlanda lançaram hoje a Auditoria Cidadã da Dívida naquele país. Conforme mostra a notícia, a auditoria focará “a dívida dos bancos privados transferida ao setor público” e “visa apoiar a população para o real entendimento dos níveis da dívida irlandesa e suas implicações”.

O governo irlandês fechou recentemente um acordo com o FMI, para pagar as questionáveis dívidas anteriores, decorrentes do salvamento de bancos falidos e das altas taxas de juros. Esta iniciativa de auditoria mostra que cresce a resistência dos trabalhadores europeus contra os pacotes de cortes de gastos sociais e retirada de direitos. Conforme comentado na semana passada por este boletim, na Islândia a maioria da população votou contra o pagamento da dívida externa, em referendo ocorrido no início de abril.

Já no Brasil, o Senado Federal aprovou hoje a Medida Provisória (MP) 513, que prevê a emissão de mais títulos da dívida interna para serem entregues ao chamado “Fundo Soberano”, para que este Fundo compre ativos no exterior, tais como dólares ou títulos do Tesouro dos EUA. Em suma: mais uma vez, o país aumentará a sua dívida interna – que paga os juros mais altos do mundo – para investir em papéis no exterior, que rendem juros baixíssimos. Outro risco desta MP é permitir que o Fundo Soberano adquira “papéis podres” de bancos falidos na crise global.

O Jornal Estado de São Paulo divulga o lançamento do projeto “Brasil sem Miséria” pelo governo federal, que visa retirar da miséria 16,3 milhões de brasileiros que ganham até R$ 70 mensais. Porém, ainda não foram anunciadas as medidas que serão implementadas para atingir este objetivo, além de outros como a expansão de serviços públicos (como educação) e inclusão produtiva.

Portanto, caso tais 16,3 milhões de brasileiros passarem a ganhar R$ 71 por mês, a principal meta do governo Dilma estaria cumprida, o que representa um objetivo bastante rebaixado, frente às potencialidades e riquezas de um país como o Brasil, hoje transferidas aos rentistas por meio da dívida pública.

Este efeito estatístico também pode ser observado no estudo divulgado ontem pela Fundação Getúlio Vargas, segundo o qual o percentual de pobres no Brasil caiu 50% de 2002 a 2010, conforme mostra outra reportagem do jornal Estado de São Paulo. Porém, cabe comentar que, para tanto, foi considerada uma linha de pobreza de R$ 151 mensais, ou seja, quem ganha R$ 152 por mês já não é considerado pobre, embora não tenha aumentado significativamente sua renda.

Desta forma, não é de se espantar que a renda média mensal recebida pelos trabalhadores brasileiros em 2009 (R$ 1.111) ainda estava abaixo da renda média apurada em 1995 (R$ 1.113), conforme mostra a PNAD/IBGE (pág 271).

terça-feira, 23 de novembro de 2010

"Auditoria Cidadã da Dívida": Povo irlandês vai à querra contra o FMI

Terça, 23 de novembro de 2010
Publicado originalmente em "Auditoria Cidadã da Dívida"
O Jornal Nacional mostra os protestos da população da Irlanda contra o Acordo com o FMI, que significará pesados cortes de gastos sociais, para que sobrem recursos para pagar uma dívida ilegítima, feita para salvar os bancos falidos. Parte dos bancos privados do país foram adquiridos pelo governo, na tentativa de salvá-los, o que gerou grande déficit público.

O jornal Estado de São Paulo mostra que este acordo com o FMI poderá significar a demissão de 20 mil servidores públicos, além da redução do salário mínimo. O jornal também mostra que “se a Irlanda não cumprir os requisitos estipulados, o Fundo Monetário Internacional (FMI) terá o direito de intervir a cada trimestre como faz no caso grego e exigir mudanças em leis e novas medidas de austeridade fiscal.”

No Brasil, os rentistas também são privilegiados, conforme mostra outra notícia do Estado de São Paulo. Seja qual for o próximo presidente do Banco Central, “a questão da autonomia do BC está fora de discussão”, e “o governo Dilma será "responsável" na política monetária.” Portanto, as discussões que se multiplicam nos jornais sobre quem ocupará a cadeira de Presidente do BC bloqueiam as discussões que realmente importam: a auditoria da dívida e a necessária mudança nos pilares da política econômica, como o superávit primário (ou seja, a priorização da questionável dívida pública no orçamento) e o sistema de metas de inflação (que mantém taxas de juros várias vezes superiores aos demais países).

Por fim, o jornal O Globo traz manchete de capa equivocada, alegando que a maior parte do crescimento dos gastos no governo Lula se deve à Previdência Social e servidores públicos, e que as áreas da saúde e educação ficaram com somente 10% do aumento dos gastos de 2003 a 2010. O jornal dá a entender, portanto, que seria necessário conter as despesas com pessoal e previdência para que os recursos para a saúde e educação possam aumentar.

Porém, como sempre, a grande imprensa desconsidera os gastos com juros e amortizações da dívida, que representam mais que qualquer área social citada na reportagem.
- - - - - - - - - - - - - -
Acesse "Auditoria Cidadã da Dívida"

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Irlanda: mais um país da Europa cede ao FMI para salvar bancos às custas do povo

Segunda, 22 de novembro de 2010
Da "Auditoria Cidadã da Dívida"
Os jornais de hoje [20/11] noticiam que a Irlanda cedeu ao FMI e pedirá um empréstimo para cobrir o rombo feito para salvar o sistema financeiro, que gerou um déficit público de nada menos que 32% do PIB (soma de todas as riquezas produzidas pelo país em um ano). Assim como no recente caso da Grécia, o instrumento de chantagem dos rentistas – que forçou o país a recorrer ao FMI – foi o aumento dos juros exigidos pelo próprio setor financeiro para refinanciar a dívida pública, feita para salvar a si próprio.

Conforme comentado na edição de 18/11/2010 desta seção, a Irlanda irá aprofundar os cortes de gastos sociais, para pagar uma dívida ilegítima, feita para salvar bancos falidos. Cabe também ressaltar que esta conta será paga também pelo povo brasileiro, dado que recentemente o Brasil destinou vultosos recursos para o FMI emprestar a países, que por isso ficam condicionados a implementar medidas anti-sociais. Os recursos destinados pelo Brasil ao FMI foram retirados das reservas internacionais, que são obtidas às custas de mais dívida interna, que paga os maiores juros do mundo.

Em resumo: o povo brasileiro paga caro para que o FMI imponha na Europa reformas neoliberais desejadas pelos rentistas, que certamente serão citadas como exemplos para o Brasil no futuro próximo.

- - - - - - - - - - - - - -
Acesse "Auditoria Cidadã da Dívida".